#Reflexão: Solenidade Santa Maria, Mãe de Deus (01 de janeiro)
A Igreja celebra, no dia 01, a Solenidade de Santa Maria, mãe de Deus. Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: Nm 6,22-27
Salmo: 66(67),2-3.5.6.8 (R. 2a)
2ª Leitura: Gl 4,4-7
Evangelho: Lc 2,16-21
MARIA SANTÍSSIMA, MÃE DE DEUS
Iniciamos um Novo Ano renovando o nosso desejo de paz com todos os sentimentos positivos que desejamos entre nós e para todo o mundo. Sabemos que paz é muito mais do que “não ter problemas” na vida; nem sempre a ausência de desafios, é sinal que a pessoa está em paz consigo.
A liturgia desta primeira celebração do ano nos coloca ainda em sintonia com as alegrias do Natal. Para nós cristãos, não existe paz verdadeira se não aquela que nos trouxe o Menino Jesus desde o dia do seu nascimento. E quem nos ajuda no caminho para encontrar a paz durante o próximo ano, é Maria, mãe de Jesus.
Na primeira leitura temos uma bênção que o próprio Deus pediu que Moisés ensinasse ao sacerdote Aarão e ordenou que fosse repetida sobre o seu povo. A origem de tudo, está sempre em Deus, no entanto, passa pelas palavras dos sacerdotes chamados a serem instrumentos de paz para a sua gente.
Não obstante tudo e todos os pecados e os limites do povo escolhido, Deus procura ensinar que a oração de agradecimento deve prevalecer sempre. A bênção e a paz são prometidas por Deus e o caminho para acontecer é com a sua presença. Toda proteção e todas as graças serão sempre presentes na vida de todos, se todo o povo permanecer na presença de Deus. É inovador o modo como Deus propõe sua presença, sua proteção e graças: revelando seu rosto. Ver o rosto é estar próximo, no mesmo nível e com olhar nos olhos, um olhando o outro. A melhor bênção para alguém neste mundo é sentir o rosto e o olhar de Deus sobre ele.
O contexto do Evangelho deste Domingo é ainda da Noite de Natal. Chama-nos atenção que naquele momento crucial para a humanidade, nada de espetacular aconteceu, mas tão somente: um menino recém-nascido, um pai e uma mãe. Na aparente ausência de tudo (casa, conforto, segurança...), a humanidade conhecia a máxima presença de Deus entre nós. Mas, tudo de Deus estava revestido com a mais pura natureza humana: uma criança que veio ao mundo.
Uma realidade profundamente humana revestida com a ternura de Deus, um mistério para adorar e meditar, pois na aparente simplicidade e normalidade de tudo, estava iniciando no mundo a presença perene de Deus entre nós. Coube aos anjos conduzir tudo e ajudar as pessoas a se aproximarem da presença de Deus. Os primeiros convidados foram os pastores que eram discriminados e desprezados pelas pessoas. Os últimos se tornaram os primeiros a encontrar Deus entre nós.
Os anjos dão a confirmação que tudo está conforme a vontade de Deus. Eles sentem a presença, veem a luz e se deixam inundar pela novidade de Deus. Aqueles homens do campo marcados pelo sofrimento e pelo desprezo recebem o anúncio da presença entre nós da paz que vem de Deus. Na noite, olhando para o céu, os pastores descobrem o rosto de Deus não mais nas estrelas, mas foram convidados e encontrá-Lo na face de uma criança. Para eles, o rebanho que guardavam era tudo que possuíam, mas Deus lhes indicou onde estava o verdadeiro tesouro para eles e para toda a humanidade: o Menino Salvador.
De lado, na cena narrada por Lucas, há uma certa “agitação”: os pastores correm apressados, narram tudo com euforia e retornam agradecendo a Deus por tudo que tinham visto e ouvido. Aqueles que ouviram tudo (Maria e José) ficaram espantados e maravilhados por tudo que estava acontecendo. Nosso Deus sempre nos surpreende! Para o casal, até aquele momento, desde a concepção até o nascimento de Jesus, tudo tinha acontecido sem brilho, sem esplendor e parecia que tudo ficaria restrito a eles.
Aqueles homens que correram para encontrar o sinal de Deus (Menino enrolado em faixas) se transformaram em anunciadores da paz. Experimentaram ouvindo o anuncio e vendo o menino Jesus. Eles foram mais uma confirmação importante para Maria e José sobre tudo que estava acontecendo em suas vidas.
Tudo sinalizava a Maria e José até o nascimento de Jesus que nada de especial e espetacular iria acontecer em suas vidas. Até aquele momento, realizaram tudo no silêncio e na obediência. A extrema singeleza do Natal indicava que tudo seria conforme a vida de uma pessoa comum. Mas, o anúncio dos pastores que transmitiram o anúncio dos anjos, confirmou que tudo, realmente, estava conforme a vontade de Deus. Se tudo aparentava pobreza, esse foi o caminho escolhido por Deus para nos dar o seu maior tesouro.
A promessa do “rosto de Deus” como fonte de paz e graças, tinha se realizado com o Menino Jesus. Não nos palácios, nas grandes cidades, ou nos Templos, mas em uma criança e dentro de uma família. Uma fonte acessível a todos que queiram experimentar a presença de Deus que quer nos inundar de sua paz. Por isto, Paulo na segunda leitura nos fala que o maior dom que Deus nos deu é de sermos seus filhos adotivos.
A paz que tanto desejamos jamais acontecerá se cada um não for capaz de reconhecer a presença de Deus nas coisas simples e cotidianas, mas o principal meio que Deus nos revela sua paz é contemplarmos o Seu rosto em cada pessoa. Os pastores foram convocados a reconhecer o Salvador no rosto do Menino Jesus, nós somos convocados a encontrar o mesmo rosto de Deus em cada pessoa que encontramos em nossa vida. Não existe paz nos isolando do próximo ou – pior – considerando o outro como inimigo.
