Os amigos de Jesus na sua Paixão

Ao receber o convite para escrever um artigo a ser aqui publicado na ocasião da Semana Santa, lembrei-me de que, em certa ocasião, consultando os arquivos da Cúria Arquidiocesana, deparei-me com um pequenino livro, intitulado “Os Amigos de Jesus na sua Paixão”. Nele continha o registro de um sermão pregado na Catedral de Campinas (SP), no dia 21 de abril de 1916, Sexta-feira Santa, por monsenhor Octávio Chagas de Miranda, que naquele momento já havia sido nomeado o terceiro bispo diocesano de Pouso Alegre (MG) e aguardava sua ordenação em 04 de junho de 1916.

Muito me impressionou o sermão de dom Octávio. Percebi que os mais de cem anos que nos separam do texto, em nada diminuíam a sua beleza literária, sua profundidade espiritual, sua atualidade e o desejo de  reflexão que desperta em nós. Tomei, então, a iniciativa de não escrever um artigo, mas transcrever, na íntegra, este sermão de dom Octávio (somente alterando a grafia das palavras que naquela época era outra). Assim, fazendo memória daquele que por mais de 43 anos esteve à frente de nossa arquidiocese, suas palavras podem, ainda hoje, nesta Semana Santa de 2023, nos ajudar a meditar, refletir, rezar e descobrir se estamos, verdadeiramente, nos comportando como amigos de Jesus.

 

Os amigos de Jesus na sua Paixão

 

“Vamos também nós e morramos com Ele.” (Jo 11,15)

 

Estas palavras que o apóstolo São Tomé pronunciou, num impulso generoso, quando, lá das margens do Jordão, Jesus resolvera voltar à Judeia, para chamar à vida o seu amigo Lázaro, deveríamos nós pronunciar também hoje, comemorando a paixão do Redentor.

Aceitando a incumbência, bem superior às minhas forças de falar-vos sobre o acontecimento mais notável da humanidade, de abrir aos olhos desta multidão de crentes, algumas dessas páginas de sangue e de horror, em que vem narrado o mistério da nossa Redenção, eu não quero que a minha palavra humilde tenha apenas o efeito de uma sonoridade estéril ou mesmo de um grito que emocione. Eu pretendo alguma coisa a mais. Quisera que ela penetrasse fundo em vossos corações e deles arrancasse, sincera e generosa, aquela mesma exclamação do apóstolo: “Vamos também nós e morramos com Ele!”

Caríssimos irmãos. Quando inopinadamente chega aos nossos ouvidos a notícia de uma desgraça, de uma grande dor sofrida por pessoa amiga, o nosso primeiro impulso é ir para junto desse coração ferido pela desventura, para socorrê-lo ou para sofrer com ele.

Mas quando, por sobre o infortúnio daquele amigo, vemos a indiferença, a covardia e a ingratidão dos que tinham o dever de ampará-lo e confortá-lo, ah! então sentimos ainda mais a necessidade de correr ao encontro daquela dor, de dizer aquele coração duplamente torturado, que ele não está só, que pode contar com a nossa dedicação e mesmo com o nosso sacrifício.

É o que se dá com a Paixão de Jesus: com aquela que terminou no alto do Calvário e com essa outra que Ele vai padecendo na sua Igreja, no seu coração ainda vivo e palpitante de amor pela humanidade. Numa e noutra encontramos, a provocar a nossa generosidade, a mesma fraqueza, a mesma defecção dos amigos que dormem indiferentes, quando o coração de Jesus agoniza; amigos que fogem, quando Ele cai nas mãos de seus inimigos; amigos que o renegam, quando podiam e deviam defendê-lo com seu testemunho.

Vamos meditar, meus caros irmãos, essa dupla paixão de Jesus. Mas vamos, ao mesmo tempo, como um protesto contra a fraqueza dos que não souberam e dos que não sabem cumprir os deveres da amizade, acompanhá-lo com o coração, acompanhá-lo até o sacrifício, acompanhá-lo até a morte: “Vamos também nós e morramos com Ele!”

Amigos que dormem

Jesus terminara, com seus apóstolos, a memorável ceia em que nos legou o tesouro precioso da Eucaristia. A frente dos seus onze companheiros, – porque Judas havia já partido para concertar o ajuste nefando – segue o Divino Mestre pelas estradas sombrias do vale do Cédron, em busca de Getsêmani, o lugar habitual do seu repouso.

Era noite adiantada e a lua mal se elevava no horizonte. Na escuridão quase completa, apenas se avistavam os clarões das tendas inúmeras dos peregrinos que afluíam a Jerusalém naqueles dias. A hora era por demais propicia às reflexões austeras, se a expectativa de acontecimentos terríveis não viesse, por si só, lançar sobre o semblante de Jesus e de seus amigos uma nuvem de tristeza imensa. As palavras misteriosas pronunciadas nesse trajeto, a prece feita por Jesus ao avistar o alto do templo iluminado pelos reflexos da lua, depois o silêncio, apenas interrompido pelos passos dos viandantes, pelo farfalhar das árvores ou pelo murmúrio da torrente de águas negras, tudo vinha dar aquela hora uma nota de profunda melancolia.

Eram dez horas quando Jesus e seus apóstolos, atravessando a ponte do Cédron, penetraram no Jardim das Oliveiras. Lugar memorável onde se passou uma das cenas mais terríveis da paixão!

Como nos seria grato contemplar esta paragem tão querida às almas cristãs, descansar à sombra das mesmas oliveiras que assistiram às aflições de nosso Redentor, e que parecem imobilizadas pelo sangue divino escorrido sobre a suas raízes venerandas!

Mas entremos também nós, pelo pensamento, e observemos. Depois de alguns passos, por entre os ciprestes ou sobre a cúpula verdejante dos sicômoros e palmeiras, o grupo divide-se em dois. Jesus não quer que todos os apóstolos sejam testemunhas da sua fraqueza humana. “Ficai aqui, enquanto eu vou mais além para orar”. E chamando apenas Pedro, Tiago e João, adianta-se com eles até as proximidades de uma gruta existente no fundo do Jardim.

Mas não! Nem eles, nem os apóstolos prediletos, que viram a sua glória no Tabor, podem presenciar o escândalo de um Deus que se sente oprimido pela dor e pelo desalento! “Minha alma está triste até a morte, deixai-vos ficar aqui e velai comigo”.

E ele caminha um pouco mais, desfigurado, como um espetro que desliza entre as sombras, até que se prostra em súplicas e gemidos, que atravessam o silêncio da noite vão chegar aos ouvidos dos apóstolos com o prelúdio da tragédia horrenda prestes a começar. Mas alguns passos ainda e, na solidão tenebrosa da gruta, a tempestade se desencadeia em todo o seu furor, contra a vítima oferecida para o resgate da humanidade pecadora.

É indescritível o que se passou nessa hora – hora de angústia, hora de agonia, na expressão do Evangelho. “E começou a ficar com medo e angústia”, diz São Marcos, “triste e aflito”, diz São Mateus. Quatro paixões diferentes, segundo Bossuet: “E começou a sentir pavor e tédio, tristeza e aflição”. O medo, o pavor, diante das dores e opróbrios que ele vê como se fossem presentes. Sente se preso e arrastado, ouve as acusações e os insultos dos seus inimigos, e depois – o grito de morte e morte horrenda de cruz. As bofetadas, os açoites que lhe rasgam as carnes, os espinhos que se cravaram em sua adorável cabeça, o peso da cruz, a caminhada para o Calvário, os cravos que lhe traspassam as mãos e os pés e, finalmente a sua crucifixão, em meio à vozeria e a blasfêmias da população, todo esse conjunto de sofrimentos inauditos pesa, de um só golpe sobre a sua natureza delicada.

