Membros da Pastoral Vocacional da Arquidiocese de Pouso Alegre (MG) participam da 44ª Assembleia Anual do SAV do Regional Leste 2
O Serviço de Animação Pastoral – Pastoral Vocacional (SAV-PV) do Regional Leste 2 da CNBB realizou, de 10 a 12 de novembro, sua 44ª Assembleia Anual Eletiva com o objetivo eleger a nova coordenação do SAV e refletir sobre temas relacionados à Pastoral Vocacional em Minas Gerais, como a forma de implantar e otimizar a animação vocacional nas dioceses.
O encontro, realizado na Casa de Retiro São José em Belo Horizonte (MG), contou com a participação de padres, religiosos, seminaristas e cristãos leigos das equipes da Pastoral Vocacional de diversas paróquias das sete províncias eclesiásticas de Minas Gerais. A abertura da assembleia foi feita pelo bispo auxiliar de Belo Horizonte e referencial das vocações no Leste 2, dom Nivaldo Ferreira, e a assessoria do evento ficou sob a responsabilidade da religiosa da Congregação do Sagrado Coração de Jesus, irmã Maristela Ganassini.
Representaram a arquidiocese de Pouso Alegre o seminarista Luiz Gustavo Camanducaia e os cristãos leigos das paróquias Nossa Senhora do Carmo, de Borda da Mata, e São Sebastião, de Andradas, Simone Costa e Luiz Carlos Ferreira respectivamente.
Texto: Luiz Gonzaga da Rosa – cristão leigo da paróquia São José de Paraisópolis - MG
Fotos: CNBB e seminarista Luiz Gustavo
Arquidiocese de Pouso Alegre se prepara para a Novena de Natal 2023
Já está disponível nas secretarias paroquiais o livrinho da Novena de Natal da Arquidiocese de Pouso Alegre (MG) do ano de 2023. O subsídio é preparado pela Comissão de formação Permanente da arquidiocese. A Novena tem o lema "E os pastores voltaram, louvando e glorificando a Deus por tudo que tinham ouvido e visto" (Lc 2,20).
Como se encerra em todo o Brasil o Ano Vocacional na Solenidade Litúrgica de Cristo Rei, optou-se pela abordagem de temáticas vocacionais ligadas a personagens bíblicos do Tempo do Advento e do Natal na Liturgia da Palavra: Profeta Isaías, Maria Santíssima, São José, São João Batista, Pastores de ovelhas, Magos do Oriente, Simeão e a Profetisa Ana com enfoque vocacional e textos bíblicos relacionados. Outros dois encontros refletem sobre a vida dos cristãos em face do Mistério da Encarnação do Verbo.
A Novena de Natal, entre outros objetivos, visa ao encontro de pessoas para rezar, refletir e conviver fraternalmente além da contemplação dessas personagens bíblicas sob a perspectiva vocacional, percebendo como Deus chamou aqueles seus filhos e filhas, dentro de seu próprio contexto histórico, cultural e religioso e como Ele continua chamando hoje, a nós cristãos, a sermos reflexos da Luz de Cristo, a partir do Mistério de Seu Natal.
Adquira o livrinho, reúna sua família, convide vizinhos e membros de sua comunidade e rezem juntos na feliz espera do Nascimento de Jesus!
Texto: Luiz Gonzaga da Rosa - cristão leigo da paróquia São José de Paraisópolis - MG
Imagem: Capa do subsídio da Novena de Natal da Arquidiocese de Pouso Alegre.
IX Congresso da Pastoral Familiar do Regional Leste II é realizado em Uberaba
Durante o IX Congresso da Pastoral Familiar do Regional Leste II, que aconteceu na Arquidiocese de Uberaba, entre os dias 27 a 29 de outubro, tivemos a participação da coordenação arquidiocesana da Pastoral Familiar, composta pelos casais Francini e Laércio, Michelle e Junior, e Rita e Luiz. O tema do congresso foi "Família: Vocação, Graça e Missão", em consonância com o 3º Ano Vocacional, e o lema escolhido foi "Quando o coração arde, os pés se movem".
A abertura do congresso foi marcada por uma celebração da Santa Missa no Santuário Basílica Nossa Senhora da Abadia, presidida por Dom Edson Oriolo, bispo referencial do Regional Leste 2, Vida e Família. Logo em seguida, houve as boas-vindas a todos os participantes, com a apresentação das Arquidioceses e Dioceses presentes, com destaque para os casais coordenadores de cada (Arqui)diocese, que entraram portando banners com o nome de suas respectivas dioceses.
