“Encantar a Política”: necessário gesto de amor, conforme magistério do papa Francisco

No dia 28 de abril, durante a 59ª Assembleia Geral da CNBB, foi apresentado aos bispos do Brasil e, à noite, feito lançamento público do projeto “Encantar a Política”. O projeto tem em vista o processo das Eleições Gerais de 2022. O evento de lançamento público, transmitido pelos canais e redes sociais do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB) e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), teve uma alta audiência para o formato e contou com a presença de bispos representantes da presidência e do Conselho de Pastoral da CNBB (CONSEP).

Participaram e usaram a palavra dom Jaime Spengler, 1º vice-presidente da Conferência Episcopal, dom Giovane Pereira de Melo, presidente da Comissão Episcopal para Laicato e do Centro Nacional de Fé e Política dom Helder Camara (CEFEP) e dom José Valdeci, presidente da Comissão Episcopal Sócio transformadora. Participaram também a presidenta do CNLB, Sônia Oliveira; o secretário executivo da Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP), Daniel Seidel; representantes do Coletivo Padres da Caminhada, do Núcleo de Estudos Sociopolítocos (NESP) da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas); do Movimento Nacional Fé e Política e da Rede Brasileira de Fé e Política, entre outros. Tal representação demonstra a importância do projeto e o apoio que recebe das lideranças da Igreja Católica do Brasil.

O projeto “Encantar a Política” é motivado pelo desafiador panorama político-social e econômico que passa o Brasil e se inspira no magistério do papa Francisco. Seus horizontes estão nas exortações apostólicas Evangelli Gaudium e Laudato Si' e se fundamenta na encíclica Fratelli Tutti.

O papa Francisco tem conclamado, em muitas ocasiões, que os fiéis católicos não tenham medo de se inserir na arena política. Isso já o fez nos primeiros meses de seu ministério como bispo de Roma. De maneira especial, na sala Paulo VI, no dia 13 de agosto de 2012, ele afirmou: “Para o cristão é uma obrigação envolver-se na política... devemos envolver na política, pois a política é uma das formas mais altas de caridade, por que busca o bem comum... a política está suja, por quê? Não será porque os cristãos se envolveram na política sem o espírito do Evangelho?”.

Mais recentemente, na Fratelli Tutti, o papa dedicou um capítulo todo sobre o que ele chama “boa política”. Assim, Francisco entende que as cristãs e os cristãos devem se envolver com a política! No entanto, devem, no espírito do Evangelho, fazer a “boa política”, não qualquer política. Fazer política no espírito do Evangelho significa colocar o bem, a vida e o amor como centro e, não, os interesses próprios ou valores que atentem contra a vida e a caridade. A caridade política, por sua vez, segundo o papa, coloca como centro de sua ação a pessoa dos empobrecidos e defende os seus direitos a uma vida digna. Defende também a vida do planeta Terra, nossa “Casa Comum”, como bem disse na Laudato Si'. No espírito do Evangelho, ainda se insere que a vida de todas as pessoas seja digna e haja a fraternidade, a solidariedade, a não violência, a justiça social, a destinação universal do bem comum e a distribuição das riquezas.

Historicamente, a Igreja do Brasil tem dado importante contribuição aos momentos eleitorais. Tem feito posicionamentos claros em defesa da democracia, do estado de direito e contra a corrução. Promoveu e participou de movimentos importantes como a incidência na Assembleia Nacional Constituinte, a iniciativa popular de combate à corrução eleitoral (Lei 9.840/99, Comitês Populares e a Iniciativa Popular para Lei da Ficha Limpa).

O projeto “Encantar a Política” é a continuidade de um trabalho que começou com as eleições de 2020. Naquele ano, um grupo de instituições propôs um material de reflexão. Devido ao êxito do mesmo, continuou com um projeto mais amplo em 2022 que quer ser um projeto de formação permanente. Após um processo amplo de construção participativa e de trazer novas parcerias e apoiadores, o CEFEP, o CNLB e a CBJP apresentaram o “Encantar a Política” aos conselhos da CNBB. O projeto foi amplamente acolhido e apoiado.

O “Encantar a Política” possui três eixos:

1. Curso de Planejamento de Campanhas Eleitorais, em parceria com a PUC Minas, voltado para candidaturas de bases populares;

2. Apoio a candidaturas populares e mandatos coletivos pelo CNLB e a CBJP, o que pode ser seguido por outros grupos. Inclui uma “Carta Compromisso” para candidaturas que queiram se comprometer e, ainda, a denúncia de parlamentares com mandatos, que se dizem católicos, mas votam contra as orientações da CNBB;

3. Um “Caderno”, como um texto base, inspirado e fundamentado na Fratelli Tutti, cuja apresentação foi feita por dom Walmor, presidente da CNBB. Esse Caderno será disponibilizado num hotsite e poderá ser baixado gratuitamente para ser usado à vontade. Também haverá uma versão impressa para algumas regiões do país. No hotsite, serão disponibilizados ainda outros materiais como pequenos vídeos com o conteúdo do Caderno e demais orientações sobre as eleições, cards, material para as redes sociais como Instagram e Facebook, cartas emitidas por dioceses, bispos, congregações religiosas e outros sobre a eleições.

O conteúdo do Caderno do “Encantar a Política” contempla cinco capítulos com os temas, sugeridos pelo papa Francisco na Fratelli Tutti: I. A universalidade do Amor Cristão; II. Amizade Social e Ética na Política; III. As Grandes Causas do Evangelho; IV. Cuidar da Casa Comum; V. 2022 – Eleições e Democracia.

Como nos alerta o papa Francisco, não podemos nos omitir. Neste momento, em que aumenta o empobrecimento do nosso povo, seus direitos sociais são retirados e a democracia é ameaçada, é preciso tomar posição. A posição dos cristãos está indicada pelo Evangelho, em Jo 10,10: ”Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância”. Os que mais têm suas vidas ameaçadas são os pobres. É em favor dos pobres que a Igreja e os cristãos se posicionam.

 

A imagem destacada do artigo apresenta participantes da reunião do Conselho Permanente da CNBB, na qual foi aprovado o projeto "Encantar a Política", no dia 23 de março de 2022. Fonte: cefep.org.br.

 


#Reflexão: 5º Domingo da Páscoa (15 de maio)

A Igreja celebra, no dia 15, o 5º Domingo da Páscoa. Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura:
At 14, 21b-27
Salmo: Sl 144, 8-9.10-11.12-13ab
2ª Leitura: Ap 21, 1-5a
Evangelho: Jo 13, 31-33a.34-35

Acesse aqui as leituras.

JESUS E O MANDAMENTO NOVO

            O Evangelho deste domingo retrata um dos momentos mais importantes para Jesus com seus discípulos. O contexto era da Santa Ceia, a última que Ele celebrou com seus amigos. Em torno da mesa, compartilhando os alimentos, Jesus também abriu seu coração. Marcante foi o momento em que lavou os pés de todos indiscriminadamente. Momento difícil foi quando anunciou que tinha consciência da traição de alguém que Ele mesmo tinha escolhido. O lava-pés e o pedaço de pão dado com carinho por parte de Jesus não conseguiram romper o coração duro e fechado de Judas. Ele deixa o grupo, dá as costas a tudo que viu e ouviu e sai no meio da noite para executar seu plano. Jesus não o reprova, ou ameaça, ou ainda o amaldiçoa por sua escolha.

            O mal que Jesus tinha enfrentado em diversas circunstâncias seja da parte das autoridades religiosas, também dos romanos e até mesmo em tantos casos de possessão, tinha conseguido se infiltrar e se enraizar no coração de um dos escolhidos de Nosso Senhor. Jesus venceu todos os casos em relação às investidas do mal, mas o seu apóstolo não teve a mesma força. Judas estava corrompido pelo mal e Jesus sabia de tudo. O mal tinha tido uma vitória e achava que assim, iria atrapalhar Jesus em tudo, mas o final foi diferente.

Nos versículos iniciais do texto do Evangelho, por cinco vezes Jesus menciona a “glorificação”. Para todos (discípulos, apóstolos, religiosos judeus, estado romano...) o que estava para acontecer com Cristo (prisão, humilhação e morte) poderia ter significado o máximo da derrota de Jesus, mas para Ele foi o ponto mais alto de sua glorificação e de Deus Pai.

