#Reflexão: 4º domingo da Quaresma (19 de março)
A Igreja celebra o 4º domingo do Tempo Quaresmal neste domingo (19). Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: 1Sm 16,1b.6-7.10-13a
Salmo: 22(23),1-3a.3b-4.5.6 (R. 1)
2ª Leitura: Ef 5,8-14
Evangelho: Jo 9,1-41 ou mais breve 9,1.6-9.13-17.34-38
CURA DO CEGO DE NASCENÇA
O Evangelho deste 4º domingo da Quaresma, nos apresenta mais um encontro de Jesus, desta vez, se trata de um cego de nascença. Toda uma vida sem poder fazer nada e vivendo somente da esmola de outras pessoas; alguém desprezado por todos, pois se acreditava que tal doença era um castigo: alguém tinha pecado (ele ou seus pais), por isso ele era cego desde o nascimento. Tudo isso, revelou uma visão deturpada de Deus, que Jesus não concordou de nenhum modo. Afirmar que Deus pune por toda a vida alguém que errou, isso depunha contra o Deus da misericórdia que Jesus procurava revelar.
Tudo inicia com a observação do escritor sagrado que Jesus viu aquele que não podia enxergar. Todas as pessoas já nem notavam mais aquele homem que mendigava a beira do caminho. A cegueira era dos dois lados. Para as pessoas, o cego era somente um pecador que pedia esmolas. O homem não via nada (desde que veio ao mundo), não era visto por ninguém, mas foi enxergado por Jesus. Todos, inclusive os discípulos, tinham uma desculpa para manter o cego em seu estado de desprezo e afirmavam: “está assim, porque ele ou seus pais tinham pecado”! Dessa forma, todos estavam bem com suas consciências. Ao miserável, bastavam nossos resto e esmola, pois estava fechado na escuridão do pecado e era visto como um amaldiçoado por Deus.
Mas, Jesus é luz e quer iluminar a vida de todas as pessoas. Ele se aproximou e iniciou a cura sem ser solicitado por ninguém. A cegueira foi eliminada, mas mediante um ritual que consta de uma ação de Jesus através de sua saliva (recorda a criação de Adão, por Deus Criador) e de um gesto pessoal de fé do cego. A cura se processou quando o cego deixou tudo e foi se lavar nas águas da piscina de Siloé. Esse local era conhecido e usado por todos, mas para aquele homem desprovido da visão desde o nascimento foi um lugar transformador.
A sua fé fez com que ele acreditasse em tudo que lhe foi feito (saliva nos olhos) e lhe foi pedido (ir até a piscina). Podemos visualizar nesses gestos e palavras, a celebração do Batismo, que nos é concedido através também da Igreja e através de um ritual com gestos e palavras, mas tudo tem efeito, se efetivamente a pessoa crer realmente naquilo que recebeu.
A cura do cego não lhe trouxe alegria e nem felicidade, nem para ele e nem para as pessoas que ele conhecia. Mais uma vez, tudo aconteceu em dia de Sábado, momento especial do fiel judeu para com Deus durante a semana. Mas, os fariseus e o povo judeu não pensavam dessa forma. Para eles, a lei e as normas eram mais importantes que as pessoas, até mesmo aquelas que mais precisavam da ajuda de todos (isto é, os doentes, os pobres, os marginalizados...). O legalismo dos principais religiosos tinha tornado todos “cegos” para a realidade das pessoas. A cura do cego foi realizado por Jesus, mas aqueles homens da religião é que precisavam realmente de uma profunda cura.
Aqueles que conheciam aquele que foi curado, não acreditavam em suas palavras. Para eles, o cego já tinha uma história e um fim estabelecidos por Deus e nada poderia mudar. Ao ser perguntado pelos parentes incrédulos, o cego que tinha sido curado, fala de Jesus, como sendo “um homem” que lhe tinha pedido para fazer algo após lhe ter tocado os olhos. O cego tinha acreditado sem ver e fez tudo sem pedir provas, sendo esse o primeiro passo fundamental da fé.
O cego não conhecia Jesus, mas os fariseus sabiam bem quem Ele era. Eles tinham determinado que quem O seguisse sofreria punições. Os religiosos judeus tinham disseminado medo e terror nas pessoas por causa de Jesus. Mas, o cego era o sinal de que Cristo era capaz de fazer um grande milagre.
Para os fariseus, Jesus era pecador e eles tentaram desmentir aquele que tinha sido curado da cegueira. Fizeram pressão contra o cego na tentativa de “desmascarar” o milagre: tentaram provar que ele nunca tinha sido cego. Mas, ao perguntar àquele que tinha sido curado por Nosso Senhor, ele respondeu que "Jesus era um profeta". Incrédulos e obcecados por seus princípios, tentaram forçar os pais daquele que fora cego a desmentir o filho. Mas, a verdade prevaleceu, não obstante ao medo que causavam os fariseus. É a luz de Deus que vence a escuridão dos corações fechados para a graça de Deus!
Bonita a coragem que o ex-cego demonstrou diante da insistência dos fariseus, de convencê-lo do seu pecado e também que Jesus era pecador. Ele enfrentou e assumiu sua experiência de encontro com Jesus. Todas as leis e princípios dos fariseus não conseguiram superar a experiência de fé que ele tinha tido.
