#Reflexão: 3º Domingo da Páscoa (01 de maio)
A Igreja celebra, no dia 01, o 3º Domingo da Páscoa. Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: At 5,27b-32.40b-41
Salmo: Sl 29, 2.4.5-6.11.12a.13b (R.2a)
2ª Leitura: Ap 5, 11-14
Evangelho: Jo 21, 1-19
AMOR QUE CONDUZ AO SERVIÇO
No Evangelho deste domingo encontramos mais um relato da aparição de Cristo, mas, desta vez, com alguns detalhes diferentes. Sendo um relato de São João, cada particular ganha uma expressão especial que vai além do local, dos personagens e dos detalhes da cena.
Jesus se manifesta aos seus discípulos, mas João nos lembra no início e repete na narrativa que não foi a primeira vez. Tudo acontece não em Jerusalém e dentro de uma casa, mas no lago da Galileia chamado de “mar de Tiberíades” (mar para expressar as forças contrárias e os desafios onde a Igreja de Cristo se encontra). Os discípulos, não obstante tudo que já tinham visto e ouvido, mostram-se estranhos, distantes e incapazes de reconhecer Jesus ressuscitado.
Sete são os discípulos que participam deste episódio (sete para representar a totalidade). Pedro que tinha sido revestido com um serviço especial junto ao grupo dos apóstolos, anuncia que ia pescar (Jesus lhe tinha proposto no início do seu chamado de ser pescador de homens) e os outros lhe seguem. No mar, depois de uma noite de trabalho, eles nada conseguem pegar. Terminado a noite de pesca e já no início do dia, retornando para praia de onde partiram, eles encontram Jesus, mas ninguém o reconhece.
Cristo espera todos na praia. A pergunta de Jesus, serve somente para se aproximar de todos que estavam tão atarefados com aquilo que sempre fizeram que nem percebem que se tratava de Cristo ressuscitado. Em João, Jesus ressuscitado “puxa conversa” como se fosse um estranho: aqui chama os discípulos de “moços”; para Maria Madalena, se dirige a ela chamando-a de “mulher” (Jo 20,11-18). A frustração já tinha se iniciado quando procuraram fazer tudo somente com as técnicas e com o conhecimento que tinham daquela profissão que sempre exerceram. Jesus Cristo e tudo que eles tinham experimentado com o Mestre, tinha fica em terra e nada tinham levado de Cristo com eles naquela barca.
Isto representa muito bem aqueles que afirmam que a fé em Deus é algo que serve somente para “dentro” das paredes de um templo e em nada pode (ou nem deve) nos ajudar em nossa vida. Uma religião que é vivida em alguns momentos ou somente naquelas situações de desespero pode correr o risco de não ajudar a enxergar Jesus que sempre está conosco, mesmo quando não estamos com Ele.
Os apóstolos tinham tido muitas experiências com Jesus antes e depois de sua ressurreição, mas eles não estavam conseguindo aplicar tudo isto para o dia a dia, para as coisas comuns e corriqueiras da vida, como em sua vida profissional. Mas, Jesus não nos abandona e possui uma paciência rica de misericórdia. Assim, propõe algo a Pedro que lhe fez recordar sua vocação; lhe sugere, mais uma vez, contrariando tudo que conheciam da pesca (já era dia e próximo da margem), de retomarem a pesca. Cristo não ordena e nem obriga, mas propõe como sempre fizera em sua vida. Eles acolhem a sugestão e depositando toda confiança naquelas palavras, lançam mais uma vez as redes. A pesca milagrosa foi o sinal de que tudo não foi casual e nem sorte de pescador. O discípulo amado, João, mais uma vez percebe antes, por primeiro e alerta os outros: “É o Senhor!”.
Era necessário resgatar no coração dos discípulos, que deveriam enfrentar tantas tempestades conduzindo a Igreja e que o fundamental é sempre escutar, acolher e acreditar nas Palavras de Jesus que não quer nos atrapalhar, mas nos ajudar a “pescar melhor” e com mais abundância. Fé não significa abandonar nossa vida, mas revestir tudo com a presença e a misericórdia de Deus. Tal passagem nos outros Evangelhos é recorda no início da formação do grupo dos apóstolos; São João preferiu situar neste momento em que os apóstolos renovam sua vocação de “pescadores de homens” para Deus.
Pedro que disse que iria pescar e foi seguido pelos outros, se veste com um manto e se joga na água. Simbólico o que propõe São João. É necessário se revestir das palavras de Cristo, daquilo que Ele nos pede e crer plenamente, como alguém que se joga na água confiando sempre e somente nas Palavras de Cristo. Longe de Jesus e sozinhos com seus projetos era com se estivessem nus e sem destino. Os outros correram para acudir as redes plenas de peixe. A fé dos apóstolos (da Igreja de Cristo) quando está realmente depositada em Jesus é capaz de recolher toda humanidade em suas redes (153 era o número de espécies de peixes que conheciam).
Cristo na praia, no início da conversa, tinha pedido peixe para comer. O apóstolo ao se aproximar de Jesus encontra tudo preparado: pães e peixes prontos para comer, mas Nosso Senhor pede que fossem acrescentados alguns daqueles que eles tinham pescado. Jesus sugere sempre para sua comunidade, mas Ele mesmo prepara tudo e pede que acrescentemos a nossa parte: nossa fé e nossa confiança. Tal refeição, nos recorda a Eucaristia: pão e vinho que ofertamos que são transformados no Senhor Jesus. Assim, juntos podemos saciar o mundo da fome que a humanidade possui do alimento (Eucaristia) que é Jesus.
A pesca somente foi frutífera quando confiaram em Jesus, indo além da lógica, do conhecimento e das seguranças humanas, mas o resultado de tudo é compartilhado com todos. O gesto de Cristo de dividir e dar os peixes e os pães foi algo que marcou a vida de Jesus e foi um dos últimos gestos que os discípulos e os apóstolos experimentaram antes da Paixão do Senhor. Em toda Eucaristia que celebramos, nós renovamos nossa fé que o mesmo Cristo se faz presente entre nós, nos orienta o que devemos fazer, mas principalmente nos alimenta com Ele mesmo.
Gestos e Palavras que deveriam ser repetidos não como ensinamento somente, mas expressão de vida e daquilo que é centro de nossa existência: o amor. Na comunhão dos pães e peixes, Jesus dialoga com Pedro, pois ele deveria conduzir a todos na missão de anunciar Cristo para o mundo. Nosso Senhor no diálogo que estabelece com seu discípulo não quer saber de nada mais do que o seu amor. Ao perguntar, Cristo lhe recorda que o mais importante é o seu amor (“Tu me amas?”), mais do que conhecimento, regras ou obrigações, tudo deve ser feito a partir da experiência máxima do amor, mas daquele Amor que Jesus nos ensinou doando-se até a morte de Cruz (“Ágape”). Jesus Ressuscitado reforça para seu 1º apóstolo que “Amor Pleno” está ligado ao serviço: “apascenta minhas ovelhas”, é cuidado do próximo que mostramos nosso amor a Deus. Pedro na última ceia tinha dito a Jesus que daria sua vida, Jesus lhe apresenta o caminho que é o Ágape (amor perfeito). A insistência de Cristo em perguntar três vezes foi para ajudar a Pedro a não se esquecer que, o que é fundamental em sua vida e depois na vida de todos é doar-se plenamente como o próprio Senhor Jesus ensinou a todos.
O amor de Jesus é sem limites e tão grande que quem o experimenta tem toda sua vida transformada e nada pode trazer tristeza. Na primeira leitura, encontramos Pedro e outros discípulos que sem medo e sem limites pregam o amor de Jesus em toda Jerusalém. Os apóstolos aprenderam que era preciso obedecer primeiro a Deus. Pedro procura lembrar as autoridades religiosas que, acima de tudo, eles são testemunhas de tudo que anunciam e era algo tão grande, tão forte e significativo que eles não podiam reter tudo somente para eles. As humilhações e as dores que sofreram eram um nada diante de tudo que Jesus representava para eles. De fato, se temos Jesus Cristo, temos tudo em nossa vida.
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Dom Majella visita Marmelópolis por ocasião do jubileu da arquidiocese
Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Marmelópolis (MG), recebeu a visita de dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., arcebispo metropolitano, nos dias 23 e 24, por ocasião da preparação do jubileu de 60 anos de criação da arquidiocese de Pouso Alegre (MG). Essa comemoração será no dia 23 de setembro deste ano.
