Dom Majella cria área pastoral em Pouso Alegre
Nesse domingo (26), dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., criou área pastoral composta pelos Bairros Belo Horizonte, Ipiranga e JK, em Pouso Alegre (MG). A área, pertencente à Paróquia Nossa Senhora de Fátima, ficará sob os cuidados pastorais dos religiosos pavonianos.
A criação da área pastoral surgiu após pedido da Congregação dos Filhos de Maria Imaculada (FMI), pavonianos, para terem uma região de ação pastoral em Pouso Alegre, já que estão presentes na cidade há muitos anos e se dedicam a ações sociais e educacionais, especificamente, no Colégio São José e na Escola Profissional. Os membros dessa congregação estão no Brasil desde 1941. A congregação foi fundada pelo padre Ludovico Pavoni (1784-1849), em 1847, em Bréscia, no norte da Itália. O fundador foi beatificado pelo Papa São João Paulo II, no dia 14 de abril de 2002, na Praça de São Pedro, no Vaticano.
Dom Majella apresentou o pedido dos pavonianos aos membros do Conselho Presbiteral. Após diálogo com o superior provincial dessa congregação, padre José Santos Xavier, FMI, o arcebispo escolheu criar a área pastoral a ser confiada aos pavonianos na região que compreende comunidades da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, entre a rodovia Fernão Dias (BR 381) e o rio Sapucaí-mirim.
As comunidades que passam a fazer parte da área pastoral são: Santa Rita de Cássia (Bairro Belo Horizonte), Santo Expedito (Bairro Ipiranga) e Mãe Rainha (Bairro JK).
Com celebração eucarística, no último domingo (26), às 9h30, na capela da Comunidade Santo Expedito, dom Majella se reuniu com os fiéis dessas comunidades, apresentou e explicou a criação da área pastoral, a qual foi bem acolhida pelos fiéis. Com a criação, além de atender o pedido dos pavonianos, dom Majella pretende intensificar a ação evangelizadora da Igreja Católica nesses bairros da cidade de Pouso Alegre, os quais passaram por significativo aumento populacional nos últimos anos.
Essas comunidades continuarão vinculadas canonicamente à Paróquia Nossa Senhora de Fátima, sob a responsabilidade do pároco, padre Jésus Andrade Guimarães. Os pavonianos que atuarão na área pastoral são os padres Claudinei Ramos Pereira e Carlos Raimundo Pereira e o diácono Jâmison Iago Alves da Cruz.
Na missa que iniciou as atividades da área pastoral, dom Majella pediu que os pavonianos e fiéis da região criada caminhem em comunhão com a Arquidiocese de Pouso Alegre e a Paróquia Nossa Senhora de Fátima, com atenção especial às necessidades de evangelização das comunidades e às ações de sinodalidade.
O arcebispo falou ao jornalista Valmei Bueno, da rádio Difusora HD, sobre a criação da área pastoral. Ouça a reportagem:
Veja mais fotos da criação da área pastoral.
Texto: padre Thiago de Oliveira Raymundo
Áudio Reportagem: Valmei Bueno / Difusora HD
Imagens: Márcia Miranda
#Reflexão: 2º domingo da Quaresma (5 de março)
A Igreja celebra o 2º domingo do Tempo Quaresmal neste domingo (05). Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: Gn 12,1-4a
Salmo: 32(33),4-5.18-19.20.22 (R. cf. 22)
2ª Leitura: 2Tm 1, 8b-10
Evangelho: Mt 17,1-9
JESUS SE TRANSFIGURA DIANTE DOS DISCÍPULOS
No domingo anterior, 1º da Quaresma, fomos conduzidos, com Jesus, ao deserto. Nosso Senhor decidiu fazer um grande retiro de oração e penitência de vários dias. O evangelista nos informou que Jesus foi levado pelo Espírito Santo e também foi tentado pelo Mal. Vimos a importância da oração que nos ajuda, principalmente, quando estamos fracos e debilitados por nossa realidade humana, a vencer todas as tentações.
Sabemos que Jesus é 100% Deus, mas no deserto vimos a sua outra realidade de 100% homem. Ele não venceu o mal usando “seus poderes” divinos (que podia a qualquer momento fazê-lo), mas nos ensinou como também nós (que somos somente 100% humanos) podemos superar as ações do mal que sempre se aproveita de nossas fraquezas para tentar nos arrastar para longe de Deus. Muitas são as formas de tentação, inclusive usando o discurso de “direitos humanos” (de se saciar quando há fome), de “ser famoso” (desafiando até Deus se jogando do Templo) e de garantir neste mundo o seu futuro (ter todos os reinos terrenos). O mal é astuto e esperto, usa até mesmo a Bíblia para tentar ludibriar Jesus, mas é exatamente na Palavra de Deus que encontramos a força para permanecer com Deus e descobrir a Sua vontade, conforme Jesus nos ensina.
Neste 2º domingo da Quaresma, somos novamente conduzidos, mas desta vez sobre uma montanha, juntamente com três discípulos que Jesus chamou com Ele para juntos rezarem. No alto do monte, descobrimos o lado 100% divino de Jesus que desejou revelar aos seus apóstolos aquilo que todos nós temos como promessa e herança conquistadas para nós por Jesus. A transfiguração é um pouco daquilo que teremos, juntos a Deus, depois desta nossa vida terrena.
Os apóstolos sempre viram Jesus se ausentar do grupo para rezar. Os momentos de oração que Jesus transcorria durante toda a noite, eram momentos de profunda intimidade e comunhão entre Ele, o Pai e tudo que significa o céu para todos nós. Rezar deve ser o momento em que já experimentamos o amor e a presença de Deus; é falar com Ele, mas principalmente ouvi-Lo.