Foi aí então que, acabrunhado, apavorado, sentindo como se fora simples mortal, à violência daquelas dores, exclamou: “Meu Pai se é possível, passe de mim este cálice; porém não se faça o que eu quero mais o que tu queres”. Feita essa súplica, levanta-se, vai ter com os três apóstolos mais queridos e os encontra dormindo.

Ah! Que desilusão! Buscar lenitivo em corações amigos e encontrá-los mergulhados no sono da indiferença!

Não se diga que eles ignoravam o que se passava na alma de Jesus, porque o descreveram mais tarde; viram, portanto, furtivamente, todos os seus desfalecimentos e todas as circunstâncias principais da sua agonia. E foi certamente com espanto e tristeza que Pedro e os seus companheiros despertaram à estas palavras do Mestre: “Simão, tu dormes? Não pudeste vigiar uma hora sequer? Vigiai e orai, para não entrardes em tentação.”

Jesus volta, em seguida para a gruta, onde novas torturas o esperam. Depois do pavor, vem o tédio, o horror, diante do quadro repugnante que se desenha na sua imaginação. Os pecados, as abominações, os crimes de toda humanidade perpassam diante dos seus olhos, como a projeção fantástica de um bando de feras, salpicando de lama e de sangue a pureza imaculada de sua alma. Ele vê “com toda a vivacidade de sua penetração divina, os pecados dos reis e dos povos, dos ricos e dos pobres, dos pais e dos filhos, dos sacerdotes e dos leigos, as maledicências e calúnias, as impudicícias e adultérios, as simonias e as usuras, as traições e as vinganças” (Bourdalue).  É a realização da palavra do Salmista: “As torrentes da iniquidade encheram-me de horror”.

Arquejante sobre o peso de tantas abominações, sentindo toda a repugnância que existe entre o bem supremo e o mal em toda a sua extensão, Jesus exclama de novo: “Meu Pai, se não é possível que esse cálice passe sem que eu o beba faça-se a tua vontade”. Ah! Mas agora – quem sabe? – no coração dos amigos vai encontrar um refúgio, uma palavra que dissipe a sombra nefanda em que está mergulhada a sua alma! Vai procurá-los, e de longe, meneia a cabeça com profunda mágoa, porque os amigos continuavam a dormir – os seus olhos estavam pesados de sono.

Após essa nova desilusão, torna-se ainda mais espesso o véu de tristeza que envolve a alma de Jesus. Ele começa a ver a inutilidade do seu sangue. Nos antros infernais, escancarados diante de seus olhos, entre gemidos e imprecações, vão caindo almas sem número, pelas quais Ele vai morrer e que desprezam a sua misericórdia. Qual mãe carinhosa que em vão soluça a beira de um abismo chamando pelo filhinho que lhe caíra dos braços, Jesus todo se confrange, ao pensar no grande número dos que se condenam, dos que seguem a estrada larga da perdição.

Dirige ainda ao Pai eterno a mesma angustiada prece, e como a visão que o tortura neste momento é a mais dolorosa ao seu coração cheio de amor por nós, sente não somente tristeza, mas um desfalecimento profundo, um desalento de morte, porejando sobre o solo seu sangue precioso, como a primeira nascente dessa caudal imensa que ia lavar a multidão dos pecados humanos.  Um anjo aparece-lhe então para confortá-lo, para animá-lo a esgotar o cálice daquelas amarguras.

Bem justo era que do céu viesse o conforto, para quem tão desamparado se encontrava, mesmo dos seus mais queridos amigos, que ainda dormiam, que dormiam sempre.

Caríssimos irmãos, tendo diante dos olhos a fraqueza dos apóstolos para com mais digno eterno dos amigos, por que não havemos de ser mais fáceis em desculpar as faltas da amizade, e por que havemos de procurar o nosso conforto só nas criaturas que são falíveis e incapazes de compreender e curar o coração humano? Mas não é essa a aplicação mais necessária das cenas passadas no Jardim das Oliveiras. O que eu quero salientar e oferecer particularmente a vossa consideração é o papel daqueles apóstolos, imitando, reproduzindo na sequência dos tempos, por essa multidão de crente que dormem o sono da indiferença enquanto o coração de Jesus vela por nós e se aniquila para nos dar a vida exuberante da sua graça e do seu amor.

Amigos que dormem – são todas essas almas que fazem profissão de piedade e, entretanto, mergulhadas na moleza e no tédio, não sabem velar uma hora com aquele amigo Divino, para confortá-lo das ingratidões humanas.

Amigos que dormem – ah! Não o sejamos nós, para não sentirmos a tristeza imensa daqueles apóstolos, quando dos lábios lívidos de Jesus ouviram essa queixa dolorosa: “Podeis dormir agora e descansar. Basta. Chegou a hora. Eis que o Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos pecadores.”

Amigos que fogem

Era meia-noite. A lua inundava o vale do Cédron com sua claridade de prata e se filtrava pela ramaria das árvores do jardim, desenhando formas bizarras e impressionantes. Tudo dormia, as aves nos seus esconderijos verdejantes, as ovelhas nos seus apriscos, os cães errantes à beira dos caminhos e os homens nas suas habitações suntuosas, ou nas suas tendas humildes. Tudo era calmo, tudo silente. A própria alma de Jesus entrar na quietude dos heróis que vencem porfiados combates e experimentam o antegosto da vitória completa.

Na majestosa gravidade de um general que comanda um punhado de bravos, Jesus após a queixa pronunciada contra os seus apóstolos, reúne-os todos e lhes fala firme e resoluto: “Levantai-vos, vamos! Aproxima se aquele que vai me trair!”

Os apóstolos sacudindo o torpor em que jaziam, alongam a vista por entre as árvores e eis que divisam além, à luz intermitente dos reflexos que atravessam a coberta verdejante, uma figura sinistra que avança para eles. – Judas! exclama todos.

Sim, era ele. Rápido como o chacal que se lança sobre a presa incauta, o traidor aproxima-se de Jesus, toma entre as suas aquelas mãos divinas, e naquele rosto, ainda perfumado pelos lábios da Virgem Santíssima, ousa tocar de modo sacrílego, com sua boca nefanda e asquerosa, dizendo” “Mestre, eu te saúdo.”

Era o sinal convencionado. Uma turba de homens ferozes armados de espadas e paus, surge de todos os lados, iluminando com seus archotes o lugar para sempre memorável da traição. – “Amigo, a que vieste? Por um ósculo entregas o Filho do Homem?” Depois dessa censura tão mansa e tão misericordiosa, dirigida ao apóstolo ingrato, Jesus encara altivamente os sicários que o rodeiam, mostra-lhes por duas vezes o seu poder divino, prostrando-os por terra a uma simples palavra, e se entrega, por fim nas mãos dos seus inimigos.

Houve entre os apóstolos o movimento de espanto e indignação: “Senhor, dizem eles, devemos resistir?” E sem esperar resposta, Pedro fere o servo do Pontífice, e só embainha novamente a sua espada por ordem do Divino Mestre. Tudo fazia crer que os apóstolos saberiam proceder como verdadeiros amigos. Entretanto – nova e cruel desilusão! – fugiram todos, diz o Evangelho. É verdade que Jesus dissera: “Se é a mim que procurais, deixei aos meus discípulos que se retirem.” Mas quem não entende a generosidade de um coração que não quer o sacrifício dos seus amigos? Quem deixaria de velar à cabeceira de um enfermo querido, por que este se aflige de ser incomodado aos que o rodeiam?

Os apóstolos não compreenderam essas delicadezas da amizade. Vencidos mais uma vez pela covardia, deixaram abandonado, à mercê de seus inimigos, aquele a quem há três anos seguiam, com os protestos da mais firme adesão e fidelidade.

