Leia a mensagem do Papa Francisco para a vivência da Quaresma

Em sua mensagem anual para a vivência quaresmal, o Papa Francisco afirmou que a "a alegria do cristão brota da escuta e receção da Boa Nova da morte e ressurreição de Jesus". E a boa vivência deste tempo só é possível a partir de uma vida de oração mais profunda com o Senhor.
Leia a mensagem na íntegra.

Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2020
Em nome de Cristo, suplicamo-vos: reconcilia-vos com Deus (2Cor 5, 20)

Queridos irmãos e irmãs!

Foto: VaticanNews

O Senhor concede-nos, também neste ano, um tempo propício para nos prepararmos para celebrar, de coração renovado, o grande Mistério da morte e ressurreição de Jesus, perne da vida cristã pessoal e comunitária. Com a mente e o coração, devemos voltar continuamente a este Mistério. Com efeito, o mesmo não cessa de crescer em nós na medida em que nos deixarmos envolver pelo seu dinamismo espiritual e aderirmos a ele com uma resposta livre e generosa.

1. O Mistério pascal, fundamento da conversão
A alegria do cristão brota da escuta e receção da Boa Nova da morte e ressurreição de Jesus: o kerygma. Este compendia o Mistério dum amor «tão real, tão verdadeiro, tão concreto, que nos proporciona uma relação cheia de diálogo sincero e fecundo» (Francisco, Exort. ap. Christus vivit, 117). Quem crê neste anúncio rejeita a mentira de que a nossa vida teria origem em nós mesmos, quando na realidade nasce do amor de Deus Pai, da sua vontade de dar vida em abundância (cf. Jo 10, 10). Se, pelo contrário, se presta ouvidos à voz persuasora do «pai da mentira» (Jo 8, 44), corre-se o risco de precipitar no abismo do absurdo, experimentando o inferno já aqui na terra, como infelizmente dão testemunho muitos acontecimentos dramáticos da experiência humana pessoal e coletiva.
Link Christus vivit

Por isso, nesta Quaresma de 2020, quero estender a todos os cristãos o mesmo que escrevi aos jovens na Exortação apostólica Christus vivit: «Fixa os braços abertos de Cristo crucificado, deixa-te salvar sempre de novo. E quando te aproximares para confessar os teus pecados, crê firmemente na sua misericórdia que te liberta de toda a culpa. Contempla o seu sangue derramado pelo grande amor que te tem e deixa-te purificar por ele. Assim, poderás renascer sempre de novo» (n. 123). A Páscoa de Jesus não é um acontecimento do passado: pela força do Espírito Santo é sempre atual e permite-nos contemplar e tocar com fé a carne de Cristo em tantas passoas que sofrem.

2. Urgência da conversão
É salutar uma contemplação mais profunda do Mistério pascal, em virtude do qual nos foi concedida a misericórdia de Deus. Com efeito, a experiência da misericórdia só é possível «face a face» com o Senhor crucificado e ressuscitado, «que me amou e a Si mesmo Se entregou por mim» (Gl 2, 20). Um diálogo coração a coração, de amigo a amigo. Por isso mesmo, é tão importante a oração no tempo quaresmal. Antes de ser um dever, esta expressa a necessidade de corresponder ao amor de Deus, que sempre nos precede e sustenta. De facto, o cristão reza ciente da sua indignidade de ser amado. A oração poderá assumir formas diferentes, mas o que conta verdadeiramente aos olhos de Deus é que ela escave dentro de nós, chegando a romper a dureza do nosso coração, para o converter cada vez mais a Ele e à sua vontade.
Por isso, neste tempo favorável, deixemo-nos conduzir como Israel ao deserto (cf. Os 2, 16), para podermos finalmente ouvir a voz do nosso Esposo, deixando-a ressoar em nós com maior profundidade e disponibilidade. Quanto mais nos deixarmos envolver pela sua Palavra, tanto mais conseguiremos experimentar a sua misericórdia gratuita por nós. Portanto não deixemos passar em vão este tempo de graça, na presunçosa ilusão de sermos nós o dono dos tempos e modos da nossa conversão a Ele.

3. A vontade apaixonada que Deus tem de dialogar com os seus filhos
O facto de o Senhor nos proporcionar uma vez mais um tempo favorável para a nossa conversão, não devemos jamais dá-lo como garantido. Esta nova oportunidade deveria suscitar em nós um sentido de gratidão e sacudir-nos do nosso torpor. Não obstante a presença do mal, por vezes até dramática, tanto na nossa existência como na vida da Igreja e do mundo, este período que nos é oferecido para uma mudança de rumo manifesta a vontade tenaz de Deus de não interromper o diálogo de salvação connosco. Em Jesus crucificado, que Deus «fez pecado por nós» (2 Cor 5, 21), esta vontade chegou ao ponto de fazer recair sobre o seu Filho todos os nossos pecados, como se houvesse – segundo o Papa Bento XVI – um «virar-se de Deus contra Si próprio» (Enc. Deus caritas est, 12). De facto, Deus ama também os seus inimigos (cf. Mt 5, 43-48).
Link Bento XVI
Link Deus caritas est:

O diálogo que Deus quer estabelecer com cada homem, por meio do Mistério pascal do seu Filho, não é como o diálogo atribuído aos habitantes de Atenas, que «não passavam o tempo noutra coisa senão a dizer ou a escutar as últimas novidades» (At 17, 21). Este tipo de conversa, ditado por uma curiosidade vazia e superficial, carateriza a mundanidade de todos os tempos e, hoje em dia, pode insinuar-se também num uso pervertido dos meios de comunicação.