Na cena do presépio, o evangelista Lucas nos dá o testemunho de Maria diante de tudo que estava acontecendo. Dentre as pessoas presentes, ela certamente era a que mais estava segura sobre as maravilhas de Deus que estavam acontecendo naquela noite, mas Maria é descrita com aquela que “conservava” tudo que estava acontecendo e “meditava” em seu coração (este segundo verbo, o seu sentido em grego é “ajuntar”). Ela tinha já percebido que o caminho para encontrar sempre a vontade de Deus, bem como experimentar sua presença, estava não em grandes eventos e espetaculares acontecimentos, nem menos nos grandes locais e entre as pessoas tidas como especiais deste mundo, mas nas coisas singelas, simples da vida e com as pessoas que nós amamos.
A estrada que necessitamos percorrer para encontrar a paz não está no acúmulo de coisas materiais e nem mesmo em grandes sinais que se costuma pedir a Deus, mas na convivência com as pessoas que temos ao nosso redor e no nosso dia a dia. Para Maria, cada acontecimento e momento, era uma oportunidade de se encontrar com Deus. Por isto, a Mãe de Jesus procurava “ajuntar” tudo em seu coração. A paz que necessitamos não é somente um dom de Deus, mas é o próprio Deus conosco!
Vimos que Deus ensina Aarão abençoar seu povo e promete a todos de estar presente e lhes proporcionar um rosto de paz, de proteção e de graças. Jesus é o rosto de bênção de Deus pra a humanidade que um dia veio morar em nosso meio e mesmo depois de sua ressurreição, continua presente em cada rosto e pessoa. A paz que desejamos não é uma promessa com um dom especial e exclusivo, mas constante e cotidiano, basta sabermos perceber o Deus da Paz presente em cada pessoa que encontrarmos em nosso caminho em todos os momentos do ano, pois cada ser humano é o próprio rosto de Jesus nosso irmão.
FELIZ E ABENÇOADO ANO NOVO PARA TODOS!
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O Verbo de Deus se fez carne... e a gratidão habitou entre nós!
Às portas do novo ano de 2023, nestes últimos dias do ano de 2022, elevam-se aos céus as mais sublimes preces e louvações, os mais sinceros votos e propósitos de transformação e realização e, desde o íntimo do ser, as nobres e generosas intenções de perdão, alegria, benção, amor, paz, caridade, fé e esperança.
Ouça a mensagem de Fim de Ano do padre Leandro Luís:
Estas manifestações são oportunas, pois deixam à mostra o que o ser humano traz de tão valioso dentro de si mesmo: a gratidão.
O ato de agradecer é um gesto necessário para todos os homens e mulheres de boa vontade. Sua especial característica é natalina, ou seja, humilde.
O exemplo mais fecundo de humildade é o Natal que revela: o Senhor se fez carne e habitou esta terra. Deus se fez pequeno e, por isso, todos são chamados à pequenez, não como desmerecimento, mas, ao contrário, como elevação, unidade, comunhão e fraternidade. Deus se fez menino: frágil, criança, pobre, com frio, com sede e com fome. Tudo isso para demonstrar sua solidariedade e caridade para com todos. Tudo isso para ensinar os verdadeiros valores da vida cristã.
Agradecer é perceber o feito histórico e grandioso: Deus Uniu o céu à terra com a sua vinda. Este acontecimento é a causa da mais explícita humildade divina, assim como é também a razão da mais digna gratidão humana.
Como expressão viva de que o Natal foi acolhido, compreendido, celebrado e praticado vislumbram-se os 4 sinais vivos dos que sabem agradecer: urdidos, pela gratidão oferecem lugar para o Menino nascer; infundidos, pela gratidão entendem que Deus se Encarnou por amor; maravilhados, pela gratidão repetem o canto dos anjos como irmãos, e inquietos, pela gratidão transmitem a mensagem da salvação pelo testemunho de vida.
Não se pode concluir o ano se todos ficarem distantes, indiferentes, descontentes ou ingratos diante de tudo e tanto o que Deus concedeu. O Natal e o Ano Novo existem e coincidem para assegurar as motivações importantes de pessoas gratas: recomeçar, sonhar e realizar.
Feliz natal e ano novo! Deus abençoe!
São Pedro Canísio
Nesta semana, no dia 21 de dezembro, a Igreja celebrou a memória de São Pedro Canísio. Vamos conhecer um pouco da vida deste santo de nossa Igreja.
São Pedro Canísio nasceu na Holanda no dia 8 de maio de 1521. Ainda estudante associou-se aos monges cartuxos que cultivavam uma espiritualidade profunda.
Em 8 de maio de 1543 entrou na Companhia de Jesus, após seguir os exercícios espirituais de um curso recebido pela orientação do Beato Pierre Favre Petrus Faber, um dos primeiros companheiros de Santo Inácio de Loyola. Em junho de 1546 foi ordenado sacerdote, e participou do Concílio de Trento.
Santo Inácio de Loyola o enviou para Roma para completar sua formação espiritual, e após obter seu doutorado em teologia, foi enviado em outubro de 1549 para seu apostolado na Alemanha.
Cabe lembrar que ele viveu na época da Reforma Luterana, e se deparou com uma grande crise, pois a fé católica nos países de língua germânica parecia esmorecer, e Pedro Canísio recebeu a grande missão de revitalizar e renovar a fé católica nos países germânicos. Tal missão só foi possível por meio da oração, de uma profunda intimidade com Jesus Cristo e da obediência filial à Igreja.
Foi reitor e vice-chanceler da Universidade de Ingolstadt, supervisionou a vida acadêmica do Instituto e a reforma religiosa e moral do povo. Pastoreou nos hospitais e nas prisões, tanto na cidade como no campo; e publicou seu Catecismo. Em 1556 fundou o Colégio de Praga e, até 1569, foi o primeiro superior da província jesuíta da Alta Alemanha.
Reestabeleceu e revitalizou inúmeras comunidades de sua ordem; foi núncio apostólico papal na Polônia e teve uma importante participação no Concílio de Trento.
São Pedro Canísio faleceu em 21 de dezembro de 1597, foi beatificado pelo Papa Pio IX em 1864, foi proclamado segundo Apóstolo da Alemanha em 1897, pelo Papa Leão XIII, e foi canonizado e proclamado Doutor da Igreja em 1925, pelo Papa Pio XI.