Durante o congresso, tivemos a honra de receber palestras de renomados palestrantes. Dom Edson Oriolo proferiu uma palestra sobre "Família: Vocação, Graça e Missão". No dia seguinte, contamos com a presença do padre Rafael Solano, da diocese de Londrina (PR), que abordou temas como "O papel da família no discernimento vocacional", "A alegria de ser família" e "Os desafios da família para cumprir sua missão". Também tivemos a participação do padre Francisco, que ministrou uma palestra sobre "Famílias feridas: Morte e Luto".
Dom Paulo, arcebispo de Uberaba, também teve a oportunidade de falar durante o congresso. Ele destacou o sucesso da preparação para noivos por meio da acolhida na arquidiocese, apresentando testemunhos de catequistas e catequisandos que foram preparados por esse acolhimento. Dom Paulo motivou a todos que ainda não trabalham dessa forma a começarem, mesmo com as dificuldades em convencer o clero e os leigos, pois quando perceberem a maturidade dos casais e o comprometimento com o sacramento do matrimônio, perceberão que vale a pena.
O casal Alisson e Solange, coordenadores da Pastoral Familiar Nacional, também contribuíram com uma palestra sobre "Família a serviço da Igreja". O Congresso foi encerrado com uma celebração da santa missa, presidida por Dom Paulo, arcebispo de Uberaba. Além disso, estiveram presentes o casal coordenador do Regional Leste 2, Silvia e Gilberto, e toda a comissão do Regional Leste 2.
Texto: Pastoral Familiar – Arquidiocese de Pouso Alegre
Fotos: Pascom – Arquidiocese e Uberaba
#Reflexão: 32º domingo do Tempo Comum (12 de novembro)
A Igreja celebra o 32º Domingo do Tempo Comum, neste domingo (12). Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: Sb 6,12-16
Salmo: 62(63),2.3-4.5-6.7-8 (R. 2b) ou mais breve 4,13-14
2ª Leitura:1Ts 4,13-18
Evangelho: Mt 25,1-13
Estar sempre preparado para o encontro
Estamos próximos de terminar o ano litúrgico da Igreja e o ano civil. O Evangelho de Mateus também nos coloca diante de uma espera que termina em uma festa de matrimônio: alegria, encontros e um grande banquete. Jesus, certamente, ao contar esta parábola atraiu a atenção de todos, pois o matrimônio era um momento de grande festa pra todos. Mas, como é próprio nas histórias de Jesus, há muitos detalhes que deixaram pensativos seus ouvintes.
Jesus utiliza um costume da época em relação à realização de um casamento. O casal celebrava o noivado e depois cada um voltava para suas famílias e, cerca de um ano depois, com tudo preparado para o matrimônio, o noivo ia de encontro aonde morava a noiva e aconteciam, então, os festejos do matrimônio. Quando o noivo se aproximava da casa da noiva, um cortejo era montado tendo a noiva a sua frente com moças do vilarejo, neste caso, aquelas que ainda não se casaram (“virgens”). Os ouvintes de Jesus conheciam e assim faziam quando celebravam um casamento, mas na parábola de Jesus, alguns aspectos são diferentes.
A parábola foi contada por Jesus para explicar o que é o Reino dos Céus (“Reino de Deus”). O noivo que era esperado por todos, mas ele se atrasa. Na história de Jesus não tem a noiva, mas somente as jovens que acabam que dormindo por causa do atraso do noivo. Este início da parábola retrata muito bem uma ideia que surgiu depois de décadas da fé cristã. Todos deste o início acreditavam que a vinda de Jesus seria logo, mas com o passar dos anos, muitos começaram a duvidar e a desanimar: a esperança estava se apagando entre muitos cristãos.
As leituras sugerem o tema do encontro: da Sabedoria com cada pessoa (1ª leitura); de Jesus em um momento da história que virá ao nosso encontro (2ª leitura); e as 10 virgens que saem ao encontro da noite (Evangelho). Segundo Jesus, o grupo com dois tipos de jovens moças que sai para encontrar-se com o “noivo” (Jesus) quando Ele chegasse, possui alguns pontos em comum, mas foram as diferenças que determinaram o resultado final da história. Todas saem esperançosas pelo encontro, levam consigo inclusive lâmpadas (espécie de lamparinas) para ir ao encontro do noivo se ele chegasse ainda durante a noite, ficam a espera juntas e acabam adormentando todas ao mesmo tempo. Jesus diz, no entanto, que a metade também levou óleo a mais em pequenos vasos, prevenindo-se em caso de um possível imprevisto ou atraso do noivo.