4. Uma riqueza que deve ser partilhada, e não acumulada só para si mesmo
Colocar o Mistério pascal no centro da vida significa sentir compaixão pelas chagas de Cristo crucificado presentes nas inúmeras vítimas inocentes das guerras, das prepotências contra a vida desde a do nascituro até à do idoso, das variadas formas de violência, dos desastres ambientais, da iníqua distribuição dos bens da terra, do tráfico de seres humanos em todas as suas formas e da sede desenfreada de lucro, que é uma forma de idolatria.
Também hoje é importante chamar os homens e mulheres de boa vontade à partilha dos seus bens com os mais necessitados através da esmola, como forma de participação pessoal na edificação dum mundo mais justo. A partilha, na caridade, torna o homem mais humano; com a acumulação, corre o risco de embrutecer, fechado no seu egoísmo. Podemos e devemos ir mais além, considerando as dimensões estruturais da economia. Por este motivo, na Quaresma de 2020 – mais concretamente, de 26 a 28 de março –, convoquei para Assis jovens economistas, empreendedores e transformativos, com o objetivo de contribuir para delinear uma economia mais justa e inclusiva do que a atual. Como várias vezes se referiu no magistério da Igreja, a política é uma forma eminente de caridade (cf. Pio XI, Discurso à FUCI, 18/XII/1927). E sê-lo-á igualmente ocupar-se da economia com o mesmo espírito evangélico, que é o espírito das Bem-aventuranças.
Invoco a intercessão de Maria Santíssima sobre a próxima Quaresma, para que acolhamos o apelo a deixar-nos reconciliar com Deus, fixemos o olhar do coração no Mistério pascal e nos convertamos a um diálogo aberto e sincero com Deus. Assim, poderemos tornar-nos aquilo que Cristo diz dos seus discípulos: sal da terra e luz do mundo (cf. Mt 5, 13.14).

Roma, em São João de Latrão, 7 de outubro de 2019,

Memória de Nossa Senhora do Rosário.
Franciscus

 

por Pe. Andrey Nicioli 


Dioceses brasileiras mudam rotinas e suspendem atividades contra o Coronavírus

A primeira morte pelo novo coronavírus (Sars-Cov-2) no Brasil foi registrada nesta terça-feira, 17 de março, no estado de São Paulo (SP), segundo informações do governo estadual. A vítima é um homem de 62 anos que estava internado em um hospital particular da capital paulista.

O vírus que se espalhou pelo mundo tem feito a população mudar hábitos — um deles é intensificar a rotina de lavar as mãos. Além disso, as autoridades têm orientado que as pessoas evitem sair de casa para evitar aglomerações como recomenda o Ministério da Saúde.

Também na manhã desta terça, o bispo da diocese de São Carlos (SP), dom Paulo Cezar Costa, publicou uma nota determinando a suspensão por dez dias de todas as atividades promovidas pela Igreja nos 29 municípios que compõem a diocese. Com exceção das missas, nas quais os padres devem acrescentar mais horários observando a higienização e ventilação dos locais em que são realizadas.
https://cnbbsul1.org.br/com-orientacoes-do-coronavirus-bispo-deseja-uma-cultura-do-cuidado/

Em Porto Alegre (RS), o arcebispo e primeiro vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Jaime Spengler determinou na segunda-feira, 16 de março, por meio de nota oficial, a suspensão das missas públicas, do início da catequese e de toda a programação do calendário 2020 da IVC (Iniciação à Vida Cristã), de novenas, tríduos, procissões programadas e as reuniões do clero por tempo indeterminado, seguindo as recomendações das autoridades sanitárias e de saúde.
https://www.arquidiocesepoa.org.br/single-post/2020/03/16/Coronav%C3%ADrus-Arquidiocese-determina-suspens%C3%A3o-das-missas-e-catequeses

A nota traz ainda a suspensão de todas as celebrações eucarísticas ordinárias com fiéis, de 17 de março a 3 de abril e recomenda ainda que, neste período, os fieis acompanhem as missas pelos meios de comunicação: televisão, do rádio e da internet, cumprindo, assim, o preceito dominical.

Em Uberada (MG), dom Paulo Mendes Peixoto, o arcebispo da cidade emitiu um comunicado, nesta terça-feira, 17 de março, reforçando as orientações que já haviam sido dadas, cancelando e suspendendo até a festa da Páscoa diversas atividades da arquidiocese como catequese, reuniões, procissões e festas dos padroeiros.

Segundo a nota, continuam mantidas as medidas preventivas anunciadas anteriormente, para as celebrações: omitir o abraço da paz, não dar as mãos durante a oração do Pai-nosso, bem como a comunhão seja dada na mão, apenas na espécie de pão e que as Igrejas e Capelas estejam abertas, limpas e arejadas durante as celebrações e disponibilizem álcool em gel, para o uso de todos.
Link da nota: https://www.arquidiocesedeuberaba.org.br/post/nota-oficial-da-arquidiocese-de-uberaba-coronav%C3%ADrus

Além disso, o arcebispo orienta os sacerdotes que nas Comunidades Paroquiais que têm grande fluxo de fieis, nos finais de semana, sejam multiplicadas as celebrações para evitar aglomeração de pessoas e que não ultrapassem o período de uma hora, nas Celebrações Eucarísticas. A nota comunica ainda a suspensão da Romaria da Arquidiocese, prevista para o dia 24 de maio, para o Santuário de Nossa Senhora da Abadia, na cidade de Romaria.