Jesus decidiu conceder a três de seus discípulos o privilégio de participar deste momento de comunhão neste mundo, entre Ele e Deus Pai. Precisamos, como Jesus, aprender a deixar um pouco a nossa realidade - mas sem abandoná-la completamente - e “subir a montanha”, isto é, procurar um local mais apropriado para ouvirmos Deus nos falar (o local mais especial para nós, continua sendo nossas igrejas). Em sua oração, Jesus conversa com Moisés e Elias, o primeiro nos deixou os Mandamentos e o segundo a voz dos profetas. Rezar para Nosso Senhor é mergulhar nestas duas fontes fundamentais da fé do Povo de Deus. A oração de Jesus é canal aberto através dos Profetas e dos Mandamentos, onde Deus se faz presente. Toda a tradição da fé do povo de Deus está representada com estes dois personagens do AT, pois Jesus não veio superar ou cancelar nada, mas levar ao seu pleno cumprimento.
A oração no alto do monte, por um momento, revelou Jesus com todo seu esplendor. Nosso Senhor é plena luz, e não há nada igual neste mundo. A oração para nós deve ser um momento de nos deixarmos inundar com a mesma luz que vem de Deus. Como nossa existência terrena depende diretamente da luz e do calor que vêm do sol, assim deve ser a nossa vida em relação a Deus: precisamos nos deixar envolver pela mesma luz e nos deixar inundar com a sua presença. No alto da montanha, com Jesus, os apóstolos experimentaram um pouco do céu.
Pedro ficou espantado e maravilhado com tudo que viu e disse: “É bom estarmos aqui!”. A oração é, anteciparmos o gosto do céu e já nos sentirmos envolvidos com tudo que é Deus, Nosso Pai. Os apóstolos devem ter sempre perguntado o que acontecia com Jesus quando Ele se retirava para rezar. A oração é se deixar envolver pela “nuvem de Deus” que nos abraça com seu amor e sua presença.
Foi um momento único e espetacular que Jesus quis deixar para seus apóstolos para que eles ensinassem e multiplicassem. Mas, eles ainda não estavam preparados para toda aquela experiência, pois era necessário que Jesus terminasse a Sua missão, pois somente com a Morte e a Ressurreição de Cristo, o acesso ao céu ficaria aberto para toda a humanidade.
As orações de Jesus não foram momentos em que Ele fugia e se escondia do mundo e dos problemas da humanidade. Era necessário ouvir e assimilar de Deus Pai o que e como melhor Ele poderia realizar a Sua missão. Jesus se fortalecia na oração para retomar, em cada momento de sua vida, a estrada da vontade de Deus. Pedro pretendia superar esta fase. Desejava abandonar a dura realidade que tinham deixado e permanecer naquela realidade profundamente agradável que era rezar com Jesus.
Pedro estava ainda propondo isso a Jesus, quando se ouviu uma voz vinda do meio da nuvem: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo meu agrado. Escutai-o!”. Este é modo de anunciar a presença de Deus no antigo testamento. Foi-lhes comunicado como podem continuar a experimentar sempre a mesma realidade e satisfação: para ouvir sempre a Jesus, não é necessário subir aquele monte, esperar que tudo se repita do mesmo modo, mas sim, sempre e em qualquer circunstância, ouvir o que Jesus tem a nos comunicar.
As palavras de Jesus, principalmente, os seus ensinamentos são as mesmas palavras de Deus Pai. Ele confirma que Jesus é decisivamente o Filho Amado de Deus Pai, aquele que Deus Pai colocou todo o Seu amor. Assim, as palavras e o amor derramado por Jesus são os mesmos de Nosso Deus Pai. O caminho mais rápido para experimentar o céu já neste mundo é ouvir o que Jesus, o Amado de Deus Pai, tem a nos dizer.
“Amor” é uma das palavras que marcam a profunda relação entre Deus e Jesus. A fé não é, senão, outra coisa que amar. Não acreditamos em fatos, meras palavras e normas, mas na pessoa de Jesus: o amado por excelência que nos ensina o que é o amor.
Jesus chamou os três discípulos para saborear na oração um pouco do Paraíso de Deus, mas não podiam ainda permanecer naquele lugar especial, era necessário retornar a missão e cumprir a vontade de Deus Pai. Também Abrão foi chamado por Deus para cumprir uma missão de ser pai de todos os que acreditam no Deus Verdadeiro (1ª leitura). A missão de nosso “pai da fé” implicava em deixar tudo para trás, para abraçar o “novo” que Deus iria lhe mostrar. Fé e oração devem ser para nós como nossas duas pernas neste mundo: com elas caminhamos e percorremos novas terras e subimos as montanhas de Deus, mas sempre buscando cumprir a vontade de Dele, tendo consciência que antes do céu e do paraíso junto de Jesus, também precisamos enfrentar cruzes e desafios, vencer tentações, mas sempre alimentados com a luz e o amor de Deus Pai, somente assim, conseguiremos terminar bem nossa jornada neste mundo. Portanto, somos chamados a uma vocação especial que é a santidade (2ª leitura), pois somente assim, já antecipamos para este mundo tudo aquilo que é Deus e o céu.
Faça o download da reflexão em pdf.