O evangelista João, esclarece que os fariseus tinham decretado que aquele que reconhecesse Jesus como o Messias, deveria ser expulso da sinagoga. Assumir publicamente a fé, implicaria na excomunhão da religião judaica. O medo era grande, mas a verdade tinha que prevalecer.
No segundo momento de debate entre os fariseus com aquele que tinha sido curado por Cristo, sendo pressionado a negar que Jesus tinha realizado a cura, aquele que fora cego mostrou-se mais decisivo em relação a Jesus. Os fariseus apegados às leis e preceitos não conseguiam aceitar o óbvio que estava diante de seus olhos. O sujeito que tinha sido agraciado com a cura da cegueira mostrou-se muito mais decisivo em suas convicções, pois para ele a experiência pessoal com Jesus Cristo era algo muito mais forte: Jesus tinha mudado completamente sua vida. Mas para os fariseus, o cego e Jesus eram somente pecadores. Ao se posicionar clara e decisivamente a favor de Jesus, aquele que fora cego foi expulso do ambiente judaico (da sinagoga).
Após ser expulso, aconteceu um novo encontro entre Jesus e ele. Longe do ambiente da Sinagoga, aquele sujeito pode confirmar sua fé diante de Jesus (nos recorda o Sacramento da Crisma). Aquele que fora curado por Jesus tinha sido firme e decisivo, colocando em risco sua vida e assumindo até as últimas consequências, a sua fé em Jesus. Na realidade os verdadeiros cegos não são aqueles que estão desprovidos da visão, mas aqueles que estão cegos pelo legalismo e não percebem a luz de Deus na vida das pessoas.
Esse drama pessoal retrata muito bem a realidade dos cristãos algumas décadas depois do início da caminhada da Igreja, quando os judeus tinham decidido que quem professasse a fé em Jesus Cristo não poderia mais frequentar a sinagoga e seria expulso da religião judaica. Algo que acontece hoje em dia em muitos ambientes extremistas, mas também em nosso meio quando procuramos defender os valores cristãos e os ensinamentos deixados por Jesus e somos perseguidos por causa de nossa fé e de nossos princípios.
Mas, a cura do cego por parte de Jesus, revela que Deus tem seus caminhos próprios que nem sempre corresponde a nossa lógica e até a nossa visão da realidade. É fundamental estar em sintonia com Deus e descobrir o que realmente devemos fazer, pois Ele procura fazer sempre o melhor para todos nós. Na primeira leitura, observamos Deus escolhendo aquele que Ele achava o melhor, não seguindo os critérios humanos, mas segundo seus princípios e isto foi surpresa até mesmo para o profeta. Davi, mesmo tendo uma aparência frágil e ainda uma criança, Deus sabia que ele seria capaz de cumprir sua missão até o fim. Deus não tem que se moldar aos nossos critérios e preceitos, mas nós é que temos que perceber o que Ele pretende para cada um de nós. A 2ª leitura nos diz que não basta reconhecer e aceitar Jesus como Luz do Mundo, mas é fundamental que cada um se torne também Luz na vida de outras pessoas.
No mundo de hoje existem muitas cegueiras que impedem realmente de ver a riqueza que Deus tem para nós, mas é fundamental se deixar tocar por suas palavras e cumprir o que nos pede, mesmo que isto signifique romper com muitos preconceitos e ideologias pessoais. O amor de Deus é a verdadeira luz que precisamos em nossas vidas!
Faça o download da reflexão em pdf.
Cansado junto ao poço
No próximo domingo (12), a Igreja Católica celebrará o 3º Domingo da Quaresma. Nessa data, os fiéis terão a oportunidade de escutar, refletir e vivenciar o Evangelho de João 4,5-42, que trata do encontro de Jesus com a Samaritana.
Naquele encontro, observa-se que Jesus estava cansado de sua viagem e, por isso, sentou-se junto ao poço de Jacó. A cena é de uma riqueza sem medida, com múltiplos simbolismos. A menção do cansaço, aparentemente incidental, não pode passar desapercebida. É a primeira vez no Evangelho de São João que se evoca um fenômeno corporal negativo de Jesus, um sinal de debilidade, que atesta a sua humanidade real, a perfeita integridade humana do corpo de Jesus (Chrétien, 2014, p. 100).
Jesus poderia se cansar? Cansar-se de seu caminho? Cansar-se de sua missão? Não seria estranho admitir-lhe essa condição de fraqueza? Santo Agostinho viu no encontro de Jo 4 um sinal da encarnação e da missão de Jesus. Jesus estava debilitado, cansado da sua viagem. Essa viagem é a carne, a humanidade, que assumiu por nós. O cansaço do caminho é o cansaço da carne (Santo Agostinho, 1955, p. 409). Concordando com Santo Agostinho, João Escoto Erígena entendeu o cansaço de Jesus como um sinal forte da encarnação do Mestre, que assumiu a natureza humana cansada.
"O cansaço de Jesus é sua encarnação: assumiu nossa natureza cansada pelos trabalhos e os sofrimentos deste mundo por causa do pecado original (...). Sem esforço, nos criou por sua divindade, por sua humanidade nos recriou com esforço. Permanecendo sempre eterno e imutável em si mesmo e em seu Pai, toma o caminho de sua missão temporal na carne" (Erígena, 1972, p. 288-289).
