Arquidiocese acolhe padres Scalabrinianos para missão com migrantes

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No último domingo (3), com a missa na Catedral Metropolitana de Pouso Alegre, foi acolhido o padre Valdecir Mayer Molinari, Scalabriniano, para uma missão com o migrantes em nossa Arquidiocese. Participou também da missa, além do Cônego Wilson Mário, Cura da Catedral e padre Fabiano José, promotor vocacional e formador do Seminário de Pouso ALgre, o Padre Superior Regional dos Scalabrinianos: Alexandre de Nardi Biolchi. Nesta nova missão em solo pousalegrense o padre Valdeci contará com o auxílio do padre Peter Nguyen Van Hoach, também Scalabriniano.
Segundo o padre Valdecir, a missão com os migrantes se baseia em 4 pilares, fundamentados pelo Papa Francisco, eles são: Acolher, Proteger, Integrar e promover.
Que a nova missão na Arquidiocese produza frutos para a Vinha do Senhor.
Que esta nova missão na Arquidiocese seja abençoada e que possa trazer conforto e esperança para todos os migrantes que buscam uma vida melhor. A presença e o apoio dos Scalabrinianos serão fundamentais para o sucesso desse trabalho tão importante e necessário em nossa comunidade. Que o padre Valdecir e toda a equipe envolvida sejam instrumentos de paz e solidariedade, seguindo os ensinamentos do Papa Francisco e levando amor e acolhimento a todos que necessitam. Que a Vinha do Senhor cresça e se fortaleça com essa nova missão.

Texto: Pe. Julio César

Foto: Pascom Catedral Metropolitana de Pouso Alegre


Mutirão de Confissões nas paróquias no mês de março

Especialmente neste Tempo Quaresmal, somos convidados a nos prepararmos para a festa da Páscoa por meio da oração, penitência e conversão. Para que a conversão ocorra, é fundamental nossa reconciliação com Deus e com os irmãos. Pelo sacramento da confissão, nossos pecados são perdoados e o processo da conversão é facilitado. Confira a programação dos Mutirões de Confissão em todas as paróquias de nossa arquidiocese.

1 - Setor Alto da Serra

Dia 6 - 14h - Paróquia Santa Quitéria e São João Batista - Ipuiúna

Dia 8 - 19h - Paróquia Nossa Senhora do Patrocínio - Caldas

Dia 12 - 19h - Paróquia Santa Rita de Cássia - Santa Rita de Caldas

Dia 13 - 19h - Paróquia São Benedito - Ibitiúra

Dia 15 - 14h - Paróquia São Sebastião - Andradas

Dia 15 - 19h - Paróquia Nossa Senhora Aparecida - Andradas

2 - Setor Dourado

Dia 7 - 19h - Paróquia São João Batista - São João da Mata

Dia 8 - 19h - Paróquia Divino Espírito Santo - Espírito Santo do Dourado

Dia 12 - 19h - Paróquia Sant'Ana - Silvianópolis

Dia 14 - 19h - Paróquia São Sebastião - Carvalhópolis

Dia 20 - 13h às 17h - Paróquia São Francisco de Paula - Poço Fundo

Dia 21 - 19h - Paróquia São Francisco de Paula - Poço Fundo

Dia 22 - 19h - Paróquia Nossa Senhora da Piedade - Turvolândia

3 - Setor Extremo Sul

Dia 6 - 19h - Paróquia São José - Toledo

Dia 7 - 19h - Paróquia São Cristóvão e São Benedito - Extrema - e Paróquia São Francisco de Assis - Monte Verde

Dia 8 - 19h - Paróquia Santa Rita de Cássia - Extrema

Dia 12 - 19h - Paróquia Santa Cruz - Munhoz

Dia 13 - 19h - Paróquia São Sebastião - Itapeva

Dia 14 - 19h - Paróquia Imaculada Conceição - Camanducaia

4 - Setor Fernão Dias

Dia 12 - 14h - Paróquia São Sebastião e São Roque - Bom Repouso

Dia 13 - 19h - Paróquia São Sebastião - Senador Amaral

Dia 14 - 15h - Paróquia Nossa Senhora Aparecida - Estiva

Dia 19 - 19h - Paróquia Nossa Senhora Aparecida - Cambuí

Dia 20 - 15h - Paróquia Nossa Senhora do Carmo - Cambuí

Dia 21 - 19h - Paróquia do Bom Jesus - Córrego do Bom Jesus

5 - Setor Mandu

Dia 12 - 19h - Paróquia São Francisco e Santa Clara e Paróquia Imaculado Coração de Maria - Pouso Alegre

Dia 13 - 19h - Paróquia São João Batista e Paróquia Santo Antônio - Pouso Alegre

Dia 14 - 19h - Paróquia São Cristóvão - Pouso Alegre - e Paróquia São José - Distrito Pantano

Dia 15 - 19h - Paróquia São Sebastião - Senador José Bento - e Paróquia São José - Congonhal

Dia 18 - 19h - Paróquia São José Operário e Paróquia São Geraldo - Pouso Alegre

Dia 20 - 19h - Paróquia Nossa Senhora de Fátima e Paróquia São Sebastião - Pouso Alegre

Dia 21 - 19h - Paróquia Bom Jesus - Catedral - Pouso Alegre

6 - Setor Mantiqueira

Dia 6 - 19h - Paróquia São Benedito - Itajubá

Dia 7 - 19h - Paróquia Nossa Senhora da Soledade - Itajubá

Dia 8 - 19h - Paróquia Sagrada Família e Paróquia Santo Antônio - Itajubá

Dia 12 - 19h - Paróquia Nossa Senhora das Graças - Itajubá

Dia 14 - 19h - Paróquia Sant’Ana - Wenceslau Braz

Dia 15 - 19h - Paróquia Santa Isabel - Piranguinho - e Paróquia Santo Antônio - Piranguçu

Dia 20 - 19h - Paróquia Nossa Senhora de Lourdes - Maria da Fé

Dia 21 - 19h - Paróquia Nossa Senhora da Soledade - Delfim Moreira - e Paróquia Nossa Senhora Aparecida - Marmelópolis

