#COMUNICADO: Sobre o estado de saúde do Cônego Mauro Morais

O Cônego Mauro Morais, pároco da Paróquia São Francisco de Paula e Nossa Senhora de Fátima, em Ouro Fino, foi diagnosticado com a covid-19 nesta semana, tendo iniciado o acompanhamento médico e quarentena ainda Ouro Fino. Mas na noite desta quinta-feira (24), precisou ser transferido para o Hospital Regional Samuel Libânio em Pouso Alegre, onde continua internado.

Seu estado de saúde é estável, ele está consciente, mas precisando de oxigênio.

Informações atualizadas serão dadas na tarde desta sexta-feira (25).

Intensifiquemos nossas orações pelo restabelecimento da saúde do Cônego Mauro e de todos os doentes.


A natureza também pede socorro

Pe Simão Cirineo Ferreira
Pároco da Paróquia São Sebastião, em Andradas

“A criação geme em dores de parto (Rm 8,22).

Ao abrirmos a Sagrada Escritura no livro do Gênesis vemos os relatos da criação que revelam o desabrochar da vida, numa realidade de caos e a preocupação com a preservação do universo o que leva o autor bíblico por inspiração divina a escrever: “No princípio, Deus criou o céu e a terra. A terra estava deserta e vazia, as trevas cobriam o abismo e um vento impetuoso soprava sobre as águas... e Deus viu tudo o que havia feito, e tudo era muito bom". (Gn 1, 1-2. 31). A beleza de tudo, a harmonia do Paraíso marcava o relacionamento do homem com a natureza e este relato não foi escrito só para alimentar uma saudade do passado, mas é um despertar para esperança.

Mais do que nunca, nestes tempos de pandemia e desafios, a nossa Igreja, os cristãos, as pessoas de boa vontade devem se colocar numa atitude de abertura de mentalidade, sensibilidade de coração e mãos estendidas para receber e acolher o que a humanidade inteira compartilha como sábio ensinamento para o bem de todos. Nunca é tarde para aprender.

A história, os fatos, a realidade, estão mostrando as consequências na ecologia. Vemos e sentimos na pele as marcas da degradação, da extinção, da poluição, da destruição do meio ambiente, as vezes até com a justificativa de um “certo progresso”, mas cada dia fica mais evidente que sem sustentabilidade, responsabilidade ecológica, educação ambiental, revisão de hábitos, respeito à vida não avançaremos para o progresso, o desenvolvimento, mas sim para a desordem, para o atraso, para o caos.

O Papa Francisco nos lembra na Exortação Apóstólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual, "Evangelii Gaudium" e na Carta Encíclica sobre o Cuidado da Casa Comum, "Laudato Si": “Somos chamados a amar o planeta onde Deus nos colocou e amar a humanidade com os seus valores e as suas fragilidades. A terra é nossa casa comum, e todos somos irmãos”. Um outro Francisco, o de Assis, dizia que Deus nos colocou no Paraíso para sermos guardiões das criaturas, não só beneficiários, predadores, mas cuidadores convictos de que quem respeita e cuida da criação demonstra amor ao criador. Sobre isso vale lembrar o que dizia Rubem Alves: “O mundo foi feito para ser um jardim e a vocação do ser humano é ser jardineiro...”, não é justo e é um pecado transformar este jardim num aterro sanitário ou num lixão.

Somos desafiados a escutar o grito da natureza, o apelo de todos aqueles que defendem com ousadia, coragem, amor e até com a própria vida esta causa, que é uma causa de vida e preciosa. Estes apelos chegam até nós através dos protestos dos ativistas ambientais (de Chico Mendes, Irmã Dorothy, a jovem Greta Thunberg); das conferências de líderes mundiais; das reportagens dos jornais; dos filmes e documentários das mídias; do combate das ONG's; das canções eruditas ou populares onde os artistas, inspirados na natureza com suas belezas, cantam forte na defesa da terra, da água, da chuva, do rio, do mar, da baleia, da floresta, dos animais, do ar, da vida, do futuro de nossas crianças no planeta azul.

A nossa Constituição Federal de 1988 foi considerada por muitos como a Constituição Verde. A lei maior do país foi a primeira a tratar de modo ostensivo a questão ambiental, prevendo mecanismos de proteção e de controle. No Art. 225, Inciso VII, afirma que, “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, cabendo ao Poder Público, dentre outras medidas, proteger a fauna e a flora. Além disso, o artigo veda práticas que coloquem em risco sua função ecológica e provoquem a extinção de espécies ou submetam animais a crueldade”.

A Igreja Católica, inspirada na Sagrada Escritura, através do seu magistério e de sua doutrina social, apresenta-nos a necessidade do cuidado com a criação, manifestação do amor providente de Deus. Diante dos graves problemas ambientais coloca em questão: Como evangelizar para que os povos descubram o dom da criação?

No Brasil, a Igreja trabalhou em várias Campanhas da Fraternidade a questão ambiental e ecológica fazendo forte apelo à conversão, à mudança de mentalidade, e necessidade de superar o egoísmo e a ganância. A primeira foi em 1979 “Preserve o que é de todos”; em 1986 teve como tema “Fraternidade e terra”; em 2002, “Fraternidade e povos Indígenas”; em 2004; “Fraternidade e a água”; em 2007 “Fraternidade e Amazônia”; e a última em 2017, com a temática “Fraternidade: Biomas Brasileiros e a Defesa da Vida”.

