#Reflexão: 3º domingo do Tempo Comum (22 de janeiro)

A Igreja celebra, no dia 22, o 3º domingo do Tempo Comum. Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Is 8,23b-9,3

Salmo: 26(27),1.4.13-14 (R. 1a.1c)
2ª Leitura: 1Cor 1,10-13.17 ou mais breve 4,12-17
Evangelho: Mt 4,12-23

Acesse aqui as leituras.

JESUS, LUZ DO MUNDO, ESCOLHE SEUS OS DISCÍPULOS

Jesus, depois do Batismo de João e da consagração recebida de Deus Pai, inicia definitivamente a sua missão. Foi o momento de deixar para trás: terra, casa, familiares, parentes, amigos e partir sem nada do mundo e pleno de Deus. Mais do que motivações humanas e históricas, Jesus procurou responder ao chamado de Deus Pai, mesmo diante de sinais evidentes de perigo e desafios: João tinha sido preso. A perseguição e a prisão do precursor em nada alterou a resposta que Nosso Senhor deu ao chamado de Deus Pai, pois Jesus sabia que somente Dele e Nele (Deus Pai), Ele encontraria a força e as graças necessárias para a sua missão.

Livre de tudo e de todos, Jesus anuncia a Boa Nova do Reino, próximo de Cafarnaum, ao redor do lago de Genezaré. A Galileia não era uma região prestigiada e admirada pelos judeus, antes, era considera terra de pagãos mesmo ainda sendo território do povo de Deus. A cidade de Nazaré onde Jesus viveu não gozava de boa fama: “pode vir alguma coisa boa de Nazaré” (Jo 1,46). Os fariseus e judeus piedosos lá de Jerusalém na Judeia desprezavam ainda mais as terras de Zabulon e Neftali, pois eram consideradas “periferia” da terra de Israel, território de gente impura e pecadora. No passado, aquela região foi a primeira a cair nas mãos dos assírios que lá instalaram gente de outras nações com suas religiões. Isaías, na primeira leitura, lembra esse fato que para o profeta era ainda relativamente recente, mas o próprio profeta Isaías anuncia que, um dia, a esperança iria novamente brilhar naquela região, no meio daquele povo e nas ruas daquelas cidades.

Jesus decidiu iniciar sua missão naquela terra sem esperança, marginalizada por séculos e ultrajada pelos religiosos de Jerusalém. A luz anunciada por Isaías precisava iluminar lá onde as trevas e o desprezo humano eram mais fortes e onde a ausência de esperança era mais sentida.

O anúncio inicial de Jesus retoma a pregação de João Batista: “Fazei penitência, pois o reino dos céus está próximo”. Na terra marcada por conflitos e rejeição de tantos, de gente marginalizada e humilhada por uma história triste do passado, era necessário deixar tudo isto para trás e abraçar o “novo” da Boa Nova trazido por Jesus. A penitência foi o meio sugerido por Jesus como forma de abandono do peso do passado para reiniciar com nova esperança no anúncio trazido por Jesus. As trevas são somente vencidas com a claridade da luz, as sombras da morte somente com a luminosidade que Cristo, Vida Eterna, pode nos dar.

Na periferia de Israel, no meio daqueles que sofreram no passado a imposição de um forte reino, Jesus anuncia a vinda de um novo Reino não mais humano e terrível, mas o “Reino dos céus”. Os reis e os impérios costumam impor com a força e a espada a sua presença, não há liberdade e nem adesão, mas submissão; Jesus propõe a conversão e a penitência como meio de acesso. A Luz de Deus e o seu reino só podem existir em um coração livre e purificado das sombras do pecado. É um reino novo, sem limites e sem um território, sem definições étnicas e sem preconceito; um reino onde a arma principal são a fé e a esperança. Um tempo novo, um reino novo que acontece não em um lugar ou tempo, mas dentro de cada pessoa.

A missão era grande e Jesus sabia que deveria ser eternizada na história humana. Ele daria o pontapé inicial, mas tudo deveria continuar presente na realidade de todos os homens e mulheres. Segundo o evangelista Mateus, Jesus já no início de sua evangelização procurou definir o seu grupo de discípulos. Ele pessoalmente chamou cada um que livremente fez o que Ele propriamente já havia feito: eles deixaram tudo e todos para escolher viver ao lado do Mestre e Senhor Jesus.

O chamado foi feito a pescadores, irmãos e gente simples. Jesus vai ao encontro (caminha) e vê, é o modo novo do agir de Deus cheio de misericórdia. Os dois primeiros, Pedro e André, deixam o seu ofício e instrumentos de trabalho (barcos e redes) para seguir Jesus com uma nova promessa onde suas habilidades seriam remodeladas segundo a proposta do Reino dos Céus: passariam a ser pescadores de pessoas. Para isso, era necessário se colocar atrás do Mestre e reaprender a arte de pescar. A segunda dupla de irmãos, Tiago e João, também era de pescadores e os dois trabalhavam com seu pai; o anúncio foi semelhante e a resposta igual aquela de Pedro e André: deixaram as redes, as barcas e o pai. Eram mais jovens que os primeiros, tinham ainda o privilégio da presença e do exemplo do pai que trabalhava e normalmente ensinava o ofício aos filhos. O convite de Jesus foi, no entanto, mais forte e a resposta mais exigente ao ponto de deixarem para trás os sonhos da profissão, o convívio da família e até a presença do pai. Zebedeu tinha sido mestre de Tiago e João seus filhos, agora Jesus se apresenta como novo Mestre em uma nova missão.

O Reino de Deus se inicia com um duplo convite de Jesus: mudança interna (penitência e conversão) e atitudes externas (abandonar família para constituir nova família com novo Mestre). O primeiro pedido é algo que toca as convicções e os princípios; o segundo, redireciona as atitudes e a ação. Jesus não pediu àqueles homens algo impossível e difícil, mas convidou-os para colocarem seus dons (eram pescadores) a serviço do Reino de Deus (pescadores de pessoas); foram chamados a aprender a nova arte de viver um projeto novo não mais limitado a uma profissão, ao convívio familiar e a uma terra, mas sem limites e fronteiras. Deixam para trás a gostosa convivência familiar com os pais e a respeitada profissão de pescadores para responder ao chamado de Jesus. A missão era muito grande e desafiante que exigiu uma adesão total e tempo pleno.

