Memória de Santo Ambrósio, Bispo e Doutor da Igreja

Santo Ambrósio é venerado no dia 7 de dezembro, data em que, no ano 374, foi aclamado pela população bispo de Milão.

Santo Ambrósio, também conhecido como Ambrósio de Milão, foi um influente bispo e teólogo do século IV. Nasceu por volta do ano 340 d.C. em Tréveris, na Gália (atual Alemanha), e faleceu em 397 d.C. em Milão, na Itália. Ele é reconhecido como um dos quatro grandes doutores da Igreja Latina.

Ambrósio teve uma vida dedicada ao serviço religioso e à defesa da fé cristã. Ele foi nomeado bispo de Milão de forma inesperada, mesmo sem ter sido batizado. Durante seu episcopado, desempenhou um papel importante na conversão do imperador romano Teodósio I ao cristianismo.

Santo Ambrósio foi um exemplo de vida piedosa para os fiéis, pois praticava uma vida de oração e contemplação, vivendo em conformidade com os ensinamentos cristãos. Ele incentivava os fiéis a se dedicarem à caridade, à humildade e à busca constante da santidade, sendo um modelo inspirador de virtude e devoção.

Além de suas atividades pastorais, Santo Ambrósio também se destacou como um prolífico escritor, orador e por sua influência na música litúrgica. Suas obras abordam diversos temas, como a doutrina cristã, a moralidade e a justiça social. Ele foi um defensor fervoroso da ortodoxia cristã e enfrentou desafios teológicos significativos durante sua época.

Santo Ambrósio é considerado o padroeiro de Milão, na Itália, onde ele serviu como bispo. Ele também é venerado como padroeiro dos catecúmenos, dos apicultores e dos fabricantes de cera.

Santo Ambrósio desempenhou um papel significativo na conversão de Santo Agostinho. Agostinho, que estava buscando respostas espirituais, foi influenciado pelas pregações e pelo exemplo de vida de Ambrósio. Através desses encontros, Agostinho encontrou a fé cristã e foi batizado por Ambrósio em 387 d.C.

Algumas das obras teológicas mais conhecidas de Santo Ambrósio incluem "De Officiis Ministrorum" (Sobre os Deveres dos Ministros), "De Sacramentis" (Sobre os Sacramentos), "De Mysteriis" (Sobre os Mistérios), "De Fide" (Sobre a Fé) e "Expositio Evangelii secundum Lucam" (Exposição do Evangelho de Lucas).

Frases de ensinamento de Santo Ambrósio:

"Não basta falar da verdade, é preciso vivê-la."

"A fé é como a luz que ilumina o caminho da alma."

"A oração é a chave que abre os tesouros do céu."

"A caridade é o vínculo da perfeição."

"O amor de Deus é a fonte da verdadeira felicidade."

Santo Ambrósio faleceu em 4 de abril de 397 d.C. Na cidade de Milão na Itália, com aproximadamente 57 anos de idade. E na hora de sua morte, pronunciou as palavras “Parto de um mundo turbulento para encontrar a paz eterna."

Oração: Santo Ambrósio, intercede por nós diante de Deus, para que possamos seguir o teu exemplo de sabedoria, humildade e devoção. Ajuda-nos a crescer na fé e no amor a Cristo, e guia-nos em nosso caminho rumo à santidade. Amém.

Santo Ambrósio, rogai por nós!

Fonte e imagem: cancaonova.com/cnimages

Referências

  1. "Santo Ambrósio: Doutor da Igreja" - Livro de Monsenhor João Clá Dias
  2. Catholic Encyclopedia: https://www.newadvent.org/cathen/01383c.htm
  3. Vatican News: https://www.vaticannews.va/pt/santo/ambrosio-de-milao.html
  4. Catholic Saints Info: https://www.catholic-saints.info/patron-saints/saint-ambrose.htm
  5. Catholic Online: https://www.catholic.org/saints/saint.php?saint_id=16
  6. Hagiography Circle: http://newsaints.faithweb.com/year/0397.htm


Dom Majella, Padre Edson e a sra. Dalva Rangel participam da Assembleia Ampliada do Conselho Episcopal em Belo Horizonte

Durante os dias 27 e 30 de novembro de 2023, aconteceu a Assembleia Ampliada do Conselho Episcopal Regional (CONSER), em Belo Horizonte (MG), promovido pelo Regional Leste II da Conferência Nacional dos bispos do Brasil (CNBB). Dom José Luiz Majella Delgado CSsR., Pe. Edson Aparecido da Silva, secretário de pastoral, e a Sra. Dalva Rangel representaram a Arquidiocese de Pouso Alegre (MG).

O objetivo desta assembleia é reunir bispos, padres e representantes do laicato de cada diocese, bem como representantes das pastorais, movimentos e organismos para avaliar as ações pastorais realizadas. A temática central abordada foi a “Igreja sinodal, vocação, busca e processo”. O encontro acontece por meio de partilhas e plenárias que buscam contemplar o tema em questão.  Há espaço ainda, para momentos de oração e celebrações eucarísticas.

 

Texto: Pe. Carlos Cézar Raimundo

Imagem: Pe. Edson Aparecido da Silva


#Reflexão: 1º domingo do Advento (03 de dezembro)

A Igreja celebra o 1º domingo do advento, neste domingo (03). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Is 63,16b-17.19b;64,2b-7
Salmo: 79(80),2ac.3b.15-16.18-19 (R. 4)
2ª Leitura:1Cor 1,3-9
Evangelho: Mc 13,33-37

Acesse aqui as leituras.