Dia 22 - 19h - Paróquia São José Operário - Itajubá

7 - Setor Mogi

Dia 6 - 19h - Paróquia Bom Jesus - Bueno Brandão

Dia 12 - 19h - Paróquia Nossa Senhora Aparecida - Tocos do Mogi - e Paróquia do Senhor Bom Jesus - Albertina

Dia 13 - 19h - Paróquia Nossa Senhora da Piedade - Crisólia - e Paróquia São Geraldo Magela - Inconfidentes

Dia 15 - 19h - Paróquia Nossa Senhora da Medalha Milagrosa - Monte Sião

Dia 20 - 19h - Paróquia Santo Antônio - Jacutinga

Dia 21 - 19h - Paróquia Nossa Senhora do Carmo - Borda da Mata

Dia 22 - 19h - Paróquia Santo Antônio e Paróquia São Francisco de Paula e Nossa Senhora de Fátima - Ouro Fino

8 - Setor Paraíso

Dia 6 - 15h às 17h e 19h às 22h - Paróquia São Caetano - Brazópolis

Dia 7 - 19h - Paróquia Nossa Senhora da Consolação - Consolação - e Paróquia Nossa Senhora das Dores - Gonçalves

Dia 8 - 14h às 17h e 19h às 22h - Paróquia São José - Paraisópolis

Observação: Na Paróquia Sant’Ana de Sapucaí Mirim o Mutirão ocorreu no dia 29 de fevereiro.

9 - Setor Sapucaí

Dia 11 - 19h - Paróquia Nossa Senhora da Conceição - Conceição dos Ouros

Dia 12 - 19h - Paróquia Nossa Senhora de Fátima - Santa Rita do Sapucaí

Dia 13 - 19h - Paróquia São João Batista - Cachoeira de Minas

Dia 14 - 19h - Paróquia São Sebastião - São Sebastião da Bela Vista

Dia 15 - 19h - Paróquia Santa Rita de Cássia - Santa Rita do Sapucaí

 

Texto: Luiz Gonzaga da Rosa

Foto destacada: Pixabay


#Reflexão: 3º domingo da Quaresma (03 de março)

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A Igreja celebra o 3º Domingo da Quaresma, neste domingo (03). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Ex 20,1-17
Salmo: 18(19),8.9.10.11 (R. Jo 6,68c)
2ª Leitura: 1Cor 1,22-25
Evangelho: Jo 2,13-25

Acesse aqui as leituras.

ZELO PELA CASA DE DEUS

Na caminhada quaresmal que estamos fazendo, escutamos com frequência, o convite de Deus à conversão e à mudança de vida. Conversão significa mudar de estrada e retomar o caminho de Deus. É sempre bom recordar que Deus deixou bem claro a via pela qual Ele quer que nós caminhemos. Como um bom Pai, Ele nos ensina o caminho, mas cada filho seu deve fazer sua escolha procurando colocar em prática o que Ele ensinou.

Na primeira leitura recordamos outra montanha da história do Povo de Deus (domingo passado foi o Monte Tabor).

No monte Sinai deste domingo, Deus deixou suas palavras para os seus filhos que, originalmente, eram “10 palavras” (cf. Ex 34,28; Dt 4,13; 10,4) como se pode perceber em alguns preceitos (“não matar”, “não roubar”). Com o passar do tempo se transformaram em “10 mandamentos” com mais detalhes.

Os judeus estudiosos das Escrituras organizaram os Mandamentos de um modo que temos na Bíblia; Santo Agostinho (viveu de 354-430) de outro modo e os cristãos ortodoxos, um terceiro modo. A ordem das “10 Palavras” em algumas citações na Bíblia nem sempre segue a disposição como lemos na primeira leitura de hoje (Ex 20,1-17). Jeremias (Jr 7,9) e Oseias (4,2) citam os Mandamentos não seguindo a ordem de Ex 20. O próprio Jesus, ao lembrar os Mandamentos, cita alguns, não propriamente conforme o modo apresentado por Deus a Moisés (cf. Mt 19,18s; Mc 10,19; Lc 18,20).

Os Mandamentos foram dados por Deus em um momentos muito especial: quando o povo tinha deixado o Egito e se encontrava em caminhada pelo deserto para entrar na Terra Prometida. Após fazer aliança com seu povo era necessário estabelecer as condições para que todos perseverassem e fossem fiéis ao pacto com Deus. O Decálogo (“Dez Palavras”) não é um elenco de leis como um código legal, pois não existe punição para quem inflinge cada mandamento. Ele nasce não de um rei que quer regular a vida das pessoas e punir quem não cumpre sua vontade, mas de um Deus que lutou pelo seu povo e que estava conduzindo todos a sua Terra Prometida.

Os preceitos são indicações, princípios dados por Deus e têm a função de transformar aquela “multidão” em “Povo de Deus” com uma identidade definida pelas “10 Palavras”, pois acima de tudo, mais de que um elenco de leis, os mandamentos retratam a profunda relação com Deus e como todos deveriam viver entre si como Povo escolhido por Deus.

As palavras iniciais dos Mandamentos de Deus possuem a missão de preparar a todos em relação àquilo que iriam encontrar na Terra Prometida: muitos povos com seus deuses, bem como práticas diferentes de religião. Para cultuarem seus deuses, aqueles povos se serviam de ídolos para evidenciar suas divindades que nada mais eram que representação de animais ou algo da natureza. Nosso Deus é muito maior do que isto. Assim, Deus quis exortar o povo hebreu em relação à tentação de construir seu próprio deus fabricando ídolos e colocando-os no lugar do Deus Verdadeiro (fabricar ídolos para adorar).

O seu povo deveria ser o sinal neste mundo do Deus Único e Verdadeiro através da prática dos mandamentos. Para a Bíblia, Deus não precisa de representantes na natureza, pois nós – homens e mulheres – somos seus representantes como “imagem e semelhança” de Deus, por isso, somos “um reino de sacerdotes” (Ex 19,6), “nação eleita, sacerdócio real, nação santa...” (1Pd 2,9).

