#Reflexão: 33° domingo do Tempo Comum (16 de novembro)

A Igreja celebra o 303° domingo do Tempo Comum, neste domingo (16). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Ml 3,19-20a
Salmo: 97(98),5-6.7-8.9a.9bc (R. cf. 9)
2ª Leitura: 2Ts 3,7-12
Evangelho: Lc 21,5-19

Acesse aqui as leituras.

TEMPO DE PERSEGUIÇÃO POR CAUSA DE JESUS

            Fizemos um longo caminho com Jesus aos domingos refletindo o Evangelho de Lucas para chegar na Cidade Santa, este domingo, tudo acontece dentro de Jerusalém. Tempo também oportuno para pensarmos sobre o nosso “final” e da nossa história. Estamos por terminar o nosso ano litúrgico da Igreja. Tudo que possui um início, tem também um fim e para isto, nós devemos também nos prepararmos.

O povo de Deus, em diversos momentos da sua história, se encontrou com inúmeros desafios e dificuldades em sua caminhada. Alguns desses se mostraram imensos e por isto, a fé e a esperança de todos tiveram que ser ainda maiores. Muitos tiranos da história aterrorizaram o povo de Deus, mas não conseguiram eliminá-lo, pois Deus é muito superior. A Bíblia sempre procuram mostrar que, se os homens fazem grandes coisas, no entanto, somente Deus é capaz de mobilizar inclusive a natureza para proteger seu povo e combater o mal. Deus é sempre maior e superior a tudo e a todos: nada acontece sem Ele desejar e ordenar! Ele é que governa e dirige tudo, pois tudo que existe está sob seu domínio.

Malaquias na primeira leitura narra simbolicamente como Deus agirá e combaterá o mal realizado por tantas pessoas. Se homens podem atingir povos e inúmeras pessoas com suas ações malignas, Deus agita a natureza para impor ordem e resgatar seu povo.

Jesus também faz uma longa reflexão sobre a ação maldosa do homem e a resposta gigantesca de Deus. No Evangelho deste domingo, ouvimos o início de um discurso de Jesus (que ocupa quase todo Lc 21) sobre esses acontecimentos na história contra aqueles que professam Nele a sua fé. Como de costume, tudo parte de um fato local e circunscrito a uma situação para se transformar em um ensinamento perene para todos.

Tudo inicia com uma afirmação de admiração por parte de algumas pessoas sobre o Templo de Jerusalém. Na época de Jesus, o principal local de oração para os judeus (o Templo de Jerusalém), tinha atingido o máximo de seu esplendor com as reformas de ampliação promovidas por Herodes, o grande (iniciou em 19 a.C e terminou em 27 d.C.). Lucas relata a admiração de todos em relação aos ornamentos e as doações que embelezavam o local. Tudo era um show de beleza e brilho bem como riqueza e estabilidade. Os judeus viam o Templo de Jerusalém com a garantia de que nada atingiria a cidade e o seu povo, pois é o local de Deus no meio do seu povo. O seu esplendor dava a falsa segurança de que nada de ruim iria acontecer, pois ali estava tudo que existia de mais sagrado e perpétuo para os judeus. Mas, Jesus não pensava assim.

Nada neste mundo de material é perene e intocável, nem mesmo o sagrado Templo de Jerusalém. As instituições humanas passam e são esquecidas, pois são frágeis e limitadas. “Não ficará pedra sobre pedra”, disse Jesus sobre o destino do Templo.

As palavras de Jesus suscitaram a curiosidade de todos. Assim, alguns perguntaram a Cristo interessados sobre dois detalhes importantes: a data da destruição e os sinais que antecederão. Jesus não responde propriamente as questões apresentadas, pois sua visão é mais ampla e fundamental. Jesus dá uma resposta para toda história que estava para iniciar com a nova fé que não se baseará mais em construções e locais, mas em pessoas e na esperança de um projeto muito maior que o tempo e a história: o Reino de Deus inaugurado por Jesus.

A primeira parte das orientações de Jesus é um alerta para aqueles que o seguiam: iriam experimentar muitas provações. Mas, tudo não se limitará aquela época, mas será uma constante em toda a história humana até o final dos tempos. Estas palavras iniciais de Jesus não falam propriamente do “fim da história”, mas sim como a história caminhará até o seu final.

O projeto de Jesus como Salvador é único e perene, ninguém e nenhuma outra estrutura humana na história poderá ser maior que tudo que Nosso Senhor fez e ensinou. Mas, muitos tentarão ocupar este lugar e com discursos conseguirão arrastar pessoas para outros projetos que nada mais serão do que coisas humanas, mas que tendem a desaparecer na história. São os “falsos messias” e isto se verificou no tempo dos primeiros cristãos. Um levante revolucionário e messiânico conseguiu mobilizar os judeus para se colocarem contra os romanos, o resultado foi a destruição do Templo de Jerusalém e a morte de inúmeras pessoas (em 68 d.C.). Não ficou pedra sobre pedra do Templo. Jesus alerta que este não será o único “movimento messiânico” da história, muitos outros se apresentarão como concorrentes do Reino de Deus iniciado por Jesus, como constatamos até os dias de hoje. A cada dia surgem seitas, grupos religiosos e ideologias que prometem mudanças radicais e a implantação de projetos humanos, mas com discursos muito bem elaborados como se fossem de Deus: Os falsos profetas acompanharão a história da Igreja de Jesus neste mundo até os seus últimos dias.

Jesus continua sua orientação mostrando que tais movimentos humanos atingirão nações que farão guerra contra outros povos. Tudo em nome de projetos e ideologias humanas revestidas com discursos messiânicos e divinos. Nosso Senhor alerta que isto não significará ainda o fim. De fato, o mundo atual já passou por duas grandes guerras e outras tantas ainda estão acontecendo em nosso tempo. Os grandes sinais também foram lembrados por Jesus: terremotos, pestes, fomes e sinais no céu, tudo isto não significará o final ainda. Tais sinais estão presentes em nossa realidade humana desde sempre, não são sinais propriamente do fim, mas que a nossa realidade humana é limitada, finita e frágil. Projetos humanos que possuem somente sua base neste mundo, também passarão e desaparecerão, pois não têm a semente da eternidade que encontramos somente no projeto do Reino de Cristo.