Assim realizou Jesus a profecia de Isaías: “Olhei em torno de mim e não encontrei quem me auxiliasse; procurei não achei quem me confortasse.”

Caríssimos irmãos. Não se extinguiu a progênie dessa classe de amigos: os amigos que fogem; que abandonam; precisamente quando mais se devia esperar a sua adesão e o seu conforto. Essa dor Jesus continua a experimentar na vida da sua Igreja. Na hora das perseguições, nos momentos e que a impiedade alça o colo  arrogante, para cuspir injúrias e desprezos contra a instituição indestrutível do catolicismo, ou nos rápidos instantes de um insucesso talvez providencial; nos triunfos do espírito mundano contra austeridade da moral cristã ou na perspectiva dos sacrifícios que a consciência impõe aos filhos do Evangelho – quantas e quantas vezes não se repete a vergonhosa fuga, o abandono covarde em que os apóstolos deixaram o Divino Mestre!

Nós, porém, beijando as cadeias que ligam os braços de Jesus, prendamo-nos indissoluvelmente a sua Igreja, para acompanhá-la sempre mais suas alegrias e nas suas amarguras, nos seus combates e nos seus triunfos, nas suas humilhações e nas suas glórias.

Amigos que renegam

Caminha rápido o bando sacrílego e em breve penetra as ruas silenciosas da cidade, levando Jesus ao Palácio de Anás. Anás não era mais o sumo sacerdote. Mas, desde a sua deposição desse cargo, havia quinze anos, não perdera o prestígio entre os judeus. Segundo os historiadores, era ele o pontífice de fato, e Caifás, seu genro, nada resolvia que não fosse sobre a sua inspiração. Foi Anás, diz Renan “o ator principal dessa trama horrível”. Não era, pois de admirar que o divino prisioneiro fosse antes levado a presença desse homem astuto e audaz, que instigara a perseguição contra Jesus e agora o recebia jubiloso, deixando escapar dos lábios um sorriso de triunfo.

Diante dele, de pé, tendo no rosto pálido e meigo a expressão da dor e da piedade, como a ovelha que se deixa conduzir ao sacrifício, sem resistência, sem um gemido, eis a vítima divina, que aguarda o juízo mais tumultuário e revoltante que se possa imaginar. Anás, que talvez considerasse Jesus um dos chefes das muitas seitas secretas existentes na Palestina, desde a invasão de Herodes, começou a interrogá-lo sobre sua doutrina e seus discípulos. Ao que Jesus respondeu: “Eu falei abertamente ao mundo; sempre ensinei na sinagoga e no templo, onde se reúnem os judeus, e nada disse às ocultas. Por que me interrogas? Interroga antes aqueles que me ouviram; eles sabem o que eu ensinei.”

Diante da visível humilhação infligida a Anás por estas palavras, um de seus servos, talvez o mesmo Malco, que fora miraculosamente curado no Jardim das Oliveiras, descarrega uma cruel bofetada no rosto sacrossanto de Jesus. Não se pode conceber maior afronta nem maior ingratidão!

“Ó meu Deus, exclama Santo Efrem, como o universo inteiro não se abismou nas trevas, ao ver vos receber tamanho ultraje! Ó, Criador, que do pó tirou homem, recebe uma bofetada da mão que ele formou.”

E Jesus! Que mansidão, que paciência! – “Se falei mal, dize-me em que, mas se falei bem por que me bates?” Espíritos altivos e impetuoso, que não sabeis suportar sequer uma palavra desatenciosa, vede como a majestade infinita se vinga das afrontas recebidas!

Enquanto esta cena se passava diante de Anás, no pátio de seu Palácio um episódio notável começou a pôr em triste evidência a figura do apóstolo Pedro, que arrependido talvez de haver abandonado a Jesus, conseguira ali penetrar, em companhia de João.

Pedro amava a Jesus, tinha entusiasmo por Jesus, não compreendia mais a vida sem Jesus. E prova disso foi a firmeza com ele se comprometera a antes morrer do que renegar o seu querido Mestre. Mas faltava-lhe a prudência; confiava demasiadamente em si e ia pagar caro a sua presunção, realizando o que predissera Jesus: “Antes que o galo cante duas vezes, tu me negarás três vezes.”

De fato, três foram as negações de Pedro; três vezes, com malícia progressiva, negou ele ao seu Mestre, tornando-se réu da mais espantosa apostasia. A primeira vez, no Palácio de Anás, serviu-se de mera negativa. À afirmação de uma criada, que dizia tê-lo visto com Jesus, respondeu: “Não o conheço, não sei o que estás dizendo”. Foi o primeiro grau da queda. Logo depois, no átrio de Caifás, outra mulher o avistou e disse aos presentes: “Este também era da companhia de Jesus de Nazaré.” A negação de Pedro cresceu então de gravidade segundo São Mateus, ele disse, com juramento: “Não conheço semelhante homem.” Finalmente, mais uma vez o reconheceram alguns detalhes individuais, principalmente por sua linguagem de galileu. Diante dessa existência, que ameaçava comprometê-lo, Pedro se deixou arrastar completamente pela sua fraqueza, esqueceu todos os seus compromissos e o seu amor ao Divino Mestre e começou a fazer imprecações e a jurar que não conhecia aquele homem!

Vede, meus caros irmãos, a que ficou reduzido aquele apóstolo ardoroso, companheiro inseparável de Jesus! Depois de o ter abandonado, nega-o covardemente diante dos criados do Pontífice! Mas eis que nesse instante Jesus atravessa o átrio do palácio, olha para Pedro e, nesse olhar meigo e compassivo, diz toda a mágoa imensa que lhe vai no coração.

Um rio de lágrimas então irrompe dos olhos do apóstolo, lágrimas que correram durante toda a sua vida, para exemplo aos muitos Pedros que o imitam na queda e se recusam a imitá-lo na penitência.

Caríssimos irmãos. Eloquente, sem dúvida, é a falta daquele que devia ser mais tarde o Príncipe dos Apóstolos. É mais ou menos a história de todas as quedas, e não há quase quem não possa contar em sua vida traços semelhantes na imprudência, na fraqueza e na ingratidão. Mas há um pecado que é particularmente a reprodução dessa tríplice falta de São Pedro: é o pecado dos que fingem desconhecer a Jesus, dos que se envergonham da sua companhia, dos que o renegam na vida pública. Cristãos batizados, filhos da Igreja, educados no seio de famílias piedosas, tendo entrelaçados na religião os principais fatos de sua vida, sentido toda a grandeza dessa crença na virtude de sua esposa, sua mãe ou de sua irmã, quantos não vemos, entretanto, que muitas vezes fingem não ser católicos, que se envergonham de professar a sua fé, que acompanham a incredulidade sem ser incrédulos! No dizer de um escritor, “não estamos mais no tempo dos falsos devotos, mas dos falsos incrédulos que praticam a irreligião sem crer nela.” É o domínio franco do respeito humano.

Num salão onde se reúne o escol da sociedade, todos são católicos, mas poucos têm firmeza na sua crença. Dê-se um incidente religioso qualquer, e vereis quase todos desertarem das fileiras católicas, acompanhando a impiedade na desconsideração e nas censuras à Igreja e aos seus ministros. É o pecado dos nossos tempos, é a fraqueza característica do nosso meio. É a classe dos amigos que renegam, dos amigos que se acovardam à voz dos laicos do mundo!

Senhor! A esses fracos, a essas pobres almas que fingem não vos conhecer e se envergonham de vossa Igreja e da companhia dos vossos filhos, lançai o vosso olhar de misericórdia, para que se arrependam de sua fraqueza e vos acompanhe sempre com a intrepidez de amigos fiéis e dedicados, honrando-se por toda a parte com o título glorioso de cristãos e de católicos.