A tentação era grande naquele tempo de adotar ídolos (coisas deste mundo) como deus próprio e pessoal. Como naquele tempo, hoje são muitos os ídolos que estão ocupando o lugar de Deus. No tempo do povo de Deus, os ídolos de outras divindades eram o maior risco que o povo de Deus tinha para se esquecer do Deus Verdadeiro; hoje, os ídolos criados pelas pessoas são muitos e nem sempre são físicos e visíveis como: o dinheiro, o prazer egoísta pelas coisas do mundo, o poder, a ganância etc. Enquanto em outras religiões, os ídolos representavam as divindades cultuadas, o Povo de Deus estava sendo preparado para ser o representante do Deus Verdadeiro através da vida de cada um, assim, através da fidelidade aos Mandamentos, o povo se tornava o sinal da presença de Deus neste mundo.

Os outros mandamentos reforçam outros aspectos da relação com Deus: não usar do nome de Deus pra qualquer coisa, pois o respeito já se inicia com a invocação do Seu Nome; o Sábado é o dia da intimidade entre Deus, seu povo e de todos entre si (grande novidade diante de outros povos), é o dia do descanso, pois o povo de Deus não é mais escravo de ninguém. Assim, também deve ser para nós cristãos o domingo! Após as Palavras que fundamentam a relação do povo com seu Deus, os mandamentos também ajudam na relação que cada pessoa deve ter com os outros a começar pelos pais que devem ser respeitados sempre: eles são os responsáveis pela vida e são instrumentos de Deus. Depois seguem os preceitos em relação ao próximo: não matar, não cometer adultério, não roubar, não testemunhar em falso e respeitar o que pertence ao outro.

Naquele tempo, a mulher contava como um bem que pertencia ao marido e juntamente com todas as outras coisas que pertenciam a ele (animais, casa etc.) e por isto, a mulher não deveria ser cobiçada. Na tradição cristã, os Mandamentos foram sintetizados em preceitos básicos e fundamentais e se viu por bem, em respeito a condição da mulher, não citá-la mais como um objeto entre outros que pertencem ao marido, mas como um preceito voltado ao respeito para com a família do próximo não combiçando, assim, a mulher/marido do(a) outro(a).

Assim, os 10 Mandamentos iniciam com os pontos principais da fé em Deus; passa para aquilo que é mais sagrado e próximo em nossa relação humana: os pais e a vida; e se encerra com aquilo que pertence ao próximo.

Jesus em toda sua vida nos dá exemplos concretos de como devemos respeitar as pessoas a partir daqueles que mais sofrem e quando se encontram abandonados. No Evangelho deste domingo, Jesus demonstra o seu zelo pela casa de seu Pai. O Templo de Jerusalém e as nossas igrejas de hoje não podem se transformar em um comércio onde o dinheiro ocupe o lugar de Deus. De fato, naquela tempo, a religião se transformou em uma forma de muitos se enriquecerem e os seus líderes religiosos, de explorar o povo.

O problema não estava nem nos sacrifícios e nem mesmo nas práticas das festas, dos preceitos e costumes, mas em relação àqueles que perceberam que os preceitos deixados por Deus poderiam se transformar de enriquecimento pessoal: se transformaram em “atravessadores” da fé.

Uma verdadeira prática religiosa deve se pautar pela conformidade ao estilo de Jesus: humildade, vida simples e acima de tudo, uma vida em plena doação ajudando ao próximo. Os cambistas daquele tempo estavam somente interessados em lucrar com as práticas religiosas das pessoas e não se importavam com elas. A reação de Jesus foi decisiva e marcante: expulsou com um chicote a todos (fato retratado pelos quatro evangelistas).

Jesus reclama uma profundidade de vida e uma relação nova entre as pessoas, umas com as outras e com Deus. O comércio em que tornou a relação entre os fiéis com Deus através da religião da época, impedia as pessoas de verem Deus como Pai que quer sempre o bem de todos. Por isso, Jesus aprofunda a questão transportando a importância do Templo de Jerusalém para Si próprio: Ele deverá se tornar o novo meio de relação entre Deus com as pessoas, mas entre Jesus e o seu povo deverá imperar a gratuidade Daquele que se doa plenamente para salvar a humanidade e do mesmo modo todos devem viver entre si.

Os ídolos deste mundo oferecem coisas deste mundo (prazer, alegrias passageiras, felicidades limitada...), jamais têm condições de dar às pessoas aquilo que é eterno e pleno que somente Deus pode nos dá. Para tanto, não são as riquezas deste mundo que devemos procurar (ídolos feitos por nossas mãos), mas aquelas deixadas por Jesus. Paulo na segunda leitura compartilha os valores que para ele eram os principais e que jamais deixava de anunciar mesmo que fossem considerados loucura ou escândalo para muitos: Cristo Crucificado. Sinal do extremo amor de Deus que morreu por nós e ao mesmo tempo expressão daquilo que é fundamental e básico para nossa salvação.

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Arquidiocese de Pouso Alegre celebra posse de novos párocos

Nos dias 17 e 18 de fevereiro, a Arquidiocese de Pouso Alegre celebrou a posse de três novos párocos, marcando momentos significativos para as comunidades religiosas locais.

No sábado, dia 17/02, a Paróquia São Geraldo Magela (Inconfidentes, MG), acolheu o Revmo. cônego Cláudio Antônio Braz como seu sétimo pároco. A missa solene, que ocorreu às 10h, foi presidida pelo Arcebispo Dom José Luiz Majella Delgado, contando com a participação de padres concelebrantes.

No mesmo dia, padre Douglas Aparecido Marques celebrou seus 17 anos de ordenação diaconal e assumiu a função de pároco na Paróquia São Benedito (Itajubá, MG). A cerimônia, que também contou com a presença de Dom Majella, padres da diocese e numerosos fiéis, foi um momento de ação de graças pela trajetória pastoral de padre Douglas.