O máximo da expressão e ação do mal foi transformado e utilizado por Jesus e Deus Pai para expressar o Amor pleno que Eles possuem por toda a humanidade. O maior mal foi derrotado pelo Pleno Amor. Jesus em momento nenhum procurou glórias pessoais deste mundo, mas exatamente naquele momento em que tudo, aparentemente tinha chegado ao mais baixo da realidade humana (traição, sofrimento e morte), lá esplandeceu a maior expressão do amor de Deus. Por isto, Jesus apresenta o seu pedido especial: Mandamento Novo.

Jesus demonstra que tem consciência dos seus próximos passos e de tudo que lhe aguardava momentos esses que celebramos na Semana Santa. Ele tinha que percorrer um caminho que ninguém poderá segui-Lo, mas isto não lhe entristece, pois estava sempre com o Pai e tudo seria para a maior glória de Deus. Por fim, deixa como último desejo e recomendação o seu mandamento. Jesus chama de “novo”, mas todos já conheciam o mandamento que se encontra na lei judaica que diz: “Amar o teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19,18). Nosso Senhor procura melhorar este antigo mandamento, colocando outra medida ou forma para amar o próximo. De fato, o nosso amor é muito limitado e, muitas vezes, misturado com inúmeros interesses e mesquinhas intenções. Não conseguimos amor de um modo justo nem a nós mesmos, quanto mais, amar o próximo. Jesus propõe outra referência ou parâmetro para utilizar como modelo e modo de amor.

Há um particular no texto original. A palavra em grego para “novo” não significa somente algo “recente” como um “recém-nascido”; mas o adjetivo tem um significado mais forte. “Novo” no sentido de atualizado e que substitui o anterior. Tal mandamento deixado por Jesus deve substituir e cancelar o anterior.

            O mandamento novo é “amar uns aos outros”, mas usando como modelo e ponto de partida o próprio amor de Jesus. Muito mais do que um “sentimento” para com o outro; amar para Jesus é doar-se completamente para o bem do próximo. No AT, as pessoas conheciam muito pouco de como realmente era Deus e imaginavam, assim, um Deus juiz e severo, pronto para punir os pecadores e premiar os justos. Jesus rompe com esta ideia e nos apresenta um Deus pleno amor. Ele ama de modo incondicional e sem limites. Este mesmo amor de Deus Pai, Jesus procurou sempre expressar e ensinar a todos. É exatamente este amor que devemos usar como modelo e conteúdo para amar o próximo.

Expressivo ainda é o modo dinâmico de como se deve viver este mandamento. Ele deve ser praticado em uma relação de reciprocidade e troca. Jesus nos ensina o amor pleno que se doa sem condições, mas nos pede que procuremos trocar entre nós este amor. O mandamento novo deve ser vivido em comunidade, em relação dinâmica onde o amor doado se alimenta também do amor recebido.

Interessante que neste mandamento novo deixado por Jesus, Deus não vem mencionado. Para Nosso Senhor, o caminho para se chegar até Deus passa necessariamente pelo amor ao próximo. Assim, o amor para com meu irmão e a minha irmã é o caminho privilegiado para se chegar até Deus segundo Jesus. O exemplo primeiro e marcante de como viver este amor, inicia em Jesus. Ele é o modelo e ao mesmo tempo a fonte de onde devemos nos alimentar sempre para podermos continuar doando amor. Assim, não basta nutrir um belo sentimento para com outra pessoa para já afirmarmos que estamos praticando o Mandamento Novo deixado por Cristo. É preciso viver e praticar este amor conforme Ele mesmo viveu. O amor de Jesus é sem interesse e egoísmo, quer sempre o bem do próximo, se doa plenamente e, principalmente, está em perfeita sintonia com a vontade de Deus Pai. Um amor centrado somente na pessoa e em seus interesses pessoais, jamais será igual ao amor de Jesus. É o amor perfeito que, inclusive, ama até mesmo o inimigo e perdoa sempre.

            Devemos ser conhecidos e identificados não por qualquer sinal externo ou vestimenta, mas pela nossa forma de viver o amor de Jesus. O nosso amor vivido intensamente junto com outros irmãos deve ser a melhor forma de expressar a nossa fé.

Na primeira leitura, temos o exemplo de alguns cristãos que, não obstante os desafios e tribulação insistiam em anunciar o Reino de Deus e de confirmar na fé aqueles que abraçavam o mesmo caminho. Eles sabiam que na medida em que se alimentavam do amor de Deus e encontravam na comunidade o mesmo amor, nada neste mundo poderia se colocar contra Deus e a missão que estavam empreendendo.

O mundo novo e perfeito apresentado no Apocalipse (segunda leitura) deve ser construído entre nós, já neste mundo, mesmo que de modo imperfeito e limitado, pois no novo momento da história, Deus será pleno entre nós e conosco. Jesus apresenta um “novo” que deve começar entre nós; um dia, haverá um “novo” que Deus instalará na nossa história. O “novo da história” prometido por Deus, deve já começar a ser gerado em nós e entre nós com o Mandamento Novo deixado por Jesus.

Faça o download da reflexão em .pdf.


Padres da arquidiocese participam de encontro nacional de presbíteros

Padres Dirlei Abercio da Rosa, José Heraldo dos Reis e Reinaldo dos Santos participam de 9 a 14 de maio do 18º Encontro Nacional de Presbíteros, em Aparecida (SP).

O 18º Encontro Nacional de Presbíteros (ENP) tem como tema geral "Presbítero, Comunhão e Missão" e, lema, "Vós sois todos irmãos" (Mt 23,8). O evento acontece no Centro de Eventos "Padre Vitor Coelho de Almeida", em Aparecida (SP), de 9 a 14 de maio. A Comissão Nacional de Presbíteros (CNP) organiza o encontro. Participam presbíteros de todo o país.

No evento, representam os presbíteros da arquidiocese de Pouso Alegre (MG): os padres Dirlei Abercio da Rosa, Heraldo José dos Reis e Reinaldo dos Santos. Para eles, o evento tem possibilitado momentos de oração, partilha, discussão, troca de experiências e aprofundamento sobre a vida e o ministério presbiteral.

Divulgação oficial do evento. Fonte: CNP.

Temas relacionados ao ministério presbiteral e à Igreja estão sendo apresentados. No dia 10, padre Rosimar José de Lima Dias, doutor em psicologia clínica, falou sobre a situação atual dos presbíteros no Brasil, a partir de uma perspectiva humano-afetiva. Em sua palestra, padre Rosimar abordou os desafios atuais na vivência da vocação e da missão presbiteral, com destaque para a saúde mental dos presbíteros.

Participantes do 18º Encontro Nacional de Presbíteros.

No dia 11, terceiro dia do encontro, dom Joel Portela Amado, bispo auxiliar da arquidiocese do Rio de Janeiro (RJ) e secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), falou sobre "Presbíteros: chamado, comunhão e missão". Ele apresentou ideias para compreender a realidade da Igreja no Brasil e do presbitério numa “mudança de época”. Dom Joel também destacou os desafios da atualidade, marcada por um contexto de mudanças, mostrando que essa “mudança” vem acompanhada de experiências “luminosas” de libertação, criatividade, resiliência e humanização.

Padres Dirlei, Heraldo, Reinaldo e demais participantes do 18º ENP.

Sobre a realidade presbiteral, dom Joel apontou a “comunhão presbiteral” como caminho para uma verdadeira fraternidade e concretização da sinodalidade no presbitério. O secretário-geral da CNBB concluiu a sua reflexão com a pergunta “Aonde vais?” (Quo Vadis?), descrevendo catorze indicações importantes para qualificar o presbítero: homem da esperança, homem para os outros, peregrino, inquieto, ouvinte, testemunha, “ponte”, celibatário, ordenado, “Cirineu”, sinodal, eclesial, irmão e menino. Além disso, o terceiro dia do 18º ENP teve momentos de oração, partilha e convivência entre os presbíteros participantes.

