"É o amor que deve nos guiar como presbíteros", dom Majella

No último dia 18, nas celebrações da quinta-feira Santa, centenas de fiéis, presbíteros e religiosos(as) participaram da Missa do Crisma, durante a qual foram abençoados os Óleos dos Catecúmenos e Enfermos e consagrado os Óleos do Crisma. Nesta Eucaristia, os presbíteros também renovaram suas promessas feitas no dia da Ordenação. A missa foi presidida pelo arcebispo metropolitano, Dom José Luiz Majella Delgado - C.Ss.R., na Catedral Metropolitana.

Confira a homilia do arcebispo na íntegra:

Nesta missa crismal de quinta-feira santa, os santos Óleos estão no centro da ação litúrgica. O óleo sacramental da Igreja, sinal da bondade de Deus que nos toca, é usado em quatro sacramentos: no Batismo; na Confirmação, como sacramento do Espírito Santo; nos vários graus do sacramento da ordem; e, finalmente, na unção dos enfermos, na qual o óleo nos é oferecido, por dizer assim, como medicamento de Deus. Assim, o Óleo, nas suas diversas formas, nos acompanha ao longo de toda a vida, desde o Catecumenato e o Batismo até o momento em que nos preparamos para o encontro definitivo com Deus, Juiz e Salvador. Hoje, nesta missa crismal, o sinal sacramental do Óleo fala de modo particular a nós, sacerdotes: fala-nos de Cristo, que Deus ungiu como rei e sacerdote; Dele, que nos torna participantes do seu sacerdócio, da sua unção, na nossa ordem sacerdotal. No fruto da oliveira no óleo consagrado toca-nos a bondade do Criador, o amor do Redentor que nos chamou, escolheu, consagrou e enviou em missão.

Esta missa crismal, quando comigo, pastor diocesano, os senhores sacerdotes, meus colaboradores mais estreitos, circuncidados pelo povo de Deus, são chamados a renovar as promessas formuladas no dia da ordenação sacerdotal, é-nos um momento forte de comunhão eclesial, que realça o dom do sacerdócio ministerial deixado por Cristo à sua Igreja, na vigília da sua Morte na Cruz. É também uma preciosa ocasião para meditarmos sobre a caridade, virtude que escolhemos para iluminar a nossa caminhada eclesial neste ano, concluindo, assim, o tríduo preparatório para a celebração dos 120 anos de criação da diocese de Pouso Alegre. Nos diz o papa Francisco que “a caridade deve chegar a quantos se encontrem necessidade onde quer que estejam”.

É o amor que deve nos guiar como presbíteros. É ele que faz com que não se coloque uns contra os outros. Em uma escolha teologal, espiritual e política, escolhemos não uma impossível neutralidade, mas a liberdade infinita e universal de amar a todos, sejam eles quem forem. Como padres devemos desejar vivamente que haja respeito ao outro padre, em nome do amor que Deus também escreveu em sua vocação de homem.

Jesus não podia desejar a traição de Judas. Chamando-o “amigo”, Ele se dirige ao amor escondido. Ele busca seu Pai neste homem. Acreditamos realmente que Jesus o encontrou? Onde houver esse amor que dá a vida pelo outro, ali estará Deus, ali haverá martírio da caridade. Jesus ensina que o único martírio é do amor, da caridade. Mesmo ao amigo que o trai, mesmo aquele que é responsável por sua morte e aquele acaba de lavar os pés. O martírio de Jesus é, portanto, martírio de amor pelo ser humano, por todos os seres humanos. Mesmo os marginais, os ladrões, os criminosos, os que agem cobertos pelas trevas e na calada da noite. Esse martírio inclui o perdão, o dom perfeito interminável, que persiste em dar.

Deus não confiou o sacerdócio aos anjos, mas a nós, seres humanos. Deus permite que nós, padres, cometemos falhas a fim de que a consciência de nossas quedas nos torne mais humanos com os nossos irmãos. Ser indulgente com as fraquezas do próximo é uma virtude de humildade. Por que havíamos nós de ser mais perfeitos que os outros? Por que havemos de estranhar que os outros tenham defeitos, se nós estamos cheios deles? Deus permitiu a queda de Pedro, coluna da Igreja, porto da fé, doutor do universo, para ensiná-lo a tratar os seus irmãos com misericórdia; e por igual permissão divina, o profeta Elias também caiu para se vestir com o manto da caridade e tornar-se indulgente como seu Senhor (São João Crisóstomo, da homilia sobre Pedro e Elias).