#Reflexão: 1º domingo da Quaresma (26 de fevereiro)
A Igreja celebra o 1º domingo do Tempo Quaresmal neste domingo (26). Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: Gn 2,7-9.3,1-7
Salmo: 50(51),3-4.5-6a.12-13.14.17 (R. cf. 3a) ou ou mais breve 5,12.17-19
2ª Leitura: Rm 5,12-19
Evangelho: Mt 4,1-11
TENTAÇÕES E LIBERDADE
Neste primeiro encontro dominical do tempo da Quaresma, nos deparamos com duas situações muito semelhantes que representam muito bem a nossa realidade humana: nossa liberdade e a nossa resposta em relação às tentações.
Conhecemos a história da criação do mundo, Deus, livremente cria o mundo e em cada ato como Criador, Ele dá existência a tudo da melhor forma possível. Não cria um mundo para si, mas para o homem e a mulher que Ele cria por último. Diferentemente das demais coisas criadas, ouvimos na primeira leitura que Deus expressou toda sua proximidade e intimidade ao formar o ser humano. Tudo criado antes do homem, Deus o fez com um ato e usando somente sua palavra; mas, a criação do homem foi diferente: foi algo que se aproxima a um parto, onde o ser foi formado, gerado e por fim, nasceu para este mundo com um sopro.
Desde o início, o projeto de Deus para com homem é de máxima proximidade, algo que nenhuma outra criatura possui. O homem Adão, não foi uma criatura (como as demais) que simplesmente passou a existir, mas foi gerado desde o início de uma forma única, pessoal e especial. O livro do Gênesis no capítulo 1º diz que Deus criou o homem e a mulher a “imagem e semelhança” Dele. Duas qualidades que distinguem o ser humano de todos os demais seres neste mundo. Com esta linguagem, a Bíblia expressa que temos muito em nós que nos liga e nos aproxima de Deus, mas seremos sempre sua “imagem”: necessitamos de Deus para existir! O mundo é o “espelho” e nós somos o reflexo de Deus na criação!
Há algo em nós que é exclusivo e nos coloca em proximidade com Deus: nossa liberdade. E Deus nos fez “semelhantes” a Ele (em relação à liberdade) para que pudéssemos exercer o seu principal dom: Amar. Somente quem é livre é capaz de amar. O dom da liberdade não foi para que o homem e a mulher fizessem o que bem entendessem, mas que usassem para amar, pois somente o amor vivido no máximo de sua intensidade aproxima o ser humano (criatura) de Deus Criador.
Neste mundo, mesmo sendo o Paraíso criado por Deus, era necessário ter um limite. Somente Deus possui liberdade plena e sem limites. Para vivermos e praticarmos o amor é necessário que respeitemos limites. No relato da criação são as duas árvores no centro da criação. Deus permitiu a Adão e a Eva de usufruírem de tudo, menos do fruto de duas árvores. Deus não lhes pediu tudo, mas o mínimo: não comer dos frutos da árvore do conhecimento e da árvore do bem e do mal.
Mas, a Mal entrou na história. Sugerindo dúvidas e questionando as próprias palavras de Deus, a serpente convenceu que os dois poderiam ser “iguais” a Deus (não estavam satisfeitos em ser imagem e semelhança). O desejo de romper seus limites e tomar posse de coisas materiais para serem iguais a Deus, tornou os frutos daquelas duas árvores, mais apetitosos dentre todos os demais no Éden. A liberdade, se fosse vivida em sua intencionalidade principal (o amor) tornariam os dois cada vez mais próximos do Criador, mas eles queriam superar tudo e serem “iguais” a Deus. A serpente usou de mentiras para destruir a relação perfeita que havia entre Deus, Adão e Eva. O paraíso foi perdido. Eles imaginavam que iriam possuir tudo e se viram sem nada, rebaixados a realidade de miséria e “indigência” espiritual (notaram que estavam nus).
No Paraíso, a serpente tentou Adão e Eva com o desejo de serem iguais a Deus. No Evangelho deste domingo, nos deparamos com Jesus que também sofre a ação do Mal expresso em toda sua realidade e nome. Jesus é Deus que se fez homem, por isso, as tentações são em relação às situações que iriam tornar Jesus um grande e famoso homem, mas Ele não caiu na conversa do tentador. Então, baseado nesse fato, Paulo na segunda leitura, chama Jesus de “Novo Adão”: aquele que refaz e ensina o caminho para reconstruirmos nossa relação com Deus. O Diabo esperou o momento oportuno para agir. Jesus foi tentado, não quando estava em suas perfeitas forças e com todo o vigor inicial da oração, mas quando sentiu fome. O deserto é lugar da presença e do forte encontro com Deus, por isso, as tentações também são fortes. Jesus nos ensina a repensarmos nossas relações: com as coisas materiais deste mundo (pão); nossos desejos e anseios em relação aos nossos irmãos (jogar-se do templo) e nossa fé em relação ao nosso Deus (quem realmente nós servimos e adoramos).
O Mal propõe algo que, aparentemente, seria natural e compreensivo: matar a fome. Alguém poderia até argumentar que Jesus teria este direito, pois é necessário alimentar-se para sobreviver; ou ainda, “que mal teria feito Jesus se tivesse transformado uma simples pedra em pão (o deserto está cheio delas)?”. Foi o que fez a serpente com Eva quando “puxou conversa” e lhe fez uma pergunta, questionando as palavras do Criador. O mal, muitas vezes, pode se esconder em algo que é proposto como um direito, uma necessidade e até como uma obrigação (de se alimentar pra viver).