RECONHECER, ESPERAR E VIGIAR

             Com o tempo do Advento, a Igreja inicia uma nova caminhada de fé e de esperança procurando nos ajudar a recordar daquele que é o centro de nossa vida e de nossa existência. Advento significa “aproximação”, “vinda”, “chegada”, por isso é um tempo de espera, mas não esperamos algo ou alguma coisa, mas sim, uma pessoa. O Advento nos ajuda a esperar Jesus Cristo que sempre vem ao nosso encontro e um dia nos acolherá na eternidade.

Na primeira leitura, o profeta Isaías nos apresenta um grito do povo que se encontrava perdido e quase sem esperança durante o exílio da Babilônia. Em terras estrangeiras, longe de tudo que expressava a fé de Israel (a terra, a cidade de Jerusalém, o Templo...) sobraram somente as lembranças e a memória do passado. O profeta reconhece que estão pagando o preço por causa dos pecados e da frieza que todos tiveram diante de Deus. São palavras que beiram o desespero pela realidade, mas também de um profundo reconhecimento da grandeza e do poder de Deus que é invocado como “pai”, expressão rara nos texto do AT. O profeta mostra não uma fé nostálgica (presa ao passado), mas uma esperança na experiência que o próprio povo de Deus já teve. Um Deus que é capaz de fazer tudo pelos seus filhos e filhas. Por isso, a prece do profeta é que Deus “rasgue” o céu novamente para defender e salvar o seu povo. Por fim, Isaías renova sua esperança colocando-se, juntamente com seu povo, nas mãos de Deus e deixando-se modelar como barro nas mãos do oleiro.

No Evangelho de Marcos, por bem três vezes Jesus exorta os seus discípulos a vigiar. Para melhor ilustrar isso, Jesus usa uma história de um ambiente familiar: o senhor parte em viagem de sua casa e fala com os seus empregados que um dia retornará. Assim, não se espera uma “pessoa qualquer”, mas aquele que é o senhor da casa.

As primeiras palavras de exortação de Jesus no trecho do Evangelho deste domingo falam do retorno em um “momento oportuno” (kairos = Tempo de Deus), não é um dia determinado no nosso tempo (uma data no nosso calendário), mas afirma que acontecerá em um momento de graça e no tempo oportuno de Deus.

Este senhor parte de sua casa e tudo acontece em um ambiente onde todos se conhecem. Assim, o retorno é nada mais que um reencontro de pessoas que nutrem um grande afeto e intimidade. Ao partir, segundo Jesus, o dono da casa deixa seus bens não para estranhos (e nem para seus filhos), mas para pessoas que ele conhece e que são classificadas por Jesus como “servos, empregados”, pois o dono da casa é um só. Mas, esta forma de mencionar os ocupantes da casa em nada os diminui ou desqualifica, pelo contrário, todos sabendo que tudo pertence a um só, torna cada um responsável pelo bem comum, pois ninguém pode se sentir “dono” e, assim usufruir dos bens de forma irresponsável.

A relação do dono da casa é especial. Ele parte em viagem (não desaparece), mas antes deixa tudo nas mãos dos seus servos, com recomendações fundamentais: o dono deixa tudo e frisa bem que devem zelar com “responsabilidade” sobre seus bens; cada um possui “tarefas” ou atividades para que tudo continue em ordem; e por fim, exorta aos porteiros que fiquem “vigiando”.

O senhor da casa está ausente, mas seus empregados devem continuar vivendo como sempre viveram: com responsabilidade e cumprindo cada um sua tarefa para o bem de todos e da casa. Assim, os empregados devem se comportar como se o dono estivesse sempre presente. Interessante que nas palavras de Jesus, somente o porteiro recebe a incumbência da vigilância.

Sabemos que o “dono da casa” é Jesus que depois da sua ascensão não “desapareceu”, mas se distanciou de nossos olhos para continuar nos visitando em “momentos oportunos”. Ele  sempre vem ao nosso encontro em cada pessoa que nós encontramos e de modo especial nos mais necessitados. Estes são os “momentos oportunos” que devemos ficar atentos até o dia em que se manifestará plenamente na história.

O “porteiro” na história de Jesus é a nossa consciência que deve ser a “porta” de acesso de nossa vida. Por esta “porta”, nós devemos permitir entrar somente aquilo que vem de Deus.

Jesus retoma o tema da vigilância, agora afirmando para todos os seus “empregados” (nós): vigiar sempre, pois não se sabe quando o dono da casa vem. O texto original não diz “virá” (o que poderia ser entendido com algo em um tempo determinado com data), mas que “vem” (algo no presente e constante de nossa vida). De fato, Ele sempre se faz presente em nossa vida e história, muitas vezes, nós é que perdemos a capacidade de sentir sua presença amorosa, como nosso pastor e guia.

Na história familiar contada por Jesus, Ele menciona que o alerta para o seu retorno tem que ser “redobrado” nos momentos mais difíceis. Nosso Senhor menciona quatro momentos da noite que inicia com o entardecer, passa pela meia-noite, depois a madrugada até o amanhecer. Sabemos que a “noite” (momento de mais dificuldade e temor) devemos estar mais vigilantes e atentos. Nos momentos de “noite escura” (desafios e dificuldades) é que devemos estar mais atentos!