O cansaço de Jesus no poço de Jacó ajuda a pensar no cansaço existencial contemporâneo. Esse tema é refletido por Byung-Chul Han, um filósofo do Oriente, sul-coreano, e radicado em Berlim. Em seus textos, Han ajuda a compreender o modo de vida do início do século XXI e destaca os problemas vividos pela sociedade capitalista neoliberal do Ocidente.
Sobre o cansaço, Han escreveu o ensaio "Sociedade do cansaço". Nesse texto, ele descreve que as sociedades capitalistas neoliberais deste tempo vivem um paradigma marcado pela ideologia da positividade que visa a performance, os resultados, a produção, o desempenho, a hipercomunicação e a hiperatividade que leva a um esgotamento dos sujeitos. Esse esgotamento é um cansaço do fazer e do poder, que se apresenta como um infarto existencial. Essa situação problemática, segundo ele, gera um aumento significativo da depressão, dos transtornos de personalidade, das síndromes de hiperatividade e burnout, configurando uma paisagem patológica no início do século XXI (Han, 2017, p. 7-8).
“(...) a sociedade de desempenho e atividade produz um cansaço e um esgotamento excessivos (...) estados psíquicos (...) precisamente característicos de um mundo que é pobre em negatividade e, que em seu lugar, está dominado por um excesso de positividade” (Han, 2017, p. 70).
Há uma saída para esse cansaço que esgota? Han apresenta algumas alternativas: a vida contemplativa; aprender a ver, pensar, falar e escrever; não responder imediatamente aos impulsos; ter controle dos instintos que inibem e limitam; conseguir dizer "não"; estar disposto a voltar-se para o outro; viver uma negatividade da interrupção; ser uma potência de não fazer, como um processo ativo para alcançar um ponto de soberania (Han, 2017, p. 53-58).
Entre essas alternativas, Han explora mais a vida contemplativa, como um contraponto diante do esgotamento humano atual e das enfermidades psíquicas. Ele chama a vida contemplativa de cansaço fundamental, apoiado nas ideias de Peter Handke, ensaísta e diretor de cinema austríaco. Esse cansaço não é um estado de esgotamento, mas é uma faculdade especial, que inspira, que deixa surgir o espírito. É equivalente ao “não fazer”, que permite um sossego especial, um “não fazer” sossegado. Não é um estado de esgotamento de todos os sentidos. É uma condição de cansaço desperto que permite acesso a uma atenção lenta e duradoura, que tira da rápida e curta hiperatenção. O cansaço fundamental é uma forma de salvação, de rejuvenescimento. Não é um cansaço do Eu esgotado, mas um “cansaço-nós”, para o outro, um “cansaço para ti”. O cansaço fundamental, como expressão da vida contemplativa e alternativa ao cansaço que esgota, pede um compasso especial que leva a uma concordância, proximidade, presença, abertura e diálogo, que une os cansados e dá ritmo aos indivíduos dispersos e cansados (Han, 2017, p. 73-78).
A reflexão de Han está cronologicamente distante de Jo 4. Os dois textos possuem finalidades argumentativas distintas e partem de campos de conhecimento diferentes. Porém, seus temas estão próximos. O cansaço que fragiliza esteve presente em Jesus e faz parte do pensamento de Han. As alternativas a essa situação de debilidade também se tocam. Han propõe como saída ao cansaço existencial o cansaço-nós, a abertura ao outro e a disposição para o diálogo e a concordância. Prosseguindo a leitura de Jo 4, após Jesus se sentar cansado junto ao poço de Jacó, vê-se que o Mestre teve atitudes muito próximas das sugestões de Han para superar a fragilidade do cansaço. Jesus conversou com a Samaritana. Dialogou com ela sobre as condições existenciais mais humanas: sede, relações conjugais, afetividade, sexualidade, religiosidade, espiritualidade e preconceitos.
Essas palavras e temas, simultaneamente, distantes e próximos, mostram Jesus Cristo cansado e descansando com a Samaritana, vivendo com ela o "cansaço para ti", no compasso da vida contemplativa, que os aproximou e deu ritmo à conversão daquela mulher. A partir do Mestre e de pensadores contemporâneos, como Han, é possível encontrar alternativas para o cansaço existencial que se vive hoje. Nos poços cotidianos deste tempo, de encontros e de diálogo com o Outro e os outros, que haja oportunas alternativas de "cansaço-nós" para superar o cansaço que esgota, isola e divide a humanidade.
Referências:
Chrétien, Jean-Louis. Del cansancio. Buenos Aires: Mardulce, 2014.
Erígena, João Escoto. Commentaire sur l'Evangile de Jean. Paris: Cerf, 1972.
Han, Byung-Chul. Sociedade do cansaço. Petrópolis: Vozes, 2017.
Santo Agostinho. Homilías sobre el Evangelio de San Juan. In: Obras de San Augustín. v. XIII. Madri: BAC, 1955.
Padres, diácono e arcebispo participam de encontro de espiritualidade quaresmal
Ontem e hoje (7 e 8), dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., arcebispo metropolitano, membros do clero e diácono participaram, em Pouso Alegre (MG), de encontro de espiritualidade quaresmal, orientado pelo padre Vinícius Geraldo Ponciano, C.Ss.R.
O evento de espiritualidade aconteceu no Seminário Arquidiocesano de Pouso Alegre. Os participantes se dividiram em dois grupos, com um dia de oração para cada um deles. No encontro, os participantes rezaram a Liturgia das Horas e acompanharam as palestras do assessor. Além disso, aconteceu também celebração penitencial, atendimento de confissão, adoração ao Santíssimo Sacramento e missa.