Muito tinha que ser feito, muitos lugares eles deveriam percorrer, muitos ouvidos e corações precisavam receber o convite para participar deste novo Reino não mais humano e viciado de pecados, mas divino e eterno. Jesus percorreu aldeias, sinagogas, vilas e casas anunciando o início de um novo tempo de Luz na humanidade. Esta é a marca do Reino de Deus: ir ao encontro das pessoas, oferecer projeto de vida, de liberdade, de respeito e de vida nova.

Os discípulos deveriam primeiro aprender a caminhar com o Mestre para depois continuar a Sua missão. Ser discípulo é a primeira e fundamental identidade do cristão: somos cristãos, pois seguimos o Mestre Jesus. Nosso Senhor nos deu a dica, ao escolher discípulos, que a missão deve ser assumida por todos e cada um deve seguir e aceitar Jesus como Mestre em sua vida. Começou com os apóstolos, mas não se limitou a eles.

O Reino dos Céus acontece principalmente nos corações das pessoas, mas foi também da vontade de Jesus que esse Reino tivesse sua maior presença e expressão em sua Igreja. Que mesmo com seus defeitos e limites, ela tem a missão de perpetuar na história a presença de Deus, ser a fonte principal e maior do amor de Deus.

Paulo chama atenção que Jesus e o seu anúncio de salvação, sua morte e ressurreição, é que devem ser o centro da vida da Igreja. As pessoas na Igreja de Cristo passam, mas ela continua sempre presente na história, mesmo com os pecados e erros cometidos em seu interior, a graça de Deus é sempre maior. Paulo exortou a comunidade de Corinto sobre o pecado da divisão interna, as “panelinhas” em torno de pessoas e relembrou a todos aqueles cristãos que em Deus não há conflito, divisão ou competição, mas harmonia e paz. O anúncio do Reino de Deus, com essas qualidades lembradas por Paulo e tantas outras, precisa acontecer primeiro dentro de nossas comunidades para depois se tornar o sinal mais visível para todos que somente e realmente a luz de Jesus tem poder de dissipar do coração e da história humana as trevas do ódio e do pecado.

Os apóstolos deixaram tudo e colocaram seus dons de pescadores a serviço do Reino. Deveriam mudar de vida (conversão) para serem pontes que conduzem as pessoas a Deus e ao seu reino. Eles teceram novas redes e assumiram novos barcos com suas palavras e principalmente com seus testemunhos, esses são os novos instrumentos do Reino de Deus que todos nós devemos usar para que novas pessoas possam também fazer parte do Reino que Jesus iniciou neste mundo.

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Acompanhamento espiritual

Padre Fabiano Cézar da Silva explica o que é e como fazer acompanhamento espiritual.

 

A prática do acompanhamento espiritual deve ser entendida como um caminho que leva a uma contínua progressão. Cada cristão é chamado a descobrir o projeto de Deus a seu respeito e engajar-se nele, ou seja, conectar-se ao projeto existencial, ir encontrando e seguindo o seu caminho. Assim como as plantas devem produzir frutos, cada pessoa deve produzir frutos na sua condição e vocação.

O acompanhamento espiritual é uma prática empregada desde os primórdios da Igreja, que surge da necessidade humana de ser ajudado na pedagogia da fé. Aqueles que se sentem perdidos, estagnados, sem saber para qual caminho seguir podem buscar esta ajuda.

Essa prática consiste no esforço em distinguir os apelos que Deus nos dirige e em respondê-los. É uma obra conjunta a ser construída entre o acompanhado, dotado de vontade sincera, o acompanhante, dotado de prudência, e a ação de Deus, agente principal que dirige e transforma.

Sendo assim, o aconselhamento espiritual se dá em um processo dialogal que acontece por meio de encontros, na busca de tomar consciência da ação de Deus na vida do acompanhado. Não significa ceder ao acompanhante a responsabilidade de decisão da própria vida.

O acompanhado, ao falar, se apropria da sua existência, pois a escuta permite que se estruture e desenvolva a responsabilização e a decisão autônoma diante de si mesmo, não para se sentir melhor, mas para que seja melhor. O acompanhante, pela escuta, tem a função de situar o acompanhado na configuração a Cristo (assimilação da práxis de Jesus), e deve ajudar, animar, apoiar e esclarecer, possibilitando ao acompanhado avaliar suas motivações, escolhas, ações e enfrentar seus problemas com equilíbrio (sondar o coração).

Dessa maneira, o acompanhante ajudará o acompanhado a perceber as moções para fazer o discernimento, levando a acolhida daquilo que é de Deus e descartando o que não vem dele, chegando a um seguimento afetivo do Mestre Jesus, em uma comunidade de fé.

O acompanhamento espiritual proporciona um amadurecimento progressivo, uma ajuda para discernir e crescer nos níveis das virtudes, necessitando de tempo, de colaboração, de abertura de coração e mútua confiança para que a comunicação se estabeleça entre os envolvidos.

Muitas pessoas não precisam do acompanhamento, pois já encontram a direção da vida na sua relação com Deus, por exemplo, com a celebração da liturgia. Outras pessoas já sentem tal necessidade e devem buscar o acompanhamento com alguma pessoa competente que possa exercer esse ministério, podendo ser um padre, uma religiosa ou até mesmo um leigo mais maduro na fé.

Em todos os tempos, sempre houve vozes pertinentes que defenderam a necessidade do acompanhamento espiritual, pois não se consegue ver com perfeita clareza as coisas a nosso respeito. Por tanto, o acompanhamento espiritual é aconselhado para aqueles que desejam amadurecer na vida cristã, que querem crescer na intimidade com Deus e buscam uma vida de santidade.

 

 


Como orar com simplicidade?

Padre Flávio Sobreiro lhe ajuda a descobrir como orar com simplicidade de alma e coração.

 

Quando mergulhamos na oração, nossa alma entrega-se Àquele que não cansa de nos buscar. Orar é muito mais que pronunciar palavras. É uma imersão nos braços do amor divino. Mesmo no silêncio, podemos ser ouvidos. Deus escuta os silêncios da alma e decifra os códigos secretos dos sofrimentos que por vezes não conseguimos expressar.

Os santos fizeram em vida a experiência de deixarem-se conduzir pelo Autor da Ternura. Em Cristo, abandonaram todas as suas certezas e cultivaram a cada dia a dependência da graça celeste. Dependentes de Deus, somos guiados apenas por uma única verdade. Quando mergulhamos de alma no Coração Sagrado do Amor de Deus, nada mais pode roubar-nos o tempo precioso que ocupamos com nosso Amado Senhor.