Na nossa história, conhecemos muitos que se aproveitaram dos momentos de “escuridão” para se apresentarem como “a melhor solução” ou como “salvador”. Muitos se colocaram como “luz” para iluminar a noite das incertezas, mas se revelaram mais escuridão e trevas para o nosso povo.

O período da noite é também momento do “repouso”, mas isto não deve ser aplicado ao zelo pela “Casa” que pertence ao senhor. Cada vez mais, as pessoas estão se distanciando das “coisas de Deus” e envolvidas somente com os afazeres da vida. O que deve ser principal está se tornando secundário; e aquilo que tem menos importância, está se tornando centro de tudo.

Jesus alerta no final do Evangelho para estarmos sempre atentos para não sermos surpreendidos com o retorno do “dona da casa” e nos encontrarmos “dormindo” para as coisas de Deus.

A fé e a esperança que devem embalar a vida e o cotidiano de cada cristão devem estar bem aprofundadas nesta experiência de quem é realmente Jesus. Muitos, infelizmente, já perderam a referência de quem é realmente o Senhor Jesus em suas vidas. São muitos os “senhores” em nosso tempo que estão no lugar daquele que realmente pode nos dar o verdadeiro sentido de nossa existência.

Paulo na segunda leitura nos lembra que todos já possuímos dons e tudo de que necessitamos para continuar a nossa missão, pois a nossa maior riqueza está no conhecimento e na prática de tudo que Ele nos ensinou.

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Encerramento do 3° Ano Vocacional da Igreja no Brasil

No dia 26 de novembro, Solenidade de Cristo Rei do Universo, na Catedral Metropolitana de Pouso Alegre, foi encerrado o 3º Ano Vocacional na Arquidiocese de Pouso Alegre.

Das 9h às 15h do domingo, membros das equipes vocacionais paroquiais e coordenadores dos setores estiveram reunidos no Seminário de Pouso Alegre em um encontro de partilha e oração sobre o 3º Ano Vocacional.

Às 16h, foi celebrada na Catedral Metropolitana de Pouso Alegre a Missa de encerramento, presidida pelo cônego Wilson Mário de Morais e concelebrada por três formadores do encontro.

Texto: Italo Cavalcante

Fotos: Luiz Gustavo Camanducaia e Bruna Tebas


O divino e o humano em parceria

Escrita por iniciativa de Deus para a salvação dos homens, a Sagrada Escritura é uma biblioteca cujos livros nasceram da parceria autoral entre o divino e o humano. A Bíblia é, indissoluvelmente, Palavra de Deus na palavra do homem: “muitas vezes e de muitos modos, Deus falou no passado aos nossos pais através dos profetas” (Hb 1,1). Considerando que ela é o registro teológico de um longo processo de diálogo, deve-se ter em mente que toda comunicação assertiva requer sujeitos linguisticamente qualificados interagindo entre si mediados por um ato de fala: Deus, o emissor sagrado, endereça ao ser humano uma mensagem que salva, capacitando-o para acolhê-la; este, enquanto destinatário, dotado de consciência e liberdade, pode responder ao Senhor, ouvindo, interpretando, rezando e vivendo a boa notícia recebida.

A mensagem de salvação comunicada por Deus na Sagrada Escritura é tão esplêndida que o salmista afirma: “um dia comunica esta mensagem para o outro dia, uma noite a transmite para a outra noite. Não são discursos nem frases ou palavras que não podem ser compreendidos, mas é uma notícia que chega ao mundo inteiro” (Sl 19,2-5). Essa boa nova que se espalha pela Terra tem Deus como seu autor principal: Ele inspirou homens e comunidades a colocarem por escrito a tradição oral em que transmitiam a mensagem que receberam da comunicação divina. Portanto, a Bíblia é essencialmente Palavra de Deus conforme escreveu Pedro: “saibam, acima de tudo, que nenhuma profecia da Escritura surge de alguma interpretação particular. Porque a profecia nunca aconteceu por iniciativa humana; ao contrário, os homens movidos pelo Espírito Santo falaram [e escreveram] como porta-vozes de Deus” (2Pd 1,20-21).

Apesar da Sagrada Escritura não se originar na vontade do ser humano, sendo Deus o seu principal autor, ela é fruto de uma parceria: o homem é co-autor da Bíblia na medida em que colabora para a codificação e a transmissão da mensagem divina.

Onipotente, Deus poderia ter revelado seus desígnios de amor e salvação sem recorrer à ajuda humana, o que preservaria os textos sagrados de inúmeros equívocos causados pela ignorância moral, histórica, geográfica, científica, enfim, cultural do próprio homem. Porém, desde o princípio da revelação, Deus convidou o ser humano para participar ativamente de sua economia salvífica, considerando suas potencialidades e limitações como essenciais para a sua proposta pedagógica. A grandeza de Deus, que escapa aos parâmetros humanos, mostra-se na valorização do próprio homem e não em sua anulação, pois, como cantou o salmista, “contemplando a obra de Deus, perguntamos o que é o homem para dele Vos lembrardes e o tratardes com tanto carinho? Pouco abaixo de Deus o fizestes, coroando-o de glória e esplendor!” (Sl 8,4-6).