Há uma dicressão [do maior para o menor] dos relatos propostos por Jesus: inicia com as maiores forças da natureza que somente Deus pode atingir; depois as nações e povos (grandes agromerações de pessoas); passa para as cidades e povoados; entra nas casas e atinge as famílias; e por fim, até a mínima parte do corpo: o cabelo.

Mas, as palavras mais importantes estão voltadas para os seguidores de Cristo. Com o passar dos tempos, aqueles que professarem a fé em Jesus serão perseguidos de diversas formas: primeiro pelas grandes instituições civis e religiosas (outras religiões), mas também por pessoas próximas, inclusive parentes. Isto temos visto como algo comum e crescente entre nós. Ser cristão e defender o projeto do Reino de Deus iniciado por Jesus baseado no amor, na humildade, no perdão, no respeito ao ser humano, respeito à vida entre outros valores, dia por dia está se tornando motivo de gozação, discriminação e perseguição. O mundo com seus projetos humanos e egoístas está procurando destruir os princípios da fé cristã, pois tudo isto é visto como um obstáculo para seus projetos e ideologias, principalmente, baseado na riqueza e exploração humana. Procuram, com um novo messias, ensinar que cada um é livre para ter “sua religião”, “seu deus”, “seus valores”, “sua fé” etc. Uma religião onde a pessoa se torna egoistamente o centro de tudo e todos (inclusive Deus) devem estar a seu serviço e se moldar a seus valores.

Precisamos estar atentos com o nosso coração e nossa mente bem fundamentados nos princípios ensinados por Jesus para que possamos defender com nosso testemunho e com nossos valores o projeto iniciado por Cristo. Muitos são perseguidos neste mundo por erros e escândalos, por escolhas mal feitas e péssimos projetos pessoas, mas Jesus orienta que aqueles que são perseguidos por causa de sua fé e do seu nome terão toda assistência do Espírito Santo.

Mais do que nos preocuparmos com datas e sinais do “final do mundo”, Jesus nos alerta sobre a necessidade da firmeza em relação aos seus ensinamentos e princípios durante nossa existência dentro da história. Ela prossegue seu rumo e um dia terá o seu fim, mas até que isto aconteça, Jesus nos exorta a perseverarmos na fé e permanecermos firmes em seu projeto de amor e salvação inaugurados com a sua Ressurreição e a vinda do Espírito Santo sobre seus discípulos. O mais importante para nós não são as últimas coisas da história, mas sim como estamos testemunhando dentro da história a nossa fé e os valores deixados e ensinados por Jesus Cristo.

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4º Encontro Arquidiocesano de Liturgia – Mistagogia da Celebração Eucarística: Ritos Finais

No dia 9 de novembro de 2025, a Paróquia São João Batista, em Pouso Alegre, acolheu com alegria o 4º Encontro Arquidiocesano de Liturgia, que reuniu cerca de 130 participantes vindos de diversas paróquias da Arquidiocese. O tema deste ano — “Mistagogia da Celebração Eucarística: Ritos Finais”, concluindo a formação deste ano — convidou todos os presentes a aprofundar o sentido espiritual e pastoral do encerramento da Santa Missa, compreendendo-o como um envio para a vivência do Evangelho no cotidiano.

O encontro foi um momento de intensa formação, oração e comunhão fraterna. A programação contou com momentos de estudo, partilhas em grupo e celebrações, buscando favorecer uma experiência mistagógica, isto é, um mergulho no mistério que se celebra. Por meio de reflexões e dinâmicas, destacou-se que os Ritos Finais não representam apenas a conclusão da liturgia, mas o início da missão cristã no mundo: “Ide em paz e o Senhor vos acompanhe” ressoa como um convite permanente à evangelização e ao testemunho.

A celebração eucarística que encerrou o encontro foi marcada pela ação de graças e pela entrega dos participantes à missão, reafirmando o compromisso com a liturgia viva e participativa que alimenta a fé do povo de Deus.

O 4º Encontro Arquidiocesano de Liturgia foi, assim, um momento de renovação espiritual e pastoral, fortalecendo a caminhada de todos os que se dedicam ao serviço litúrgico em nossas comunidades, para que, iluminados pela mistagogia, possam conduzir outros irmãos e irmãs a uma participação mais consciente, ativa e frutuosa na celebração da Eucaristia.

Fonte: Padre Marcos Roberto - CAL

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Assembleia Regional do Leste 2 dos Diáconos Permanentes e suas esposas

De 7 a 9 de novembro, ocorreu a Assembleia Regional do Leste 2 dos Diáconos Permanentes e suas esposas, no Recanto das Mangueiras, em Coronel Fabriciano, na Diocese de Itabira - Coronel Fabriciano.

A nossa Arquidiocese está sendo representada pelos diáconos permanentes: Fábio Menegon, Alex Silva e Alex Faria.

Durante a assembleia, foram realizados diversos encontros e palestras que abordaram temas relevantes para a formação e atuação dos diáconos permanentes, além de momentos de reflexão e partilha de experiências. Os participantes também tiveram a oportunidade de discutir sobre a importância do serviço diaconal na Igreja e na sociedade.

O clima de comunhão e espiritualidade foi marcante, fortalecendo os laços entre os presentes e promovendo um ambiente de acolhimento e aprendizado.

Ao final do encontro, foi elaborado um planejamento de ações para o próximo ano, visando aprimorar o trabalho dos diáconos em suas paróquias e comunidades. Além disso, os diáconos reafirmaram seu compromisso de servir com amor e dedicação, sempre buscando a orientação do Espírito Santo em suas missões.