O quarto dia do 18º ENP contou com mais uma palestra de dom Joel, que continuou a reflexão do dia anterior. O secretário-geral da CNBB destacou que, num contexto de mudança de época, são importantes para a revitalização do ministério presbiteral: a formação permanente; o estudo das diversas ciências; o aprofundamento teológico e filosófico; períodos sabáticos; experiências missionárias, com uma dedicação especial às “Igrejas irmãs”; o envolvimento nos serviços diocesanos e interdiocesanos; a participação nos conselhos diocesanos e provinciais, a criação de comunidades de convivência presbiteral e a organização de locais para acolhimento dos padres. Dom Joel também propôs um momento de leitura orante da Bíblia a partir de dois textos do Evangelho de Mateus (11, 28-30 e 23, 8-11). Após a oração, houve partilha das reflexões entre os participantes.

Presbíteros rezam no quarto dia do 18º ENP.

Na  tarde do quarto dia, padre Jésus Benedito dos Santos, membro do clero arquidiocesano, apresentou seu novo livro "Presbíteros Sinodais: comunhão, participação e missão", lançado pela editora Santuário. Além disso, os participantes do 18º ENP prepararam e aprovaram a carta final do encontro, que será enviada para todos os presbíteros do Brasil sobre os temas debatidos no evento.

Padre Jésus Benedito dos Santos lança seu sétimo livro sobre o ministério presbiteral no quarto dia do 18º ENP.

O final do quarto dia foi marcado com a oração do terço no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, como memória do 15º aniversário da V Conferência Geral do Episcopado latino-americano e caribenho, ocorrido em 2007, também em Aparecida. Diante da imagem de Nossa Senhora Aparecida, os presbíteros participantes do 18º ENP renovaram seu compromisso de comunhão e fraternidade.

 

Informações e imagens: padre Heraldo José dos Reis.

A imagem destacada da notícia traz os padres Dirlei Abercio da Rosa, Heraldo José dos Reis e Reinaldo dos Santos, do clero da arquidiocese de Pouso Alegre, no 18º Encontro Nacional de Presbíteros, em Aparecida (SP), de 9 a 14 de maio.

 

Seguem mais fotos do 18º ENP:


Atividades pastorais na arquidiocese são encaminhadas em reunião

Membros do Conselho Arquidiocesano de Pastoral (CAP) se reuniram, hoje (7), de modo virtual, para encaminhamentos pastorais.

A reunião do CAP foi iniciada às 9h, com oração e meditação de Rm 6,3-11, conduzidas pela Giovana Costa Carvalho, membro da Comissão Arquidiocesana de Liturgia (CAL). O coordenador arquidiocesano de Pastoral, padre Edson Aparecido da Silva, acolheu a todos os presentes, fiéis cristãos leigos e leigas, padres e arcebispo.

Dom Majella explica como foi a 59ª Assembleia Geral da CNBB na reunião do CAP, no dia 07 de maio.

Presente na reunião, dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., arcebispo metropolitano, saudou a todos, deixando seu incentivo para as atividades pastorais, com destaque para o 1º Sínodo Arquidiocesano e ressonâncias da 59ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

O momento formativo da reunião do CAP foi sobre os encaminhamentos iniciais para a fase paroquial do 1º Sínodo arquidiocesano, com orientações do padre Mauro Ricardo de Freitas, secretário executivo desse evento. Sobre o 1º Sínodo, padre Mauro destacou que está acontecendo nas paróquias o processo de escuta do Povo de Deus. As paróquias já têm enviado as respostas dos encontros da fase paroquial. Além disso, o secretário executivo ressaltou ser preciso incentivar a participação das paróquias e seus diversos grupos no 1º Sínodo, respondendo às perguntas presentes nas dinâmicas dos encontros paroquiais. Já está trabalhando como secretária do 1º Sínodo, a Lenice Santos. As respostas podem ser encaminhadas para ela nos contatos disponibilizados no site da arquidiocese: https://arquidiocesepa.org.br/sinodo-arquidiocesano/. Pessoas cristãs não católicas e não cristãs poderão participar do 1º Sínodo por formulário online, a ser disponibilizado no 2º Semestre. Os encontros da fase paroquial estão organizados a partir de dados da pesquisa sociológica da realidade da arquidiocese de Pouso Alegre, feita em 2018, e nas Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) 2019-2023. Em cada encontro, há a proposta de uma dinâmica e perguntas a serem respondidas pelos grupos. As respostas dessas perguntas devem ser enviadas à secretaria executiva do 1º Sínodo. Lembrando-se do papa Francisco, padre Mauro disse que “Sínodo é expressão viva do ser Igreja. Escutar o Espírito e os irmãos”.

Giovana Carvalho reza com membros do CAP, a partir de Rm 6, 3-11.

Dom Majella apresentou um panorama das atividades da 59ª Assembleia Geral da CNBB. De modo geral, a 59ª assembleia tratou do tema Igreja e sinodalidade. Além disso, houve temas específicos, por exemplo, revisão dos estatutos da CNBB; orientações sobre a 3ª edição típica do Missal Romano em língua portuguesa; encaminhamentos para as próximas diretrizes da ação evangelizadora, a partir de 2024; retomada do Documento de Aparecida, que completa 15 anos em 2022; encaminhamentos para o ministério de catequistas e o processo de elaboração de cartas da 59ª assembleia para o papa e para o povo brasileiro.

Além disso, Fábio Menegon, do Conselho Missionário Diocesano (COMIDI), partilhou que, em 2022, está acontecendo uma retomada das atividades missionárias nas paróquias e setores.

Suzana Coutinho, da equipe arquidiocesana de animação do Sínodo dos Bispos 2021-2023, apresentou uma análise parcial da escuta do Povo de Deus na arquidiocese, concluída no dia 10 de abril. Mais de 200 pessoas participaram desse processo, abrangendo coordenadores arquidiocesanos das pastorais, membros do CAP, coordenadores paroquiais, membros de conselhos paroquiais de pastoral (CPP), comissões arquidiocesanas, membros dos conselhos setoriais de pastoral (COSEPA’s), membros da Escola Diaconal e cristãos leigos. Devido à pandemia, houve uso dos recursos digitais para a realização do processo de escuta. Entre as respostas, notou-se uma diversidade de opiniões, com manifestações de alegria, esperanças, angústias, preocupações comuns, diferentes olhares, contradições e sintonias. Com as respostas, é possível perceber as ações de caminhar juntos da arquidiocese, dificuldades, situações, pessoas afastadas e excluídas. Entre tantas sugestões pastorais, Suzana destacou entre elas a valorização do laicato; fortalecimento da conversão pastoral; trabalho em pequenos grupos; uso de linguagem mais acessível e aproximação da Igreja das organizações sociais. Além disso, ela falou sobre quem caminha na Igreja; quem está fora do caminho; quais são as dívidas de escuta; a voz das minorias e como os leigos são ouvidos.

Padre Mauro Ricardo fala para os membros do CAP sobre ações do 1º Sínodo arquidiocesano.

Para dom Majella, essa análise da escuta do Sínodo dos Bispos deve nos incomodar, inquietar e projetar, sendo um retrato da arquidiocese e um sinal de como será o caminho do 1º Sínodo arquidiocesano. Destacou o arcebispo que devemos “(...) escutar as vozes como expressão do Povo de Deus. Saber acolher e abrir-nos ao Espírito Santo”. Além disso, dom Majella agradeceu o trabalho da equipe de animação diocesana do Sínodo dos Bispos 2021-2023.

Em seguida, padre Edson convidou a todos para divulgarem e participarem da Romaria arquidiocesana à Aparecida, no dia 2 de julho. Às 9h, haverá missa no Santuário Nacional, com a participação do arcebispo, padres e cristãos leigos e leigas. Em seguida, será rezado o terço no pátio do Santuário Nacional.

Kelly Almeida Nicácio do Prado, coordenadora da Comissão Bíblico-catequética apresentou justificativa diante de problemas técnicos na transmissão de uma formação virtual dessa comissão. A atividade será remarcada e acontecerá em outro momento oportuno. Além disso, ela convidou os padres e cristãos leigos a divulgarem e participarem do CrismaFest, no dia 5 de junho, às 8h30, no ginásio do Colégio São José, em Pouso Alegre. Esse será um evento que reunirá os jovens crismandos da arquidiocese.

O casal Laércio Batista Guedes e Francini Sales Silva Batista e cônego Mauro Morais, da Pastoral Familiar, apresentaram como a arquidiocese irá participar do 10º Encontro Mundial das Famílias.