Aqueles que colaboraram com Deus no processo de redação dos textos bíblicos, sejam eles indivíduos históricos ou comunidades, são chamados de hagiógrafos - termo de origem grega que significa escritores sagrados -, foram inspirados pelo Espírito Santo: “Deus as revelou [as coisas do céu] a nós, por meio do Espírito Santo. Dessas coisas não falamos usando a linguagem ensinada pela sabedoria humana, mas usando a linguagem que o Espírito ensina” (1Cor 2,10.13). Porém, é preciso aprofundar o conceito de inspiração divina da Bíblia, evitando duas tendências teológicas equívocas. A primeira delas, chamada fundamentalista, trata a Bíblia unicamente como Palavra de Deus e desconsidera os elementos históricos e métodos de interpretação, afirmando a total inerrância bíblica; ela deve ser rejeitada pois considera o ser humano como um fantoche utilizado por Deus para colocar por escrito aquilo que o próprio homem não conhecia. A segunda, denominada racionalista, considera a Bíblia uma literatura religiosa, ou seja, produzida pela cultura humana e interpretada exclusivamente de maneira histórica, minimizando a ação divina. Sendo assim, é numa terceira via, moderada e fundamentada no ponto alto da própria revelação de Deus, isto é, na encarnação da Palavra Eterna (cf. Jo 1,14), que se encontra a ideia de inspiração.

Trata-se da tendência analógica, que busca na comparação entre o mistério da encarnação de Jesus e a parceria entre Deus e o ser humano, no que diz respeito à autoria bíblica, a lógica da inspiração. Conforme está escrito no hino cristológico de Filipenses 2,6-8:

“Jesus, embora sendo Deus, não se apegou ao seu ser divino, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de um servo e fazendo-se aos homens semelhante. Encontrado como homem, rebaixou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até à morte de cruz”.

Da mesma forma que Jesus é simultânea e eternamente homem e Deus, ou seja, que por meio da encarnação o homem de Nazaré é o Filho de Deus (cf. 1 Pd 5,5) e vice-versa, a Bíblia é indissociavelmente obra divina e humana, pois nela a inspiração de Deus está consignada nas palavras humanas e a linguagem humana, historicizada, transmite a mensagem divinamente inspirada. Deus inspirou homens e mulheres para serem intermediários de Sua revelação, e são eles que, acolhendo e interpretando a comunicação divina, codificaram os livros sagrados e transmitiram a boa nova da salvação. O povo de Israel, por exemplo, reconheceu que Moisés era o mediador entre Deus e os homens: “Moisés, aproxime-se do Senhor e ouça tudo o que Ele, o nosso Deus, tem a dizer. Depois, comunica-nos tudo o que o Senhor, o nosso Deus, falou e iremos atender e colocar em prática” (Dt 5,27).

Assim, chega-se num esclarecimento sobre o princípio de inerrância da Sagrada Escritura: naquilo que depende a salvação do ser humano, a Bíblia não erra por se tratar de inspiração de Deus. A Palavra que salva não comporta erros, pois “em Cristo, também vós ouvistes a Palavra da verdade, o evangelho da salvação” (Ef 1,13). Porém, os textos sagrados, ainda que sejam inspirados por Deus, não foram preservados dos equívocos autorais humanos e das imperfeições relativas às limitações do conhecimento histórico, geográfico, científico e moral das épocas em que foram escritos pelos mediadores da Palavras divina: morcegos não são aves (cf. Lv 11,19), mas mamíferos; o planeta não tem a forma terraplanista de um disco (cf. Is 40,22) ou de um quadrado (cf. Ez 7,2), mas possui o formato quase esférico; a Terra não é estática sobre colunas (cf. Jó 9,6), mas gira no espaço; o sol nunca se movimentou (cf. Js 10,13), mas permanece imóvel; dentre tantos outros exemplos.

Como se nota, cada um dos autores sagrados impregnou os textos bíblicos com as características de seu próprio ser: o autor primário, Deus, é perfeito e aquilo que depende Dele não possui erro, a saber, a salvação humana; o autor secundário, o homem, é imperfeito e aquilo que depende dele pode estar equivocado, a saber, elementos culturais na transmissão da revelação divina.

Porém, a partir de Jesus Cristo toda imperfeição na redação e na interpretação da Escritura, que poderia comprometer o sentido fundamental da Palavra que salva, é corrigida: Ele nos explica com autoridade “todas as Escrituras, começando por Moisés e percorrendo os profetas” (Lc 24,27), corrigindo através de sua encarnação e redenção os desvios da humanidade. Ele próprio, que é a síntese do amor de Deus pelo ser humano, que é verdadeiramente Deus e homem, é também a explicação de que a Bíblia nasce da parceria entre o divino e o humano, pois Ele é o sol que nasce do alto e visita o seu povo “para iluminar os que vivem nas trevas e para guiar os nossos passos no caminho da paz” (Lc 1,79).

Imagem: Barbara Jackson por Pixabay


Faculdade Católica de Pouso Alegre realiza Roda de Conversa sobre Inteligência Artificial e Igreja

No dia 22 de novembro, no auditório da Faculdade Católica de Pouso Alegre, foi realizado um evento em parceria entre a Faculdade, a PASCOM da Arquidiocese de Pouso Alegre, a UNA, a FAI e as paróquias do Setor Pastoral Mandu, sobre Inteligência Artificial, ChatGPT e Igreja.

Com o tema "Perspectivas técnicas, éticas e pastorais para uma comunicação plenamente humana", o evento reuniu alunos e professores das paróquias do Setor Pastoral Mandu, fiéis católicos das paróquias de Pouso Alegre e interessados pelo tema.

Mediado por Djalma Pelegrini, o encontro promoveu uma reflexão interdisciplinar sobre a Inteligência Artificial, envolvendo perspectivas tecnológicas, filosóficas e pastorais, e com a participação da comunidade acadêmica e de grupos eclesiais de Pouso Alegre e região.