O grande segredo da santidade não consiste em fazermos grandes coisas, mas fazer com amor as pequenas atividades de cada dia. Se em cada tarefa estiver nosso coração orante, então aquilo que fizemos terá em si toques de santidade e o amor de Deus acompanhará a alma de quem cumpriu sua obrigação com a ternura divina.

Orar é estabelecer com o céu uma ligação que supera o espaço e o tempo. Quando oramos, o tempo deixa de contar os segundos e minutos porque estamos presentes na eternidade do amor. No coração amoroso de Deus, o tempo não existe porque, quando somos amados e amamos, nenhum relógio pode marcar o tempo de amar.

O silêncio nos liga com o amor. Nessa sintonia profunda do encontro de nossa experiência terrena com a divindade celeste, as palavras ocupam um lugar secundário, pois, quando o Sagrado Coração de Cristo se encontra com a fragilidade de nosso humano e pecador coração, somos imersos na plenitude da misericórdia que abraça todas as nossas fragilidades e nos resgata das trevas, inaugurando em nossa vida a aurora de um novo tempo.

A simplicidade da vida de oração consiste em não procurarmos palavras difíceis para pronunciarmos diante do Senhor Amado. Ele sabe o que nossa alma deseja antes mesmo que nossas palavras ecoem da alma ou dos lábios. Falar ajuda a eliminar o medo que as dificuldades semeiam em nossa alma. Não é preciso um dicionário de palavras complexas para rezarmos em nossos momentos de oração, basta apenas falarmos a linguagem do amor e seremos compreendidos como na claridade das manhãs de sol ao alvorecer.

 

 


#Reflexão: 2º domingo do Tempo Comum (15 de janeiro)

A Igreja celebra, no dia 15, o 2º domingo do Tempo Comum. Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Is 49,3.5-6

Salmo: 39(40),2.4ab.7-8a.8b-9.10 (R. 8a.9a)
2ª Leitura: 1Cor 1,1-3
Evangelho: Jo 1,29-34

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JESUS, CORDEIRO DE DEUS, QUE VEM AO NOSSO ENCONTRO

A última celebração do tempo litúrgico que tivemos ainda ligada ao Natal do Senhor foi a solenidade da Epifania (domingo passado), mas na segunda-feira, dia 9 de janeiro, tivemos também a festa do Batismo do Senhor. Para marcar o início de sua missão e vida pública, Jesus se deixou batizar por João nas águas do rio Jordão. Nosso Senhor não precisava de nenhum rito de penitência e nem havia pecado para receber o batismo de João Batista, mas naquele ritual antigo e provisório, tornou-se público e teve início o tempo novo e uma nova realidade de Deus em meio ao seu povo. No Batismo de Jesus temos a revelação daquilo que acontece em nosso Batismo: filiação divina de Deus que se apresenta como Nosso Pai.

Terminada as festividades do Natal de Jesus, iniciamos o Tempo Comum na Igreja e este ano, vamos caminhar refletindo em nossas celebrações dominicais o Evangelho de São Mateus. No entanto, na celebração de hoje, temos uma passagem do quarto Evangelho, logo após o Batismo de Jesus.

Neste domingo, o Evangelho ainda nos recorda de Jesus no rio Jordão com o Batista. O evangelista narra que é Jesus quem vem ao encontro de João. Este gesto já é algo expressivamente simbólico, pois está sempre em sintonia com o Natal (Deus que vem habitar entre nós) e será por toda a vida de Jesus: a iniciativa é sempre de Deus que vem ao encontro de cada um de nós.

No Evangelho quem fala e dá testemunho é somente João Batista. Jesus Cristo é reconhecido e indicado por João como alguém muito especial e profundamente diferente de tudo que se esperava. João não chama Jesus pelo seu nome com tantos outros qualificativos que são usados para se referir a alguém importante e ao Messias (rei, filho de Davi, Filho de Deus etc.). João aponta e testemunha Jesus como sendo “Cordeiro de Deus”.

Jesus vem ao encontro do Batista não com uma fera ou um animal feroz que se impõe e causa medo (como nos grandes impérios da antiguidade), mas como um animal conhecido por todos, pois era usado no Templo durante os sacrifícios. Jesus vai se encontrar com João (como o faz com cada pessoa), desarmado, que não tira a vida de ninguém, mas que se oferece por todos (como cordeiro); não causa medo, mas é dócil por natureza; que não espanta, mas encanta com sua bondade. João Batista tinha intuído que Jesus, realmente, não se enquadrava em nenhum esquema de messias e de salvador que nem ele mesmo esperava.

João continua seu testemunho dizendo que Jesus é alguém muito superior a ele, pois Sua história é maior que a dele (de João Batista). Sua existência coincide com a própria existência de tudo. Jesus é alguém que rompe a compreensão de tudo que conhecemos, pois, sua missão é muito mais do que algo limitado àquele tempo e àquelas pessoas. De fato, na primeira leitura, Isaías fala da missão do “servo escolhido” que deve ir além de Israel: a salvação que deverá realizar deve chegar até os confins do mundo. O profeta diz que é alguém formado por Deus desde sempre para ser luz do mundo.

No momento do Batismo de Jesus, João tinha tido a revelação de quem realmente era Cristo Jesus. Era alguém tão superior como realidade que o Batista afirma duas vezes “eu não o conhecia”. Talvez eles tivessem se encontrado na adolescência e ou na juventude, mas tudo que João sabia do seu parente Jesus eram coisas simples e sem valor; no Batismo, o céu se abriu e também a mente de João se iluminou em relação a grandeza daquele que ele batizava.

A confirmação vinda do céu (Espírito Santo em forma de pomba e a voz de Deus) foi uma revelação que João jamais conseguiria descobrir: Jesus era alguém muito maior e muito mais importante do que ele imaginava. Dessa forma, João Batista é muito mais do que aquele que simplesmente batizou Jesus nas águas do Jordão; ele é aquele que primeiro recebeu a revelação do céu e depois fez questão de anunciar apontando Jesus com o Cordeiro de Deus entre nós. O Batista diz: “Aquele que me enviou”. João é instrumento de Deus e cumpri muito bom sua missão de anunciar a chegada do Messias. Na segunda leitura, Paulo também se sente chamado para uma missão.