Caríssimos irmãos. Quando os amigos procederam por essa forma, quando os íntimos de Jesus que lhe acompanharam os passos e sentiram de perto a sua divindade, se mostraram tão fracos e tão ingratos para com seu querido Mestre, que havíamos de esperar do povo, tão variável como o oceano, sujeito ao influxo de todos os ventos? Não era, pois, de admirar que quase todos aqueles que acompanhavam cheios de entusiasmo a Jesus e recebiam dele benefícios de toda sorte se convertessem tão depressa em ferozes inimigos. “É réu de morte! Crucifica-o! – são os gritos que partem logo de todos os lábios, inspirados pelos chefes dos judeus. Essa resolução é sancionada covardemente pelo procurador romano e, dentro em pouco, Jesus, crucificado no alto do calvário, após três horas de agonia, consuma o mistério da nossa Redenção.

Ah! Mas ele dissera: “Se eu for levantado sobre a terra tudo atrairei a mim”. E por isso aqueles mesmos apóstolos fracos e covardes se transformaram em heróis e morreram corajosamente pelo seu Divino Mestre.

Devemos, pois, esperar, meus caros irmãos, que esse mesmo Jesus Crucificado, pela sua paixão meditada e impressa em nossas almas, produza em nós igual transformação, tornando-nos fortes e valorosos cristãos, amigos verdadeiros e dispostos a estar sempre ao seu lado, nas glórias do Tabor e nas humilhações do Calvário.

Senhor Jesus Crucificado! É a súplica que neste dia vos dirigimos, arrependidos de nossas fraquezas e de nossas ingratidões. Quando, daqui a pouco, aproximarmos nossos lábios de vossa em imagem, depois de adorar três vezes a vossa Divindade humilhada na cruz, ó Senhor, gravai em nossas almas esse símbolo querido de nossa Redenção e estreitai-nos no amplexo do vosso amor, para que sejais sempre a nossa luz durante a vida, a esperança na morte e a recompensa na eternidade!

Campinas, 21 de abril de 1916 - Sexta-feira Santa
Dom Octávio Chagas de Miranda

 

Saiba mais sobre a vida e a vocação de dom Octávio Chagas de Miranda.

 

 


Projeto Capacita Sul de Minas e Campanha da Fraternidade é lançado

Dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., arcebispo metropolitano de Pouso Alegre (MG), participou, hoje (30), de live de lançamento do Programa Capacita Sul de Minas e Campanha da Fraternidade.

 

Dom José Lanza Neto, bispo de Guaxupé (MG), e dom Pedro Cunha Cruz, bispo da Campanha (MG), também estiveram presentes na live.

O projeto será realizado em paróquias da Província Eclesiástica de Pouso Alegre em 2023, em parceria com o Instituto Federal Sul de Minas, a Associação Cultivar e a Igreja Católica. O objetivo do projeto é realizar cursos para qualificação e capacitação de profissionais como instrumentos de combate à vulnerabilidade social.

A Campanha da Fraternidade 2023, com o tema Fraternidade e Fome, motiva a realização do projeto. "Dai-lhes vós mesmos de comer!" (Mt 14,16) é o lema da campanha cujos objetivos são refletir sobre o problema da fome no Brasil e favorecer ações para minimizar esse problema social.

O público-alvo do projeto é de pessoas acima de 16 anos em situação de risco social e que necessitam de qualificação profissional. O projeto espera alcançar mais de 10 mil alunos por meio dessa parceria. Interessados podem encontrar mais informações no portal do IFSULDEMINAS: https://portal.ifsuldeminas.edu.br/index.php.

 

Veja a live na íntegra:

https://www.youtube.com/watch?v=vgCxAqJxqh0

 

Texto: padre Thiago de Oliveira Raymundo
Imagens: IFSULDEMINAS Campus Machado


#Reflexão: Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor (02 de abril)

A Igreja celebra o Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor no próximo dia 2 de abril. Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Is 50,4-7

Salmo: Sl 21(22),8-9.17-18a.19-20.23-24 (R. 2a)
2ª Leitura: Fl 2,6-11
Evangelho: Mt 26,14-27,66 ou mais breve 26,11-54

Acesse aqui as leituras.

DA HOSANA A CRUZ

A celebração do Domingo de Ramos já antecipa para nós quase tudo que recordamos e celebramos sobre os últimos dias de Jesus neste mundo. Não se tratou de uma morte inesperada e inevitável, mas de algo que foi assumido até as últimas consequências. Desde o início, Ele poderia ter evitado ou se livrado de qualquer sofrimento, mas escolheu percorrer um caminho carregando todos os sofrimentos, as dores e os pecados da humanidade. Não foi fácil para os discípulos, participar de tudo aquilo que Jesus enfrentou, pois estavam acostumados a ver o Mestre deles vencer todos os obstáculos e resolver todos os problemas humanos que lhe foram apresentados: desde curas físicas, dramas pessoais, pecados e derrotar até mesmo Satanás. Era um “Mestre ideal”, pois sempre estava pronto a curar e libertar as pessoas. Mas, a missão de Jesus deveria abranger o mal em sua raiz mais profunda e atingir a todas as pessoas em todos os lugares e tempo.

A escolha livre de Jesus de percorrer o caminho último de cada pessoa (a morte) foi uma surpresa que ninguém esperava. Todos queriam alguém que enfrentasse tudo por eles, mas não alguém que sofresse como cada ser humano sofre ou que morresse como todos um dia devem também morrer.

A liturgia deste domingo propõe a imagem da entrada de Jesus em Jerusalém em um jumentinho. Ainda era um tanto recente a forte imagem do general Pompeu (63 a.C.) que entrou solenemente na Cidade Santa em um imponente cavalo (era o animal de guerra da época). O general romano, dessa forma, tomou posse do território dos judeus, da sua cidade e do Templo de Jerusalém! Jesus repetiu o gesto, mas tudo ao contrário: entrou sobre um jumentinho (animal de carga e serviço), foi acolhido pelo povo como filho de Davi (ligação com a história do povo de Deus) e não tinha nenhuma intenção de dominar ou conquistar. Não se repete a história do general romano, mas sim as palavras do profeta Zacarias (cf. 9,9). Jesus veio para servir e não para dominar, para salvar e não para matar, para resgatar do pior inimigo (pecado) e não para semear tirania, veio para doar a verdadeira vida doando a sua própria vida!

As leituras da celebração nos recordam da imagem do servo de Deus que toma sobre si aquilo que representa toda dor e sofrimento da humanidade. Ele assumiu algo que não Lhe era próprio e aceitou toda humilhação mesmo sendo inocente. Jesus não foi “mais um” neste mundo, mas assumiu a realidade humana mesmo sendo de condição divina, se fez homem, mas na realidade mais humilde e simples: como servo. E toda a vida de Jesus foi iluminada por esta condição de vida que definiu sua existência: serviu a Deus e a toda humanidade em todas as suas realidades.

As últimas horas de Jesus com os discípulos revelaram a sua consciência e liberdade diante de tudo que, posteriormente, Lhe acontecera. Tudo começou a se definir em torno de uma mesa e de uma refeição. Todos os particulares foram planejados e desejados por Jesus. Jesus sabia de tudo que estava acontecendo ao seu redor, principalmente que um daqueles que Ele mesmo escolheu, iria traí-Lo. As palavras e os gestos de Cristo revelam o respeito pela escolha que Judas já tinha feito por algumas moedas de prata. Jesus tenta tocar seu coração, mas nem suas palavras e nem mesmo a Eucaristia que Ele instituiu naquela noite, conseguiram mudar o coração corrompido do discípulo. Tudo que Jesus fez, falou e ensinou foi trocado por uma soma que era suficiente para comprar um escravo ou um servo.