A assembleia foi um momento de renovação espiritual e de fortalecimento da missão diaconal, refletindo a importância da parceria entre os diáconos e suas esposas na construção de uma Igreja mais viva e atuante.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Quarta reunião do Conselho Arquidiocesano de Pastoral

Na manhã deste sábado (8), o Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora Auxiliadora, em Pouso Alegre, sediou a quarta reunião do Conselho Arquidiocesano de Pastoral (CAP).

O encontro reuniu coordenadores de várias pastorais e setores, além de diáconos permanentes, seminaristas, padres coordenadores e do Arcebispo Dom Majella.

A formação foi liderada pelo Padre Paulo Adolfo, que apresentou uma importante reflexão sobre o Documento Final do Sínodo sobre a Sinodalidade, realizado em Roma, ressonância do Encontro de Animação Pastoral da Província de Pouso Alegre, que abrange a Diocese da Campanha, a Diocese de Guaxupé e a Arquidiocese de Pouso Alegre.

Após essa formação, o Pe Tiago, coordenador de Pastoral, dividiu os participantes em cinco grupos para realizar uma memória e avaliar o Ano Pastoral, levando em conta as dimensões Arquidiocesana, setorial e paroquial.

Foi também apresentado o cronograma do próximo Ano Pastoral, que terá início no dia 30 de novembro, marcando o primeiro Domingo do Advento.

Com a bênção e o envio de Dom Majella, todos foram incentivados a viver plenamente sua missão.

 


#Reflexão: Festa da Dedicação da Basílica do Latrão (Catedral de Roma) (09 de novembro)

A Igreja celebra neste domingo a Festa da Dedicação da Basílica do Latrão (Catedral de Roma) (09). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Ez 47,1-2.8-9.12
Salmo: 45(46),2-3.5-6.8-9 (R. 5)
2ª Leitura: 1 Cor 3,9c-11.16-17
Evangelho: Jo 2,13-22

Acesse aqui as leituras.

Festa da dedicação da Basílica de São João de Latrão (2025)

A igreja de Latrão foi a primeira construída no Ocidente após a permissão concedida por Constantino aos cristãos de, livremente, professarem a sua fé. Este imperador conquistou Roma em 312 d.C. com seu exército onde havia muitos cristãos. Antes de conseguir seu intento, Constantino viu um sinal no céu que era semelhante a uma cruz, o mesmo sinal que os cristãos do seu exército traziam consigo. Após sua vitória, o imperador permitiu que os cristãos professassem publicamente sua fé, como as outras religiões já faziam. Até aquela dada, os cristãos eram perseguidos e se reunião nas casas e catacumbas (cemitérios subterrâneos).

Constantino no mesmo ano, doou ao Papa Melquíades (foi papa de 311-314) um terreno que pertencia a sua família onde foi construída a igreja de Latrão (nome do local) e em 324 foi consagrada pelo Papa Silvestre como igreja de São Salvador, depois no século XII foi dedicada a São João Batista. 

Esta igreja é muito importante para a fé cristã, pois foi a primeira construção pública como templo cristão. Foi certamente uma igreja menor em relação à Basílica que hoje se encontra no mesmo local, mas naquela igreja de Latrão, os cristãos puderam publicamente se reunir e celebrar sua fé sem medo. A Basílica de Latrão passou a ser a sede oficial do Papa até 1.300 e lá foram realizados 250 Concílios, inclusive 5 concílios ecumênicos, que ajudaram a esclarecer e a definir a fé cristã. Foi destruída, incendiada e invadida em tempos de guerra, mas em 1.726 foi refeita pelo Papa Bento XIII e ganhou o esplendor que se pode ainda hoje. 

As leituras escolhidas para celebrar e recordar essa primeira igreja cristã construída no Ocidente, retrata muito bom a importância do Templo para quem celebra sua fé.

O profeta Ezequiel viveu em uma época em que o 1º Templo de Salomão estava por ser destruído. Os assírios tentaram e depois os babilônicos conseguiram invadir a cidade de Jerusalém, saquear e destruir o Templo (no ano 586 a.C.). Mas, o profeta tem uma bela visão, vê o Templo como um local de bênção de Deus. Sabemos que nenhum local no mundo pode conter e muito menos aprisionar toda a grandeza de Deus, mas o Templo consagrado a Deus era um local especial de sua manifestação. Deus precisa de “meios” para fazer chegar suas graças aos homens. A imagem apresentada por Ezequiel retrata bem isto: do Templo saem rios que banham os quatro cantos da terra e todos que deles beberem sua água serão curados e sanados em seus males, homens e animais. As folhas das árvores que tiveram suas raízes neles, servirão para curar os males e doenças. É uma imagem profética do grande dom que os judeus tinham em seu meio, mas que não valorizavam, desprezavam e por fim, acabaram perdendo. Praticamente, a mesma imagem, encontramos no Apocalipse, mas no local do Templo, o autor João fala que haverá no local: Deus e o Cordeiro que é Jesus (cf. Ap 21,22; 22,1-5).

Mas, depois de muitos anos destruído, o Templo de Jerusalém foi reconstruído (515 a.C.) e os judeus passaram a ter um grande zelo por ele. A vida do judeu passou a girar em torno de preceitos e normas para que o fiel pudesse se encontrar o mais santo que fosse possível para oferecer seus sacrifícios no Templo de Jerusalém.

No tempo de Jesus, infelizmente, o Templo se encontrava novamente em situação de exploração e mal-uso. Dentro dele, as normas de santidade e de exclusividade eram rígidas e severas. Havia lugar que somente o povo judeu podia permanecer, outro exclusivo para os homens, outro reservado somente para os sacerdotes e para o sacrifício e o mais santo de todos que somente alguns podiam entrar duas vezes por ano e escolhido, exclusivamente, para tal função (cf. Lc 1,5-25), era o Santo dos Santos. Mas, ao redor destra grande construção (Santuário) a religião judaica permitia quase tudo.

O Templo passou a ser uma forma de enriquecimento de poucos, manipulação e exploração da vida das pessoas. Jesus no Evangelho de hoje tinha visto esta situação de comércio que o Templo tinha se tornado. Ele cumpre uma ação profética de expulsar todos os comerciantes que tinham instalado ao seu redor bancas, de trocas de moedas, por animais. 