A visita episcopal contou com a celebração de missa solene, no dia 23, na igreja matriz Nossa Senhora Aparecida, em Marmelópolis, com a participação do pároco, padre Valdair Benedito Peres, dos seminaristas Iago Gabriel e Leonardo Henrique e dos fiéis da paróquia Nossa Senhora Aparecida.
Da esquerda para a direita, seminarista Iago, dom Majella, padre Valdair e seminarista Leonardo.
Até o dia 23 de setembro, dom Majella está visitando paróquias da arquidiocese para marcar a preparação arquidiocesana para a celebração de seu jubileu de 60 anos de criação. No dia 23 de setembro de 1962, a diocese de Pouso Alegre foi instalada canonicamente como sede arquiepiscopal, criada pela bula Qui tanquam Petrus, no dia 14 de abril daquele ano.
Brasão da arquidiocese e banner do 1º Sínodo são apresentados pelos fiéis de Marmelópolis na missa em preparação ao jubileu de 60 anos da arquidiocese.
Na missa, em Marmelópolis, o arcebispo foi acolhido pelos fiéis e pelo pároco. Na celebração da missa, foram entronizados solenemente a imagem de São Sebastião, padroeiro da arquidiocese, a imagem do brasão arquidiocesano e o banner do 1º Sínodo arquidiocesano.
Imagem de São Sebastião, padroeiro da arquidiocese, é entronizada por fiel de Marmelópolis.
Ao final da missa, dom Majella recebeu da paróquia uma placa comemorativa de sua visita. Além disso, hoje (24), o arcebispo visitou a comunidade rural Cubatão de Cima, onde foi acolhido pelos fiéis e aconteceu uma confraternização.
Da esquerda para a direita, seminaristas Iago e Leonardo, dom Majella e padre Valdair, na missa em preparação ao jubileu de 60 anos da arquidiocese, em Marmelópolis.
A paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Marmelópolis, foi criada por dom Majella no dia 20 de janeiro de 2016 e instalada oficialmente no dia 21 de fevereiro daquele ano, desmembrada da paróquia Nossa Senhora da Soledade, em Delfim Moreira (MG). Seu primeiro pároco foi o padre Rodrigo Aparecido Domingues, MSC, já que as comunidades que deram origem à paróquia estavam sob os cuidados pastorais dos padres missionários do Sagrado Coração (MSC). A partir de setembro de 2019, a paróquia Nossa Senhora Aparecida foi confiada aos cuidados do clero arquidiocesano. Desde o dia 7 de setembro daquele ano, padre Valdair Benedito Peres é o segundo pároco da paróquia.
Dom Majella e fiéis da comunidade rural Cubatão de Cima, da paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Marmelópolis, hoje (24).
Até o dia 23 de setembro deste ano, ocorrerão outras missas em preparação ao jubileu da arquidiocese, com a presença do arcebispo: 23 de junho, em Albertina (MG); 23 de julho, em Itajubá (MG), na paróquia Sagrada Família, e 23 de agosto, em Pouso Alegre, na paróquia São José Operário.
Matéria: padre Thiago de Oliveira Raymundo.
Imagens: José Renato Ribeiro, da Pascom/Paróquia Nossa Senhora Aparecida/Marmelópolis.
A imagem destacada da notícia traz dom Majella apresentando placa comemorativa de sua visita a Marmelópolis, por ocasião da preparação da celebração dos 60 anos da arquidiocese, no dia 23 de abril de 2022.
Seguem mais fotos do evento.
Paróquias iniciam atividades do 1º Sínodo arquidiocesano
Após a abertura oficial do 1º Sínodo, no dia 14 de abril, Quinta-feira Santa, na catedral metropolitana, em Pouso Alegre (MG), por dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., arcebispo, paróquias da arquidiocese iniciam atividades da fase paroquial desse evento sinodal.
Neste final de semana (23 e 24), 2º Domingo da Páscoa e da Divina Misericórdia, paróquias da arquidiocese de Pouso Alegre iniciaram as atividades da fase paroquial do 1º Sínodo arquidiocesano. Para marcar o início das atividades paroquiais, ocorreram missas, bênçãos, formação e confraternização com a participação de padres, seminaristas e demais cristãos leigos representantes das comunidades.
Para simbolizar o início da etapa paroquial do 1º Sínodo, os fiéis das comunidades foram enviados pelos padres, receberam velas comemorativas e o subsídio dos encontros paroquiais.
Você acompanha, nesta matéria, fotos das atividades de abertura nas paróquias São Cristóvão, em Pouso Alegre; São José, no distrito do Pântano, dessa mesma cidade; São João Batista, em Cachoeira de Minas (MG); Santo Antônio, em Ouro Fino (MG); Nossa Senhora da Conceição, em Camanducaia (MG); São Sebastião, em Itapeva (MG); São Francisco de Paula, em Poço Fundo (MG); São Sebastião, em Andradas (MG), São Sebastião e São Roque, em Bom Repouso (MG), e Nossa Senhora da Piedade, em Turvolândia (MG).
Padre Simão Cirineo Ferreira e fiéis da paróquia São Sebastião, em Andradas, iniciam as atividades do 1º Sínodo.
A abertura da fase paroquial está sendo feita nas demais paróquias da arquidiocese, conforme programação local.
Padre Clemildes de Paiva, seminaristas e demais cristãos leigos participantes do 1º Sínodo, da paróquia São Cristóvão, em Pouso Alegre.
O 1º Sínodo arquidiocesano foi iniciado oficialmente no dia 14 de abril, Quinta-feira Santa, na catedral metropolitana, em Pouso Alegre, com a leitura do seu decreto de abertura, lançado por dom Majella.
Padre Ivan Paulo Moreira e cristãos leigos do 1º Sínodo, da paróquia São João Batista, em Cachoeira de Minas.
O caminho sinodal será iluminado pelo tema “Igreja, caminho de comunhão para a missão” e, pelo lema, “Aproximou-se e pôs-se a caminhar com eles” (Lc 24, 15).
Padre Marcos Roberto da Silva e cristãos leigos do 1º Sínodo, da paróquia São José, no distrito do Pântano, em Pouso Alegre.
Os objetivos do 1º Sínodo são:
1) aproximar o olhar da realidade atual em que vivem as paróquias da arquidiocese, enquanto rede de comunidades, e envolver todas as forças vivas para o exercício de escuta sinodal, diante dos desafios que se apresentam no caminho da ação evangelizadora;
Padre João Luiz Ferreira Peçanha e fiéis da paróquia São Sebastião, em Itapeva, iniciam o 1º Sínodo.
2) pôr-se ao encontro de todas as pessoas, sentir a realidade, no esforço contínuo de sair ao encontro dos mais afastados, acolhendo-os e integrando-os na caminhada eclesial e daqueles com os quais a Igreja é chamada ao diálogo ecumênico e inter-religioso;
Giovana Costa Carvalho, da paróquia São João Batista, em Cachoeira de Minas, iniciou as atividades do 1º Sínodo com a comunidade rural Jacarandá.
3) caminhar juntos no itinerário sinodal, aberto à ação vivificante do Espírito que mostra novos caminhos e novos métodos, redescobrindo a alegria de viver a vocação ao discipulado-missionário na Igreja e testemunhando a comunhão na diversidade e a missão no mundo.
Padre José Setembrino de Melo, padre Thiago de Oliveira Raymundo e cristãos leigos das comunidades, animadores paroquiais do 1º Sínodo, da paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Camanducaia.
Para participar do 1º Sínodo, procure a secretaria e/ou o padre da sua paróquia. Os encontros paroquiais desse evento arquidiocesano serão realizados de abril a novembro deste ano para escutar os cristãos e pessoas de boa vontade que desejam manifestar suas sugestões para as ações pastorais da Igreja.
Fiéis da paróquia São Francisco de Paula, em Poço Fundo, realizam encontro do 1º Sínodo.
Padre Francisco Carlos Neto e fiéis da paróquia São Sebastião e São Roque, em Bom Repouso, iniciam o 1º Sínodo.
Padre Vanderlei Assis Xavier e fiéis da paróquia Nossa Senhora da Piedade, em Turvolândia, se reúnem para atividades do 1º Sínodo.
Matéria: padre Thiago de Oliveira Raymundo.