Atendendo ao apelo do Papa Francisco para sermos uma Igreja em “saída”, no anseio de ser uma paróquia cada dia mais missionária, sendo capaz de pensar e enxergar longe com uma ação local e sustentável que defende e cuida da vida em todas as dimensões, a Paróquia São Sebastião de Andradas, em espírito missionário já conta com uma primeira equipe de cristãos leigos e leigas comprometidos com esta missão evangelizadora. Estamos preparando a capacitação de novos agentes em nossas comunidades, dando assim os primeiros passos na implantação, formação e aplicação da Pastoral da Ecologia e do Meio Ambiente com base na pedagogia da missão continental a partir do encontro com Jesus Cristo, da conversão, do discipulado, da comunhão para a missão. Como mais uma fonte inspiradora estamos estudando e acolhendo as propostas do livro Pastoral da Ecologia e do Meio Ambiente do Pe José Carlos Pereira e Rodrigo Cerqueira N. Borba.

Nosso convite e desejo é que as nossas comunidades, famílias, jovens, adolescentes, crianças, e todo povo de Deus nos acompanhem neste processo de conscientização, numa verdadeira espiritualidade ecológica, ecumênica, dialogal, sinodal e que as ações das nossas pastorais, movimentos e ministérios em parceria com outras instituições tenham mais atitudes sustentáveis de cuidado com o ambiente e com o próximo. Mesmo que pequenas, nossas ações podem fazer diferença, como dizia Santa Tereza de Calcuta: “O que eu faço é uma gota no meio de um oceano. Mas sem ela, o oceano será menor”.

“Não podemos dizer que amamos a terra e depois darmos espaço para destruir seu uso pelas próximas gerações.” (São João Paulo II)


Arquidiocese se prepara para sua romaria anual à Aparecida

Como ocorre todos os anos, a arquidiocese de Pouso Alegre vai fazer sua peregrinação ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida (SP), no dia 3 de julho (sábado), para participação da missa das 9h. A Eucaristia será presidida pelo arcebispo metropolitano, Dom José Luiz Majella Delgado - C.Ss.R., e concelebrara por representantes do clero arquidiocesano.

Segundo dom Majella, "realizar essa peregrinação é momento de colocar nas mãos de Deus, pela intercessão de Nossa Senhora, a caminhada pastoral e missionária da Igreja Particular".

MAS ATENÇÃO! Dentro das limitações impostas pela situação pandêmica, a capacidade permitida no Santuário é para 1800 pessoas. Então, caso alguns leigos queiram participar presencialmente, deverão chegar bem cedo ao santuário, já que o acesso é feito por ordem de chegada. Assim, fica o convite para que os fiéis de Pouso Alegre acompanhem a Missa pela TV Aparecida.

Por causa da pandemia, também, não será recitado o Santo Terço após a missa, como ocorreu nos últimos anos.

 

 


Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe. O que é?

A Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe, que se realizará de 21 a 28 de novembro no entorno do Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe, na Cidade do México, vai se tornando aos poucos mais conhecida. A arquidiocese de Pouso Alegre, que se prepara para seu primeiro Sínodo Arquidiocesano, também participa desse grande momento da Igreja latino-americana, e sabe que tem muito a contribuir.

Uma comissão foi formada para ajudar a arquidiocese a entender e participar desse itinerário. Fazem parte: Cônego Wilson Mário de Moraes, padre Marcos Roberto da Silva e padre Thiago de Oliveira Raymundo.

Em uma reunião no última dia 7 de maio, quando a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) fez uma apresentação sobre a Assembleia, o Secretário Geral, dom Joel Portella Amado, lembrou que "estamos diante de uma oportunidade para “escutar as alegrias e dores, e olhar para o futuro, planejar o futuro e depois viver esse futuro". Tendo como princípio que a Igreja é comunhão, comunhão de dons, comunhão de carismas, o secretário geral da CNBB afirmou que “essa comunhão se traduz em diversas formas, ela se traduz em escuta e diálogo para o discernimento. É preciso discernir, é preciso ouvir o espírito, juntemo-nos, conversemos, rezemos”.

Dom Joel lembrou que as conferências na América Latina têm sido realizadas pelos bispos, mas agora "estamos ante uma assembleia com todas as forças evangelizadoras, a partir, por tanto, da beleza que é o Batismo”.

Objetivo da Assembleia

"Como discípulos missionários, reunidos sinodalmente na 1ª Assembleia Eclesial da América Latina e Caribe, relembraremos o que aconteceu na V Conferência Geral de Aparecida, e contemplando contemplativamente nossa realidade com seus desafios, reacenderemos nosso compromisso pastoral para que, em Jesus Cristo, os nossos povos têm uma vida plena e nos novos caminhos para 2031-2033".

Entrando no assunto!

O que é a Assembleia Eclesial da América Latina e Caribe?

É uma convocação feita a todo o povo de Deus com caráter sinodal, que significa literalmente “caminhar juntos”: leigos, leigos, religiosos e religiosas, diáconos, seminaristas, sacerdotes, bispos e todas as pessoas de boa vontade que desejam fazer parte desta caminhada comunitária.

Por que realizar uma Assembleia da Igreja?