Reflexão
São Pedro Canísio foi um incansável defensor da fé Católica, que bravamente guardou os Dogmas e a Doutrina, ensinando com autoridade e unção, amor e firmeza, levando a todos ao conhecimento da Verdade. Com uma vida de profunda intimidade com Cristo, na oração, na Comunhão Eucarística, na obediência nos ensina a viver a fé com autenticidade e buscar o Senhor em nossa vida. E nós, o que temos feito para guardar nossa fé e viver em profunda comunhão com Jesus Cristo e Sua Igreja?
Oração
Ó Deus, que marcastes pela vossa doutrina a vida de São Pedro Canísio, concedei-nos, por sua intercessão, que sejamos fiéis à mesma doutrina, e a proclamemos em nossas ações. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.
São Pedro Canísio, rogai por nós!
Referência:
Papa Bento XVI. Audiência geral: São Pedro Canísio. Vaticano, 9 de fevereiro de 2011. Disponível em: <http://www.vatican.va/content/benedict-xvi/it/audiences/2011/documents/hf_ben-xvi_aud_20110209.html>.
Imagem: Vatican Media
#Reflexão: Solenidade do Natal do Senhor (25 de dezembro)
A Igreja celebra, no dia 25, a Solenidade do Natal do Senhor. Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: Is 52,7-10
Salmo: 97(98),1.2-3ab.3cd-4.5-6 (R. 3cd)
2ª Leitura: Hb 1,1-6
Evangelho: Jo 1,1-18
NATAL DO SENHOR JESUS
Hoje celebramos o Natal do Senhor. Uma celebração que vai além das nossas igrejas e entra nas casas das pessoas, mas nem sempre com a notícia do nascimento do Salvador. Com o passar do tempo, o Natal foi esvaziado do seu significado principal e se tornou uma data para tudo, menos para Deus. É mais um momento romantizado com luzes artificiais, lindos presépios, presentes, roupas, muita comida etc. Mas, os Evangelhos de Mateus e Lucas nos informam que Jesus veio ao mundo em uma situação dificilíssima, sem nada de romântico e poético.
A sagrada família, Maria prestes a dar à luz e José, é obrigada a se colocar em viagem por um decreto do soberano da época, o imperador romano. Deus não parece ser o protagonista principal dos acontecimentos e da história. Pouco se se percebe de Deus nestes fatos. O que mais nos chama a atenção são os dramas e os perigos naqueles dias do nascimento de Jesus.
Naquele tempo como hoje, o que predomina na história são os diversos acontecimentos e quase sempre nada se refere a Deus. A história aparenta ser somente dos homens e sem Deus. No Natal, vemos que Jesus veio a este mundo como mais um que nasce na terra. Seus pais e Jesus recém-nascido, têm que passar por tudo como qualquer família e qualquer pessoa. Fizeram fila no recenciamento, viajaram e fugiram às pressas dos perigos, foram estrangeiros e completamente desconhecidos de todos até a idade adulta de Jesus.
Ao escolher vir a este mundo nascendo em Belém, obedecendo ao capricho de um imperador, a família de Nazaré se submete aos constrangimentos e obrigações dos poderosos do mundo. Deus não poupou Maria e José de nada. Eles não foram privilegiados que viveram a margem do sofrimento da maioria; não viveram uma história a margem da realidade do seu povo. Pelo contrário, foram inseridos no coração e na dinâmica da vida comum do povo de Deus naquele tempo. É incrível que Deus não move e nem alivia os acontecimentos para tudo fosse, pelo menos, normal: um nascimento tranquilo em uma casa e todos cercados de cuidado e atenção. Mas, não foi assim!
O cristianismo não é viver fora da história, isolados de todos, mas viver transformando de dentro, mesmo que a história seja injusta e desumana. Muito do que vivemos são consequência de nossas escolhas, mas muito vezes os dramas humanos, simplesmente, existem onde vivemos e ao nosso redor. Entram em nossa história sem pedir permissão e condicionam a nossa vida.
No Natal descobrimos que a história da salvação acontece não em uma realidade fantástica e ideal, mas profundamente mergulhada na realidade humana, muitas vezes, cruel e injusta. A história da salvação não toma o lugar das injustiças ou daqueles que são os responsáveis dos acontecimentos, ela não cria um alívio ou um vazio no meio dos dramas humanos. A Salvação acontece dentro dos fatos, das injustiças e das misérias humanas.
O Natal é o início concreto da história da Salvação, profetizada no passado do povo de Deus e que se mostra presente no mundo no presépio. Jesus Menino Deus decidiu vir ao mundo, naquela realidade e como o mundo da época estava.
Todos buscam grandes sinais e milagres. Um Deus que chama atenção com seu poder e grandeza, mas Deus no Menino Jesus é um Deus que “decepciona”. Naquele tempo como hoje, se deseja um Deus potente com braço forte para libertar o seu povo de todos os males. Um Deus que arraste a todos com sua força e que vença todos os poderosos. Mas, no Natal, Deus não vem com força, ou com um exército ou ainda com violência, mas vem como uma criança recém-nascida: frágil, fraca e completamente desconhecida. O Natal chama a nossa atenção para estarmos atentos, pois tudo de Deus está escondido no quase nada de uma criança que acabou de nascer. É um Deus que não faz barulho, somente chora como qualquer outra criança; um Deus que muda a história, trabalhando no silêncio e no coração das pessoas.
Temos o exemplo de Maria e José que, exatamente nos últimos dias do parto, eles se colocam em caminho. Quanto cuidado se tem nos momentos finais de uma gravidez, mesmo assim, partem em viagem deixando pra traz a acomodação da casa, das famílias, da ajuda no momento de dar à luz. Eles têm somente Deus como segurança e esperança.
O Natal é a celebração da luz, mas da luz de Deus que não ilumina os olhos e encanta nossa visão. Uma luz que precisa ser constatada e descoberta. Uma luz interior, no coração como insistirá constantemente Jesus em sua pregação: o mundo melhor que sonhamos tem que acontecer no coração de cada pessoa.