Imagens: Pascom (das paróquias citadas na matéria).
A imagem destacada da notícia traz fiéis cristãos leigos da paróquia Santo Antônio, em Ouro Fino, reunidos para abertura paroquial do 1º Sínodo, no dia 23 de abril, acompanhados pelo seminarista Dioni Acácio.
Seguem mais fotos da abertura do 1º Sínodo nas paróquias.
Diácono Rafael é ordenado padre
A arquidiocese de Pouso Alegre celebrou, hoje (23), a ordenação presbiteral do padre Rafael Silveira Pires Xavier. A cerimônia aconteceu na igreja matriz de São Sebastião, em Senador José Bento (MG), às 9h30. Presidiu a cerimônia, dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R, arcebispo metropolitano. Diversos padres do clero arquidiocesano, de outras dioceses e religiosos estiveram presentes. Seminaristas, familiares e amigos do neossacerdote acompanharam a ordenação presencialmente e pelas redes sociais.
#Reflexão: 2º Domingo da Páscoa (24 de abril)
A Igreja celebra, no dia 24, o 2º Domingo da Páscoa. Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: At 5,12-16
Salmo: Sl 117,2-4.22-24.25-27a(R.1)
2ª Leitura: Jo 1,9-11a.12-13.17-19
Evangelho: Jo 20,19-31
MEU SENHOR E MEU DEUS
A Páscoa de Cristo é o centro da nossa fé cristã, pois acreditamos que tudo que Ele enfrentou e, principalmente, a sua ressurreição foram vitórias também para nós: seguindo os passos de Jesus, também nós venceremos a morte. Porém, não foi fácil para os discípulos descobrirem esse tesouro deixado a nós por Jesus.
Os relatos da ressurreição, quase sempre, partem da dura realidade que os discípulos e apóstolos ainda estavam vivenciando em relação a tudo que acontecera com Jesus, dias atrás. A última imagem para alguns fora a morte durante a crucificação, para outros, o corpo depositado no sepulcro. Entretanto, o Cristo Senhor é paciencioso com todos os seus discípulos e, gradualmente, foi resgatando cada um com um gesto ou uma palavra que ficara como forte sinal Dele durante os anos de convivência nas terras da Galileia.
O Evangelho deste domingo relembra a experiência do grupo dos apóstolos, que recebe a visita de Cristo Ressuscitado. A paciência de Nosso Senhor para com os discípulos revela, mais uma vez, a grande misericórdia de Deus, que procura se adaptar e se nivelar as nossas dificuldades de entender e de acreditar.
Aquele primeiro dia da semana (como na 2ª leitura), logo após a Páscoa dos judeus, transformou-se no dia da Páscoa de Jesus. Desde o amanhecer, vários discípulos (começando com as mulheres) experimentaram a presença do Ressuscitado. Além dos sinais da ressurreição (como sepulcro vazio e os panos dobrados), Cristo se mostrou aos seus discípulos que não esperavam tal reviravolta em relação a tudo que experimentaram.
João evangelista conta em seu Evangelho que tudo aconteceu quando todos estavam reunidos. Talvez depois de várias manifestações do Cristo Ressuscitado, eles resolveram se encontrar para discutir, compartilhar suas experiências, rezar e procurar entender o que estava acontecendo. Muitas perguntas e dúvidas ainda pairavam sobre o grupo. Naquele dia da Páscoa de Jesus, nem todos estavam presentes. Judas escolhera um caminho sem volta e Tomé não se encontrava com os outros apóstolos. Ele não foi encontrado? Estava perdido em seus pensamentos? Nada sabemos sobre isso.
Os discípulos e apóstolos se reuniram movidos ainda por tantos temores e dúvidas, mas, mesmo assim, estavam juntos. Aprenderam que, como grupo, é mais fácil entender e descobrir a vontade de Deus. O medo ainda rondava a todos (portas fechadas... por medo dos judeus). João nos fala que Cristo se faz presente no meio deles. Ele deve ser sempre o centro, mesmo que, ao redor, tudo se mostre sinistro e espantoso. Jesus deve ser sempre o maior.
Duas atitudes de Cristo marcaram aquele encontro com os discípulos: Ele deseja paz e mostra suas mãos e o lado aberto. A paz, certamente, foi um dos dons que mais Jesus insistiu em sua vida, tanto em seus ensinamentos como em suas ações. Ela é fruto da experiência e comunhão com nosso Deus, que é sempre misericordioso. Paz não significa “não ter problema”, “não enfrentar dificuldades”, mas equilíbrio interno com o externo (com o mundo) e tranquilidade que somente Deus pode nos dar. Uma pessoa pode estar cercada de desafios e problemas (como os discípulos), mas, se Jesus vivo está no centro de tudo, ela, certamente, estará em paz. O gesto de Jesus mostra os sinais da crucificação (Ele o faz duas vezes). Isso é uma forma de confirmar que não se trata de um fantasma ou uma ilusão, mas é o mesmo e próprio Senhor Jesus que eles conheceram. Não existe Páscoa sem a cruz. A Ressurreição de Cristo não cancela a Sexta-feira Santa, mas a transforma e dá um novo significado para toda a humanidade. Cruz e Páscoa fazem parte da mesma estrada que nos conduz à Vida Eterna, porque a morte de Jesus na cruz não foi um fato qualquer e comum, mas algo que mudou o destino da humanidade: a morte não é mais o último quarto para todos, pois Cristo a transformou em uma porta que se fecha para esta história e que se abre para a eternidade. Para nós cristãos, a morte é uma passagem.
Jesus Ressuscitado deixa claro que o dom maior que Ele quer confirmar nos corações de todos é a paz e não a vingança ou o ódio. Era necessário que eles recebessem essa primeira graça para transmiti-la aos outros. Por isso, Cristo concede outro dom através do sopro (lembrando Deus na criação): perdoar os pecados. O mundo, ao redor deles, estava impregnado de ódio e de ira contra o Deus da Misericórdia de Jesus. Os discípulos não poderiam entrar naquele mesmo jogo de violência. Precisavam semear paz e misericórdia. Assim, Jesus os transforma em semeadores da paz e do perdão dos pecados. Jesus relembra que a missão que estava dando a todos era a mesma que Ele recebera de Deus Pai: continuar destruindo o mal em sua forma mais profunda, o pecado. Assim, os discípulos são transformados em ministros da reconciliação. Todos nós, cristãos, somos chamados a viver a prática do perdão dos pecados, principalmente, através do Sacramento da Reconciliação.
Porém, João evangelista nos diz que, naquele primeiro encontro da comunidade dos discípulos de Cristo, Tomé não estava presente. Talvez ele ainda estivesse procurando entender o que estava acontecendo. Ele era uma pessoa de fé, mas o seu erro foi procurar tudo segundo seus critérios, sozinho e uma lógica pessoal.
Tomé deve ter procurado os discípulos depois daquele encontro que eles tiveram com o Ressuscitado. Eles devem ter narrado, com alegria, aquilo que viram, receberam e experimentaram: “Vimos o Senhor”. Isso mostra não uma fé pessoal ou solitária, mas a fé de uma comunidade. Tomé ainda estava fechado em seu mundo pessoal, acreditando segundo seus critérios e ainda querendo condicionar Jesus aos seus princípios de fé. As exigências que Tomé impõe para acreditar são todas pessoais: Se não vir... se não puser... se não introduzir. No fundo, ele não acredita no testemunho de fé da Igreja de Cristo. Ele mesmo queria experimentar o que eles testemunhavam.
Mesmo assim, Deus é sempre paciencioso e misericordioso. Uma semana depois da primeira manifestação significativa para a comunidade de fé de Cristo, novamente, no dia da Páscoa de Jesus, Nosso Senhor se faz presente com as mesmas palavras e gestos. Desta vez, Tomé estava lá, talvez curioso ou já arrependido de sua procura pessoal pelo ressuscitado. Cristo, logo após saudar a todos, resolveu se submeter aos “caprichos” e às exigências de Tomé para acreditar. Agora, tudo era diferente: tudo acontecia na comunidade em oração. Porém, a história com Tomé percorreu outro caminho.