No Paraná, a presidência do Regional Sul 2 da CNBB também emitiu comunicado com recomendações para que todos sigam as orientações práticas de sua diocese, segundo a realidade local de cada uma, como: missas, sacramentos, cultos, reuniões, catequese, encontros etc, que os padres não deixem de atender aos fiéis no âmbito espiritual e suspendendo, por tempo indeterminado, todos os encontros e reuniões regionais de pastoral, movimento e organismo. Além de pedir que todos continuem a seguir, irrestritamente, as medidas de prevenção recomendadas pelas autoridades sanitárias.

Link do Regional Sul 2 da CNBB: https://cnbbs2.org.br/2020/03/orientacao-dos-bispos-do-parana-quanto-a-prevencao-do-novo-coronavirus/

Mantendo praticamente as mesmas orientações, em especial as sanitárias, a diocese de Belém do Pará também publicou nota comunicando aos fiéis que neste momento incentivados pela vivência de práticas de piedade em família, recitem o terço e façam a leitura orante da Palavra de Deus em casa.

Link da nota: https://arquidiocesedebelem.com.br/noticias/comunicacao-oficial-sobre-coronavirus/

A nota, informa ainda que a partir desta terça, a TV Nazaré transmitirá, diretamente da Basílica de Nazaré, Santuário Arquidiocesano, de segunda a sexta-feira, três missas diárias, às 7h, 12h e 18h. Nos domingos, Missas transmitidas da Basílica às 10h e 18 horas.

Além disso, o bispo diocesano convocou convida os fiéis a participarem do Terço da Esperança e da Solidariedade de iniciativa da presidência da CNBB que será rezado nesta quarta-feira, às 15h30, em todas as emissoras de televisão e rádio de inspiração católica do país e pela página da Conferência no Facebook.

Link do Terço da Esperança e da Solidariedade: https://www.cnbb.org.br/cnbb-oracao-terco-coronavirus-covid-19/

Link da pagina da Conferencia no Facebook: https://www.facebook.com/cnbbnacional/?ref=search&__tn__=%2Cd%2CP-R&eid=ARBeHvMq5GRKDiupa61wbOLUhS9gse_wdKK6_JoSWPlNHQpkRZ_OifSmO8GWJOhsEhQLr1UO6SF9FdAu

Mesmo não tendo nenhum registro na região da diocese de Itabuna, na Bahia, o bispo Carlos Alberto dos Santos, suspendeu as procissões da festa de São José, que seriam realizadas nesta quinta-feira, 19 de março e a do domingo de Ramos. No entanto, as missas serão mantidas nos horários normais de 7h, 10h, 15h e será acrescida uma as 17h para evitar aglomerações.

O arcebispo de Palmas (TO), dom Pedro Brito Guimarães, também enviou um comunicado para que que todas as Paróquias cuidem da prevenção e da segurança sanitária dos fiéis, através da limpeza, da higienização e da ventilação dos espaços litúrgicos e de informações médico-sanitárias, cancelando e adiando eventos pastorais que não sejam estritamente necessários ou inadiáveis, incentivando as pessoas e as famílias, a reza do Terço, da Via-Sacra e de outras orações de devoção e de piedade em suas casas, pedindo que que Deus o mundo desta pandemia.

Link do comunicado: https://arquidiocesedepalmas.org.br/arquidiocese-de-palmas-expede-orientacoes-as-paroquias-e-fieis-durante-a-pandemia-do-coronavirus.html

De acordo com a última atualização do Ministério da Saúde, divulgado na tarde desta segunda-feira, 16 de março, o número de casos oficiais do novo coronavírus no Brasil subiu para 234 confirmados e 2.064 suspeitos. Outros 1.624 casos já tiveram a suspeita descartada. O estado com maior número de casos confirmados é São Paulo (152), seguido pelo Rio de Janeiro (31) e pelo Distrito Federal (13). Ainda segundo o Ministério, o número real de casos, no entanto, pode ser maior, já que o boletim nacional tem demorado para incluir novos casos confirmados pelas autoridades de saúde dos estados.

 

 por CNBB Nacional


Artigo: A comunhão espiritual

PE. RAFAEL IBARGUREN SCHINDLER, EP -
Às vezes nos encontramos diante do Senhor sacramentado e passamos momentos de aridez, sem perceber sua voz nem chegar a dizer-lhe nada. O que fazer? Eis aqui uma maneira excelente para ocupar parte do tempo nas visitas ao Santíssimo: fazer uma comunhão espiritual.

Foto: Arautos do Evangelho

Chamamos comunhão sacramental o receber o corpo de Cristo debaixo das espécies eucarísticas na Missa ou fora dela. É este um momento inefável de união e intimidade com Deus, por certo o momento (ou o acontecimento) mais importante do dia ou da semana.