À frente da roda de conversa, também estavam alguns assessores para o tema: o Prof. Drndo. Tobias Augusto Rosa Faria (Faculdade Católica de Pouso Alegre), Prof. Drnda. Isabela Vasconcelos de Carvalho Motta (UNA/Fai/Inatel) e Drndo. padre Thiago de Oliveira Raymundo (UCA / Pascom Arq. Pouso Alegre).

Dentre as reflexões promovidas no evento, destacou-se a relevância atual do tema, não apenas para as áreas da tecnologia e da comunicação, mas também para as áreas da filosofia e teologia. O evento reconheceu a importância do assunto, em comunhão com o Papa Francisco, que escolheu a Inteligência Artificial como tema do Dia Mundial da Paz de 2024 (1º de janeiro) e do 58º Dia Mundial das Comunicações Sociais (12 de maio de 2024).

O evento foi transmitido ao vivo no canal da Arquidiocese de Pouso Alegre, pelo YouTube.

Acesse e acompanhe a gravação da Live (início à partir de 30:55)

Texto: Italo Cavalcante

Fotos: Edilene Coutinho


#Reflexão: Solenidade Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo (26 de novembro)

A Igreja celebra a Solenidade de Cristo Rei do Universo, neste domingo (26). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Ez 34,11-12.15-17
Salmo: 22(23),1-2a.2b-3.5-6 (R. 1)
2ª Leitura:1Cor 15,20-26.28
Evangelho: Mt 25,31-46

Acesse aqui as leituras.

“Todas as vezes que fizeste a um destes pequeninos, foi a mim que fizestes!”

Com a celebração deste final de semana, a Igreja nos propõe, mais uma vez, o tema do final dos tempos, momento em que toda a humanidade se confrontará com o Deus da Misericórdia. Paulo na primeira leitura, em sua carta aos Coríntios, nos lembra que tudo se iniciou com a vitória de Cristo na cruz, com a sua Ressurreição. O mundo e a humanidade iniciaram um novo momento em sua história; um destino novo traçado por Jesus para todos nós, cujo fim será a vitória definitiva do mal com a derrota da própria morte. Assim, nós nos encontramos no meio desta história cujo início se deu após a ressurreição de Nosso Senhor e o fim será a coroação suprema do projeto de Deus com Jesus rei do Universo.

A solenidade de Cristo Rei quer nos lembrar que Jesus deve ser o nosso Rei e Senhor enquanto estivermos neste mundo. Ele inaugurou um reino diferente na terra, onde Ele mesmo, através de sua Igreja, governa já neste mundo como Senhor. Ele é o Pastor supremo que cuida de cada um que pertence ao seu rebanho como nos lembra o profeta Ezequiel na primeira leitura. Dessa forma, todos são chamados a compor esse Reino de Deus que possui seu Rei como pastor e nós como seu rebanho. Mas, este Reino especial tem um ponto de encontro onde Deus terá a sua última palavra sobre tudo e sobre todos.

Nos domingos anteriores, tivemos oportunidade de refletir não sobre “quanto será o fim”, mas em como cada cristãos deve se preparar para se encontrar com Jesus que um dia virá: deverá sempre reabastecer sua lâmpada com óleo da fé, da esperança e da caridade; deve ser servo que trabalha sempre, dia e noite, na obra do Senhor; e ser servos que multiplicam os talentos (que são graças e bênçãos, riquezas e dons de Deus para cada fiel), assim, esses servos no encontro com Jesus, poderão entregar muito mais do que receberam. O Evangelho de Mateus na solenidade do Cristo Rei deste domingo, finalmente, nos revela o que acontecerá quando nos encontrarmos com Jesus que se manifestará em sua Glória final.

No Evangelho de Mateus da solenidade de Cristo Rei temos a cena do encontro de Cristo com todas as pessoas. Conforme nos diz Jesus, será um momento de graça e confirmação para muitos e também de juízo e julgamento para outros. No julgamento final, nossas escolhas e nossa história terão o peso do amor e da misericórdia que procuramos viver. Este texto de Mateus são as últimas palavras de Jesus antes de enfrentar a Sua Paixão. Tudo inicia com a figura do Filho do Homem, que se torna rei, em seguida, juiz e termina solidário com os pequenos. É um “rei” que não quer nada para si, mas se preocupa com seus “súbitos”, principalmente, os mais fracos e frágeis.

Segundo Jesus no Evangelho, nós seremos julgados conforme aquilo que Jesus viveu, ensinou e pediu que fizéssemos, isto é, o amar para com o próximo. Nosso Senhor sempre se preocupou com cada pessoa e não com as coisas materiais. Os mais necessitados, os doentes e os excluídos da sociedade da época foram os prediletos de Jesus: esquecidos por todos, mas amados por Jesus.

Não seremos cobrados pelo nosso amor a Deus, mas pelo amor a Deus no próximo, porque Deus não se encontra no céu (distante), mas em cada pessoa (em cada próximo). Os gestos lembrados por Jesus são aqueles que mais evidenciam a nossa realidade como pessoa humana e nos caracterizam como servos do Senhor Jesus que viveu tudo isto com intensidade.