Clérigos que participaram da 2ª turma do Encontro de Espiritualidade Quaresmal, no dia 8 de março.
O encontro foi assessorado pelo padre Vinícius Geraldo Ponciano, C.Ss.R., que refletiu o tema "O presbítero diocesano à luz da espiritualidade que emana do mistério pascal". O assessor apresentou elementos sobre a vocação e a missão presbiteral, o mistério pascal e a espiritualidade. Na sua fala, padre Vinícius ressaltou que, ao celebrar o Mistério Pascal, o presbítero diocesano é chamado a vencer o medo, recuperar a fé, reencontrar força e coragem para continuar dinamizando seu projeto de vida e missão.
"Com resiliência, o presbítero diocesano, a exemplo de Jesus, deve carregar sua própria cruz e saber lidar com seus fracassos, superar momentos difíceis e não ceder às pressões", disse o padre Vinícius em um de seus momentos de reflexão.
O evento foi promovido pela Pastoral Presbiteral, coordenada pelo padre Heraldo José dos Reis, reitor do Seminário Arquidiocesano. Os seminaristas acolheram os participantes e assessoram as atividades promovidas nos dois dias.
Para dom Majella, o encontro de espiritualidade quaresmal dos clérigos da arquidiocese é um exercício para crescerem na fé e na vivência da vocação, fortalecendo a prática do bem e do serviço, seguindo os exemplos do Cristo Mestre.
Texto: padre Thiago de Oliveira Raymundo
Imagens: seminarista Márcio Aurélio Gonçalves Junior
Padre Elton defende tese de doutorado em Filosofia
Membro do clero arquidiocesano, padre Elton Cândido Ribeiro defendeu, ontem (7), tese de doutorado em Filosofia na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
Padre Elton, pároco da paróquia São Francisco de Assis e Santa Clara, em Pouso Alegre (MG), e ecônomo do arcebispado, é também professor de História da Filosofia Moderna, na Faculdade Católica de Pouso Alegre.
Para se especializar nas atividades acadêmicas, padre Elton fez investigação doutoral sobre o tema "A Doutrina do Faktum da Razão: um estudo da fundamentação da moral na crítica da razão prática a partir de alguns traços da história do desenvolvimento do pensamento ético de Kant".
Seu orientador foi o professor Dr. Mario Ariel Gonzales Porta. Na defesa de sua tese, a banca examinadora foi composta pelos professores: Dr. Antonio Jose Romera Valverde, Dr. Marcelo Perine, Dr. Orlando Bruno Linhares e Dr. Pedro Monticelli.
Padre Elton escolheu pesquisar um tema e uma obra do filósofo Immanuel Kant, devido a seu interesse pela Filosofia Moderna e a ética kantiana. Em sua dissertação de mestrado, padre Elton estudou a obra de Kant "Fundamentação da Metafísica dos Costumes", publicada em 1785. No doutorado, o novo doutor em Filosofia decidiu investigar outra obra kantiana: "Crítica da Razão Prática", publicada em 1788. A partir dessa obra, padre Elton estudou uma doutrina de fundamentação da moral, conhecida como doutrina do fato da razão, à luz da filosofia pré-crítica de Kant, anterior à publicação da obra escolhida.
Cônego Wilson Mário de Morais, vigário-geral do arcebispado, padre José Luiz Faria Júnior e padre Reinaldo dos Santos, representado a Arquidiocese de Pouso Alegre, acompanharam a defesa da tese em Filosofia do padre Elton, ontem (7), na PUC-SP.
Texto: padre Thiago de Oliveira Raymundo
Imagens: padre José Luiz Faria Júnior e padre Elton Cândido Ribeiro
A imagem destacada da notícia traz padre Elton Cândido Ribeiro, seu orientador e avaliadores, na defesa de sua tese em Filosofia.
Santas Perpétua e Felicidade: exemplos de perseverança
Nesta semana, a Igreja Católica celebra a memória das Santas Perpétua e Felicidade. Vamos conhecer um pouco da história dessas mulheres de fé.
As Santas Perpétua e Felicidade foram martirizadas em Cartago, na África, no dia 7 de março de 203. Perpétua estava 22 anos e tinha uma filha de poucos meses. Era de uma família rica e muito estimada pela população. Felicidade era escrava de Perpétua. Era jovem e, na prisão, deu à luz uma menina, que depois teve os cuidados dos cristãos.
As santas foram presas devido um decreto do imperador de Roma, Severo, que condenava à morte aqueles que professassem a fé no Cristo.
Perpétua relata em seu diário, que escreveu na prisão, os sofrimentos, os horrores da escuridão e a maneira selvagem que eram tratadas na prisão. Relata também a visita que recebeu de seu pai, que tentou fazê-la desistir da fé cristã, a fim de que tivesse a vida poupada.
Contudo, Perpétua e Felicidade foram fiéis a Jesus até o fim, com outros seis cristãos também martirizados. Fizeram questão de receber, na prisão, o sacramento do Batismo, para manifestar a sua fé cristã.
De acordo com escritos que complementam o diário de Perpétua, os companheiros mártires foram despedaçados por leopardos. Perpétua e Felicidade, após terem sido atacadas por vacas e touros, foram degoladas. Era o dia 7 de março de 203.
Que o testemunho das santas Perpétua e Felicidade nos inspire a sermos fiéis a Jesus, sobretudo nos momentos de desafios e adversidades.