As 10 virgens iniciaram uma espera e possuíam uma expectativa que era igual para todas: ir ao encontro do noivo, mas o óleo em suas lâmpadas não foi suficiente para um período mais longo de espera e para toda a noite. Na parábola, o encontro com o noivo que elas esperavam acontece no momento onde a noite é mais profunda (meia noite), quando se tem a impressão que o escuro impera e tudo já está em silêncio.
Nesta espera pelo “Noivo” que virá, muitas dificuldades se apresentam e os desafios a serem vencido são muitos, mas quando se tem “óleo suficiente” mesmo que o cansaço caia e o sono chegue sobre todos, mesmo que a noite se imponha sobre tudo e todos, no momento justo, o “óleo” de reserva será suficiente.
Jesus continua a parábola dizendo que no momento que o “noivo atrasado” chega, todas se levantam e correm ao encontro dele. Mas, para recebê-lo e juntos (as virgens e o noivos) entrarem no local da festa e do banquete, era preciso ter as lâmpadas acesas. Assim, elas o reconheceriam e ajudariam no cortejo até onde seria a festa. Com as lâmpadas acesas poderiam caminhar sem medo, cantando e se alegrando com o Noivo pelo momento tão esperado.
Vem-nos, naturalmente, a pergunta: O que, afinal, é este “óleo de reserva”? Todas possuem as lâmpadas e nelas o óleo em seu interior, mas segundo a parábola é preciso alimentar a chama sempre, principalmente quando as duas realidades opostas se encontram: de um lado aquele que Vem para a festa (Noivo) e de outro lado, a noite com sua escuridão.
No momento esperado, as moças prudentes colocam o óleo de reserva em suas lâmpadas e a quantia é suficiente para retornarem durante a noite para o local da festa. Surge o primeiro drama da parábola: as virgens prudentes percebem que não é possível compartilhar o óleo de reserva, pois assim, as 10 não conseguirão acompanhar o cortejo com o Noivo. Todas tiveram a mesma chance de se encontrar com o noivo e sabiam do risco do atraso. As cinco moças prudentes, no entanto, não pensaram somente em algo para certo tempo, mas levaram óleo para perseverarem na espera até o final: o momento do encontro com o noivo.
Na primeira leitura, o autor do livro da Sabedoria fala da importância da sabedoria em nossa vida. Ele descreve como algo próprio de Deus, mas que todos devem procurar. Ela é mostrada como se fosse uma pessoa que nos espera e vem ao nosso encontro. Ela nos ajuda a perceber o que é justo, o que é fundamental e aquilo que nos garante como importante para a nossa vida. Em nossa existência, nos deparamos com inúmeras situações e temos que fazer escolhas importantíssimas, pois o nosso destino é definido pelas escolhas que fazemos em nossa história. As cinco virgens prudentes sabiam de sua missão, mas não se limitaram a algo por um tempo somente: se preveniram para que nunca faltasse o óleo necessário para se encontrar com o Senhor.
Na parábola, as virgens prudentes não tiveram como dar aquilo que cada uma deveria ter consigo sempre. Elas, no entanto, sugeriram às imprudentes que tentassem, no meio da noite, arranjar o óleo que deveriam ter sempre. A nossa fé (a chama da lâmpada) é alimentada pela nossa esperança (óleo). Elas estão profundamente interligadas e são fundamentais para que permaneçamos na expectativa de um dia também nós, tendo que passar pela “meia noite” encontrarmos o Senhor que vem ao nosso encontro. Tudo tem seu momento certo de acontecer (como nos diz Paulo na segunda leitura), por isto não podemos deixar de estar preparados com nossa chama da fé sempre acesa alimentada pela nossa esperança.
A parábola inicia com a bela imagem de jovens que desafiam a noite para se encontrar com o noivo. Saem alegres, mas com o passar das horas, encontram o cansaço da espera e o sono de uma expectativa que não se realiza. Como muitos cristãos no início da Igreja que se animavam por uma solução imediata de tudo (2ª manifestação de Jesus), mas com o tempo, se cansaram e adormeceram. Os dois grupos de jovens moças se diferenciam em um aspecto fundamental: as imprevidentes demonstram ter uma convicção em suas crenças, que tinham tudo sob controle, que tudo iria acontecer conforme esperavam; as virgens prudentes, se preveniram, levaram mais óleo. Com o tempo é preciso recorrer ao “óleo de reserva” (nossa esperança) que não tem como ser dividido, pois é pessoal e cada um tem que reabastecer sempre. Como na parábola, o tempo para encher nossas lâmpadas pode ser a qualquer momento, até mesmo no meio da noite.