Diante de Jesus que vem ao seu encontro, João reconhece a diferença até mesmo em relação ao batismo que realizava. O seu era um rito de penitência para os pecados que todos reconheciam e buscavam mudar de vida. João decreta que o Batismo de Cristo é muito mais profundo e salvífico.

João Batista quando aponta e testemunha que Jesus é o Cordeiro de Deus, ele também afirma que Ele “tira o pecado do mundo”. Jesus, como Cordeiro de Deus que se deixa imolar por todos nós (conforme recordamos e celebramos na Semana Santa), cancelou tudo aquilo que impedia nosso acesso a Deus. O sacrifício da Cruz nos libertou do “Pecado” principal (observe que está no singular!) que nos impedia de nos tornarmos filhos de Deus e de herdarmos o céu como morada (no Batismo, isto tudo nos vem garantido). Por isto, João acrescenta que o Batismo de Cristo Jesus não será o mesmo que o seu, mas “no Espírito Santo”: celebrado uma única só vez e de forma definitiva. Com o Batismo, o cristão passa a ser morada da Trindade e “marcado” pelo Espírito Santo como “propriedade de Deus”.

O Batismo de penitência de João encerrou-se com o fim da sua missão. Cumpriu a sua função que era preparar as pessoas, através de um rito penitencial, para acolher o verdadeiro Salvador com o definitivo Batismo conforme a vontade de Deus. Assim, podemos dizer que o Batismo de João limpava o externo, o Batismo de Jesus penetra e transforma dentro de cada pessoa.

O “Pecado” que nos impedia de termos acesso a filiação divina, foi cancelo pelo sangue do Cordeiro, mas permanece a realidade de conversão e de penitência para os nossos pecados individuais que constantemente cometemos. Jesus vence o pecado e nos liberta da morte não da morte física, mas da morte eterna. A Salvação nos foi garantida por Jesus com a sua Paixão, Morte e Ressurreição e tudo recebemos como promessa e dom no dia do nosso Batismo, mas tudo isto precisa ser conservado e cultivado durante a nossa existência neste mundo. É um dom que precisa ser aceito e desenvolvido em uma vida de santidade e constante conversão. Por isto, precisamos ainda de muita penitência e arrependimento, como no tempo de João Batista, para que possamos cada vez mais sermos merecedores de tudo que Jesus Cristo realizou por todos nós.

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Como fazer a Leitura Orante da Bíblia?

“Tua palavra é lâmpada para os meus pés e luz para o meu caminho” (Sl 119,105).

 

Muitos homens e mulheres, ao longo da história da Igreja, encontraram na Leitura Orante da Bíblia um caminho de santificação. Mergulhados nos mistérios da Palavra Divina, beberam das águas de uma fonte perene de espiritualidade.

A Leitura Orante da Bíblia (lectio divina) é composta por quatro etapas: 1) lectio (leitura), 2) meditatio (meditação), 3) oratio (oração) e 4) contemplatio (contemplação). Esses passos são um caminho pedagógico-espiritual que gradualmente mergulham o coração do homem no coração de Deus. É um encontro de amor que se faz oração, na intimidade do silêncio fecundo e contemplativo.

O método da Leitura Orante da Bíblia foi configurado por um monge de nome Guigo, prior da ordem Cartuxa (1150 d.C.). Ele escreveu um pequeno livro cujo título é: “A escada dos monges”. O conteúdo da obra era uma sistematização do método de Leitura Orante da Bíblia, que ultrapassou os séculos e continua hoje a ser uma riqueza espiritual para todos os cristãos.

Nas Sagradas Escrituras, encontramos um itinerário espiritual que nos conduz ao coração de Deus: "Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para instruir, para refutar, para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, qualificado para toda boa obra" (2 Tm 3,16-17).

O método da Leitura Orante da Bíblia começa com a escolha do local onde iremos meditar. É conveniente que seja um local tranquilo e que não haja interrupção durante o momento de oração. A escolha do tempo também é importante. Meia hora é suficiente para quem está começando. Importante também é a escolha do texto bíblico a se meditar. Como sugestão pode ser o Evangelho do dia, o Salmo ou a primeira leitura proposta para a liturgia do dia.

O primeiro passo é a lectio (leitura). Ler com calma e atenção o texto bíblico escolhido quantas vezes forem necessárias. Mergulhar na cena. Identificar os personagens ambientes. Inserir na cena do texto.

O segundo passo é a meditatio (meditação). O que Deus nos fala a partir da leitura? É chegado o momento de ouvir a voz do Senhor. São Jerônimo, Doutor da Igreja, padroeiro dos estudantes da Bíblia, disse: “Quando rezamos, falamos com Deus. Quando lemos a Sagrada Escritura, Deus fala conosco”. Deus sempre revela a nós sua vontade quando lemos as Sagradas Escrituras. Silêncio no coração e ouvido atento às inspirações de Deus.

O terceiro passo é a oratio (oração). Após ouvir a voz de Deus, é chegado o momento de falar com Ele. Oração é um diálogo. Deus fala conosco e nós falamos com ele. Mergulhados no amor divino abrimos nosso coração a Deus. Deus em nossa alma e nossa alma em Deus.

O quarto passo é a contemplatio (contemplação). A contemplação é um mergulho silencioso no mistério de Deus. Não há mais necessidade de palavras, pois o silêncio diante de tão grande dádiva se faz uma oração que transcende toda forma de diálogo.

Interessante é formular um compromisso para o dia a partir da leitura meditada. A palavra se faz vida no cotidiano da existência. Gravada na alma o mistério do amor de Deus agora deseja ir ao encontro dos irmãos e irmãs.

 


#Reflexão: Solenidade da Epifania do Senhor (08 de janeiro)

A Igreja celebra, no dia 08, a Solenidade da Epifania do Senhor. Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Is 60,1-6

Salmo: 71(72),1-2.7-8.10-11.12-13 (R. cf. 11)
2ª Leitura: Ef 3,2-3a.5-6
Evangelho: Mt 2,1-12

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FESTA DA EPIFANIA DO SENHOR

A celebração deste domingo ainda está em profunda sintonia com o Natal de Nosso Senhor. Celebramos a manifestação de Jesus a todos os homens e mulheres em todos os tempos. A visita dos Magos do Oriente nos recorda que Jesus não veio a este mundo somente para alegrar a vida de uma família, de algumas pessoas, ou de uma região ou mesmo de uma nação: Jesus pertence a toda humanidade e em todos os tempos.