Mas resulta que podemos também nos encontrar com Nosso Senhor fazendo uma comunhão espiritual que poderá ter tanto ou até maior fruto que a mesma comunhão eucarística, dependendo do fervor com que o fiel se empenhe e da liberalidade de Deus.

A comunhão sacramental pode ser recebida várias vezes por dia, se a segunda vez que comungo o faço participando de um Missa, segundo estipula o Código de Direito Canônico, cânon 917.
A comunhão espiritual entretanto pode ser feita em qualquer momento, em qualquer lugar, quantas vezes quiser.

No que consiste a comunhão espiritual?

Santo Afonso Maria de Ligório nos explica muito claramente: “consiste no desejo de receber a Jesus Sacramentado e em dar-lhe um amoroso abraço, como se já o tivéssemos recebido”.
Esta devoção é muito mais proveitosa do que se pensa e muito fácil de realizar. Há fórmulas que nos ajudam a fazê-la como, por exemplo esta, que é da lavra do mesmo santo:
“Oh Jesus meu, creio que estais presente no Santíssimo Sacramento, te amo sobre todas as coisas e desejo receber-te em minha alma. Já que agora não posso fazê-lo sacramentalmente, venha ao menos espiritualmente a meu coração. Como se já tivesse recebido, te abraço e me uno todo a Ti, não permitais, Senhor, que volte jamais a abandonar-te. Amém”.
Mas cada um pode meditar e realizar a comunhão espiritual sem necessidade de restringir-se a uma oração específica, mas para que seja bem feita, recomenda-se que se faça:

– um ato de Fé na Eucaristia (creio que estas presente na Eucaristia);

– um ato de amor (te amo sobre todas as coisas);

– um ato de desejo (desejo receber-te em minha alma);

– Por fim, um pedido: (venha espiritualmente a meu coração, permanece em mim e faça que nunca te abandone).

Quantas vezes pensamos e até sonhamos com coisas que queremos ou que gostamos. É um imperativo de nosso ser racional e volitivo. E como não vamos ter em vista essa presença tão benéfica que é, além disso, traje de vida eterna?

Pode se dizer que a comunhão espiritual é um termômetro de nossa fé e de nosso amor a Eucaristia. E se não temos claro a factibilidade desta prática devocional, compreende-se que não tenhamos recorrido a ela; mas uma vez que temos compreendido quão beneficiosa é para a alma, não temos mais que fazê-la parte de nossos hábitos cotidianos.
Disse Jesus no Evangelho que é preciso “orar em todo tempo e não desfalecer” (Lc 18, 1). A comunhão espiritual é uma forma excelente de oração que está sempre ao nosso alcance.
“Ecclesia de Eucharistía” é o título de uma encíclica do beato João Paulo II. “A Igreja vive da Eucaristia” e sem ela não pode existir. De forma real ou virtual, devemos comungar sempre com o Senhor. A Eucaristia foi feita para os cristãos e os cristãos para a Eucaristia.

Um pagão como o centurião romano (Mt 8, 5-17) viveu a experiência da comunhão espiritual quando disse: “Senhor, eu não sou digno de que entrei em minha casa mas dizei uma só palavra…”. A comunhão com o Messias, através de um ato de fé, de esperança e de amor, obteve sua conversão e a cura de seu servo.

Crer, desejar e adorar… já é comungar!

Texto do site: www.arautos.org
https://www.arautos.org/secoes/artigos/doutrina/eucaristia/a-comunhao-espiritual-2-162063


DECRETO sobre as ações contra o avanço do coronavírus

O arcebispo metropolitano de Pouso Alegre, dom José Luiz Majella Delgado - C.Ss.R., após reunião do Conselho Presbiteral nesta terça-feira (17), decretou como ficarão as celebrações e atividades eclesiais nas próximas semanas. Entre as principais medidas estão a suspensão, por 30 dias, de todas as missas e celebrações, inclusive Semana Santa. Ficam obrigados os padres celebrarem a Santa Missa todos os dias em favor do povo de Deus. O decreto vale por 30 dias, podendo ser revogado ou prorrogado, e tem validade em todo o território arquidiocesano.
Segundo dom Majella, é uma atitude de comunhão, pois a Igreja caminha com seu povo, inclusive com os sofrimentos do seu povo.

"Nós estamos em comunhão com toda a Igreja do Brasil e do mundo. Essa posição traz para nós uma certeza: a Igreja caminha com o povo, com o sofrimento do seu povo. A Igreja é vida. Nossa posição não é para ferir a fé de ninguém. Quem tem a fé firme e estável se sustenta. Nossas igrejas estarão todas abertas. Individualmente, cada um poderá fazer uma visita ao Santíssmo Sacramento e fazer sua oração. Há outra realidade para o Sul de Minas, pois estamos numa confluência de grandes centros urbanos (São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro), onde o trânsito de pessoas é muito grande. Por isso precisamos estar atentos. São pessoas que passam e que podem trazer o vírus e nós, sem sabermos, estaremos disseminando o vírus. A posição da Igreja é posição de comunhão com a sociedade, é uma posição de irmãos em favor da vida. Temos a certeza que é temporário e estaremos celebrando nossa fé em muitos outros momentos de nossa caminhada. Estamos contemplando o centro da nossa fé no ano litúrgico com um olhar de fé".