Assim, o reino dos céus, o mundo como Deus sonha, é semelhante aos que “vão de encontrar”, é semelhante a dez pequenas luzes à noite, a pessoas corajosas que se colocam na estrada e que desafiam a escuridão e o atraso do seu sonho. É de quem tem a esperança no coração, porque aguarda alguém, “um Noivo”, um pouco de amor em sua vida e o esplendor de um abraço no meio da noite. Todas acreditavam nisso! Mas, todas adormeceram. Porque o esforço de viver, o esforço de desbravar as noites em nossa vida de fé, nos leva a momentos de abandono, de sonolência, talvez até de desistir de tudo. A parábola então nos conforta: uma voz sempre vai nos despertar. Não importa se você adormece, se estiver cansado, se a espera for longa e a fé parece secar. Uma voz virá! Até mesmo no auge da noite e a voz de transformará em luz para todos! (Ermes Ronchi).
Jesus termina a parábola com duas cenas contrastantes: de um lado, o início da festa com as moças que conduzem o Noivo para o local do banquete; de outro lado, a realidade das outras virgens que tentaram arranjar, na última hora, óleo para também acolher e conduzir o noivo, mas tudo foi em vão.
O óleo que conduziu as virgens prudentes ao banquete foi preparado com antecedência, ao longo da vida, através de uma fé e esperança com cada escolha e cada momento de suas vidas, assim, elas tiveram o suficiente para receber, conduzir e festejar com o “Noivo”. As outras cinco correram na última hora para ter o óleo suficiente, mas foi tarde de mais. Não basta chegar com “óleo necessário” no último momento, pois pode ser que o tempo do encontro passe e a pessoa ainda se encontre tentando “comprar óleo” no meio da noite.
A palavra final do noivo encerra a história com um veredito que ilumina a parábola: “não vos conheço”. A forma de nos fazermos conhecer por Jesus que vem ao nosso encontro é cultivar uma vida de fé e esperança, esta é a melhor maneira de mantermos os nossos vasos sempre cheio de óleo. Não é suficiente ter “momentos” ou “circunstâncias” de fé e esperança, pois pode-se correr o risco de no momento justo, não nos encontrarmos preparados com o óleo da esperança quando o Noivo vier.
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Arcebispo e Cabido Metropolitano rezam pelos bispos e padres falecidos
No dia 06 de novembro, primeira segunda-feira após a comemoração dos féis defuntos (02), o Cabido metropolitano de Pouso Alegre (MG) se reuniu com o Arcebispo Dom José Luiz Majella Delgado CSsR. na catedral metropolitana para rezar em sufrágio das almas dos sacerdotes e bispos falecidos da arquidiocese e também do Papa Bento XVI, falecido em 31 de dezembro de 2022.
Todos os anos o arcebispo Dom Majella oficia as orações com o cabido por todos os padres e bispos falecidos. Neste ano a oração foi iniciada às 19h com a recitação do Ofício dos Defuntos na cripta da catedral, onde estão sepultados os bispos falecidos da arquidiocese. Na sequência foi celebrada a Santa Missa no altar principal da catedral, presidida pelo arcebispo, concelebrada pelos cônegos e assistida pelos fiéis presentes.
Para a salvação dos homens
A revelação de Deus, cuja história se encontra consignada nos textos sagrados, desde o primeiro versículo de Gênesis até a conclusão do Apocalipse, tem como objetivo comunicar a salvação divina à humanidade. A Bíblia, portanto, é o registro escrito, o resultado final, do longo processo dialógico por meio do qual Deus convida, insistente e respeitosamente, o ser humano, usando de gestos e palavras, para voltar à comunhão plena com o seu Senhor. Por isso mesmo, durante a liturgia da Palavra, seja ela de forma primaz na Santa Missa ou na celebração dos outros Sacramentos, logo após o anúncio do Evangelho, a Igreja é surpreendida com a exclamação “Palavra da Salvação”, a qual confirma com a resposta de louvor “Graças a Deus”. A Bíblia é o livro para a salvação dos homens pois contém “A Palavra” de Deus, não no sentido limitado dos verbetes gramaticalmente organizados e semanticamente encadeados, mas segundo o que está escrito no prólogo do quarto evangelho: “no princípio existia a Palavra, e a Palavra estava junto de Deus, e a Palavra era Deus. E a Palavra se fez carne e veio morar entre nós” (Jo 1,1.14).
Jesus, a Palavra de Deus que salva o homem, é o protagonista da história narrada pelos 73 livros bíblicos; no entanto, é preciso compreender os fatos que antecederam e sucederam a encarnação da Palavra Eterna como participantes de uma única e mesma intencionalidade salvífica.