Mateus inicia o relato dando duas informações:Tendo Jesus nascido em Belém da Judeia. O local confirma a tradição do nascimento em Belém, ideia que será repetida mais vezes, isto para confirmar a forte ligação de Jesus com a tradição sobre o messias como descendente de Davi, rei ungido em Belém (1Sm 16,1-13). No tempo do rei Herodes. Um personagem histórico conhecido, mas nada será dito sobre este rei.

Os viajantes do Oriente eram pessoas que conheciam os astros e as estrelas, característica marcante dos povos daquela região de onde partiram. Movidos pelo conhecimento que tinham do céu perceberam que havia uma “estrela diferente no firmamento”. Até onde descobriram, concluíram que valia a pena arriscar deixar tudo e buscar o “dono” daquela estrela diferente. O céu com suas estrelas era visível para todos, mas somente os magos perceberam que algo diferente estava acontecendo.

Os magos do Oriente representam muito bem a nossa caminha de fé e busca de Deus. Eles saíram de longe, se orientaram com o que sabiam, se perderam na caminhada, foram a lugares errados em busca de respostas, mas não desistiram jamais. Abandonaram suas terras em busca de um rei e encontraram um menino; buscaram nos palácios e terminaram a jornada em um local simples (Mateus diz “casa”; Lucas, um local para animais); acharam que tudo estaria resolvido com as pessoas mais importantes da época, mas tudo só teve sentido quando encontram a família de Nazaré.

A ciência que eles tinham os conduziu e os animou em uma longa jornada, mas ela não deu todas as respostas. Chegaram até Jerusalém, pensando que lá teriam uma explicação para tudo, mas obtiveram somente parte da solução. A ciência dos magos os levou até a cidade dos profetas e do Povo de Deus, mas somente conseguiram prosseguir a busca quando tiveram contato com a Palavra de Deus. O evangelista Mateus nos conta que de um lado a cidade ficou agitada e Herodes ficou com medo; e de outro lado, os magos se encheram de alegria. Os viajantes do Oriente foram um grande instrumento de revelação para os grandes de Jerusalém (Herodes e sacerdotes), mas preferiram ignorar tudo.

Todos os convocados por Herodes (sacerdotes e Escribas) se mostraram entendidos nas Escrituras, mas fechados em suas esperanças. Para os sacerdotes não havia necessidade de novidades e preferiram ficar com Herodes do que seguir os magos. Eles mesmos foram instrumentos de uma Nova Esperança, mas não abraçaram aquilo que leram e conheciam (a Palavra de Deus). Os homens da religião e da Lei preferiram ficar em Jerusalém, pois lá eles já tinham o Templo, as festas, os sacrifícios e suas tradições, eles não queriam saber da novidade do menino que atraía pessoas de terras distantes.

Na cidade de Jerusalém, a “estrela guia” não pode ser mais vista. No palácio do rei não há espaço para os sinais de Deus. Nos lugares onde a prepotência daqueles que se sentem grande, Deus não pode ser visto. Onde há mentira, não brilha a luz de Deus. Mas, ao saírem da cidade dos poderosos daquela época, a alegria retornou. Antes viam a estrela somente com seus conhecimentos, ao deixar a Cidade Santa, foram alimentados pela esperança das profecias da Palavra de Deus. Agora a viagem deles estava animada com um novo sentido: estavam no caminho certo e estavam próximos! Os magos (estrangeiros e vindos de terras pagãs) se aproximavam cada vez mais de Jesus; os sacerdotes e a religião oficial, cada vez mais distantes.

Antes, a Cidade Santa, Jerusalém, era o centro e o ponto de chegada de todos os peregrinos; agora com Jesus, passa a ser somente instrumento e passagem que conduz ao verdadeiro sentido de qualquer jornada. Belém, a “menor das cidades” faz sombra a grande cidade de Jerusalém.

Eles perceberam que os sinais de Deus possuíam um sentido próprio e uma grandeza particular. Não deviam mais buscar entres os grandes, mas deveriam se guiar pelos sinais de Deus que estavam longe da prepotência, da mentira e da falsa sabedoria humana.

Os magos tinham buscado em lugares onde a grandeza dos homens brilhava e por isto, os sinais de Deus não tinham espaço. Em Belém tudo se revestiu de significado e sentido. Não encontraram nada espantoso ou espetacular, mas somente uma família com um recém-nascido. Os três presentes são simples e significativos: ouro para reis e deuses; incenso para divindade e perfume para um grande homem.

Eles oferecem presentes, mas os magos é que foram presenteados por um sentido novo em suas vidas e para a humanidade. Algo profundo e especial aconteceu com eles: tinham se transformado em homens que se guiavam não mais pelas certezas humanas, mas pela fé que tem sua raiz na Palavra de Deus. Para o mundo era somente uma criança em seus primeiros momentos, para Herodes uma ameaça, mas para os magos era o próprio Deus que rege tudo e todos. Assim, se ajoelharam e o adoraram. O mais importante não foram os presentes (apesar de serem significativos), mas a constante busca e a força de vontade de procurar sempre, mesmo errando e com incertezas. Na caminhada que fizeram tudo foi ganhando sentido e os sinais foram tornando a viagem mais segura e certa. Sem o amadurecimento nos erros eles não teriam percebido que tudo estava tão fácil de ser encontrado.

Os magos do Oriente representam todas as pessoas de fé que em todos os tempos buscam se encontrar com Jesus e dar uma resposta ao sentido de suas vidas. Os sinais de Deus estão ao nosso lado, ao nosso redor e nas pessoas que convivemos. São grandes sinais, mas nas pequenas coisas. Toda salvação e todas as promessas tiveram significado quando encontram o Menino Deus, não no palácio do rei e nem no Templo de Jerusalém, mas em uma família e em um bebê nos braços de sua mãe.

Isaías na primeira leitura já tinha profetizado e dado a dica mais importante: levantar a cabeça e olhar para o céu. Assim, não somente o povo de Deus no AT, mas também os magos do Oriente colocaram em prática essas palavras. Assim, a fé cristã jamais deve esquecer que sua missão é levar Jesus para todas as pessoas e a todos os povos, concretizando as Palavras de São Paulo na segunda leitura. O apóstolo dos gentios nos lembra da alegria da mensagem de Deus que deve ser universal, pois todos os povos estrangeiros, em Jesus e no Batismo se tornam membros do mesmo corpo que é a Igreja e herdeiros das mesmas promessas de Cristo.