Leia a íntegra do Decreto:

DECRETO sobre a prevenção ao coronavírus (COVID-19)
Arquidiocese de Pouso Alegre - MG

A vida é dom e compromisso! Neste momento difícil para todos, recordamos o ensinamento da Palavra: A vida é essencialmente samaritana, tal qual o homem que interrompeu sua rotina para cuidar de quem estava caído à beira do caminho (cf. Lc 10, 25-37). Estamos vivendo a agonia e o sofrimento de Jesus para experimentarmos verdadeiramente o “sabor” da Páscoa.
Diante da pandemia do coronavírus (COVID-19), seguindo as recomendações das autoridades sanitárias, de algumas Secretarias de Saúde dos Municípios da Arquidiocese de Pouso Alegre, de médicos especialistas e ouvindo o Conselho Presbiteral, DECRETO para todo território arquidiocesano (setores pastorais, paróquias e comunidades), como forma de retardar a disseminação rápida e crescente desse vírus, o que segue:

I – Suspensão por 30 dias das seguintes atividades:

1) Atividades celebrativas comunitárias: Missas, Batizados, Confissões individuais, Celebrações penitenciais, Mutirões de confissão, Crismas, Celebrações da Palavra, Exéquias, bênçãos, procissões, Via-Sacra, encontros de oração e recitação do terço em grupos.
a) Quanto ao sacramento do Matrimônio, previsto dentro deste prazo de 30 dias, que os párocos conversem com os noivos sobre sua viabilidade e, em caso de realização, que sejam discutidos os critérios para a sua celebração;
b) Quanto aos sacramentos do Batismo, da Unção dos Enfermos e administração do Viático, sejam realizados apenas em caso de extrema urgência;
c) Quanto à iniciação dos Catecúmenos, será estipulada pela Comissão da Iniciação à Vida Cristã outra ocasião litúrgica solene para essa celebração, em caráter de exceção;
d) Quanto à realização de todas as atividades e celebrações da Semana Santa, também canceladas, nossa Igreja é chamada a viver este momento em comunhão com o Sacrifício de Jesus Cristo na Cruz. Para isso, propõe-se que as mesmas sejam vivenciadas em casa, com a família, em espírito de oração, meditação da Palavra de Deus, recitação da Via-Sacra e do terço etc., além de acompanhar as celebrações de fé pelos meios de comunicação da Igreja. Assuma-se a vivência de todo esse momento em espírito de penitência, em comunhão com as vítimas dessa pandemia e seus familiares, intensificando a prática dos exercícios espirituais propostos pela Igreja (oração, jejum e caridade). A missa dos Santos Óleos será marcada posteriormente;
2) Atividades formativas: Encontros de Lideranças, Conselhos e Movimentos (Equipes de Nossa Senhora, Movimento de Cursilho de Cristandade, TLC, OVISA, JOVISA, Mães que Oram pelos Filhos, Terço dos Homens, Terço das Mulheres, ECC, Javé Nissi, RCC, entre outros); Escolas Bíblicas e da Fé; cursos; palestras; círculos bíblicos; grupos de reflexão; catequese de crianças, adolescentes e adultos; catequese batismal e preparação de noivos; formações paroquiais, setoriais e arquidiocesanas; e outras atividades do gênero;
3) Outras atividades: Novenas e Festas de padroeiros; jantares; quermesses e demais atividades que aglomerem pessoas;
4) Funcionamento dos organismos eclesiais: Nas secretarias paroquiais, Tribunal Eclesiástico e Cúria Metropolitana, mantenha-se o expediente interno. Quanto ao atendimento dos fiéis, cada pároco faça o discernimento do que melhor atende a sua realidade;

II – Orientações Litúrgicas para este período:

1) Todos os fiéis ficam dispensados da obrigação cristã católica de participar das missas dominicais e de preceito;
2) Os sacerdotes devem celebrar diariamente a Santa Eucaristia nas intenções do Povo de Deus. Recomenda-se o uso do rito da “Missa celebrada sem povo” conforme o Missal Romano, podendo ser transmitida pelos meios de comunicação;
3) Conforme o costume local, mantenham-se abertas as igrejas para visitação e orações pessoais;
4) Ficam suspensas as visitas dos Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão aos doentes e idosos durante esse período;
5) Em caso de falecimento de um paroquiano, o padre seja comunicado para que reze a missa “sem povo” em sufrágio do falecido e do consolo da família;
6) Sejam observadas com rigor as orientações advindas de decretos Federal, Estadual e Municipal sobre esta questão específica;
Rezemos pelas vítimas dessa pandemia, autoridades, profissionais de saúde e todos os que mantém o funcionamento da sociedade para superarmos a crise que atinge a todos indistintamente. Lembremos que o maior mandamento se resume “no amor a Deus e ao próximo” (cf. Lc 10, 27) e que, portanto, “a caridade é a plenitude da Lei” (cf. Rm 13, 8-10).
Ao clero arquidiocesano, recomendo a caridade pastoral, solidariedade com o nosso povo sofrido e com os mais vulneráveis, principalmente os idosos.
Este decreto entra em vigor a partir desta quarta-feira (18) e deve ser observado, podendo ser revogado ou prorrogado. Desejamos preservar a vida e a saúde do nosso povo, para que a Páscoa seja para nós ocasião de júbilo e celebração da vitória de Cristo e do seu povo sobre qualquer forma de mal que os ameaça.
Rogamos a São Sebastião, nosso padroeiro e protetor contra as pestes e epidemias, que interceda ao Senhor Bom Jesus por nós e por toda a humanidade.