Outro discípulo, Pedro, se sentiu tocado pelas palavras do Mestre, prometeu algo baseado na imagem do Mestre todo poderoso que ele tinha visto atuar em diversas situações extremas, em todas elas, Jesus se livrou com facilidade. Assim, foi “fácil” para Pedro prometer fidelidade até ao extremo. Pobre amigo de Jesus: não sabia o que era ainda enfrentar o extremo da dor e do sofrimento que em poucas horas depois, ele presenciou.

Tudo foi realizado por Jesus em profunda comunhão com o Pai. Era necessário enfrentar a morte em seu terreno de batalha. A vida de Jesus não foi tirada e nem roubada, Ele livremente a entregou. O caminho da vitória de Jesus e da morte, tinha que passar pelo peso da cruz e do sofrimento. Era um cálice não de vinho, mas de vinagre que Ele tinha que beber sozinho e livremente.

Durante a prisão de Jesus, um dos discípulos (João 18,10 informa que foi Pedro) tentou resolver tudo ao seu modo: sacou uma espada e feriu a orelha de um servo do Templo. É o modo humano de resolver a violência, produzindo mais violência. Ainda hoje o preço da morte de alguns é sempre a morte de mais pessoas.

O processo que acompanhamos no Evangelho de Mateus transparece a serenidade de Jesus diante da extrema maldade exatamente daqueles que representavam o que havia de mais sagrado para todos. Os líderes religiosos usaram de todos os meios para por fim à vida de Jesus. O mal obscureceu o coração e a visão de todos. Eles não tinham receio de manipular e usar da mentira para por fim a vida de um inocente. A mentira jamais produz o bem! É o principal instrumento daqueles que querem destruir e estão a serviço do mal! Vários reconhecem que Jesus era inocente, mas tudo estava muito bem tramado e pensado pelos religiosos do Templo para dar fim a Cristo Jesus.

O discípulo Pedro, tão corajoso em uma refeição e ao redor de amigos, estava confuso. Ele acompanhou seu mestre talvez para ver uma reação ainda espetacular e fantástica, mas testemunhou alguém que simplesmente se entrega e não reage diante do mal. Pedro o negou, pois estava confuso: Este homem, eu não conheço. Ele sempre viu Jesus forte e imbatível, não entendia a aparente fraqueza e falta de reação de Jesus. Que Mestre eu sigo? Que Pastor eu acredito? Que Deus eu aceito em minha vida?

Diante de Pilatos, o povo foi manipulado, pessoas foram instrumentalizadas e compradas para testemunharem em falso, mas a autoridade romana é que deveria decidir o fim de Jesus. Mesmo percebendo a inocência de Cristo, Pilatos procurou se esquivar de todas as consequências (gesto de lavar as mãos). O “poder” que poderia produzir o bem ao fazer aliança com o mal. Os sacerdotes da época não queriam somente levar Jesus a morte, queriam que ele sofresse e assim, intimidasse a todos que O estavam seguindo.

Tanto a estrutura religiosa e seus líderes, quanto o estado romano se associaram para por fim a alguém que em toda sua vida somente fez o bem e procurou servir a todos. Estes dois gestos (servir e fazer o bem) jamais foram entendidos pelos religiosos daquele tempo como imagens de Deus que é Misericordioso. Sempre proclamaram um Deus da vingança, da separação e voltados somente para um grupo de pessoas (eles).

Até os dias de hoje, muitos ainda procuram um Deus que “resolve os problemas pessoais”, mas sem nenhuma conversão pessoal; um Deus que cura e faz milagres, mas não um Deus companheiro que é solidário conosco na dor e no sofrimento. Mas, Jesus sem a cruz, não é salvador; sem sofrimento, não é redentor; e sem a morte, não se tem a vida eterna. Nosso Senhor percorreu uma estrada, sempre se colocando como guia e convidando seus discípulos a seguir seus passos. Diante da morte, Ele não poderia deixar toda humanidade percorrer o último caminho sem também ensinar qual é a estrada que termina em Deus. Jesus escolheu enfrentar a morte para mostrar para todos que nada neste mundo é maior que o Amor de Deus por todos nós.

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São Bertoldo: vida de penitência e amor aos pobres

Bartolomeu Avogadro ou Bertoldo da Calábria, em francês, Berthold de Malifaye, nasceu no sudoeste da França, em Malifaye. Ele era filho do conde de Limogese.

Abandonou a riqueza material e se dedicou as coisas de Deus. Seu chamado era forte e especial. Abandonar-se a Cristo pobre, casto e obediente. Estudou teologia em Paris, sendo ordenado sacerdote. A maioria de sua vida transcorreu na obscuridade e não há muito que relatar acerca dele, exceto haver empreendido a construção e a reconstrução de edifícios monásticos e os ter dedicado em honra do profeta Elias.

No tempo em que estudou em Paris, Bertoldo encontrou um mendigo pedindo esmolas. O jovem seminarista Bertoldo foi o único a lhe oferecer uma ajuda e, assim, conseguiu a amizade dos pobres. Logo, ele sentiu a inquietação em seu coração para viver o amor do Cristo nas ruas de Paris. Bertoldo teve uma revelação divina, na qual Deus revelou a ele a situação vivida pela povoação de Paris, principalmente entre epidemias, pobreza e tantos outros sofrimentos.

Bertoldo, então, se ofereceu em sacrifício e fez voto de que se os cristãos fossem salvos de grandes perigos. Desejou dedicar o resto de sua vida ao serviço da Santíssima Virgem. Numa visão, lhe apareceu Nosso Senhor, acompanhado de Nossa Senhora e São Pedro e levando em suas mãos uma grande cruz luminosa. O Salvador se dirigiu a Bertoldo e lhe falou da ingratidão dos cristãos, mesmo diante de muitas bênçãos que havia acontecido para o povo.

Devido às insistências e advertências do santo, o povo de Paris foi movido à penitência. Ainda que estivesse fraco pelos jejuns e privações, saíra completamente vitorioso das doenças físicas e espirituais que acometia a cidade de Paris naquela época.

Outro marco importante na vida do santo foi em 1155. Bertoldo viajou para o Monte Carmelo como eremita, inspirado no profeta Elias. Lá, fundou uma pequena comunidade de seguidores, com os quais construiu uma pequena capela. A Ordem dos Carmelitas descende desse pequeno grupo. Seu primo, Alberto Avogrado, Patriarca de Jerusalém, que residia naquele tempo em São João de Acre, nas proximidades do Monte Carmelo, escreveu para eles uma regra de vida, entre os anos 1206-1214.

São Bertoldo esteve à frente dessa comunidade por quarenta anos e, segundo a tradição, permaneceu ali até ao tempo de sua morte, que ocorreu em redor do ano 1195. Ele é considerado santo pela Igreja Católica e celebrado no dia 29 de março. São Bertoldo é exemplo para os cristãos. É exemplo de vida marcada pela penitência, jejum, silêncio, orações e serviço a Deus e a Virgem Maria, principalmente, no amor aos pobres.

Oração

Senhor, que destes a São Bertoldo a graça de imitar a Cristo pobre, casto e obdiente, fazei que também nós, vivendo plenamente a nossa vocação, caminhemos para a santidade perfeita, à imagem de Jesus Cristo, vosso Filho. Ele que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. São Bertoldo, rogai por nós!

 

Fonte:
https://coisasdesantos.blogspot.com/2017/03/
https://www.blog.gladysreligiosos.com.br/sao-bertoldo
https://formacao.cancaonova.com/diversos/nossa-senhora-do-carmo/
Imagem: http://wwww.ordemterceiradocarmose.com.br/2015/03/29-de-marco.html

 


Dom Majella realiza visita pastoral na Paróquia Santo Antônio, em Itajubá

Entre os dias 23 a 26 de março, aconteceu na Paróquia Santo Antônio, em Itajubá, visita pastoral realizada pelo arcebispo dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R.