Messias Félix, da Pastoral Carcerária, falou sobre as visitas realizadas por essa pastoral e pelo arcebispo aos presos por ocasião da Páscoa, nos meses de março e abril. Além disso, Messias incentivou os membros dos COSEPA’s a apoiarem as atividades dessa pastoral.

Padre Sebastião Márcio Maciel relatou atividades da Pastoral da Criança, a qual tem nova coordenação da arquidiocese. Membros da coordenação dessa pastoral estão visitando as paróquias da arquidiocese para retomada e fortalecimento de atividades. Na arquidiocese, mais de 3000 crianças são atendidas por essa pastoral anualmente.

André, pela Comissão a Serviço da Vida Plena para Todos (CSVPT), apresentou as atividades da Semana Laudato Si’, que acontecerá do dia 16 a 21 de maio.

Padre Thiago de Oliveira Raymundo, pela Pastoral da Comunicação, convidou os presentes a participarem de live sobre 56º Dia Mundial das Comunicações Sociais (DMCS), no dia 19 de maio, às 20h, no link: https://www.youtube.com/watch?v=__Ihr5BewTU. Além disso, padre Thiago pediu que os setores pastorais realizem reuniões presenciais para articular e fortalecer ações dessa pastoral nas paróquias.

A reunião foi encerrada com a bênção de dom Majella. A próxima reunião da CAP será no dia 13 de agosto, sábado, às 9h.

 

Imagens: Coordenação Arquidiocesana de Pastoral.

A imagem destacada da notícia apresenta alguns dos participantes da reunião.


Padres são acolhidos em Maria da Fé

Dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., arcebispo metropolitano, apresentou o padre Reinaldo dos Santos como novo pároco da paróquia Nossa Senhora de Lourdes, em Maria da Fé (MG), na última sexta (6). Padre Nelson Júnior da Cruz foi apresentado como vigário paroquial.

A apresentação dos padres Reinaldo dos Santos e Nelson Júnior da Cruz a sua nova paróquia foi realizada com missa, ontem (6), presidida por dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., arcebispo metropolitano, na igreja matriz Nossa Senhora de Lourdes, em Maria da Fé (MG). Padre Reinaldo é o novo pároco e padre Nelson, vigário paroquial dessa paróquia.

Dom Majella entrega ao padre Reinaldo objetos litúrgicos relativos ao ofício de pároco.

Padre Reinaldo tomou posse canônica do seu novo ofício no dia 9 de fevereiro deste ano, no seminário arquidiocesano Nossa Senhora Auxiliadora.

Leia mais: Posse canônica dos novos párocos (9 de fevereiro).

Na celebração, padre Reinaldo recebeu símbolos relativos ao seu ofício das mãos de cristãos leigos da sua nova paróquia: as chaves da igreja matriz e do sacrário, os santos óleos e a estola. Além disso, dom Majella entregou ao novo pároco o livro dos Evangelhos, reforçando a sua missão de pregar a Palavra de Deus. Ao final da cerimônia litúrgica de posse, o arcebispo entregou ao padre Reinaldo a sede paroquial (cadeira), simbolizando seu ofício como responsável pela paróquia.

Fiéis presentes na missa de apresentação litúrgica dos novos padres de Maria da Fé.

Dom Majella também pediu que os fiéis da paróquia Nossa Senhora de Lourdes acolham seus novos padres, colaborando nas atividades pastorais. Além disso, ele pediu que os padres e os cristãos leigos colaborem com a arquidiocese nas atividades do 1º Sínodo Arquidiocesano.

 

Imagens: Paulo Henrique Almeida/Paróquia Nossa Senhora de Lourdes

A imagem destacada da notícia traz padre Reinaldo e padre Nelson sendo oficialmente apresentado por dom Majella como os novos padres da paróquia Nossa Senhora de Lourdes, em Maria da Fé, no dia 6 de maio de 2022.

Seguem mais fotos do evento:


Padres da arquidiocese celebram jubileu de ordenação sacerdotal

Padre Arquimedes Carvalho de Andrade completou 50 anos de vida sacerdotal no último domingo (1). Os padres Agenor Roberto da Silva, Jésus Andrade Guimarães, Francisco Ferreira da Silva e Paulo Adolfo Simões completam, em 2022, 25 anos de ministério presbiteral. As comemorações acontecem, ao longo deste ano, nas comunidades onde já trabalharam e exercem a missão atualmente.

 

Padre Arquimedes: jubileu de ouro sacerdotal

Na última segunda-feira (2), na paróquia São Sebastião, em Andradas (MG), aconteceu a missa em ação de graças pelos 50 anos de vida sacerdotal do padre Arquimedes Carvalho de Andrade. A celebração do jubileu de ouro teve início às 10h30, com a participação do arcebispo de Pouso Alegre (MG), dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., e do arcebispo de Niterói (RJ), dom José Francisco Rezende Dias. Participaram também grande número de padres, diocesanos e religiosos, seminaristas da etapa discipular (estudos filosóficos), familiares e amigos do jubilando.

Dom Majella saúda padre Arquimedes na missa em ação de graças pelo seu jubileu áureo sacerdotal, no dia 2 de maio.

No início da missa, na recordação da vida do padre Arquimedes, foi lembrado de seu nascimento em Jacutinga (MG), no dia 10 de abril de 1945, filho de Luiz e Maria Aparecida, tendo 8 irmãos. Desde muito cedo, ele já mostrava interesse pelas coisas de Deus, sua caminhada formativa, desde a saída de casa, aos 10 anos, para residir com seu pároco, em Jacutinga; ingressando ao Seminário Nossa Senhora Auxiliadora, em Pouso Alegre aos 12 anos; recebendo a batina e ordens menores em 1966 e ordenado padre em 1 de maio de 1972, pelas mãos de dom José D’Angelo Neto, então arcebispo de Pouso Alegre.

Da esquerda para a direita, cônego Wilson, padre Arquimedes, dom Majella e dom José Francisco, na missa comemorativa do jubileu áureo sacerdotal do padre Arquimedes, no dia 2.

Padre Arquimedes já trabalhou como padre nas cidades de Brazópolis (MG), Piranguinho (MG), Ipuíuna (MG), Pouso Alegre, Itajubá (MG), Taubaté (SP), Sapucaí Mirim (MG), Vitória (ES), Santa Rita do Sapucaí (MG), Jacutinga, Albertina (MG), Congonhal (MG), Senador José Bento (MG), Estiva (MG), Monte Sião (MG) e, atualmente, em Andradas. Além de contribuir na direção espiritual do dos seminaristas do seminário Nossa Senhora Auxiliadora e na formação na Escola Diaconal Santa Dulce dos Pobres.

Padre Arquimedes recebeu bolo comemorativo dos fiéis de Andradas, pelos seus 50 anos de padre. 

Após a recordação da vida, dom Majella pediu a todos presentes que aplaudissem o exemplo de vida do padre Arquimedes.

A homilia foi feita por dom José Francisco, amigo do padre Arquimedes. Em sua reflexão, lembrou-se de características marcantes do jubilando, como: a “proximidade, respeito para com o bispo, simplicidade e proximidade junto aos padres e ao seminário, colaborando  durante longos anos com a direção espiritual de seminaristas, além do trabalho como formador e também junto a comissão dos ministérios ordenados e vida consagrada da CNBB. Em todos esses trabalhos, padre Arquimedes sempre testemunhou que é bom ser padre”. Por tudo que foi vivido, durante 50 anos de vida sacerdotal, se deve dar graças a Deus, ressaltou o arcebispo de Niterói.

Padre Arquimedes e fiéis de Andradas realizam caminhada vocacional, no dia 30 de abril.

Nas homenagens finais ao padre Arquimedes, padre Heraldo José dos Reis, coordenador da Pastoral Presbiteral, ressaltou: “nossa gratidão, padre Arquimedes, pelo sim dado, há 50 anos. Obrigado por caminhar com nosso presbitério. Obrigado por tantos anos dedicados à formação e à direção espiritual dos seminaristas. Obrigado por fomentar em nosso meio a fraternidade presbiteral. Sua proximidade, seu carinho, permita-me dizer, seu jeito singular de ser, sua amizade nos fazem muito bem”.