Jesus jamais fez algo em proveito próprio, nem mesmo um simples pão. Na realidade, Ele se transforma em pão para todos nós. Este é o pão verdadeiro que sai da “boca de Deus” e não do Diabo. Mas por que Jesus negou a proposta do Diabo? Apesar de estar com fome e ter poder para fazer o que Lhe foi proposto, Jesus recusou, pois a proposta não vinha de Deus, mas do tentador. Quantas vezes caímos em tentações, exatamente porque nos deixamos seduzir com algo que “aparentava” ser bom ou um “direito meu”, mas como não vem de Deus, jamais poderá nos levar até Ele.
A segunda tentação do Diabo foi de convencer Jesus a usar o seu poder para se “autopromover”. O tentador se apresenta como alguém que quer ajudar a promover a missão messiânica de Jesus. O povo gostava e gosta de milagres e certamente, Ele iria atrair multidões com sinais espetaculares, bastaria Jesus se jogar do Templo (forçar um milagre), isto é, forçar Deus vir em seu socorro para promovê-Lo como Messias. Mas, Nosso Senhor nunca usou qualquer dom ou poder para ganhar qualquer prestígio ou receber benefícios. Sempre colocou seus dons a serviço das pessoas, principalmente, dos mais necessitados. Portanto, os nossos Dons que não são colocados a serviço do próximo, acabam corroendo a própria pessoa, pois cria um falso fascínio e brilho que não se sustentam por muito tempo.
Mostrando “os reinos do mundo com suas glórias”, o tentador procurou seduzir Jesus para construir uma realidade que satisfizesse todos os prazeres terrenos. É a terceira tentação. Mais uma vez, o Mal usou de mentira e prometeu aquilo que não pode dar, mas procurou fascinar Jesus com as riquezas deste mundo. O Mal propôs uma troca: os reinos e não a cruz; o domínio e as riquezas do mundo no lugar da pobreza e da simplicidade de vida. Tudo isso tinha o preço: abandonar definitivamente Deus Pai. Mas, Jesus já tinha um Reino que vai muito além dos reinos que conhecemos. Seria trocar o eterno pelo fugaz e transitório como são todos os reinos que já conhecemos na história.
Em todas as tentações, o Mal usou até da própria Palavra de Deus para conseguir desvirtuar Jesus do Seu caminho. Em todas as situações, Jesus rebateu as tentações, usando também da Palavra de Deus, mas principalmente, não dando espaço para dúvidas. E a intimidade de Jesus com o Pai Lhe dava forças para sempre permanecer na confiança que Ele jamais O abandonaria. O tempo de oração e de deserto foi intenso e profundo de tal forma que nem a mais feroz ação e astúcia do Mal conseguiram destruir o projeto de Deus em Jesus Cristo.
O amor ensinado por Jesus é livre, intenso e profundo, pois resgata a realidade original que foi perdida pelos nossos primeiros pais. Nosso Senhor nos ensinou que dentro de nós mesmos, já possuímos a forma de refazermos o projeto original criado por Deus que também reconstrói a nossa realidade conosco e com nossos irmãos e irmãs. Nas tentações, o diabo tentou destruir a realidade de filiação de Jesus “se és filho de Deus...” para assim, se propor como novo guia e referencial em sua vida. Que jamais nos esqueçamos, que também somos filhos e filhas de Deus!
O tempo da Quaresma é um momento especial em cada um e é chamado a rever sua relação com Deus, com o próximo e consigo mesmo, pois somente quando estamos seguros do Amor de Deus e da sua presença em nossa vida, nada neste mundo se mostrará mais necessário (pão), mais importante (pular do templo) e fascinante (reinos deste mundo) do que o próprio Amor Deus por nós.
Faça o download da reflexão em pdf.
Padres são investidos cônegos na Arquidiocese de Pouso Alegre
Ontem (23), os padres Cláudio Antônio Braz e José Setembrino de Melo foram investidos cônegos catedráticos da Arquidiocese de Pouso Alegre (MG). A investidura aconteceu na catedral do Bom Jesus, em Pouso Alegre, com acolhida dos demais cônegos, entrega de murça e barrete, oração da Liturgia das Horas e celebração eucarística, presidida por dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., arcebispo metropolitano.
Com o falecimento dos monsenhores José Carneiro Pinto (21 de julho de 2022) e João Aparecido de Faria (13 de setembro de 2022), cadeiras do Cabido Metropolitano ficaram vacantes e deveriam ser ocupadas por membros do clero arquidiocesano, conforme estatuto dessa instituição. Dom Majella nomeou, no dia 7 de novembro de 2022, como novos cônegos os padres Cláudio Antônio Braz e José Setembrino de Melo.
Saiba mais sobre a nomeação dos novos cônegos.
A investidura dos novos cônegos aconteceu ontem (23), às 18h, na catedral do Bom Jesus. No início, dom Majella foi acolhido à porta da catedral pelo cura e arcediago, cônego Wilson Mário de Morais, pelo arcipreste, cônego Sebastião Camilo de Almeida, e demais cônegos, que se dirigiram à capela do Santíssimo para as orações pessoais.
O ritual de investidura aconteceu com a profissão de fé dos novos cônegos e juramento de fidelidade. Para simbolizar a investidura, os cônegos nomeados foram paramentados com uma murça (parte da vestimenta dos cônegos, que se usa por cima da sobrepeliz, sobre os ombros) e um barrete (chapéu quadrangular, pequeno e rígido, usado pelos clérigos). Com as insígnias, os cônegos investidos foram acolhidos por dom Majella e os cônegos presentes. Os novos cônegos ocuparam as cadeiras vacantes do Cabido Metropolitano, próximas da Sé Arquiepiscopal (cadeira do arcebispo) e marcadas com seu nome em latim.
O arcebispo, cônegos, clérigos, religiosos e fiéis presentes rezaram as Vésperas. Em seguida, dom Majella presidiu a celebração eucarística.