Fazemo-lo como Povo de Deus, em comunhão com o Papa Francisco, para comemorar o que aconteceu na V Conferência Geral de Aparecida, olhar contemplativamente a nossa realidade com os seus desafios, reacender o nosso compromisso pastoral para que, em Jesus Cristo, os nossos povos tenham um vida plena nos e sobre os novos caminhos rumo a 2031-2033.

Como faço para participar da Assembleia da Igreja?

O processo da Assembleia Eclesial será feito em duas fases. O primeiro é um processo de escuta ampla em que todos são chamados a participar, para isso devem se cadastrar na plataforma .

O segundo, um momento presencial que acontecerá entre os dias 21 e 28 de novembro de 2021 , no santuário de Nossa Senhora de Guadalupe, no México.

Da mesma forma, estará disponível sede virtual para as duas fases nos países, o que permitirá a participação do maior número de grupos e pessoas. Em breve, os membros da comissão vão nos ajudar a entender melhor todo esse processo.

Quem promove a Assembleia da Igreja?

O Conselho Episcopal Latino- Americano Celam , através das 22 conferências episcopais. Além disso, da Confederação Latino-americana e Caribenha de Religiosos e Religiosas CLAR.

 

 


#TodaVidaImporta: Igreja reza pelas 500 mil vítimas do Coronavírus

Com o mote de que “Toda vida importa“, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realiza no próximo sábado, 19 de junho, um dia de sensibilização e orações em memória dos mortos pelo novo coronavírus. Com a previsão de o país atingir 500 mil mortes no próximo sábado, a Conferência escolheu a data para manifestar solidariedade, esperança e consolo.

Redes sociais

Durante a reunião do Conselho Permanente da CNBB, realizada nesta quarta e quinta-feira, 16 e 17 de junho, a iniciativa foi apresentada aos bispos. A proposta é que os prelados utilizem a identidade visual da ação como foto de perfil nas redes sociais, bem como a hastag #todavidaimporta nas publicações. Outra sugestão é que os sinos das Igrejas toquem às 15h de sábado.

Missa

No mesmo horário, o arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da CNBB, dom Walmor Oliveira de Azevedo, preside a Santa Missa na intenção das 500 mil vítimas da Covid-19 no Brasil. A celebração será no Santuário Nossa Senhora da Piedade, em Caeté (MG), com transmissão pelas redes sociais da CNBB e por emissoras de TV de inspiração católica, como TV Horizonte, TV Pai Eterno, Rádio e Rede Imaculada e TV Nazaré.

Oração

A CNBB também vai oferecer um vídeo de oração pelos 500 mil mortos na pandemia. Composta pelo bispo auxiliar do Rio de Janeiro (RJ) e secretário-geral da CNBB, dom Joel Portella Amado, a oração será narrada pelo jornalista Silvonei José, que atua em Vatican News. A sugestão é que as emissoras de TV utilizem o material ao final dos telejornais, como uma homenagem aos que se foram ou em outros programas. O vídeo também será distribuído nas redes sociais da CNBB e rádios católicas.

A oração lembra dos irmãos e irmãs que morreram em decorrência da pandemia do novo coronavírus, “muitas sem o mínimo necessário para o tratamento digno como ser humano”. O pedido é que Deus Pai acolha esses filhos e filhas e conceda-lhes a paz eterna. A prece também é que o povo brasileiro possa trabalhar por solidariedade, acolhimento, partilha, compreensão e resiliência. “Que a saudade seja estímulo à fraternidade!

E que a fé seja o sustento de nossa esperança!”.

 

 

Com informações da CNBB


#Reflexão: 12º Domingo do Tempo Comum (Ano B – 20 de junho)

A Igreja celebra neste domingo (20), o 12º domingo do tempo comum. O padre Dirlei Abércio da Rosa nos ajuda a refletir e rezar a liturgia deste dia.

Leituras:

1ª Leitura - Jó 38,1.8-11

Salmo - Sl 106,23-24.25-26.28-29.30-31 (R. 1b)

2ª Leitura - 2Cor 5,14-17

Evangelho - Mc 4,35-41

A FÉ EM JESUS QUE ACALMA O MAR

As leituras deste 12º domingo nos colocam em meio à tempestade e o medo. Como Jó e os discípulos de Jesus, também nós nos vemos atingidos por um mal que se abateu sobre todos nós: a Pandemia.

Jó encontra-se no meio de uma tempestade que representa seus problemas e angústias diante de Deus. Não obstante sua fé e sua confiança, ele se encontrava miserável (havia perdido tudo) e estava com uma doença que matava aos poucos. Ele não conseguia entender o porquê de tudo aquilo que estava passando, pois ele sempre foi fiel a Deus. Jó não se revolta, mas pergunta qual o sentido e a resposta para tantos sofrimentos.

Deus pede a Jó que tivesse confiança e fé, pois somente Ele tem poder sobre todas as coisas do mundo e sobre cada pessoa seja quando está bem quanto está com problema. Assim, Jó escolhe confiar nos desígnios de Deus, mesmo sem compreender tudo que estava acontecendo. No final, ele foi recompensado por Deus.

No Evangelho, tudo também acontece em meio a uma tempestade. Jesus tinha escolhido seus discípulos, já havia realizado alguns milagres, curas e exorcismos. No início da noite, Jesus decide ir com os apóstolos para o outro lado do lago, lá ficava a terra dos pagãos.