Padre Lucas Silva Crispim, cônego Simão, padre Arquimedes, padre Tiago da Silva Vilela e seminaristas, na residência paroquial, em Andradas, no dia 30 de abril.

Cônego Simão Cirineu, pároco da paróquia São Sebastião, em Andradas, ressaltou em sua homenagem: “obrigado, padre Arquimedes, pelos 10 anos de convivência, desde Monte Sião até Andradas. 10 anos de muitas experiências marcantes”.

Dom Majella, em seu agradecimento, manifestou-se dizendo: “Deus deu um grande dom ao padre Arquimedes. A humildade, saber escutar, a obediência de estar na comunhão com o presbitério e com o bispo. Padre Arquimedes tem uma comunhão expressa em um amor pelo presbitério que não se cansa de falar nem de se expressar. Amor por cada um dos padres, amor que não discrimina”.

Fiéis de Andradas rezam o terço, por intenção do padre Arquimedes, na igreja matriz São Sebastião, no dia 30 de abril.

Por fim, padre Arquimedes agradeceu a todos, pelas inúmeras manifestações de amizade e carinho pelo seu jubileu de ouro. Em seu agradecimento afirmou, que “se dependesse dele, seu aniversário seria um dia comum, um dia igual aos demais. Porém, o que diferencia esse dia, é essa presença amiga, simpática, bonita de cada um dos presentes, bispos, padres, irmãos, parentes, uma presença carregada de significados incontáveis e único. Presença que fala por si mesma, numa linguagem brotada do coração e da fé”.

Fieis rezam o terço na igreja matriz São Sebastião, em Andradas, por ocasião dos 50 anos de vida sacerdotal do padre Arquimedes.

O jubilando, como de costume, terminou seus agradecimentos cantando a música "Mudei", de Kell Smith. Na oportunidade, padre Arquimedes também coroou a imagem de Nossa Senhora, com os seminaristas. Após a celebração da missa, aconteceu uma recepção para os padres e familiares do jubilando na Casa Geraldo.

As festividades, por ocasião do aniversário ministerial do padre Arquimedes, contou com a celebração de outras missas, terço e eventos vocacionais, como a "Caminhada Vocacional", que envolveram seminaristas do seminário arquidiocesano de Pouso Alegre, padres, religiosos e fiéis de Andradas, no último final de semana, nos dias 30 de abril e 1º de maio.

Jubileu de prata sacerdotal

Em 2022, além das comemorações pelo jubileu áureo sacerdotal do padre Arquimedes, outros padres da arquidiocese completam 25 anos de vida consagrada a Deus como padres: Agenor Roberto da Silva, Jésus Andrade Guimarães, Francisco Ferreira da Silva e Paulo Adolfo Simões. Esses padres foram ordenados presbíteros no ano de 1997, por dom Ricardo Pedro Chaves Pinto Filho, OPraem, então arcebispo de Pouso Alegre.

Padre Agenor Roberto da Silva, familiares e amigos, na celebração de seu jubileu de prata sacerdotal, no dia 17 de janeiro, em Wenceslau Braz. Foto: Pascom/Paróquia Sant'Ana/Wenceslau Braz.

Padre Agenor Roberto da Silva completou 25 anos de padre no dia 17 de janeiro; padre Jésus Andrade Guimarães, no dia 7 de fevereiro; padre Francisco Ferreira da Silva, ontem, no dia 3 de maio. No dia 12 de dezembro, padre Paulo Adolfo Simões irá completar seu jubileu de prata sacerdotal. Comemorações já aconteceram e estão previstas, desde o início deste ano, nas paróquias onde esses padres trabalham atualmente, são naturais e já desempenharam atividades pastorais.

Padre Jésus Andrade Guimarães, na celebração de seu jubileu de prata sacerdotal, no dia 7 de fevereiro, na igreja matriz Nossa Senhora de Fátima, em Pouso Alegre. Na foto, padres e dom Marco Aurélio Gubiotti, bispo de Itabira (MG), que concelebraram a missa em ação de graças pelo ministério sacerdotal do jubilando. Foto: Pascom/Paróquia Nossa Senhora de Fátima/Pouso Alegre.

Atualmente, padre Agenor é pároco na paróquia Sant'Ana, em Wenceslau Braz (MG). Padre Jésus é pároco da paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Pouso Alegre (MG), e chanceler do arcebispado.

Padre Francisco Ferreira da Silva, na celebração de seu jubileu de prata sacerdotal, no dia 3 de maio, na igreja matriz São José, em Paraisópolis (MG). Foto: Pascom/Paróquia São José/Paraisópolis.
 

Padre Francisco é pároco da paróquia São Sebastião, em Senador José Bento (MG).

Padre Paulo Adolfo Simões.

Padre Paulo Adolfo é secretário executivo do Centro Nacional de Fé e Política Dom Hélder Câmara (CEFEP), ligado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e colabora com este site na escrita de artigos mensais sobre fé, política e reflexão sobre questões sociais.

 

Texto: padres Júlio César dos Santos Júnior e Thiago de Oliveira Raymundo
Imagens: Pastoral da Comunicação/Paróquia São Sebastião/Andradas e Arquivo Pascom.

A imagem destacada da notícia traz fiéis da Andradas, reunidos diante da igreja matriz São Sebastião, na Caminhada Vocacional, promovida por ocasião do jubileu áureo sacerdotal do padre Arquimedes Carvalho de Andrade, no dia 30 de abril.

 

 


#Reflexão: 4º Domingo da Páscoa (08 de maio)

A Igreja celebra, no dia 08, o 4º Domingo da Páscoa. Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura:
At 13, 14. 43-52
Salmo: Sl 99, 2.3.5 (R.3c)
2ª Leitura: Ap 7,9.14b-17
Evangelho: Jo 10,27-30

Acesse aqui as leituras.

 

JESUS BOM PASTOR QUE DÁ SUA VIDA POR TODOS

            Jesus no Evangelho deste domingo se apresenta como “Bom Pastor” (o texto que lemos é a parte final do trecho de Jo 10,11-30). “Eu sou o Bom Pastor” é o título mais desarmado que Jesus procurou aplicar a si mesmo, pois não possui nenhum poder e ao mesmo tempo todo serviço que Ele veio prestar a todos deste mundo. Mas, Cristo não é um pastor comum, Ele é o “Bom Pastor”: o melhor de todos e único.

            No trecho final do Evangelho, temos um resumo de como Jesus se imagina como Pastor da humanidade e principalmente, o que diferencia Ele de outros pastores.

            Um primeiro destaque é a forma de relação entre Jesus, Bom Pastor e suas ovelhas: tudo acontece como grupo e não em caráter pessoal: “escutam minha voz”, “me seguem”, “elas jamais se perderão”... A salvação conquistada por Cristo é um dom a cada pessoa deste mundo, mas a sua ação como Pastor acontece de modo comunitário. Neste mundo, cada pessoa é chamada a ser guiada não individualmente, mas como grupo (Igreja) e rebanho do Senhor. Seria errado imaginarmos Jesus como um Pastor para cada pessoa, pois a direção é comum a todos, o caminho de Salvação é o mesmo que todos devem seguir. Ademais, não é Jesus quem deve se colocar à frente dos meus passos como guia e seguir as minhas escolhas, mas sou eu (cada pessoa) que deve seguir o Pastor. Ele é quem mostra o caminho e vai à frente e nós devemos nos colocar logo atrás e segui-Lo.

            Jesus nos guia com sua palavra, Ele nos fala e por isto, distinguimos sua voz de todas as outras vozes. Ele é nosso guia através de seus ensinamentos e principalmente por meio de Sua Palavra. Mais do que Mandamentos e preceitos, é fundamental escutar sua voz. As leis não devem sobrepor a ninguém, mas a voz de Jesus como Pastor. Nesta relação fundamental, as pessoas que compõem o rebanho do Senhor, são todos aqueles que se colocam em relação com Nosso Senhor acolhendo sua Palavra e colocando em prática seus ensinamentos. É a relação tão desejada por Cristo que é a de Mestre e do discípulo. Ele fala a todos e como “rebanho do Senhor”, mas sua palavra é acolhida como alimento por cada um.