Já no domingo, dia 18/02, a Paróquia de Nossa Senhora Aparecida (Tocos do Moji, MG), celebrou a posse canônica do novo pároco, padre Eduardo Rodrigues da Silva. A missa solene, presidida por Dom Majella, contou com a presença dos pais do pároco, Vani e Maria, além de padres, diáconos e representantes das comunidades paroquiais das cidades por onde Pe. Eduardo passou: São Benedito (Itajubá), Córrego do Bom Jesus, Cachoeira de Minas e Santa Rita Caldas, sua terra natal.

Texto: Italo Cavalcante

Fotos: Katia Ferreira e Pascom Paróquia São Benedito


Clero arquidiocesano se reúne para oração e meditação

A quaresma é tempo forte de oração e escuta. No intuito de aprofundar a espiritualidade deste tempo, o clero arquidiocesano se reuniu no seminário Nossa Senhora Auxiliadora.

A caminhada quaresmal iniciada na quarta-feira de cinzas convida a todos os fiéis a um tempo de recolhimento e oração. Neste tempo da quaresma todos são chamados à penitência e conversão. Mudança de vida é o que espera Nosso Senhor Jesus de todos os cristãos.

O arcebispo, padres e diáconos para aprofundarem a vida espiritual se reuniram no Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora Auxiliadora em Pouso Alegre nos dias 21 e 22 de fevereiro. No dia 21 os padres dos setores: Alto da Serra, Dourado, Mandu, Paraíso e Sapucaí; e no dia 22 padres e diáconos dos setores: Extremo Sul, Fernão Dias, Mantiqueira e Mogi.

Padres após a Santa Missa no dia 21/02/2024 juntos com a Irmã Maria Inês, orientadora do dia de Espiritualidade.

 

Padres e diáconos após a Santa Missa no dia 22/02/2024 juntos com a Irmã Maria Inês, orientadora do dia de espiritualidade.

 

As reflexões destes dias foram conduzidas pela Irmã Maria Inês Vieira, religiosa da Congregação das Mensageiras do Amor Divino, atualmente a irmã reside na paróquia Nossa Senhora das Dores em Gonçalves, MG. Reunidos, os diáconos, padres e arcebispo, tiveram a oportunidade de rezar, praticar exercícios quaresmais e celebrar a Eucaristia.

Seguem mais registros sobre estes dias de oração:

 

Texto: Padre Cristian Diego Rosa
Imagens: Padre Anderson Ribeiro e Padre Júlio César dos Santos Júnior


#Reflexão: 2º domingo da Quaresma (25 de fevereiro)

A Igreja celebra o 2º Domingo da Quaresma, neste domingo (25). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Gn 22,1-2.9a.10-13.15-18
Salmo: 15(116B),10.15.16-17.18-19 (R. Sl 114,9)
2ª Leitura: Rm 8,31b-34
Evangelho: Mc 9,2-10

Acesse aqui as leituras.

O AMOR QUE TRANSFIGURA E SALVA

            Nas leituras deste segundo domingo temos duas histórias de amor entre pai e filho. Dois exemplos do que pode fazer o amor. Abraão amava seu filho, pois era o único que possuía e tinha recebido como graça na velhice, mas ele também amava a Deus. Na segunda leitura, Paulo nos lembra do amor de Deus Pai por seu filho e também por cada um de nós. Abraão mesmo amando seu filho estava pronto para sacrificá-Lo, Deus Pai mesmo amando seu filho, entregou-O para nos salvar.

Deus para iniciar uma nova história para a humanidade, decidiu escolher um grande homem de fé: Abraão. A história deste grande homem de fé é uma antecipação de outra história, essa mais profunda, levada ao extremo por Deus com Seu Filho Jesus ao oferece-Lo para a salvação da humanidade em uma cruz. O sangue do Filho de Deus derramado pela humanidade selou em definitivo o compromisso iniciado com Abrão. Jesus é o filho amado por Deus oferecido por todos nós (cf. 2a leitura). Já Abraão foi impedido de levar a termo a morte de seu filho.

Com Abraão, os sacrifícios humanos terminam, pois Deus constitui uma nova aliança com a humanidade onde pessoas não são mais sacrificadas. Um animal ocupa o lugar dos filhos. Com Jesus encerra-se o sacrifício de animais, pois eram imperfeitos, pois a vítima mais sublime, Jesus Cristo, redime e salva todas as pessoas e o mundo com seu sangue derramado.

No Evangelho somos conduzidos com Jesus a uma nova experiência. Do deserto ao monte. Domingo passado estivemos no deserto com Jesus. As tentações do Filho de Deus são as tentações de todos nós: de prazer, de poder e de fama. Jesus é 100% humano e mesmo circundado pelos limites de nossa natureza e nossas fraquezas, Ele vence toda tentação de seguir o mal e suas propostas. Jesus foi conduzido pelo Espírito e escolhe continuar sendo levado por Deus e não pelo mal e suas propostas. No monte Tabor deste domingo, nós temos uma amostra do Jesus 100% Deus que se revela aos discípulos um pouco daquilo que Nele existe em plenitude e eternidade. Os discípulos puderam experimentar não somente um pouco da divindade e do céu, mas também a realidade que nos espera junto de Deus. Domingo passado e hoje, somos convidados a sair para encontrar; renunciar para algo para encontrar tudo que é Deus. Tempo de renúncia para encontrar o sentido profundo de tudo. ­

Sabemos muito pouco dos momentos íntimos de oração entre Jesus e o Pai. Mas, no Evangelho de hoje, Jesus decidiu, em um de seus momentos de oração, levar três discípulos não para serem espectadores, mas testemunhas daquilo que Ele próprio preparava para toda humanidade: abrir o acesso da comunhão com Deus Pai. As montanhas na Bíblia são consideradas lugares especiais, pois sem abandonar a terra, elas tocam o céu. As montanhas nos ajudam a ver longe, tudo que existe em torno a nós e nos presenteiam a beleza da criação e da natureza. Neste pequeno espaço que se aproxima do céu, Jesus trouxe o céu sobre a terra. A oração de Jesus, além de reforçar sua comunhão com o Pai, ela fortalecia também a comunhão plena de Deus com a humanidade e com toda a história. A glória de Jesus na transfiguração é a luz de Deus que brilha em sua plenitude, mas tudo na mais profunda humanidade. Não é Deus Pai que se revela, mas Jesus homem Deus que se mostra a todos; não as belezas do céu que brilham, mas o rosto e as veste (sinais humanos) que ganham esplendor do céu. A transfiguração de Jesus não é somente o céu que "desce" a terra, mas a terra começa a brilhar como o céu.

