#Reflexão: Epifania do Senhor (2 de janeiro)
A Igreja, neste domingo (2), celebra a Epifania do Senhor. Reflita e reze com a sua liturgia.
1ª Leitura – Is 60, 1-6
Salmo – Sl 71, 1-2.7-8.10-11.12-13 (R. Cf.11)
2ª Leitura – Ef 3,2-3a.5-6
Evangelho – Mt 2,1-12
DEIXAR-SE GUIAR PELOS SINAIS DE DEUS
A celebração deste domingo ainda está em profunda sintonia com o Natal de Nosso Senhor. Celebramos a manifestação de Jesus a todos os homens e mulheres em todos os tempos. A visita dos Magos do Oriente nos recorda que Jesus não veio a este mundo somente para alegrar a vida de uma família, de algumas pessoas, de uma região ou mesmo de uma nação: Jesus pertence a toda humanidade e em todos os tempos.
O Evangelho inicia com duas informações: “Tendo Jesus nascido em Belém da Judeia”. O local confirma a tradição do nascimento em Belém, ideia que será repetida mais vezes, isso para confirmar a forte ligação de Jesus com a tradição sobre o messias como descendente de Davi, rei ungido em Belém (1Sm 16,1-13). “No tempo do rei Herodes”. Um personagem conhecido, confirmando que Jesus pertence à história conhecida.
Em seguida, Mateus introduz a história dos viajantes com “eis que magos”, eles entram na história e não compõem os dois dados anteriores. Os “magos” não eram reis ou “sábios”, mas eram bem aceitos nas cortes e muitos reis apreciavam suas previsões, por isso, eles não encontraram dificuldades de se aproximar de Herodes.
Os viajantes do Oriente eram pessoas que conheciam os astros e as estrelas, característica marcante dos povos daquela região de onde partiram. Movidos pelo conhecimento que tinham do céu, perceberam que havia uma “estrela diferente no firmamento”. Até onde descobriram, concluíram que valia a pena arriscar deixar tudo e buscar o “dono” daquela estrela diferente. O céu com suas estrelas era visível para todos, mas somente os magos perceberam que algo diferente estava acontecendo.
Os magos do Oriente representam muito bem a nossa caminhada de fé e busca de Deus. Eles saíram de longe, se orientaram com o que sabiam, se perderam na caminhada, foram a lugares errados em busca de respostas, mas não desistiram jamais. Abandonaram suas terras em busca de um rei e encontraram um menino. Buscaram nos palácios e terminaram a jornada em um local simples (Mateus diz “casa”; Lucas, um local para animais). Acharam que tudo estaria resolvido com as pessoas mais importantes da época, mas tudo só teve sentido quando encontram a família de Nazaré.
A ciência que eles tinham os conduziu e os animou em uma longa jornada, mas ela não deu todas as respostas. Chegaram até Jerusalém, pensando que lá teriam uma explicação para tudo, mas obtiveram somente parte da solução. A ciência dos magos os levou até a cidade dos profetas e do Povo de Deus, mas somente conseguiram prosseguir a busca quando tiveram contato com a Palavra de Deus. O evangelista Mateus nos conta que, de um lado, a cidade ficou agitada e Herodes ficou com medo e, de outro lado, os magos se encheram de alegria. Os viajantes do Oriente foram um grande instrumento de revelação para os grandes de Jerusalém (Herodes e sacerdotes), mas preferiram ignorar tudo.
Todos os convocados por Herodes (sacerdotes e Escribas) se mostravam entendidos nas Escrituras, mas estavam fechados em suas esperanças. Para os sacerdotes, não havia necessidade de novidades e preferiram ficar com Herodes do que seguir os magos. Eles mesmos foram instrumentos de uma Nova Esperança, mas não abraçaram aquilo que leram e conheciam (a Palavra de Deus). Os homens da religião e da Lei preferiram ficar em Jerusalém, pois lá eles já tinham o Templo, as festas, os sacrifícios e suas tradições, eles não queriam saber da novidade do menino que atraía pessoas de terras distantes.
Na cidade, a “estrela guia” não pode ser mais vista. No palácio do rei, não havia espaço para os sinais de Deus. Nos lugares onde a prepotência daqueles que se sentem grande, Deus não pôde ser visto. Onde há mentira, não brilha a luz de Deus. Porém, ao saírem da cidade dos poderosos daquela época, a alegria retornou. Antes viam a estrela somente com seus conhecimentos, ao deixarem a Cidade Santa, foram alimentados pela esperança das profecias da Palavra de Deus. Agora, a viagem deles estava animada com um novo sentido: estavam no caminho certo e estavam próximos! Os magos (estrangeiros e vindos de terras pagãs) se aproximavam cada vez mais de Jesus; os sacerdotes e a religião oficial, cada vez mais distantes.
Antes, a Cidade Santa, Jerusalém, era o centro e o ponto de chegada de todos os peregrinos; agora, com Jesus, passa a ser somente instrumento e passagem que conduz ao verdadeiro sentido de qualquer jornada. Belém, a “menor das cidades”, faz sombra a grande cidade de Jerusalém.
Eles perceberam que os sinais de Deus possuíam um sentido próprio e uma grandeza particular. Não deviam mais buscar entres os grandes, mas deixar ser guiados pelos sinais de Deus, que estão longe da prepotência, da mentira e da falsa sabedoria humana.
Os magos tinham buscado em lugares onde a grandeza dos homens brilhava e, por isso, os sinais de Deus não tinham espaço. Em Belém, tudo se revestiu de significado e sentido. Não encontraram nada espantoso ou espetacular, mas somente uma família com um recém-nascido. Os três presentes são simples e significativos: “ouro” para os reis e deuses, “incenso” para divindade e “perfume” (mirra) para um grande homem.
Mateus faz questão de lembrar que Jesus, o recém-nascido, estava com sua mãe: “acharam o menino com Maria, sua mãe” (v.11a). Em seus braços, o Eterno Rei recebe adoração e veneração. Maria é o amparo mais profundo para Jesus e, ao mesmo tempo, o trono onde o Messias é reconhecido. O destino da mãe e do filho estão selados para sempre!
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#Reflexão: Maria, mãe de Deus
A Igreja, nesta sexta-feira (31), à noite, e sábado (1/janeiro), de manhã, celebra a Solenidade de Santa Maria, mãe de Deus. Reflita e reze com a sua liturgia.