 

A Visita Pastoral é um tempo de graça, no qual o bispo tem a oportunidade de conhecer a vida paroquial, a dinamicidade das pastorais e movimentos, bem como conviver com os padres que residem e atuam em uma paróquia.

Na Paróquia Santo Antônio, em Itajubá, dom Majella foi acolhido pelos fiéis leigos e pelo padre Jorge de Oliveira Gonçalves, MSC, pároco.

Além dos encontros realizados com os fiéis leigos, sobretudo com aqueles que coordenam as pastorais e movimentos ou mesmo participam dos conselhos, para ouvir suas dúvidas, anseios e esperanças, o arcebispo ouve também os sacerdotes, reza com eles e os anima na sua árdua missão. Visita também as comunidades da paróquia, atende confissões e visita enfermos, levando a eles a solicitude do Bom Pastor que dá a vida por suas ovelhas.

Devido ao fato de a Paróquia Santo Antônio estar confiada aos Missionários do Sagrado Coração, o arcebispo pôde visitar o seminário daquela congregação, presidindo a Eucaristia para os noviços. Visitou também a casa das irmãs Missionárias do Sagrado Coração e a obra social mantida por elas.

Soma-se ao cuidado com a vida paroquial, naquilo que lhe é mais interno, a atuação da Igreja junto as instituições, que, na sociedade, exercem um papel de elevada importância. A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros foram algumas das instituições visitadas por dom Majella.

Acompanhe algumas fotos desses momentos vivenciados pela Paróquia Santo Antônio.

 

Veja mais fotos da Visita Pastoral.

 

Texto: Pe. Carlos Cézar Raimundo
Imagens: Silvia Regina Soares dos Santos, Clélia de Souza Carvalho e Sophia Vitória de Souza.


Anunciação do Senhor: sim de Deus e sim de Maria

Nesta semana, no dia 25 de março, celebramos a Solenidade da Anunciação do Senhor. Fazemos memória do anúncio que Maria recebeu do anjo Gabriel. Anúncio de que seria a mãe do Filho do Altíssimo.

A Bem-aventurada Virgem Maria, na plenitude de sua liberdade, escuta, mais do que a saudação de um anjo, a voz de Deus, a voz de sua própria consciência a indagar: “Não temas, Maria! Encontraste graça junto de Deus. Eis que conceberás no teu seio e darás à luz um filho, e tu o chamarás com o nome de Jesus” (Lc 1,30). Diante da proposta, Maria dá sua resposta: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra”. Devido a essa resposta, o Eterno entrou no tempo. O Todo assume em si o fragmento. Deus assume a nossa humanidade para nos salvar.

A Solenidade da Anunciação do Senhor, que encontra o seu fundamento bíblico na narrativa do evangelho Lucas, capítulo primeiro, versículos de 26 a 38, é a solenidade que exalta, na sua estrutura interna, o sim de uma Mulher ao projeto salvífico de Deus. Porém, de modo mais singular, quer manifestar a grandiosidade do sim definitivo de Deus para a humanidade. A anunciação do Senhor é a solenidade que, por excelência, expressa a vontade divina de querer dar-se a conhecer ao homem e salvá-lo e, simultaneamente, a disponibilidade do ser humano em acolher essa autorrevelação divina.

O episódio narrado no Evangelho de Lucas mostra a origem histórica do problema enfrentado pelas primeiras comunidades cristãs sobre a encarnação total do Verbo eterno de Deus no seio virginal de Maria. A narrativa explicita o diálogo realizado entre Divino e o humano, entre Maria e o anjo, o mensageiro de Deus. Maria, na narrativa, é interpelada pelo anjo, sobre a vontade divina. Nesse episódio evangélico, contemplamos que a liberdade humana, que é fruto do amor de Deus aos homens. A liberdade nunca foi violada pelo Criador. Ao contrário, Ele propõe a Maria uma missão. Maria, na sua total liberdade, se dispõe a realizá-la, mesmo não sabendo como tudo se daria.

Em Jesus, a natureza humana e divina coabitavam mutuamente, sem confusão, em plena união de naturezas. O pequeno e humilde carpinteiro de Nazaré era, na verdade, o verdadeiro Filho de Deus.

Contudo, foi somente em 431 d.C., no Concílio de Éfeso, que a Igreja proclamou solenemente Maria como Mãe de Deus (Theotókos), defendendo, dessa maneira, a real encarnação do Filho de Deus no seio da humanidade, por meio do sim de Maria. Essa proclamação proporcionou a instituição da festa litúrgica da Anunciação do Senhor. A Igreja, nos séculos VII-VIII, sob o comando do Pontífice Sérgio I, introduziu, definitivamente, no calendário litúrgico da Igreja romana, a solenidade da Anunciação do Senhor, que é celebrada todos os anos no dia 25 de março, a exatos nove meses antes do Natal do Senhor.

Celebrar a solenidade da Anunciação do Senhor é dar graças a Deus por todos os benefícios que, pelo sim de Maria, o Senhor nos ofereceu. É contemplar a salvação de Deus, realizada no sim de uma mulher. É contemplar o sim de Deus, por meio de uma mulher. O sim de Maria foi um sim que mudou o curso da história. Esse sim possibilitou conhecer o Pai, revelado pelo Filho, no poder e na ação do Espírito Santo. Somos convidados, como Maria, a apresentar o nosso sim a Deus, ao seu projeto de amor e vida plena, vivendo a Palavra e testemunhando a fé cristã na Igreja e na sociedade.

Que nós possamos, a exemplo da Virgem, contemplar o projeto do Reino de Deus e nos colocarmos a serviço com o nosso sim.

 

Oração

O Anjo do Senhor anunciou a Maria. E ela concebeu do Espírito Santo. Ave-Maria...
Eis a serva do Senhor. Faça-se em mim, segundo a vossa palavra. Ave-Maria...
E o Verbo de Deus se fez carne. E habitou entre nós. Ave-Maria...
Rogai por nós, Santa Mãe de Deus. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Oremos: Infundi, Senhor, em nossas almas a vossa graça para que conhecendo pela anunciação do Anjo a encarnação de vosso Filho bem amado cheguemos, por sua Paixão e Morte de cruz, à glória da ressurreição. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!

 

Fontes:
https://www.vaticannews.va/pt/oracoes/angelus--a-trindades-.html
https://santo.cancaonova.com/santo/anunciacao-do-senhor/
Imagem: Detalhe do mosaico da Anunciação em Nazaré. Vatican Media.

 


#Reflexão: 5º domingo da Quaresma (26 de março)

A Igreja celebra o 5º domingo do Tempo Quaresmal neste domingo (26). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Ez 37,12-14

Salmo: 129(130),1-2.3-4ab.5-6.7-8 (R. cf. 7)
2ª Leitura: Rm 8,8-11
Evangelho: Jo 11,1-45 ou mais breve 11,3-7.17.20-27.33b-45

Acesse aqui as leituras.

Ressurreição de Lázaro: Da vida para a Vida

Em nossa liturgia dominical do tempo Quaresmal deste ano, depois de termos meditado sobre as duas naturezas de Jesus (1ª como homem, sente fome; 2ª como Deus, é o brilho de Deus Pai já para este mundo), nos dois domingos passados, Jesus nos deu respostas a duas situações profundamente humanas: o preconceito e a rejeição das pessoas e a triste realidade das doenças (representada pela cegueira); neste último domingo da Quaresma, temos uma resposta de Jesus também para o derradeiro momento de nossa existência: a morte.

Na história de Lázaro, Jesus não se mostra solidário somente com aquela família, Ele nos revela que a nossa fé e a nossa esperança devem ir além de toda e qualquer realidade humana até mesmo da morte.

