Páscoa: evento fundante e luzeiro reluzente dos evangelhos
Sendo textos que não se confundem com crônicas jornalísticas, interessadas em descrever eventos segundo uma ótica estritamente histórica, os evangelhos são produções teológicas que, fundamentadas nos fatos, interpretam os acontecimentos referentes à vida e à missão de Jesus de Nazaré à luz da fé, e buscam divulgar uma mensagem que contém poder para salvar aquele que a acolhe: “Eu vim como luz para o mundo, para que não permaneça nas trevas todo aquele que acredita em mim. E se alguém ouvir as minhas palavras e não as guardar, eu não o julgarei, porque não vim para condenar o mundo. Quem me rejeita e não acolhe as minhas palavras, já tem quem vai julgá-lo: a palavra que eu falei é que haverá de julgá-lo no último dia” (Jo 12,46-48).
Esses textos teológicos não foram escritos simultaneamente aos fatos que neles estão narrados, constituindo uma literatura tardia e profundamente amadurecida no que diz respeito à interpretação daquilo tudo que tratam. Caso fossem redigidos por um autor individual no mesmo momento em que os acontecimentos descritos estivessem ocorrendo, os evangelhos estariam carregados das impressões pessoais de seus escritores, e, portanto, seriam afetados por sentimentos exagerados e compreensões reduzidas que ofuscariam a grandeza da mensagem salvífica. A distância de pelo menos três décadas que existe entre os eventos terrenos vividos por Jesus (anos 10 a 30 d.C.) e a redação dos evangelhos (anos 60 a 100 d.C.), garante uma maior maturidade de fé no processo de compreensão teológica e escrita dos fatos por parte das comunidades cristãs primitivas.
Escritos a partir da segunda metade do século I, os evangelhos são produções pós-pascais, ou seja, fundamentam-se e são esclarecidos pelo mistério central da fé cristã: “Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras. Foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1Cor 15,3-4); a base e a luz dos textos sobre a vida e a obra de Jesus é essa verdade fundamental do cristianismo, chamada de querigma ( do grego, κήρυγμα significa anúncio principal). Dessa forma, todas as narrativas evangélicas foram construídas sobre a verdade da ressurreição de Jesus e, ao mesmo tempo, são iluminadas por ela. Noutras palavras, cada acontecimento descrito pelas comunidades que redigiram os quatro evangelhos é sempre considerado tendo como referência a páscoa, que garante sua mais profunda e verdadeira compreensão teológica. Os textos encontram-se envolvidos pela luz pascal!
Certamente, caminhar pelo escuro não é uma tarefa fácil, especialmente quando o caminho é desconhecido. Sustos, tropeços e até quedas fazem parte da trajetória daquele que anda sem o auxílio de uma luz potente e duradoura. A angústia de quem se move na escuridão é tão atordoante quanto o passeio de um louco durante o seu recreio hospitalar. Mas tudo muda quando se ergue o luzeiro sobre a terra (cf. Gn 1,17), quando a luz é vista por aquele que andava nas trevas (cf. Is 9), quando se acende a lâmpada sobre a luminária (cf. Mt 5,15), quando a luz do mundo se mostra (cf. Jo 8,12). A páscoa é este grande luzeiro que rompe com a noite da ignorância dos apóstolos e discípulos sobre Jesus e sua missão salvífica no mundo: “já faz tanto tempo que estou no meio de vocês, e você ainda não me conhece, Filipe?” (Jo 14,9).
De fato, enquanto conviviam com o mestre, trilhando seus passos na Palestina, testemunhando seus milagres e ouvindo suas palavras, os apóstolos se assustavam, tropeçavam e caíam como crianças na escuridão: andavam, mas não entendiam a direção para onde iam; viam, mas não enxergavam os sinais; ouviam, mas não compreendiam a mensagem de Cristo. Por vezes, o Senhor chamou-lhes a atenção: “sois sem inteligência e lentos de coração para acreditar” (Lc 24,25)! No entanto, tudo o que viram da parte de Jesus, como se olhassem “o reflexo de um espelho e de maneira confusa” (1Cor 13,12), tornou-se claro e evidente com a ressurreição. Os seus seguidores puderam realizar uma leitura retroativa de tudo o que havia acontecido à luz da páscoa: a força iluminadora do evento pascal de Cristo abriu os olhos e a consciência de fé deles (cf. Lc 24,31) para compreenderem quem era Jesus e qual a sua missão entre os homens.
Portanto, é preciso reafirmar que as narrativas sobre a vida de Jesus não são reportagens que contam fatos para oferecer ao leitor informações jornalísticas sobre o Filho de Deus. Os evangelhos são textos teológicos, iluminados pela ressurreição, ou seja, escritos com a intenção de passar uma mensagem salvífica. Por isso, os quatro evangelhos canônicos, ou seja, aqueles que são considerados pela Igreja como textos inspirados por Deus para a salvação do mundo e que estão presente na Bíblia cristã, não foram redigidos simultaneamente aos fatos narrados por eles, mas após a ressurreição de Jesus: enquanto Marcos escreveu entre 60 e 65 d.C., Lucas e Mateus escreveram entre 70 e 80 d.C., e João escreveu entre 90 e 100 d.C.. Cada episódio evangélico está baseado e iluminado pela certeza “de que Cristo, ressuscitado dos mortos, não morre mais; a morte já não tem domínio sobre ele” (Rm 6,9). Os evangelistas não escreveram como se caminhassem pela noite, sem a compreensão teológica do que seguiam, viam e ouviam.
Os evangelhos são frutos de uma longa caminhada eclesial e de maturação teológica, isto é, de compreensão, na fé, da pessoa e da obra de Jesus. Eles respondem às perguntas teológicas sobre Jesus e seu apostolado sempre com a exclamação pascal de Rm 8,11: “e se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dos mortos mora em vocês, ele que ressuscitou Cristo dos mortos dará a vida também aos corpos mortais de vocês”. Logo, quem é o menino que nasceu na manjedoura de Belém? Aquele que ressuscitou dos mortos! Quem é o jovem que pregou e realizou milagres pela Galileia? Aquele que ressuscitou dos mortos! Quem morreu na cruz em Jerusalém? Aquele que ressuscitou dos mortos! Ao ler os textos bíblicos, especialmente os do Segundo Testamento, é preciso recordar deste responsório que deve se intercalar com cada versículo, como numa ladainha pascal que reforça no texto bíblico a presença do Senhor ressuscitado.