Aquele discípulo que se mostrava tão distante e até descrente, em comunidade, redescobre a verdadeira fé. A sua frase: “Meu Senhor e Meu Deus” é uma profunda revelação da fé em Cristo como Senhor e Deus. Apesar de suas exigências pessoais e até da “submissão” de Jesus aos seus desejos para ele crer, tudo indica que Tomé não tocou em Cristo. O testemunho e a fé em comunidade, possivelmente, já foram suficientes para que ele acreditasse em Jesus, seu Senhor e Deus. Não era mais necessário tocar, mas a sua fé (redescoberta em comunidade) já tinha aberto os seus olhos e o seu coração: se trata realmente do mesmo Jesus que ele amava!
A experiência de fé dos discípulos e apóstolos é o principal instrumento da nossa fé em Cristo ressuscitado. Acreditamos, porque muitos acreditaram e acreditam e, assim, como comunidade, experimentamos, juntos, a paz de Cristo e recebemos todos os dons que Deus quer sempre nos dar para podermos sair pelo mundo, sem medo, e viver a nossa fé em Cristo.
A partir da experiência do Ressuscitado, os apóstolos se tornaram testemunhas mais qualificadas para anunciar a paz, como observamos na 1ª leitura, com Pedro, e, com João, na 2ª leitura. Eles foram testemunhas que transformam os sinais da presença de Cristo Ressuscitado no próprio sentido da vida.
Jesus procurou transformar o coração de todos para poderem transmitir a todos a alegria de uma fé que produz vida e não morte, que converte tudo em graça, como Pedro na 1ª leitura: até sua sombra era instrumento de Deus para propagar bênçãos para os outros.
Em comunidade de fé, no dia especial da Páscoa de Jesus (o Domingo, como também nos lembra a 2ª leitura), sempre, somos revigorados e alimentados com a presença de Cristo Vivo, o nosso centro e a nossa vida. Fortalecidos por Jesus Ressuscitado, podemos caminhar pela vida até nosso encontro final com Deus.
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A proposta espiritual do papa Francisco para um mundo desintegrado
“O tempo é superior ao espaço".
Francisco na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium
Depois do flagelo da pandemia, a guerra! Um terceiro conflito mundial? Muitos analistas de geopolítica internacional afirmam que o atual conflito da Rússia contra o Ocidente, que tem como palco a Ucrânia, é apenas um dos sinais de reorganização da governança mundial. Dizem esses analistas que assistimos a uma grande novidade: o possível desenho do imperialismo internacional multipolar, ou seja, com o poder mais distribuído entre vários países. “Coisa boa, coisa ruim, quem é que sabe”?, diria dom Valfredo Tepe, que foi bispo de Ilhéus na Bahia. O povo ucraniano está apenas pagando o preço dessa reorganização internacional. Como em todas as guerras, o povo inocente paga pelas decisões dos grandes. A verdade é que mais do que nunca o futuro parece incerto.
Assim, a pergunta que se impõe é: como nós, pessoas religiosas e cristãs, podemos contribuir, a partir de nossa fé e de nossa espiritualidade, com a reconstrução do mundo nesse contexto de sofrimentos e incertezas? Somos chamadas e chamados a ser gente da esperança sempre! É preciso lembrar ainda, que, para aquém das grandes questões da política e geopolítica, temos as inúmeras dificuldades da própria comunidade, de nossas famílias e as pessoais. A constatação que fazemos é que nosso tempo se apresenta como um tempo de desintegração. Não é só a governança global que ora se esfarela a olhos vistos. Também se desintegra nosso projeto de país inclusivo e desenvolvido: nossas comunidades religiosas e sociais e o nosso “eu” mais íntimo sentem-se partidos em muitos pedaços. Como cristãs e cristãos católicos, sofremos as dores do fim da cristandade que por séculos nos dava uma certa segurança.
Para apontar algumas pistas à questão anterior faço uso de um artigo da teóloga leiga Lúcia Pedrosa, publicado na revista Cultura Teológica em março de 2021. Sim, há teólogos e teólogas leigos como Lúcia Pedrosa, Ivenise Santinon, Celso Carias e eles estão em nosso meio. Esses três contribuem com a Comissão para o Laicato da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O texto de Lúcia Pedrosa, intitulado “Linhas-força da espiritualidade do Papa Francisco: uma reforma a partir de dentro da Igreja”, tem algo a dizer no contexto descrito acima. Nele, a autora indica a espiritualidade do magistério do papa Francisco como uma proposta integradora que convida, mais que a própria Igreja, a cada pessoa cristã a voltar, sem medo, à essência de sua fé que é o Evangelho. Essa seria uma contribuição dele com o mundo. Lúcia Pedrosa aponta inicialmente que o papa faz uma denúncia constante e bem fundamentada de espiritualidades desintegradoras que não estão fundadas em Jesus Cristo. Nas exortações apostólicas Evangelii Gaudium (2013), especialmente números 93 a 97, e Gaudete et Exsultate (2018), ele aponta, sobretudo, os novos “gnosticismos” e “pelagianismos” como perigosos. Em seguida, descreve “As cinco Linhas-forças da espiritualidade de Francisco”, que são:
1. O Evangelho, fonte do caminho espiritual multidimensional: uma espiritualidade centrada no coração do Evangelho;
2. A formação de verdadeiros sujeitos na Igreja e na sociedade: a construção de sujeitos ativos eclesial e socialmente;
3. O visível e invisível integrados e coerentes, que procura superar, por um lado, uma espiritualidade desencarnada e, por outro, um ativismo cristão sem mística;
4. A oração e contemplação como alimento das motivações profundas, propondo um “reconectar-se” com um Deus amor, que tem um plano para a humanidade, o Reino dos Céus; aqui, o papa propõe, a escuta da Palavra revelada, do povo e da natureza – criação;
E, por fim:
5. A cura das relações e a reconstrução dos vínculos, a partir dos pobres, como caminho espiritual concreto.
Este texto quer, na verdade, fazer um convite a uma leitura reflexiva do artigo citado, que se encontra disponível no site da Revista de Cultura Teológica, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
Em tempos de desintegração e de incertezas, é preciso entender, como o papa Francisco, que o “tempo é superior ao espaço” e que é preciso construir pontes e não muros.
A imagem destacada da notícia traz um dos encontros do papa Francisco na Casa Santa Marta. Autoria: Vatican Media.

Primeiro Sínodo arquidiocesano é iniciado
Na missa da Unidade e bênção dos santos óleos, missa do Crisma, celebrada na catedral metropolitana Bom Jesus, hoje (14), dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., arcebispo metropolitano de Pouso Alegre (MG), apresentou o decreto de abertura do 1º Sínodo arquidiocesano. Estiveram presentes os membros das comissões desse evento, membros do clero arquidiocesano, seminaristas, religiosos e fiéis cristãos leigos das paróquias, que vão assessorar as atividades do Sínodo. Padres, religiosos e seminaristas de outras dioceses e congregações que atuam na arquidiocese durante a Semana Santa também estiveram presentes para a renovação de suas promessas vocacionais.
O início oficial do 1º Sínodo aconteceu com a leitura do seu decreto de abertura pelo padre Jésus Andrade Guimarães, chanceler do arcebispado; a acolhida de símbolos relativos a esse evento (um banner com a logomarca oficial; uma rede, simbolizando os setores pastorais da arquidiocese, e uma vela) e o canto do hino oficial do 1º Sínodo.
Leia na íntegra o decreto de abertura do 1º Sínodo.
A abertura aconteceu no dia que a arquidiocese celebra 60 anos de sua criação pelo papa João XXIII, com a bula pontifícia Qui tanquam Petrus. Com esse documento, a diocese de Pouso Alegre foi elevada à condição de sede arquiepiscopal, no dia 14 de abril de 1962. Com isso, foi criada também a província eclesiástica de Pouso Alegre, tendo como sufragâneas as dioceses da Campanha e de Guaxupé. Naquela ocasião, dom José d’Ângelo Neto tornou-se o primeiro arcebispo. No dia 23 de setembro deste ano, serão celebrados os 60 anos da instalação da arquidiocese. Considerando essa data histórica e especial, iniciou-se o 1º Sínodo arquidiocesano como momento oportuno de escuta, encontro e diálogo para a missão de caminhar juntos.
Padres presentes na missa do Crisma, na procissão de entrada, diante da catedral metropolitana.
Para o arcebispo, a abertura do Sínodo se dá como “(...) ato de comunhão, corresponsabilidade e coparticipação para dar início a via sinodal da arquidiocese, colocando sobre o altar do Senhor o sonho de caminhar juntos”.