Cônego Cláudio Antônio Braz é, atualmente, pároco da paróquia Santa Isabel, em Piranguinho (MG). É natural de Itapira (SP). Possui 49 anos. Foi ordenado presbítero no dia 17 de setembro de 2004, em Santa Rita do Sapucaí (MG). Seu lema de ordenação é “Se com ele sofremos com ele reinaremos” (2Tm 2, 12). Como padre, já trabalhou nas paróquias: São José, em Paraisópolis (MG); São Caetano, em Brazópolis (MG); Santa Cruz, em Munhoz (MG); São Francisco de Paula, em Ouro Fino (MG); São Sebastião, em Andradas (MG); Nossa Senhora de Lourdes, em Maria da Fé (MG); Santo Antônio, em Jacutinga (MG), e São Francisco de Paula, em Poço Fundo (MG).
Cônego José Setembrino de Melo é, atualmente, pároco da paróquia Imaculada Conceição, em Camanducaia (MG). É natural de Ipuiúna (MG). Possui 62 anos. Foi ordenado presbítero no dia 28 de janeiro 1989, em sua terra natal. Seu lema de ordenação é “Para mim o viver é Cristo” (Fl 1, 21). Como padre, já exerceu várias atividades. No seminário arquidiocesano Nossa Senhora Auxiliadora, foi promotor vocacional, professor, diretor espiritual e membro da equipe de formação. Foi vigário nas paróquias São José Operário, em Itajubá (MG), Santa Isabel, em Piranguinho, e Sagrada Família, em Itajubá. Foi o 1º pároco da paróquia São Benedito, em Itajubá. Também foi pároco das paróquias Santa Rita de Cássia, em Santa Rita do Sapucaí, e São José, em Paraisópolis. Foi vigário das paróquias Nossa Senhora do Carmo, em Cambuí (MG), e Santa Rita de Cássia, em Extrema (MG). Nas paróquias São Francisco de Paula e Nossa Senhora de Fátima, em Ouro Fino, e Nossa Senhora do Carmo, em Borda da Mata (MG), foi pároco e reitor. Foi vigário em Borda da Mata e Estiva (MG), paróquia Nossa Senhora Aparecida.
Da esquerda para a direita, padre José Setembrino de Melo e padre Antônio Cláudio Braz, investidos cônegos.
Dom Majella falou à Radio Difusora HD sobre a investidura dos novos cônegos. Ouça a reportagem de Valmei Bueno:
Veja mais fotos da investidura dos novos cônegos.
Cabido Metropolitano
O cabido é formado por um grupo de sacerdotes denominados cônegos, designados pelo arcebispo para desempenharem funções especiais. A palavra “cabido” vem de capítulo, que significa grupo, colégio, assembleia, reunião de membros de um segmento da Igreja.
Entre as atribuições do cabido, está a missão de realizar funções litúrgicas solenes na igreja catedral, conforme previsto no cânon 503 do Código de Direito Canônico. Para o exercício dessas funções, os membros do cabido possuem lugares determinados com seu nome na igreja catedral e utilizam vestes próprias, segundo seu estatuto.
Dom Majella e cônegos rezam a Liturgia das Horas na cripta da catedral, no dia 8 de novembro de 2021.
É reservada à Santa Sé a ereção de um cabido. Ao longo da História da Igreja, o cabido adquiriu funções como rezar a Liturgia das Horas com o bispo na igreja catedral e ajudá-lo nas decisões mais importantes no pastoreio de uma diocese.
O papa São Pio X, em 7 de agosto de 1905, criou o cabido diocesano de Pouso Alegre, composto por dez capitulares (membros), dois deles com funções especiais de coordenação (arcediago) e secretariado (arcipreste). O cabido foi instalado na catedral do Bom Jesus, no dia 18 de janeiro de 1906. No dia 14 de abril de 1962, ele foi elevado à dignidade de cabido metropolitano pela bula Qui tamquam Petrus, do Papa São João XXIII.
Dom Majella e cônegos fazem memória de padres e bispos falecidos da arquidiocese, no dia 8 de novembro de 2021, na cripta da catedral do Senhor Bom Jesus.
Os cônegos da arquidiocese são Wilson Mário de Morais (arcediago), Sebastião Camilo de Almeida (arcipreste e secretário), Antônio Cláudio Braz, Benedito Ramon Pinto Ferreira, Braz Tenório Rocha, José Donizete Moreira, José Setembrino de Melo, Mauro Morais, Simão Cirineo Ferreira e Vonilton Augusto Ferreira.
Na Arquidiocese de Pouso Alegre, o cabido se reúne para atividades litúrgicas e espirituais. Segundo o estatuto desse colégio, os cônegos devem se reunir para funções religiosas na catedral do Bom Jesus em três momentos durante o ano: na Quinta-feira Santa, na festa da Dedicação da catedral (3 de agosto) e na segunda-feira após o dia de Finados. Nessa reunião anual, os cônegos e dom Majella rezam as Vésperas pelos fiéis falecidos, especialmente os padres e bispos, na cripta da catedral (local onde estão sepultados os bispos e arcebispos que trabalharam na arquidiocese).
Texto: padre Thiago de Oliveira Raymundo
Informações e reportagem: Valmei Bueno / Difusora HD
Imagens: Arquivo Pascom, Maria Fernanda, Suzana Coutinho e Allyson Paiva / Catedral Pouso Alegre - Paróquia do Bom Jesus
Dom Majella explica sentido da Campanha da Fraternidade 2023 e Quaresma
Dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., arcebispo metropolitano de Pouso Alegre (MG), explica o que é a Quaresma e a Campanha da Fraternidade 2023, em reportagem da Rádio Difusora HD.