1ª Leitura – Nm 6,22-27
Salmo – Sl 66,2-3.5.6.8 (R. 2a)
2ª Leitura – Gl 4,4-7
Evangelho – Lc 2,16-21
O EXEMPLO DE MARIA
A celebração do dia 1º de janeiro possui dois temas que caminham juntos: a paz e Maria, mãe de Deus. Um grande desejo para o ano que se inicia e uma dádiva de Deus para toda a nossa vida.
A primeira leitura recorda a bênção que o povo de Deus passou a receber de Aarão, sacerdote de Deus. Na bênção, a promessa principal de proteção, graça e paz se encontra no rosto (na face) de Deus. Não há outra origem para a paz que desejamos, senão no rosto paterno de Deus. Aprendemos com a história do povo da Bíblia e com a própria vida de Jesus que ter paz não é não ter problemas ou desafios e até riscos, mas estar com Deus, ter o olhar cuidadoso e amoroso de Deus Pai.
Paulo, na 2ª leitura, lembra que todas as promessas de Deus realizadas em Jesus aconteceram em um tempo que foi o momento mais alto da história (“plenitude dos tempos”). Neste momento máximo de manifestação de Deus, depois de ter falado de diversos modos (por meio da natureza e depois pelos profetas), Ele mesmo veio em nosso meio para nos falar pessoalmente. No Natal do Senhor, descobrimos que Deus não quis falar de um modo grandioso, espetacular e maravilhoso, nem por meio de grandes sinais e milagres, mas, simplesmente, veio a este mundo em uma criança, algo tão humano e simples que todos nós nos identificamos.
O Natal de Jesus, que celebramos dias atrás, nos recorda a simplicidade de Deus e como tudo aconteceu: sem grandezas, Deus, maravilhosamente, entrou em nossa história sem fazer barulho. No silêncio do presépio, poucas foram as testemunhas daquela noite na qual Deus, definitivamente, estabeleceu o seu rosto entre nós.
O rosto de bênção divina, que o Povo de Deus sempre buscou, nos foi dado por Maria. Ela foi escolhida para doar, de sua própria natureza humana, a face de Deus para a humanidade. Se todos nós carregamos conosco os traços de nosso pai e mãe, Jesus possuiu somente os traços humanos da parte de Maria. Aqueles que viram o sorriso de Jesus, o olhar amoroso e carinhoso de Deus viram também o olhar e o sorriso de Maria, sua mãe.
Ela possui uma história inseparável de seu filho: deu à luz o Messias na gruta de Belém e O acompanhou até os seus últimos momentos aos pés da cruz quando Jesus “nascia” como nosso redentor. O início e o fim de Jesus neste mundo estão definitivamente marcados em uma história de entrega e amor: da gruta de Belém ao sepulcro; do menino envolto em faixas (Lc 2,7) ao Jesus enrolado em um lençol no sepultamento (23,53).
No Evangelho desta celebração, recordamos ainda o momento em que os pastores correram para ver o que lhes fora anunciado pelo anjo de Deus. Os simples e pobres de Deus são os principais portadores das boas notícias divinas. Os pastores, desprezados pela religião da época como pecadores e ladrões, são convidados a serem testemunhas do nascimento do Salvador. Também no Templo, não são os sacerdotes, mas dois idosos (Simeão e Ana) é que reconhecem, acolhem e revelam Jesus Menino como promessa realizada de Deus.
Tudo no Evangelho de hoje é revestido de luz e alegria, mas tudo permanece na simplicidade própria do Natal de Jesus. Um simples sinal é oferecido aos pastores: um menino enrolado em faixas e deitado em uma manjedoura. Os pastores acostumados com ambientes semelhantes são convidados a redescobrir a grandeza de Deus em um recém-nascido em um local usado para alimentar os animais. Não é a grandeza do sinal que revela Deus, mas o coração em Deus que propicia perceber a sua presença até nos simples sinais.
Sobressai mais uma vez nesta cena do Natal a simplicidade de todos em um lugar, o mais singelo, que Deus escolheu para começar a se revelar. Se vê com os olhos, mas, no nascimento de Jesus, sobressai o olhar especial que somente o coração daqueles que estão em Deus é que são capazes de enxergar.
Não encontram uma criança somente - nos diz Lucas - mas encontram Maria, José e o Menino Jesus: eles encontram uma família com um pai, uma mãe e uma criança que acabou de nascer. É a realidade humana escolhida por Deus e, somente ela, para iniciar seu projeto de salvação. Jesus, antes de doar tudo que conhecemos Dele (palavras e exemplo), quis aprender, dentro de um lar, tudo que é de mais significativo para nós. Antes de nos dar tudo de si, Ele recebeu tudo de seus pais.
Acostumados com as coisas simples e pequenas de Deus, Maria e José se espantam com as palavras dos pastores que se tornam os primeiros a anunciar a realização das promessas de Deus para o povo da esperança. Tinham sido colocados longe da religião da época, mas não estavam longe de Deus.
Por isso, temos, ao final, o exemplo de Maria, que, diante daqueles acontecimentos, ao mesmo tempo, simples e grandiosos, guardava tudo em seu coração. O que ela guardava e meditava? No coração e na meditação, é que fazemos os mais belos encontros com Deus; descobrimos sua presença e a sua vontade. Meditar é aprofundar e descobrir a grandeza de tudo de Deus na simplicidade de pessoas, fatos, gestos, palavras e momentos.
Graças à Maria, o rosto de Deus se tornou eterno entre nós. O próprio Jesus nos ensinou que Ele permaneceria presente entre nós, em cada pessoa, principalmente, nos mais necessitados e pobres. As bênçãos de Deus continuam acessíveis a todos nós, em cada irmão e irmã, em cada gesto simples, revestido de afeto e amor, exatamente como Jesus nos ensinou. Esta é a raiz mais sublime deixada por Jesus para termos e permanecermos sempre em paz.
UM FELIZ E ABENÇOADO ANO NOVO A TODOS!
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Arcebispo marca data de ordenações presbiterais e realiza transferências
Dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., arcebispo metropolitano de Pouso Alegre, publicou comunicado na manhã de hoje (22) sobre assuntos relacionados ao presbitério, diáconos e seminarista da arquidiocese.