Oração
“Deus Todo-poderoso, que destes às mártires Santas Perpétua e Felicidade a graça de sofrer pelo Cristo, ajudai também a nossa fraqueza, para que possamos viver firmes em nossa fé, como elas não hesitaram em morrer por vosso amor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!”
Fontes:
https://www.acidigital.com/biografias/Madres/feliperpe.htm
https://arquisp.org.br/liturgia/santo-do-dia/santas-perpetua-e-felicidade
https://santo.cancaonova.com/santo/santas-perpetua-e-felicidade/
Imagem: Lawrence OP / Flickr CC by NC ND 2.0
#Reflexão: 3º domingo da Quaresma (12 de março)
A Igreja celebra o 3º domingo do Tempo Quaresmal neste domingo (12). Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: Ex 17,3-7
Salmo: 94(95),1-2.6-7.8-9 (R. 8)
2ª Leitura: Rm 5,1-2.5-8
Evangelho: Jo 4,5-42 ou mais breve 4,5-15.19b-26.39a.40-42
ENCONTRO COM A SAMARITANA
A história do encontro de Jesus com a samaritana não possui nenhum milagre, nem algo fantástico ou surpreendente, Jesus é descrito como alguém que está sozinho e cansado, por isso se mostra como alguém necessitado de água: elemento essencial para a vida. Não há grandeza e nem esplendor, mas tão somente alguém que necessita matar sua sede. No deserto (1º domingo da Quaresma), Ele teve fome; agora, tem sede.
Foi exatamente nesta situação tão singular que aconteceu algo grandioso para uma mulher. Jesus não possui nenhum preconceito contra nenhum tipo de pessoa, pois somos filhos e filhas de Deus.
O local e a região eram conhecidos de todos, inclusive pela profunda inimizade que reinava entre os judeus e os samaritanos. Mas, lá também havia o poço de Jacó, personagem este que – de qualquer modo – unia a todos em um único passado. Muitas histórias de amor na Bíblia tiveram início ao lado de um poço. João evangelista, nos diz que era “meio-dia”, hora da plena luz quando Jesus se colocou ao lado do poço e uma mulher resolveu tirar água, justamente naquele horário, um momento nada adequado, por isso, ninguém estava no local e ela estava sozinha. Aquela mulher tinha escolhido aquele horário para não se encontrar com ninguém, pois se sentia rejeitada e discriminada por todos. Em nossa realidade atual, muitos grupos, inclusive de religiosos, fazem questão de eleger os “escolhidos” e “prediletos” de Deus, bem como aqueles que são colocados como “perdidos” e “condenados” por Deus, Jesus encontrava com uma pessoa colocada como desprezível pelos religiosos da época.
Jesus, vendo a mulher se aproximar, lhe pediu um pouco de água. Ele poderia resolver sozinho seu problema, mas era oportuno que solicitasse água para a samaritana, pois este seria o início de sua transformação. Jesus que é rico e sempre fez de tudo para os outros se mostrou necessitado e pediu algo que aquela mulher poderia conceder (ninguém nega um pouco de água a um necessitado).
A primeira reação da samaritana foi de espanto, pois ela sabia que Jesus não era um samaritano e ademais, ela era uma mulher e Jesus um homem. Ela não recusou, mas se espantou pela solicitação que vinha de alguém (um judeu) que jamais faria isso. O primeiro nível de relacionamento que ela lembra é do preconceito e da discriminação. Ela tinha sempre experimentado somente o negativo no relacionamento com as pessoas. Jesus não entrou neste jogo e nem rebateu suas observações, mas lhe ofereceu o essencial: “se conhecesses o dom de Deus...”, esse é totalmente contrário aos muros e aos obstáculos que as pessoas erguiam e erguem para isolar e discriminar outras pessoas.
Jesus iniciou um diálogo, procurando mostrar algo mais profundo e fundamental: tudo iniciou com “pouco de água” para matar a sede e Jesus lhe propôs de conhecer o dom de Deus que concede “água viva”. Entrando na conversa, a mulher questionou Jesus, chamando-o de “senhor” (sinal de respeito) e entrou no campo religioso, questionando se Ele era maior que "nosso pai Jacó". Ela se mostrou uma pessoa religiosa que conhecia as Escrituras, mas ainda se revelou fixa a algo exclusivo e material.
Jacó deixou um poço que podia dar uma água que somente matava a sede do corpo; mas Jesus foi e é aquele que pode inundar toda a pessoa com uma água de “vida eterna”. A água do poço saciava uma necessidade física e pessoal; mas a água de Jesus transforma o discípulo em fonte de água viva para outras pessoas.
A samaritana viu uma solução para parte de seus problemas: não teria mais sede e nem viria até aquele lugar ao meio dia, horário de sol escaldante. Jesus trouxe a questão para a principal fonte de seus problemas: sua vida familiar. Ao pedir para que ela chamasse seu marido, Jesus tocou o campo pessoal e ela simplesmente poderia ter dado várias respostas, mas resolveu ser sincera: ela já estava no sexto casamento. Naquele tempo, somente o homem é que pedia divórcio e assim, repudiava sua mulher, a Samaritana estava no sexto marido. Talvez ela tivesse ficado viúva, ou teria sido repudiada por todos os cinco e o atual não a tinha ainda efetivamente como sua mulher. Essa história era conhecida de todos e ela tinha escolhido pegar água no poço para não ter que enfrentar a discriminação de seu povo. Uma história pessoal de rejeição e abandono, mas Jesus lhe ofereceu a solução.