Hoje (22), Quarta-feira de Cinzas, com celebrações em diversas comunidades, a Igreja Católica dá início à Quaresma e, no Brasil, à Campanha da Fraternidade. A Quaresma é um tempo favorável de "ascese espiritual para superar nossas faltas e seguir Jesus no caminho da Cruz" (Papa Francisco, Mensagem para a Quaresma de 2023) e de conversão para fortalecer o Amor de Jesus no coração.
Leia, na íntegra, a mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2023.
Além disso, durante a Quaresma, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) propõe a Campanha da Fraternidade (CF). Neste ano, a campanha trata sobre os temas fraternidade e fome. O objetivo da campanha é refletir, à luz da fé, o problema da fome no Brasil. Com a CF, os bispos incentivam os fiéis e as pessoas de boa vontade a um diálogo sobre a problemática da fome, à luz da fé cristã, e a concretização de caminhos em direção a um humanismo total e solidário.
Dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., arcebispo metropolitano de Pouso Alegre, explicou ao jornalista Valmei Bueno, da Rádio Difusora HD, o sentido da Campanha da Fraternidade 2023 e da Quaresma.
Ouça a reportagem:
Texto: padre Thiago de Oliveira Raymundo
Informações e reportagem: Valmei Bueno / Difusora HD
Imagem: Catedral Pouso Alegre - Paróquia do Bom Jesus
Quaresma: tempo de voltar para Deus
Cada tempo litúrgico traz consigo riquezas e significados espirituais próprios. O tempo litúrgico da Quaresma é permeado de profundidade espiritual e litúrgica. Esse período tem por finalidade preparar-nos para a Páscoa do Senhor. No tempo dos Santos Padres da Igreja, os quarenta dias da Quaresma eram contatos a partir do primeiro domingo até a quinta-feira na “Ceia do Senhor”, como encontramos em um sermão de São Leão Magno. O Missal e o Breviário romanos conservam até hoje essa contagem. Contudo, o início da Quaresma foi conservado na Quarta-feira de Cinzas, devido ao seu caráter popular e também por ser um costume muito antigo de iniciar o jejum nesse dia (séculos VI-VII).
Nos três primeiros séculos da Igreja, a celebração da Páscoa não tinha um período de preparação. Limitava-se apenas a um jejum realizado nos dois dias que antecediam a festa pascal. Não há dados específicos que indiquem por meio de quem, onde e como surgiu a Quaresma. As informações disponíveis nos atestam que ela foi se formando progressivamente.
Até o século IV, a única semana de jejum era a que precedia a Páscoa. Na metade do século IV, já vemos acrescentadas outras mais a essa semana, compreendendo assim quatro semanas. Já no final desse século, a estrutura da Quaresma passou a ser oficialmente de quarenta dias, considerados à luz do simbolismo bíblico. Essa contagem indica os quarenta dias do dilúvio, os quarenta dias de Moisés no Sinai, os quarenta dias de Elias andando em direção ao monte Horeb, os quarenta dias de Jonas, os quarenta dias do povo de Deus no deserto, quarenta dias de Jesus no deserto.
No lecionário, encontramos três ciclos quaresmais conforme os anos A, B e C. No ciclo litúrgico do ano A, somos convidados a uma reflexão sobre uma Quaresma batismal, cujas leituras retomam os grandes temas batismais; no ano B, encontramos uma Quaresma cristocêntrica e nos é proposto uma série de leituras centradas no mistério da cruz gloriosa de Cristo segundo São João; e, no ano C, uma Quaresma penitencial, cujos textos lucanos colocam em relevo a misericórdia e o convite para acolhê-la.
A Quaresma é um tempo de experiência mais viva da participação no mistério pascal de Cristo: participarmos dos seus sofrimentos para participarmos de sua glória (Rm 8,17). Esse tempo é de caráter sacramental, penitencial, batismal e eclesial.
1) Sacramental: porque Cristo purifica a Igreja, sua esposa.
2) Penitencial: porque é o próprio Senhor que dá eficácia a nossa penitência e, assim, ela adquire valor de ação litúrgica, ou seja, ação de Cristo e da Igreja. Essa prática penitencial não deve ser somente interior e individualista, mas deve também manifestar-se externa e comunitariamente, tendo em conta os seguintes aspectos: abominação do pecado como ofensa a Deus; consequências sociais do pecado e oração pelos pecadores.
3) Batismal: sobre o qual se baseia o caráter penitencial. A Igreja é comunidade pascal porque é batismal e nela entramos mediante o Batismo.
4) Eclesial: tempo de se deixar purificar e santificar pelo Senhor.
Durante a Quaresma, a Igreja nos propõe algumas práticas espirituais que nos ajudam a viver mais e melhor esse tempo litúrgico: escuta mais frequente da Palavra de Deus, vida de oração mais intensa e prolongada, jejum, penitência, obras de caridade, confissão, reza da via-sacra e retiros. A Quaresma só será um tempo profundo em nossa vida se soubermos aproveitar toda a riqueza que a espiritualidade desse tempo nos oferece.
Membros da CNBB visitam Santa Sé
Membros da presidência e assessores da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) estão reunidos desde o dia 2 de fevereiro, no Vaticano, em Roma, para visita anual ao Pontífice e aos Dicastérios que integram a Cúria Romana.
No dia 9 de fevereiro, os participantes da visita se encontram com o Papa Francisco. Além disso, os membros da presidência, clérigos, religiosos e cristãos leigos que atuam na assessoria da CNBB visitaram Dicastérios da Cúria Romana.