Por isso, entendemos a informação de Lucas que nos diz que nas hospedarias não havia lugar para eles. Ninguém queria ter a preocupação de acomodar uma grávida com visíveis sinais da proximidade do parto. Jesus veio ao mundo, em um lugar que representa a realidade mais simples da realidade. Um lugar vazio e quase sem nada daquilo que alguém poderia apontar como necessário (uma casa, roupas, um berço...). Naquele estábulo encontrado como o último lugar enquanto tudo estava cheio de pessoas, Deus veio a este mundo. É preciso esvaziar o nosso coração de tantas coisas que impedem Jesus de renascer em nós. Como naquele tempo, muitos corações estão cheios de tantas preocupações, sonhos pessoais, projetos sem Deus... que também continuam não oferecendo lugar para Jesus nascer.
O vazio interior não nos agrada. Sempre queremos preencher com tantas coisas e projetos. Não suportamos muito ficar sozinhos ou em silêncio. Mas, foi em um lugar mais improvável para uma mãe dar à luz, em um total vazio, lugar impuro para qualquer judeu, lá que é tudo teve início.
Aqui temos uma grande esperança, pois se Deus podendo ter o melhor lugar do mundo em todos os sentidos, nasce em um lugar menos digno e até impuro, toda a humanidade pode se alegrar, pois não haverá um só coração, por mais impuro e indigno que seja, que não possa ser abraçado pela misericórdia e a luz do Menino Deus. Naquele lugar onde tudo aparentemente se mostra perdido, foi o lugar onde toda salvação inicia.
O mal sempre procura semear no coração das pessoas que são elas indignas para receber Jesus. Ou pior ainda! Induzir outros a afirmar que há pessoas que não são indignas; que Jesus é pra poucos. O presépio vem combater esta ideia. Jesus nasce e ilumina o mundo para mostrar que não existe, aos olhos de Deus, últimos e sem esperança, mas todos podem receber a Luz da Salvação, basta acolher o Menino Deus.
O Evangelho da missa da aurora recorda a alegria dos últimos daquele tempo que olhavam para o céu e quando o anjo se aproxima, esperavam uma execução sumária (foram convencidos disso), mas são os primeiros a recebem a feliz notícia do Natal do Salvador. Correm movidos por um anúncio em um lugar que lhes era familiar e conseguem enxergar, além do recém-nascido, a realização da promessa.
São João no Evangelho da missa do dia recorda o grande projeto de Deus que está presente desde o início de tudo. Mas não permanece nas alturas, se encarna na realidade humana, arma sua existência como uma tenda como qualquer outro homem e entra na nossa história, assumindo a nossa carne. Jesus é concreto e acessível a todos que desejassem se aproximar Dele. Que o Natal do Senhor Jesus nos ajude a redescobrir a grandeza de Deus em cada pessoa, morada permanente de Deus e onde podemos, em cada momento de nossa vida, exercitar o que mais nos une a Deus e aos outros: o amor.
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#Reflexão: Vigília de Natal (24 de dezembro)
A Igreja celebra, no dia 24, a Vigília do Natal do Senhor. Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: Is 9,1-6
Salmo: 95
2ª Leitura: Tit. 2, 1-14
Evangelho: Lc 2, 1-14
MISSA DA NOITE DE NATAL
Estamos dentro de uma noite especial: o Natal do Senhor! Juntamente com a celebração da Vigília Pascal, também nesta noite, tudo está centrado na luz que governa o mundo e o universo. A luz é o primeiro elemento criado por Deus para iluminar todas as coisas. Estar na luz é viver na segurança de vermos tudo ao nosso redor. Mas o Natal e a Páscoa falam de uma luz ao contrário. Deus – Criador de tudo – esconde sua luz para entrar na realidade humana. No Natal, Ele se faz simples em uma criança; na Páscoa, entra na escuridão da morte para iluminar o caminho que nos separava da eternidade. No Natal, Deus se inclina para alcançar a humanidade em um abraço perfeito onde o infinito se torna história; onde o Criador de tudo se esconde na menor das criaturas. Não se celebra o aniversário de Jesus somente, mas o sonho eterno de Deus de retomar o abraço perdido de seus filhos e filhas.
A celebração do Natal é uma solenidade que não cabe em uma única missa. São quatro previstas pela Igreja: da véspera (após as 18h do dia 24/12); da Noite (“missa do galo” próxima da meia noite); da aurora (na manhã do dia 25/12) e a missa do dia de Natal. Solene é o modo que Lucas narra o nascimento de Jesus com o seu Evangelho da Missa da Noite.
Lucas inicia todo relato nos situando na história. Jesus é alguém que entra na história humana em um tempo preciso e conhecido, não é uma fantasia ou uma lenda. Por isso, a história começa a contar os anos a partir do seu nascimento. A encarnação não é limitada ao ventre de Maria, mas na história humana concreta daquela época e na história do povo de Deus (da descendência de Davi). Cesar Augusto era o imperador que se sentia senhor da história e da vida das pessoas. “Naqueles dias” em que o imperador exercia seu poder, seria no ano 7 a.C, Roma estava no seu auge como capital do mundo, Otaviano era imperador havia 20 anos. O imperador de Roma é nomeado por São Lucas de “Cesar Augusto”: “Augustus (sublime) sebastos (venerável)”, pois ele se comportava como Deus e dominador do mundo. Augusto pacificou o império, eliminando todas as revoltar. Para celebrar este evento, mandou construir em Roma o “altar da paz”, inaugurado, cerca, dois anos antes do nascimento de Jesus. Quirino era governador da Síria e também da palestina, terra do povo de Deus. Estes eram os grandes que dominavam o mundo da época.
O evangelista Lucas menciona uma “contagem da população”. Recenciamento sempre foi visto pelo povo de Deus como uma ousadia dos governantes, pois somente Deus pode contar e saber quantas pessoas existem. O decreto de Augusto tinha a intenção de saber quanto ele podia contar de homens para a guerra e quanto de impostos poderia cobrar.
Em seguida, Lucas informa aqueles que são contados e que não contavam nada para o império: os pobres e os fracos. O evangelista coloca todos em uma escala sempre se dirigindo ao último. Fala de José (um homem), Maria (mulher grávida) e por fim, o recém-nascido.