Dom José Luiz Majella Delgado – C.Ss.R.
Arcebispo Metropolitano

Pouso Alegre, 18 de março de 2020

 

por Pe. Andrey Nicioli 


Dom Majella fala sobre o Decreto publicado com medidas contra o avanço do coronavírus

Na tarde desta terça-feira (17), o arcebispo metropolitano, dom José Luiz Majella Delgado - C.Ss.R., decretou algumas medidas a serem aplicadas em toda a arquidiocese de Pouso Alegre e obedecidas por todas as comunidades, pastorais e movimentos. Entre elas está o cancelamento de todas as missas, inclusive as celebrações da Semana Santa, encontros, reuniões por 30 dias.

Veja o vídeo:

https://youtu.be/j92Xs2pFK0w

 

por Pe. Andrey Nicioli 


Dom Majella anuncia novo coordenador arquidiocesano de pastoral


Novo coordenador

Em comunicado divulgado na tarde desta segunda-feira (2), o arcebispo metropolitano, dom José Luiz Majella Delgado-C.Ss.R., anunciou o novo coordenador arquidiocesano de pastorla para os próximos anos. Trata-se do padre Edson Aparecido da Silva, atual pároco da paróquia São João Batista em Pouso Alegre.

"Para eficácia do processo pastoral de evangelização e sua dinamicidade em nossa arquidiocese, bem como a coordenação geral dos trabalhos pastorais, é que se faz necessário um coordenador, cuja realidade é adotada ha anos em nossa caminhada de Igreja Particular. Diante disso, tendo expirado o tempo previsto do atual coordenador e após as consultas em variadas instâncias - depois do processo de participação do clero e de nossos líderes leigos representados em todos os setores pastorais, Conselhos e na Comissão Arquidiocesana de Pastoral (CAP) - resolvemos nomear o Reverendíssimo padre", escreveu dom Majella.

O arcebispo também aproveitou a oportundiade para agradecer o empenho e trabalho desenvolvido pelo padre Mauro Ricardo de Freitas, que esteve na função até o momento.

A Secretaria de Pastoral

A Secretaria da Pastoral é responsável por coordenar todo o trabalho das pastorais, movimentos e espiritualidades existentes na Arquidiocese de Pouso Alegre. Impulsionada pela 9ª Assembléia Arquidiocesana de Pastoral, a Secretaria de Pastoral colabora na dinamização da vida pastoral arquidiocesana. A Assembléia, realizada no ano de 2016, apontou caminhos e convidou toda a Arquidiocese a assumir prioridades na sua ação evangelizadora. Umas pastoral planejada e realizada com organicidade é fundamental para o bom êxito do plano de evangelização.

 

por Pe. Andrey Nicioli


Província Eclesiástica emite orientações litúrgicas frente ao avanço do novo Coronavírus

A Província Eclesiástica de Pouso Alegre, formada pela arquidiocese de Pouso Alegre, pela diocese de Campanha e pela diocese de Guaxupé - Sul de Minas Gerais - em comunhão com a Igreja em todo o mundo e, no Brasil, na vivência quaresmal de "ver, se compadecer e cuidar" (CF 2020), está sempre comprometida com a defesa da vida - Dom e compromisso - e com o bem estar de cada pessoa.

A vida como dom precioso de Deus deve ser preservada e promovida em todas as suas etapas, daí unirmo-nos ao combate na disseminação do "Coronavírus, uma ameaça à saúde de centenas de pessoas em várias partes do mundo, tendo já chegado a nossa nação brasileira.

Como pastores preocupamo-nos e, assim, orientamos:
- que em nossas Missas e Celebrações evitemos o abraço da paz, mas busquemos fortalecer, ainda mais, o sincero sentimento de bem-querer em relação ao próximo;
- que na oração do Pai-Nosso, não unamos nossas mãos, mas cultivemos com mais intensidade o compromisso com a fraterna comunhão;
- que se receba a Sagrada Eucaristia nas mãos e não diretamente na boca, tendo todo o cuidado de comungar, respeitosamente, diante do ministro e não se deslocar com a Hóstia consagrada na mão;
- que seja suprimido o uso da água benta às portas das igrejas;
- que sejam arejados os locais de reuniões e celebrações, através do uso de ventiladores e pela abertura de portas e janelas.
Solicitamos aos sacerdotes, aos diversos ministros e às nossas lideranças, que favoreçam ao máximo em suas comunidades essas nossas orientações "para que todos tenham vida e a tenham em abundância" (Jo 10,10).

Que o Senhor Deus nos proteja e guarde a todos.

Pouso Alegre, 28 de fevereiro de 2020
Dom José Luiz Majella Delgado - C.Ss.R. (Arcebispo Metropolitano de Pouso Alegre)
Dom Pedro Cunha Cruz (Bispo diocesano de Campanha)
Dom José Lanza Neto (Bispo diocesano de Guaxupé)


Em lançamento da CF 2020, dom Joel chama a atenção para não naturalização das agressões à vida

Lançamento da CF 2020// Foto: Assessoria CNBB

“Será que não estamos nos acostumando com a agressão cotidiana à vida e com a morte em suas diversas formas?” Com essa pergunta provocativa o bispo auxiliar do Rio de Janeiro e secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Joel Portella Amado, deu início à sua fala na cerimônia de lançamento da Campanha da Fraternidade (CF) 2020 realizada hoje, dia 26 de fevereiro, na sede da entidade em Brasília (DF).