Laudelino Augusto dos Santos Azevedo, natural da Arquidiocese de Pouso Alegre e assessor da Comissão Episcopal para o Laicato, está participando da visita.
Em Assis, o grupo teve a oportunidade de vivenciar um dia de retiro espiritual, pregado pelo padre Geraldo Hackmann, da arquidiocese de Porto Alegre, teólogo e prefeito de estudos do Colégio Pio Brasileiro.
Texto: padre Thiago de Oliveira Raymundo
Imagens: Vatican Media / CNBB / Arquivo Pessoal - Padre PatriKy Samuel Batista
Sínodo dos Bispos continua: leitura do relatório continental
O Sínodo dos Bispos sobre a sinodalidade está em nova fase. Após ouvir as dioceses e outras instâncias de organização da Igreja Católica, a secretaria do Sínodo organizou um texto com uma síntese dos relatórios continentais. Esse texto foi disponibilizado ao público e se pediu que as equipes diocesanas fizessem uma leitura buscando identificar: intuições comuns, experiências iluminadoras, tensões ou divergências, questões para a próxima fase e prioridades para a Primeira Sessão da Assembleia sinodal, a ser realizada em outubro de 2023.
A equipe da Arquidiocese de Pouso Alegre é formada pelo coordenador arquidiocesano de Pastoral, padre Edson Aparecido da Silva; a secretária arquidiocesana de pastoral, Lucimara do Carmo Aparecido; o representante da vida religiosa, padre Luiz Francisco Marvulo Martins, CMF; o casal Lidiane Schmidt dos Santos Machado e José Luiz de Souza Machado; representando a Escola Diaconal Santa Dulce dos Pobres, Djalma Pelegrini; e a leiga Suzana Costa Coutinho. O grupo foi o responsável por coordenar e animar a fase da escuta na Arquidiocese e realizar a síntese das mais de 200 respostas enviadas pelas pastorais, conselhos, pessoas e instituições da Arquidiocese.
Ao receber o relatório com as sínteses continentais, a equipe apresentou sua contribuição para esta nova fase. Para conhecer o Documento da Etapa Continental, acesse: https://www.synod.va/content/dam/synod/common/phases/continental-stage/dcs/Documento-Tappa-Continentale-POR.pdf
Segue aqui um resumo da contribuição da Equipe da Arquidiocese de Pouso Alegre:
Convergências:
- a caminhada sinodal e a reflexão sobre ela que alimenta o sentimento de pertença à Igreja;
- a existência dos diversos conselhos;
- o profundo vínculo entre sinodalidade e liturgia;
- a afirmação do valor de todas as vocações na Igreja e a reflexão sobre o modo de exercitar o poder e a autoridade, no exemplo de Jesus.
Também há preocupações comuns, como:
- o desejo de um profundo diálogo ecumênico e a necessidade de formação a este respeito;
- a necessidade de reconhecer a interconexão entre os desafios sociais e ambientais e a missão da Igreja;
- o desejo de maior formação no campo da doutrina social da Igreja;
- a escassa presença da voz dos jovens e das mulheres.
Entre as tensões e divergências, indicamos:
- os medos e as resistências da parte do clero e a passividade, temor e cansaço dos leigos;
- a liturgia demasiada centrada no celebrante, a participação ativa dos leigos, o acesso das mulheres a papéis ministeriais;
- a falta de processos comunitários de escuta e discernimento;
- os grupos que experimentam um sentido de exílio são diversos (mulheres, jovens entre outros);
- apesar das mulheres permanecem a maioria dos que frequentam a Igreja, a maior parte dos papéis de decisão e de governo são desempenhados por homens;
- uma tensão entre a pertença à Igreja e as próprias relações afetivas;
- o anúncio do Evangelho numa sociedade consumista que não conseguiu garantir a sustentabilidade, a equidade ou o sentido de realização;
- os organismos (conselhos) não sejam só consultivos, mas lugares em que se tomam decisões com base em processos de discernimento comunitário.
Assim, percebemos como questões ou interrogações a serem enfrentadas e tomadas em consideração nas próximas fases do processo:
- Como transformar o desejo profundo e enérgico de formas de exercício da liderança que sejam relacionais e colaborativas, e de formas de autoridade capazes de gerar solidariedade e corresponsabilidade em estruturas e práticas concretas?
- Como vivenciar uma espiritualidade que acolha as diferenças e promova a harmonia, valorizando os contributos de cada um?
- De que forma a sinodalidade colabora para sermos uma Igreja, seguidora de Jesus, capaz de se deixar interpelar pelos desafios do mundo de hoje e de lhes responder com transformações concretas?
A partir dessas leituras, cremos serem pontos relevantes para a Primeira Sessão, em outubro deste ano:
- A sinodalidade da Igreja como fundamento para a missão de anunciar Jesus;
- A valorização das vocações e ministérios na comunidade e nas demais instituições eclesiais;
- A promoção do diálogo intra e extra eclesia, permitindo testemunhar o seguimento de Jesus.
Desta forma, seguimos juntos, com renovada esperança, para a terceira e última etapa, a universal, com a Assembleia dos Bispos a ser realizada em Roma, em outubro de 2023 e, novamente, em 2024.
Texto: Suzana Costa Coutinho
Da oração conjugal à oração familiar - Parte 2
No artigo anterior, refletimos sobre o valor da oração conjugal e como ela pode auxiliar o casal a buscar a graça santificante do sacramento do Matrimônio. Neste artigo, iremos trabalhar o tema da oração familiar tendo como referência a obra “Espiritualidade conjugal – uma palavra suspeita”, do padre Henri Cafarrel, fundador do Movimento das Equipes de Nossa Senhora.