O enredo bíblico, sintetizado em Cristo, que foi preparado pelo Primeiro Testamento e realizado pelo Segundo Testamento, é chamado de economia da salvação. Considerando-se que a palavra grega economia significa organizar a casa, a expressão teológica “economia da salvação”, utilizada pela soteriologia - ciência que investiga a salvação dos homens por meio de Jesus e da sua missão - designa o modo como Deus planejou e realizou a obra da redenção humana:
“vós fostes salvos pelo precioso sangue de Cristo. Ele era conhecido antes da criação do mundo, mas vos foi revelado no final dos tempos. Por meio Dele vós credes em Deus, que O ressuscitou da morte e O glorificou, a fim de que a vossa fé e esperança permaneçam em Deus” (1Pd 1,19-21).
A Bíblia começa a narrativa sobre a economia salvífica mostrando que, no princípio, a criatura humana experimentou uma situação existencial de plena união com o Criador, chamada “estado paradisíaco” (cf. Gn1-2). Nesta condição originária de Paraíso não havia a barreira do pecado e Deus se revelou ao ser humano como um companheiro, sem véus: Ele “passeava no jardim do Éden, à brisa do dia” (Gn 3,8). Tendo criado o ser humano livre, Deus preservou a autonomia da consciência humana, infundindo no homem a sua graça vivificante ao mesmo tempo que não o manipulou como uma marionete. Por isso, a criatura, utilizando-se da sua liberdade de escolha, conhecida como livre-arbítrio, decidiu-se por ocupar o lugar do Criador, praticando o pecado original. Tal pecado, que nada mais é do que a ambição de tornar o homem senhor de si mesmo, constituindo-se como a medida e o fim de sua própria existência, de seu semelhante e da criação, determinador moral daquilo que é bom ou mau, é o primeiro de todos - por isso é chamado de pecado original -, mas também é a causa de todos os outros pecados da humanidade - sendo chamado de pecado originante: “só não podeis comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque, a partir do dia em que dela comerdes, caminhareis para a morte” (Gn 2,17).
A desobediência humana (cf. Gn 3,6), que tem suas raízes na negação da primazia de Deus e na resistência do homem em se submeter a um Ser divino maior do que seu próprio umbigo, é o fio da trama bíblica: cada página da Sagrada Escritura conta a saga de um Deus que, loucamente apaixonado por sua criatura, providencia as graças necessárias para a salvação dos homens.
A Bíblia narra a aventura histórica da graça de Deus que é abundantemente derramada, por iniciativa do próprio Deus e não por mérito humano, gratuita e constantemente, na miséria do homem para devolver-lhe a dignidade de filho de Deus, restaurando por completo a comunhão consigo mesmo, com o próximo, com a criação e, principalmente, com o seu Criador. Todo gesto e palavra de Deus, na sua economia da salvação, não tem outra finalidade que não seja a de restabelecer a comunhão com o gênero humano, perdida pelo pecado: quando instruiu pelos patriarcas, instruiu para salvar; quando ensinou pelos profetas, ensinou para salvar; quando governou pelos reis, governou para salvar; quando revelou sua face em Jesus, revelou-a para salvar, pois “o Filho do homem veio procurar e salvar o que estava perdido” (Lc 19,10); quando testemunhou pelos apóstolos, testemunhou para salvar.
Se o Primeiro Testamento descreve as tentativas de Deus para revestir o povo de Israel com as vestes da salvação (cf. Is 61,10), o Segundo Testamento mostra que, pelo sangue de Cristo “derramado para o perdão dos pecados” (Mt 26,28), a salvação se tornou universal e definitiva. A obra de Cristo na cruz é plena e é por ela que Deus salvou a humanidade de uma vez por todas: Jesus “pagou um alto preço pela redenção dos homens” (1Cor 6,20).
Dessa forma, não cabe a ninguém “ganhar”, “conquistar” e "merecer" a salvação. A revelação bíblica, especialmente no que respeita a Cristo, deixa claro que “é pela graça que fostes salvos por meio da fé. E isso não provém de vós, mas é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se encha de orgulho” (Ef 2,8-9). A Bíblia é uma grande carta remetida por Deus ao homem para lhe anunciar uma notícia boa, sem precedentes: “na esperança já somos salvos” (Rm 8,24). Caso acolhesse esta graça, tão maravilhosa e ao mesmo tempo comunicada de um jeito simples, o coração humano viveria mais feliz e preenchido de sentido: “feliz aquele que foi perdoado e cujo pecado já foi encoberto. Alegrem-se no Senhor, festejem os salvos, e deem gritos de alegria todos os retos de coração” (Sl 32,1.11).