Segundo Jesus, o critério de julgamento final que cada pessoa será questionada se baseará em obras de misericórdia: alimentar os afamados, dar de beber àquele que tem sede, acolher o peregrino, vestir aqueles que estão sem roupas, visitar os enfermos e os encarcerados. Assim, no julgamento final de pouco valerá nossos títulos, nossos estudos, nossa ciência, nossas intenções, conhecimentos, rituais e tradições se tudo isto não nos ajudou a aprofundar nossas relações com o próximo e os mais carentes. O critério fundamental no juízo final será a compaixão. Não seremos cobrados de mais nada senão da proporção do amor que dividimos em gestos concretos com nossos irmãos e irmãs.

Não seremos julgados tanto pela quantidade de nossos pecados, mas sim pela qualidade de nosso amor.

O julgamento não se terá sobre obras a serem apresentadas, mas rostos e ações concretas, pessoas e necessidades humanas. Não serão os pobres o critério de nosso julgamento, mas o próprio Jesus que se encontra nos mais desprovidos e necessitados, acolhidos ou rejeitados por nós. Ele próprio se identifica com os mais necessitados: “todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes”. A Eucaristia é a presença viva e real de Jesus para nós, segundo suas próprias palavras e nós acreditamos. O encontro de Jesus na Eucaristia deve nos levar a encontrá-Lo também em cada pessoa. Ele, no entanto, nos ensina que o pobre e o indigente também são um Sacramento que nos conduz à salvação. Assim, os critérios para o julgamento final serão baseados na caridade e na misericórdia, virtudes humanas acessíveis a todos. Naquele dia, ninguém poderá alegar ignorância em como vivê-las, pois basta recordar como Jesus viveu.

Na história contada por Jesus, o primeiro grupo acolhido com alegria fica surpreso com os critérios usados por Nosso Senhor para lhes conceder o privilégio do Reino Eterno. Tal surpresa revela a naturalidade com que realizaram tudo: sem interesse e sem pensar em receber nada em troca, exatamente como Cristo sempre viveu. A afirmação deste grupo: “Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, com sede e te demos de beber?” demonstra que agiram com coração cheio de misericórdia. Esses são chamados no início de “Benditos de meu Pai”: o amor envolve toda a humanidade e toda Trindade Santa.

Nas palavras de Jesus, esses pobres devem ser ajudados não porque são bons ou virtuosos, mas porque necessitam de ajuda e estão privados de algo necessário para terem dignidade neste mundo. Esses pobres não devem ser julgados por nós como bons ou ruins ao serem acolhidos e acudidos por nós, exatamente como Jesus fez durante toda sua vida. No Evangelho nada se diz de cada necessitado: se é um pobre justo ou não; se o mendigo é uma boa pessoa ou um vagabundo; se o preso está em cárcere justamente ou injustamente; se o estrangeiro é refugiado ou alguém querendo usar dos bens de outros povos.... São pessoas necessitadas que precisam de ajuda e isto basta para Jesus. Em quase todas as religiões há princípios sobre ajudar o próximo, mas somente Jesus diz que Ele próprio se encontra em cada pessoa ajudada.

O segundo grupo que receberá o mesmo destino do Diabo: serão todos condenados pela ausência do bem em suas vidas. Jesus chama esses somente de “malditos”. Tão grave quanto os males realizados é viver uma vida sem fazer nada de bom em relação ao próximo. Os condenados não são descritos como pessoas que pagaram o mal com o mal, ou foram violentos, ou ainda agiram com ódio, esses pecados são graus elevados do primeiro que é deixar de fazer o bem ao próximo. Assim, a ausência da caridade na vida de uma pessoa já é sinal preocupante, pois significa a ausência também da presença de Deus, esse vazio é um caminho aberto para todos os outros erros e pecados.

Não basta ser bom, ter boas intenções, não fazer mal a ninguém... Jesus nos alerta que é preciso fazer o bem ao próximo, praticar o que Ele ensinou e aprender a doar sua vida como Ele mesmo viveu. Uma vida de doação em caridade ao próximo é vida depositada junto de Deus: quem “perde” a vida e o seu tempo praticando a caridade, vai “receber” como prêmio a eternidade feliz ao lado de Deus. O céu inicia no nosso amor ao próximo. Nosso Deus amoroso e necessitado se mostra mendigo de pão e de lar, que não busca veneração para si mesmo, mas para seus entes e filhos queridos.

Aprendemos, dessa forma, que tão ruim quanto o ódio contra o próximo é a indiferença em relação aos seus sofrimentos e necessidades. Quem não consegue enxergar Jesus naquele que precisa de alguma ajuda, também não conseguirá ver Jesus no juízo final, pois quem não o encontrou no irmão e na irmã necessitados e miseráveis, não o encontrará glorificado.

Domingo passado recordamos a parábola dos talentos onde o terceiro servo é chamado pelo seu senhor de servo maldoso, infiel, preguiçoso e inútil, pois não soube aproveitar do seu tempo e dos seus bens para promover e multiplicar vida através da caridade, esse tipo de pessoa não receberá de Jesus senão o julgamento de condenação e será sentenciado pelas suas próprias palavras e sua própria vida. Ao invés de praticar e multiplicar os talentos passa a vida criticando e julgando a todos, inclusive a Deus. Quem não consegue ir ao encontro do irmão – presença de Deus – neste mundo, não terá lugar na eternidade junto com Deus.

Podemos perceber que o julgamento final é algo que cada pessoa constrói em cada momento de sua vida, principalmente em relação aos necessitados de nosso mundo. Os mesmos critérios usados para acolher no Reino Eterno os justos, são aplicados àqueles que foram condenados. É a perfeita justiça que propõe igualmente a todos a mesma chance de salvação ou condenação. No dia do juízo final, não haverá chance de dar desculpas e justificação, pois não haverá mais chance para refazer algo ou justificar os erros, escolhas e as indiferenças para com os outros, particularmente, em relação àqueles que poderiam ter ajudado. Os gestos propostos por Jesus para o julgamento são simples, mas significativos; podem ser pouco (quase nada) pra quem dá, mas pode significar tudo para quem recebe.