Irmã Patrícia, da Providência de GAP; uma criança, chamada Lucas; um fiel leigo; padre Mauro Ricardo e padre Edson apresentam símbolos do 1º Sínodo.
Na missa, participaram de modo especial: padre Mauro Ricardo de Freitas, padre Tiago da Silva Vilela e Dalva Rangel da Veiga Neri, da secretaria executiva do 1º Sínodo; os padres Dirlei Abercio da Rosa, Eduardo Rodrigues da Silva e Edson Aparecido da Silva, da coordenação executiva do 1º Sínodo, e demais membros das outras comissões para esse evento arquidiocesano.
Dom Majella fala aos fiéis e membros do clero na missa da Unidade.
Na sua homilia, dom Majella convidou todo o Povo de Deus presente na arquidiocese para uma nova etapa evangelizadora, marcada pela alegria do Evangelho, a acontecer com o 1º Sínodo. Segundo o papa Francisco, o arcebispo deseja que o Sínodo seja um tempo de escuta atenta e acolhida do que o Espírito Santo diz à Igreja, o que deve acontecer de modo lento, talvez cansativo, para se aprender a ouvir uns aos outros e evitar respostas prontas, artificiais e superficiais.
Leia na íntegra a homilia de dom Majella.
Dom Majella durante a sua homilia, na missa do Crisma.
Além disso, dom Majella reforçou, em sua reflexão, a importância do ministério sacerdotal. Saudou os padres presentes e renovou, com eles, as promessas sacerdotais. Para ele, os padres devem ser servidores de Cristo e da Igreja, colaborando e cooperando com o bispo nas atividades pastorais. Ressaltou também que os padres devem se esforçar para haver comunhão no presbitério, afastando-se dos isolamentos.
Dom Majella e padres presentes na missa do Crisma.
Durante a missa, foram abençoados os santos óleos que serão utilizados nas paróquias: óleo dos catecúmenos, enfermos e Crisma. Eles foram apresentados pelos padres Edson Aparecido da Silva, Clemildes de Paiva e Dirlei Abercio da Rosa, membros das comissões do 1º Sínodo.
Padres apresentam os santos óleos ao arcebispo para serem abençoados.
Ao final da celebração, o arcebispo cumprimentou pessoalmente membros do clero arquidiocesano e demais fiéis para desejar-lhes votos de feliz Páscoa.
Instrumentistas, cantores e padre Leandro Luís Mota Ribeiro, que executaram as músicas da missa do Crisma.
A celebração foi animada por músicos e cantores de Itajubá (MG), Pouso Alegre e Ouro Fino (MG), sob regência do padre Leandro Luís Mota Ribeiro.
O Sínodo
O 1º Sínodo será uma oportunidade para intensificar a sinodalidade nas paróquias. Suas atividades acontecerão de 2022 a 2025, segundo calendário fornecido pela secretaria executiva do Sínodo e conforme a realidade de cada paróquia. O seu encerramento está previsto para o dia 17 de abril de 2025, Quinta-feira Santa.
Na carta de convocação para o 1º Sínodo, todos os membros das comunidades, pastorais e movimentos das paróquias da arquidiocese são conclamados a participarem das atividades relacionadas a esse evento. Além disso, são convidados a participarem membros das diversas organizações da sociedade civil e de Igrejas cristãs e não-cristãs dos municípios da arquidiocese para o estreitamento de laços de caridade e profícuo diálogo ecumênico e inter-religioso.
O caminho sinodal será iluminado pelo tema “Igreja, caminho de comunhão para a missão” e, pelo lema, “Aproximou-se e pôs-se a caminhar com eles” (Lc 24, 15).
Os objetivos do 1º Sínodo são: 1) aproximar o olhar da realidade atual em que vivem as paróquias da arquidiocese, enquanto rede de comunidades, e envolver todas as forças vivas para o exercício de escuta sinodal, diante dos desafios que se apresentam no caminho da ação evangelizadora; 2) pôr-se ao encontro de todas as pessoas, sentir a realidade, no esforço contínuo de sair ao encontro dos mais afastados, acolhendo-os e integrando-os na caminhada eclesial e daqueles com os quais a Igreja é chamada ao diálogo ecumênico e inter-religioso; 3) caminhar juntos no itinerário sinodal, aberto à ação vivificante do Espírito que mostra novos caminhos e novos métodos, redescobrindo a alegria de viver a vocação ao discipulado-missionário na Igreja e testemunhando a comunhão na diversidade e a missão no mundo.
A expectativa com o 1º Sínodo é ouvir os membros das paróquias, não católicos e não cristãos sobre a realidade eclesial e da sociedade atual para fortalecer as atividades pastorais da arquidiocese.
O caminho sinodal acontecerá em 3 etapas. De abril de 2022 a abril de 2023, acontecerá a etapa paroquial. De abril de 2023 a abril de 2024, será realizada a etapa setorial. Por fim, a terceira etapa será de abril de 2024 a abril de 2025, em âmbito arquidiocesano.
Fase Paroquial
Neste ano, acontecerá a fase paroquial do Sínodo. Suas atividades deverão ser realizadas até o mês de novembro. Acontecerão, nas comunidades e nos grupos pastorais, 8 encontros de avaliação das atividades eclesiais e escuta do Povo de Deus.
A caminhada sinodal deverá proporcionar um clima de relações abertas e de confiança profundamente cristã na ação do Espírito Santo em toda a vida da Igreja arquidiocesana. Espera-se fortalecer a comunhão eclesial, por meio do diálogo e da colaboração entre o arcebispo, padres, religiosos, cristãos leigos e todo o Povo de Deus. Almeja-se encontrar as mais possíveis soluções pastorais, discernidas em conjunto e partilhadas por todos, para alcançar a vontade de Deus.
Texto: Padres Júlio César dos Santos Junior e Thiago de Oliveira Raymundo (Comissão de Comunicação do 1º Sínodo)
Imagens: Cláudia Couto e padre Leandro Luís Mota Ribeiro.
A imagem destacada da notícia traz dom Majella com assessores paroquiais do 1º Sínodo, ao final da missa do Crisma, em frente a catedral metropolitana, no dia 14 de abril de 2022.
Seguem mais fotos do evento:
#Reflexão: Domingo da Ressurreição do Senhor (17 de abril)
A Igreja celebra, no dia 17, o Domingo da Ressurreição do Senhor, a Páscoa. Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: At 10,34a.37-43
Salmo: Sl 117(118),1-2.16ab-17.22-23 (R. 24)
2ª Leitura: Cl 3,1-4 ou 1Cor 5,6b-8
Evangelho: Jo 20,1-9 ou Lc 24,13-35 (nas Missas Vespertinas)
PÁSCOA: CRISTO RESSUSCITOU!
Nós nunca estamos preparados para enfrentar a morte e, sempre, ela será um grande mistério para todos. Diante da morte de alguém, inúmeras perguntas brotam em nossa mente e muitas angústias afloram em nossos corações. É um encontro que nos assusta, pois não temos nenhuma resposta que nos ajude a entendê-la e suportá-la. A morte de Jesus também foi uma experiência frustrante e decepcionante para todos os discípulos.
Eles conviveram com Jesus por, pelo menos, três anos. Desde o início de sua vida pública, Jesus se mostrou como alguém com uma proposta inovadora e revolucionária. Os discípulos presenciaram um Mestre (Jesus) que não se deixava intimidar por nada e ninguém. Até mesmo o Mal fora derrotado por Cristo em diversas circunstâncias. Os discípulos O viam como um “super-herói” imbatível. Entretanto, nos últimos dias de Jesus em Jerusalém, Ele se mostrou, aparentemente, igual a qualquer outra pessoa. Ele foi humilhado, sofreu muito: dores insuportáveis e foi desprezado. Tudo e todos demonstravam ser mais fortes que Jesus. Definitivamente, para os discípulos, Aquele que se entregou silenciosamente à morte não era o Senhor que eles conheciam.
Pedro acompanhou incrédulo o processo injusto da morte de Jesus, talvez, até, esperando alguma reação, algum milagre da parte Dele para se livrar dos soldados e da condenação certa. Porém, nada aconteceu. Quando Pedro afirma, por três vezes, que não conhecia “aquele homem”, no fundo, ele estava certo: não era o Jesus que ele viu fazer todas as categorias de milagres. O pescador apóstolo não conseguia entender o que estava acontecendo.