Naquele tempo, a forma principal que um judeu tinha de praticar a religião no Templo era através de sacrifícios e oferendas. O Templo foi de pouco em pouco deixando de ser local de oração e preces para se tornar um local de sacrifícios. As duas ações sempre foram realizadas no Templo, mas naquela época de Jesus, quase tudo que o fiel judeu fazia no Templo era realizado com dinheiro, oferendas e sacrifícios.

O Templo era um lugar santo e somente aquilo que era considerado santo e perfeito podia ser usado lá dentro. Os animais tinham que ser perfeitos: sem quebraduras, bem de saúde, sevados e sem manchas. Para uma pessoa simples e que morava longe era quase que impossível trazer um animal em “condições dignas” para ser oferecido no Templo. Os pobres que não tinham condições de oferecer bezerros ou cabritos (e nem possuíam animais) podiam oferecer rolinhas ou pombinhos (Lc 2,24). Dessa forma, vinham de longe e traziam dinheiro e ao redor do Templo compravam estes animais para o sacrifício. Os sacerdotes e sumo sacerdotes responsáveis pelo Santuário com o tempo foram permitindo comerciantes instalarem suas bancas na área próxima do local sagrado e certamente mediante a paga de qualquer valor. 

Jesus vendo tudo isto, fez um chicote e expulsou todos da explanada que era a área próxima do Santuário Sagrado. O gesto de Jesus foi de zelo pela casa do Senhor que tinha se tornado um local de comércio e exploração dos pobres (mesa dos pombos). O Senhor não era contra o Templo, pelo contrário queria chamar a atenção com seu gesto que a religião não pode ser instrumento de exploração da fé das pessoas. O Templo devia ser realmente a “Casa de Deus”, as pessoas deviam se sentir acolhidas e abençoadas com se fossem em suas próprias casas.

Os cristãos não tiveram nenhuma igreja como Templo até a igreja de Latrão em 324 e assim, por quase três séculos a fé era vivida e celebrada nas casas e em família. O cristão é o principal templo de Deus que passa a morar nele a partir do Batismo (2ª leitura). Mas, como família cristã e de irmãos na fé as igrejas são o sinal visível da igreja invisível que somos todos nós. Se os irmãos se sentem família quando estão juntos, eles devem se sentir e se reunir para celebrar sua fé nas igrejas, capelas e em suas casas. Como no Templo de Jerusalém, também em nossas igrejas, Deus nos reserva graças especiais e únicas que são a força para a nossa caminhada de fé: graças, bênção e os sacramentos, particularmente a Eucaristia, manifestação e presença viva de nosso Deus.

Para ver o interior da Basílica de São João de Latrão, visite o endereço clicando aqui.

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Formação dos evangelhos: o livro como horizonte de chegada e ponto de partida

O evangelho enquanto livro é o resultado final de um longo e complexo processo de amadurecimento teológico de uma determinada comunidade que professa a sua fé em Jesus de Nazaré, instruída e orientada pela catequese de algum dos apóstolos ou de um dos seus discípulos imediatos. Embora os evangelhos sejam o ponto de partida para a vivência da fé por parte daqueles que se converteram ao cristianismo após a era apostólica, isto é, depois do falecimento dos apóstolos até fins do século I, eles são o ponto de convergência da fé crida e testemunhada por comunidades que conviveram com os apóstolos: são, nesse sentido, horizonte de chegada!

Há, portanto, uma dupla dinâmica que envolve a compreensão dos evangelhos enquanto registros literários da vida e da obra de Cristo. O primeiro movimento (século I) nasce do fato histórico da existência e da missão de Jesus e desemboca na escrita teológica dos textos bíblicos. O segundo deslocamento vai do reconhecimento comunitário do valor salvífico da mensagem contida nos textos à consumação dos tempos (a partir do final do século I). Embora o leitor se encontre neste segundo momento, em que a Igreja militante é impulsionada na sua fé cristológica pelo conteúdo dos evangelhos, sendo inspirada pela experiência das comunidades que viram e ouviram o Verbo da vida (cf. 1Jo 1,3), é imprescindível entender de que forma os textos são o destino das vivências do cristianismo nascente.

De antemão, faz-se necessário esclarecer que, à semelhança dos demais livros bíblicos, os evangelhos são produções genuinamente teológicas, isto é, embora contenham diferentes gêneros literários (narrativas, hinos, sermões etc), a moldura que sustenta todos os registros é teológica. Isso quer dizer que, valendo-se dos conhecimentos históricos, políticos, culturais, científicos, religiosos, econômicos, sociais e morais da época em que foram escritos, os evangelhos não são diários que ensejam fornecer informações jornalísticas sobre Cristo e seus seguidores; os textos são descrições da vida e da missão de Jesus com o intuito de comunicar, através dos mais diversos recursos linguísticos e semânticos, uma mensagem de salvação. Cada versículo dos evangelhos, ao contar sobre quem é o Filho de Deus e qual é o novo Reino de amor que ele deseja estabelecer no mundo através da comunidade dos seus seguidores, fala de experiências de fé, aponta para realidades sobrenaturais.

Sendo assim, embora exista uma espessa camada histórica na fundamentação dos textos, garantindo a veracidade dos conteúdos que são narrados pelas comunidades evangelísticas, o livro em si é o resultado final de um longo e amadurecido processo de interpretação dos eventos sobre Jesus à luz da fé. Os grupos que foram catequizados pelos apóstolos e por seus discípulos não escreveram os relatos sobre Jesus orientados pela curiosidade, como se fossem meramente crônicas; aquilo tudo que fora registrado, é ponto de chegada de um intenso caminho eclesial de aprofundamento na fé cristológica, de maneira que todas as narrativas evangélicas, sustentadas pela historicidade do que contam a respeito do filho do carpinteiro de Nazaré (cf. Mt 13,55), são simultaneamente interpretações de fatos sob a ótica da crença no Cristo, o Messias enviado por Deus para a salvação da humanidade (cf. Jo 3,17).