Ocorre que, distante da Palavra da Salvação, a criatura se convence que suas obras e seus esforços são a causa de sua redenção: a atitude de alguém que pensa e age assim não se distancia do orgulho que ocasionou a queda da humanidade no começo dos tempos! A Bíblia ensina que tanto a revelação quanto a salvação são obras de Deus, são graças concedidas ao ser humano por benevolência Daquele que “se manifestou para a salvação de todas as pessoas.
Jesus se entregou em nosso favor para nos resgatar de todo pecado e purificar um povo que lhe pertence, dedicado às belas obras” (Tt 2,11.14). Toda bela obra que o ser humano pode realizar não serve para lhe conquistar a salvação, pois isso já foi realizado por Jesus na cruz, mas é útil para preservar nele a redenção que recebeu como graça, sem cobranças. As orações (cf. 1Tm 2,1-4) e ações (cf. 1Tm 2,10) que o homem pratica não acrescentam nada à economia salvífica, pois ela é uma obra iniciada por Deus (cf. Fl 1,6) e como tal será completada por Ele, mas servem para a santificação humana, isto é, para que o homem “se comporte à altura do evangelho de Cristo” (Fl 1,27), correspondendo dignamente à graça da salvação recebida e comunicada pela Bíblia.
Imagem: Jeffjacobs por Pixabay
Encontro de CEBs do Regional Leste II é realizado em Passos
Evento é realizado para organização do Encontro Estadual de CEBs em 2024.
Acontece entre os dias 02 e 05 de novembro em Passos, cidade pertecente a Diocese de Guaxupé, um encontro ampliado das Comunidades Eclesiais de Base, CEBs. O intuito do encontro é o planejamento do IX Encontro Estadual das CEBs, que
será realizado entre os dias 18 e 21 de julho de 2024 na mesma cidade.
O encontro, que conta com a participação de 50 leigos provenientes de todas as dioceses da Regional Leste II (que compreende todo estado de Minas Gerais), está marcado com momentos de orações e partilhas de experiências e da Palavra de Deus.
A Arquidiocese de Pouso Alegre está representada pelo membro da Comissão Vida Plena para Todos e fiel membro da Paróquia Bom Jesus - Pouso Alegre, Luiz Carlos . Para Luiz, a proposta, alinhada com padre Edson Aparecido da Silva, Coordenador Arquidiocesano de Pastoral e dom José Luiz Majella Delgado, arcebispo metropolitano, é, a partir do Encontro Estadual, contruibuir para uma equipe de animação de Comunidades Eclesiais em todo território arquidiocesano.
Sinodalidade e a relação Fé e Política
No mês de outubro, também dedicado à Missão e ao Rosário, aconteceu em Roma a primeira Assembleia Geral do sínodo sobre a sinodalidade, proposto pelo Papa Francisco. A segunda Assembleia será em outubro de 2024. Muito se tem falado sobre o sínodo e é necessário também relacionar o sínodo com a Fé e Política, uma experiência muito rica do Brasil.
Comecemos pelas definições básicas dos termos:
Sínodo significa "caminhar juntos", sendo essa uma experiência surgida nos primórdios da Igreja como uma forma de resolver as grandes questões internas do cristianismo. A experiência sinodal não quer exatamente resolver as questões, mas fazer um caminho de autoconhecimento e conhecimento do outro para que, no seu tempo, se possa chegar a um possível encaminhamento das divergências. Um sínodo sobre a sinodalidade é um sínodo sobre a forma de caminhar da Igreja que quer ser o mais acolhedor possível do outro, respeitando seu modo de pensar, mesmo que seja diferente.
É preciso aqui fazer um aceno histórico e lembrar que na Igreja Católica do Ocidente os sínodos se desenvolveram até o século III. Ao entrar no século IV, a experiência sinodal desembocou nos Concílios Gerais ou Ecumênicos. Porém, tal experiência permaneceu uma prática comum da Igreja Católica do Oriente. Entretanto, o Concílio Vaticano II recuperou a proposta sinodal para a Igreja do Ocidente como uma forma de debater as questões que vão surgindo, necessitando de aprofundamento. Assim, criou-se no Vaticano uma secretaria especial para o sínodo que funciona permanentemente. Essa secretaria organizou, desde então, vários sínodos.