A Campanha da Fraternidade 2020 tem como tema: “Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso” e o lema bíblico extraído de Lucas 10, 33-34: “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele”.
Segundo dados sistematizados no Texto-Base da CF 2020:

“No Brasil, 22,6% das crianças e adolescentes entre 0 e 14 anos vivem em situação de extrema pobreza. 11,7 mil crianças e adolescentes foram vítimas de homicídio em 2017. Em 2016, houve no país 11.433 mortes por suicídio, uma média de 31 casos por dia. Nos 6 primeiros meses de 2018, os acidentes de trânsito provocaram mil mortes e 20 mil casos de invalidez permanente no país. Em 2017, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IGBE), o Brasil era 9º país mais desigual do planeta em distribuição de renda.”

O secretário-geral da CNBB disse ser necessário indagar se realmente são necessárias estatísticas para perceber que, em nossos dias, a vida vem sendo fortemente desrespeitada. Dom Joel citou, como exemplo, o tema da violência ostensiva – tema das Campanhas de 1983 e 2018. Para dom Joel, a lista de morte é grande e já a conhecemos: “mortes nas ruas através de balas perdidas, morte nas macas dos hospitais, morte por causa da fome, do desemprego, morte no campo, nas aldeias indígenas e morte entre os jovens”.

A Campanha da Fraternidade, destacou o secretário-geral da CNBB, quer alertar para duas atitudes, a indiferença e a crença de que a morte só é vencida pela própria morte. “Essa é atitude de quem se esquece da Campanha da Fraternidade de 2018 e acaba pregando a superação da violência através da própria violência”, disse.

Dom Joel citou o Papa Francisco para falar da importância de não naturalizar a indiferença e a violência. “O Papa pede de nós um outro rumo na Laudato Sí”, disse. De acordo com o bispo, a Campanha da Fraternidade aponta para esse outro rumo a partir da parábola do Bom Samaritano. “Em tempos de indiferença globalizada, a solução para os problemas da vida nunca virá através da violência e da morte. Ela virá do cuidado! Do zelo uns pelos outros e de todos pela sociedade e pelo planeta”, afirmou.

Como exemplo de quem cuidou da vida e referência do agir como bom Samaritano, o secretário-geral da CNBB falou que a Campanha deste ano se inspira em Santa Dulce dos Pobres, canonizada pelo Papa Francisco, em outubro de 2019 . “Ouvir, sentir compaixão e cuidar” são os verbos bíblicos que a Igreja Católica vai trabalhar na Quaresma este ano, por meio da Campanha da Fraternidade 2020.

Participaram da coletiva o bispo auxiliar do Rio de Janeiro (RJ) e secretário-geral da CNBB, dom Joel Portella Amado, a sobrinha da Santa Dulce dos Pobres e superintendente das Obras Sociais Irmã Dulce (Osid) na Bahia, Maria Rita Pontes, o frei Giovanni Messias, reitor do Santuário Santa Dulce dos Pobres, o coordenador executivo de Campanhas da CNBB, padre Patriky Samuel Batista e a representante do projeto social da CNBB “Correndo Atrás de um Sonho”, Dayse de Oliveira.

 

por CNBB Nacional


Série Preparação Litúrgica: A Comunidade se prepara a Quaresma

A Igreja se aproxima da Quaresma e as comunidades, por meio de suas equipes de Liturgia, devem se preparar para este Tempo Litúrgico. São várias ações e cuidados que devem ser levados em consideração na caminhada rumo à Festa da Páscoa. O arcebispo metropolitano de Pouso Alegre (MG) e membro da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da CNBB, dom José Luiz Majella Delgado, ofereceu várias indicações que podem auxiliar neste processo de preparação. Estas dicas serão publicadas na série “A comunidade se prepara para a Quaresma”.

Neste primeiro texto, o destaque é a preparação comunitária e das equipes de liturgia em vista deste tempo. O ponto de partida, como destaca dom Luiz Majella, é recordar que a Quaresma é “um tempo de preparação para a Pascoa do Senhor”, logo, “fazer programa quaresmal está voltado para a própria orientação da Igreja que propõe para nós jejum, oração e esmola. É um caminho de vida nova em Cristo”.

Os grupos de liturgia devem, eles próprios, iniciarem a preparação com a escuta da Palavra de Deus, por meio da Leitura Orante. Depois, os livros litúrgicos, o missal principalmente, devem ser estudados e refletidos. “No missal temos todos os elementos que nos orientam como celebrar o tempo da Quaresma e ater-se ao rito e às orientações que a Igreja passa para nós”, destaca dom Majella.

Link Leitura Orante

Os Roteiros Homiléticos oferecidos pela CNBB também podem ajudar na celebração por meio da reflexão da liturgia de cada domingo: “Neste roteiro nós temos elementos que vem nos ajudar a preparar bem as nossas celebrações”, afirma dom José Luiz.