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#Reflexão: 33º domingo do Tempo Comum (19 de novembro)

A Igreja celebra o 33º Domingo do Tempo Comum, neste domingo (19). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Pr 31,10-13.19-20.30-31
Salmo: 127(128),1-2.3.4-5ab (R. cf. 1a)
2ª Leitura:1Ts 5,1-6 ou mais breve 25,14-15.19-21
Evangelho: Mt 25,14-30

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“Muito bem, servo bom e fiel”

            Estamos terminando o Ano Litúrgico da Igreja. Tempo oportuno para fazermos um balanço de como estamos caminhando como discípulos de Jesus e irmãos e irmãs uns dos outros. Um dia estaremos diante de Deus Pai e teremos que apresentar a Ele o que fizemos com os dons que recebemos.

Usando a imagem de uma mulher virtuosa, o livro dos Provérbios (1ª leitura) procura traçar o perfil de como devemos conduzir nossa vida: deve ser semelhante a uma esposa que se ocupa com carinho e dedicação dos afazeres de sua família, mas também se preocupa em ajudar os mais pobres e indigentes; o autor bíblico nos lembra que a nossa história depende em parte de nós, de nossas prioridades e de nossas escolhas.

Por isso - como nos exorta Paulo na segunda leitura - devemos viver uma vida como filhos da luz, sem medo de nada e de ninguém, pois caminhamos para Deus e Ele nos espera após nossa existência neste mundo. O mais importante para nós não são os detalhes do “fim dos dias” deste mundo e como será o final de nossa história, mas se vivemos uma vida de encontros com Deus e com os irmãos na oração e na caridade, para um dia celebrarmos o encontro pleno e eterno com Deus nosso Pai.

Mateus no Evangelho nos chama atenção que o dia de nosso encontro com Deus poderá ser de alegria ou de juízo negativo e tudo dependerá de como conduzimos nossa vida. Jesus na parábola deste domingo procura demonstrar, no entanto, que o nosso próprio Deus é o primeiro a nos ajudar a construir a nossa salvação. Como em outros ensinamentos, esta parábola também nos dá pistas importantes para a nossa cristã.

O homem que “parte em viagem” na parábola é chamado de “senhor” tem todas as características que se trata de Jesus que após sua ressurreição confia “todos os seus bens” aos seus servos. Tudo o que possui é confiado aos seus servos, trata-se assim, de algo precioso e grandioso que simplesmente é dado àqueles que estão em sua casa. A relação entre eles é desigual: Senhor e servos, mas a confiança é plena por parte do Senhor o que torna todos co-responsáveis em relação ao bem maior doado. Tal senhor da história de Jesus não confia seus bens a banqueiros ou comerciantes (gente que mexe com dinheiro), mas a servos como um pai confia seus bens aos seus filhos. Assim, o senhor trata seus servos com se fossem seus filhos.

O Senhor da parábola confia cegamente em seus servos e doa sem dar nenhuma indicação de sua maior riqueza e cada um recebe segundo sua capacidade. O talento doado é proporcional à capacidade que cada um pode produzir e fazer frutificar, assim, o dom grandioso não é um peso, mas um bem precioso confiado pelo Senhor. Cada um já possui qualidades e dons pessoais e por isso, recebe os talentos sob medida e capacidade.

“Talento” era uma medida que corresponderia a uma grande soma de valor ou a 6.000 dias de trabalho (a paga por um dia de trabalho era de um denário), a soma de um só talento correspondia na época a mais de 16 anos de dias trabalhados, uma grande soma de dinheiro. Assim, o operário que recebeu cinco talentos ganhou o que levaria uma vida de trabalho, mas o terceiro que recebeu um somente, da mesma forma, não recebeu pouco.

Diz Jesus que o primeiro servo tão logo recebeu a imensa soma de dinheiro, imediatamente procurou trabalhar para fazer multiplicar o que lhe tinha sido dado. Entendeu que era algo não para usurpar ou desfrutar para si, mas algo que deveria multiplicar. O segundo que recebeu dois talentos, segundo sua capacidade, fez o mesmo.

O que seria “talento” segundo Jesus na parábola? Não se trata de capacidades pessoais, pois isto cada um já possui, mas de algo como uma “grande riqueza” que é dado por Jesus. O maior dom deixado por Jesus é o Espírito Santo e do seu Reino que nos são confiados através do Batismo. Somos chamados a multiplicá-los!

Aos dois primeiros servos que prestaram contas do que conseguiram fazer frutificar com os talentos que receberam, eles escutam a mesma resposta do seu Senhor: “servo bom e fiel”. Com a mesma fidelidade o Senhor tinha doado seus talentos, os dois souberam cuidar e multiplicar o que receberam, demonstraram assim serem fiéis e servos bons, por isso receberam muito mais. Chama-nos atenção que os dois primeiros produziram muito, mas quantias diferentes e receberam o mesmo elogio. Para Deus não importa a quantidade, mas sim o esforço de produzir e multiplicar o que cada um recebeu, mesmo que o resultado seja diferente, serão elogiados igualmente.