Belém é a cidade de origem de Davi. Mas, Jesus não veio para substituir os reinos deste mundo, mas um reino que inicia com os simples e pobres. Lucas fala do nascimento de Jesus de um modo rápido sem detalhes. Diz que era o “primogênito”. Em Israel, o primeiro filho “pertencia” a Deus e devia ser resgatado (readquirido) com um sacrifício de animal. “Envolto em faixa”, para Lucas era o sinal de reconhecimento dos pastores. Há um texto da Sabedoria (cap. 7) que traduz a realidade do rei que nasce como todos os outros: o primeiro grito foi um choro; enrolado em panos... Neste sentido, Lucas coloca que Jesus veio ao mundo (mesmo sendo grande) como qualquer outra pessoa. “Envolver em lençol” (Lc 23,53) poderia ainda já estar ligado ao sepultamento de Jesus após sua morte na cruz. “Colocado na manjedoura”, Lucas poderia estar se referindo a citação de Is 1,3: “o boi conhece seu proprietário.... e Israel não conhece, meu povo não me compreende”. “Não tinha lugar para eles na hospedaria”. Não é verdade que foi negado hospitalidade ao casal, pois isto era impensável para o povo judeu, principalmente, uma mulher naquele estado. Os grandes da terra usam e abusam dos pequenos; geram situações críticas, muitas vezes, somente por luxo pessoal. Todos os lugares estavam ocupados por pessoas procurando cumprir as ordens do soberano da época. Deus para vir a este mundo, também foi atingido por essa desordem. Não havia lugar para os últimos entre os mais simples. O mundo girava entorno de decretos desumanos. Assim, não houve lugar para uma mulher prestes a dar à luz nas hospedagens. Coube aos animais oferecer e dar espaço para que se iniciasse a irradiar uma nova luz neste mundo: tudo inicia entre os desconhecidos e entre aqueles que nada somam para o mundo. A esperança nova brilha onde o mais forte da soberba humana imperava.
No Natal no final do ano que todos os anos ouvimos ao nosso redor se apresenta muito distante do verdadeiro Natal de Jesus. Se fala de tudo que é externo e insignificante: enfeites, luzes artificiais, roupas diferentes, muita comida, presentes... Mas, não se fala de Jesus. O mundo percebeu há um bom tempo que as coisas da fé dão lucro, basta aproveitar de tudo sem falar de nada de Deus: Natal, Páscoa, Corpus Christi, Cinzas (carnaval) etc.
O Natal de Jesus não tem nada de romântico e delicado. Fala-se do drama de uma família que vive constantes momentos onde a vida sempre está em perigo. Onde a realidade humana é reduzida ao mínimo das coisas e pessoas. Toda grávida quase sempre tem a sua mãe como apoio no momento do parto, Maria não teve.
Lucas nos informa de outro grupo marginalizado naquele tempo: os pastores. Eram desprezados, pois não cumpriam a maioria dos preceitos, costumes, pureza ritual e dias sagrados; vivem entre animais a maior parte do tempo; Não eram aceitos como testemunhas (ninguém acreditava nos pastores). Esses são os primeiros a receber a luz nova da presença de Deus. A Nova Luz do Criador começa a trazer esperança com aqueles que Ele foi encontrar entre os mais distantes de todos.
O texto do Evangelho diz que “um sinal encontrareis: um menino envolto em panos”. Todos querem crescer no mundo, se tornar pessoas de expressão e grandeza; somente Deus quis se tornar uma criança.
Deus nas coisas pequenas: esta é a força que rompe no Natal. A humanidade sempre defendeu que tudo tem uma subida do pequeno ao grande; os menores dependem dos maiores; os poderosos se impõem com a força sobre os simples. Os homens querem sair, mandar e se tornarem centro do mundo. Deus, ao contrário, quis descer, servir e se doar. Com o nascimento de Jesus, Deus desceu até os seus filhos; o grande até os pequenos; da cidade a uma gruta; do Templo ao campo de pastores. Quis nascer como qualquer homem neste mundo, uma criança é a realidade mais frágil e desarmada que se pode ter. Não há perigo, somente afeto e carinho. É a nova ordem que se inicia no mundo para que os próprios homens redescubram o sentido de tudo e da própria vida.
No Natal somos convidados a tomar consciência de Deus nas coisas pequenas; naquilo que não se vê com olhos comuns, mas somente com os olhos da fé. Sim, Deus está presente em nossa história, como Deus Conosco! Assim, podemos afirmar que a nossa humanidade, mesma na mais simples realidade e com a ausência de quase tudo de material, os homens e mulheres continuam sendo algo bom para Deus, pois Ele escolher vir ao nosso mundo desta forma.
Aos pastores, o anjo anuncia a principal mensagem de Deus: “Não tenhais medo!” Deus não deve produzir medo jamais! Se há medo, não é Deus que está próximo de ti! Deus se desarma em um recém-nascido! Um Deus que encanta e não produz medo; um Deus que necessita de todo cuidado e carinho.
Como o Natal, Deus inaugura uma nova alegria neste mundo que está muito além das coisas materiais, do poder que oprime e da força que produz a morte. Uma alegria possível a todos, também para os feridos e plenos de defeitos, não somente os melhores e os mais santos. A nova fonte de paz que é anunciada no Natal de Jesus acontece no meio de um turbilhão de problemas e desafios. Na ausência de tudo que nos ilude como a solução para nossos problemas. Uma paz que não cala a humanidade, mas surge a partir de uma manjedoura e com o choro de um recém-nascido. Não tem nada de mais humano, puro e genuíno que um bebê que inicia sua história neste mundo
Natal é uma festa dramática, como é a vida de inúmeras famílias que estão sempre lutando para sobreviver. Deus entra no mundo a partir do ponto mais baixo, fazendo fila como tantos excluídos. É um Deus que se sujeita a uma vida como é a vida da maioria de seus filhos e filhas no tempo e na história. Um Deus que quis viver intensamente a luta diária pela vida, nos limites que são impostos e não escolhidos e na simplicidade da vida. Um Deus que também aprendeu a chorar para que a sua e a nossa vida sejam um único rio que termina sua existência em Deus.
Um bom e Feliz Natal a todos!