Dito isso, o próprio evangelista Lucas explica de que maneira se deu a formação dos evangelhos, estabelecendo no prólogo de seu relato teológico sobre Jesus três estágios consecutivos e didáticos, para explicar como a fé das comunidades primevas se converteu em mensagem escrita. Segundo escreveu, há uma etapa histórica (cf. Lc 1,1), sucedida pela transmissão oral (cf. Lc 1,2) e concluída pela redação do livro (cf. Lc 1,3). Tudo começa no testemunho apostólico a respeito dos fatos que se cumpriram enquanto Jesus realizou a sua missão salvífica no mundo. A comunidade dos doze presenciou a ação de Cristo, registrando através das experiências que foram realizadas por e com ele, na Palestina, acontecimentos importantes para a compreensão da nova identidade religiosa não-judaica que estava surgindo. Ainda que não tivessem pleno entendimento daquilo que Jesus praticava e ensinava enquanto convivia com eles, os apóstolos professavam no coração as verdades que registraram com os olhos, com os ouvidos e com as mãos, ao testemunharem a missão de Cristo através da caridade, dos milagres, das orações e de suas catequeses.

A ressurreição de Jesus provocou nos apóstolos um esclarecimento sobre tudo aquilo que haviam testemunhado, lançando-os num intenso ministério catequético de formação das comunidades que não conviveram com Jesus. O ardor que nasceu da páscoa, confirmando para eles o messianismo presente na prática e no ensinamento de Cristo, fez com que os apóstolos transmitissem de forma oral o que viram e ouviram. A pregação dos apóstolos, dirigida às comunidades cristãs nascentes, já estava modelada pela interpretação teológica que realizaram dos fatos que presenciaram, iluminados pelo grande milagre da ressurreição de Jesus. Vale ressaltar que a oralidade foi o primeiro instrumento de transmissão da mensagem cristã, pois além da língua falada ser considerada o meio eficaz para a perpetuação dos conhecimentos mais importantes de um povo, a língua escrita era um privilégio das elites político-econômicas nas civilizações antigas.

A velhice e a morte iminentes das testemunhas oculares do ministério de Jesus, impulsionaram as comunidades a colocarem por escrito aquilo que escutaram, a fim de conservarem a integridade do ensinamento teológico que receberam através da catequese apostólica. Depois de pelo menos três décadas de contação das histórias sobre como Cristo salvou a humanidade ferida pelo pecado e pelas suas consequências (décadas de 30 a 50 d.C.), os cristãos redigiram comunitariamente as narrativas que foram, mais tarde, chamadas de evangelhos (décadas de 60 a 90 d.C.), atribuindo a autoria dos livros àqueles catequistas que as educaram na fé (Marcos, Mateus, Lucas e João). Os relatos que foram oficializados pelas comunidades cristãs nos livros bíblicos são construções literárias coletivas, inspiradas por Deus para a salvação do mundo, e supõem a existência originária de um pregador com a autoridade testemunhal de intérprete teológico. Portanto, em relação aos grupos que foram instruídos pelos apóstolos e por seus discípulos imediatos, o evangelho é o ponto de chegada de um percurso eclesial de crescimento na fé em Cristo ressuscitado.

Os evangelhos são, dessa forma, o ponto fulcral do entroncamento de duas importantes realidades: a grandeza da fé de comunidades primitivas que escreveram sobre o que acreditaram, e a constância na fé por parte da Igreja que lê o que foi escrito para perseverar acreditando segundo a tradição apostólica. Os livros sobre a vida e a obra de Cristo constituem, verdadeiramente, o destino de chegada da fé pascal testemunhada pelos apóstolos, e o ponto de partida para que Cristo habite pela fé nos corações da humanidade inteira (cf. Ef 3,17).

Imagem de digitlchic por Pixabay


#Reflexão: Comemoração de Todos os Fieis Defuntos (02 de novembro)

Translator

 

A Igreja celebra a comemoração de todos os fieis defuntos, neste domingo (02). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Jó 19,1.23-27a
Salmo: 23(24),1-2.3-4ab.5-6 (R. cf. 6)
2ª Leitura: 1Cor 15,20-24a.25-28
Evangelho: Lc 12,35-40

Acesse aqui as leituras.

CELEBRAÇÃO DE FINADOS

Nossa celebração de hoje não é uma solenidade ou festa, mas uma “comemoração” = fazer memória, recordar daqueles que já partiram. Também nos lembrarmos que um dia, nós passaremos pelo mesmo caminho.

A realidade da morte é um dos pontos de nossa vida que atinge a todos: crente e não crentes; pobres e ricos etc. Não é uma questão de escolha, mas de quando. Muitos preferem não pensar nisto e nem falar nada sobre a morte, nem mesmo dizer seu nome. Em muitos casos, se vive como se isso nunca fosse acontecer.

O cristão não procura a morte, mas tem consciência de sua existência e se prepara também para enfrentar. Nosso Mestre é Jesus, Ele também esteve neste mundo, viveu em tudo a nossa condição humana e enfrentou a morte. Nosso Mestre viveu sua vida de forma intensa no amor a Deus e com todas as pessoas que se aproximaram Dele. Jesus não deixou uma solução para fugir da morte (ela continua acompanhando a humanidade), mas uma solução para vencê-la, pois somente o “amor é mais forte que a morte” (Ct 8,6-7). Conscientes da morte como realidade, nossa esperança vai além de nossa existência, está na vida eterna com Deus.

Nossa esperança sobre a vida que permanece além da morte é bem traduzida pelo prefácio da missa: Senhor, para os que creem em vós, a vida não é tirada, mas transformada e, desfeita esta morada terrestre, nos é dada uma habitação eterna no céu”.

Finados não é somente o momento de lembrarmos que as pessoas que amamos morreram ou o dia da morte de nossos entes queridos, mas sim de recordar como eles viveram e marcaram nossas vidas. Devemos recordar de nossos falecidos, do amor que deixaram e que permanece em nós: a morte passa, mas o amor permanece.