Na Bíblia, o número seis está ligado à imperfeição e o sete é o número que completa tudo. Jesus se apresenta com o verdadeiro marido (o sétimo), mas não como os outros como da mesma forma que a água viva e eterna não era aquela do poço. A samaritana ao ouvir parte de sua história com os maridos, reconheceu Jesus como um profeta. E Jesus não lhe fez nenhum sermão ou exigência, muito menos qualquer discurso moralista ou de ameaça.
A samaritana, após reconhecer Jesus como um profeta, lhe apresentou outro drama que todos viviam: o local de adoração. Os samaritanos não tinham mais o templo no alto do monte Garizim e não podiam jamais adorar em Jerusalém. A pergunta da mulher sobre o local de adoração revelou uma necessidade de adorar a Deus e Jesus aprofundou mais uma vez a questão, mostrando que o primeiro e o principal local de adoração é em Espírito e Verdade. Deus Pai quer seus filhos e filhas em uma vida de pleno amor (Espírito) e de testemunho (Verdade).
A samaritana deu mais um passo em relação ao conhecimento de Jesus e Lhe apresentou a questão do Messias e Jesus, sem nenhum rodeio, lhe disse que era Ele. A samaritana, com a chegada dos discípulos abandonou seu jarro e retornou à cidade. Até aquele momento, a água do poço era o mais importante. Jesus tinha dito que a sua água transformaria todos em fonte de água viva, assim, ela convocou e disse a todos o que aconteceu. A sua fraqueza e sofrimentos (sua realidade pessoal com os maridos) se transformaram em motivos para o início de seu anúncio. Ela anunciou a partir de sua experiência pessoal e profunda com Jesus, revelando-O como o Messias esperado por todos.
Aquela mulher vivia fugindo das pessoas e a sua experiência profunda com Jesus lhe deu coragem e firmeza em suas palavras, de tal forma que muitos samaritanos passaram a acreditar em Cristo por causa de suas palavras. Eles mesmos confirmaram pessoalmente tudo que ela tinha narrado e também se tornaram em novas fontes de água viva. Este é o principal instrumento hoje da Evangelização: pessoas inundadas do amor de Deus que testemunham a partir de suas vidas.
Deus sempre faz de tudo para nos dar o que realmente precisamos. Na primeira leitura, o povo mais uma vez se mostrou ingrato para com Deus e sempre reclamando pelas coisas que faltavam. O relacionamento para com Deus foi se tornando seco e árido. Aquela gente, mesmo bebendo água que saia da rocha não se deixava inundar pela plena confiança em Deus. O grande problema não eram as dificuldades encontradas no deserto, mas a falta de confiança e fé do povo. Deus sempre fará de tudo para nos ajudar a enfrentar os desafios de nossa jornada neste mundo, basta confiar Nele. Os desafios permanecerão e serão sempre corriqueiros, mas a forma de enfrentá-los, será diferente: será com Deus! Deus sempre fará o máximo por nós, até mesmo tirar água de pedra, mas é fundamental acreditar e confiar!
Paulo lembra do imenso amor de Deus por nós até ao ponto de dar sua vida por todos. Ele já provou que não somente é capaz de fazer jorrar água de pedra, mas derramou o seu próprio sangue para nos libertar do principal desafio para a humanidade que era o pecado. Quando o coração se transforma em pedra, é difícil fazer milagres, por isto é necessário se deixar tocar por Jesus que se coloca ao nosso lado, não para nos incriminar em relação aos nossos erros e pecados, mas para nos ajudar a experimentar da verdadeira água viva que jorra do coração de Deus e consequentemente, deve jorrar de nossos corações e de todos que estão ao nosso lado.
Faça o download da reflexão em pdf.
Os monges e a Quaresma
Estamos vivendo na Igreja o tempo da Quaresma. Ao longo de quarenta dias, percorremos um caminho cujo ponto de chegada é a Páscoa do Senhor. Este período é um tempo de preparação para a Páscoa, marcado pela sobriedade e recolhimento interior e exterior. Encontramos na regra de São Bento, no capítulo 49, um pequeno, mas profundo, tratado dedicado à observância da Quaresma, escrito para os seus monges e é útil a todos nós.
A sabedoria dos monges ultrapassa o tempo e se faz para todos um caminho espiritual a ser trilhado em nossos dias. São Bento orienta os seus filhos espirituais a fazerem de sua vida, em todo tempo, uma observância quaresmal. Reconhecendo os limites que cada um carrega em si, ele prossegue aconselhando os monges a guardarem, com toda pureza, a vida nos dias de Quaresma.
Esse convite é atual. É válido para nós. Neste tempo litúrgico, vivamos os quarenta dias com pureza de coração, buscando um crescimento espiritual que nos prepare para bem celebrarmos a Páscoa.
São Bento convida seus monges a apagarem nos dias santos da Quaresma toda a negligência de outros tempos. Negligência significa desleixo, falta de cuidado e zelo, preguiça, desatenção, falta de compromisso ao assumir alguma tarefa. O que temos negligenciado na vida que precisa ser melhorado neste tempo da Quaresma? Olhemos para nossa própria vida e busquemos viver estes quarenta dias atentos ao que em nós precisa ser modificado.