O membro da Comissão para a Liturgia da CNBB também destaca o tempo da Quaresma como ocasião de dar atenção maior aos irmãos, o que pode ser concretizado através da Campanha da Fraternidade: “Este ano ela vem nos ajudar a viver a vida como dom e compromisso e busca como lema o Evangelho de Lucas, o episódio do Bom Samaritano, ‘Viu, sentiu compaixão e cuidou dele’”.
Link Campanha da Fraternidade

Esta proposta de conversão quaresmal por meio da Campanha da Fraternidade pode ser fortalecida através das reflexões contidas nos subsídios oferecidos pela CNBB, como destaca dom José Luiz: “que nos conduzem a boas celebrações da Palavra, da Penitência em comunidade e a celebração da Via Sacra”.

O bispo ainda indica que estão disponíveis outros subsídios de preparação, mas “é interessante que a equipe estude antes de aplicar as orientações. A equipe precisa saber o que ela vai celebrar para que a assembleia celebre com a sua vida”. Dom José Luiz Majella Delgado ainda reforça: “Nós podemos preparar esse tempo com o coração aberto para a grande celebração da Páscoa”.

 

por CNBB


Arquidiocese Pouso Alegre será homenageada em sessão da Câmara Municipal de PA

A arquidiocese de Pouso Alegre celebra neste ano 120 anos da sua criação, ocorrida em 4 de agosto de 1900. Um ano todo especial, que quer recordar todos esses anos evangelizando nestas terras sul-mineiras. Dentre as festividades, há uma sessão especial da Câmara Municipal de Pouso Alegre, onde será feita uma homenagem à arquidiocese.

A sessão especial será realizada no dia 16 de março de 2020, às 19h30, no Plenário da Câmara Municipal de Pouso Alegre. O evento contará com a exibição de um documentário sobre a história da Arquidiocese, a entrega de diplomas de reconhecimento ao Jubileu para o Arcebispo Metropolitano de Pouso Alegre, Dom José Luiz Majella Delgado; para a Paróquia mais antiga da Diocese; para a Paróquia mais antiga de Pouso Alegre e para o padre mais antigo da Diocese em atividade. Em seguida, haverá os discursos do Arcebispo Dom Majella e do presidente da Câmara. No final será servido um coffee break para os presentes.

Com o tema “120 anos de evangelização e missão como Igreja diocesana. Tempo de misericórdia e memória de todos” e o lema “Eu vos darei futuro e esperança”(Jr 29,11), a Arquidiocese de Pouso Alegre quer elevar uma prece de agradecimento.

"Quantos bispos, padres, religiosos(as), agentes pastorais, leigos e leigas deram a vida para que o Reino de Deus se realizasse nessa região. Deus seja louvado por esta história tão bonita de nossa Arquidiocese de Pouso Alegre", diz o arcebispo metropolitano, dom José Luiz Majella Delgado - C.Ss.R.

A história

O primeiro passo para a criação da diocese de Pouso Alegre foi dado no dia 10 de maio de 1899, quando padre José Paulino foi nomeado visitador diocesano da porção sul-mineira do Bispado de São Paulo. No dia 08 de setembro do mesmo ano, padre José Paulino instalou o Seminário Menor e o Ginásio Diocesano São José.

Em 04 de agosto de 1900, a Sagrada Congregação Consistorial expediu o decreto pontifício Regio Latissime patens, por meio do qual nasceu a Diocese de Pouso Alegre, sufragânea do Arcebispado de São Sebastião do Rio de Janeiro. Isto significou que o território sul-mineiro desmembrou das dioceses de São Paulo e Mariana. À época, aproximadamente 200 mil pessoas habitavam as 107 paróquias da nova Igreja episcopal, ocupando uma área de 49,4 mil quilômetros quadrados.

Como pastor da nova Diocese, a Santa Sé nomeou o então bispo de Vitória, Dom João Batista Corrêa Nery. A nomeação se deu no dia 17 de fevereiro de 1901.

A notícia de elevação à arquidiocese chegou às mãos de Dom José D’Ângelo Neto em junho de 1962. A carta emitida pela Nunciatura Apostólica no Brasil revelava que o Papa João XXIII elevara, através da bula Qui tamquam Petrus, de 14 de abril, o Bispado de Pouso Alegre à categoria de arquidiocese e a promoção de Dom José à condição de primeiro arcebispo da nova sede Arquiepiscopal Metropolitana de Pouso Alegre, a qual teria como sufragâneas as Dioceses de Guaxupé e Campanha.

A boa nova chegou ao conhecimento de todos através da edição do dia 10 de junho de 1962 do jornal Semana Religiosa.

Em carta circular de agosto do mesmo ano, o primeiro arcebispo assim escreveu: “Seja a presente distinção da Santa Sé interpretada por todos como um convite a um zelo mais ardente pela causa de Jesus Cristo e como um apelo (…) para um contribuição valiosa ao esforço da Igreja em estabelecer para os homens um mundo melhor, iluminado pela fé, pacificado pela justiça e unido pela caridade”.

A instalação canônica da Arquidiocese se deu no dia 23 de setembro de 1962. Após a leitura da bula da criação e do decreto de execução, Dom José toma posse perante o Cabido, com a presença dos bispos sufragâneos Dom Othon Motta (Campanha) e Dom Inácio Dal Monte (Guaxupé). Na sequencia, a missa oficial é presidida pelo borda-matense Dom João Resende Costa, bispo coadjutor de Belo Horizonte e delegado especial do núncio apostólico naquele ato.

 

por Pe. Andrey Nicioli