Na lógica humana, a morte não tem nenhum sentido e, para Pedro, se revelava uma loucura maior alguém que, poderia se livrar dela, resolve escolher livremente morrer, aparentemente, como mais um inocente condenado injustamente. Alguns devem ter afirmado: para que serve sofrer como nós sofremos, ser humilhado como tantos são humilhados, morrer como todos nós? Eles queriam um Mestre que resolvesse o problema da dor, dos sofrimentos e da morte e não alguém que fosse solidário a todos que percorrem esse caminho. Os discípulos não entenderam quase nada da proposta de Reino de Deus que Jesus procurou ensinar. A morte do Mestre Jesus se revelou como algo estranho e longe da lógica humana.
Páscoa significa “passagem”. Jesus fez a sua passagem desta vida para Verdadeira Vida com a sua Ressurreição, mas os discípulos precisavam também fazer uma “passagem” para entrar na verdadeira proposta de Deus para humanidade. Era necessário abandonar todas as ideias pessoais, interesseiras e limitadas sobre Jesus que todos construíram seguindo o Mestre Jesus pelas terras da Galileia. Jesus Cristo é algo muito mais profundo, mais abrangente e perene do que eles imaginavam. Era necessário entrar na “lógica de Deus”.
O relato da Ressurreição de Jesus no Evangelho de João que meditamos neste domingo é mais centrado em fatos e detalhes significativos sobre a Páscoa de Jesus. O “túmulo vazio” representa uma grande ausência e um imenso vazio em relação às ideias limitadas sobre Jesus. Nosso Senhor não foi somente alguém que foi útil para curar doenças, resolver problemas, dificuldades pessoais e sofrimentos desta vida, muito menos alguém como uma proposta revolucionária e social. Jesus é muito mais do que isso! Era necessário “enterrar” essa ideia de um Deus que é útil somente quando nos serve ou resolve nossas dificuldades.
O relato da Páscoa de Jesus inicia ainda com as cores da sua morte e da decepção dos discípulos. Também o sábado ficou para trás e tudo tem início no primeiro dia da semana: o domingo. São as mulheres entre os seguidores de Jesus que se rebelam e não se contentam com a última cena que viram aos pés da cruz. As mulheres possuem a capacidade de acreditar também com o coração e não somente com a lógica. Ademais, amar e crer estão profundamente ligados: nós verdadeiramente acreditamos quando amamos. Elas foram fiéis até o último momento. Entretanto, tudo não tinha ainda sido suficiente para Madalena. A discípula queria ainda chorar diante do túmulo do Mestre Jesus. A dor da perda ainda era imensa e sem solução. Ela vai ao encontro de alguém que se associava a tantos outros no sono da morte. Ela procura Jesus ainda na noite da decepção e da derrota para o único inimigo (a morte) que ninguém — até então — tinha uma solução ou resposta.
Os seus olhos procuravam um morto, mas Madalena se depara com um túmulo vazio. Tudo indica ter um ritmo diferente e agitado: ela corre do túmulo e, depois, os discípulos também correm para ver o sepulcro de Jesus. Ela transmite a primeira mensagem da Páscoa: o túmulo está vazio e falta um corpo na lista dos mortos. Para Maria (e outras mulheres que estavam com ela), houve um roubo. Porém, foi a morte quem foi assaltada pela ressurreição de Jesus.
A corrida dos discípulos é descrita como uma competição entre o ver e o acreditar. O discípulo descrito como “amado de Jesus” chega primeiro, mas respeita aquele que foi escolhido como “primeiro apóstolo”. Os dois veem o sepulcro e constatam os detalhes que revelavam algo novo e inexplicável. O primeiro discípulo que chegara, aquele que tinha se inclinado ao peito de Jesus durante a última ceia, começa a acreditar que mais uma vez, Jesus estava surpreendendo a todos. O evangelista João apresenta uma observação sobre o espanto dos discípulos diante do túmulo sem o corpo de Jesus: eles não tinham entendido as Escrituras.
A Páscoa de Jesus não muda o último destino da realidade humana: a morte. Jesus, ao escolher enfrentar este inimigo da humanidade, completa a sua missão de Pastor de todos os homens e mulheres. Era necessário também guiar a todos por esse último caminho que percorremos neste mundo. Entretanto, Jesus vai além de, simplesmente, sofrer e morrer na cruz. Ele abre uma nova via e ensina a todos que até a morte pode ser vencida por todos aqueles que acreditarem Nele e viverem o que Ele mesmo ensinou. O ato de Jesus foi único, pois a sua doação na cruz foi expressão do Amor total e infinito de Deus. Somente o Verdadeiro Amor pode vencer a morte. Esse Amor, pleno e cheio de Misericórdia de Deus, destruiu todos os obstáculos que nos separavam de Deus. Não foram somente os sofrimentos e as dores que Jesus sofreu e carregou até à Cruz que nos salvaram, mas o Amor de Deus que abraçou todos os pecados e suas consequências (sofrimentos de todos os tipos). É o Amor pleno e total de Jesus que o conduziu da morte à Ressurreição. Assim, a Ressurreição não foi uma vitória somente de Jesus, mas também de todos os seres humanos, pois, com Jesus que morria na Cruz, estávamos todos nós. No Cristo que ressuscita, também todos nós estamos presentes. Agora, nós também podemos “passar pela morte” e ressuscitar como Jesus Ressuscitou, percorrendo o mesmo caminho.
Pedro, na primeira leitura, se apresenta como alguém que anuncia a Boa Nova da Ressurreição de Jesus, mas o quer fazer não somente com discursos e ideias inovadoras, mas como testemunha. A sua vida e de todos os que anunciavam Jesus Ressuscitado é a prova mais convincente de que tudo é realmente transformador e verdadeiro. A Ressurreição de Jesus não é um fato ou uma mera novidade, mas algo que revolucionou a vida de todos que O conheceram. Ela pode sempre produzir o mesmo bem a quem acreditar em Cristo como sentido pleno e total de sua vida. É uma proposta de vida que inicia neste mundo e tem sua máxima manifestação não na morte (coisa certa para todos), mas na vida além da nossa existência. Aquele que crê, como nos diz São Paulo, deve viver tudo com os pés neste mundo, tendo o coração e a sua vida na Verdadeira Vida que Jesus inaugurou com a sua ressurreição. Buscamos não as coisas passageiras, mas aquilo que nos conduz para o alto, para Deus. Assim, devemos viver intensamente o Amor de Deus já, neste mundo, para podermos compartilhar o pleno Amor Dele na eternidade.
Uma boa e feliz Páscoa a todos!
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#Reflexão: Sábado Santo (16 de abril)
A Igreja celebra no dia 16 o Sábado Santo, a Vigília Pascal. Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: Gn 1,1-2,2 ou mais breve: 1,1.26-31a
Salmo: Sl 103(104),1-2a.5-6.10.12.13-14.24.35c (R. cf. 30) ou Sl 32(33),4-5.6-7.12-13.20.22 (R. 5b)
2ª Leitura: Gn 22,1-18 ou 22,1-2.9a.10-13.15-18 (mais breve)
Salmo: Sl 15(16),5.8.9-10.11 (R. 1a)
3ª Leitura: Ex 14,15-15,1
Cântico: Ex 15,1-2.3-4.5-6.17-18 (R. 1a)
4ª Leitura: Is 54,5-14
Salmo: Sl 29(30), 2.4.5-6.11.12a.13b (R. 2a)
5ª Leitura: Is 55,1-11
Cântico: Is 12,2-3.4bcd.5-6 (R. 3)
6ª Leitura: Br 3,9-15.32-4,4
Salmo: Sl 18(19),8.9.10.11 (R. Jo 6,68c)
7ª Leitura: Ez 36,16-17a.18-28 ou Is 12,2-3.4bcd.5-6 (R. 3) (quando há batismo)
Salmo: Sl 41(42),3.5bcd; Sl 42(43),3.4 (R. 3a) ou Sl 50(51),12-13.14-15.18-19 (R. 12a) (quando há batismo)
Epístola: Rm 6,3-11
Aclamação: Sl 117(118) 1-2.16ab-17.22-23
Evangelho: Lc 24,1-12
SÁBADO SANTO
É sábado da alegria, sábado do Aleluia na Igreja! A Vigília Pascal é o ponto alto de toda fé e caminhada cristã, pois nesta noite do “1º dia da semana”, domingo, Cristo Ressuscitou! Somente consegue mergulhar na riqueza desta celebração quem entende o sentido da Cruz.