A família que é descrita pelo evangelista João é composta por pessoas que são muito mais do que amigos de Jesus. Naquela casa há somente irmãos (Lázaro, Marta e Maria), não há nenhum outro grau de superioridade ou inferioridade. São descritos como muito íntimos de Jesus e que tiveram fortes experiências com o Senhor (ungir e enxugar os pés) e todos são lembrados como pessoas, as quais Jesus amava, dando especial destaque ao amor de Jesus para com Lázaro.

Este grande milagre é o último sinal em São João (são sete ao todo) antes de Jesus encerrar sua vida em Jerusalém. Por isto é uma história onde se cruzam morte e vida com profundos sentimentos com expressões claras de amor e amizade. No fundo, esta família representa todos os cristãos e suas comunidades.

Betânia ficava na região da Judeia e lá a situação estava cada vez mais dramática para o lado de Jesus. Os judeus já tinham decidido a matá-Lo. Os discípulos, inicialmente, entenderam a decisão de Jesus de não ir até a Judeia, isto quando Ele recebeu a notícia do grave estado de Lázaro: para os discípulos era uma forma de se distanciar do perigo. Mas, depois de dois dias, Jesus muda de ideia e resolve ir ao encontro do amigo que, talvez, já estivesse morrido. Para Tomé não tinha mais nada para fazer, mas o discípulo é solidário com seu Mestre, tendo, no entanto, um pensamento negativo e fixado na morte certa que todos iriam encontrar. Para Tomé, aqueles lados da Judeia, a morte imperava e não havia mais esperanças.

Dentro do vilarejo de Betânia, predominava o choro e a mentalidade da derrota diante da morte. Jesus provoca a saída de todos: primeiro de Marta, depois de Maria, dos judeus e, por fim, de Lázaro. Jesus não aderiu a esta realidade e quis propor algo que fosse além. De pouco em pouco, Ele conseguiu atrair todos para fora daquela visão de vida, lamento e tristeza que a morte traz consigo.

Lázaro era alguém especial! Todos o amavam e choraram por ele! A dor da morte que experimentavam obscureceu os sentimentos de todos. Marta foi ao encontro de Jesus, mas para reprovar a “ausência” do Mestre no momento em que mais precisavam. Mas, Jesus tinha alertado os discípulos que a morte não teria a última palavra sobre o amigo Lázaro. Da mesma forma, Jesus dissera sobre a cegueira daquele homem que ele curou: não era um castigo, mas era para manifestar a glória de Deus.

Marta saiu para encontrar-se com Jesus, não o cumprimentou, mas criticou o aparente descaso para com o seu irmão: “Se tivesse estado aqui, meu irmão não teria morrido!”. Ela pensava que Jesus, ao saber da notícia, viria correndo para operar mais um milagre. Marta e depois Maria queriam ensinar Jesus como deveria agir, principalmente com os amigos especiais. Marta esperava que toda a ligação que todos tinham com Jesus (fé, amizade, amor e carinho), Lázaro poderia ter tido o privilégio de um destino diferente de outras pessoas.

No diálogo com Marta, nós conhecemos o verdadeiro sentido da Vida que Jesus veio nos trazer: É algo que vai além da vida biológica e desta realidade humana, pois é a Vida Eterna. Na conversa com Jesus, Marta revelou a crença que todos os judeus possuíam: a “ressurreição no último dia”, mas uma ressurreição para esta vida (este mundo). Como vemos na 1ª leitura do profeta Ezequiel. Mas, Nosso Senhor, insistiu que a Vida que Ele propõe é algo muito maior. Jesus insistiu com Marta que “Ele é a ressurreição e a vida”.

Assim, crer em Jesus não significa ter o dom de “não morrer”, mas possuir uma vida concedida por Jesus que a morte biológica (física) não pode jamais cancelar: “... aquele que crê em mim não morrerá jamais!”. Jesus não diz que quem acredita Nele ressurgirá com a mesma vida, mas já possui uma Vida que não morre. É a Vida Eterna conquistada por Jesus que a morte física não consegue mais destruir. São Paulo na 2ª leitura nos lembra que o Espírito Santo que habita em nós, nenhuma morte biológica jamais poderá destruí-lo.

Quando Maria se aproximou e se encontrou com Jesus, ela se jogou aos seus pés, também censurou Seu amigo pela sua ausência, mas Nosso Senhor, desta vez, resolveu entrar no sofrimento de todos. João por duas vezes mencionou que Ele se emocionou profundamente e se deixou contagiar pela dor e pela emoção de todos.   Ao chegar onde estava Lázaro, todos sabiam que já se tratava de um defunto e não mais de uma pessoa. Nada mais se podia fazer diante daquela realidade onde já cheirava morte (é Marta quem alerta Jesus sobre isto) e não existia mais nenhum sinal de vida. Tudo já pertencia ao passado e uma pedra colocada no sepulcro selava e encerrava a história de Lázaro. Mas, Jesus pediu para retirá-la. Todos tiveram dificuldades de acreditar nas palavras de Jesus. Mas, Ele exortou Marta que é necessário crerparaver a Glória de Deus (não o contrário que sempre pediam os opositores de Jesus).

Para João, Jesus é o Senhor da vida, por isso, o evangelista usa uma imagem de exaltação ao chamar Lázaro do sepulcro. Nosso Senhor “grita com voz forte” para anunciar a vida. E “aquele que tinha estado morto” retornou à vida. Neste caso, não se trata da mesma Ressurreição que Jesus inaugura após vencer a morte, mas somente de um reavivamento. O amigo de Jesus retornou para essa vida biológica com toda a realidade que bem conhecemos. João descreve que Lázaro saiu envolvido em faixas: como uma criança, um novo nascimento.

Três verbos são ditos por Jesus e são importantes para nós cristãos. "Vem pra fora!” É a voz de Jesus que nos ajuda a vencer a morte biológica, pois quem crê em Jesus tem a Verdadeira Vida que permanece mesmo após a morte biológica. É Ele quem nos chama! Outros verbos são direcionados pra nós: "Desatai-o” e "dexai-o ir”. Aqueles que morrem em Cristo são livres deste mundo e caminham para Jesus, pois Ele é a voz que nos chama para a Vida Verdadeira com Deus Pai. Para nós, os nossos irmãos que já partiram não nos pertencem mais, estão em boas mãos e eles nos esperam (desatai-os, deixai-os). Distanciam-se de nossos olhos, mas nós os carregamos em nossos corações; e eles nos aguardam, pois, um dia nos reencontraremos todos juntos com Cristo.

Nesta passagem vemos Jesus em sua maior expressão como pessoa humana: Ele chorou e emocionou por seus amigos; gritou e se comoveu diante do sofrimento de todos O ser humano quando ama, o faz com gestos divinos e Deus quando ama, o faz com gestos humanos. É o amor que gera tudo e vai além da morte (E. Ronchi).

Lázaro teve sua vida biológica devolvida e tornou-se um sinal de que, realmente, Jesus pode vencer até mesmo a morte. Mas, Lázaro, um dia, morreu novamente, mas com uma experiência certa de que, quem o amou e chorou por ele em sua vida terrena, agora o esperava, desta vez não mais neste mundo, mas junto a Deus. Essa também é a nossa fé e a nossa esperança.

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Setor Alto da Serra realiza Encontro de Formação Missionária

O Conselho Setorial Missionário (CONSEMI) do Setor Alto da Serra, Arquidiocese de Pouso Alegre, no último domingo (19), realizou um Encontro de Formação com a participação de missionários das Paróquias do Setor Pastoral.

O Encontro aconteceu durante todo o dia, na Paróquia Nossa Senhora da Conceição Aparecida, em Andradas (MG), e contou com a presença de 72 missionários.