Aqueles homens eram pescadores acostumados com barcos e tempestades, mas aquele fim de tarde, tudo foi diferente. Marcos nos conta com detalhes que “eles tinham levado Jesus” e Ele se acomodou “na popa do barco e dormia sobre uma almofada”. Era onde ficava o leme que guiava o barco. Jesus dormia tranquilamente, mas ao seu lado tudo estava agitado por uma tempestade. Durante as noites escurecidas é que nascem os maiores medos e as perguntas mais difíceis sobre a presença de Deus. Jesus confiava na capacidade daqueles pescadores de conduzir o barco, mas eles não expressavam a mesma confiança naquele que estava dentro da embarcação. Jesus nos lembra Jonas que dormia tranquilo no ventre do barco enquanto o mar estava em meio a uma terrível tempestade. O profeta também confiava em Deus.

Os apóstolos estavam ainda no início do seu apostolado, é certo. Acreditavam em Jesus e confiavam Nele, mas enquanto tudo estava caminhando bem e sem “tempestades”. Ao iniciarem a viagem onde eles teriam que conduzir a barca para outros lugares e em terras de gente que não tinha a mesma crença que eles, tudo se apresentou desafiante e até desesperador. Mas, o mesmo Jesus estava com eles. Era preciso começar a prepará-los para o tempo em que teriam que remar movidos pela fé na presença de Cristo.

A tranquilidade de Jesus é vista pelos discípulos como um descaso. Nosso Senhor é “acusado” de abandonar os discípulos em meio à tempestade. Mas não é assim! Ele confiava nos apóstolos em fazer o que sempre faziam; os apóstolos é que tinham se esquecido de quem eram Jesus.

Os apóstolos deveriam fixar-se em Jesus: Ele estava ali com eles! Muitas vezes, nós preferimos olhar as tempestades, nos deixarmos amedrontar pelos ventos fortes, pelo mal que aparenta querer afundar nossa barca, mas não deve ser assim: Jesus está conosco! Ele prometeu permanecer conosco até o final dos tempos e nada pode ser maior que Jesus!

Colocar-se em missão, viver a vontade de Jesus e procurar “transportá-lo” aos outros, as tempestades serão inevitáveis, os desafios imensos, os problemas e perseguições constantes, mas jamais devemos nos esquecer de que Jesus está sempre ao nosso lado. Somos nós que devemos conduzir nosso barco, mas é Jesus quem nos protege e nos guia.

Os apóstolos se deixando abater pela tempestade ao acordarem Jesus, chamam Sua atenção reprovando a sua aparente indiferença. Nosso Senhor, primeiro, acalma o mar e a tempestade com o mesmo gesto e palavras que expulsou demônios e curou as pessoas: Jesus é o mesmo sempre! Mas, também chama atenção dos discípulos: por que estais com medo? Por que não tendes fé? Para Jesus, o contrário da fé não é a descrença, mas o medo de que Jesus não é o mesmo de sempre; que a pessoa está sozinha.

A Pandemia atual nos jogou neste mar de inseguranças e medos, mas Jesus está sempre conosco! Está sempre presente, mas do seu modo! Ele não intervém e não fará nada no nosso lugar, mas conosco.

Os discípulos esperavam que Ele, novamente, agisse e resolvesse tudo (como depois ele fez). Eles cobram de Jesus por não agir, demonstrando uma fé muito frágil e fraca: bastou um mar agitado para se esquecerem de quem era o Mestre Jesus. Cristo não nos protege do medo, mas nos protege no medo; Não nos tira dos desafios, mas nos protege nos desafios. Um grande desafio para os discípulos e para nós é acreditar que Jesus sempre está presente mesmo que não mais se sente sua presença física. Ele nunca nos abandona, mesmo quando não se veem mais milagres e prodígios. Eles ainda acreditavam que Jesus, sozinho, teria que resolver tudo como sempre. Jesus sempre pode fazer isto, mas Ele nos dá forças nos braços para enfrentar as ondas; nos fortalecer na luta para o barco não virar; iluminar nossa visão para encontrar terra firme. Queremos muitas vezes desistir de lutar, mas Ele será sempre a nossa energia e perseverança. Ele quer agir em nós e sempre conosco!

Senhor Jesus, que nossa fé nos torne pessoas novas e nos fortaleça diante das tempestades e dos desafios. Seja nosso guia em nosso barco e ilumine sempre nossa jornada a terra firme dos seus braços!

 

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Pastoral emite orientações para catequese infantojuvenil

A Pastoral de animação Bíblico Catequética da arquidiocese de Pouso Alegre emitiu no último dia 14 de junho algumas orientações sobre a catequese infantil para o ano de 2021. Tais orientações procuram se inspirar nos Documentos da Igreja, na comunhão com o Regional Leste II da CNBB, na consulta a especialistas e autoridades competentes, além é claro, da partilha das coordenações setoriais de catequese.

"Como todos sabemos, a pandemia que ainda vivemos, trouxe e trará muitas consequências à vida pastoral da nossa Igreja. O futuro incerto trás receios e inseguranças. O itinerário catequético das nossas comunidades foi afetado diretamente e, ainda estamos tentando aprender a RE-COMEÇAR em meios aos percalços deste caminho", traz a carta.