A vivência espiritual proposta por São Bento aconteceria se os monges se preservassem de todos os vícios, entregassem-se à oração com lágrimas, à leitura, à compulsão do coração e a abstinência. Temos aqui um caminho espiritual belíssimo a ser vivenciado nestes dias.
Muitos são os vícios que carregamos em nós. É Importante cada um olhar a sua vida e ser consciente dos seus vícios que precisam ser trabalhados e abandonados. Cada um sabe de si e do que necessita ser mudado na vida e no coração.
O tempo da Quaresma é um convite a intensificação da vida de oração. São Bento orienta seus monges a entregar-se a oração com lágrimas. Orar é entregar-se, abandonar-se nas mãos de Deus. As lágrimas são um símbolo da sensibilidade humana. Elas exprimem nossa emoção e sentimento diante de variadas realidades. Ela representa a capacidade de nos emocionarmos com o que é alegre ou triste. Entregar-se à oração com lágrimas significa mergulharmos com toda a nossa alma na presença do Amado de nossa vida. É nos deixar tocar por Deus e nos emocionarmos com sua presença e suavidade. Na oração, entramos em diálogo com Aquele que é a fonte de nossa existência. Abandonamo-nos nos braços d’Aquele que nos gerou por primeiro em seu Amor.
Os monges são convidados a viverem a Quaresma com compunção do coração. Compunção significa arrependimento, pesar profundo de haver cometido um pecado ou ação má, remorso. Vivamos a Quaresma a partir desta perspectiva beneditina. Arrependamo-nos sinceramente de nossos pecados. Busquemos a reconciliação com Deus confessando nossos pecados a um presbítero. Experimentemos, neste tempo, a alegria de sermos perdoados.
A abstinência também é importante para que os monges vivam a Quaresma a partir de uma perspectiva espiritual profunda. Abstinência significa abster-se, privar-se de algo que se gosta muito. A Igreja nos convida abstinência em dois dias do ano: Quarta-feira de Cinzas e Sexta-feira da Paixão. Contudo, muitos estendem a abstinência durante toda a Quaresma, retirando do cardápio algum item de que gostam muito. Além disso, essa prática espiritual pode também ser estendida a outros setores da vida. Cada pessoa pode fazer um propósito pessoal de abster-se de algo, para que, privado do consumo, abra seu espirito a outras realidades e trilhe o caminho da conversão.
A sabedoria dos monges ensina-nos a viver a Quaresma em profundidade espiritual, recolhimento interior e conversão de vida.
Dom Majella faz Visita Pastoral à Paróquia Nossa Senhora das Graças, em Itajubá
Após a pandemia por COVID-19, dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., arcebispo metropolitano de Pouso Alegre (MG), retoma visitas episcopais às paróquias da arquidiocese. De 2 a 5 de março, o arcebispo está em Itajubá (MG) para visitar a Paróquia Nossa Senhora das Graças.
A visita episcopal, também chamada de "Visita Pastoral", faz parte da missão de um bispo. O Código de Direito Canônico pede que o bispo visite a sua diocese, total o parcialmente, ao menos cada cinco anos. Na visita, o bispo conhece de perto e com diligência os fiéis, as instituições católicas, as coisas e os lugares sagrados da diocese (cânones 396-398).
Dom Majella, desde 2014, quando iniciou seu ministério episcopal na Igreja Particular de Pouso Alegre, já realizou visitas a muitas paróquias. Devido à pandemia por COVID-19, o arcebispo interrompeu essa ação ministerial. Neste ano, dom Majella retoma as visitas episcopais em paróquias dos Setores Pastorais Mantiqueira e Mogi.
A retomada das visitas se iniciou na última quinta (2), na Paróquia Nossa Senhora das Graças, em Itajubá. Lá, o arcebispo foi acolhido na Vila Vicentina pelos fiéis e pelos padres Rodrigo Carneiro Paiva Mendes, pároco, e Leandro Luís Mota Ribeiro, vigário. Durante a visita, o arcebispo já se encontrou com as religiosas da Providência de Gap; fez reunião com os membros dos conselhos da paróquia; celebrou sacramentos; se encontrou com fiéis, educadores, enfermos, candidatos ao diaconado permanente e autoridades municipais; e visitou comunidades urbanas e rurais. A visita será encerrada amanhã (5), às 20h, com missa no Santuário de Nossa Senhora da Agonia.
Para os padres Rodrigo e Leandro Luís, a visita de dom Majella é um momento único e marcante para a paróquia. Os padres e os fiéis da paróquia acolhem o arcebispo com fecunda expectativa e amor e esperam que a visita episcopal fortaleça as ações de evangelização das comunidades.
A próxima visita do arcebispo será à Paróquia Santo Antônio, também em Itajubá, a partir do dia 23 de março.
Veja mais fotos da Visita Pastoral à Paróquia Nossa Senhora das Graças.
Texto: padre Leandro Luis Mota Ribeiro e padre Thiago de Oliveira Raymundo
Imagens: Delma Maria Mendonça de Castro
A imagem destacada da notícia traz fiéis, padre Rodrigo Carneiro, padre Leandro Luís e dom Majella, no início da Visita Pastoral à Paróquia Nossa Senhora das Graças, na Vila Vicentina, na última quinta (2).