Assim, a páscoa é o evento fundante e o luzeiro reluzente que, ao irromper na história humana como a coluna de fogo que alumiava o caminho dos hebreus nas noites do deserto (cf. Ex 13,21), baseia e ilumina tudo o que a precedeu, inclusive os fatos do Primeiro Testamento, e aquilo que a sucedeu, a vida e a história atuais. A ressurreição de Cristo é a tinta da pena com a qual as comunidades evangelizadas pelo querigma apostólico escreveram seus textos, e deve ser a lente através da qual a comunidade cristã os lê e os interpreta. Cada evangelho, escrito a seu tempo, destinado a uma determinada comunidade e portador de uma visão teológica específica sobre Jesus e sobre o seu ministério salvífico, é, na verdade, um testemunho vivo daquela estrondosa e assustadora novidade querigmática inaugurada pelo cristianismo: a páscoa do Filho de Deus, “o Vivente” (Ap 1,18).
Imagem de Dimitris Vetsikas por Pixabay
#Reflexão: 3° Domingo do Advento (14 de Dezembro)
A Igreja celebra o 3° Domingo do Advento, neste domingo (14). Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: Is 35,1-6a.10
Salmo: Sl 145(146),7.8-9a.9bc-lO (R. cf. Is 35,4)
2ª Leitura: Tg 5,7-10
Evangelho: Mt 11,2-11
A BELA SURPRESA DE DEUS PARA NÓS
O Natal é a realização da promessa de Deus para a humanidade, mas de qual promessa estamos falando? As leituras deste 3o domingo do Advento nos ajudam a aprofundar aquilo que Deus prometeu realizar com a vinda de Jesus em nosso meio.
Na primeira leitura, nós temos, nas palavras de Isaías, o anúncio de um tempo novo e uma realidade nova neste mundo. Para expressar esta mudança, o profeta usa de imagens de algumas realidades extremas que serão transformadas: deserto vai florir com alegria e se transformará em júbilo. Mas, a principal novidade acontecerá na realidade humana: Os fracos serão fortificados, os desanimados reencontrarão alegria, Ele mesmo (nosso Deus) virá nos salvar. Será um tempo de liberdade e felicidades para aqueles que reencontrarem o caminho de Deus. Vai acontecer, enfim, o “tempo de vingança”, não contra pessoas, mas de tudo que provoca o mal e a tristeza entre nós.
O profeta Isaías pontua que a principal transformação será na realidade que marca a vida das pessoas. O Messias será aquele que vai resgatar o homem de tudo que produz sofrimento e distancia todos de Deus. Infelizmente, a mentalidade que se desenvolveu ao redor da esperança em relação ao Messias concentrou-se sobre mudanças estruturais, econômicas, políticas e sociais. O Salvador, para muitos em Israel, seria mais um rei como foi o rei Davi. Mas, Deus surpreendeu a todos ao decidir realizar suas promessas em Jesus.
No Evangelho de Mateus encontramos novamente João Batista, mas desta vez, ele estava na prisão. Herodes gostava de ouvi-lo, mas João não poupou suas palavras em denunciar seus pecados, por isto, o Batista foi parar na prisão. Não teve uma morte imediata, pois o governador romano temia a reação das multidões. De dentro da prisão, João teve liberdade de receber visitas e ficou sabendo das “obras de Jesus”. Aquilo que lhe foi contado deixou-o pensativo e cheio de dúvida.
Nós sabemos que a ligação entre Jesus e João era muito grande, pois, desde criança, suas vidas foram interligadas principalmente pelo laço de parentesco entre seus pais. Os dois certamente se encontraram com frequência na infância e na adolescência, mas em certo momento da vida, cada um seguiu seu caminho.
João tinha uma ideia clara sobre sua missão e também “daquele que deveria vir” (Messias), mas Jesus não se enquadrava em seus esquemas. O Batista pregava um tempo de austeridade e rigor na observância dos princípios fundamentais da fé judaica. Para ele, a missão do Messias seria de separar os pecadores dos justos, os observantes da verdadeira religião, daqueles que não se preocupavam em praticar os princípios da lei. Mas, Jesus não estava fazendo isto. Pelo contrário, as atitudes de Jesus não se encaixavam na ideia que João tinha do Messias.
Discípulos são enviados para perguntar a Jesus sobre quem Ele se considerava. Para João, o modo de vida de Jesus despertava mais dúvidas do que certezas, pois aparentemente Ele estava fazendo tudo ao contrário. O Reino de Deus pensado por Jesus não começa no templo, mas entre as lágrimas dos últimos da fila: os cegos, os paralíticos, os surdos, os leprosos, os mortos, os pobres...; de onde a vida está mais ameaçada. Ele não cura as pessoas para engrossar as fileiras de seus discípulos, para torná-los seguidores, para atraí-los à fé como peixes fisgados no anzol da saúde recém-adquirida; mas para restaurá-los à sua humanidade plena e curada, para que possam ser livres e íntegros. E não precisem mais chorar. (Ermes Ronchi).
Jesus desde o início pregou o perdão dos pecados e não a penitência; um Deus da misericórdia e não da vingança; um tempo de igualdade e não de privilegiar os justos. Jesus convivia com os pecadores, com os publicanos e outras pessoas de má fama (como certas mulheres) e pouco falava sobre o Templo, bem como criticava certas tradições. Jesus foi uma grande surpresa também para João Batista!
Jesus rompeu todas as ideias que existiam sobre o Messias, mas foi uma “feliz surpresa” de algo que ia muito além dos esquemas pensados por todos. Tudo isto questionou João se tudo o que ele mesmo tinha realizado estava na direção certa, conforme vemos na própria pergunta dos discípulos.