Futuros padres
Nos meses de março e abril de 2022, dom Majella irá ordenar presbíteros quatro diáconos da arquidiocese. As datas das celebrações foram marcadas. Acompanhe a seguir:
- 12 de março, às 9h30, na paróquia da Sagrada Família em Itajubá, especificamente na igreja filial de Santa Rita de Cássia, no Bairro Açude, ordenação presbiteral do diácono Julio César dos Santos Júnior;
- 25 de março, às 19h30, na paróquia de São José Operário, em Itajubá, ordenação presbiteral do diácono Anderson Ribeiro do Santos;
- 02 de abril, às 9h30, na paróquia de Nossa Senhora de Lourdes, em Maria da Fé, ordenação presbiteral do diácono Felipe Mateus da Silva;
- 23 de abril, às 9h30, na paróquia de São Sebastião, em Senador José Bento, ordenação presbiteral do diácono Rafael Silveira Pires Xavier.
Transferências no clero
Diante de necessidades pastorais, dom Majella realizou mudanças de párocos, vigários paroquiais e diáconos. Além disso, o arcebispo designou o seminarista Cristian Diego da Rosa, concluinte dos estudos de Filosofia e Teologia na Faculdade Católica de Pouso Alegre, para o estágio pastoral. Os padres e diáconos transferidos e o seminarista designado deverão iniciar suas novas atividades a partir de 10 de fevereiro de 2022.
A pose canônica dos párocos será no Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora Auxiliadora em 9 de fevereiro de 2022, às 9h30. No dia 13 de fevereiro, os clérigos transferidos e o seminarista deverão ser apresentados e acolhidos em suas novas paróquias. Futuramente, em datas ainda a serem agendadas, dom Majella estará nas paróquias que recebem novos padres, diáconos e seminarista para celebração de acolhida e envio. Acompanhe as transferências por setor, a seguir.
Mapa da arquidiocese de Pouso Alegre, por setores pastorais. Arquivo/Reprodução.
Setor Mogi
1) Paróquia de Nossa Senhora do Carmo (Borda da Mata)
Exercício Diaconal: Diácono Rafael Silveira Pires Xavier
Setor Mantiqueira
1) Paróquia de Nossa Senhora de Lourdes (Maria da Fé)
Pároco: Padre Reinaldo dos Santos
Vigário: Padre Nelson Júnior da Cruz
Setor Paraíso
1) Paróquia de São Caetano de Thiene (Brazópolis)
Pároco: Padre Lucimar Pereira Goulart
Vigário: Padre Marcos Vinícius da Silva
2) Paróquia de Sant´Ana (Sapucaí Mirim)
Estágio Pastoral: Seminarista Cristian Diego da Rosa
Setor Sapucaí
1) Paróquia de Nossa Senhora da Conceição (Conceição dos Ouros)
Pároco: Padre José Donizete Moreira
2) Paróquia de São João Batsita (Cachoeira de Minas)
Vigário: Padre Leandro Edevaldo dos Santos
Setor Dourado
1) Paróquia de São Francisco de Paula (Poço Fundo)
Vigário: Padre Nailton José Gonçalves
Setor Extremo Sul
1) Paróquia de Nossa Senhora da Conceição (Camanducaia)
Pároco: Padre José Setembrino de Melo
Vigário: Padre Thiago de Oliveira Raymundo
2) Paróquia de São Sebastião (Itapeva)
Pároco: Padre João Luiz Ferreira Peçanha
Setor Fernão Dias
1) Paróquia de Nossa Senhora Aparecida (Estiva)
Vigário: Padre Tales Tadeu Ananias
Setor Mandu
1) Paróquia de São Francisco e Santa Clara (Pouso Alegre)
Pároco: Padre Elton Cândido Ribeiro
2) Paróquia de São José (Congonhal)
Vigário: Padre Leonino Morais
3) Paróquia de Nossa Senhora de Fátima (Pouso Alegre)
Vigário: Padre Benedito Ferreira da Costa (até a criação, no primeiro semestre de 2022, da paróquia de São Sebastião – Bairro Cidade Jardim)
4) Paróquia de Santo Antônio (Pouso Alegre)
Exercício Diaconal: Diácono Júlio Cesar dos Santos Júnior
#Reflexão: Festa da Sagrada Família (26 de dezembro)
A Igreja, neste domingo (26), celebra a Festa da Sagrada Família. Reflita e reze com a sua liturgia.
1ª Leitura – Eclo 3,3-7.14-17a (Leitura opcional: 1Sm 1,20-22.24-28)
Salmo – Sl 127,1-2.3.4-5 (R. Cf 1)
2ª Leitura – Cl 3,12-21 (Leitura opcional: 1Jo 3,1-2.21-24)
Evangelho – Lc 2,41-52
GUARDAR AS COISAS DE DEUS
Com o nascimento do filho, o casal torna-se uma família. A Igreja celebra, após o Natal do Senhor, a festa da Sagrada Família: José, Maria e Jesus. Essa instituição mais que humana é divina, desejada e abençoada por Deus para todos os seus filhos e filhas. É o tesouro especial de Deus, que, na família e por meio dos pais e filhos, distribui suas graças e o seu amor. Ao decidir iniciar seu projeto de salvação da humanidade, Deus o iniciou, de fato, a partir de uma família. No Natal, não vemos nada de grande, poderoso, material, riqueza e esplendor. Quando Jesus nasceu, vemos o que há de mais especial para a humanidade: uma família.
A família de Nazaré reflete toda a grandiosidade do amor de Deus e traz consigo toda realidade humana: a grandeza dos pais e os sofrimentos e desafios pelos quais uma família passa para cumprir sua missão. A encarnação do Verbo não isentou os pais do Menino Jesus das dificuldades e até das tragédias que, desde o início, eles passaram. Deus não nos preserva dos desafios ao longo de nossa vida, mas se faz mais presente ainda quando nos encontramos mergulhados nos sofrimentos e nas dificuldades, como foi com a família de José, Maria e Jesus.
O texto de Eclesiástico (ou Sirácida) retrata bem a grande importância que a família possuía para o povo de Deus. Ela não era vista como uma instituição social ou meramente convencional, ou ainda como resultado somente da vontade ou modalidade humana. Era vista como uma instituição preciosa. Por meio da família e nela mesma, são cultivados os valores mais sublimes e fundamentais: valores humanos, mas principalmente os divinos. A Igreja chama corretamente a família de “Instituição Divina”, muito mais do que algo conforme a conveniência e os desejos humanos.