Observemos a cruz de Cristo. São João mostra que, em tudo que acontece com Jesus, Ele é quem toma a iniciativa. Judas não consegue apontá-Lo para os soldados, mas é Jesus que se revela. Na humilhação da coroação de espinhos, Ele é quem vai para fora, onde está Pilatos, e é apresentado como “eis Homem!”. É o próprio Jesus que carrega sobre os seus ombros a cruz. No Evangelho de João, não temos a ajuda de Simão Cirineu.
Deus Pai não quis a Cruz para o seu Filho! Nenhum Pai quer que seu filho sofra e, pior ainda, morra após imenso sofrimento. A vontade do Pai é que o Amor entre os dois fosse semeado gratuitamente em todas as realidades humanas e em todas as circunstâncias. A cruz foi consequência do Amor de Jesus.
Jesus não buscou nenhum sofrimento. Sentindo o que iria acontecer, pede para o Pai que o livrasse do Cálice do sofrimento, mas pede ainda que prevalecesse a vontade do Pai. Essa vontade, Jesus conhecia bem: vencer tudo pelo amor. Assim, livremente, Jesus abraça a Cruz sabendo o que significava: um grande sofrimento!
Jesus não cumpre um destino! Destino, como algo pré-determinado por Deus, para nós cristãos, não existe! A cruz de Cristo foi consequência de sua liberdade e de sua escolha. Em nossa vida cristã, tudo deve acontecer como escolha livre e consciente que fazemos. Ninguém cumpre nada forçado por alguém ou por Deus. Só o Amor e a liberdade podem produzir libertação! Jesus nos deu o exemplo, escolhendo viver o amor de Deus, intensamente, até as últimas consequências, até mesmo diante da morte dolorosa e horrível na cruz.
Entretanto, o amor venceu a morte! A partir de hoje, por cinquenta dias, vamos mergulhar na ressurreição de Jesus, que também é a esperança que temos para a nossa vida. A celebração da Vigília Pascal acontece “no terceiro dia” da morte de Jesus: Ele morre na tarde de sexta-feira (1º dia). Após às 18h de sexta-feira, começa o 2º dia (já sábado para os judeus). Após às 18h de sábado, dá-se o 3º dia. Foi na noite de sábado até a aurora de domingo, no terceiro dia, que Jesus ressuscitou.
Esta celebração tem suas raízes na história do AT. Essa história se iniciou com a criação do mundo. Deu-se também na libertação da escravidão do Egito, com uma nova história. Isaías nos lembra de que os caminhos do Senhor não são os nossos caminhos. Tudo está dentro de um plano de salvação que tem, na Ressurreição de Jesus, a expressão plena.
A nossa celebração começou no silêncio e na noite, como foram os dois dias de espera. Dias de noite e insegurança. Porém, o grão que cai na terra precisa de tempo! Os discípulos não sabiam o que fazer. Qual caminho percorrer? Precisavam de tempo para pensar e decidir o que iriam fazer de suas vidas. Para eles, parece que tudo tinha se encerrado como uma “pesada pedra no sepulcro”. Pelo menos, permanecem reunidos, talvez, somente para fazer memória ou desorientados sem o Mestre.
Os Evangelhos nos narram como tudo começou. Inicia-se uma reviravolta. Foram as mulheres que seguiram Jesus até a cruz que foram bem cedo ao sepulcro Dele. Era quando o dia começa a vencer a noite. Enfrentam riscos, pois a morte e o sepultamento de Jesus foram resultados das maiores forças em Jerusalém: os religiosos judeus e Pilatos. O Mestre Jesus foi condenado como um subversivo; tratado como um perigo e executado como um criminoso. Ir ao seu sepulcro era se associar a ele, mas elas vão mesmo assim.
Na noite de sábado, olharam onde Jesus fora colocado e preparam aromas e perfumes. Para elas, Jesus ainda merece o melhor, o mais digno, como qualquer outra pessoa. Por isso, elas vão ao túmulo para terminar o ritual de sepultamento do Mestre Jesus. Os líderes religiosos tentaram convencer o povo de que Jesus seria um criminoso. Nada mudou no coração daquelas mulheres. Jesus continua sendo o mesmo! Elas queriam oferecer esse último gesto de carinho e amor pelo Mestre. O amor tem essa grandeza no coração de quem ama: não se deixa abalar pelo ódio dos outros.
A Páscoa desta noite significa passagem daqueles que, movidos por amor, enfrentam tudo e todos para se encontrar com a pessoa que ama. No entanto, elas foram para prestar homenagem a um cadáver, um corpo sepultado que não recebeu a preparação adequada para o sepultamento. Observam o preceito do sábado. Estão ainda na perspectiva da religião judaica. Entretanto, há uma novidade: jamais se ungia um corpo após duas noites no túmulo! Elas o fazem!
O costume para os judeus era a unção logo após a morte, somente com óleo e depois envolvê-lo em um lençol. As mulheres, mesmo depois de um dia e meio, vão ungir o corpo de Jesus. Perfumes e aromas eram, normalmente, reservados aos reis. Lucas diz que elas chegam ao início do Novo Dia e acharam a “pedra rolada de diante do túmulo”, mas não viram o corpo do Senhor Jesus. Seus olhos estavam ainda com a cena antiga do enterro.
A Ressurreição não é uma descoberta ou conclusão de algo, mas uma revelação divina. Elas enxergam o passado. Era necessário ver o presente da vida nova em Cristo Jesus. “Dois homens” (com os dois discípulos e testemunhas enviados por Jesus) revelam o que aconteceu. Elas olham para o chão, procurando o corpo. Os “dois homens” convidam a deixar o passado e abraçar o novo: “por que procurais o vivente entre os mortos? Ele não está aqui, mas ressuscitou!”
O sepulcro vazio é a constatação de algo novo. Porém, somente com o anúncio dos “dois homens”, é que tudo tem sentido. Ele sabe o que elas procuravam: aquele homem que elas conheciam, mas Ele ressuscitou! Ele vive e não está aqui! Ele vive e deve ser procurado fora do sepulcro. O sepulcro vazio é um sinal para quem conhece Jesus, como elas!
A história de Jesus não terminou com as mãos dos homens que O assassinaram, mas tudo tem um novo sentido com as mãos de Deus, que rompe a imensa pedra colocada no sepulcro. A ressurreição de Cristo não é uma história que continua só com os apóstolos (como outros mestres), mas é uma história de Cristo Jesus com os seus discípulos. A ressurreição de Jesus Cristo não é algo que acontece no outro lado da vida, mas em nossa vida e história, como algo novo, diferente e cheio de esperança para nós!
As mulheres acreditam que algo novo e inesperado aconteceu. Elas “voltaram do túmulo e relataram tudo aos onze e a todos os outros”. De alguma forma, elas começaram a recordar e acreditar também nas palavras e promessas de Jesus quando estava com todos. Os apóstolos ainda levariam um pouco mais de tempo para acreditar na ressurreição do Mestre.
Ao longo dos próximos domingos, vamos também fazer essa passagem de Jesus de Nazaré, que todos conheceram, para o Cristo, Vida Nova, Ressuscitado.
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#Reflexão: Sexta-feira Santa (15 de abril)
A Igreja celebra no dia 15 a Sexta-feira Santa, a Paixão do Senhor. Reflita e reze com a sua liturgia.
1ª Leitura – Is 52,13 - 53,12
Salmo – Sl 30,2.6.12-13.15-16.17.25 (R.Lc 23,46)
2ª Leitura – Hb 4,14-16; 5,7-9
Evangelho – Jo 18,1-19,42
SEXTA-FEIRA SANTA
A celebração da Sexta-feira Santa inicia em um grande silêncio e interiorização. A morte de qualquer pessoa provoca em nós uma grande pausa na nossa existência: como estou levando a minha vida? Para onde caminhamos todos? Qual será o nosso destino após a nossa vida neste mundo? Jesus escolhe passar por este caminho para nos garantir que, se as perguntas são tantas, Ele nos dá uma resposta colocando a sua própria vida como garantia.