O hábito da caridade é requerido em nós enquanto amamos a Deus e ao próximo. Às vezes limitamos a palavra “caridade” a solidariedade ou a mera ajuda humanitária. É importante recordar, ao invés, que a maior obra de caridade é precisamente a evangelização, ou seja, o “serviço da Palavra”. Não há ação mais benéfica e, por conseguinte, caritativa com o próximo do que repartir o Pão da Palavra de Deus, fazê-lo participante da Boa Nova do Evangelho, introduzi-lo no relacionamento com Deus: “a evangelização é a promoção mais alta e integral da pessoa humana” (papa bento XVI, mensagem para quaresma de 2013). O amor gratuito de Deus é-nos dado a conhecer por meio do anúncio do Evangelho como homens consagrados ao Senhor, somos, portanto homens da caridade.

O sacramento da Ordem que recebemos nos faz participar da mesma missão de Cristo, de entrar nos seus sentimentos, de descobrir cada vez mais a riqueza e a ternura do Amor do Mestre divino, que a cada dia, a cada momento, nos chama a uma amizade mais íntima com Ele. Por isso, nós, servidores de Cristo, em todas as ocasiões visitemos a Cristo, alimentemos a Cristo, tratemos as feridas de Cristo, vistamos a Cristo, acolhamos a Cristo, sirvamos a Cristo na pessoa do pobre.

A caridade para com os pobres é um dever importante que temos que preencher pois o apóstolo São João nos adverte: “o que, tendo riquezas deste mundo, vir seu irmão em necessidade e lhe fechar as suas entranhas, como poderá permanecer nele a caridade?” (1Jo 3, 17). Lemos nos salmos: “feliz de quem pensa no pobre no fraco salmo” (Sl 40, 2). E ainda: “feliz o homem caridoso e prestativo”. (Sl 111,5). Os pobres são amigos de Deus, por isso, dar alguma coisa ao necessitado é dá-la ao próprio Deus. “Quem se compadece do necessitado empresta ao Senhor” (Pr 14, 31). Ajudar os pobres, os fracos a recuperarem seus direitos, compartilhar sua mesa com pobre, não como gesto ocasional provocado por uma emoção passageira, mas manter sempre uma grande proximidade com o pobre, ser próximo, solidário com os oprimidos, despojados, os que vivem nas periferias existenciais; procurar ser um pai para eles. A caridade para com o pobre não admite adiamento. Reparte o teu pão com o faminto, acolhe em tua casa os pobres e peregrinos (Is 58,7) com alegria e presteza. Essa presteza e solicitude duplicarão a recompensa da sua dádiva. Quem ajuda o pobre muito se ganha de Deus.

De modo especial recomendo a caridade para com os doentes e sofredores por se acharem muitas vezes abandonados de todos e atormentados, além disso, por dores, inquietações e tédio. Procure ver em cada doente o próprio Jesus, que declarou aceitar como feito a si mesmo tudo o que se fizer pelos enfermos: “Estive doente e me visitastes” (Mt 25, 36). Precisa de grande caridade para tratar o enfermo o melhor que puder. Quanto mais pobres e abandonados estiverem os doentes, mais deve cuidar em prestar-lhes assistência, principalmente se as doenças durarem muito. Consola-os, então, servindo-os e socorrendo-os.

“Deus foi o primeiro a amar-nos (cf. 1Jo 4,10), agora o amor já não é apenas um ‘mandamento’, mas é a resposta ao dom do amor com que Deus vem ao nosso encontro” (Deus Caritas ets, 1). O cristão é uma pessoa conquistada pelo amor de Cristo e, movido por este amor, está aberto de modo profundo e concreto ao amor do próximo (cf. Deus Caritas est, 33). Esta atitude nasce, antes de tudo, da consciência de ser amados, perdoados e mesmo servidos pelo Senhor, que se inclina para lavar os pés dos apóstolos e se oferece a si mesmo na cruz para atrair a humanidade ao amor de Deus.

Toda a vida cristã consiste em responder ao amor de Deus. Quando damos espaço ao amor de Deus, tornamo-nos semelhantes a Ele, participantes da sua própria caridade.

Amados irmãos e irmãs, queridos padres, esta mesa da comunhão que alimenta nossa fé, nos convida vestirmos o hábito do amor. Peçamos ao Senhor que afaste qualquer hostilidade do nosso coração, que nos tire qualquer sentido de autossuficiência e que nos revista verdadeiramente com as vestes do amor, para que sejamos pessoas caridosas.

Invocando a intercessão de Maria Santíssima, a Senhora da Caridade, a nos ensinar a amar, a amar mais, a amar melhor, a sermos sempre amor dedicado, peço-lhes pela intercessão de São Sebastião, nosso glorioso padroeiro, que caminhamos sem jamais desanimar.