Mateus faz questão de lembrar que Jesus, o recém-nascido, estava com sua mãe: “acharam o menino com Maria, sua mãe” (v.11a). Em seus braços, o Eterno Rei recebe adoração e veneração. Maria é o amparo mais profundo para Jesus e ao mesmo tempo o trono onde o Messias é reconhecido. O destino da mãe e do filho estão selados para sempre!

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Mensagem de Ano Novo de dom Majella

Dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., arcebispo metropolitano de Pouso Alegre (MG), compartilhou nas mídias digitais, hoje (1º), mensagem de gratidão e pedido de bênçãos para o ano de 2023.

 

A arquidiocese de Pouso Alegre transmite a você as palavras do arcebispo e manifesta-lhe os votos de um excelente Ano Novo. Vivamos com esperança a missão de comunicar o Amor e a paz que Jesus nos ensinou! Em 2023, caminhemos juntos, atentos ao Espírito Santo e abertos ao diálogo. Queremos ser Igreja, caminho de comunhão para a missão!

Feliz 2023!

 

Ouça a mensagem de dom Majella:

 

Por tudo dai graças, dai graças por tudo!

Amado irmão, amada irmã,

No limiar de um novo ano, que se aproxima, venho desejar-lhe paz, saúde e prosperidade.

Que as bênçãos de Deus cheguem até você, sua família e todos aqueles que estão ao seu redor em abundância.

Bênção é vida! A pessoa abençoada, ela se fortalece, tem felicidade e alegria!

É o que eu lhe desejo para 2023!

Com as orações, a minha amizade e a fraternidade de estarmos caminhando juntos em 2022 possa se prolongar para 2023.

Meu abraço!

Feliz Ano Novo!

Dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R.

Arcebispo Metropolitano de Pouso Alegre

 

Texto: padre Thiago de Oliveira Raymundo
Trilha sonora: Música por Slip.stream - "First Morning In The New House" - https://slip.stream/tracks/54db5319-498c-41dd-b1df-36c9c63f8df9


Papa emérito Bento XVI falece no Vaticano

Matteo Bruni, diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, comunicou que o papa emérito Bento XVI faleceu nesta manhã (31), no Vaticano.

Eis o comunicado oficial:

"Com pesar informo que o Papa Emérito Bento XVI faleceu hoje às 9h34, no Mosteiro Mater Ecclesiae, no Vaticano. Assim que possível, serão enviadas novas informações”.

O papa Francisco, na última quarta (28), informou que o seu predecessor estava muito doente e pediu que os fiéis do mundo inteiro se unissem em oração pela saúde do papa emérito. Bento XVI tinha 95 anos e vivia no Mosteiro Mater Ecclesiae, no Vaticano, desde sua renúncia ao ministério petrino, em 2013.

O corpo do papa emérito estará na basílica de São Pedro para a saudação dos fiéis a partir de segunda (2). O funeral, presidido pelo papa Francisco, será na quinta (5), às 9h30 (5h30, horário de Brasília), na praça São Pedro.

Segundo o diretor da Sala de Imprensa, Bento XVI recebeu a unção dos enfermos na quarta (28), ao final da missa celebrada no mosteiro onde residia.

 

Nota oficial do arcebispo

Dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., arcebispo metropolitano de Pouso Alegre (MG), recebeu com pesar a notícia do falecimento do papa emérito Bento XVI. Em nota emitida pela chancelaria arquidiocesana, dom Majella destaca que Bento XVI o nomeou para o episcopado, para ser bispo de Jataí (GO), em dezembro de 2009. Além disso, dom Majella pede que os fiéis da arquidiocese de Pouso Alegre estejam unidos à Igreja neste momento de tristeza e, com preces, peçam pelo descanso eterno de Bento XVI e agradeçam a Deus pelo seu ministério a favor da Igreja Cristo.

 

Eis a nota oficial de dom Majella:

"Servo bom e fiel, entra na alegria do teu Senhor" (Mt 25).

Nossa arquidiocese, na esperança da Ressurreição, externa profunda tristeza pela passagem do papa emérito Bento XVI para a Casa do Pai. Ocorrida às portas de um novo ano, entra ele num eterno tempo e nas alegrias do Senhor a quem serviu humildemente na sua vinha.
Trago a lembrança e gratidão de ter sido nomeado bispo de Jataí por ele em dezembro de 2009 e peço a todos que elevemos nossa prece de ação de graças por uma vida tão longeva que tanto bem fez para a Igreja de Cristo e o sufrágio por seu descanso eterno.
Que a Bem Aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus, o receba em sua maternal bondade.
Descanse em paz!
Em preces!

Dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R.
Arcebispo Metropolitano de Pouso Alegre (MG)

 

Dom Majella esteve pessoalmente com o papa emérito Bento XVI. Veja algumas fotos do acervo pessoal do arcebispo de Pouso Alegre.

 

Em Aparecida, dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., como padre, encontrou-se com o papa emérito Bento XVI, por ocasião da V Conferência do Episcopado latino-americano e caribenho (CELAM), em 2007.
No Vaticano, no dia 13 de novembro de 2010, dom Majella, como bispo de Jataí (GO), encontrou-se com o papa Bento XVI.
No dia 12 de setembro de 2010, o papa Bento XVI recebeu dom Majella em Castel Gandolfo, residência de verão do papa. Na ocasião, Bento XVI recebeu a visita de novos bispos.
Como bispo de Jataí (GO), dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., participou da Visita ad Limina Apostolorum. Na ocasião, foi recebido por Bento XVI, no dia 13 de novembro 2010.

 

Texto: padre Thiago de Oliveira Raymundo e padre Jésus Andrade Guimarães
Imagens: Acervo pessoal de dom José Luiz Majella Delgado e Vatican Media


Santo Estêvão: primeiro mártir da história

Nesta semana, no dia 26 de dezembro, a Igreja celebrou a Festa de Santo Estêvão. Vamos conhecer um pouco da história deste mártir de nossa Igreja.

Homem cheio do Espírito Santo, foi um dos primeiros a seguir os apóstolos de Jesus. Acredita-se que ele era grego ou judeu, educado na cultura helênica. Estimado entre a Comunidade de Jerusalém, seu nome aparece no livro dos Atos dos Apóstolos como o primeiro entre os sete diáconos nomeados e ordenados, eleitos para ajudar na missão dos apóstolos.