Segundo o escritor sagrado, a relação interna entre pais e filhos é a melhor experiência que alguém pode fazer do amor, da misericórdia, da caridade, da compreensão, enfim, de tudo que é fundamental para a felicidade de uma pessoa. A primeira experiência de Deus que alguém faz é por meio de seus pais com o dom da vida, expressão do dom maior da criação de Deus. Deus criou tudo e o mantém. Cada casal, ao conceber um filho, participa e dá prosseguimento à obra da criação. Dando à luz um ser, o casal manifesta o seu amor e reflete, ao mesmo tempo, os sinais exclusivos da imagem e semelhança de Deus. Os filhos e filhas de seus pais são, ao mesmo tempo e proporção, filhos e filhas de Deus Pai criador.
O povo de Deus sabia e cultivava essa importância como fundamental e sacra: Deus Pai abençoa os filhos por meio de seus pais e vice-versa. Honrar os pais já é cumular tesouros na vida. O(a) filho(a) tem, com isso, uma bênção que se prolonga e prospera por toda vida. Ela se manifesta como riqueza, que não se confunde com dinheiro, ouro ou qualquer coisa material que expressa valor. É um tesouro que enriquece a existência humana.
Dentro de um lar, os pais exercitam o máximo daquilo que significa amor, perdão, caridade, ternura: valores que os filhos recebem e, progressivamente, são convidados a partilhar, começando internamente em suas famílias e, depois, no mundo. A família é a primeira e a principal escola que forma o ser humano. E, na mesma proporção que os pais doam tudo que possuem para seus filhos, eles são convidados a fazer o mesmo com os seus pais. Os papéis se invertem. Antes, os pais faziam tudo e os filhos somente recebiam. No final da vida dos pais, há um momento de inversão: os filhos devem oferecer tudo para eles.
É incompreensível na relação humana que o processo seja realizado somente de um lado: somente por parte dos pais. Por isso, temos os conselhos do autor sagrado que lembra aos filhos a missão que, um dia, os pais tiveram em relação a eles: os filhos devem retribuir aos seus pais o que receberam, na mesma proporção, para que continuem recebendo as graças do Criador. Filhos que desprezam ou simplesmente esquecem de seus pais interrompem o canal de bênçãos instituído por Deus. O abandono dos pais pelos filhos constitui um abandono das graças de Deus. Por mais difícil que tenha sido a relação entre os pais e os filhos, algo mínimo, pelo menos, deve haver entre eles na velhice, pois somente o amor é capaz de cancelar todo sofrimento e apagar qualquer amargura que traz dor para as pessoas.
No Evangelho, temos não um retrato de uma família isenta de dificuldades e problemas, mas quase a mesma realidade de tantas famílias. O nascimento de Jesus, promessa de salvação para a humanidade, não aconteceu em uma realidade de fantasia, mas no concreto da vida humana. Igual a tantas outras, a Sagrada Família também enfrentou desafios desde sua constituição, que prosseguiram com o nascimento do Menino Deus e não se encerraram, senão com a cruz de Jesus. Naquele casal, agraciado com o nascimento de um filho, há uma vida que externamente reflete o normal da existência humana e algo mais profundo e significativo.
Nada foi fácil para a Sagrada Família: seja para entender como para cumprir a vontade divina. Deus Pai poderia isentar seu Filho Jesus (como a seus pais) de toda amargura e sofrimento. Porém, se assim o fizesse, Deus deixaria de ser Encarnado na realidade humana. O Natal reflete a realidade de muitas famílias que passam por privações, perseguições e perigo de morte. Com o nascimento de Seu Filho, Deus Pai quis também nos ensinar um caminho de amor, doação e esperança, um caminho para todas as famílias do mundo.
Na Sagrada Família, tudo sempre foi conturbado no aspecto humano, porém, em meio a tudo isso, Deus foi se revelando e o casal Maria e José, aprendendo a responder à vontade divina. O casamento deles quase não se concretizou por parte de José. O matrimônio entre eles aconteceu fora da normalidade costumeira, tendo um filho que não era do marido; o nascimento do filho, na realidade, foi em um ambiente mais simples que se poderia imaginar; depois do nascimento da criança, o casal teve que fugir e se esconder... Eles correram diversos riscos... Quantas dificuldades e desafios cercaram a vida daquele casal e, depois, com o nascimento do filho, daquela Família. Entretanto, em tudo isso, percebemos a receita para todas as famílias: estar atento ao auxílio de Deus Pai.
Cada família, na terra, é também família de Deus. Pais, mães, filhas e filhos fazem parte da família de Deus. Todos passam por desafios ao longo da vida. Entretanto, a vida de todos se torna mais difícil quando se esquece de ouvir e obedecer a Deus Pai. Honrar os pais deve ser expressão concreta de “Honrar a Deus Pai”. Amar os pais deve ser a prática maior do amor a Deus Pai.
Mateus, no Evangelho, retrata a difícil missão de José, que assumiu um menino que não era seu, casou-se com Maria já grávida e conseguiu perceber que, em meio a tantos desafios e questões nada normais para sua vida, em meio a tudo e acima de tudo isso, Deus estava com ele e sua Família. José abandonou seus projetos, assumiu o plano de Deus, que seria entrar na existência humana, e descobriu um caminho para enfrentar as dificuldades com a sua família. Ele era uma pessoa especial, que conseguiu perceber em sonho o que deveria fazer em meio a riscos. Maria, para descobrir o que tinha que cumprir, recebeu o anúncio de um anjo, como uma ação especial de Deus. Por sua vez, José foi descobrindo, diante de cada desafio e em sonho, o que tinha que realizar. A intimidade que José possuía com Deus auxiliava a perceber a vontade divina. Para José, o sonho foi o canal para descobrir o que tinha que ser feito.
Como São José, todos nós podemos sonhar com Deus! Em todas as famílias, Deus, certamente, procura também se comunicar e indicar o que cada uma deve fazer, principalmente, diante dos desafios da vida. Mais do que pedir clareza nos auxílios, precisamos melhorar nossa intimidade com Deus Pai. A relação de uma família com Deus condiciona a vida de todos. Sem Deus, os obstáculos se tornam imensos, os desafios aparentam ser intransponíveis e os sofrimentos, como algo sem fim. Se pais, mães e filhos estão sempre com Deus, ninguém e nada pode ser maior do que Aquele que nos dá o dom da vida e nos mantém neste mundo. Sonhemos com Deus! Estejamos com Ele! Façamos a sua vontade, que é amar a todos, principalmente os que mais sofrem!