Mas, a atenção da parábola recai de modo especial sobre o terceiro servo que recebeu também uma soma significativa simbolizada em um talento. A relação que ele possui com seu Senhor é baseada no medo e na desconfiança; acredita que seu Senhor é infiel, injusto e até preguiçoso, pois recolhe onde não semeia. O terceiro servo não entendeu a relação de amor e confiança de seu senhor ao lhe confiar parte de sua riqueza, mas demonstra ser um servo malvado e infiel. Sua atitude de “enterrar o talento” revela sua indiferença para com o dom doado pelo seu Senhor e ao dizer que tem medo, demonstra não conhecê-lo e se revela distante e desinteressado pelas coisas de seu Senhor.

O medo faz com que o operário veja o talento como uma maldição e não um dom, algo que atrairá coisas ruins e o bloqueia em relação ao seu Senhor que ele vê como um simples patrão. Os dois primeiros ao receberem os talentos constroem uma relação de responsabilidade com os dons doados e por isso, correm para fazer frutificar; já o terceiro servo vê o talento como algo exclusivo do seu patrão.

O Reino de Deus (talento) é baseado, sobretudo, na confiança que inicia por parte de Deus que dá dons preciosos muito acima daquilo que merecemos ou poderíamos conquistar sozinhos. Ele dá aquilo que lhe é próprio e exclusivo, e nos dá para o nosso bem, pois ao multiplicar o que nos é dado, o prêmio que se recebe é muito maior conforme diz o senhor na parábola: “foste fiel no pouco, recebe muito mais da alegria do seu Senhor”. A parábola não segue a lógica do mundo que paga segundo um valor de mercado.

O terceiro operário possuía uma imagem distorcida em relação ao seu patrão que também lhe dá uma grande soma. O operário infiel vê maldade em tudo e em todos até no seu Senhor. O Patrão na parábola é extremamente generoso e gratifica de uma forma mais exagerada ainda, não é de nenhuma forma do jeito que o servo malvado julgava que ele fosse. Tudo indica que o terceiro operário é que se enquadra na descrição que ele projeta em seu senhor; não é somente o medo que o coloca distante do seu patrão, mas também a maldade em seu coração.

No final da parábola, o servo infiel é punido. O que ele tinha foi-lhe retirado e depois restou somente o vazio do seu egoísmo e de suas maldades. Os talentos, assim, são dons que nos ajudam em nossa salvação. Multiplicando aquilo que recebemos generosamente de Deus, construímos nosso próprio futuro junto com Deus.

O prêmio maior que os dois primeiros servos receberam é “participar da alegria do Senhor”, assim a prática de fazer multiplicar os talentos nos prepara para uma recompensa muito maior que é ser feliz na casa do Senhor. Os dois servos souberam administrar o tempo que tinham para fazer multiplicar os talentos doados. O terceiro servo usa do seu tempo para projetos próprios e não se preocupou em fazer nada com o talento de Deus.

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Arcebispo de Pouso Alegre ordenará três diáconos

A arquidiocese de Pouso Alegre (MG) alegra-se e louva a Deus pela ordenação diaconal de três de seus seminaristas, Dioni Acácio da Silva, Tainan Francisco de Paula e Valter Virgíneo Pereira, que atualmente fazem o estágio pastoral nas paróquias Sant’Ana, em Sapucaí-Mirim (MG), São Sebastião e São Roque, em Bom Repouso (MG) e São Cristóvão, em Pouso Alegre (MG), respectivamente. A cerimônia de ordenação, presidida pelo nosso arcebispo dom José Luís Majella Delgado CSsR, será realizada na Catedral Metropolitana do Bom Jesus no dia 3 de fevereiro de 2024 às 9h.

Agradeçamos a Deus pelo sim desses jovens e peçamos ao Senhor, que os chamou à vida, à santidade e ao sacerdócio, que lhes conceda as graças necessárias para que realizem a diaconia com amor e disponibilidade, no serviço às celebrações litúrgicas, no anúncio da Palavra e na prática da caridade.

Valter, Tainan, dom Majella e Dioni

Texto: Luiz Gonzaga da Rosa – cristão leigo da paróquia São José de Paraisópolis – MG

Convite e foto: PASCOM Pouso Alegre


5º Congresso Missionário Nacional conta com representante da Arquidiocese de Pouso Alegre (MG)

De 10  a 15 de novembro está sendo realizado no Centro de Eventos de Manaus (AM) o 5º Congresso Missionário Nacional com o tema “Ide! Da Igreja local aos confins do mundo” e o lema “Corações ardentes, pés a caminho”. Participam do evento mais de mil agentes pastorais de todo o Brasil. 

Assessorado pela diretora das Pontifícias Obras Missionárias do Brasil (POM), irmã Regina da Costa Pedro, o importante evento reúne participantes de conselhos missionários paroquiais, diocesanos e regionais.

Na pauta do congresso, diversos conferencistas estão ajudando os agentes no aprofundamento da espiritualidade missionária, aprimoramento do pensar crítico e no envolvimento com o tema inspirador, objetivando estimular a reflexão e facilitar o diálogo, em vista da vivência do Evangelho.

Representa a arquidiocese de Pouso Alegre no evento o coordenador leigo do Conselho Missionário Diocesano (COMIDI), Fábio Menegon.

Fabio Menegon, representante da Arquidiocese de Pouso Alegre

 

Texto: Luiz Gonzaga da Rosa – cristão leigo da paróquia São José de Paraisópolis - MG

Banner em destaque: site da arquidiocese de Manaus – Foto: Fábio Menegon