No capítulo sexto, versículos de 1 a 6, do livro dos Atos dos Apóstolos, encontramos um relato sobre o chamado de Estêvão. Eis a descrição, tirada do capítulo sexto livro dos Atos dos Apóstolos:

“Naqueles dias, crescendo o número de discípulos, os judeus de fala grega entre eles queixaram-se dos judeus de fala hebraica, porque suas viúvas estavam sendo esquecidas na distribuição diária de alimento. Por isso os Doze reuniram todos os discípulos e disseram: 'Não é certo negligenciarmos o ministério da palavra de Deus, a fim de servir às mesas. Irmãos, escolham entre vocês sete homens de bom testemunho, cheios do Espírito e de sabedoria. Passaremos a eles essa tarefa e nos dedicaremos à oração e ao ministério da palavra'. Tal proposta agradou a todos. Então escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, além de Filipe, Prócoro, Nicanor, Timom, Pármenas e Nicolau, um convertido ao judaísmo, proveniente de Antioquia. Apresentaram esses homens aos apóstolos, os quais oraram e lhes impuseram as mãos".

Detido pelas autoridades judaicas, foi levado diante do Sinédrio (a suprema assembleia de Jerusalém), onde foi condenado por blasfêmia, sendo sentenciado a ser apedrejado. O seu martírio ocorreu entre o ano 31 e 36 da era cristã. Acompanhe a descrição extraída do capítulo sexto, versículos 8 a 15, do livro dos Atos dos Apóstolos:

"Estêvão, porém, cheio de graça e poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo. Levantaram-se então alguns da sinagoga, chamados dos Libertos e dos Cirenenses e dos Alexandrinos, e dos da Cicília e da Ásia e começaram a discutir com Estêvão, e não puderam resistir à sabedoria e ao Espírito com que ele falava. Subornaram então alguns homens que disseram: ‘Ouvimo-lo proferir palavras blasfematórias contra Moisés e contra Deus’. E amotinaram o povo e os Anciãos e Escribas e apoderaram-se dele e conduziram-no ao Sinédrio; e apresentaram falsas testemunhas que disseram: ‘Este homem não cessa de proferir palavras contra o Lugar Santo e contra a Lei; pois, ouvimo-lo dizer que Jesus, o Nazareno, destruirá este Lugar e mudará os usos que Moisés nos legou’. 15E todos os que estavam sentados no Sinédrio, tendo fixado os olhares sobre ele, viram o seu rosto como o rosto de um anjo".

Estêvão, como pretexto de sua autodefesa, aproveitou para iluminar as mentes de seus adversários. Primeiro, resumiu a história hebraica de Abraão até Salomão; em seguida, afirmou não ter falado contra Deus, nem contra Moisés, nem contra a Lei.

Demonstrou, de fato, que Deus se revelava também fora do Templo e se propunha a revelar a doutrina universal de Jesus como última manifestação de Deus, mas os seus adversários não o deixaram prosseguir no discurso: “(...) taparam os ouvidos e atiraram-se todos contra ele, em altos gritos" (At 7,57).

As palavras de Santo Estêvão custaram a sua vida. Gritavam em alta voz e apedrejaram-no. Entre os que aprovaram a sua morte, estava Saulo, que, mais tarde, se tornou São Paulo, Apóstolo dos Gentios. Enquanto Estêvão era apedrejado, pedia que Jesus perdoasse seus assassinos.

Durante os primeiros séculos do Cristianismo, o túmulo de Estêvão achou-se perdido, até que no ano 415, um padre de nome Luciano disse ter tido uma revelação de onde se encontrava a tumba do mártir, assim foi a descoberta das suas relíquias.

A festa do primeiro mártir é sempre celebrada no dia 26 de dezembro.

Oração

Deus eterno e todo-poderoso, que destes a Santo Estevão a graça de lutar pela justiça até a morte, concedei-nos, por sua intercessão, suportar, por vosso amor, as adversidades e correr ao encontro de Vós, que sois a nossa vida.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

Santo Estevão, rogai por nós!

 

Referências:

https://www.blog.gladysreligiosos.com.br/santo-estevao-primeiro-martir

https://formacao.cancaonova.com/diversos/santo-estevao

Imagem: Vatican Media

 


Campanha da Fraternidade 2023 será tema de formação arquidiocesana

Comissão "Comunidades de Fé a serviço da Vida Plena para Todos", da arquidiocese de Pouso Alegre (MG), promoverá no dia 15 de janeiro formação sobre a Campanha da Fraternidade 2023. Inscrições já estão abertas pelo WhatsApp da Secretaria Arquidiocesana de Pastoral.

 

A Campanha da Fraternidade (CF) é uma das maneiras de viver a espiritualidade do tempo quaresmal. Seu gesto concreto, proposto pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), é unir forças na construção de uma sociedade que melhor corresponda à mensagem do Evangelho.

 

CF 2023

Para 2023, os bispos do Brasil convidam os membros da Igreja Católica e a sociedade brasileira, em geral, a refletir, à luz da fé, o problema da fome no país, convictos de que ela é uma realidade que assola uma multidão.

Com o tema “Fraternidade e Fome” e o lema “Dai-lhes vós mesmos de comer!” (Mt 14, 16), a CF é um convite a promover um diálogo sobre a problemática da fome, à luz da fé cristã, além de propor caminhos em direção a um humanismo total e solidário.

Pela terceira vez o tema da fome é tratado na Campanha da Fraternidade pela Igreja no Brasil. A primeira foi em 1975, com o tema "Fraternidade é repartir" e o lema "Repartir o pão", no clima do Ano Eucarístico que precedeu o Congresso Eucarístico Nacional de Manaus, que trazia o mesmo tema e lema e desejava intensificar a vivência da Eucaristia em nosso povo. A segunda foi em 1985, por ocasião de outro Ano Eucarístico. Naquele ano, preparava-se o Congresso Eucarístico de Aparecida, com o lema "Pão para quem tem fome".

Depois do 18º Congresso Eucarístico Nacional, realizado em Recife (PE) de 11 a 15 de novembro de 2022, com o tema "Pão em todas as mesas", a Igreja no Brasil voltará a refletir, em 2023, o flagelo da fome. O lema escolhido pelos bispos do Brasil é uma ordem de Jesus aos seus discípulos: “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Mt 14,16).