Futuro beato brasileiro, padre Donizetti foi ordenado em Pouso Alegre

Foto do site: santosbeatoscatolicos.com

Com informações VaticanNews -

Na audiência ao prefeito da Congregação das Causas dos Santos, cardeal Angelo Becciu, no último sábado (06), o papa Francisco reconheceu o milagre por intercessão do venerável servo de Deus padre Donizetti Tavares de Lima que será beatificado, e as virtudes heróicas dos servos de deus frei Damião de Bozzano e do leigo Nelson Santana. Durante o encontro, o Santo Padre autorizou a promulgação de alguns decretos, reconhecendo o milagre por intercessão do venerável servo de Deus padre Donizetti Tavares de Lima que será beatificado.

Nascido em Cássia (MG) no dia 03 de janeiro de 1882. Estudou em Franca, Sorocaba e no Seminário Episcopal de São Paulo, onde exerceu a função de organista e professor de música. Aos 21 anos já tinha tomado a decisão pelo sacerdócio e matriculou-se no curso de filosofia do Seminário de São Paulo. Completou seus estudos eclesiásticos em Pouso Alegre-MG, local em que tornou-se sacerdote em 12 de julho de 1908, quando foi ordenador por Dom João Batista Corrêa Nery. Segundo o responsável pelo arquivo arquidiocesano, padre Rodrigo Carneiro, na época da ordenação ainda não havia a diocese de Guaxupé, a qual pertenceria sua cidade natal.

"Ele é de Cássia e na época Cássia pertencia à Pouso Alegre, não havia a diocese de Guaxupé. Alguns padres, quando dom Nery foi embora para Campinas, o acompanharam, e o padre Donizetti estava entre eles. Tambaú passou à diocese de São João da Boa Vista. Dom Nery foi administrador apostólico da diocese de Campanha e foi transferido para Campinas em 30 de outubro de 1908", explicou.

Depois de ordenado, vai para a diocese de Campinas, acompanhando Dom João Nery, ocupando a função de Pároco em Vargem Grande do Sul (SP). Transfere-se, em seguida, para a diocese de Ribeirão Preto, à qual pertencia Tambaú. A Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Tambaú, nunca pertenceu à diocese de Pouso Alegre. Era de São Paulo até 1908, quando passou a pertencer a Ribeirão Preto. Em 1960, passa a pertencer à nova diocese de São João da Boa Vista.

A ordenação de padre Donizetti está anotado no livro de regristros da arquidiocese de Pouso Alegre, sendo ele o 22º padre ordenado. Padre Donizetti exerceu seu ministério sacerdotal em Campanha-MG, Jaguariúna-SP e Vargem Grande do Sul-SP. Chegou a Tambaú em 12 de junho de 1926 permanecendo até seu falecimento, em 16 de junho de 1961.
Nas redes sociais do Santuário Nossa Senhora Aparecida de Tambaú, o atual reitor, padre Anderson Godói, se pronunciou sobre o anúncio da beatificação.

"Quero compartilhar com você a alegria que invade nossa alma em anunciaar que a Igreja reconheceu padre Donizetti como beato. Homem que viveu nesta cidade, que testemunhou o amor de Deus. quero compartilhar com você em poder anunciar, partilhar essa notícia que o papa Francisco nos deu. Quero convidá-lo para, desde já, a rezar e preparar nosso coração para a beatificação do padre Donizetti. O nome Donizetti signfiica 'dom, presente de Deus'. Hoje temos a oportunidade de abrir esse presente e mostrar às pessoas um homem simples, um homem que tinha um amor a palavra de Deus, que tinha uma devocação a nossa senhora", disse.

Veja a cronologia do processo de beatificação do padre Donizetti

Biografia

Assim que assumiu a paróquia, padre Donizetti encomendou a réplica da imagem de Nossa Senhora Aparecida para colocar na Igreja Matriz de Santo Antônio. Em 1929, um incêndio provocado por um curto circuito destruiu completamente a igreja. Das 23 imagens que havia no local restou intacta apenas a imagem da padroeira do Brasil, retirada do incêndio pelo padre Donizetti. Diante do fato o padre prometeu construir um santuário para a Virgem Santíssima. Seu desejo, porém, só foi concretizado após sua morte, aos 79 anos.

Padre Donizetti espalhou por Tambaú diversas obras sociais, entre elas destacam-se a fundação do asilo São Vicente de Paulo e da Associação de Proteção à Maternidade e à Infância de Tambaú. Criou também a Congregação Mariana, a Irmandade das Filhas de Maria e o Circulo Operário Tambauense.