O Natal é o primeiro momento em nossa caminhada de fé em que somos chamados a entrar no esquema de Deus e abandonar certas certezas pessoais. O Natal nos desnuda de nossas falsas seguranças e nos propõe a simplicidade do presépio e da manjedoura. O centro é a pessoa de Jesus, como para Ele, foi cada pessoa que Ele encontrou em Sua vida.
Diante da pergunta dos discípulos de João, Jesus propõe um caminho que devemos seguir sempre: analisar os sinais ao nosso redor. Nosso Deus não realiza sua vontade de uma forma obscura e distante de nós, mas sim através de sinais e indícios que somos convidados a perceber. Nosso Senhor convida os discípulos para “ouvir”, “ver” e depois “anunciar” a João aquilo que Ele estava realizando: pessoas estavam sendo resgatadas de suas tristezas e libertadas de seus sofrimentos, a vida estava sendo revalorizada exatamente para aqueles que eram já considerados sem esperança: cegos, paralíticos, leprosos, surdos etc. O mundo novo prometido pelas Escrituras estava sim acontecendo ao redor de todos, não nas estruturas sociais e religiosas, mas nos corações e na vida das pessoas.
Jesus provocou uma crise não nas promessas divinas, mas nos “esquemas pessoais” que todos possuíam inclusive em João Batista. O Natal possui este encanto de nos convidar para a simplicidade, a humildade e para as pequenas coisas da vida, lá onde o Reino de Deus possui sua força e dinâmica salvadora.
Após a partida dos discípulos do Batista, Jesus continua aprofundando a questão, mas desta vez, usa a própria figura conhecida de João Batista. Jesus foi questionado, agora Ele questiona quem é João: “Quem vocês foram ver?” Jesus parte daquilo que todos viam em João (alguém simples e frágil como uma cana, com roupas humildes, em um lugar sem riquezas) para lembrar a todos da força que o Batista representava dentro do projeto de Deus: ele era somente o predecessor do Messias. O Esperado por todos (Jesus), na realidade, não rompeu este caminho, mas ampliou para todas as pessoas.
Deus tem essa força de transformar aquilo que é simples e aparentemente fraco em fonte de graça para seu povo. João é o maior dos profetas do Antigo Testamento, pois teve a missão de preparar a chegada do Messias, mas com a vinda de Jesus, todos agora podem usufruir perenemente desta fonte, basta saber observar e perceber os sinais de Deus ao nosso redor, para isto é preciso abandonar os nossos esquemas e entrar na lógica de Deus.
Tiago na segunda leitura nos convida a perseverar na esperança e também estar atentos aos sinais de Deus, pois Ele está sempre próximo de nós, sempre vem ao nosso encontro através das pessoas e um dia se manifestará novamente com toda sua glória. O c atento é chamado a viver sempre nesta expectativa diária e constante do encontro com o Senhor: nas coisas simples, em cada irmão e irmã e um dia em sua Glória.
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#Reflexão: 2° Domingo do Advento (07 de Dezembro)
A Igreja celebra o 2° Domingo do Advento, neste domingo (07). Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: Is 11,1-10
Salmo: 71(72),1-2.7-8.12-13.17 (R. cf. 7)
2ª Leitura: Rm 15,4-9
Evangelho: Mt 3,1-12
MUDAR DE VIDA PARA ENCONTRAR COM O SENHOR
O Advento é um tempo de escuta e de respostas. O convite principal que ouvimos é de “ir ao encontro” não de uma festa ou coisas externas, mas para um encontro com o Senhor Jesus. O Natal é uma pessoa e não coisas! Neste segundo domingo temos a palavra de dois profetas que em momentos diferentes convidam a todos a uma mudança profunda de vida. Um profeta não é um “adivinho do futuro”, mas fala aquilo que Deus quer revelar sobre o presente e sobre o futuro.
Isaías nos lembra da grande força de Deus que se “esconde” nas coisas pequenas da vida: um broto será o início de algo grande em nosso meio. Será pequeno e singular para se identificar com todos, mas será responsável pela transformação de tudo que existe. O profeta insiste diversas vezes sobre a principal qualidade daquele que virá um dia: a justiça. Procurará semear a igualdade entre todos, mas com uma especial atenção para com os pobres; para os orgulhosos e os injustos são reservadas palavras mais duras, pois se existem miseráveis entre nós é porque falta para estes, o que é jogado fora nas mesas de muitos ricos.
O profeta Isaías recorda o sonho inicial de Deus para a humanidade: um mundo de respeito, de igualdade e sem violência até mesmo na natureza como foi no Paraíso criado por Deus, mas tudo foi perdido por causa dos pecados de nossos primeiros pais. O caminho para reconstruir tudo, necessariamente, passa pela justiça.
Mateus no Evangelho nos lembra das primeiras palavras do profeta João Batista. O ambiente onde tudo acontece também é muito significativo. Tudo transcorre no deserto da Judeia, longe da cidade e num lugar desprovido de tudo. A primeira necessidade é se distanciar e buscar um local onde o essencial seja único e fundamental.
A cidade é o espaço privilegiado do ser humano. Ali ele constrói e organiza tudo conforme seu gosto e objetivo. É o lugar onde o “senhor de tudo” são as pessoas, pois tudo é feito para funcionar conforme as necessidades de todos de uma forma prática e direta: tudo é mais fácil e cômodo na cidade. No mundo da cidade, o dia se confunde com a noite e as pessoas vivem não na tranquilidade e na paz, mas envolvidas em inúmeras angústias, aflições e medos. As nossas cidades não se tornaram o Paraíso que se sonhava para a humanidade.