No Evangelho da missa de hoje, de São Lucas, vemos a Sagrada Família que foi a Jerusalém para a Festa da Páscoa. Essa viagem foi sinal da religiosidade de Maria, José e Jesus. Como bons judeus, eles viveram os costumes religiosos. Além disso, essa viagem teve um desdobramento inesperado. O Menino Deus se perdeu de sua família... Ele foi procurado e não foi encontrado. Ele estava ainda em Jerusalém, no Templo. Muitos o ouviam e ficam maravilhados com suas palavras. Maria, preocupada, foi até Jesus e apresentou a angústia dos pais nessa procura. Jesus, por sua vez, revelou que estava na casa de Seu Pai. Sem compreenderem ainda esse acontecimento, o Menino se apresentou como Filho de Deus. Esse desencontro foi mais um sinal do Amor de Deus, manifestado em seu Filho, Jesus de Nazaré.
Ao final, o Evangelho nos mostra que o Menino continuou o caminho com seus pais em Nazaré. Com eles, cresceu em sabedoria, estatura e graça, sendo sempre obediente. Maria, por sua vez, conservava os sinais de Deus em seu coração. Aprendemos com essas palavras do Evangelho a sermos filhos obedientes em nossa família, humana e divina. Ser obediente é saber ouvir a Deus e aos outros. Num tempo em que é tão difícil parar, ouvir e prestar atenção, estejamos dispostos a estar com Deus, com nossa família, com os irmãos e irmãs, sendo capazes de ouvir, ser obediente. Além disso, cresçamos em sabedoria, fisicamente e espiritualmente, acolhendo Deus em nosso coração e em nossa vida! Guardemos as coisas de Deus no coração, na consciência, na interioridade, como Maria. Guardar algo é acolher, conhecer, entender e viver. Maria guardou e viveu a Palavra de Deus em sua vida. A Sagrada Família de Nazaré guardou as coisas de Deus em sua vida! Viveu com Deus e para Ele! Que nossas famílias sigam esse oportuno exemplo da Sagrada Família: guardar e viver as coisas de Deus!
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#Reflexão: Natal do Senhor
A Igreja, nesta sexta (24) e sábado (25), celebra o Natal do Senhor. Reflita e reze com a liturgia da missa da Noite do Natal.
1ª Leitura – Is 9,1-6
Salmo – Sl 95,1-2a.2b-3.11-12,13 (R. Lc 2,11)
2ª Leitura – Tt 2,11-14
Evangelho – Lc 2,1-14
NASCEU PARA NÓS UM SALVADOR
Para bem celebrar este grande momento da nossa fé, a Igreja nos propõe duas celebrações no dia 24 de dezembro (à tarde e à noite) e duas para o dia 25 (aurora e dia do Natal). Todas possuem leituras e Evangelhos próprios.
A cena do Natal é conhecida por todos nós, mas, com o passar dos tempos, foi-se acrescentada muita coisa desnecessária ao redor da festa do nascimento de Jesus e, praticamente, o principal está quase que obscurecido. O Natal nos mostra uma simplicidade que até nos espanta e, para alguns, até mesmo escandaliza. Se contássemos a história do nascimento de Jesus para uma pessoa que nunca ouviu falar de Cristo, provavelmente, tal pessoa ficaria talvez até revoltada com Deus. Uma família de gente simples, cuja mulher, estando grávida, foi obrigada a se deslocar para outra região. Enquanto estavam em viagem, longe de tudo e de todos, a mulher deu à luz o seu filho na pequena cidadezinha de Belém. Não encontrando lugar nas casas, Jesus nasceu em um lugar simples: não teve um berço, mas o local onde os animais comiam palha (manjedoura). O recém-nascido, por fim, foi envolvido em faixas de pano. Alguém poderia perguntar: “onde Deus estava”? Mas, exatamente, na história de Maria e José, é onde Deus mais se faz presente entre nós.
As profecias que ouvimos durante o Advento falaram de um tempo novo e completamente diferente daquilo que as pessoas viviam. Um tempo de paz, de justiça, de igualdade e dignidade. Mas, no Natal, tudo se mostra diferente: não temos coisas grandes, nem grandes sinais, nem mesmo um evento que foi percebido pelas pessoas daquele tempo... O grande sinal proposto por Deus aos pastores é “um menino enrolado em faixas e deitado em uma manjedoura”. O Natal é uma grande surpresa de Deus escondida em pequenas coisas!
No Antigo Testamento, encontramos manifestações de Deus que tremem as montanhas e provocam grandes agitações na natureza (raios e terremotos). Os profetas falam de um Messias forte que reinará sobre todas as nações com sua força. Porém, tudo, aparentemente, foi diferente e quase irreconhecível.
Deus decidiu fazer tudo do seu modo. Escolheu a simplicidade profunda de pessoas com um coração imenso e prontas para serem instrumentos para a humanidade: José, Maria, Isabel e João Batista. Levou a diante um projeto no qual uma nova humanidade seria recriada e transformada, mas de dentro para fora. Era necessário mostrar ao mundo que a revolução das profecias não era no social e na política, mas no coração: era preciso criar mulheres e homens novos! E tudo isso teve início no Natal do Senhor.
A cena que temos em nossos olhos do nascimento de Jesus revela particulares que nem sempre conseguimos entender sua profundidade. Chama-nos atenção as ausências no presépio: de uma casa, de segurança, de estabilidade, de aconchego, de acolhida e de reconhecimento. Tudo se mostra sem instabilidade: até o último momento do parto “não havia lugar para eles”. Para nossa lógica: faltava tudo! Porém, é aqui que o Natal de Jesus começa a nos ensinar os verdadeiros valores que são fundamentais para a nossa vida.
O Natal de Jesus não é só uma realidade marcada por “tantas carências” que nos espantam, mas a “verdadeira presença” daquilo que é fundamental em nossa vida. Todas as ausências citadas (casa, aconchego, segurança...) são situações importantes para todos nós, mas aquilo que é fundamental para nossa existência ganha o principal destaque no Natal de Jesus: as pessoas! Um pai, uma mãe e um bebê. Em torno das pessoas que compõem nossa existência, é que temos que fundamentar nossa vida. No nascimento de Jesus, tudo ao redor da família de Nazaré é tratado como algo secundário para que o essencial fosse identificado.