            Jesus continua apresentando sua relação profunda com o seu rebanho: O segundo aspecto é: “Eu as conheço”. O verbo “conhecer” na Bíblia tem sentido de profunda intimidade como uma relação entre os esposos. Fazemos parte do rebanho de Cristo, mas sua relação é profunda e pessoal. Um pastor comum trata todos de um único modo, pois não pode “gastar tempo” com cada ovelha; com Jesus é tudo diferente. Somente Ele é capaz de nos conhecer individualmente e por isto, quando nos guia, Ele tem em mente as necessidades espirituais de cada um que compõe o seu rebanho. A sua relação não é de massa ou “por atacado”, mas suas Palavras e sua relação toca cada pessoa. Guiando seu rebanho (todos nós), Ele tem em mente todos os nossos desafios e necessidades como rebanho, como também os riscos e problemas que enfrentamos, pois Ele venceu todos, assim, basta ao rebanho acolher e confiar em sua direção.

            O quarto aspecto é que todas as suas ovelhas O seguem. O seguimento de Jesus é algo dinâmico (sem em movimento) e não algo parado ou intimista. Jesus quer ser Pastor não dentro do cercado onde se encontram suas ovelhas, ou seja, na Igreja, mas no mundo, enfrentando juntos os desafios de sermos discípulos de Cristo colocando em prática seus ensinamentos. Jesus quer nos guiar e não somente nos acudir em nossas necessidades; Ele quer mostra o caminho e não somente curar nossas feridas; Jesus quer nos conduzir e nos proteger quando nos colocamos a serviço uns dos outros, quando promovemos o amor e a caridade como Ele mesmo nos ensinou.

            Com estas palavras, Jesus esclarece que a sua missão não se encerrou neste mundo com sua subida aos céus, mas Ele continua e quer ser nosso guia durante todo tempo que durar a nossa história. Jesus prossegue descrevendo como é a sua relação com o seu rebanho e o que O torna diferente de outros pastores. Ele dá sua vida, a vida Eterna, como nos mostra a segunda leitura. Qualquer outro pastor, o máximo que consegue é providenciar bens materiais para a subsistência de suas ovelhas, Jesus nos dá a vida eterna e por isto, as ovelhas jamais se perderão. Jesus é Pastor que não rouba nada de ninguém, não explora e nem se interessa por nada de material, pelo contrário, Ele próprio é que nos dá, mas não coisas materiais, mas sim, o dom da eternidade. Os mitos de deuses pagãos mostram que eles não concedem de nenhum modo a eternidade a seus seguidores; Jesus é diferente: Ele mesmo ofereceu gratuitamente sua vida e a eternidade a todos nós.

Nenhum poder neste mundo é capaz de roubar nada do Bom Pastor, somente Ele é capaz de doar livremente tudo a todos. O pastor é a força do rebanho. Em situações normais quando o pastor é morto, as ovelhas se veem abandonadas e se tornam presas fáceis dos lobos que atacam e matam o rebanho. Mas, com Jesus e o seu rebanho foi o contrário. A vida dada a todos e o seu sangue derramado não enfraqueceu o seu rebanho, mas transformou aquelas ovelhas do primeiro rebanho em novos pastores. Seguir realmente a voz do Bom Pastor torna cada pessoa forte e capaz de vencer o mal, pois o Pastor Jesus jamais se ausenta de suas ovelhas.

            As ovelhas de Cristo devem estar atentas em relação àqueles que se apresentam como “Novos Pastores”. Jesus não tem somente boas propostas, mas uma vida de testemunho de amor; os falsos pastores são pessoas somente da palavra, mas não do exemplo; propõem para os outros, mas não colocam em prática o que ensinam. Olham as pessoas, mas enxergam vantagens pessoais. Constroem relações de acordo com as vantagens que visualizam, mas os interesses terminam quando acabam os benefícios que não recebem mais. Procuram convencer as pessoas que para tudo é necessário dinheiro: uma graça, uma bênção, um benefício pessoal, um cargo, uma cura etc. Uma relação que acontece na base de troca de alguma coisa. As ovelhas são convencidas que a fé, a confiança e as graças de Deus devem ser medidas pela capacidade de dar dinheiro e fazer ofertas, como se Deus de alguma forma precisasse disso. Não, este não é o Jesus Pastor que encontramos no Evangelho!

            A salvação promovida por Jesus Cristo é expressão da gratuidade de Deus que não obriga ninguém a nada, não cobra e nem força ninguém a receber o que Ele quer doar, pelo contrário, exatamente porque é fruto do eterno amor de Deus é oferecida, doada e partilhada. Quem aceita, acolhe e escuta sua voz recebe os frutos necessários que conduzem a salvação eterna.

            No mundo, muitos se apresentam como “novos guias” e buscam conquistar o espaço que Jesus deve ter em nossas vidas. Mas, contrários a Jesus Bom Pastor, esses guias para oferecer algo, pedem primeiro; antes de doar alguma coisa, arrancam tudo que podem de suas “ovelhas”. São guias que prometem aquilo que não podem dar, pois nada possuem; iludem com situações momentâneas de prazer para esta vida, mas são incapazes de oferecer a felicidade da vida eterna já doada por nós por Jesus. Não guiam e não estão a frente, se limitam e indicar direções que eles mesmo não acreditam e nem assumem.

            Aqueles que se dispõem a ser ovelhas de Cristo, que aceitam fazer parte de seu rebanho e se deixam conduzir por sua voz, Jesus nos fala que “jamais se perderão”, pois neste mundo enfrentarão desafios e obstáculos, mas esses não estão sozinhos uma vez que quem se encontra a sua frente é o próprio Senhor Jesus. Ninguém aprecia muito o título de “ovelha”: animal que segue cegamente alguém, que não reclama; mas, ou somos ovelhas de Jesus como Bom Pastor ou alguém ocupará este lugar.

            Jesus termina seu ensinamento afirmando que o seu rebanho, na realidade é o próprio rebanho de Deus Pai, pois entre Eles a relação é perfeita e eterna: há uma única vontade e direção. Nosso Senhor reforça aquilo que disse anteriormente: “ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai”. Estamos em “mãos seguras”! Cristo nos dá toda segurança, mas é fundamental que cada um se disponha a fazer parte do seu rebanho, acolher sua voz e se deixar guiar por seus ensinamentos.

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Pastoral Familiar realiza formação arquidiocesana

Com a volta dos encontros presenciais, membros da Pastoral Familiar da arquidiocese de Pouso Alegre (MG) promoveram encontro de formação sobre catequese pré-matrimonial, no último sábado (30).

 

O encontro aconteceu no centro pastoral da paróquia São João Batista, em Pouso Alegre, no bairro São João. Estiveram presentes casais que atuam na Pastoral Familiar das paróquias da arquidiocese. A formação foi sobre orientações para a catequese pré-matrimonial. Além disso, o evento foi uma oportunidade para animação pastoral, diante da retomada das atividades pastorais presenciais em 2022, interrompidas devido à pandemia por COVID-19.

Casais coordenadores, padres assessores da Pastoral Familiar e dom Majella.

Durante a formação, dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., arcebispo metropolitano, esteve presente e dirigiu palavras de incentivo aos casais participantes.

Casais participantes da formação arquidiocesana da Pastoral Familiar, no dia 30 de abril.

O evento foi assessorado pelo casal coordenador da Pastoral Familiar no Regional Leste 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Sílvia Pereira e Gilberto Pereira Silva, da diocese de Governador Valadares (MG), e padre Wesley Clay Alves Rodrigues, da diocese de Campanha (MG), assessor eclesiástico da Pastoral Familiar.

Dom Majella fala no encontro arquidiocesano da Pastoral Familiar.

Estiveram também presentes no encontro padre Edson Aparecido da Silva, coordenador arquidiocesano de Pastoral, e Luiz Camponesi, coordenador do Núcleo de Formação da Pastoral Familiar da província eclesiástica de Pouso Alegre.

Padre Wesley Clay e o casal Sílvia e Gilberto, respectivamente, assessor e coordenadores da Pastoral Familiar no Regional Leste 2 da CNBB.

Na arquidiocese de Pouso Alegre, a Pastoral Familiar é coordenada pelos casais Francini Sales Silva Batista e Laércio Batista Guedes e Lidiane Schmidt dos Santos Machado e José Luiz de Souza Machado. É assessor eclesiástico o cônego Mauro Morais.