Com o sínodo sobre a sinodalidade, o Papa Francisco quer fazer a Igreja ouvir a si mesma e apurar os ouvidos para ouvir seus diversos setores ou representações, como bispos, padres, religiosos e religiosas, cristãos leigos e leigas, assim como ouvir o que a Igreja sente e pensa nas diversas partes do mundo.
Fé é a aceitação consciente e racional que as pessoas fazem, também com o coração, de uma verdade sobre Deus e seu desejo para os seres humanos. No caso dos cristãos, a proposta trazida por Jesus, que Ele mesmo denomina de Reino de Deus, consiste em uma situação em que todos vivam bem e se sintam acolhidos.
Política é a arte do bem comum, do cuidar da felicidade de todos e todas, é a organização e o governo da sociedade, é a correlação de forças que defendem os interesses dos respectivos grupos sociais e econômicos. Política tem a ver com o governo e há diversos modelos de governos que oscilam entre democracia representativa e participativa até a autocracia, seja de uma pessoa, de um grupo político ou de uma família. Também há as Políticas Sociais, que são as formas de atendimento à população feitas pelo governo com o dinheiro que retira da própria população e, por isso mesmo, é chamado de imposto.
Disso podemos concluir que política e fé cuidam do bem comum, daquilo que é de todos, tendo o ser humano como o centro. Hoje, a humanidade está mais consciente de que, para cuidar de si mesma, precisa também cuidar do outro, do seu entorno, do meio ambiente, do planeta Terra, nossa "Casa Comum", e assim um novo humanismo vai surgindo. Nesse âmbito do cuidado, mais uma vez, fé e política se encontram. O cuidar é a meta e a humanidade, juntamente com toda a natureza, é o centro.
A relação Fé e Política se dá na construção de um mundo melhor para todos e todas, que pode ser traduzido pela "arte do bem comum", "do cuidar do que é de todos" ou, ainda, de acordo com a sabedoria de nossos povos ancestrais das terras Ameríndias: a busca da "Terra sem males". O Movimento Nacional Fé e Política surgiu a partir de um grupo de teólogos e teólogas que, motivados pelo Concílio Vaticano II e pelas Conferências do episcopado Latino Americano em Medellín (1968) e Puebla (1979), passaram a refletir a fé conjugando-a com a vida. Ou, em outra linguagem, usando o método Ver, Julgar, Agir do Pe. Belga Joseph Cardin, fazia o discurso teológico nascer da realidade do povo sofrido da América Latina.
A reflexão Fé e Política, bem como a experiência das CEBs e das Pastorais Sociais, sempre pautaram-se pelo diálogo: uma escuta sincera, paciente e respeitosa do outro, mesmo quando o outro diz coisas das quais discordamos. Assim, a proposta sinodal do Papa Francisco como um caminho que a Igreja deve percorrer e aprofundar na experiência sem pressa, mas atenta à voz do Espírito Santo, por um lado reforça a caminhada da relação Fé e Política, por outro mostra que a Igreja do mundo todo hoje aprende com a experiência latino-americana de uma Igreja dialogal e sinodal, em que a Fé e Política têm seu espaço e algo a ensinar.
Terminada a primeira Assembleia do Sínodo, caminhemos atentos e participativos para a segunda Assembleia em outubro de 2024.
São Martinho de Tours, homem da palavra, da caridade e da oração
Martinho nasceu na Panônia, hoje Hungria, em 316; era filho de um oficial romano e foi educado na cidade de Pavia, onde passou a infância até ser alistado na guarda imperial aos quinze anos.
Na escola, Martino teve o primeiro contato com os cristãos e, sem o conhecimento dos pais, tornou-se catecúmeno e passou a frequentar assiduamente as assembleias cristãs.
Tendo obtido do imperador a isenção do serviço militar, Martinho dirigiu-se a Poitiers ao bispo Santo Hilário, que completou a sua instrução religiosa, batizou-o e ordenou-o sacerdote. Ele voltou para a Panônia, onde converteu sua mãe, depois lutou contra os arianos em Milão, mas de lá foi expulso.
Mais tarde, ele se retirou para a Ligúria e finalmente voltou para sua terra natal. Amante da vida austera e do silêncio, construiu o mosteiro de Ligugè, o mais antigo da Europa, e o de Marmontier, que ainda existe.
Vaga a diocese de Tours, em 372, foi consagrado bispo por consentimento unânime do povo. Aceitou o cargo com grande relutância, mas dedicou-se com zelo ao cumprimento dos seus deveres episcopais, continuando a sua vida ascética de orações e renúncias e trazendo o rigor dos costumes monásticos à sua nova missão, sempre próximo do povo, especialmente dos mais camponeses pobres.