Em nossa vida, de fato, experimentamos constantemente isso. Quando as pessoas que compõem a nossa existência e dão sentido a nossa vida ocupam o centro de nossa realidade, conseguimos enfrentar com coragem todas as outras ausências. O contrário nós também vemos: pessoas que colocam as coisas materiais e as comodidades da vida no centro de tudo que vivem passando por frustrações e tristezas.
Na noite do Natal de Jesus, tudo é profundamente significativo, mas do modo de Deus. Enquanto o mundo da época tinha sua atenção voltada para o grande Cesar de Roma e suas leis, outra história estava iniciando no meio da humanidade. Há aí dois homens da história, mas somente um deu realmente sentido à vida das pessoas.
Aqueles que querem ser reconhecidos como “grandes homens” precisam fazer muito barulho para serem notados e necessitam impor seu poder e causar medo para serem respeitados. No Natal, Deus resolveu fazer o contrário: no silêncio da noite, na periferia de uma pequena cidade, entre animais e sem nenhum grande público, Jesus Nosso Deus veio habitar entre nós. Belíssima história de Deus, que não quis conquistar com braço poderoso, mas com o encanto que é próprio de cada criança; não se impôs a ninguém, mas foi solidário com todos; não chegou fazendo barulho, mas nos fascinou com sua simplicidade e pequenez.
No Natal, aprendemos que a simplicidade não é sinal de ausência, mas presença daquilo que é fundamental. A humildade da família de Jesus não significa falta de valores, mas exatamente a presença daqueles que são principais para nós: fé, obediência e confiança. Aquela era uma noite especial, na qual tudo, aparentemente, conspirava para sofrimento e tristeza. Entretanto, nos foi revelada como cheia de luz e de louvor. O grande sinal deixado por Deus na manjedoura não nos remete ao divino somente, mas ao mais profundo da nossa realidade humana. Lá, onde o belo do humano se encontrou com o maravilhoso de Deus, encontramos um menino recém-nascido. Naquela noite feliz do Natal de Jesus, a humanidade ganhou não somente mais uma criança de uma família simples e humildade, mas o verdadeiro sentido de nossa presença neste mundo.
FELIZ NATAL A TODOS!
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Histórias de nossa Arquidiocese
O jubileu de 60 anos da elevação da Arquidiocese de Pouso Alegre celebra e agradece a Deus pelos frutos colhidos na Igreja Particular de Pouso Alegre, em comunhão com as dioceses de Guaxupé (MG) e Campanha (MG). Além disso, destaca as raízes históricas da província eclesiástica de Pouso Alegre, fazer um resgate da caminhada dos setores pastorais, das pastorais e movimentos, da pastoral vocacional, das assembleias de pastoral e das 29 paróquias que foram criadas na arquidiocese nos últimos 60 anos.
Neste vídeo os Padres Mauro e Vanildo nos contam os pontos históricos da vida pastoral da arquidiocese, bem como recordação de fatos marcantes para a vida arquidiocesana, como a criação da faculdade católica e o processo de canonização de Mons. Alderigi e Mãezinha do Carmelo. Confira:
Informações: Secretaria Arquidiocesana de Pastoral
Homenagem Póstuma ao Pe. Sebastião Teixeira Beraldo é realizada em Consolação
No último domingo (12), nosso Arcebispo Dom Majella presidiu a Santa Missa às 09 horas na Igreja Matriz de Consolação, Após a celebração, houve uma homenagem póstuma ao Pe. Sebastião Teixeira Beraldo na Escola Estadual Prof. Francisco Manoel do Nascimento com o descerramento de uma placa que homenageou o Pe. Beraldo por serviços prestados a toda comunidade.

Confira o discurso do Sr. João Bosco Nogueira Marques, Diretor da Escola Estadual.
Sebastião Teixeira Beraldo nasceu em 03 de junho de 1932, em Pouso Alegre, Minas Gerais. Foi ordenado diácono na mesma cidade aos 20 de janeiro de 1963, e presbítero, também em Pouso Alegre, aos 29 de junho daquele mesmo ano. Seu lema de ordenação sacerdotal era: “O sacerdote é escolhido como mediador para oferecer sacrifícios pelos pecados dos homens” (Hb 5,1).
Pe. Sebastião Beraldo foi Administrador Paroquial desta Paróquia de Consolação de 1964 a 1967. Nesse período, demonstrou grande apreço para com esta Comunidade Paroquial, iniciando e incentivando múltiplos trabalhos em vários setores da sociedade. Destacou-se por seu esmero com a formação cultural do povo consolense, motivando, especialmente as crianças, a estudar com seriedade. Pe. Beraldo sempre zelou pela formação humana integral, associando a educação à cultura e à vida religiosa.
Na década de 60, a Catequese era denominada Catecismo, se vinculando tanto à religiosidade católica quanto ao aprendizado escolar; por essa razão inclusive, Pe. Beraldo evidenciava tanta acuidade pela formação iniciática das crianças nessas áreas tão próximas e vitais ao desenvolvimento pleno do ser humano. Pe. Beraldo foi docente durante muitos anos, com amplos conhecimentos linguísticos, sobretudo do Latim, do Grego, do Francês e de nossa Língua Portuguesa. Lecionar era uma de suas especialidades pessoais. Ainda nessa estação, Pe. Beraldo se compeliu em prol da coerência entre o Catecismo e a Escolarização, de tal modo que somente as crianças que estivessem cursando o Ensino Primário na Escola, poderiam frequentar o Catecismo.
Pe. Beraldo desenvolveu diferentes tarefas sociais em Consolação, além de sua diligência pelo campo educacional. Ele incluía uma argúcia longínqua para o seu tempo, arrazoando perspectivas futuras benéficas ao povo deste município, sempre cauto com o crescimento deste em vários aspectos. Seu prisma aspirava respeitosa objetividade desenvolvimentista humana.