Não devemos nos deixar guiar somente pela certeza da morte, mas sim, pela certeza que a nossa fé nos dá na ressurreição. Não morre uma vida vivida em Cristo, não se perde quando é Deus que ganha; não se abandona uma pessoa querida que morre, mas se entrega a Deus.

Viemos a este mundo por vontade de Deus; para a casa e o convívio eterno, nos dirigimos... nossa parada final não é o vazio e a frieza da morte, mas os braços calorosos de Deus Pai.

Hoje é momento de colocarmos nossas preces por todos que passaram por nós. Por menor que seja uma vida, toda vida é importante para Deus; todos foram redimidos pela morte de Cristo Jesus.

Fazer memória de nossos falecidos é ter um olhar ao mesmo tempo do passado, recordando daqueles que foram à frente de nós e nos aguardam; mas também é um olhar de esperança para o futuro onde todos nós celebraremos juntos a vida eterna com Deus.

Um dos textos para 1ª leitura da celebração de hoje é tirado do livro das Sabedorias que diz: “A vida dos justos está nas mãos de Deus, e nenhum tormento os atingirá.... sua saída do mundo foi considerada uma desgraça .... mas eles estão em paz.... no dia do seu julgamento hão de brilhar... vão julgar as nações e dominar os povos”.

Para a 2ª leitura, um texto sugerido é da carta aos Romanos que afirma: “A esperança não decepciona... a prova de que Deus nos ama é que Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores.... éramos inimigos de Deus, fomos reconciliados com ele pela morte do seu Filho; quanto mais agora, estando já reconciliados, seremos salvos por sua vida!”

São textos que nos ajudam a termos em mente que uma vida vivida em comum com Deus e com o próximo é um prenúncio daquilo que acreditamos que será a eternidade com Deus: vence a morte vivendo a vida intensamente com o próximo e com Deus.

A liturgia de hoje não tem lágrimas, porque o que comemoramos não é a morte, mas a ressurreição. A celebração de hoje não fala sobre o fim, mas sobre a vida. Um dos textos para o Evangelho de Finados é de Jo 11,17-27, sobre o lamento de Marta: “Se o Senhor estivesse aqui meu irmão não teria morrido”. Marta tem fé em Jesus, mas ainda tinha uma visão que se encerrava para esta vida e para este mundo: Se Deus existe por que tantas mortes de inocentes?... Mas, Deus está aqui, sim! Sempre! Mas não para nos isentar do futuro comum a todos (a morte), mas para nos dar um sentido de como devemos viver o nosso presente (Ermes Ronchi).

A ferida da perda de alguém nos atinge profundamente porque são pessoas que amamos. Jesus diz em João (6,40): “E esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nada daquilo que Ele me deu, mas o ressuscite no último dia” (Jo 6,40). Nada se perderá porque tudo está nas mãos de Jesus e mesmo que uma ausência e uma falta nos pesem, nos dá força saber que esta ausência e esta falta têm os dias contados.

Tudo o que amamos nunca se acaba no nada porque Deus é Amor pleno e total. Jesus, triunfou sobre cada morte, sobre cada dor e amargura.

A ideia da morte é um grande exercício de realidade para todos neste mundo. Para o cristão, o pensamento da morte não é apenas a verdade de que a nossa vida tem um limite; mas, desde que Jesus entrou na história, já não estamos perdidos, mas sim dominados por um bem que não nos abandona nem diante da morte.

Jesus enfrentou a morte por nós e a venceu também por nós. Ele abriu uma estrada para que também pudéssemos atravessar e não ficar no meio do caminho, na escuridão e de um vazio sem esperança.

Por isso, hoje celebramos não apenas uma memória daqueles já falecidos que continuamos amando, mas celebramos nossa esperança de que nada e ninguém que amamos se perdeu.

Não nascemos para a morte, nascemos para a vida, e o nosso destino é a vida eterna e não a morte. E Jesus prometeu nos ajudar nesta travessia como pastor e temos Nossa Senhora que estará sempre ao nosso lado, inclusive na hora de nossa morte.

Jesus nunca prometeu que seus amigos não morreriam. Para Ele, o maior bem não é uma vida longa, uma sobrevivência infinita; o essencial não é “não morrer”, mas sim, viver uma vida de ressuscitado.

O Senhor nos ensina a ter mais medo de uma vida errada (no pecado) do que medo da morte; se deve temer uma vida vazia de amor e de pessoas.

Aqueles que estão com Jesus nesta vida, jamais se perderão após terminarem sua jornada neste mundo. Movidos pelo nosso amor e ainda querendo o bem por aqueles que já foram à frente de nós, rezamos por eles. A missa é a maior oferta de bem para aqueles que já partiram, pois se ainda necessitam de algo para obterem a convivência eterna com Deus, nossos pedidos vão ajudar. Aqueles que já estão com Deus, eles é que intercedem por nós para que perseveremos em nosso caminho de amor deixado por Jesus.

Nossa experiência afirma que tudo vai da vida à morte. A fé cristã declara, pelo contrário, que a existência neste mundo passa da morte para a vida eterna.

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Setor Fernão Dias promove encontro com os Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão

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No dia 25 de outubro o Setor Fernão dias promoveu o 3º Encontro Setorial dos Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão, reunindo representantes das diversas paróquias da região. O evento aconteceu em Senador Amaral, em um espaço de eventos preparado com muito carinho para acolher os participantes.

Cerca de 250 ministros da Eucaristia participaram da tarde de formação, oração e convivência fraterna. O encontro teve como tema central a missão do ministro como missionário da Comunhão Eucarística, tanto na celebração da missa quanto nas visitas aos enfermos e idosos.

A programação começou com um momento de chegada e animação, seguido da oração inicial. A primeira colocação : “Ministro da Eucaristia: missionário da Comunhão Eucarística na missa” , ajudou os ministros a redescobrirem a beleza de servir ao altar e distribuir o Corpo de Cristo com fé e reverência.