O religioso fez voto de pobreza desde sua ordenação sacerdotal e a única coisa que dizia possuir eram livros. Para ele, a evangelização só alcançava seus frutos através da penitência. Exerceu seu sacerdócio como Jesus, a serviço dos pobres, dos desprotegidos e dos doentes. Viveu de maneira simples e humilde, sempre à disposição do povo.

Sua “fama de Santidade” já em vida, leva até hoje milhares de pessoas ao Santuário Nossa Senhora Aparecida de Tambaú-SP, onde encontram-se seus restos mortais. Na chamada “Casa dos Milagres”, nome dado à residência onde viveu, encontram-se inúmeros objetos deixados por pessoas que alcançaram uma graça. Atualmente o padre está em processo de beatificação junto ao Vaticano.


Pastoral Bíblico-Catequética organiza encontro para coordenadores paroquiais

A coordenação arquidiocesana bíblico-catequética realiza no dia 13 de abril o encontro para coordenadores paroquiais de catequese. O encontro ocorre no Santuário Imaculado Coração de Maria, entre 8h30 e 16h, e terá como tema "Catequese inclusiva". A assessoria é do professor Giovanni Marques.

A confirmação de participação deve ser feita pelo até o dia 8 de abril pelo telefone da Cúria Metropolitana (3421-1248), pelo whatsapp da Secretaria de Pastoral (9.9840-6577) ou pelo email secretariadepastoralpa@gmail.com. O investimento é de R$ 15 por pessoa e cada um deve trazer seu crachá já pronto.

"Agradecemos a atenção dos senhore párocos e o empenho das coordenações paroquiais. Juntos podemos encontrar novos caminhos, transformar as dificuldades em desafios, ser instrumentos da presença amorosa de Deus na vida de nossos catequizandos", exorto o coordenador arquidiocesano, padre Tiago Vilela.


Inscrições abertas para o Encontro Provincial de Comunicação

A Província Eclesiástica de Pouso Alegre (Dioceses de Campanha, Guaxupé e Pouso Alegre) se unem para a realização do "Primeiro Encontro Provincial de Comunicação". O encontro ocorre na Secretaria de Pastoral da Arquidiocese de Pouso Alegre, no dia 26 de maio, entre 08h30 e 16h.

Quem ajudará na assessoria de todo o dia será o jornalista Fabiano Fachini, coordenador de mídias digitais da Rede Século XXI. O tema por ele explorado será: "O uso das novas mídias na evangelização". O investimento é de R$20,00 por pessoa.

Fala sua inscrição aqui para o ENCONTRO PROVINCIAL DE COMUNICAÇÃO
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Arquidiocese faz memória do primeiro ano de falecimento de Dom Ricardo

A arquidiocese de Pouso Alegre se reuniu na noite desta segunda-feira (01) na Catedral Metropolitana para rezar pelo sufrágio da alma de seu arcebispo emérito, dom Ricardo Pedro Chaves Pinto Filho - Opraem., falecido há um ano. A missa foi presidida pelo arcebispo metropolitano, Dom José Luiz Majella Delgado - C.Ss.R., e concelebrada por dezenas de padres do clero diocesano. Centenas de fiéis de diversas paróquias também participaram da Eucaristia.

Um quadro com a foto de dom Ricardo, a mitra e o báculo utilizados por ele, ajudavam todos a fazerem memória desse homem que por 18 anos esteve à frente da Igreja Particular de Pouso Alegre.

A homilia foi feita pelo cônego Benedito Ramon, que por dez anos conviveu diretamente com dom Ricardo, exercendo a função de ecônomo ou vigário geral. Segundo ele, a fé, a esperança e a caridade regiam a vida e o agir de dom Ricardo.

"A caridade é reflexo de uma fé amadurecida e uma esperança solidificada. Nisto percebemos o dom Ricardo, homem de fé, homem de esperança, homem de caridade. Nas conversas particulares onde tivemos o privilegio de rir juntos e muitas vezes também chorarmos juntos, percebemos quem ele era. As pessoas muitas vezes não o conheciam de verdade. Homem de fé. Uma fé amadurecida. Era um homem de fé provada no sofrimento e nos contratempos. A fé sólida. Um homem de fé que amava a Deus, amava a Igreja, amava a nós padres, amava muito o povo de Deus. Acreditava em Deus, acreditava na Igreja, acreditava no ser humano. Por isso, muitas vezes, era mal interpretado. Por ser um homem de fé acreditava na pessoa, acreditava que era possível mudar, e por isso sofria muito com a falta de fé das pessoas. Dom Ricardo, homem da esperança e muitas vezes esperava contra toda desesperança, porque esperava em Deus, com o olhar fixo no Senhor. Ele primeiro nos convidava para rezar e depois tomávamos as decisões", disse.