Seguem as reflexões apresentadas pela Pastoral:

1) As atividades catequéticas presenciais, ainda não foram liberadas em nossa arquidiocese. Lembramos que esta se encontra na quarta fase do plano de retomada das atividades pastorais da arquidiocese e, ainda não avançamos a esta fase;

2) Vale lembrar que a família do catequizando é (ou ao menos deveria ser), o lugar primeiro e privilegiado de catequese. Este é o momento para que os pais assumam o protagonismo catequético dos seus filhos(as); inclusive incentivando e levando-os às nossas celebrações presenciais que procuram obedecer aos protocolos sanitários. Entendemos que a catequese não pode ser “terceirizada”; infelizmente há muitos pais/responsáveis que negligenciam sua responsabilidade;

3) Contudo, várias comunidades conseguem realizar encontros no formato online. Queremos lembrar que esses encontros, de certa forma, podem ser “validados” como encontros catequéticos. Porém, esta modalidade traz consigo certas dificuldades como:

  • 3.1) Nem todos os catequistas e catequizandos tem acesso fácil a internet e a celulares ou computadores (lembremos aqui principalmente nossos irmãos e irmãs da área rural de difícil acesso e/ou grandes distâncias da área urbana);
  • 3.2) Diferentemente da escola, a catequese não privilegia somente o CONTEÚDO DADO, mas para nós é importante o contato, os símbolos, a experiência em si do encontro catequético que, como se sabe, não é “despejar” conteúdos da fé, realizar “provas” e ser aprovado aos sacramentos, mas fazer um caminho de proximidade e intimidade com o Senhor;
  • 3.3) Há também a problemática referente ao tempo excessivo em frente as telas (celulares, computadores e demais) já proporcionada pelo alto número de atividades escolares; não é difícil encontrar crianças, adolescentes e jovens estressados, exaustos e com síndromes psíquicas (ansiedade, tristeza excessiva, vazio, medo, etc);
  • 3.4) E, diante desta realidade também nos surge a questão: até que ponto nossos catequizandos estão aproveitando desses encontros no formato online? (logicamente há experiências positivas e inspiradoras), mas acreditamos que esta modalidade ainda é “seletiva” e em parte duvidosa no que diz respeito ao comprometimento;

4) Como já foi orientado às coordenações setoriais, a Catequese Arquidiocesana SUGERE “não abrir novas turmas de catequese” até que se tenha uma segurança para os encontros presenciais;

5) É preciso orientar aos fiéis que a idade do catequizando não é a mais importante para o processo, mas sim o caminhar realizado ao encontro do Senhor e que os sacramentos são uma “consequência” e não um fim propriamente dito deste itinerário (aos moldes escolares de diplomação e conclusão de curso);

6) As celebrações da 1a Eucaristia das crianças já foram e/ou estão sendo realizadas segundo as orientações da arquidiocese no plano de retomada e as condições de cada paróquia. As crismas ainda estão suspensas até orientação do senhor arcebispo;

7) A Catequese Arquidiocesana está ciente dos inúmeros passos que deverá dar frente a projetos como: ministério do catequista (concedido pelo Papa Francisco), estudo do Diretório para a Catequese (2020), elaboração do Diretório Arquidiocesano de Catequese, reformulação das coordenações setoriais de catequese e coordenação arquidiocesana etc. Pedimos que a Luz de Deus no guie neste processo;

8) Sugere-se às equipes paroquiais de catequese que se aproveite este momento para a formação do grupo de catequistas (como for possível), a fim de que se mantenham motivados, instruídos e, assim que nos for possível, possamos retomar nossa caminhada catequética que nos é tão cara;

9) Nossa Arquidiocese está no caminho sinodal. E, como sabemos, sínodo significa CAMINHAR JUNTOS. É preciso abraçar esta causa. A catequese arquidiocesana quer fazer este caminho unida ao nosso pastor Dom Majella, aos senhores padres e aos cristãos leigos e leigas. Desejamos estar em plena comunhão uns com os outros e com nossa Igreja Particular. Fora desta comunhão, entende-se que o caminhar é perigoso e sombrio.

O itinerário catequético de nossas comunidades sempre foi marcado por grandes desafios, mas isto nunca nos impediu de caminhar na alegria de anunciar o evangelho de Jesus, pois esta é a vocação do catequista: anunciar, anunciar e anunciar. “O encontro com o Messias (Jo 1,35-51), no mundo contemporâneo, é possível. Mas precisa ser proposto de maneira a cativar mais as pessoas, para que se possa fazer a experiência impactante da verdadeira adesão a Jesus” (IVC, doc. 107, n.54).

 


Confira a mensagem do papa para o Dia Mundial dos Pobres

Para a quinta edição do Dia Mundial dos Pobres, a ser celebrado no próximo dia 14 de novembro, o Papa Francisco apresentou a sua mensagem que tem como tema “Sempre tereis pobres entre vós”, trecho extraído do Evangelho de São Marcos.

Na mensagem, o Papa afirma que os pobres de qualquer condição e latitude evangelizam-nos, porque permitem descobrir de modo sempre novo os traços mais genuínos do rosto do Pai: “Eles têm muito para nos ensinar”.