Pe. Benedito Ferreira da Costa, Pároco da Paróquia São Sebastião, em Pouso Alegre (MG), conduziu uma manhã de espiritualidade para os missionários presentes.

O Coordenador Arquidiocesano do COMIDI (Conselho Missionário Diocesano), Fábio Menegon, assessorou, durante a tarde, uma formação sobre os passos necessários para a realização de uma visita missionária às famílias.

Nas palavras do assessor Fábio Menegon,

"o objetivo do encontro foi oferecer formação aos missionários  e missionárias do Setor Pastoral Alto da Serra  para que eles realizem as visitas  com mais segurança e tranquilidade."

 

 

Texto: padre José Luiz Faria Junior
Imagens: Celso Patricio - Pascom – Andradas (MG)


Pastoral Carcerária realiza Retiro Provincial

A Pastoral Carcerária da Província Eclesiástica, que abrange a Arquidiocese de Pouso Alegre e as Dioceses de Guaxupé e Campanha, realizou no último sábado (12), um dia de Retiro Espiritual.

O Retiro Espiritual aconteceu na Diocese da Campanha, na Paróquia de São Sebastião, cidade de Cambuquira (MG). O dia de oração e reflexão foi conduzido pelo padre Alex José Adão, assessor da Pastoral Carcerária da Diocese da Campanha. O tema abordado foi: "Sagrada Escritura, alimento para a Vida Eterna".

O Retiro teve início com a Celebração Eucarística realizada na Igreja Matriz de São Sebastião. Em seguida, os participantes foram conduzidos até o Parque das Águas localizado na cidade e ali, na Capela de São Judas e junto às fontes das águas minerais, refletiram sobre o encontro de Jesus com a mulher samaritana, que era o Evangelho daquele domingo.

Após o momento de reflexão no Parque das Águas, os membros da Pastoral Carcerária foram conhecer o Projeto Social da Paróquia São Sebastião, onde foi servido o almoço. No período da tarde, o dia de espiritualidade teve continuidade com uma reflexão sobre a Virgem Maria, meditando especialmente suas dores junto ao seu filho Jesus, preso, torturado e morto. Na conclusão do retiro, foi relembrada a missão da Pastoral Carcerária e também manifestada a alegria de estarem reunidos, pela primeira vez, agentes das três Dioceses que constituem a Província Eclesiástica. Foi ainda anunciado que o Encontro da Pastoral Carcerária do Regional Leste II da CNBB, acontecerá no próximo mês de abril, na cidade de Pouso Alegre (MG).

Segundo o senhor Manoel Messias Félix, coordenador da Pastoral Carcerária da Arquidiocese de Pouso Alegre, o dia de Retiro Espiritual teve o objetivo de unir as Dioceses, fortalecer a caminhada dos agentes, reconhecer a importância da ação pastoral no mundo do cárcere.

Ele também informou que, no final do Retiro, ficou estabelecido o compromisso da realização anual de um encontro provincial, visando uma maior comunhão no serviço realizado junto aos encarcerados, pela Arquidiocese de Pouso Alegre e pelas Dioceses de Guaxupé e Campanha.

 

Texto: padre José Luiz Faria Junior
Imagens: Manoel Messias Felix

 

 


São José: coração de esposo e de pai

São José, era um homem simples e trabalhador. Era um humilde carpinteiro, que se tornou grande devido à escolha de Deus. Como um carpinteiro que trabalhava e esculpia a madeira que estava diante dele, José também se colocou, voluntariamente, nas mãos de Deus para que seu coração fosse esculpido e sua missão fosse realizada.

Quando Deus escolhe alguém para realizar um grande trabalho, Ele concede toda a virtude necessária a sua realização. A grandiosidade de São José consiste pela coragem de assumir a paternidade de Jesus, colocando-se inteiramente ao serviço do plano de salvação e ao acolher Maria como sua esposa. Com um coração de pai, José amou o Menino Deus. Com o coração de esposo, guardou Maria em Deus. Como patrono, José ama a Igreja. Com esse mesmo coração de pai e protetor da Sagrada Família, José ama e projete cada um de nós.

São José era um homem justo e pronto para cumprir a vontade de Deus. Por ser justo, não julgou Maria. Mesmo não dispondo de todas as informações, se decidiu pela honra, dignidade e vida de Nossa Senhora. Na sua dúvida sobre o melhor a fazer, Deus ajudou-o a escolher, iluminando o seu discernimento. Depois de Nossa Senhora, nenhum santo ocupa tanto espaço nos ensinamentos da Igreja como José. Nosso Senhor Jesus Cristo veio ao mundo, assumindo uma condição humana de grande fragilidade. Precisou de São José para ser defendido, protegido, cuidado e criado.

Todos os que recebem uma missão de Deus não estão livres de desafios e dificuldades. São José também não foi isento de problemas, pois, ao longo de sua jornada, certamente, também teve medos, inseguranças, dúvidas... José teve que fazer a longa viagem de Nazaré a Belém para o recenseamento. Teve dificuldades de não encontrar um lugar na hospedaria e viu seu filho nascer em um estábulo. Para salvar Jesus, José e Maria fugiram para o Egito. Quantas devem ter sido as dificuldades da Sagrada Família em terras estrangeiras! Porém, a esse homem, Deus confiou seus maiores tesouros: Jesus e Maria.

São José viu Jesus crescer em sabedoria, em estatura e em graça diante de Deus e dos homens. Nas poucas informações que os Evangelhos trazem sobre São José, é possível aprofundar o seu papel na história da salvação. Em todas as circunstâncias da vida, José sempre fez a vontade do Pai, assim como Maria, na Anunciação, e Jesus, no Getsêmani. José confiou sempre nas palavras do anjo e devemos sempre aprender com ele o mesmo cuidado e responsabilidade: amar o Menino Deus e sua mãe.

Papa Francisco, em sua Carta Apostólica Patris corde, nos ensina que Deus confia nesse homem e São José não pode deixar de ser o Guardião da Igreja, por a Igreja ser o prolongamento do Corpo de Cristo na história e, simultaneamente, na maternidade da Igreja, espelha-se a maternidade de Maria.

A importância de São José é uma importância relativa ao próprio Jesus. São José tem importância em nossa vida, na nossa Igreja, na nossa fé, não por si mesmo, mas devido a Jesus. Por São José, cheguemos a Jesus. Que possamos aprofundar nossa espiritualidade, nossa fé e devoção a ele. Santa Teresa d’Ávila, em seus escritos, demonstra ter uma devoção muito especial por São José, afirmando que, sempre que buscou seu auxílio, nunca deixou de ser atendida. Que possamos renovar nossas forças e confiança em São José, suplicando-lhe que nos ajude a fazer sempre a vontade de Deus e aumente cada dia mais nosso amor por Jesus e Maria.

Oração

Ó glorioso São José, a quem foi dado o poder de tornar possível as coisas humanamente impossíveis, vinde em nosso auxílio nas dificuldades em que nos achamos. Tomai sob vossa proteção a causa importante que vos confiamos, para que tenha uma solução favorável. Ó pai muito amado, em vós depositamos toda a nossa confiança. Que ninguém possa jamais dizer que vos invocamos em vão. Já que tudo podeis junto a Jesus e Maria, mostrai-nos que vossa bondade é igual ao vosso poder. São José, a quem Deus confiou o cuidado da mais santa família, sede, nós vos pedimos, o pai e protetor da nossa, e impetrai-nos a graça de vivermos e morrermos no amor de Jesus e Maria. São José, rogai por nós que recorremos a vós. São José, nosso pai e protetor, rogai por nós!

 

Referências:
- Carta Apostólica Patris corde, Papa Francisco, 2020.
- Leitura Meditada sobre a Carta Apostólica Patris corde, Papa Francisco - Padre Leandro de Carvalho Raimundo
Imagem: Vatican Media