 

Cartaz da CF 2023

No dia 25 de julho de 2022, a CNBB apresentou a identidade visual da CF 2023. Foi realizado um concurso para escolha do cartaz da campanha. A escolha coube aos membros do Conselho Permanente da CNBB. Foi escolhido o material produzido por Luiz Lopes Júnior, de Brasília (DF).

“Vemos no cartaz o mapa do Brasil, país considerado o celeiro do mundo, mas que carrega uma grande contradição: a fome é real e atinge hoje cerca de 33,1 milhões de brasileiros. Em destaque, contemplamos as mãos que repartem e dão vida a solidariedade guiada pela fé. O arroz e o feijão, alimento do povo, passam pelas mãos de homens e mulheres que sabem que a solução do problema da miséria e da fome não está somente nos recursos financeiros, mas na vida fraterna. Ninguém deve sofrer com a fome quando realmente vivemos como irmãos e irmãs. Eis o convite: “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Mt 14,16)”, divulgou a CNBB em seu site oficial.

Cartaz da Campanha da Fraternidade 2023. Autor: Luiz Lopes Júnior. Divulgação: CNBB.

Baixe o cartaz oficial da CF 2023.

 

Oração da CF 2023

Também no dia 25 de julho de 2022, a CNBB divulgou a oração da Campanha da Fraternidade 2023, aprovada pelos membros do Conselho Permanente da instituição.

Pai de bondade, ao ver a multidão faminta, vosso Filho encheu-se de compaixão, abençoou, repartiu os cinco pães e dois peixes e nos ensinou: “dai-lhes vós mesmos de comer”.
Confiantes na ação do Espírito Santo, vos pedimos: inspirai-nos o sonho de um mundo novo, de diálogo, justiça, igualdade e paz; ajudai-nos a promover uma sociedade mais solidária, sem fome, pobreza, violência e guerra; livrai-nos do pecado da indiferença com a vida.
Que Maria, nossa mãe, interceda por nós para acolhermos Jesus Cristo em cada pessoa, sobretudo nos abandonados, esquecidos e famintos. Amém.

 

Hino da CF 2023

No dia 5 de dezembro de 2022, a CNBB divulgou o hino da CF 2023. O material foi escolhido em dois concursos.

Entre os meses de maio e agosto deste ano, aconteceu concurso para escolha da letra do hino. Foi escolhida a letra de Clark Victor Frena e Geovan Luiz Alberton. Os dois são seminaristas dehonianos, membros do Seminário São José, em Rio Negrinho (SC).

Nos meses de agosto e setembro, aconteceu o concurso da melodia. Foi escolhida a melodia de Gabriel Belisario, da diocese de Guarapuava (PR).

As Edições CNBB, o Setor de Música Litúrgica da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da CNBB e o frei Wanderson Luiz Freitas coordenaram a gravação do hino.

O hino já está disponível nas principais plataformas digitais de música.

https://www.youtube.com/watch?v=dWrppMcbtd0&t=20s

Hino oficial da CF 2023. Letra: Clark Victor Frena e Geovan Luiz Alberton. Música: Gabriel Belisario. Divulgação: Edições CNBB/YouTube.

Letra

1. Vocação e missão da Igreja:
Responder ao apelo do Senhor (cf. Mt 14,16b)
De sermos no mundo a certeza
Da partilha, milagre do amor (cf. Mt 14,13-21).

R. Ó Bom Mestre, a vós recorremos (cf. Mt 14,13b)
Ajudai-nos a fome vencer
Recordai-nos o que nós devemos:
“Dai-lhes vós mesmos de comer” (Mt 14,16b).

2. Jesus Cristo, Pão da vida plena, (cf. Jo 6,35)
Em sua mesa nos faz assentar (cf. 1Sm 2,8)
E sacia a nossa pobreza
Para um mundo mais justo formar.

3. Unidos nesse tempo propício
De jejum, oração, caridade, (cf. Mt 6,1-18)
Recordemos, pois é nosso ofício
Cultivar e plantar a bondade.

4. A ausência da fraternidade
Nos leva a desviar o olhar (cf. Sr 4,5)
Do irmão que tem necessidade
De valor, alimento e lugar.

5. A fome agravada no mundo,
Vem de uma visão arrogante (cf. Pr 21,24)
A carência do amor mais profundo (cf. 1Jo 4,20-21)
Que nos torna irmãos tão distantes.

6. Nas cidades e em todo lugar,
Que se abra o nosso coração (cf. Ef 1,18)
À alegria de poder partilhar (cf. At 2,42)
O pão nosso em feliz oração (cf. Mt 6,11).

Ficha técnica

Direção musical, arranjos, piano e baixo: Frei Wanderson Luiz Freitas, O. Carm.
Violão e percussão: Evandro Jorge de Lima
Cantores: Frei Wanderson Freitas, Roberto Dutra e Jennyfhem Mendonça
Gravação, edição, mixagem e masterização: Evandro Jorge de Lima – Fiat Home Studio (Jaboatão dos Guararapes – PE)
Letra: Clark Victor Frena e Geovan Luiz Alberton
Música: Gabriel Belisário Clipe
Edição: Paloma Timo
Direção: Wheverton Borges

 

Encontro de Formação da CF 2023

A arquidiocese de Pouso Alegre, por meio da Comissão "Comunidades de Fé a serviço da Vida Plena para Todos", coordenada pelo padre Odair Lourenço Ribeiro, convida os fiéis das paróquias a participarem do Encontro de Formação da CF 2023, no dia 15 de janeiro de 2023, a partir das 7h, na paróquia São João Batista, em Pouso Alegre.

Para o evento, são convidados 3 agentes de pastoral de cada paróquia da arquidiocese e não haverá custo para participação. Inscrições podem ser feitas pelas paróquias até o dia 11 de janeiro, quarta-feira, exclusivamente pelo WhatsApp da Secretaria Arquidiocesana de Pastoral - (35) 99738-2847.

O encontro terá a participação do padre Jean Poul Hansen, da diocese da Campanha (MG) e assessor das Campanhas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Baixe a carta-convite do Encontro de Formação sobre a CF 2023.

 

Os subsídios da CF 2023 estão disponíveis no site da Edições CNBB.

 

Texto: padre Thiago de Oliveira Raymundo
Imagens: CNBB