No monte da transfiguração, os apóstolos testemunharam a extensão daquilo que Jesus estava por realizar neste mundo. Enquanto Jesus rezava, o melhor do passado do povo de Deus se encontra com Cristo. Segundo o evangelista, Moisés e Elias conversavam com Nosso Senhor em um gesto de confirmação e comunhão. Definitivamente, Jesus não era um aventureiro ou sonhador, mas a máxima realização de Deus neste mundo: Nele convergem toda história e todo passado, a partir Dele o mundo terá um novo caminho e futuro. Jesus une o passado da Lei (representado por Moisés) e dos profetas (com Elias) com o céu. A mesma passagem no Evangelho de Lucas nos diz que eles conversavam sobre a “partida de Jesus em Jerusalém”: as Escrituras confirmam o que irá acontecer.

Uma experiência esplêndida e sem igual: ver o passado glorioso do povo de Deus com o pedacinho do céu, envolvidos com a luz de Jesus e a Sua glória. Pedro sugere algo que teríamos proposto igualmente: permanecer para sempre sobre o monte. As tendas seriam uma forma de perpetuar aquela realidade sonhada por todos: ver e ouvir Moisés e Elias e ao mesmo tempo tendo uma porta aberta para o céu. Nem pensaram neles, mas em procurar assegurar que aquela realidade não cessasse jamais. Mas, Pedro propôs algo que em parte é acolhido por Deus, mas não daquela forma.

Mas, Deus não pensa assim. Ninguém pode parar a vida, ela é infinita e se esconde no comum da nossa existência, no cotidiano de nossa história e até mesmo na fragilidade das coisas. Deus não é uma realidade que se pode confinar em um momento ou espaço, pois Ele escolheu fazer história com seus filhos. Jesus procurou ensinar seus discípulos que o Reino de Deus é movimento de encontro, de abraços, de sorrisos e de choros, pois o Reino do Céus está entre nós. Os pobres discípulos de Jesus achavam que poderiam trancar a felicidade em simples cabanas. Mas, tudo tem seus passos seguintes e permanece somente a declaração de Deus Pai ao seu Filho. Quando experimentamos uma maravilha de Deus, devemos saborear ao máximo. Aproveitar e depois agradecer. Quando a luz se apaga e a chama da vida desaparece, é momento de agradecer e deixar partir.

Marcos diz que Pedro não sabia o que falava, pois todos estavam maravilhados com tudo que estavam experimentando. Uma nuvem surge no alto no monte. Na Bíblia, a nuvem é um dos sinais da presença de Deus Pai. Todos são envolvidos pela Sua presença e glória, mas o mais importante são suas palavras: “Este é o meu Filho Amado; ouvi-O”. Poucas palavras, mas cheias de significado. Pedro queria providenciar tendas, mas é Deus que cobre Seu Filho com a nuvem. A terra jamais irá apoderar-se de Jesus, pois pertence, desde sempre, a Deus Pai.

Deus confirma a grande relação que existe com Jesus: É o seu Filho; não se trata de outro ou alguém que virá, mas “Este”. Além de Filho é amado: a relação além de paterna (entre Pai e Filho) é profunda e plena no amor. Por fim, a principal exortação que é dirigida aos apóstolos e a nós: “ouvi-O”. Os apóstolos propuseram um modo de perpetuar aquele momento sugerindo três tendas, Deus Pai responde inicialmente relevando a todos os discípulos a profunda relação entre Ele e Jesus, mas também o modo como Jesus pode ser perpetuado na vida de cada fiel cristão: ouvindo-O sempre!

Toda vez que um discípulo se dispõe e procura realmente ouvir Jesus, o monte Tabor pode se repetir em cada pessoa. O meio ensinado por Deus Pai para que a nossa história possa ser marcada pela presença efetiva de Deus é através da escuta de seu Filho Amado Jesus. Ouvi-Lo é abrir a mesma porta que une o céu com a terra, é experimentar a mesma luz que resplandece e clareia a nossa história e ilumina o nosso futuro.

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Quaresma: por que vivê-la?

Dom José Tolentino Mendonça, cardeal português, escreve em sua catequese nos perguntando o porquê de começar a quaresma? Ele responde com clareza para orientar-nos. Começamos a quaresma porque precisamos “renascer”. Carregamos em nós esse “inacabamento” e a possibilidade de ser mais, por isso procuramos o que está ao nosso alcance para viver com alegria e entusiasmo a condição de discípulos de Jesus.

Somos precisados da quaresma, por isso a começamos e nela somos chamados a dar lugar ao Espírito em nossas vidas. É abrindo os caminhos a partir de dentro, da novidade no nosso cotidiano, e acreditar que é possível.

Vivemos o tempo quaresmal como oportunidade de conversão e seguimento do Evangelho, porque acreditamos no amor de Deus. Deus nos ama e esse amor põe-nos na dependência de aliança num constante florescimento. Unindo-nos ao Amor Maior, vislumbramos uma nova criatividade, um novo fôlego, uma nova respiração, que certamente nos levará a uma nova etapa de nossa vida.