Ainda segundo cônego Ramon, a confiança em Deus guiava dom Ricardo até mesmo no tomar decisões difíceis.

"Homem de oração, homem de fé e de esperança. Vivia o que rezava e rezava o que vivia. Quando eu chegava na Cúria e ia lá na casa e via o dom Ricardo na capela, era porque alguma coisa tinha acontecido. Ele era muito metódico, principalmente com a oração. Sabia que o protagonista da missão era Deus, e não ele. Ele sempre falava: 'Deus está à frente, nós somos instrumentos'. Rezava antes de agir", relembrou.

Era muito forte no arcebispo emérito a figura do Pai misericordioso do Evangelho.

"Homem do perdão. Em sua vida ele mostrou a imagem do Pai amoroso. Chegava ao ponto de irritar a gente, pois era bom demais. Parecia que era bobo, mas dizia: “não é assim. O tempo vai mostrar”. Hoje entendo que este tempo era esperança, e esperança era acreditar no Reino. Perdoava sempre, não guardava mágoas de ninguém. Sua fé e caridade falava muito mais alto. E se nós que tivemos o privilégio de ser amigos, queremos cultuar sua memoria e viver um pouco daquilo que ele nos ensinou. É ter um pouco da sua capacidade de amar, de perdoar, de ter um pouco da sua fé, da sua esperança, da sua caridade, de ser penitente e ter uma vida de oração", afirmou cônego Ramon.

Biografia de dom Ricardo

Dom Ricardo nasceu em Capelinha (MG) no dia 6 de agosto de 1938. Era filho do casal Pedro Chaves Pinto e Paula Amélia Dias. Cursou os dois primeiros anos em escola rural, na fazenda de seu pai, concluindo o primário na cidade de Caetanópolis (MG). Em 1954 entrou para o Seminário Provincial do Sagrado Coração de Jesus, em Diamantina, e, em 1957, passou para a Escola Apostólica São Norberto, no município de Montes Claros, onde terminou o Seminário menor.

Em 28 de janeiro de 1961, ingressou no Noviciado dos Cônegos Presmonstratenses, em Pirapora do Bom Jesus (SP), onde, posteriormente fez cursos de Filosoria e Teologia.

Foi ordenado padre no dia 29 de junho de 1967. Em 1983, licenciou-se em Teologia Moral na Academia Alfonsiana, em Roma. Dom Ricardo foi Vigário da Paróquia de Bocaiúva (MG) por dois anos. Exerceu o cargo de reitor da Escola Apostólica de São Norberto e do Seminário Maior da Ordem, em Belo Horizonte. Atuou também como Mestre de Noviços.

Em dezembro de 1983, foi nomeado Superior da Ordem Premonstratense de Minas Gerais. A partir de 1986, transferindo-se novamente para Belo Horizonte, assumiu a função de vigário na Paróquia São Gonçalo, em Contagem (MG).

O então padre Ricardo foi designado Bispo de Leopoldina, pelo Papa joão Paulo II, em 14 de março de 1990. No dia 21 de abril do mesmo ano foi ordenado bispo em Contagem.

Dom Ricardo foi nomeado Arcebispo da Arquidiocese de Pouso Alegre no dia 16 de Outubro de 1996, tendo tomado posse no dia 3 de dezembro do mesmo ano. Exerceu seu episcopado até 2014, quando o Papa Francisco acolheu seu pedido de aposentadoria. Como Arcebispo Emérito residia no município de Monte Sião. Conforme determina o Código de Direito Canônico, ao completar 75 anos, Dom Ricardo enviou à Santa Sé sua carta de renúncia à Arquidiocese e no dia 28 de maio de 2014 o Papa Francisco a aceitou. Dom Ricardo Pedro tornou-se o primeiro Arcebispo emérito de Pouso Alegre.

Residiu por alguns meses na cidade de Poços de Caldas, mudando-se para o município de Monte Sião, onde vive hoje e continua a evangelizar com seu exemplo de fidelidade e dedicação ao ministério que exerce.

Ele faleceu no dia 1º de abril de 2018, domingo de Páscoa.


Padre da Arquidiocese passa a fazer parte da nova coordenação da Pascom do Leste 2

Com informações do Regional Leste 2 -

Durante o 2º Encontro Regional de Coordenadores Diocesanos da Pastoral da Comunicação (Pascom), realizado no dia 30 de março, ocorreu a eleição da nova coordenação da Pascom do Regional Leste 2.