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Padres da arquidiocese realizam peregrinação em Camanducaia
Hoje (21), peregrinação com participação de padres da arquidiocese de Pouso Alegre (MG) aconteceu em Camanducaia (MG). Motivados pelo Natal, eles percorreram parte do Caminho da Divina Providência, que liga Limeira (SP) à Aparecida (SP).
Os padres Antônio Aparecido Muniz, Benedito Luciano da Rosa, Carlos Cezar Raimundo, Edson Aparecido da Silva, João Vianney Coutinho, José Setembrino de Melo e Thiago de Oliveira Raymundo participaram da peregrinação.
O evento, organizado pelos padres do Setor Pastoral Extremo Sul, recebeu o nome de "Peregrinos de Belém", por ser realizado próximo da celebração do Natal.
Os peregrinos caminharam 19,5 km, durante 6 horas, por estradas da região montanhosa de Camanducaia. Eles partiram da igreja matriz da Imaculada Conceição, no Centro, rumo à capela de Nossa Senhora Aparecida, no Bairro Jaguari de Cima. A peregrinação percorreu parte do Caminho da Divina Providência, que liga Limeira (SP) à Aparecida (SP).
A comunidade do Bairro Jaguari de Cima e a paróquia Imaculada Conceição acolheram os padres peregrinos. Uma missa foi concelebrada pelos padres na capela de Nossa Senhora Aparecida, com a participação dos moradores do bairro. Durante o caminho, os padres peregrinos e os fiéis da comunidade rezaram pela arquidiocese de Pouso Alegre (MG) e pelas vocações. Ao final da missa, os participantes se consagraram a Nossa Senhora Aparecida e compartilharam experiências e graças alcançadas em peregrinações anteriores.
Veja as fotos da peregrinação.
Texto e imagens: padre Thiago de Oliveira Raymundo
Padre Paulo Adolfo Simões celebra Jubileu de Prata de ordenação presbiteral
Ontem (20), com missa presidida por dom Majella, em Brazópolis (MG), padre Paulo Adolfo Simões celebrou 25 anos de seu ministério presbiteral.
Padre Paulo Adolfo é membro do clero da arquidiocese de Pouso Alegre (MG) e natural de Brazópolis (MG). Atualmente, ele é secretário executivo do Centro Nacional de Fé e Política “Dom Helder Camara” (CEFEP/CNBB) e reside em Brasília (DF).
Sua ordenação presbiteral aconteceu no dia 20 de dezembro de 1997, em Brazópolis, no distrito Luminosa, por dom Ricardo Pedro Chaves Pinto Filho, O. Præm, então arcebispo metropolitano de Pouso Alegre. O seu lema de ordenação é “Para mim, o viver é Cristo” (Fl 1, 21).
Padre Paulo Adolfo Simões completou, na última terça (20), 25 anos de ministério presbiteral.
Como presbítero, padre Paulo Adolfo exerceu seu ministério nas paróquias São José, em Paraisópolis (MG); Sant'Ana, em Sapucaí Mirim (MG); Nossa Senhora das Dores, em Gonçalves (MG); São João Batista, em Pouso Alegre; Santo Antônio, em Jacutinga (MG); São Sebastião, em Carvalhópolis (MG); São Domingos Gusmão, em Canabrava do Norte (MT), na prelazia de São Félix do Araguaia (MT), e Santo Antônio, em Piranguçu (MG).
Além disso, na arquidiocese de Pouso Alegre, desempenhou as atividades de coordenador pastoral dos setores Paraíso, Sapucaí e Dourado; de coordenador pastoral da arquidiocese; de coordenador da Comissão Socio-transformadora e a Serviço da Vida Plena para Todos; professor de disciplinas relacionadas à Pastoral e coordenador do estágio pastoral na Faculdade Católica de Pouso Alegre.
Padres e arcebispo presentes na missa em ação de graças pelos 25 anos de ordenação presbiteral do padre Paulo Adolfo Simões, em Brazópolis.
Em São Félix do Araguaia, foi coordenador de pastoral, do jornal Alvorada, da equipe de catequese, da pastoral vocacional e formador da Etapa Propedêutica.
Por ocasião dos seus 25 anos de padre, missas estão sendo celebradas em sua terra natal e nas paróquias onde trabalhou.
Ontem (20), dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., arcebispo metropolitano, presidiu missa na igreja matriz de São Caetano de Thiene, em Brazópolis, concelebrada pelo padre jubilando e outros membros do clero. Familiares, amigos do padre Paulo Adolfo e fiéis de Brazópolis e das paróquias onde ele exerceu seu ministério estiveram presentes. Na celebração, o padre Adriano São João fez a homilia e refletiu sobre os momentos mais importantes do rito de ordenação presbiteral. Ao final da missa, dom Majella ofereceu ao padre Paulo Adolfo uma bênção apostólica do papa Francisco, como presente pelo seu aniversário de ordenação presbiteral.
Presente de dom Majella, bênção apostólica do papa Francisco ao padre Paulo Adolfo Simões pelos seus 25 anos de vida presbiteral.
Hoje (21), padre Paulo Adolfo celebrou missa em ação de graças pelo seu aniversário de ministério presbiteral no distrito Luminosa, em Brazópolis, onde foi ordenado padre. O jubilando enviou mensagem à Pastoral da Comunicação comentando as origens da sua vocação e os seus sentimentos por ocasião da celebração dos seus 25 anos de padre.
"Senti meu chamado ainda na infância, tanto para ser padre, quanto na defesa da justiça social. A vida de comunidade e, depois, o seminário, me proporcionaram condições de amadurecer essa vocação. Pude entender também que o Evangelho de Jesus, sendo "Boa Notícia para os pobres" (Lc 4,16,21), é que nos impulsiona na transformação social. Ao celebrar o Jubileu de Prata, fazendo uma retrospectiva, vejo que, com bastante imperfeição, tenho conseguido dar uma resposta. Sou grato a todas as pessoas e situações que me ofereceram alguma oportunidade de serviço, discernimento e aprofundamento de minhas crenças", disse padre Paulo Adolfo.