Pe. Henri Cafarrel nos diz em seu livro que muito rapidamente o casal se torna família e a oração conjugal, de um modo natural, evolui para a oração familiar. Isso não significa que a oração conjugal deixe de existir, mas ocorre um desenvolvimento gradativo.
A oração familiar nasce da maturidade espiritual do casal, que, por saberem os benefícios de orarem em comum, desejam ampliar essa realidade orante também aos filhos. Muitos casais realizam a oração familiar apenas por tradição ou como um dever. Outros colocam os filhos no contexto orante apenas como meros expectadores. Há casos em que os pais obrigam seus filhos a recitar o Terço ou outras orações da Igreja. Todos esses caminhos, que muitos casais utilizam para o momento da oração familiar, geram dispersão dos filhos e abandono da rotina orante na família.
A oração conjugal deve caminhar para a oração familiar. Isso não significa que o casal deva abandonar a oração conjugal. A oração familiar é uma extensão da oração conjugal. Ambas estão entrelaçadas e se complementam, gerando frutos de santidade também nos filhos.
A oração familiar deve dar um grande espaço à Palavra de Deus, acompanhada de um momento de silêncio e meditação e, em seguida, de uma partilha espontânea sobre o que Deus falou e como todos respondem ao Senhor. Essa metodologia é a mesma praticada na oração conjugal. Contudo, na oração familiar, também estão presentes os filhos, que podem ser crianças, adolescentes, jovens ou adultos.
É de fundamental importância que o casal tenha sensibilidade para respeitar as etapas de amadurecimento espiritual de cada filho em seus níveis de desenvolvimento humano, psicológico e espiritual dentro da atividade orante. Uma metodologia mais elaborada acerca da reflexão da Palavra de Deus pode tornar monótono aquele momento para uma criança de cinco anos. No entanto, para um jovem pode ser excelente utilizar este recurso. Tudo irá depender de como cada filho se encontra na caminhada cristã. Bom senso sempre será fundamental.
O tempo também é essencial. Crianças se cansam com bastante facilidade. Realizar uma oração familiar que ultrapasse os dez minutos pode ser um verdadeiro tormento para uma criança ainda pequena. O gosto pela oração familiar será desenvolvido no coração de cada filho pela atração e não pela imposição exagerada de normas e regras que apenas os adultos compreendem.
Os pais devem ensinar seus filhos que a oração é um diálogo de amor com Deus. Essa conversa se desenvolve na espontaneidade. Por isso, o casal deve incentivar os filhos a se expressarem diante de Deus com palavras simples que brotam da alma e da compreensão de Deus que a idade lhes permite ter. Esse ensino se dará, em primeiro lugar, pelo exemplo dos próprios pais, evitando, na oração familiar junto aos filhos ainda pequenos, usarem palavras difíceis ou até mesmo incompreensíveis para a idade das crianças.
A oração familiar é um fator de unidade no lar. Ela promove a comunhão de todos os membros. Reunidos em comunidade, formando um “Santuário de Amor”, uma “Igreja Doméstica”, o casal ajudará a desenvolver na alma dos filhos um imenso amor a Deus e a sua Palavra.
Segundo padre Henri Cafarrel, o espetáculo de um pai e de uma mãe em adoração diante de Deus forma a alma orante dos filhos. Por isso, os gestos e palavras dos pais revelam a importância da adoração a Deus em espírito e verdade.
Ao final deste artigo, reafirmo o que já alertei no texto anterior: a oração conjugal é indispensável! Se a oração conjugal for verdadeira, a oração familiar também será. Ambos os momentos se complementam e um não dispensa o outro.
Comissão para a Música Litúrgica oferece subsídio para Tempo da Quaresma
Comissão para a Música Litúrgica, vinculada à Comissão Arquidiocesana para a Liturgia (CAL), oferece aos ministros do canto das paróquias material de cantos para o Tempo Quaresmal.
No subsídio, foram elencados alguns dos inúmeros cantos para a quaresma, separados na ordem do rito da missa: Cantos Processionais: abertura, apresentação dos dons (ofertório) e comunhão; Ato Penitencial: as três fórmulas para a Quaresma como apresentadas no missal e algumas opções para a aspersão dos fiéis; Aclamação ao Evangelho: os diversos textos contidos nos lecionários com o versículo do dia correspondente; Cantos para a Imposição das Cinzas, para Nossa Senhora das Dores e Nosso Senhor dos Passos e outros diversos para momentos penitenciais tais como: exames de consciência, via-sacra e procissões.
A comissão recorda que no tempo quaresmal omitem-se o hino de louvor (Glória) e o Aleluia, que serão retomados na solene Vigília Pascal no Sábado Santo.
Neste ano, a Quaresma tem seu início no próximo dia 22 de fevereiro (quarta-feira de cinzas) e terminará na quinta-feira santa, quando se rezar a missa vespertina da Ceia do Senhor. Atualmente, coordena o canto litúrgico a cristã leiga Lúcia Maria Elizandra Silva, da paróquia São José, no Pântano, em Pouso Alegre. Padre Marcos Roberto da Silva é o coordenador da CAL.
O material elaborado está disponível no site da arquidiocese, na aba "Pastoral", página "Materiais Pastorais". Acesse aqui.
Texto: padre Thiago de Oliveira Raymundo
Materiais audiovisuais: Lúcia Maria Elizandra Silva