João Batista prega no deserto e para tanto é necessário sair, deixar a cidade, suas estruturas e respirar um mundo onde tudo ao redor nos remeta a algo maior que nós. O deserto recorda nossas fragilidades e limites; chama atenção da necessidade de se ter o necessário para caminhar e nos ajuda a buscar o fundamental para nossa vida. No deserto, a pessoa redescobre a importância do outro para juntos caminhar, bem como nos lembra que somos frágeis e limitados neste mundo. Fora da realidade urbana, vemos o céu e o silêncio da noite, podemos “nos ouvir” juntamente com o silêncio da natureza. Para ouvir melhor o anúncio de João é necessário deixar de lado, por um tempo, o nosso mundo de barulho, de angústias e acolher a Palavra de Deus. Aqueles que buscam o Batista no deserto, também deixam pra traz em Jerusalém, o templo e todas as suas festas, celebrações e costumes. Deus fala também no simples e humilde João no deserto.
A primeira palavra do Batista é “convertei-vos!”. É necessário “mudar de direção” (conversão), repensar nossos caminhos e quais desejos e projetos nós estamos buscando. O convite é para reorganizarmos nosso rumo, pois, segundo João Batista o “Reino dos Céus está próximo”, isto é, ele está “ao nosso lado” (próximo), mas as pessoas não estão enxergando. O Reino de Deus não é um sonho para outros mundos e nem distante no tempo e na história, mas já está entre nós e facilmente qualquer um pode aderir a ele.
Mateus comenta o modo de vida de João. Suas palavras são profundamente fortes, pois são reforçadas pela sua própria vida. João vivia com o essencial para sua sobrevivência e convida a todos a buscarem também o fundamental. Ele é radical em suas palavras, pois é do mesmo modo em suas opções e em sua vida.
Sabemos de dois grupos de pessoas que lá estavam para ouvir João Batista. Muitos se deixavam tocar por suas palavras e exemplo e por isto, confessavam seus pecados (arrependimento pessoal e comunitário) e se submetiam a um ritual de penitência (eram batizados no Jordão). Pessoas que entenderam que precisavam mudar de vida para poder sentir a proximidade do Reino de Deus com intenção e gestos concretos.
Outro grupo presente eram os fariseus e saduceus. Estavam lá para “conhecer” João Batista. A fama do pregador do deserto despertou não o desejo de mudança, mas somente a curiosidade destes religiosos. Escutam, mas não se deixam tocar pela palavra. Para eles, tudo está já em ordem e perfeito como eles viviam, por isto, não havia necessidade de se abrir e se deixar tocar pelas palavras de João. Eles sentiam que já tinham a “posse” do Reino de Deus que eles tinham criado em Jerusalém. Estavam fechados em um mundo onde eles reinavam e tudo estava certo segundo o modo de vida deles, mas, no fundo, eles estavam era longe de Deus. João reserva para esses falsos religiosos as palavras mais duras e firmes (como Isaías). Era necessário sacudi-los e mexer com suas bases pessoas e religiosas para que pudessem perceber que algo novo já estava acontecendo.
João chama atenção que não bastam palavras e pensamos para se sentirem justificados (= justiça) diante de Deus, é necessário produzir bons frutos. Sabemos que somente os exemplos e o testemunho possuem a força de convencer sobre os nossos bons princípios, valores e a nossa fé. A resposta de nosso futuro depende de nossas boas escolhas de hoje!
No deserto, longe da cidade e de tudo, ouviram ressoar a voz do profeta João Batista convidando a todos a mudarem de vida para acolher o novo que já estava próximo. O mesmo convite deve ser atualizado hoje em nossos corações para percebermos a grandeza de Deus que decidiu vir a este mundo como um rebento de uma planta: simples e humilde.
Paulo reforça o convite que devemos sempre buscar nosso Deus que vem ao nosso encontro sempre. Ele é o Deus da consolação e da perseverança que nos trata como iguais e filhos, por isto precisamos também viver a mesma igualdade uns com outros.
O Natal é um tempo de acolhida e de alegria, pois acolhemos o outro como o maior tesouro que possuímos neste mundo. Encarnando na realidade humana, Jesus tornou cada pessoa, sacramento de sua presença. Para isto é necessário acolher sua palavra e deixar que ela nos transforme em novos profetas (como Isaías, Paulo e João) que com o exemplo e com frutos de justiça e misericórdia, todos possam acolher o Reino de Deus dando frutos de amor e de paz.
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Devotos da Mãe Peregrina participam da romaria arquidiocesana ao Santuário de Atibaia
Devotos da Mãe Rainha participaram da segunda romaria da Arquidiocese de Pouso Alegre (MG) ao Santuário da Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt, localizado em Atibaia (SP). A peregrinação aconteceu no domingo, 30, e contou com a participação de cerca de 1.560 peregrinos provenientes de 36 paróquias, de 18 cidades da Arquidiocese.
O organização da romaria ficou a cargo da coordenadora do Setor Mandú, Márcia Custódio Alves, auxiliada pelos coordenadores do Setor Paraíso, Ângelo Célio de Azevedo e do Setor Mogi, Alan Robinson da Costa.
Em Atibaia, a acolhida aos romeiros e a catequese foram conduzidas pela Irmã Josiane Maria Santos de Moura, na Tenda dos Peregrinos. Ainda pela manhã os presentes participaram da recitação do Santo Terço iniciada na própria Tenda e concluída na entrada do Santuário.
Após o almoço, os romeiros se reuniram para um momento de Adoração e Bênção do Santíssimo Sacramento. A segunda romaria arquidiocesana foi concluída com a celebração da Santa Missa, do Primeiro Domingo do Advento. A Eucaristia foi presidida pelo padre Edson Aparecido da Silva, pároco da Paróquia Nossa Senhora das Dores, em Gonçalves (MG).
Devoção
A devoção à Mãe Rainha é antiga na Arquidiocese, porém, depois de alguns anos sem uma coordenação arquidiocesana, em 2023 o então coordenador de pastoral, padre Edson Aparecido, conduziu a reestruturação e reorganização do Movimento.
Apesar de já terem sido realizadas outras peregrinações ao Santuário, para marcar a retomada das atividades em nível arquidiocesano, no ano passado foi organizada uma romaria dos devotos até Atibaia. A iniciativa passou a ser considerada pela nova coordenação como sendo a primeira romaria arquidiocesana até a Casa da Mãe e Rainha de Schoenstatt.