 

Texto: Pe. Thiago de Oliveira Raymundo
Imagens: Pastoral Familiar/Arquidiocese de Pouso Alegre

A imagem destacada da notícia registra uma das palestras da formação arquidiocesana da Pastoral Familiar, no dia 30 de abril de 2022.


Cônego Donizete é apresentado como pároco

Dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., arcebispo metropolitano, apresentou o cônego José Donizete Moreira como o novo pároco da paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Conceição dos Ouros (MG), na última sexta (29).

 

A apresentação do cônego José Donizete a sua nova paróquia foi realizada na missa da sexta-feira da 2º Semana da Páscoa (29), presidida por dom Majella, na igreja matriz Nossa Senhora da Conceição, em Conceição dos Ouros (MG).

Cônego José Donizete tomou posse canônica do seu novo ofício no dia 9 de fevereiro deste ano, no seminário arquidiocesano Nossa Senhora Auxiliadora.

Leia mais: Posse canônica dos novos párocos (9 de fevereiro).

Na celebração, cônego José Donizete recebeu símbolos relativos ao seu ofício das mãos de cristãos leigos da sua nova paróquia: as chaves da igreja matriz e do sacrário, os santos óleos e a estola. Além disso, dom Majella entregou ao novo pároco o livro dos Evangelhos, reforçando a sua missão de pregar a Palavra de Deus. Ao final da cerimônia litúrgica de posse, o arcebispo entregou ao cônego José Donizete a sede paroquial (cadeira), simbolizando seu ofício como responsável pela paróquia.

Dom Majella reflete a Palavra de Deus na apresentação do cônego José Donizete como pároco.

O arcebispo, ao meditar a Palavra de Deus, reforçou que estamos vivendo o tempo pascal, o qual é uma oportunidade para renovarmos o amor à Igreja. "No tempo da Páscoa, acompanhamos as atividades do início da Igreja, dos primeiros seguidores de Jesus, a luta e a perseguição que tiveram, a sua fidelidade e perseverança", disse o arcebispo. Ele também exortou os fiéis a serem perseverantes como Jesus e os primeiros cristãos. Ao refletir o evangelho, dom Majella destacou que Jesus alimentou uma multidão que o seguia e estava sedenta. Ele fez isso, consultando seus discípulos e a partir da generosidade de uma criança, que apresentou 5 pães e 2 peixes para serem partilhados. "Como Jesus consultou os seus discípulos, a Igreja presente na arquidiocese de Pouso Alegre, em seu caminho sinodal, precisa aprender a escutar uns aos outros", disse o arcebispo. Ele também destacou que esse evangelho é sinal da Eucaristia e do milagre do amor, que acontece na partilha e na solidariedade.

"Hoje, estamos apresentando o cônego José Donizete a esta paróquia, que vocês já conhecem, pois ele está aqui há alguns meses, desde fevereiro. Estamos fazendo este gesto para agradecer a comunidade pelo tempo vivido com o padre Reinaldo e também agradecer por estar acolhendo o cônego José Donizete, o novo pároco. Nós precisamos e devemos, como comunidade eclesial, ver o olhar do cônego José Donizete. Qual é o seu olhar para esta Igreja? O evangelho de hoje nos mostra alguns olhares. Nesses olhares, queremos encontrar o olhar do novo pároco. O primeiro olhar é o da multidão, que olhou para Jesus, viu os milagres que Ele realizou e seguiu Jesus. O olhar de seguir Jesus, pelos sinais que Ele apresenta. Para nós, cabe o olhar de seguir Jesus, como cristãos. Na paróquia, o pároco não deve ficar esperando sinais extraordinários para seguir Jesus. Assim, ele não vai conseguir evangelizar. Quem conduz o pároco em uma paróquia é o Espírito Santo. Depois, nós vamos ter o olhar dos dois discípulos. Eles não tinham o mesmo olhar. Um tinha o olhar do consumo, do econômico. 'Nem comprando, vamos conseguir alimentar a multidão'... Muitas vezes, um pároco chega na paróquia e tem um olhar econômico. Quanta gente me diz: 'Bispo, esse padre só sabe pedir dinheiro'. Assim, é o padre que tem o olhar de Felipe, econômico, do consumo, que só sabe pedir e não sabe trabalhar com o agir providencial de Deus. Deus proverá e nunca nos deixará passar necessidade. Nenhuma paróquia irá passar necessidade. Temos também o olhar do outro discípulo, André. O olhar de André vai ser um olhar para a minoria, para os fracos, para os pobres, para os indesejados. É esse o olhar onde encontra o sinal da partilha e da solidariedade. Ninguém é tão pobre que não tem como dividir para dar algo ao outro. Esse é o olhar que esperamos de um pároco. Que na sua paróquia, ele saiba olhar para os pobres, necessitados, mais fracos. Eu falo isso, porque eu escuto muito dos fiéis: 'Esse padre só sabe ficar na matriz... Esse padre não tem o pé sujo de poeira... Ele não vai na zona rural... Ele não coloca o carro na zona rural, porque ele não pode com poeira... Só sabe ficar na matriz ou só nas comunidades da cidade'. Esse é um padre que não olha para o pequeno, quem está lá passando dificuldade, para as comunidades pequenas. Na matriz, está tudo lotado e, nas comunidades, poucas pessoas. Eu vou viajar? Pegar estrada? Andar 20 km? Pegar poeira? Muitas vezes, o padre não vai... Qual é olhar do pároco que nós queremos? O olhar de Felipe ou de André? Cônego José Donizete, nós vamos ficar de olho no seu olhar aqui", exortou dom Majella.

Padres Antônio Cássio, Rafael e José Francisco, cônego José Donizete e dom Majella, na apresentação das oferendas.

Dom Majella também pediu que os fiéis da paróquia Nossa Senhora da Conceição acolham seu novo pároco, colaborando nas atividades pastorais. Além disso, ele pediu que o cônego e os cristãos leigos colaborem com a arquidiocese nas atividades do 1º Sínodo Arquidiocesano.

Cônego José Donizete faz discurso aos fiéis, ao final de sua apresentação como pároco.

No dia 6 de maio, às 19h, na igreja matriz, os fiéis da paróquia Nossa Senhora de Lourdes, em Maria da Fé (MG), acolherão, oficialmente, seus novos padres, Reinaldo dos Santos e Nelson Júnior da Cruz, com a presença do arcebispo.

 

Imagens: Facebook/Pastoral da Comunicação/Paróquia Nossa Senhora da Conceição.

A imagem destacada da notícia traz cônego José Donizete sendo oficialmente apresentado por dom Majella como pároco da paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Conceição dos Ouros.


Bispos do Brasil, reunidos em assembleia, lançam mensagem ao povo brasileiro

A 59ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) aconteceu da última segunda (25) até hoje (29), de forma online. Dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., arcebispo metropolitano de Pouso Alegre (MG), participou do evento. Ao final, os bispos lançaram uma mensagem de fé, esperança e corajoso compromisso com a vida e o Brasil.

 

Na 59ª Assembleia Geral, foram tratados mais de 40 temas, cada um com suas subdivisões, referindo-se à vida interna da Igreja e a relação da Igreja com a sociedade, segundo dom Joel Portella Amado, bispo auxiliar do Rio de Janeiro (RJ) e secretário-geral da CNBB. Segundo dom Joel, garantir o debate e a reflexão de cada assunto em um tempo restrito e com grande participação, foi um dos pontos fortes desta assembleia.

O texto conclusivo da 59ª Assembleia Geral é uma mensagem de fé, esperança e compromisso com a vida e o Brasil. Os bispos lembraram da solidariedade para a superação da pandemia, agradeceram às famílias e agentes educativos pelo cuidado no campo da educação e dedicaram reflexões sobre a realidade do país, cujo quadro atual “é gravíssimo”. Para os bispos, “o Brasil não vai bem!”.

Diante da complexa e sistêmica crise ética, econômica, social e política, a CNBB espera que os governantes “promovam grandes e urgentes mudanças, em harmonia com os poderes da República, atendo-se aos princípios e aos valores da Constituição de 1988”.