Os últimos momentos de Jesus têm início com a traição de um amigo. Judas surge com outras pessoas. Eles chegam com tochas e lanternas, pois precisam de luz artificial na escuridão que escolheram. Judas encabeça o grupo. Ele só tem trevas ao seu lado. Judas fugiu na noite da Ceia para reaparecer ao lado de Jesus na escuridão da noite. Judas chega à frente de todos. Agora, ele é mestre de sua própria história e senhor de seu destino. Pensa ter o controle de tudo e ele deve “mostrar” Jesus aos guardas. Ele sabia onde oferecer a oportunidade para prender Jesus. Guiava outros nas trevas para tentar apagar a Luz do seu Mestre. O apóstolo traidor vem com guardas para tentar surpreender Jesus, mas tudo está nas mãos de Cristo.
É Jesus quem sai e vai ao encontro do seu discípulo. Cristo sabia o que estava acontecendo. Nada o surpreende. Jesus é quem pergunta e desarma a todos, inclusive Judas. O traidor está envolvido pela noite: é “mais um”, como os soldados, e não mais um com os apóstolos. Ele perdeu a sua identidade na escuridão.
Entretanto, Jesus lhe oferece a oportunidade de redescobrir seu Mestre e sair das trevas em que se encontrava. Não se ouve a voz de Judas, mas de todos, como um só grupo. Todos sabiam quem procurar: “Jesus de Nazaré”, um homem que veio da Galileia, da cidade de Nazaré. Porém, a reposta que escutam é algo profundo! Jesus lhes responde: “Eu Sou”. Essa é uma forma conhecida no AT que recorda o nome de Deus. Jesus não se apresenta como uma pessoa, mas como o próprio Deus. Eles caem por terra, assustados. João reforça que “Judas estava com eles”.
Todo mal que vem ao encontro de Jesus cai por terra. O diálogo persiste com as mesmas perguntas e as mesmas respostas. Eles não recuam e Jesus, também. No entanto, Pedro procura defender Jesus do seu modo. Com soluções deste mundo, com espada e violência, quer resolver tudo. Assim, ele se igualaria aos servos da noite: com espadas e ódio. Jesus toma o controle de tudo. Nada lhe é roubado. Ninguém vai mudar o que já estava decidido entre Jesus e Deus Pai.
Ouvimos a sucessão de pessoas que, em nome de Deus, proferem a condenação de Jesus simplesmente porque Ele tinha se tornado um “problema”. Para uma religião cheia de exclusão e divisões, alguém que se apresenta com discurso de amor e misericórdia, cria medo e insegurança. É o efeito da luz nas trevas!
Eles já tinham decidido o destino de morte de Jesus. Bastava colocá-lo em prática. Ele não foge da verdade sobre sua identidade. Eles se escondem atrás de mentiras. Jesus torna claro a religião deles: do interesse e da ganância. Jesus era um risco e precisavam acusá-lo diante de Roma. Mesmo diante da bofetada por dizer a verdade, Ele mostra a outra face: “Se falei mal, me diga onde errei, mas se falei bem, por que me bate?” O bem não retruca, mas dialoga!
Pedro se sente desorientado. Esperava uma revolução e já estava preparado com sua espada, mas vê Seu Mestre dialogar com as autoridades e não os destruir com um simples gesto. Acompanha Jesus de longe. Torna-se mais um que vê Jesus como alguém estranho e sem expressão.
Pilatos era a autoridade máxima naquele lugar. Os sacerdotes precisavam manipular o governador para condenar Jesus. Entretanto, no diálogo com Jesus, constata sua inocência, não vê crime, mas simples questões religiosas. Os judeus não queriam condenar à morte ninguém que ganhara a simpatia do povo. Roma poderia matar qualquer um sem riscos. Quanto mais Pilatos conversava com Jesus, mais a verdade sobre ele aparecia: era inocente!
O que é a verdade? Qual verdade seguir? Aquela que Pilatos mesmo constatou (Jesus é inocente) ou aquilo que os outros acusavam sobre Jesus? Quem vive na justiça não teria dificuldade na escolha, mas Pilatos não queria problemas.
Mateus (27,24) nos diz que Pilatos lava em uma bacia suas mãos, procurando se colocar distante e inocente do destino de Jesus. Porém, já era tarde: ele está completamente envolvido. Ele poderia fazer o bem, mas estava decido pelo mal. Na Última e primeira Ceia, Jesus, com outra bacia, lava os pés se comprometendo com todos. Pilatos concede a todos o direito de decidir sobre a vida de Jesus. Deveriam escolher entre Barrabás e Jesus. Por fim, depois, escolhem também a César como rei de todos. Demonstram lealdade à estrutura de morte que representava Roma.
Segue o silêncio de Jesus diante das humilhações, ofensas e agressões. Não há ninguém próximo de Jesus. Depois, tudo tem seu ponto máximo no alto da cruz, no monte Calvário. Jesus é crucificado entre dois ladrões. Todo esse horror não espanta a presença de sua mãe. Ela está lá, em pé, com algumas mulheres. Um momento de desencontro e despedida. O olhar amoroso da mãe Maria ajuda seu Filho a ir até o fim, cumprindo a sua missão. Nem um dos dois pretende algo para si naquele momento, mas é Jesus quem nos entrega sua mãe. Pensa nela com um dom precioso, doado, como será depois seu Espírito e Seu Sangue. Era preciso passar pela morte vazio e leve de si mesmo!
Jesus ensinara que quando Ele fosse levantado, atrairia todos a Ele. Porém, o que poderia nos aproximar da Cruz? O sofrimento, a dor, a angústia de um agonizante? Nela, haveria milagre e prodígios? O puro amor, extraído (tirado) de onde o mais profundo do divino mergulha na mais genuína realidade humana. Isso acontece na morte de Jesus. Nela, está o pleno humano envolvido com o amor divino.
A morte na cruz era algo horrível e nada nobre. Os homens de Deus morreram por apedrejamento ou decapitado (João Batista). Morrer na cruz simbolizava que nem o céu e nem a terra querem o corpo. A família nem reclamava o corpo do condenado.
Na cruz, Jesus morre esvaziado de si. O mais pobre dos pobres: tudo que tinha consigo, doou generosamente por toda a humanidade. Leva consigo a única arma para vencer a morte: seu amor pelo Pai e por todos nós! Jesus na Cruz foi tentado pelo povo, sacerdotes e o “mal” ladrão: “Salve a ti mesmo e desce da Cruz”. Qualquer pessoa que tivesse alguma categoria de poder, teria descido da Cruz, somente Deus foi até o fim. Jesus não se salva para salvar a todos!
Deus escolheu enfrentar a morte, porque para ela vai todo ser humano. É o destino certo que era somente para nós mortais. Com Jesus, a morte não é mais território da incerteza, mas da Luz do Amor Eterno de Deus! Com a morte de Jesus na Cruz, aprendemos o sentido puro e perfeito do Amor. Um Deus que desce no mais profundo da realidade humana, onde impera a solidão e os temores, para nos dizer que nos ama até a morte... Além da morte!
A morte de Jesus na cruz é chamada por São João de “hora da glória”. Lá, onde não há mais nada da criatura, lá, Deus se faz pleno no seu amor. Se a morte é o apagar da luz para o ser humano, nela, Jesus acendeu a luz eterna do seu amor. Agora, também essa estrada, única da criatura, está iluminada. Podemos atravessá-la sem temor. Isso não é um milagre extraordinário e estupendo, mas o amor que vence a morte. Amar (um milagre!) nós também podemos fazer.
Jesus não nos salva DA CRUZ, MAS NA CRUZ. Ele não nos protege do sofrimento, mas, NO SOFRIMENTO. Ele não nos livra da dor, mas nos livra NA DOR. Assim, Jesus nos garante que JAMAIS estaremos abandonados ou sozinhos em nossa realidade humana! As últimas palavras não pertencem nem ao sepulcro e nem às lágrimas de um futuro incerto, mas à certeza da vida eterna!
Na cruz, jorra uma água nova que se une ao sangue já celebrado na Ceia. A nova comunhão com Deus não será mais com sangue de animais, mas na cruz, no lado aberto de Jesus. Nele, nascemos como filhos e filhas de Deus. É o AMOR de Jesus que nos salva e não o seu sofrimento! Deus não quer a cruz, mas vida e alegria para todo ser humano! A cruz une todos ao céu. Ela traça um sinal eterno que une a terra a Deus; o ser humano à eternidade. Escolher terminar seus dias na Cruz, enfrentando a morte, sustentando a verdade até o final, é a vingança do Amor, que paga o mal com o bem.
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