Texto: Éder Couto, com a colaboração de Lidiane Brito e Paulo José Andery Filho.
Imagens: Divulgação/Movimento Mãe Rainha da Arquidiocese de Pouso Alegre.
Missa Inaugura Ano Eucarístico na Arquidiocese de Pouso Alegre
No último domingo, 30 de novembro, a Arquidiocese de Pouso Alegre deu início ao Primeiro Ano Eucarístico Arquidiocesano, celebrando uma nova etapa de vivência espiritual para suas 70 paróquias e mais de mil comunidades. O decreto, assinado na Cúria Metropolitana e lido ontem (30) na Igreja Catedral e Paróquias da Arquidiocese, enfatiza a importância da Eucaristia como centro da vida pastoral e missionária da Igreja, especialmente em um momento em que se comemora os 125 anos da arquidiocese e a reflexão das conclusões do 1º Sínodo Arquidiocesano.
O tema escolhido para este ano é "Eucaristia: caminho do amor, da unidade para a missão", destacando a urgência de fortalecer o "espírito de unidade" entre as comunidades cristãs, conforme apontado durante o processo sinodal. O decreto exorta presbíteros, diáconos e leigos a se comprometerem com uma espiritualidade eucarística autêntica, buscando na Eucaristia a força necessária para transformar vidas e promover o amor ao próximo, especialmente aos necessitados.
Durante este Ano Eucarístico, que se encerrará em 22 de novembro de 2026 na solenidade de Nossa Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, a Arquidiocese realizará diversas celebrações e atividades, que incluirão uma procissão eucarística. A intenção é promover um profundo encontro com Cristo em cada assembleia litúrgica, incentivando todos a se tornarem testemunhas do amor de Cristo.
Maria Santíssima, a "Mulher Eucarística", é invocada para acompanhar os fiéis neste caminho, inspirando-os a viverem em comunhão e a partilharem a alegria do Evangelho, seguindo o exemplo dos discípulos de Emaús. O decreto reforça a esperança de que este Ano Eucarístico seja um período de renovação espiritual e aprofundamento da fé para toda a comunidade arquidiocesana.
Texto: Pe. Júlio César dos Santos Júnior
Ordenação Presbiteral do Diácono João Pedro Bastos Cardoso
No dia 29 de novembro, o Santuário Santa Rita de Cássia, em Extrema, foi palco de um momento histórico e de grande significado para a comunidade, com a ordenação presbiteral do diácono João Pedro Bastos Cardoso. A cerimônia foi conduzida por Dom Majella, que destacou a importância deste passo na vida do novo sacerdote.
Durante a celebração, que contou com a presença de diversos padres, diáconos, seminaristas e cristãos leigos, a atmosfera de fé e alegria foi contagiante. O tema escolhido pelo diácono João Pedro para sua ordenação, “Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor” (Salmo 88, 2), refletiu seu compromisso com a missão sacerdotal e com a vivência do Evangelho.
A cerimônia foi marcada por momentos de oração, louvor e a reafirmação do chamado do neo-sacerdote João Pedro ao serviço da Igreja, reiterando a importância da dedicação e do amor ao próximo em sua nova função. A comunidade local também expressou sua gratidão e apoio ao novo sacerdote, que iniciará sua jornada pastoral com o foco em levar a mensagem de esperança e misericórdia a todos.
Texto: Pe Júlio César dos Santos Júnior
Imagens: Pascom - Santuário de Santa Rita de Cássia - Extrema (MG)
Padres participam de Curso de Organização de Arquivos Eclesiásticos em São Paulo
De 24 a 28 de novembro, os padres José Luiz Faria Júnior e Júlio César dos Santos Júnior estiveram na capital paulista para participar do Curso de Organização de Arquivos Eclesiásticos, promovido pelo Arquivo Metropolitano “Dom Duarte Leopoldo e Silva”, da Arquidiocese de São Paulo. O curso proporcionou dias intensos de estudo e conhecimento, além de momentos de partilha entre os participantes.
Os padres ressaltaram a importância de conservar a história e a memória institucional da Igreja, destacando que a preservação adequada dos arquivos é fundamental para que as raízes da comunidade eclesial sejam mantidas de maneira segura e acessível. A iniciativa visa garantir que as informações e documentos essenciais possam ser consultados pelas futuras gerações, assegurando que a identidade e a trajetória da Igreja continuem a ser valorizadas.
Este curso foi uma oportunidade valiosa para que os padres ampliassem seus conhecimentos sobre a gestão de arquivos, contribuindo assim para a organização e o fortalecimento da memória institucional da Arquidiocese.
Texto e fotos: Pe Júlio César dos Santos Júnior
Assembleia Eclesial Pós-sinodal reúne fiéis para o 1º Sínodo Arquidiocesano em Pouso Alegre
No dia 22 de novembro de 2025, a Casa de Oração Mons. Mauro Tomasinni, localizada no bairro Chaves em Pouso Alegre – MG, foi palco da Assembleia Eclesial Pós-sinodal, marcando o 1º Sínodo Arquidiocesano com o tema "Igreja: caminho de comunhão para a missão". O evento teve início às 07h30, com credenciamento e um saboroso café, reunindo fiéis e líderes da comunidade.
A programação foi enriquecida com momentos de acolhida e animação, seguida por uma oração inicial que refletiu sobre o percurso sinodal e a vida eclesial, conduzida pela CAL. O Arcebispo e os Coordenadores de Pastoral compartilharam a proposta do sínodo, preparando os participantes para o aprofundamento dos temas propostos.
O primeiro capítulo, intitulado "No caminho de Emaús – Um percurso histórico de comunhão e participação", foi apresentado pelo padre Paulo Adolfo, proporcionando um panorama sobre a importância da participação da comunidade. Após a apresentação, os participantes se dividiram em grupos para refletir e discutir, promovendo uma conversa rica no Espírito.