Na ocasião os agentes, coordenadores e membros da comissão da Pascom escolheram Janaína Gonçalves da Arquidiocese de Belo Horizonte (MG) como nova coordenadora. A jornalista e mestra em Ciências da Religião pela PUC Minas, atua na Pascom da Província Eclesiástica de BH desde 2015 e atualmente é analista de comunicação na Região Episcopal Nossa Senhora da Esperança da Arquidiocese de Belo Horizonte.

Além da escolha da nova coordenação, o Padre Andrey Nicioli da Arquidiocese de Pouso Alegre (MG) foi apresentado como o novo Assessor Eclesiástico da Pascom.O sacerdote é bacharel em Filosofia, Jornalismo pela PUC Campinas e em Teologia pela Faculdade Católica de Pouso Alegre. Atualmente integra a comunicação da Arquidiocese de Pouso Alegre.

Ambos assumiram o compromisso de contribuir com as atividades que lhes foram atribuídas e desenvolvê-las da melhor forma possível.

O Regional Leste 2 deseja boas-vindas a nova coordenação.

A nova coordenação ficou formada assim:

Coordenadora: Janaína Gonçalves

Assessor eclesiástico: Pe. Andrey Nicioli

Coordenação antecessora é elogiada

Marcus Tullius da Arquidiocese de Vitória (ES) e antigo coordenador da Pascom do Leste 2, foi amplamente elogiado pelo trabalho e atividades desenvolvidas desde 2015. Agora ele assumirá a coordenação nacional da Pascom, na qual foi eleito por voto secreto e direto por bispos referenciais e coordenadores dos 18 regionais da CNBB responsáveis pela Pascom, em 19 de julho de 2018.


Seminário Arquidiocesano realiza seu primeiro Encontro Vocacional do ano

No último dia 24, no Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora Auxiliadora foi realizado o primeiro Encontro vocacional do ano de 2019. O Encontro contou com a participação de cerca de 50 jovens que puderam refletir sobre sua vocação, através de reflexões, orações e partilhas. O próximo encontro vocacional promovido pelo Seminário, será no dia 16 de junho, das 9h às 15h.


Conselho de Reitores se reúne em Pouso Alegre para primeiro encontro anual

O Conselho Arquidiocesano de Reitores dos Santuários e Basílica (CARESB-PA) se reuniu na manhã desta quarta-feira (20) para a primeira reunião anual. Participaram da reunião o arcebispo metropolitano, Dom José Luiz Majella Delgado - C.Ss.R., o coordenador de pastoral, padre Mauro Ricardo de Freitas, e reitores e vigários paroquiais dos Santuários e Basílica localizados na Arquidiocese de Pouso Alegre. O objetivo do CARESB é fomentar maior unidade e coerência nas atividades entre os 10 Santuários e Basílica Nossa Senhora do Carmo.

Na primeira parte da reunião, o padre Rodrigo Carneiro e o padre Benedito Ferreira partilharam a experiência que tiveram durante a participação no 23º Encontro Nacional de Santuários do Brasil que ocorreu entre os dias 18 e 22 de fevereiro em Trindade (GO). Segundo eles, a realidade da América Latina é formada por uma valiosa pluralidade cultural, que por sua vez faz surgir muitas manifestações religiosas, as quais revelam a sede que o povo têm de Deus. Alguns desafios surtem, então, para a evangelização nos Santuários.

"É preciso despertar na diocese o sentido de corresponsabilidade pelo Santuário; resgatar a força pedagógica da piedade popular para motivar nos peregrinos a participação ativa na Liturgia; preparar colaboradores que sejam capazes de acolher, celebrar e catequizar os devotos; promover celebrações devocionais, mas sem desconsiderar a Eucaristia como ponto de chegada e partida para todos os peregrinos; utilizar dos meios de comunicação como canais de evangelização; superar a ideia de que um Santuário existe apenas por um decreto; considerar um trabalho de acolhida para aqueles que vão ao Santuário para visitá-lo apenas como museu e ponto turístico; despertar no peregrino um desejo de conversão sincera por meio da participação em atos devocionais e na celebração dos sacramentos da Penitência e da Eucaristia; e propiciar lugares silenciosos para a oração pessoal", explicaram.
Para dom Majella, esses encontros ajudam nossos Santuários a crescerem e aprimorarem também seu trabalho de acolhida e evangelização.

"Apesar de nossos Santuários não terem uma exposição nacional ou regional, a participação nesses encontros traz para nós a caminhada dos Santuários no Brasil. É uma riqueza para nós. Nas nossas adaptações, trazemos algumas realidades para nós", disse.