Façamos este caminho da quaresma com realismo. As mudanças que importam para nossas vidas, acontecem de forma paciente. Há que estarmos preparados para um caminho de combate às muitas tentações. O papa Francisco orienta-nos que “a quaresma vem recordar-nos que o bem, como aliás o amor, a justiça e a solidariedade não se alcançam duma vez para sempre; há de ser conquistados cada dia”. Por isso, queremos alcançar com perseverança e alegria a Páscoa do Senhor Jesus pelo tripé da oração, do jejum e da caridade. “O que Deus nos pede não é o impossível, Deus nos pede coisas possíveis: O que tenho que fazer é uma coisa pequena, não uma coisa grande; o que tenho de fazer é uma coisa pessoal, não uma coisa para os outros; e o que tenho de fazer é uma coisa possível.” (#tolentinomendonca)

No Brasil, há um jeito especial de viver a quaresma, através da Campanha da Fraternidade, que neste ano foi inspirada na encíclica do papa Francisco Fratelli Tutti, com o tema: “Fraternidade e Amizade Social” e o lema: “Vós sois todos irmãos e irmãs” (Mt 23,8). Um convite especialíssimo para a amizade social e a busca para que todos sejamos fraternos e tudo fraterno, numa fraternidade universal, tal como cantou São Francisco de Assis. O que significa dizer que somos todos irmãos? É amarmos, sobretudo o pobre, a quem Jesus tanto amou com predileção. A Campanha da Fraternidade nos ajude a ver nos pobres e necessitados verdadeiros irmãos e irmãs. São pobres: os idosos desamparados, as crianças sem família que as ampare, os moradores de rua sem perspectivas de vida digna, os indígenas abortados de suas terras e tantos outros grupos excluídos da sociedade e do convívio de amizade social.

Que nosso coração se abra à “fraternidade social que favoreça a vida em sociedade, à sobrevivência sobre a Terra, nossa casa comum, sem jamais perdermos de vista o céu, onde o Pai nos acolherá a todos como seus filhos e filhas” (Papa Francisco)

 

Referências:

Site: Vatican News Português, 19 de fevereiro de 2024.

Inspiração em texto de Dom José Tolentino Mendonça, no Facebook.

Referência da imagem: by Getty Images / FREDERICA ABAN / cancaonova.com


Encontro de Canto e Música Litúrgica reúne agentes pastorais em Congonhal

Nos dias 16 a 18 de fevereiro, a Paróquia São José (Congonhal – MG) sediou o Encontro de Canto e Música Litúrgica.

Promovido em conjunto com a subcomissão Arquidiocesana para a música litúrgica, o evento teve como objetivo principal proporcionar uma atualização formativa sobre música litúrgica, com enfoque na partilha de novos cantos destinados às celebrações paroquiais.

O encontro contou com 79 participantes provenientes de diversas paróquias da região, membros de grupos de canto litúrgico, das pastorais de liturgia, salmistas e demais agentes pastorais interessados no tema. Com a presença da conceituada equipe da Irmã Míria Therezinha Kolling, a programação foi marcada por momentos de aprofundamento e conhecimento da música litúrgica.

A abertura e encerramento do evento foram realizados pelo vigário da Paróquia São José, padre Leonino Morais, enquanto a coordenação geral foi assumida pelo padre Marcos Roberto (Paróquia Divino Espírito Santo - Espírito Santo do Dourado, MG), coordenador da CAL (Comissão Arquidiocesana para Liturgia). A parte formativa foi conduzida pela equipe de assessores composta por Eurivaldo Ferreira, Eurizanete Ferreira da Silva e Daniel De Angeles.

O encontro também contou com a presença de outros líderes religiosos, como padre João Batista Neto (pároco da Paróquia São José), Padre Sebastião Márcio, assessor da Subcomissão de Música Litúrgica (Paróquia Nossa Senhora de Fátima - Santa Rita do Sapucaí, MG), e cônego Sebastião Camilo (Paróquia Nossa Senhora da Medalha Milagrosa - Monte Sião, MG).

Texto: Italo Cavalcante

Fotos: Edilene Coutinho (PASCOM Arquidiocesana)


O humano transmite o divino

Tomando a iniciativa de Se mostrar ao ser humano, Deus o capacitou para acolher, compreender e viver a mensagem de Sua revelação. Se num primeiro momento a transmissão oral da manifestação divina foi suficiente para a vida de fé do povo de Deus, consolidando a tradição judaico-cristã primeva como uma experiência religiosa baseada na contação das ações e palavras divinas em vista da salvação humana, com o passar do tempo e a mudança das gerações, o testemunho oral se converteu em relato escrito para garantir que a mensagem divina não se perdesse: como escreveu João sobre o objetivo do seu livro, “estes sinais foram escritos para que creiais que Jesus é o Messias, o Filho de Deus. E para que, acreditando, tenhais vida no nome Dele” (Jo 20,31). Trata-se de um longo processo de transmissão da Palavra de Deus que se encontra organizado na introdução do evangelho segundo Lucas: a revelação divina se cumpriu entre os homens (cf. Lc 1,1); alguns homens presenciaram a revelação e transmitiram oralmente ao povo o que viram e ouviram (cf. Lc 1,2); e, posteriormente, comunidades decidiram escrever a catequese que receberam dessas testemunhas oculares da revelação (cf. Lc 1,3).

Todo este caminho de transmissão da mensagem de Deus, que nasceu de uma iniciativa sobrenatural e se desenvolveu a partir do interesse do povo em conservar viva a Palavra que o salva, foi realizado por inspiração divina, mas também, em alguns casos, por uma disposição meramente humana. A Sagrada Tradição da Igreja (compreendida como a dimensão da fé que se deduz da Sagrada Escritura pela ação do Espírito Santo através dos apóstolos e de seus sucessores - o papa e os bispos), por meio do seu Sagrado Magistério (entendido como a missão de guardar o depósito da fé, isto é, de transmitir os ensinamentos de Jesus com fidelidade), acolheu e reconheceu os livros inspirados por Deus, formando o que se convencionou chamar de cânon bíblico. Portanto, é na dinâmica da fé eclesial que, sob a ação do Espírito Santo e a guia dos apóstolos, a comunidade cristã testemunhou a regra dos livros inspirados por Deus, separando-os dos relatos meramente humanos.

Antes, porém, de falar sobre os livros que não foram acolhidos como divinamente inspirados pela Igreja cristã primitiva, é válido ressaltar que a fé católica se baseia em três pilares, como se nota pelo próprio processo de transmissão da Palavra de Deus descrito anteriormente: a Bíblia, a Tradição e o Magistério. Diferentemente do protestantismo, cuja fé se enraíza na Bíblia por ela mesma e somente nela, privilegiando um estilo de interpretação (identificado como fundamentalismo bíblico) literal e individual das palavras, fatos, elementos e personagens que compõem a história da salvação compilada nos livros canônicos, o catolicismo interpreta a Palavra de Deus, que é o fundamento por excelência do seu credo, seguindo a mesma lógica eclesial de sua inspiração, pois “onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, aí estou no meio deles” (Mt, 18,21), disse Jesus.