A mensagem também aborda o processo eleitoral deste ano, envolto “de incertezas e radicalismos, mas, potencialmente carregado de esperança”. Também chama atenção para as ameaças ao pleito, além de reforçar um apelo pela democracia brasileira.

“Conclamamos toda a sociedade brasileira a participar das eleições e a votar com consciência e responsabilidade, escolhendo projetos representados por candidatos e candidatas comprometidos com a defesa integral da vida, defendendo-a em todas as suas etapas, desde a concepção até a morte natural. Que também não negligenciem os direitos humanos e sociais, e nossa casa comum onde a vida se desenvolve”, escreveram os bispos.

Ao final do texto, os bispos convidam a todos, particularmente a juventude, “a deixarem-se guiar pela esperança e pelo desejo de uma sociedade justa e fraterna”.

 

Texto e imagens: CNBB.

 

Confira o texto na íntegra:

 

MENSAGEM AO POVO BRASILEIRO

59ª. Assembleia Geral da CNBB

“A esperança não decepciona” (Rm 5,5).

Guiados pelo Espírito Santo e impulsionados pela Ressurreição do Senhor, unidos ao Papa Francisco, nós, bispos católicos, em comunhão e unidade, reunidos para a primeira etapa da 59ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, de modo on-line e com a representação de diversos organismos eclesiais, dirigimos ao povo brasileiro uma mensagem de fé, esperança e corajoso compromisso com a vida e o Brasil.

Enche o nosso coração de alegria perceber a explosão de solidariedade, que tem marcado todo o País na luta pela superação do flagelo sanitário e social da COVID-19. A partilha de alimentos, bens e espaços, a assistência a pessoas solitárias e a dedicação incansável dos profissionais de saúde são apenas alguns exemplos de incontáveis ações solidárias. Gestores de saúde e agentes públicos, diante de um cenário de medo e insegurança, foram incansáveis e resilientes. O Sistema Único de Saúde-SUS mostrou sua fundamental importância e eficácia para a proteção social dos brasileiros. A consciência lúcida da necessidade dos cuidados sanitários e da vacinação em massa venceu a negação de soluções apresentadas pela ciência. Contudo, não nos esquecemos da morte de mais de 660.000 pessoas e nos solidarizamos com as famílias que perderam seus entes queridos, trazendo ambas em nossas preces.

Agradecemos ainda, de modo particular às famílias e outros agentes educativos, que não se descuidaram da educação das crianças, adolescentes, jovens e adultos, apesar de todas as dificuldades. Com certeza, a pandemia teria consequências ainda mais devastadoras, se não fosse a atuação das famílias, educadores e pessoas de boa vontade, espírito solidário e abnegado. A Campanha da Fraternidade 2022 nos interpela a continuar a luta pela educação integral, inclusiva e de qualidade.

A grave crise sanitária encontrou o nosso País envolto numa complexa e sistêmica crise ética, econômica, social e política, que já nos desafiava bem antes da pandemia, escancarando a desigualdade estrutural enraizada na sociedade brasileira. A COVID-19, antes de ser responsável, acentuou todas essas crises, potencializando-as, especialmente na vida dos mais pobres e marginalizados.

O quadro atual é gravíssimo. O Brasil não vai bem! A fome e a insegurança alimentar são um escândalo para o País, segundo maior exportador de alimentos no mundo, já castigado pela alta taxa de desemprego e informalidade. Assistimos estarrecidos, mas não inertes, os criminosos descuidos com a Terra, nossa casa comum. Num sistema voraz de “exploração e degradação” notam-se a dilapidação dos ecossistemas, o desrespeito com os direitos dos povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos, a perseguição e criminalização de líderes socioambientais, a precarização das ações de combate aos crimes contra o meio ambiente e projetos parlamentares desastrosos contra a casa comum.

Tudo isso desemboca numa violência latente, explícita e crescente em nossa sociedade. A crueldade das guerras, que assistimos pelos meios de comunicação, pode nos deixar anestesiados e desapercebidos do clima de tensão e violência em que vivemos no campo e nas cidades. A liberação e o avanço da mineração em terras indígenas e em outros territórios, a flexibilização da posse e do porte de armas, a legalização do jogo de azar, o feminicídio e a repulsa aos pobres, não contribuem para a civilização do amor e ferem a fraternidade universal.

Diante deste cenário esperamos que os governantes promovam grandes e urgentes mudanças, em harmonia com os poderes da República, atendo-se aos princípios e aos valores da Constituição de 1988, já tão desfigurada por meio de Projetos de Emendas Constitucionais. Não se permita a perda de direitos dos trabalhadores e dos pobres, grande maioria da população brasileira. A lógica do confronto que ameaça o estado democrático de direito e suas instituições, transforma adversários em inimigos, desmonta conquistas e direitos consolidados, fomenta o ódio nas redes sociais, deteriora o tecido social e desvia o foco dos desafios fundamentais a serem enfrentados.

Nesse contexto, iremos este ano às urnas. O cenário é de incertezas e radicalismos, mas, potencialmente carregado de esperança. Nossas escolhas para o Executivo e o Legislativo determinarão o projeto de nação que desejamos. Urge o exercício da cidadania, com consciente participação política, capaz de promover a “boa política”, como nos diz o Papa Francisco. Necessitamos de uma política salutar, que não se submeta à economia, mas seja capaz de reformar as instituições, coordená-las e dotá-las de bons procedimentos, como as conquistas da Lei da Ficha Limpa, Lei Complementar 135 de 2010, que afasta do pleito eleitoral candidatos condenados em decisões colegiadas, e da Lei 9.840 de 1999, que criminaliza a compra de votos. Não existe alternativa no campo democrático fora da política com a ativa participação no processo eleitoral.

Tentativas de ruptura da ordem institucional, hoje propagadas abertamente, buscam colocar em xeque a lisura do processo eleitoral e a conquista irrevogável do voto. Tumultuar o processo político, fomentar o caos e estimular ações autoritárias não são, em definitivo, projeto de interesse do povo brasileiro. Reiteramos nosso apoio às Instituições da República, particularmente aos servidores públicos, que se dedicam em garantir a transparência e a integridade das eleições.

Duas ameaças merecem atenção especial. A primeira é a manipulação religiosa, protagonizada tanto por alguns políticos como por alguns religiosos, que coloca em prática um projeto de poder sem afinidade com os valores do Evangelho de Jesus Cristo. A autonomia e independência do poder civil em relação ao religioso são valores adquiridos e reconhecidos pela Igreja e fazem parte do patrimônio da civilização ocidental. A segunda é a disseminação das fake news, que através da mentira e do ódio, falseia a realidade. Carregando em si o perigoso potencial de manipular consciências, elas modificam a vontade popular, afrontam a democracia e viabilizam, fraudulentamente, projetos orquestrados de poder. É fundamental um compromisso autêntico com a verdade e o respeito aos resultados nas eleições. A democracia brasileira, ainda em construção, não pode ser colocada em risco.

Conclamamos toda a sociedade brasileira a participar das eleições e a votar com consciência e responsabilidade, escolhendo projetos representados por candidatos e candidatas comprometidos com a defesa integral da vida, defendendo-a em todas as suas etapas, desde a concepção até a morte natural. Que também não negligenciem os direitos humanos e sociais, e nossa casa comum onde a vida se desenvolve. Todos os cristãos somos chamados a preocuparmo-nos com a construção de um mundo melhor, por meio do diálogo e da cultura do encontro, na luta pela justiça e pela paz.

Agradecemos os muitos gestos de solidariedade de nossas comunidades, por ocasião da pandemia e dos desastres ambientais. Encorajamos as organizações e os movimentos sociais a continuarem se unindo em mutirão pela vida, especialmente por terra, teto e trabalho. Convidamos a todos, irmãos e irmãs, particularmente a juventude, a deixarem-se guiar pela esperança e pelo desejo de uma sociedade justa e fraterna. Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, obtenha de Deus as bênçãos para todos nós.

Brasília – DF, 29 de abril de 2022.

 

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte – MG
Presidente da CNBB

Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre, RS
1º Vice-Presidente

Dom Mário Antônio da Silva
Bispo de Roraima, RR
2º Vice-Presidente

Dom Joel Portella Amado
Bispo auxiliar do Rio de Janeiro, RJ
Secretário-Geral