Confira os principais pontos da mensagem:

Descobrir Cristo neles

Além de participar do sensus fidei, nas suas próprias dores, Francisco afirma que os pobres conhecem Cristo sofredor. “É necessário que todos nos deixemos evangelizar por eles. A nova evangelização é um convite a reconhecer a força salvífica das suas vidas, e a colocá-los no centro do caminho da Igreja. Somos chamados a descobrir Cristo neles: não só a emprestar-lhes a nossa voz nas suas causas, mas também a ser seus amigos, a escutá-los, a compreendê-los e a acolher a misteriosa sabedoria que Deus nos quer comunicar através deles. O nosso compromisso não consiste exclusivamente em ações ou em programas de promoção e assistência; aquilo que o Espírito põe em movimento não é um excesso de ativismo, mas primariamente uma atenção prestada ao outro, considerando-o como um só consigo mesmo. Esta atenção amiga é o início duma verdadeira preocupação pela sua pessoa e, a partir dela, desejo de procurar efetivamente o seu bem» (Papa Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 198-199)”.

Jesus não só está do lado dos pobres, mas também partilha com eles a mesma sorte

No texto, Francisco diz que os pobres não são pessoas externas à comunidade, mas irmãos e irmãs cujo sofrimento se partilha, para abrandar o seu mal e a marginalização, a fim de lhes ser devolvida a dignidade perdida e garantida a necessária inclusão social. “Aliás sabe-se que um gesto de beneficência pressupõe um benfeitor e um beneficiado, enquanto a partilha gera fraternidade. A esmola é ocasional, ao passo que a partilha é duradoura. A primeira corre o risco de gratificar quem a dá e humilhar quem a recebe, enquanto a segunda reforça a solidariedade e cria as premissas necessárias para se alcançar a justiça. Enfim os crentes, quando querem ver Jesus em pessoa e tocá-Lo com a mão, sabem aonde dirigir-se: os pobres são sacramento de Cristo, representam a sua pessoa e apontam para Ele”.

Convertei-vos e acreditai no Evangelho

O Papa salienta, na mensagem, que precisamos de aderir com plena convicção ao convite do Senhor: “Convertei-vos e acreditai no Evangelho (Mc 1, 15). Esta conversão consiste, primeiro, em abrir o nosso coração para reconhecer as múltiplas expressões de pobreza e, depois, em manifestar o Reino de Deus através dum estilo de vida coerente com a fé que professamos. Com frequência, os pobres são considerados como pessoas aparte, como uma categoria que requer um serviço caritativo especial. Seguir Jesus comporta uma mudança de mentalidade a esse propósito, ou seja, acolher o desafio da partilha e da comparticipação. Tornar-se seu discípulo implica a opção de não acumular tesouros na terra, que dão a ilusão duma segurança em realidade frágil e efémera; ao contrário, requer disponibilidade para se libertar de todos os vínculos que impedem de alcançar a verdadeira felicidade e bem-aventurança, para reconhecer aquilo que é duradouro e que nada e ninguém pode destruir (cf. Mt 6, 19-20)”.

Sempre tereis pobres entre vós

Francisco afirma que o título da mensagem é um convite a não perder jamais de vista a oportunidade que se nos oferece para fazer o bem. “Como pano de fundo, pode-se vislumbrar o antigo mandamento bíblico: «Se houver junto de ti um indigente entre os teus irmãos (…), não endurecerás o teu coração e não fecharás a tua mão ao irmão necessitado. Abre-lhe a tua mão, empresta-lhe sob penhor, de acordo com a sua necessidade, aquilo que lhe faltar. (…) Deves dar-lhe, sem que o teu coração fique pesaroso; porque, em recompensa disso, o Senhor, teu Deus, te abençoará em todas as empresas das tuas mãos. Sem dúvida, nunca faltarão pobres na terra» (Dt 15, 7-8.10-11). E no mesmo cumprimento de onda se coloca o apóstolo Paulo, quando exorta os cristãos das suas comunidades a socorrer os pobres da primeira comunidade de Jerusalém e a fazê-lo «sem tristeza nem constrangimento, pois Deus ama quem dá com alegria» (2 Cor 9, 7). Não se trata de serenar a nossa consciência dando qualquer esmola, mas antes contrastar a cultura da indiferença e da injustiça com que se olha os pobres”.

Os pobres estão no meio de nós

Francisco faz votos de que o Dia Mundial dos Pobres, chegado já à sua quinta celebração, possa radicar-se cada vez mais nas Igrejas locais e abrir-se a um movimento de evangelização que, em primeira instância, encontre os pobres lá onde estão. “Não podemos ficar à espera que batam à nossa porta; é urgente ir ter com eles às suas casas, aos hospitais e casas de assistência, à estrada e aos cantos escuros onde, por vezes, se escondem, aos centros de refúgio e de acolhimento… É importante compreender como se sentem, o que estão a passar e quais os desejos que têm no coração”, diz.

“Os pobres estão no meio de nós. Como seria evangélico, se pudéssemos dizer com toda a verdade: também nós somos pobres, porque só assim conseguiríamos realmente reconhecê-los e fazê-los tornar-se parte da nossa vida e instrumento de salvação”, finaliza.