Com um intervalo para café, o encontro retomou atividades com a apresentação do segundo capítulo "Na escuta da Palavra – Fundamentos Teológicos", conduzido pelo padre Adriano São João. O momento seguinte também reservou espaço para discussões em grupos e reflexão pessoal.
O evento continuou com uma oração e um almoço que uniu os participantes em comunhão e fraternidade. À tarde, a música animou o retorno dos participantes ao salão, preparando-os para o terceiro capítulo que abordou "No serviço da Missão – Proposições pastorais", apresentado por um grupo de padres e colaboradores. Novamente, a interação em grupos proporcionou um espaço para partilha e reflexão.
Encerrando a assembleia, os presentes participaram de uma celebração conclusiva, organizada pelo CNLB (Núcleo Pouso Alegre), culminando em um momento de agradecimento e despedida.
A Assembleia Eclesial Pós-sinodal destacou a importância da comunhão e participação da comunidade católica, reafirmando o compromisso da Igreja com a missão de caminhar junto a todos os fiéis.
Texto e foto: Pe. Júlio César dos Santos Júnior
#Reflexão: 1° Domingo do Advento (30 de Novembro)
A Igreja celebra o 1° Domingo do Advento, neste domingo (30). Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: Is 2,1-5
Salmo: 121(122),1-2.4-5.6-7.8-9 (R. cf. 1)
2ª Leitura: Rm 13,11-14a
Evangelho: Mt 24,37-44
VINDA DE JESUS, DIA DE ALEGRIA E LIBERTAÇÃO
Iniciamos em nossa Igreja um novo caminho e um novo ano litúrgico neste domingo. As quatro semanas do Advento nos ajudarão nesta estrada para acolhermos com alegria e simplicidade o Nascimento de Jesus. Mais do que nunca precisamos preparar o nosso coração para o Natal de Nosso Senhor, pois precisamos de muitas graças e bênçãos de Deus particularmente nestes últimos tempos.
Este tempo de recolhimento é conhecido como “Advento” que significa: aproximar-se, chegar, vir. E pode ser entendido de dois modos: nosso aproximar-se do mistério do Natal ou o aproximar-se de Deus em nossa vida. A cor que predomina neste tempo é o roxo (com uma tonalidade mais leve que o roxo da Quaresma). O interessante é que o roxo é uma cor composta com o vermelho e o azul. Vermelho nos recorda o nosso sangue e a nossa natureza humana; o azul é a cor que nos lembra do céu e de Deus. Uma vez unidas as cores para se chegar ao roxo, não se pode mais separá-las.
Neste tempo de recolhimento e oração, somos convidados a rever nossa vida e nossos valores confrontando com os ensinamentos de Jesus e com suas propostas de vida. O mundo possui inúmeros projetos de alegria e de felicidade, mas estão se revelando limitados e frustrantes, pois fundamentam tudo em uma alegria que se esgota na realidade material e física, restrita a momentos e a algumas pessoas. O projeto de Reino de Deus inicia neste mundo, envolve todas as pessoas e nos conduz a verdadeira felicidade que ultrapassa nossa existência e história. Jesus, com sua vinda, procurou nos ensinar o caminho que somos convidados a redescobrir nestes dias e percorrer em toda nossa vida.
Na primeira leitura, o profeta revela o sonho de Deus para toda a humanidade. Será um tempo de união, de encontro, de alegria e de fraternidade. Tempo onde tudo será feito para o bem do próximo: as espadas serão transformadas em instrumentos para produzir pão; as lanças serão convertidas em foices para a colheita. A Palavra e a lei de Deus guiarão o povo de Deus. Todos serão especialistas não na arte da guerra, mas em produzir paz e o bem estar pra todos. Mas, é necessário caminhar nos caminhos do Senhor, seguir seus passos e se deixar guiar por seus ensinamentos e mandamentos.
Palavras corajosas do profeta que pregou o contrário daquilo que o povo estava fazendo: o país se preparava para a guerra. Aquilo que era fundamental para a subsistência da sua gente (arado e foices) estava sendo transformado em armas de guerra: Esperança inútil de uma paz que o povo de Deus nunca conheceu.
No tempo de Jesus, Israel não se encontrava em guerra e o país possuía uma aparente tranquilidade. Tudo estava acontecendo conforme a tradição e os costumes judaicos isto tudo com a aprovação do estado romano. Exatamente esta aparente serenidade oferecida pelo império romano que Jesus procurou questionar e alertar seus discípulos e o povo que o seguia.
Jesus representava o novo projeto de Deus que era algo que ia além de tudo que todos estavam acostumados ver: recolocar o ser humano no centro de tudo e acima de tudo. O mundo na época de Cristo progredia aparentemente muito bem, mas as pessoas (principalmente os excluídos) encontravam-se abandonadas pelo estado romano e até mesmo pela religião judaica. O Reino de Deus inaugurando com a vinda de Cristo tinha como principal proposta o amor que brota de Deus, mas que deveria contagiar a todos. Assim, Jesus fez a opção de estar no meio das pessoas e ali ensinar o que significava a misericórdia de Deus.
Resgatando uma situação conhecida de todos (história de Noé), Jesus exorta que o novo de Deus nem sempre é percebido pela maioria das pessoas. A presença de Deus (Filho do Homem) era algo que já estava acontecendo, mas poucos tinham percebido, como nos dias de Noé. Naquele tempo, tudo transcorria como de costume e todos viviam suas vidas fazendo o que sempre foi feito: comiam, bebiam, casavam-se até o momento em que o Dilúvio teve início. Segundo Jesus, as pessoas não estavam fazendo nada de anormal ou errado, mas havia um grande problema: na vida de todos, Deus não tinha mais espaço. As pessoas viviam suas vidas sem se importar com Deus e os seus mandamentos. O livro da Gênesis nos diz que o pecado tinha se espalhado por todos os lados e o mundo tinha se corrompido. As pessoas tinham perdido a sensibilidade pelas coisas de Deus.