Texto: padre Thiago de Oliveira Raymundo
Imagens: padre Jésus Andrade Guimarães e padre Paulo Adolfo Simões
A imagem destacada da notícia traz padre Paulo Adolfo Simões (em pé) na missa em ação de graças pelos seus 25 anos de vida presbiteral, ao lado de dom José Luiz Majella Delgado, padre Lucimar Goulart e cônego Wilson Mário de Morais (da esquerda para a direita).
Como ser luz no Natal?
Aprenda como ser luz no Natal e iluminar todos os dias do novo ano.
Com a chegada do final de mais um ano, muitos renovam no coração gestos de solidariedade e paz. O clima deste tempo transforma até mesmo os corações mais duros. Celebrar o Natal é renovar nosso amor no Senhor. Aquele que veio um dia nos trazer a salvação continua vindo ao nosso encontro todos os dias do ano, nas mais diversas pessoas e situações.
Muitos assumem no tempo natalino a síndrome do Papai Noel. Do dia para a noite, fazem um processo de conversão relâmpago. Abração a todos e distribuem presentes. Porém, terminado o Natal, voltam a praticar os mesmos atos de maldade. Tais pessoas não se converteram de fato. Foi apenas um impulso emocional para desencargo de consciência.
Jesus Cristo nos ensinou que não existe dia especifico para a prática do bem e do amor. Todo dia é dia de amar. O irmão necessitado não sente fome somente no tempo do Natal, mas em todos os outros meses do ano.
Não adianta você dar o melhor presente para seus pais, se você passa os outros onze meses do ano ausente da vida deles. O melhor presente a ser ofertado é a mudança de suas atitudes e a conversão permanente do seu coração. Gestos de amor brilham na eternidade.
Neste tempo em que nos preparamos para celebrar o nascimento do Senhor, somos convidados a ser luz. A cada semana vamos nos aproximando da luz maior que é o próprio Jesus Cristo. Em meio a tantas situações de trevas, devemos levar a luz da paz, do amor, da misericórdia, da solidariedade e da esperança. Brilhe para que muitos se aqueçam no seu testemunho e façam o retorno ao coração amoroso do Pai.
Você não uma luz pisca-pisca usada nas árvores de Natal e nas decorações natalinas. Não! A sua luz é permanente porque a fonte que faz você brilhar nasce do coração de Deus. O amor do Senhor é a usina que gera a luz que faz o seu brilho resplandecer diante da escuridão do mundo. Você é luz porque é gerado no amor de Deus.
Terminando as festas de final de ano, as luzes usadas na decoração serão retiradas da tomada e encaixotadas para que no outro ano voltem a ser utilizadas. Não podemos encaixotar o nosso brilho, a nossa misericórdia e o nosso amor. Somos gerados para amar. A memória do nascimento de Cristo renova em nosso coração a esperança na vida. A luz maior deixa sempre um rastro luminoso em nossa alma. Somente quem foi iluminado pelo Senhor pode brilhar na vida de outras pessoas.
Na esperança de um novo tempo de misericórdia e paz, renove sua confiança no Senhor. Brilhe com seu testemunho de vida, para que as trevas do mundo se afastem, dando lugar ao alvorecer de um novo tempo gerado no amor de Deus.
Dom Majella faz transferências e nomeações para 2023
Chancelaria arquidiocesana divulgou, hoje (19), lista com transferências e nomeações de membros do clero e seminaristas, realizadas por dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., arcebispo metropolitano de Pouso Alegre (MG). Os clérigos e seminaristas transferidos e nomeados devem iniciar as novas atividades pastorais entre os dias 1º e 7 de fevereiro de 2023.
As transferências e as nomeações realizadas por dom Majella também foram assinadas pelo cônego Wilson Mário de Morais, vigário geral, e pelo padre Jésus Andrade Guimarães, chanceler do arcebispado.
No documento, o arcebispo destacou que os padres, diácono e seminaristas transferidos e nomeados são chamados a dialogar com o presente, buscando criatividade e profecia. Além disso, dom Majella ressaltou que a sinodalidade precisar ser fortalecida nas paróquias e suas comunidades, em um caminho de escuta para a comunhão, participação e missão. Antes de ser um administrador, o padre deve ser aquele que faz comunhão, elemento visível e ativo para a sinodalidade na Igreja, afirmou o arcebispo.
Ao final de seu comunicado, dom Majella incentivou clérigos, seminaristas, religiosos e cristãos leigos a se dedicarem na vivência do 3º Ano Vocacional da Igreja no Brasil, com o tema "Vocação: graça e missão" e lema "Corações ardentes, pés a caminho" (Lc 24,32-33). A esperança do arcebispo e da Pastoral Vocacional é que haja uma vocação em cada paróquia da arquidiocese. Além disso, dom Majella recomendou incentivar as diversas vocações na Igreja.
A posse litúrgica de cada pároco nomeado será presidida pelo arcebispo e deverá acontecer até meados do mês de março de 2023. Essas cerimônias ainda serão marcadas e divulgadas oportunamente, conforme a agenda do arcebispo, dos clérigos transferidos e das paróquias.
Os clérigos nomeados como párocos devem comparecer no dia 9 de fevereiro de 2023, às 9h30, no seminário arquidiocesano Nossa Senhora Auxiliadora, em Pouso Alegre, para a cerimônia de posse canônica. Nessa ocasião, serão realizados a profissão de fé, o juramento de fidelidade, a renovação das promessas sacerdotais e a assinatura da ata de posse, para cumprir os requisitos canônicos e viabilizar os atos administrativos nas paróquias.
Os clérigos nomeados como vigários paroquiais serão apresentados às novas comunidades em missas com a participação dos fiéis. As apresentações serão marcadas conforme a agenda dos clérigos e das paróquias que os receberão. Nessas celebrações, será lida a provisão dos vigários para o exercício de sua função.
O seminário arquidiocesano Nossa Senhora Auxiliadora terá novos formadores: padre Fabiano José Pereira (Etapa Discipular e Coordenador da Pastoral Vocacional) e padre Samuel de Faria Gâmbaro (Etapa Propedêutica).