Se a Bíblia foi escrita em e por comunidades que ouviram a catequese oral daqueles que testemunharam a revelação divina, então ela deve ser acolhida, compreendida e vivida comunitariamente, por isso a Igreja católica desenvolveu sua fé sobre o fundamento da Palavra transmitida pela Tradição e interpretada pelo Magistério, pois Jesus disse aos seus apóstolos: “quem vos ouve a Mim ouve; e quem vos rejeita a Mim rejeita; e quem Me rejeita, rejeita Aquele que Me enviou” (Lc 10,16). Tradição e Magistério, desse modo, são dimensões eclesiais inerentes ao projeto de salvação de Deus que desejou contar com a mediação de homens e mulheres para revelar-Se, e, portanto, necessárias à compreensão verossímil da mensagem bíblica. Obedecendo à essência comunitária da fé em Cristo, a Igreja reconheceu 73 livros como canônicos, já que, de acordo com a inspiração do Espírito Santo, foram identificados como textos que contém fidedignamente a Palavra de Deus que salva o homem.

Os livros canônicos, ou seja, aqueles que compõem o cânon (em grego, o catálogo ou a regra) da Igreja cristã, são divididos em dois grupos: os protocanônicos (em grego, canonizados primeiramente) e os deuterocanônicos (em grego, canonizados posteriormente). São protocanônicos aqueles textos sobre os quais nunca se teve dúvida a respeito de sua inspiração divina, ao passo que os deuterocanônicos são os escritos que entraram no cânon após a investigação sobre sua intencionalidade sobrenatural; trata-se, assim, de uma distinção cronológica que não cria ressalvas em relação à natureza divina dos textos. Dentre os livros deuterocanônicos do Primeiro Testamento estão Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, 1 e 2 Macabeus (rejeitados pelo protestantismo); já a carta aos Hebreus, a carta de São Tiago, a 2ª carta de São Pedro, a 2ª e 3ª carta de São João, a carta de São Judas e o Apocalipse são as sete obras deuterocanônicas do Segundo Testamento.

Na dinâmica de transmissão do depósito da fé, muitas vezes a revelação foi interpretada e registrada sob a ótica da especulação puramente humana, produzindo um tipo de literatura religiosa que, apesar de falar sobre Deus e o seu povo de forma edificante ou herética, não é divinamente inspirada e da qual independe a salvação da humanidade. Tratam-se dos livros apócrifos, cujo nome em grego significa “livros ocultos”, já que são obras que não foram reconhecidas como fruto da ação do Espírito Santo e não entraram no cânon oficial da fé cristã. Muitos são os exemplos de textos apócrifos: podem-se citar os livros veterotestamentários (referentes ao Primeiro Testamento) de Enoque, 3 e 4 Esdras, 3 e 4 Macabeus, Salmos 151-155 etc, escritos entre os séculos II a.C. e I d.C.; já os livros neotestamentários (a respeito do Segundo Testamento) mais famosos são os evangelhos de Tiago, Tomé, Pedro, Nicodemos etc, sem contar as várias cartas, atos e apocalipses, todos redigidos entre os séculos II e IV d.C..

Os textos apócrifos foram assim designados pela Tradição da Igreja por serem pseudepígrafos (de autoria duvidosa, falsamente atribuída a algum autor), heréticos (com erros teológicos) ou extralitúrgicos (lidos de forma privada e não comunitária). Os apócrifos ortodoxos, isto é, concordantes com a doutrina apostólica, oferecem elementos históricos, geográficos, políticos, culturais, morais e religiosos que colaboram para o estudo dos textos canônicos e para a tradição religiosa católica, como é o caso do evangelho segundo Tiago em que se encontram os nomes dos pais da Virgem Maria, Ana e Joaquim. Todavia, os apócrifos heterodoxos são divergentes do Sagrado Magistério e não auxiliam no estudo bíblico por apresentar equívocos doutrinários como o gnosticismo e o docetismo, heresias dos primeiros séculos do cristianismo que defendem, respectivamente, a identificação da matéria com o mal e a negação da existência do corpo físico de Cristo.

Sem a Igreja não existiria a Bíblia, pois a comunidade dos cristãos, por meio de um rigoroso processo de transmissão da revelação divina, testemunhou a inspiração dos textos sob a orientação do Espírito Santo, especificando os livros que não objetivam a glória de Deus e a santificação dos homens. Graças à seriedade histórica e teológica do caminho de transmissão do depósito da fé que culminou com a canonização da Bíblia, pode-se concluir que “se alguém tirar alguma coisa das palavras do livro da profecia, Deus vai tirar dessa pessoa a sua parte da árvore da Vida e da Cidade santa, das coisas que estão descritas neste livro” (Ap 22,19).

Imagem de Gerhard Lipold por Pixabay


#Reflexão: 1º domingo da Quaresma (18 de fevereiro)

A Igreja celebra o 1º Domingo da Quaresma, neste domingo (18). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Gn 9,8-15
Salmo: 24(25),4bc-5ab.6-7bc.8-9 (R. cf. 10)
2ª Leitura: 1Pd 3,18-22
Evangelho: Mc 1,12-15

Acesse aqui as leituras.

Encontrar-se com Deus e acolher o seu Reino

Depois da celebração da Quarta-feira de Cinza, entramos no período de recolhimento e oração que caracteriza fortemente a Quaresma. Nestes quarenta dias que antecedem a Páscoa do Senhor, cada fiel é chamado a rever e a aprofundar sua relação: com Deus (oração), com o próximo (esmola) e consigo mesmo (penitência), não é um tempo triste e muito menos de medo, mas de retiro espiritual em uma experiência mais profunda de comunhão com o próprio Senhor Jesus.