Leia a mensagem na íntegra aqui

 

Foto de capa: Vatican News


Igreja e sociedade, um diálogo possível

Pe. Paulo Adolfo Simões
Presbítero da arquidiocese de Pouso Alegre
Secretário executivo do Centro Nacional de Fé e Política “Dom Helder Camara” – CEFEP / CNBB

 

É possível um diálogo entre Igreja e sociedade? Essa pergunta logo aparece quando tratamos desse assunto. E a resposta é uma só: é tão possível quanto necessário para que a Igreja continue sendo cristã. Afinal, Jesus Cristo, sendo Deus, foi um homem de diálogo, e de diálogo amplo. Nunca se furtou a conversar, no sentido mais profundo do termo, seja com quem tinha um pensamento próximo ao seu, como seus familiares, seus seguidores ou com seus admiradores mais críticos, dentre eles os fariseus. Entretanto, Jesus foi mais longe, dialogou também com os opositores mais ferrenhos do seu projeto de Reino de Deus, como os mestres da lei, os saduceus e os herodianos. Dialogou mesmo com aquelas e aqueles com os quais sua religião, a judaica, proibia conversar: samaritanos e estrangeiros. Enfim, Jesus foi homem - Deus do diálogo. Como, aliás, não poderia deixar de ser, uma vez que, segundo o discípulo amado e evangelista João, Ele é a Palavra de Deus feita carne. Foi através dele que a Trindade dialogante criou o universo e estabeleceu, de diversas formas, diálogo com a obra criada (Hb 1,1).

A arquidiocese de Pouso Alegre, conduzida pela sabedoria de Dom Majella, vive seu primeiro processo de Sínodo. Ao mesmo tempo em que o Papa Francisco propõe para a Igreja toda um sínodo sobre sinodalidade e para a América Latina e o Caribe uma Assembleia Eclesial. O Papa, de forma surpreendente, mudou recentemente o processo do sínodo sobre a sinodalidade tornando-o mais profundo, mais abrangente e mais dialogante, privilegiando sobretudo a escuta.

O caminho sinodal tem a marca fundamental de ser dialogal, de dar voz a todas e a todos. A Igreja que se põe em sínodo põe-se numa experiência na qual todas as vozes deverão ser ouvidas e acolhidas. O sínodo abre um caminho fraterno e fraternal, que supera o caminho da autoridade e que seja patriarcal. Segue o modelo que Jesus em relação à Lei Judaica, à qual diz dar pleno cumprimento (Mt 5.17-19).

O Papa Francisco, quando propõe uma Igreja mais sinodal, entra na senda do Concílio Vaticano II. Esse 21º Concílio Ecumênico, convocado por São João XXIII, selou definitivamente a amizade da Igreja com a modernidade e a sociedade contemporânea. Em sua constituição Pastoral “Alegria e Esperança”, ou “Gaudium et Spes”, afirma, logo no seu início: “As alegrias e as esperanças, as tristezas e as ansiedades dos homens desta época, especialmente aqueles que são pobres ou de alguma forma aflitos, estas são as alegrias e esperanças, as tristezas e ansiedades dos seguidores de Cristo”. Desta forma, os padres conciliares selam o diálogo iniciado sob Leão XIII, há 130 anos, com a primeira encíclica social, a Rerum Novarum, presenteada à Igreja no ano de 1891. Com a Rerum Novarum, a Igreja Católica retomou o diálogo com a sociedade em chave de olhar atencioso e de amorosidade para com os mais pequenos e empobrecidos dessa sociedade. Ou seja, a Igreja coloca no centro os pobres, como Jesus o fizera em sua caminhada. Com isso, afirmo que a experiência de uma Igreja dialogal, à exemplo do próprio Jesus, seu único mestre e Senhor, segue nos últimos tempos três grandes passos: a Rerum Novarum – as realidades novas das operárias e operários, o Concílio Ecumênico Vaticano II e o pontificado do Papa Francisco.

Em sua última encíclica, a Fratelli Tutti - um marco do ensino social dos papas - Francisco afirma que a Igreja deve dialogar em três âmbitos externos a si mesma: com os governos, com a sociedade e a cultura e, por fim, com as outras Igrejas e com as outras religiões. O Concílio Vaticano II lançou as bases para esse diálogo em tempos de modernidade. Se com a Gaudium et Spes propõe o diálogo com a sociedade tendo um olhar atencioso aos empobrecidos, com o Decreto Unitatis Reintegratio assumiu o diálogo com as outras Igrejas Cristãs e com a Declaração Nostra Aetate, propõe o caminho dialogal com as outras religiões. Na sequência do Concílio, todos os papas têm dado consequências a esses documentos, promovendo e incentivando amplo diálogo eclesial, que tem frutificado fartamente.

O que move a Igreja a dialogar com os diversos âmbitos ou aspectos da sociedade é o mesmo motivo que moveu Jesus: a proposta de Reino de Deus como uma experiência de amizade do criador com a criação. Desta forma o diálogo da Igreja com a sociedade quer ser um caminhar juntos na amizade, uma amizade de amor eficaz (FT). Um caminhar que amadurece no diálogo e na afeição de um pelo outro. Um caminhar maduro que permite fazer algumas paradas juntos para tomar uma água, um ar fresco ou mesmo um lanche. Mas nessa parada se reconhece ao outro caminheiro o direito de escolher do que vai se alimentar, ou mesmo a sombra em que se quer ficar e até se quer ir um pouco mais e esperar na próxima parada. Um caminhar que respeita o ritmo do caminhante, o desejo de falar ou simplesmente se calar...