Vivemos um tempo semelhante ao de Noé. As pessoas têm tempo para tudo menos para as coisas de Deus. Muitos levam uma vida como se tudo se resumisse a este mundo e esta existência e quando se deparam com algo que rompe esta normalidade, veem desabar tudo que lhes dava segurança. Noé e seus familiares estavam sintonizados com Deus e viveram suas vidas como os outros, mas buscando sempre estar em comunhão com Deus.
No tempo do Dilúvio, a destruição foi geral e indiscriminada; segundo Jesus no Evangelho, no tempo da vinda do Filho do Homem tudo será pesado conforme a história de cada um. O juízo de Deus levará em conta como cada pessoa conduziu sua vida. Assim, dois homens estarão trabalhando normalmente, um será tomado e outro deixado. Da mesma forma duas mulheres em seus afazeres domésticos: uma será tomada e outra deixada. Mesmo sendo pessoas da mesma família e com profundos laços, o destino de cada será independente.
Jesus convida a vigilância, pois tudo acontecerá sem que se saiba o momento exato. Vigiar para Jesus é estar atendo não ao momento quando tudo chegará ao seu final, mas em como cada um está conduzindo sua própria existência. Não é um convite para ficar olhando para o céu (em busca de sinais), mas uma analisar como cada um está vivendo sua vida. A tranquilidade e a serenidade podem ser somente sinais de um bem estar para as coisas deste mundo, mas também um grande sinal de uma vida vazia da presença de Deus.
Com uma imagem muito usada por Jesus, o alerta continua para vigiar contra a vinda do ladrão. Para aqueles que estão em comunhão com Deus, será um tempo de encontro e de lucro, pois a salvação eterna se aproxima; para aqueles que estão apegados a este mundo, a vinda de Nosso Senhor será como se fosse um ladrão. Para esses últimos, será tempo de tristeza, de perda e um grande vazio.
Paulo na segunda leitura também convida todos a não se apegarem às coisas deste mundo. Segundo ele, nós somos cidadão dos céus e por isto devemos caminhar como filhos da Luz sem temer as forças deste mundo, pois se estamos em paz com Deus ninguém poderá nos acusar de nada.
Por fim, Jesus convoca seus seguidores à vigilância constante, pois tudo pode acontecer a qualquer momento. Cabe a cada fiel construir sua vida como Noé viveu seus dias: procurando responder a vontade de Deus e conduzindo sua vida em meio aos outros de sua terra. Precisamos redescobrir o caminho da luz deixado por Jesus, iluminar nossos passos com as Palavras e principalmente, marcar nossa existência com o testemunho de nossa fé.
O tempo do Advento é o momento em que somos convidados a um recolhimento para esvaziar nossos corações de tantas coisas inúteis deste mundo, e dessa forma, preparar nossa vida para renovar, mais uma vez, a presença de Deus que um dia veio a este mundo em uma criança e a cada momento de nossa existência se aproxima de nós em cada pessoa que encontramos em nossa estrada.
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#Reflexão: Solenidade de Cristo Rei do Universo (23 de novembro)
A Igreja celebra a Solenidade de Cristo Rei, neste domingo (23). Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: 2Sm 5,1-3
Salmo: 121(122),1-2.4-5 (R. cf. 1)
2ª Leitura: Cl 1,12-20
Evangelho: Lc 23,35-43
JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO
A celebração de hoje conclui o ano litúrgico da Igreja: no próximo domingo, iniciamos um novo ano com o tempo do Advento. Esta solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo, aparentemente não combina muito com tudo que conhecemos de Jesus e dos seus ensinamentos: Nosso Senhor nunca se interessou por qualquer tipo de poder deste mundo. Mas, a realeza que celebramos hoje de Jesus Cristo é diferente e não se encontra nenhuma ligação com os reis e os impérios que a história já conheceu.
Desde o início da vida pública de Jesus, Ele sempre anunciou a vinda e a inauguração neste mundo do “Reino de Deus” (ou “Reino dos Céus”, como prefere afirmar Mateus; cf. Mt 3,2; 4,17...) e através de várias parábolas, Ele procurou mostrar a força e a presença desse Reino não como mais um reino entre outros, mas como uma presença ativa e eficaz da graça de Deus neste mundo. De uma forma diferente e atuante, Cristo afirmou para os fariseus que o “Reino de Deus já está entre vós” (ao alcance de todos; cf. Lc 17,21).
O Reino de Deus não se identifica com nenhuma organização humana que é limitada no tempo e no espaço. É uma realidade que vai além da realidade humana, liga o céu com a terra e permanece presente por toda a história humana até a consumação de seus dias, como percebemos nas palavras de Paulo na segunda leitura. É um Reino diferente com um Rei diferente.
Na primeira leitura, temos a lembrança de quando iniciou o reino de Davi, o eleito de Deus para reinar sobre seu povo. Ele foi o ungido que governou e organizou o reino do povo de Deus. Davi foi sinal do Reino definitivo e eterno que Jesus iria, posteriormente, inaugurar na história e que permanecerá para sempre na realidade humana.
Trata-se, assim, de um Reino cujo rei não governa como os soberanos deste mundo; que não possui um trono de ouro ou coroa de pedras preciosas. Jesus conquistou sua realeza não fazendo guerra contra outros reinos, mas de uma forma diferente. O Evangelho de Lucas deste domingo nos lembra dos últimos momentos de Cristo e os últimos desafios que enfrentou para criar, não em um momento e lugar na história um poder soberano, mas para sempre o Reino de Deus definitivo para a salvação de todos.
A cena da crucificação não nos dá de imediato a imagem de uma realeza conforme conhecemos, mas, foi exatamente na cruz que o Reino de Deus ganhou a sua máxima expressão em relação a tudo que Jesus ensinou e viveu. Ali estão representados todos que são tocados por Jesus Cristo. Alguns reagem ainda como opositores do projeto e da pessoa de Jesus, somente um se associa com confiança ao Reino de Jesus.