Neste domingo, seguindo o esquema proposto pelo evangelista Marcos, temos dois versículos onde Jesus faz a sua “quaresma”, isto é, quarenta dias de oração no deserto. Tudo é bem resumido, mas nem por isso, superficial em seu conteúdo e profundidade. Os três evangelistas contam este fato que aconteceu logo após o Batismo de Jesus, mas Mateus e Lucas compartilham com mais detalhes este tempo de recolhimento em que Jesus sofreu uma forte tentação.

O evangelista São Marcos nos diz que Jesus foi “impelido” pelo Espírito Santo ao deserto. Tudo acontece por iniciativa divina e segundo a vontade de Deus. O verbo “impelido” (conduzido) é, normalmente, usado também em situações onde o demônio é expulso de uma pessoa; é um verbo que demonstra a força de quem comanda com poder e de outro lado, a obediência. Jesus recebe uma “ordem” por parte do Espírito Santo (ir ao deserto) e Ele obedece sem questionar.

Era importantíssimo para nossa salvação que isto fosse feito por Jesus: obedecer e ir ao deserto. Nosso Senhor quis viver com intensidade e profundidade toda experiência humana; Ele não encenou e nem viveu uma vida fingindo situações humanas como: dor, sofrimento, desprezo e, por fim, a morte. Viveu tudo com profundidade e grandeza como é próprio de um Deus que é Amor.

Antes de iniciar definitivamente sua missão era necessário um profundo momento de oração com Deus Seu Pai. Jesus em seu “lado divino”, tudo estava pronto, mas era necessário que a “realidade humana” presente em Jesus também passasse pela experiência da total entrega a Deus. Era preciso que todo o ser de Jesus estivesse afinado com Deus, em sintonia plena com o Pai e a sua vontade.

Segundo Mateus e Lucas, Satanás esperou o momento oportuno para se aproximar. Não foi no início do retiro de Jesus quando Ele estava ainda com as forças em ordem e sem o cansaço de dias de jejum no deserto, mas quando a natureza humana começou a demonstrar sua fraqueza: quando sentiu fome.

“Quarenta dias” está ligado aos “quarenta anos” que na tradição bíblica representa uma geração, como o povo que ficou no deserto por quarenta anos e uma nova geração é que entrou na terra prometida. Na 1ª leitura, no livro do Gênesis, recorda o momento após os 40 dias de chuva e o novo pacto de Deus com a humanidade. Este tempo (quarenta) em dias  como em anos passou a representar o tempo de um vida (anos) ou o extremo das forças humanas (dias).

Jesus ao final de quarenta dias em jejum e penitência sentiu fortemente sua natureza humana se manifestar. Foi neste momento que Satanás se aproximou e propôs “soluções” para as necessidades humanas de Jesus.

Recordamos, o que Mateus e Lucas acrescentam sobre este momento de Jesus no deserto. As tentações de Jesus são também nossas tentações e atingem todas as nossas relações quotidianas. “Tentação” é sempre um desafio que se apresenta entre escolher entre duas paixões: seguir a Deus ou seguir nossos impulsos e vontades. A primeira tentação diz respeito à relação conosco mesmos e com as coisas (a ilusão de que os bens materiais são suficientes para preencher a nossa vida). A segunda é um desafio aberto em relação ao nosso relacionamento com Deus (um Deus mágico que estaria ao nosso serviço). Por fim, a terceira diz respeito à relação com os outros (a fome de poder e da fama).

Jesus esteve em todos os extremos da realidade humana como: perseguições, abandono, dor, sofrimentos e ao final a morte, mas também nesta realidade extrema onde a natureza humana e os seus apetites se manifestam; em todos estes momentos que compõem a nossa realidade e natureza humana, Jesus nos ensinou o caminho para vencer o mal e os desafios, e continuar no caminho de Deus. No deserto e diante das tentações, Jesus vence o mal jamais se distanciando de Deus. Ele domina a “fera” das paixões humanas e tentações (“...e vivia entre os animais selvagens”), e não se deixar dominar por sua vontade, mas era servidos pelos anjos.

Era necessário que Jesus nos mostrasse que as nossas paixões e necessidades humanas que trazemos em nossa carne e corpo jamais devem nos dominar e ditar o que temos que fazer. Com o exemplo de Jesus descobrimos que são esses os principais caminhos por onde a tentação (Satanás) procura agir, e Nosso Senhor nos deixou a resposta e o meio para vencê-la.

O deserto também é significativo para o povo de Israel, pois nele, todos experimentaram a presença de Deus. No entanto, o povo de Deus quase sempre encarou o deserto como um peso e as tentações como uma prova que eles não conseguiram superar. O deserto para Jesus não representava a ausência de quase tudo, mas sim o máximo da presença de Deus; não foi encarado como um local onde faltava de tudo, mas a chance de experimentar que com Deus tudo tinha e tem significado e importância.

Precisamos de “novos desertos” em nosso tempo tão cheio de tantas coisas e preocupações. Mais do que nunca, precisamos criar espaço de abandono diante de Deus e para tanto, reservar momentos especiais de nosso tempo e de nossas horas. Jamais regalar a Deus, o “resto de nossos minutos” ao final de nosso dia; ou um tempo “de vez enquanto” aos domingos para ir à missa.

Jesus se retira por quarenta dias para aprofundar sua comunhão com Deus, o cristão de hoje precisa rever suas prioridades, se deixar conduzir pelo Espírito de Deus (não pelas paixões do mundo) para encontros profundos e intensos com Deus.

Nosso Deus caminha conosco, faz aliança (1a leitura) e renova sua esperança com toda a humanidade sempre, mesmo diante de nossos erros e pecados: prefere sempre acreditar no bem que existe em nós e não em nossos pecados. Por isso, é fundamental que saibamos sentir seu chamado e apelo neste tempo da Quaresma e sempre em nossa vida.

No início de sua missão, Jesus quis entrar em cheio no jogo contra o mal, na batalha que se vence com Deus no campo das paixões e dos desejos. Nosso Senhor preferiu permanecer sob a condução do Espírito Santo e não aceitou ser guiado pelas paixões e pelas tentações. Jesus nos dá o exemplo que a vontade maior tem que ser aquela que Deus nos mostra, pois é sempre a maior e a melhor para cada um de nós.

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