 

 

Foto de capa: 4 de fevereiro de 2019, em Abu Dhabi, quando papa Francisco e o Grão Imame de Al-Azhar, Ahmad Al-Tayyeb, assinaram o Documento sobre a Fraternidade Humana em prol da paz mundial e da convivência comum


Padres reúnem-se virtualmente para uma manhã de espiritualidade

Os padres da arquidiocese de Pouso Alegre se reuniram virtualmente na manhã desta sexta-feira (11) para um momento de espiritualidade e oração. Neste dia em que a Igreja celebra o Sagrado Coração de Jesus, Ela também pede que se reze pela santificação do clero. Esse momento foi conduzido pelo pároco da Paróquia Santo Antônio, em Piranguçu, padre Douglas Aparecido M. R. dos Santos. 

Na acolhida aos padres, Dom José Luiz Majella Delgado-C.Ss.R. recordou o sentido e objetivo desse momento.

“Hoje somos colocados na presença do Senhor para renovar a memória do nosso encontro com Ele, renovar aquele primeiro chamado que todos nós trazemos no nossos corações. Queremos dar um novo vigor na nossa missão de servir o Povo de Deus na arquidiocese de Pouso Alegre. Essa situação de pandemia tem dificultado nossa vida, podendo dar lugar ao cansaço e ao desanimo, abrindo espaço a um deserto interior da aridez. E esse tempo pode envolver nossa vida sacerdotal na sombra da tristeza, principalmente quando estamos exercendo o ministério nas ações litúrgicas e nos deparamos com nossas igrejas quase que totalmente vazias, isso nos inquieta e nos deixa triste. Permanecer retirados com o Senhor. Possamos nos lembrar que somos responsáveis pela santificação do meu irmão no sacerdócio. Lembremos de motivar o Povo de Deus para que eles rezem por nós, rezem pela nossa santificação. Assim eles sentirão que o caminho de santificação é para todos, não apenas para alguns”. 

Toda a reflexão do padre Douglas foi conduzida sobre a temática da esperança, que constitui a vocação cristã, mas, de modo especial, o ministério presbiteral é o ministério da esperança.  

“A caridade é amor pleno de esperança: profecia do indefectível amor de Deus que anima e sustenta infalivelmente cada amor do próximo. A caridade é o princípio da esperança e flui dela motivada e ativada da vivência de amor a Deus e ao próximo. O nosso ministério presbiteral reconhece que da caridade teologal nasce a caridade eclesial. Assim como a caridade está intrinsecamente ligada à esperança, assim também é a fé. Luz para compreender a esperança. Precisamos ser homens de fé. A esperança constitui a vocação cristã. A nossa esperança não é contingente, mas esperança da vida, esperança da redenção e da beatitude. É a esperança da glória, da ressurreição”.

Segundo ele, o padre oferta a esperança. Não bastam as palavras, mas há a necessidade do testemunho. A esperança tem em Deus o seu princípio, mas a base dessa esperança é o homem. E o padre precisa dar testemunho dessa esperança.

Temos a esperança de Deus e do seu Reino. Nossa vida é marcada por tantos projetos, tantas ideias. O imediatismo ofusca a esperança. O padre vive da esperança, de uma única esperança, que não se liga a desejos periféricos. O padre não vive só de esperança, mas é também um ser de esperança. O ministério precisa ser de esperança. Cristo é a nossa esperança, fonte e meta de toda nossa esperança. Esperamos com a esperança de Cristo. A esperança do padre não provém dele mesmo, mas é fomentada pelo Espírito Santo”.

Leia alguns trechos da reflexão do padre Douglas:

- "Somente na fé podemos reconhecer a promessa e o dom de Deus. Em Cristo, a esperança do homem encontra o Deus da esperança (Rm 15, 13). A esperança cristã é a profecia do ’não ainda’, revelado no já da Páscoa de Cristo para a humanidade, para a Igreja, para o cristão. O padre é alguém que acreditou por primeiro e, por isso mesmo, não se deixa levar pelos sofrimentos do tempo presente, já que busca incansavelmente descobrir os sinais de Deus no mundo".

- "A vida de Jesus é o sinal da grande esperança. A esperança é, verdadeiramente, esperança quando tudo se faz escuridão e o vento sopra contrário. A cruz é a página mais tenebrosa da dor do mundo, mas também a provocação e o desafio mais forte à esperança". 

- "A ressurreição é outra face da cruz: é a resposta de Deus à esperança do crucificado. A ressurreição é o cumprimento da esperança, a sua ratificação, a confirmação que vem do Pai. A cruz não é abandono do crucificado por parte do Pai, mas abandono do crucificado nas mãos do Pai: abandono de amor que o Pai acolhe e transforma em glorificação e redenção". 

- "O padre é solicitado pelo Evangelho e habilitado pela Graça para ser esse homem de esperança. O padre é chamado a ser o sacramento de esperança, sinal legível e eterno, da vida da salvação anunciada com a própria vida: precisamos ser os arautos da fé na realidade que esperamos". 

- "O modo da onipotência de Deus entra na fragilidade do homem, fazendo-a explodir do seu interior com a ressurreição do crucificado. A hora das trevas, vivida na esperança do amor, revela ao mundo a aurora do terceiro dia, o dia do ressuscitado. A cruz faz florir a esperança no deserto da desolação".

- "Esperamos com a esperança da Igreja, que é esperança de todos e para todos. A única esperança faz a unidade de Igreja e a constitui sacramento de esperança: sinal de unidade e de salvação de todo o gênero humano. A esperança é a paixão do possível. A esperança faz de nosso ministério o lugar da fidelidade do Reino".