O “povo” é descrito como simples espectador: estava ali somente observando. Como acontece quase sempre, a multidão é manipulada e usada para se conseguir algo. O povo sempre precisa de alguém que o guie, mas quase sempre vemos pessoas que manipulam e exploram a vontade popular. Sem o seu guia, o povo simplesmente assistiu os últimos momentos de Jesus. Um pouco depois da crucificação (Lc 23,48), Lucas diz que o povo estava ali para ver o “espetáculo” (única ocorrência no NT) que estava acontecendo.
Lucas cita a presença dos “chefes”, representantes do poder religioso. Diante da cena de alguém que somente procurou fazer o bem, as palavras deles são de provocação e ironia. Eles testemunham o bem que Jesus fez (“salvou a outros”) e desafiam Jesus na cruz com as mesmas palavras usadas pelo Diabo durante as tentações no deserto: “Se és o Messias (Cristo)”. O Mal usa os religiosos para apresentar a última tentação a Cristo: salvar-se do sofrimento. Para eles seria a forma de mostrar que Jesus é o Messias esperado por todos. Se Cristo se salvasse da Cruz, Ele teria poupado sua vida, mas nós teríamos perdido a nossa salvação. A forma escolhida por Jesus para se salvar foi de se doar até fim: dando a vida, Ele ganhou a vida plena para todos nós. A salvação da humanidade era algo que estava acima de tudo, inclusive de sua própria vida humana. Os chefes religiosos reconhecem que Jesus fez o bem, que se apresentou como Salvador (Messias), que havia sinais de que Ele (Jesus) era o “Eleito de Deus” e tinha um projeto de salvação, mas se colocaram como instrumento do mal e não se colocaram do lado de Jesus.
Os soldados também são instrumentos do poder temporal e dos reinos deste mundo. Zombavam de Jesus e o desafiavam como os religiosos dizendo: “Se tu és rei dos judeus?” Como o Diabo, a proposta é apresentada como um desafio, pois eram conhecidas as palavras de Jesus sobre “Reino de Deus”. Eles apresentam a Jesus na cruz, o único modo que para eles confirmaria a realeza de Cristo: escapar da cruz. Para os soldados, um rei procura se salvar para governar sobre seus súditos, Jesus escolheu governar sobre toda a humanidade, doando-se plenamente livre para vencer os últimos inimigos da humanidade que são a morte e o pecado. A tentação é a mesma dos chefes dos religiosos: salvar-se a si mesmo. A descrição “Rei dos Judeus” colocado sobre a cabeça de Cristo se transformou em um testemunho daquilo que Jesus representava para todas as pessoas, mas que era visto como perigo pelos romanos.
Ao lado de Jesus estavam dois malfeitores também crucificados. Um deles, sofrendo as mesmas dores e nas mesmas condições de Jesus, prefere ficar do lado daqueles que zombavam e escarneciam Jesus. O “mau ladrão” sabe da proposta de Salvação de Jesus como Messias. Esta terceira tentação (como as três do deserto) foi mais significativa, pois se tratava de alguém que está sofrendo, à beira da morte e pede socorro. O “mau ladrão” provoca Jesus para mudar o seu destino que ele mesmo traço com uma vida na injustiça. Ele conduziu toda sua vida sem pensar em salvação, agora diante da morte, quer escapar das consequências dos seus atos. A proposta colocada por este malfeitor é de uma salvação para todos (“salve a ti e a nós”) sem morte e sem sofrimento, mas Jesus não cai também nesta tentação. Em toda a passagem, predomina o silêncio de Jesus.
Lucas nos conta que o outro ladrão se coloca contra todos e ao lado de Jesus. Situa tudo em três princípios: Ele lembra o outro condenado do temor de Deus (o mal que estavam fazendo contra Jesus atingia até Deus); ele lembra que o destino final, é comum a todos: a morte; o bom ladrão recorda que os dois sofrem justamente pelos erros que cometeram, mas Jesus nada fez de mal, este condenado defende Jesus diante de todos; e, por fim, chamando Nosso Senhor pelo seu nome “Jesus” (isto é raro nos Evangelhos) faz um pedido onde expressa uma imensa confiança: “Lembra-te de mim quando entrares em teu reinado”. O “bom malfeitor” descobriu o verdadeiro Salvador sem intimar que Jesus descesse da cruz, sem exigir que fugisse da morte e sem cobrar um sinal (fugir da cruz). Diante da morte, reconhece a realeza de Jesus e faz um pedido simples: lembrar-se dele.
Para os outros pedidos irônicos, Jesus respondeu com o silêncio de alguém que está acima de tudo, mas para o “bom ladrão”, as palavras são profundas como alguém que será Rei de todos. Com mais um ensinamento (“Em verdade eu te digo”) Jesus promete que “hoje estarás comigo no Paraíso”.
Nosso Senhor o convida para juntos entrarem no Paraíso passando pela morte (o outro, o “mau ladrão”, tinha convidado para fugir da cruz). É o “hoje” de Deus, presença salvífica, como foi para Zaqueu (“Hoje quero estar contigo em tua casa!”). Aquele criminoso teve o privilégio de passar pela morte juntamente com Jesus e depois, entrar no Paraíso, sinal de sua salvação. Ele tinha feito um pedido de “ser lembrado”, Jesus convida para caminhar e enfrentar a morte juntos.
Jesus é um Rei sem trono, pois seu trono é a cruz; Não possui uma coroa de ouro, pois lhe deram uma coroa de espinhos, mas principalmente é Rei porque governa doando-se completamente por todos que o aceitam com Salvador e Messias. A cruz foi e ainda é um escândalo para muitos que até professam uma fé; é tida como sinal do fracasso de alguém que se propôs salvar os outros; mas para nós foi o caminho escolhido por Jesus para nos salvar e nos conduzir ao verdadeiro destino para todos que não termina na morte, mas tem sua plenitude no Paraíso junto de Deus. Mas, a escolha que define o destino de todos, depende de cada um; depende do lado de qual grupo se pretende ficar durante sua vida até a morte: do “bom ladrão” ou daqueles que tentavam Jesus?
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