Nesta paróquia, especialmente na vivência litúrgica, Pe. Beraldo foi acurado e paciente em instruir os fiéis acerca das modificações contemporâneas na Liturgia Eclesial, uma vez que naquele período da década de 60, acontecia o Concílio Vaticano II, de suma importância para toda a Igreja Católica, com as suas atualizações apostólicas, sobretudo em égide pastoral (aggiornamento). E a partir da Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium, sobre a Sagrada Liturgia, Pe. Beraldo teve expressivo zelo em aplicar as novas normativas advindas deste altivo Documento Eclesial.
Ainda naquela estação, houve a fundação do Ginásio Deputado Christóvam Chiaradia, como o acontecimento mais importante para o progresso de Consolação (nos dizeres do próprio Pe. Beraldo), sendo ele quem adotou primordialmente a responsabilidade de Dirigente daquele, ratificando manifestadamente a sua deferência na concepção educacional à população consolense. O ensino e a aprendizagem eram valores imprescindíveis.
Por esses concisos relatos do período de quase quatro anos em que Pe. Beraldo foi Administrador Paroquial desta paróquia, facultou-se apreender quantas benfeitorias ele proporcionou, não exclusivamente aos fiéis católicos, mas desdobrando-as a todo o Município de Consolação. Genuinamente, ele foi um ministro dedicado a esta paróquia, obsequioso aos legítimos imperativos daquele momento, impelindo-se para que tais necessidades fossem supridas. Ele elucidava inerentemente um significativo espírito de liderança, de aptidão à coordenação, e de maestria pelo bem comum. Honra seja adjudicada aos seus méritos como Administrador Paroquial desta Paróquia de Nossa Senhora da Consolação. Louvamos a Deus presentemente por tantos trabalhos efetivados pelo Pe. Beraldo, pelo dom de sua vida oferecida no exercício cotidiano do Ministério Sacerdotal, que beneficiou sob multíplices dimensões a inúmeras pessoas em Consolação, e em diversas outras paróquias da Arquidiocese!
Confira algumas fotos da Santa Missa e da homenagem na Escola Estadual Prof. Francisco Manoel do Nascimento:








Fotos: Daisa; Maria Viviana e Fernando de Cássia Mota Souza
Informações: Daisa e Pe. Rafael Gouvêa
Pastoral da Criança realiza encontro em Ouro Fino
No último sábado (11) na Paróquia São Francisco de Paula e Nossa Senhora de Fátima em Ouro Fino-MG, foi realizada a visita da coordenação Arquidiocesana da Pastoral da criança.
O objetivo do encontro foi a apresentação da coordenadora Marlene de Fátima Juvêncio, bem como para os membros conhecerem a realidade da pastoral na cidade de Ouro Fino e assim motivar os líderes e coordenadores de outras localidades a fim de prosseguir os trabalhos pastorais.
Na ocasião, estavam reunidas as paróquias de Ouro Fino: São Francisco de Paula e Nossa Senhora de Fátima; a Paróquia Santo Antônio; além da Paróquia de Crisólia: Nossa Senhora da Piedade.
No primeiro semestre de 2022 essa reunião vai se repetir nas 11 paróquias por onde a pastoral da criança está presente e nas paróquias em que a atuação é tímida. Posteriormente será encaminhado o calendário das visitas.
Confira algumas fotos do encontro:




Informações e Fotos: Pastoral da Criança
CNBB e Cáritas lançam campanha emergencial em auxílio às famílias da Bahia e Minas Gerais atingidas por chuvas
Os temporais que atingem as populações do sul e extremo sul da Bahia e dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri de Minas Gerais, causados por um ciclone extratropical, já provocaram a morte de onze pessoas e forçaram quase 20 mil a abandonarem seus lares, segundo dados da Defesa Civil.
De acordo com balanço divulgado neste domingo (12) pelo Corpo de Bombeiros, cerca de 70 mil pessoas foram afetadas de alguma forma pelas chuvas. Até o dia 11 de dezembro, 38 municípios da Bahia já haviam decretado estado de emergência. Em Minas Gerais, são 31.
As pessoas tiveram que abandonar suas casas devido às inundações e aos riscos de deslizamentos de terra e de desabamentos. Além das residências e de estabelecimentos comerciais, postos de saúde, escolas e quadras também se encontram debaixo d’água.
Frente a essa triste situação, agravada em decorrência da pandemia de Covid-19 que ainda se vive, a rede Cáritas Brasileira e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) se mobilizam por meio da campanha #SOS Bahia e Minas Gerais: Solidariedade que Transborda.
A iniciativa busca arrecadar recursos para a compra de alimentos, água potável, roupas, fraldas infantis e adultas, artigos de higiene pessoal e de proteção contra a Covid-19. Os itens serão distribuídos pelas Cáritas Diocesanas próximas às áreas em situação crítica, a fim de auxiliar as milhares de pessoas desabrigadas e desalojadas devido às fortes chuvas que atingiram os estados.
As doações podem ser feitas pelas contas:
Banco do Brasil
Agência 0452-9
C/c . 50.106-9
Caixa Econômica Federal
Agência 1041
C/c – 1132-1
Situação até o dia 11 de dezembro de 2021
Em Minas Gerais, devido às chuvas intensas que atingem o estado desde setembro deste ano, 9.500 pessoas tiveram que buscar acomodação com amigos e familiares, enquanto 2.000 famílias precisaram buscar refúgio na esfera pública. Diversas cidades tiveram o abastecimento de água interrompido.
Na Bahia, desde o dia 06 de dezembro, mais de 8.000 pessoas foram forçadas a abandonar suas casas e muitas delas aguardavam resgate sobre seus telhados. Há registro de que seis pessoas perderam a vida no estado.
Além de provocar inundações e deslizamentos de terra, as chuvas causaram o rompimento de duas barragens em Apuarema e danos às vias de acesso de algumas cidades, como Eunápolis e Itabela, dificultando ações imediatas da Defesa Civil.
Veja aqui a nota de solidariedade às famílias desabrigadas pelas chuvas no sul e extremo sul da Bahia, lançada pela CNBB Regional NE3.
Informações e Foto: CNBB
#Reflexão: 4º Domingo do Advento (Ano C – 19 de dezembro)
A Igreja neste domingo (19) celebra o 4º Domingo do Advento. Reflita e reze com a liturgia deste dia.