Estatuto aprovado

Num segundo momento da reunião, os participantes aprovaram o Estatuto do Conselho Arquidiocesano dos Santuários e Basílica, o qual vinha sendo elaborado desde o ano passado. Segundo o documento, no seu artigo segundo, o Conselho de Reitores aponta diretrizes básicas que possam orientar a ação pastoral de todos os Santuários e Basílica da Arquidiocese à luz das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, Conselho Nacional dos Reitores de Santuários e Plano Pastoral da Arquidiocese de Pouso Alegre.

O Conselho deverá se reunir ordinariamente duas vezes ao ano para estudo, revisão e troca de experiências pastorais e extraordinariamente quando convocado pelo arcebispo.

Os Santuários e Basílica da Arquidiocese, neste momento, são:

- Santuário de Santa Rita de Cássia (Santa Rita de Caldas - 21/05/1998)
- Santuário da Medalha Milagrosa (Monte Sião - 05/11/1999)
- Basíica Nossa Senhora do Carmo (Borda da Mata - 08/12/2005)
- Santuário São Francisco de Paula e Nossa Senhora de Fátima (Ouro Fino - 13/05/2007)
- Santuário Nossa Senhora da Piedade (Itajubá - 12/08/2007)
- Santuário Santa Rita de Cássia (Extrema - 10/05/2008)
- Santuário Santa Rita de Cássia (Santa Rita do Sapucaí - 01/05/2009)
- Santuário Imaculado Coração de Maria (Pouso Alegre - 08/12/2013)
- Santuário Bom Jesus (Córrego do Bom Jesus - 21/12/2012)
- Santuário Nossa Senhora da Agonia (Itajubá - 05/05/2013)
- Santuário Nossa Senhora Aparecida (Brazópolis - 07/04/2018)

Eleição da coordenação

Também foram eleitos o coordenador e vice-coordenador do CARESB, sendo o padre Rodrigo Carneiro e padre Benedito Ferreira ocupando as funções, respectivamente.


Seminaristas realizam Retiro Espiritual na Comunidade Sol de Deus em Itajubá

Entre os dias 2 e 5 de março, foi realizado o Retiro Espiritual na Comunidade Sol de Deus em Itajubá. O Retiro contou com a presença de 25 seminaristas das etapas Discipular, Configurativa e também do Estagiário e teve como pregador o Pe. Jean Paul Hasen da diocese de Campanha-Mg, que desenvolveu o seguinte tema: "O Rosto humano de Jesus: mostrai-nos vossa face ó Senhor e seremos salvos".


Professora apresenta dados finais da pesquisa sociorreligiosa arquidiocesana

A professora Silvia Fernandes, do DT- Crelig, Grupo de Pesquisa Dinâmicas Territoriais, Cultura e Religião, que é formado por pesquisadores de diversas instituições de ensino, esteve em Pouso Alegre, no mês de fevereiro, para dar o retorno da pesquisa sociorreligiosa, encomendada pela Arquidiocese de Pouso Alegre. O resultado, como explicou a professora, foi um relatório de cerca de 500 páginas. A apresentação foi mais sintética, buscando explicar o processo da pesquisa e alguns resultados.

“A tarefa agora é da liderança arquidiocesana, em ler e analisar os dados coletados e ver como serão aplicados na realidade”, explicou Silvia.