Além disso, o diácono Cristian Diego Rosa exercerá seu ministério diaconal em uma nova paróquia. Os seminaristas Dioni Acácio da Silva, Silvio Massaro Taveira, Tainan Francisco de Paula e Valter Virgíneo Pereira, que concluíram os seus estudos teológicos na Faculdade Católica de Pouso Alegre, iniciarão estágio pastoral em paróquias da arquidiocese.
Entre os dias 1º e 7 de fevereiro de 2023, os clérigos e seminaristas transferidos e nomeados devem passar a residir nas novas paróquias/seminário e iniciar os trabalhos pastorais.
Texto: padre Thiago de Oliveira Raymundo
Edição de cards: padre Marcos Eduardo Caliari
Imagens: seminarista Márcio Aurélio Gonçalves Júnior e Arquivo Pascom
Veja as transferências e nomeações realizadas:
Direitos Humanos Fundamentais e DSI
No dia 10 de dezembro, foi comemorado o 74º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Essa declaração foi adotada e proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas (resolução 217 A III), no dia 10 de dezembro 1948, pelos países constituintes da ONU, sem nenhum voto contra. Os chamados Direitos Humanos ou Direitos da Pessoa Humana são princípios adotados por todos os países do mundo e que se propõem a reger as relações desses países e suas instituições com os cidadãos e cidadãs e o conjunto da sociedade. A Declaração estabelece, pela primeira vez, a proteção universal dos direitos da pessoa humana. Desde sua adoção, a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi traduzida em mais de 500 idiomas – o documento mais traduzido do mundo – e inspirou as constituições de muitos Estados e democracias recentes.
Porém, os Direitos Humanos não são feitos para defender bandidos? Essa é uma pergunta frequente devido à extensiva divulgação por algumas mídias de que os defensores dos Direitos Humanos são defensores de bandidos. Diante desse questionamento, é interessante fazer duas perguntas:
1. Quem é que afirma serem os Direitos Humanos direitos de bandidos?
2. A quem interessa e a quem incomoda a defesa dos Direitos Humanos?
Uma tentativa minimamente séria de responder a essas perguntas vai mostrar que a defesa dos Direitos Humanos interessa a todas as pessoas que possam ter seus direitos fundamentais desrespeitados e que incomoda a quem tenha interesse em desrespeita-los. Por exemplo: interessa ao trabalhador e à trabalhadora que desejam sustentar sua família com um salário justo correspondente a uma jornada de trabalho. Desejam também que o seu trabalho não seja acima de suas forças e em condições adequadas às condições mínimas de segurança e à saúde humana. Não interessa a quem, porventura, deseja pagar um salário injusto e impor uma jornada exaustiva e/ou manter o trabalhador sob condições inumanas de trabalho com a finalidade de aumentar seus lucros pessoais ou de sua empresa, sem se preocupar com as condições de vida dos empregados. Para além disso, é importante frisar que a pessoa em conflito com a lei, os que a mídia corporativa e empresarial gosta de chamar de bandidos, como uma forma de tirar-lhes a humanidade, tem os seus direitos fundamentais e esses direitos precisam ser respeitados, inclusive pelo Estado. Sobre isso, podemos citar a situação dos presídios no Brasil que são constantemente motivo de denúncias de violação dos Direitos Humanos. Normalmente, essas denúncias são por que o Estado, ao recolher uma pessoa à reclusão, sob sua guarda, deixa de cumprir a lei que assegura a essas pessoas as condições mínimas de dignidade.
Por que a Igreja Católica defende os Direitos Humanos? Não só defende como é a instituição internacional que mais os defende, não obstante tenha demorado alguns anos para reconhecê-los. Não só a Igreja Católica, mas a maioria das Igrejas Cristãs e religiões do mundo. Fiquemos com a Igreja Católica e sua Doutrina Social.
O Compêndio da Doutrina Social da Igreja (DSI), de 2005, nos números 152 a 159, trata, especificamente, dos Direitos Humanos. Afirma que, teologicamente, os Direitos Humanos fundamentam-se na verdade cristã de que o Filho de Deus assumiu plenamente o “humano”. Essa verdade está no âmago da fé católica, a tal ponto que, no Evangelho de João, Pilatos apresenta Jesus às turbas dizendo: “Eis o homem!” (Jo 19,6). De fato, em Jesus, contemplamos a realização plena do ser humano, de tal maneira que a figura-mistério de Jesus Cristo torna-se o ponto de referência do mistério do homem.
Embora a dimensão dos Direitos Humanos tenha sua fonte no cristianismo, com a valorização do ser humano e a concepção de pessoa humana, os Direitos Humanos não foram, de início, aceitos pela Igreja. A aceitação dos Direitos Humanos, no âmbito eclesial, fez um percurso, que se abre com Leão XIII, ao iniciar um processo de diálogo com a modernidade, que fora fechado por seu predecessor, Pio IX, com o Syllabus – condenação dos erros da modernidade (1864).
A recepção católica dos paradigmas da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que passou pelo magistério de Pio XII, foi completada por São João XXIII com a Pacem in Terris, em 1963. Nessa encíclica social, o Papa Bom, reconhece a Organização das Nações Unidas e a sua declaração dos Direitos Humanos, promulgada em 1948.
O cristão e a cristã que se sente membro da Igreja Católica é convidado, em sua ação, defender e aprofundar seus estudos sobre os Direitos Humanos e dar a sua contribuição para a reflexão sobre eles. A Doutrina Social da Igreja oferece a formação suficiente e necessária para quem deseja atuar na defesa dos direitos humanos.
Ao completar 74 anos de sua proclamação, a Declaração Universal dos Direitos Humanos deixa como legado uma imensa lista de ações que resultaram na preservação da vida digna para milhões de pessoas em todo o mundo, como Jesus nos explicita ser sua missão (Jo 10,10). Deixa, sobretudo, uma crescente consciência universal da inviolabilidade desses direitos. Porém, aponta um longo caminho ainda a percorrer, pois, mesmo com o avanço da civilização e da modernidade, muitos direitos fundamentais, sobretudo de pessoas em situação de vulnerabilidade, são negligenciados e negados.




















