Após um momento de lanche e partilha fraterna, a segunda colocação refletiu sobre o serviço do ministro junto aos doentes e idosos, com o tema “Ministro da Eucaristia, missionário da Comunhão Eucarística na visita às casas dos doentes e idosos”.

O encontro encerrou-se com a Celebração Eucarística às 16h presidida pelo Pe. Dirlei e concelebrada pelo Pe. Antônio Bretegani, ponto alto da tarde. As reflexões foram conduzidas pelo seminarista Natanael, do 4º ano da etapa Configurativa (Teologia).

O clima foi de alegria, comunhão e renovação da missão. A presença expressiva dos ministros mostrou o amor pelo serviço e o desejo de seguir levando o Cristo Eucarístico a todos os cantos do setor.

Confira as fotos do encontro clicando aqui

Informações: Pe. Dirlei

Fotos: Ruth - Senador Amaral


Assembleia Anual da Pastoral Familiar do Regional Leste 2 é realizada em Guaxupé

Amor na família, percurso para a santidade!

A coordenação da Pastoral Familiar da Arquidiocese de Pouso Alegre, Francini e Laércio juntamente com o assessor eclesiástico Cônego Mauro Morais participaram da Assembleia Anual da Pastoral Familiar do Regional Leste 2, ocorrida na Diocese de Guaxupe, na Paróquia São Sebastião em Poços de Caldas nos dias 17,18 e 19 de outubro.
Vivenciando dias de comunhão, partilha e aprofundamento na missão de evangelizar as famílias.

Com o coração cheio de gratidão, seguimos firmes no propósito de fortalecer os laços do amor e da fé em cada lar, respondendo ao chamado de Deus para sermos famílias santas e missionárias!

Texto e Fotos: Francini Sales Silva Batista


#Reflexão: 30° domingo do Tempo Comum (26 de outubro)

A Igreja celebra o 30° domingo do Tempo Comum, neste domingo (26). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Eclo 35,15b-17.20-22a
Salmo: 33(34),2-3.17-18.19.23 (R. 7a.23a)
2ª Leitura: 2Tm 4,6-8.16-18
Evangelho: Lc 18,9-14

Acesse aqui as leituras.

O FARISEU E O PUBLICANO

O tema é do Evangelho deste domingo, de forma indireta, também é sobre a oração como vimos no domingo passado. Novamente, transparece o estilo de Lucas: dois personagens socialmente em posições opostas e um personagem que tem revelado o seu pensamento.

Para este domingo, as leituras nos dizem que o nosso Deus não faz distinção de pessoas, mas tem uma especial atenção para com os mais necessitados. Ele ouve a oração de todos, mas tem um carinho a mais pelas preces dos mais humildes e pobres. Em todas as situações é necessário rezar com humildade, pois somente assim, as orações chegarão a Deus.

No Evangelho deste domingo, Jesus procura alertar sobre os riscos de uma religião praticada somente para si e não conforme a vontade de Deus. São Lucas nos informa que Jesus tinha percebido que muitos se vangloriavam por suas práticas religiosas. Nós não sabemos quem são essas pessoas, mas Nosso Senhor era capaz de realmente perceber como era o coração de cada um e não tanto o que as pessoas aparentavam para os outros. O detalhe importante notado por Cristo é que tais sujeitos se sentiam diferentes e superiores a tal ponto que desprezavam outras pessoas.

Na nova parábola contada por Cristo, os personagens possuem alguns pontos em comum, mas também vários detalhes diferentes. Os dois sobem ao Templo, entram e rezam; são pessoas religiosas, creem em Deus, desejam estar na presença de Deus e rezar. Mas, são diferentes na postura e no conteúdo de suas orações.

O fariseu se sente próximo de Deus e sem nenhuma dívida. Reza com uma postura que era comum a um judeu em oração: reza em pé. Inicia sua oração como todos faziam: “O Deus...” e acrescenta aquilo que se devia dizer em uma oração de agradecimento: “graças te dou...”, mas depois, sua oração toma outra direção. Ele prossegue dizendo que “não é como os outros homens...”, o fariseu se sente acima de todos, quase próximo de Deus (sua postura em pé revela que ele fala com Deus de igual para igual). Seu olhar para as outras pessoas, é de um juiz (ou de Deus) que conhece os pecados de todos e, por isto, os despreza. Olha de cima para baixo. Os “outros” são: ladrões, malfeitores, adúlteros e ele é diferente: não se mistura com essa gente. O desprezo chega ao ponto de se exibir diante de Deus mesmo ali, dentro do Templo, lugar de oração. Ele olha ao seu redor para somente estabelecer sua distância com aquele que ele indica como o mais desprezível naquele ambiente de fé: o publicano. O texto original (em grego) usa uma palavra que significa: “voltado para si”, assim, o fariseu rezava “voltado para si”, ele olhava para si para falar com Deus.

Não olha “os outros” como iguais a ele, mas como um superior; julga e condena como se fosse o próprio Deus. Ofende todas as pessoas, pensado que estava rezando; Fala com Deus, mas maldiz e condena os outros. Louva a Deus, mas amaldiçoa os “outros” e o cobrador de impostos.

O fariseu olha os outros tendo não Deus ou a lei como modelo, mas ele mesmo: ninguém é como ele! Assim, os outros são pessoas com os piores pecados e ele se sente o mais justo (santo) de todos. Ele não tem somente um coração inchado de si próprio, mas também cheio de maldade e preconceito. Olha os outros como um “juiz divino” ao ponto de condená-los como sendo piores que ele. É alguém perdido em si próprio onde ninguém mais tem valor: todos são pecadores segundo o fariseu da parábola.

O fariseu continua sua oração sempre se colocando no centro de tudo, pois ele se sente modelo de vida para os outros. Além de exibir com orgulho sua pessoa, ele também esnoba suas práticas (obras) religiosas. Não se mostra como um judeu comum que observa as leis, mas faz tudo de modo exagerado. De fato, a obrigação do jejum era somente uma vez ao ano, o fariseu da parábola fazia duas vezes por semana; o dízimo para manutenção do Templo era sobre alguns produtos (trigo, azeite, vinho e rebanho; cf. Dt 12,17; 14,23; Ne 13,5.12), o fariseu dava o dízimo de tudo que tinha.