1ª Leitura – Mq 5,1-4a
Salmo – Sl 79 2ac.3b.15-16.18-19
2ª Leitura – Hb 10,5-10
Evangelho – Lc 1,39-45
MARIA, A MÃE DO MEU SENHOR
Estamos próximos de celebrar o Natal. E, como é próprio desse tempo, pensando nos momentos que pretendemos passar juntos com nossos familiares. Alguns talvez irão viajar neste tempo. O Evangelho de hoje também fala de viagens, encontros e alegrias.
Lucas, no Evangelho deste domingo, relata o momento que sucedeu ao anúncio do anjo Gabriel a Maria. Ela foi correndo à casa de Isabel. Gabriel lhe tinha anunciado outra obra de Deus que estava a caminho: sua parenta, apesar da idade avançada e esterilidade, estava grávida. A jovem Maria foi às pressas oferecer alguma ajuda e ser solidária a uma mãe tão especial que estava no sexto mês de gestação.
A solidariedade tornou-se o sinal mais forte da graça de Deus em Maria. Ela, que foi revelada pelo anjo como sendo alguém especial diante de Deus (“cheia de graça”, “o Senhor está contigo”, “obtiveste graça junto de Deus”), se colocou à serviço e presente na vida de Isabel. Lucas, mais uma vez, ressaltou a grandeza dos pequenos e colocou no centro da história os marginalizados: uma jovem menina da periferia da Galileia e uma idosa grávida nas montanhas de Judá. Os homens ficaram de lado: Zacarias, que falava, tornou-se mudo pela falta de fé; José, que nada dizia, descobriu que devia somente se colocar ao lado de Maria e do projeto de Deus.
O evangelista nos disse que Maria entrou na “casa de Zacarias”, mas o “dono da casa” não é cumprimentado e nem participa de tudo que aconteceu (lembrando que ele ainda estava mudo). Maria trazia em seu coração e acreditava em tudo que tinha ouvido do anjo Gabriel. Sua primeira reação foi se colocar em viagem para encontrar Isabel. Bastaram as palavras de Maria para que sua parenta tivesse mais um sinal da grandeza de Deus. João que estava ainda em formação no ventre de Isabel, exultou de alegria com a voz da Mãe do Salvador. Lucas nos diz que a idosa senhora grávida “ficou cheia do Espírito Santo”. A voz de Maria transmitiu o que havia de melhor de Deus: o Espírito Santo. Maria, que é “cheia de graça”, distribuiu graça por onde passava e com quem ela se encontrava.
Isabel não respondeu a saudação (possivelmente, o costumeiro “shalom”), ela exultou e, com um grito, expressou sua imensa alegria por toda presença de Deus em sua vida. Novamente, conhecemos algo a mais em Maria através de Isabel. Ela anunciou a proximidade que existe entre Maria e seu filho Jesus: são benditos de Deus, mas cada um em sua realidade. Maria é “bendita entre todas as mulheres”: não há ninguém neste mundo tão especial quanto ela, conforme o próprio anjo Gabriel já tinha revelado. Jesus é bendito por excelência, pois é o próprio Salvador do mundo presente em nossa história. A segunda exclamação de Isabel completou a união especial desejada por Deus entre Maria e Jesus: “ela é mãe do meu Senhor”; não é mais “uma mãe” que inicia sua gestação bem como não é mais “uma criança” que vem ao mundo: ambos são especiais para a história humana.
Não se tratava de uma visita corriqueira e comum, mas de alguém que inundava a graça do Espírito Santo por meio de sua voz e já trazia consigo, em seu ventre, o Salvador da humanidade. A visita foi de grandíssima importância, rompeu o tempo e se perpetua na história da fé cristã.
Duas mulheres com corações que batem em sintonia com Deus. Eram sensíveis à graça e prontas para dar cumprimento à vontade de Deus. Traziam no ventre muito mais que duas crianças que são sempre alegria para qualquer família: elas estavam gerando a esperança de todo povo de Deus. Juntas, louvavam o presente em suas vidas e cantavam o futuro da humanidade. Elas reconheceram a grandeza de Deus que, através da fragilidade de ambas, construiu projetos para todos os povos. Maria e Isabel se descobriram especiais dentro de algo que iria além das duas famílias, daquele povo, daquele tempo.
Tudo tem seu início e cumprimento, graças à fé de Maria, conforme disse Isabel. O “sim” confiante da jovem de Nazaré desencadeou o projeto de Deus que escolheu um modo tão próprio de nossa realidade humana para vir ao mundo: em uma família e como uma criança.
Natal é tempo de preparações especiais, mas tudo perde o seu verdadeiro brilho e encanto quando a fé em Deus fica esquecida e abandonada. As duas mães exultaram de alegria pela presença de Deus em suas vidas que gera novas vidas. Nosso Deus é portador de alegria e verdadeira felicidade, mas é necessário ter sensibilidade para descobrir sua grandeza e presença, como Isabel que se encheu de alegria com uma simples saudação.
Maria e Isabel são sinais da vontade de Deus que escolhe seus próprios caminhos, quase sempre priorizando os humildes, os esquemas mais simples, os lugares longe da agitação do mundo e sempre sem fazer barulho ou escândalo. No Natal, fica evidente que Deus quer entrar na vida de todos por meio do encanto de uma criança recém-nascida, sendo Ele mesmo a luz na vida e nos corações das pessoas, sem provocar medo e morte.
Todos que participaram do Natal de Jesus (Maria, José, Isabel e Zacarias, os profetas do Templo...) se revelaram pessoas sensíveis ao plano de Deus e que aprenderam a ter confiança plenamente em Suas Palavras. Zacarias não acreditou inicialmente nas palavras do anjo e recebeu um pequeno castigo de uma mudez temporária; Maria se colocou diante de Gabriel: “aconteça segundo a tua palavra”; José nada disse, mas escutou e confiou nas palavras do anjo que lhe revelou em sonho o que tinha que fazer; e Isabel que percebeu, já na voz de Maria, a presença do próprio Verbo de Deus no mundo.
Miqueias profetizou sobre Belém, pequena vila da grande Jerusalém. Ela teria um hóspede que iria mudar toda história. E, isso aconteceu. No Natal de Jesus, Ele é a luz, Ele é o maior presente que nada quer para si, mas se doa totalmente aos outros. É uma entrega que rompe todos os sacrifícios e sofrimentos (como nos lembra a 2ª leitura) para perpetuar o amor em forma de doação desde o presépio até a cruz.
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