Ele governou a diocese por vinte e sete anos em meio a muitos conflitos, até mesmo por parte de seu próprio clero. Um certo padre Brizio chegou ao ponto de processá-lo; mas o bispo perdoou-o, dizendo: “Se Cristo tolerou Judas, por que não deveria eu suportar Brizio?”.
Exausto pelo cansaço e pela penitência, rezou ao Senhor dizendo: “Se ainda sou necessário, não me recuso a sofrer, caso contrário a morte virá”.
Morreu em Candes e quis ser deitado no chão, salpicado de cinzas e rodeado de saco: era 11 de novembro de 397.
Seu funeral foi celebrado alguns dias depois para dar tempo de seus monges chegarem: cerca de duzentos deles estavam presentes.
Sepultado na Catedral de Tours, a sua fama espalhou-se por toda a França, onde ainda é invocado como o primeiro padroeiro da nação. Seu túmulo é destino de contínuas peregrinações de todo o mundo.
Na arte, São Martinho é retratado montado em seu cavalo cortando sua capa; na França, nas igrejas a ele dedicadas, é representado como um bispo que distribui esmolas aos pobres.
“Ó Deus, que fostes glorificado pela vida e morte do bispo São Martinho, renovai em nossos corações as maravilhas da vossa graça, de modo que nem a morte nem a vida nos possam separar do vosso amor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo”. (Oração de Coleta da Missa em memória de São Martinho de Tours).
Fonte de pesquisa:
https://www.vaticannews.va/pt/santo-do-dia/11/11/s--martinho--bispo-de-tours-.html,
https://santo.cancaonova.com/santo/sao-martinho-de-tours-o-dono-do-manto-que-cobriu-jesus/,
https://cruzterrasanta.com.br/historia-de-sao-martinho-de-tours/191/102/
Imagem: https://franciscanos.org.br/vidacrista/calendario/sao-martinho-de-tours/#gsc.tab=0
Solenidade de Todos os Santos: intercessores junto ao Pai
No dia 1º de novembro a Igreja celebra a Solenidade de Todos os Santos. No Brasil, quando o dia de finados não cai em domingo, esta Solenidade é celebrada no domingo após o dia 2 de novembro.
Esta festa tem origem na antiguidade de nossa Igreja. No século IV, teve início a celebração da memória de diversos mártires comuns para diferentes Igrejas.
São João Crisóstomo já falava sobre esta celebração que era realizada em Antioquia no domingo após a celebração de Pentecostes.
Entre os séculos VIII e IX, esta festa se propagou na Europa, e, em Roma, particularmente, no século IX.
O Papa Gregório III (731-741) colocou a celebração desta festa no dia 1º de novembro, coincidindo com a consagração de uma capela, na Basílica São Pedro, dedicada às relíquias dos santos apóstolos, mártires, confessores e de todas as pessoas justas que chegaram à perfeição e descansam em paz no mundo inteiro.
Na época de Carlos Magno, esta festa já era conhecida como oportunidade para a Igreja, que peregrina e sofre na terra, olhar para o céu, onde estão os irmãos que chegaram à glória.
Por isso, a Solenidade de Todos os Santos é celebrada pela Igreja que volta o olhar para a pátria celeste e a deseja.
Esta celebração nos recorda que a santidade é um caminho ao qual somos chamados a trilhar, inspirados no testemunho de tantos homens e mulheres, nossos “irmãos mais velhos”, que se encontraram com Jesus e para o qual se encaminharam com confiança, com seus desejos, fraquezas e sofrimentos.
A Solenidade de Todos os Santos celebra, numa só festa, junto com os santos canonizados, todos os justos de todas as raças e nações, cujos nomes estão inscritos no livro da vida (cf. Ap 20,12), que acolheram e viveram o chamado do Senhor: “sede perfeitos, como vosso Pai é perfeito” (Mt 5,48).
Oração:
“Deus eterno e todo-poderoso, que nos permitis celebrar os méritos de todos os vossos santos numa única festa, concedei-nos, por intercessores tão numerosos, a desejada abundância da vossa misericórdia”. (Oração da Coleta da Solenidade de Todos os Santos)
Referências:
https://www.vaticannews.va/pt/santo-do-dia/11/01/todos-os-santos.html
https://santo.cancaonova.com/santo/solenidade-de-todos-os-santos-de-deus/
Missal Romano, Terceira Edição, p. 841.
Referência da imagem: https://www.vaticannews.va/pt/feriados-liturgicos/solenidade-de-todos-os-santos-.html


