O modo de rezar do fariseu é mais uma exibição de si próprio e dá a entender que Deus lhe “devia algo”, pois ele tinha feito muito além do que a obrigação. É marcante em todo o momento da “oração” do fariseu que tudo não está centrado em Deus, mas nele próprio. “Eu” é a palavra que o fariseu mais repete diante de Deus. O zeloso judeu não reza diante de Deus, ele se exibe. Demonstra que não necessita de nada de Deus, ele atingiu o máximo por esforço próprio. Executa com perfeição todos os preceitos, por isto, acha que é perfeito; é meticuloso com todos os princípios da lei, por isto, se vangloria como alguém que estava conquistando sozinho sua salvação. Ele nada pede a Deus, pois não precisa de Deus para nada: sozinho é capaz de tudo. No fundo, ele não reza, mas conta vantagens; nada pede, pois não necessita de algo; tudo é perfeito, por isto não sente que tem que mudar nada.

Esnobando-se diante de Deus, ele despreza os “outros homens”. Ele não se interessa pela vida e pela história das pessoas, o importante para o fariseu é que ele se sente diferente e melhor que todos. Sua oração é cheia de si próprio, Deus não tem espaço em sua vida e em suas atividades. Não faz para Deus, mas para si próprio. Em sua oração, o fariseu demonstra que chegou sozinho ao ponto mais alto da vida de uma pessoa religiosa, não há necessidade de mais nada. Neste ponto máximo em que se encontra, ninguém está com ele, pois todos estão abaixo dele. O fariseu reza para um Deus que ele mesmo tinha criado e cultiva uma religião que despreza e julga o próximo. Ele criou um “Deus pessoal”, um ídolo (que era ele próprio) e reza não olhando para Deus, mas para um espelho: não vê Deus, muito menos os outros, mas somente a si próprio.

O interessante é que ele não é um “sem-religião”, um pecador. O fariseu era observante de todos os particulares da religião; é religioso, pois vai ao Templo e rezava; mas, como nada pede e nada precisa mudar, sua oração não teve retorno e volta para casa no mesmo jeito em que entrou no lugar de oração.

Mas, na parábola de Jesus há também outra pessoa que no mesmo local rezava a Deus: um publicano (cobrador de impostos). Ele reza como alguém que sabe de seus pecados e erros. Sua atitude e sua oração mostram alguém que se sente indigno e necessitado de tudo. O fariseu cita o publicano como o último na lista dos “homens pecadores” e o pobre coitado tem consciência de sua realidade, pois se reconhece pecador diante de Deus. Interessante alguns pontos: o fariseu usa somente o “eu” ao falar com Deus; o publicano usa o “tu”; o orgulho fariseu diz “não sou” já o publicano diz “sou pecador”.

Não sabemos quais pecados o publicano tinha cometido, mas esses profissionais eram malvistos na época de Jesus. Eram judeus (por isto, também estava no Templo rezando) que viviam da cobrança de taxas e de impostos para os romanos. O cobrador de imposto para tirar o seu salário, colocava um pouco a mais sobre o valor a ser pago, eram considerados ladrões. Manuseavam a moeda romana com a esfinge do imperador, por isto também eram considerados impuros. O publicano na parábola se reconhece pecador diante de Deus. Sua atitude e a sua postura mostram alguém com um grande desejo de Deus. Não se sente digno de estar diante de Deus, nem de rezar como os outros em pé e muito menos de olhar para Deus (estava de cabeça baixa). Mas sua oração interior é sincera como são os seus gestos. Dirige-se a Deus como alguém necessitado da misericórdia divina; alguém que é pobre das graças de Deus não obstante certa riqueza que possuía (era publicano e eles tinham uma boa vida, lembremo-nos do publicano Zaqueu). O mais significativo em suas palavras é estar na presença de Deus. Pede e solicita a Deus se dirigindo a Ele na 2a pessoa: “tu”. A sua oração é íntima e direta de alguém que reconhece Deus como centro em suas orações e necessidades. O publicano reconhece Deus como fonte de perdão e ele como alguém necessitado de sua compaixão.

O fariseu não é condenado por Jesus e nem o publicano exaltado em seu modo de vida. O fariseu fazia tudo e um pouco mais que um fiel judeu deveria cumprir, era um religioso exemplar em relação aos princípios da religião da época, mas ao se colocar diante de Deus, ele destrói tudo que tinha realizado. Sua oração era vazia de Deus e cheia de si mesmo. Nada pede a Deus, por isto, nada recebe. O publicano, diz Jesus, “desceu para sua casa justificado”. Ele pediu perdão e recebeu essa graça que ele leva consigo principalmente para aqueles de sua casa. Sobre o fariseu? Nada sabemos! Mas, certamente saiu do Templo como entrou, pois, nada foi pedir para Deus, pois ele sentia que já tinha atingido o máximo da vida religiosa.

Os dois rezam e se dirigem a Deus, mas com corações diferentes. O fariseu já se sente justificado (santo) sem Deus; o publicano reconhece necessitado de Deus e da sua graça. No fundo, o fundamental em nossa vida cristã não é aquilo que eu faço para Deus, mas aquilo que Ele pode fazer em mim com a sua graça (Ermes Ronchi).

A atitude de oração do publicano é apontada por Jesus como exemplar, pois quem de nós não tem pecado? Diante de Deus, quem de nós ousa levantar os olhos e exigir algo? Somos sempre necessitados das graças de Deus principalmente do Seu perdão. Deus não dá sua graça a quem “merece”, mas a quem tem necessidade, quem precisa. O exemplo de santidade e de vida cristã é Jesus Cristo e diante Dele e de tudo que ensinou somos, realmente, pecadores e miseráveis, necessitados sempre da misericórdia de Deus. Buscar o perdão em forma de misericórdia e colocar em prática com aqueles que estão ao nosso lado, essa é a melhor oração que podemos oferecer a Deus.

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