Apresentação realizada às lideranças e assessorias

No dia 17 de fevereiro, foi realizada a apresentação para a liderança das paróquias e religiosos e religiosas, junto ao encontro de formação dos assessores paroquiais e, no dia 19 de fevereiro, a apresentação foi para o clero arquidiocesano, durante reunião. Como explicou Silvia, os objetivos da pesquisa foram o de conhecer a realidade sociorreligiosa da Arquidiocese e produzir instrumentos/ ferramentas para subsidiar a Arquidiocese, em relação às prioridades da última assembleia pastoral (Família, Missão e Vida Plena). O que se levantou foram dados que apresentam tendências. Feita por amostragem, a pesquisa procura identificar situações comuns entre os entrevistados que possam ser referências para entender o todo.
“Os resultados devem ser lidos e analisados, de forma a contribuir para o planejamento pastoral arquidiocesano”, salientou o coordenador arquidiocesano de Pastoral, Pe. Mauro Ricardo de Freitas.
Durante sua apresentação, Silvia falou que o Grupo de Pesquisa contou com o trabalho de campo realizado pelo Instituto Giga.
“A pesquisa foi realizada com dois tipos de abordagens: uma qualitativa, com grupos focais que visaram o diálogo, a escuta, o registro e a análise das falas dos participantes; e uma quantitativa, feita por meio da aplicação de questionários. Os públicos que participaram da pesquisa foram: extra-eclesial (ou pesquisa domiciliar), realizada com moradores de diversas cidades da Arquidiocese; a intra-eclesial foi feita com lideranças de comunidades, clero, religiosos e religiosas, coordenadores de pastorais e movimentos, secretários e funcionários de paróquias”, disse.
Alguns dados
A pesquisa intra-eclesial ouviu 2087 pessoas, nas duas abordagens (qualitativa e quantitativa). A pesquisa extra-eclesial ouviu 2200 pessoas, por meio da pesquisa quantitativa, na aplicação de questionários em várias cidades da região. Os resultados foram organizados em tópicos, para a apresentação, sendo eles: perfil; religião e adesão religiosa; frequência e participação; avaliação da Igreja Católica na região; Plano de Ação Evangelizadora; questões éticas e morais; questões de gênero e sexualidade na sociedade; confiança nas instituições e em seus representantes; direitos humanos e preservação da vida
Em relação à população, os dados que foram apresentados mostram alguns traços do perfil arquidiocesano: a maioria tem entre 26 a 55 anos (64%), com grau de escolaridade médio completo e superior incompleto (46%); grande parte é da classe média (82%), com pouca participação das classes baixa (15%) e alta (3%). Em relação à religião, a maioria (69%) se diz católica e 20% evangélica. Ainda encontram-se 5% da população que se diz ateia, agnóstica e sem religião. Sobre as crenças, 94% dizem acreditar em Deus, 90% acreditam na ressurreição, 76% creem na Santíssima Trindade e, o mesmo número, na Virgem Maria. Ainda, 32% afirmam acreditar na reencarnação e 73% no demônio.

Como a Igreja Católica é avaliada, a nota média foi de 7,7, o que corresponde a regular. Entre os itens melhores avaliados, da ação da Igreja, estão a formação espiritual (8.1) e a missão e evangelização (8). Os itens com menor avaliação foram a conscientização sobre política (5,9) e o ecumenismo (6,7). Ao serem questionados sobre que sugestões dariam para melhorar a Igreja, os respondentes elegeram, como as três ações mais importantes, conhecer mais os problemas da sociedade (12%), ouvir mais os jovens (11,6%) e estar mais próxima dos fieis (8,8%).
Lideranças e coordenadores

Em relação à pesquisa com as lideranças e coordenadores, alguns dos dados apresentados foram sobre o perfil demográfico, sendo 64,3% feminino e 35,7% masculino; a faixa etária maior é a que está entre 36 a 65 anos; a maioria

Apresentação ao clero

informou ter escolaridade entre ensino médio completo e superior completo (53%), grande parte pertence à classe média (53,8%).
Sobre as crenças, a professora Silvia destacou que “há um nível alto de concordância com a doutrina, valores e crenças próprias da fé católica”. Ela destacou os dados da crença em Deus (100%), em Jesus Cristo (100%) e sua ressurreição (100%), na Virgem Maria (100%), na Santíssima Trindade (100%), na Bíblia (100%) e na existência de anjo da guarda (100%). Outro destaque que ela fez foi sobre a crença em demônio que, segundo ela, curiosamente, “abarca 82% os informantes, mas 17% descreem da figura ícone da dinâmica entre bem e mal que funda o cristianismo”.

Entre esse público, o item melhor avaliado da ação da Igreja foi a “procura em compreender e acolher as pessoas que a procuram” (28,1%) e o item avaliado em menor quantidade foi “tem uma posição rígida diante do que discorda”. Sobre as sugestões para melhorar, o item mais apontado pela liderança foi “estar mais próxima dos fieis” (17,7%). Em relação ao Plano de Ação Evangelizadora da Arquidiocese (que sintetiza as decisões da Assembleia Pastoral realizada em 2016), 57,6% disseram conhecer parcialmente, 21,4% afirmaram conhecer totalmente e 18,9% disseram não conhecer. “Se considerados os que atribuíram notas de 0 a 7 ao Plano, tem-se aproximadamente 40% das lideranças, significando uma avaliação do Plano como regular ou ruim. No entanto, 60, 6% atribuíram nota de 8 a 10 o que pode representar uma avaliação positiva, embora afirmem haver dificuldades para sua implantação”, salientou Silvia.

A Comissão da Arquidiocese, responsável por acompanhar a pesquisa, continuará a leitura dos dados e sua devolutiva para a sociedade e para as comunidades eclesiais, como explicou o coordenador de Pastoral, Padre Mauro Ricardo. Espera-se que os dados ajudem na realização do Sínodo Arquidiocesano, a ser realizado em 2020.

Por Suzana Coutinho