São Casimiro: príncipe dos pobres e modelo para juventude
Casimiro nasceu na Croácia no dia 3 de novembro de 1458. Era filho do rei Casimiro IV e da rainha Elisabete d’Asburgo.
Ele destacou-se não pela grandeza do seu império, mas pela humildade e simplicidade. Viveu como eremita em seu próprio quarto, dedicando-se à penitência e à oração.
Tornou-se conselheiro de seu pai e ajudou-o a ter diálogo de paz com vários povos. Não se encantava pela vida política e nem pelo poder que lhe era de direito, porém não se eximia do dever de auxiliar sua família no reinado.
Casimiro optou em viver uma vida celibatária e, totalmente, dedicada a Deus. Por isso, recusou o governo de várias regiões que eram anexadas ao império de seu pai e também recusou o casamento que seu pai lhe havia arranjado.
No dia 4 de março de 1484, com apenas 25 anos, Casimiro faleceu, vítima da tuberculose. Por sua fama de caridade e sua dedicação durante a vida pelos mais simples, foi venerado, desde sua morte, como santo.
Sua canonização foi celebrada pelo Papa Leão X. Depois disso, passou a ser o padroeiro da Lituânia e da Polônia. Ele também é o Padroeiro da juventude lituana e protetor dos pobres.
Seu exemplo de vida ilumina a caminhada a de fé dos cristãos. Casimiro nos ensina a não nos deixarmos encantar pelas glórias do mundo e nem pelo poder temporal. As maiores e verdadeiras riquezas só podem ser encontradas a partir da doação total de si mesmo em prol dos irmãos.
Oração a São Casimiro
“São Casimiro, vós que tivestes tudo para reinar soberanamente e usufruir do que desejásseis, preferistes o caminho da santidade. Quanto vos louvo por essa vossa escolha cheia de sabedoria ante a efemeridade desta vida. Dai aos nossos jovens do mundo inteiro, por vossa intercessão junto a Jesus Cristo e a Santa Mãe dos Céus, o despertar das mais santas vocações sacerdotais. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém.”
Fonte: https://cruzterrasanta.com.br/historia-de-sao-casimiro
Imagem: Vatican Media
História da Quaresma
A Quaresma é um tempo privilegiado de conversão, de combate espiritual, de jejum e caridade, de escuta da Palavra de Deus, de uma catequese mais aprofundada que recorde aos cristãos os grandes temas batismais em preparação para a Páscoa. Celebrar a Eucaristia no Tempo da Quaresma significa: percorrer, com Cristo, o itinerário da provação que pertence à Igreja e a cada homem; assumir mais decididamente a obediência filial ao Pai e o dom de si aos irmãos, que constituem o sacrifício espiritual.
O Tempo da Quaresma inicia na Quarta-feira das Cinzas até à Missa “na Ceia do Senhor”, exclusive (a Missa na Ceia do Senhor não está inclusa no tempo quaresmal). Essa Missa vespertina dá início ao Tríduo Pascal (Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor), que tem seu ponto alto na Vigília Pascal e termina com as Vésperas do Domingo da Ressurreição.
A Quaresma tem início com um rito penitencial, na quarta-feira, acompanhado de jejum e abstinência. Esse dia é denominado Quarta-Feira de Cinzas, com precedência sobre todas as outras celebrações. É interessante saber que o rito da benção e imposição das cinzas não é necessariamente unido à Missa, pode ser celebrado fora dela. Quando se faz essa opção, é oportuno realizar antes do rito uma Liturgia da Palavra, como na Missa, com canto de entrada, a oração e as leituras com cânticos correspondentes. Após a homilia, podem ser feiras a bênção e imposição das cinzas. O rito termina com a oração dos fiéis. Para os textos dessa celebração, são utilizados os da liturgia da Quarta-Feira de Cinzas. O Tempo da Quaresma tem por objetivo preparar a Páscoa.
No tempo dos Santos Padres da Igreja, os quarenta dias da Quaresma eram contados do I Domingo até a quinta-feira “na Ceia o Senhor”. O Missal e o Breviário romano conservam até hoje a lembrança e o uso deste modo de contar os dias da Quaresma. Entretanto, o costume de iniciar o jejum quaresmal na Quarta-Feira de Cinzas é muito antigo (séculos VI-VII).
Nos três primeiros séculos da Igreja, a celebração da Páscoa não tinha um período próprio de preparação. Dois dias antes, se realizava um jejum. Nesse período, a comunidade cristã vivia intensamente o empenho cristão, até mesmo com o martírio. Naquele período, os cristãos eram perseguidos.
Após o período de paz de Constantino, sentiu-se a necessidade de um tempo de preparação para aconselhar os fiéis sobre uma maior coerência com o batismo. Com isso, nasceram as prescrições sobre um período de preparação para a Páscoa. Contudo, não se sabe ao certo como surgiu a Quaresma. Porém, uma certeza é clara: ela foi sendo formada progressivamente ao longo da história. Até o século VI, a única semana de jejum era a que precedia a Páscoa. Já na metade do século IV, já estavam acrescentadas a essa semana outras três.
No fim do século IV, a estrutura da Quaresma era de quarenta dias, consideradas à luz da Bíblia.
Referências Bibliográficas:
Missal Cotidiano: Introdução ao Tempo da Quaresma.
BERGAMINI, Augusto. Cristo, Festa da Igreja - O Ano Litúrgico. São Paulo: Paulinas, 1994. p. 263-267.















