Comissão para o Laicato da Província Eclesiástica de Pouso Alegre se reúne para formação e articulação de atividades

Cristãos leigos e leigas se reuniram, em Pouso Alegre (MG), para formação e articulação de atividades da Comissão para o Laicato das (Arqui)Dioceses de Guaxupé (MG), Campanha (MG) e Pouso Alegre.

 

No último sábado (19), leigos da Província Eclesiástica de Pouso Alegre realizaram formação, partilha e articulação de atividades da Comissão para o Laicato, que atua nas (arqui)dioceses da província.

O encontro foi realizado no Centro de Pastoral Dom José D'Angelo Neto, na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Pouso Alegre. O evento foi assessorado pela senhora Leci Conceição do Nascimento, Presidente do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB) do Regional Leste II da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o qual compreende as (arqui)dioceses mineiras.

O encontro teve como estratégia a aproximação da Presidência do CNLB do Regional Leste II com a província e articular a organização do laicato no Sul de Minas.

Em comunhão com o Regional Leste II da CNBB, a Província Eclesiástica de Pouso Alegre se compromete a se esforçar para dinamizar as atividades e propagar as ações dessa comissão na Igreja.

 

Texto: seminarista Dioni Acácio da Silva
Imagens: André Ferreira Martins

 


Vocação: Graça e Missão

O mês de agosto é especial para toda Igreja Católica no Brasil. Nele, se celebra o mês vocacional ou mês das vocações. Este ano, em especial, celebramos o 3º ano Vocacional do Brasil, com o tema “Vocação: graça e missão” e, com o lema, “Corações ardentes, pés a caminho” (Lc 24,32-33). Desse modo, a Igreja convida a todos para este tempo dedicado à oração, reflexão e ação nas comunidades paroquiais, com foco no fomento da cultura vocacional.

Cada domingo é dedicado à celebração de uma vocação específica – ministros ordenados (bispos, padres e diáconos), família, consagração religiosa, vocação dos cristãos leigos e leigas – aqueles que se dedicam aos serviços pastorais e missionários.

Ao falar sobre a vocação, deparamos sobre a escolha vocacional ou o discernimento vocacional, que é sempre uma experiência de descortinar novas realidades na vida humana. Há quem pense que vocação é coisa apenas de padre ou freira. Há quem imagine que vocação está relacionada com aquele trabalho que menos me “suga” e mais dinheiro eu acumulo. Será que isso tudo é verdade? Como posso ser feliz em minha vocação?

Quando se fala em vocação, estamos tratando de um dom e mistério que Deus dá a cada pessoa humana. É uma dádiva para cada um de seus filhos e filhas. É preciso, no entanto, agradecer por este grande presente e, não deixar de viver cada instante como
um grande milagre. Portanto, a primeira vocação que recebemos de Deus é o dom da vida.

Com o desenvolvimento da vida, nós recebemos, pelo sacramento do Batismo, o dom da fé, com a qual somos chamados à santidade, convite universal. Essa segunda vocação não é coisa só de padre ou de freira. Todo batizado é chamado à santidade.
Pelo Batismo, somos missionários, porque participamos da mesma e única missão de Cristo (sacerdote, profeta e rei). Assim, nosso segundo chamado é à vida cristã.

Ao desenvolver a vida cristã na família e na comunidade eclesial, lugares privilegiados da experiência do seguimento a Cristo, chegamos ao momento de uma opção fundamental para a vida toda. Entra aí o discernimento vocacional. É o modo pelo qual
melhor encontrarei sentido a minha vida e farei a vontade de Deus. Posso ser feliz como cristão leigo ou leiga na família, na Igreja e no mundo do trabalho? É uma linda vocação! Desejo ser feliz como padre, servindo à comunidade, configurando-me a Cristo, o Bom Pastor? Também é um chamado especial. Posso, ainda, escolher pela vida religiosa, sendo freira ou irmão e, consagrar-me a Cristo, Servo e Casto, por meio dos conselhos evangélicos (pobreza, castidade e obediência) e a vida comunitária? É um belíssimo caminho também!

Você poderia se perguntar: qual é a minha vocação? Que escolha posso realizar em minha vida? Estou vivendo bem minha vocação? Quando o assunto é vocação não existe nenhuma “receita pronta” e nem “vocação sem cruz”. Assim, apresento alguns pilares que poderão ajudar na opção vocacional ou vivência da minha e sua vocação.

1 - Abertura à ação de Deus e ao Divino Espírito

A vocação é sempre um dom divino e, nós, seres limitados, necessitamos de sua colaboração sempre. Para tanto, precisamos dos instrumentos que nos conectam ao Senhor: a vida de oração, a busca pelos Sacramentos, a leitura e meditação da Palavra de Deus, a presença na comunidade paroquial. São elementos fundamentais para a descoberta e desenvolvimento de qual é o projeto que o Senhor tem para mim. Sem interioridade não se consegue fazer uma escolha assertiva na vida.

2 - Percepção de dons e aptidões

É preciso que se perceba quais os talentos e dons que tenho. O autoconhecimento me fará perceber qual inclinação marca minha vida. Um exemplo é o jovem que gosta de ajudar nos serviços eclesiais, gosta de conviver com as pessoas e sente-se bem ao ajudar às pessoas. Ele tem aptidões para ser padre. São germes de uma vocação presbiteral. Esses germes de vocação serão aprimorados nos encontros vocacionais e na vida de seminário. O autoconhecimento é indispensável para a vida toda.

3 - Cultivo da liberdade interior

Um terceiro pilar é se me sinto em paz e sereno neste ou naquele estado de vida. Outro exemplo é o daquela jovem que já namora há 6 anos e percebe que o relacionamento confirma o seu desejo pelo casamento. Ela sente-se feliz ao seu lado e não se vê “refém” do namorado. É fundamental fazer escolhas com liberdade interior. É a liberdade interior que sustenta a pessoa nas crises e desafios que acompanham toda vocação. Não existe opção e amadurecimento de uma escolha sem liberdade interior.

4 - Percepção da felicidade no caminho da vida

No mundo atual, existe uma vasta literatura que anuncia a felicidade: em 10 passos, em 5 dias, em alguns segundos. Tudo isso não passa de imediatismo e ilusão. A felicidade não “cai do céu” e nem “vem de paraquedas”. Isso significa dizer que, a felicidade é construída ao longo da vida e a cada amanhecer, a cada conquista. Em outras palavras, “(...) é no meio do caminho e não apenas na meta que se encontra a felicidade (...)”, como diz o pensador francês Gilles Lipovetsky. Imagine, por exemplo, o jubileu de prata sacerdotal daquele padre que foi construído desde a sua família, comunidade paroquial, passando pelo tempo de seminário até chegar a sua ordenação e anos de ministério. Pense ainda, na religiosa que é feliz não somente pelo jubileu de ouro de vida consagrada, mas pelos pequenos “sim” que ela foi dando desde a sua infância, acompanhamento vocacional e passando pela vida no convento e chegando a este momento importante de seu caminho. A felicidade, portanto, está em todo o percurso e não apenas em momentos isolados.

Portanto, vamos viver bem este mês vocacional e buscar fortalecer a opção fundamental na oração, na percepção das aptidões, na busca da liberdade interior e na construção da felicidade, visando sempre a certeza de que Cristo nos chama e nos envia! Viva com alegria a sua vocação!

 

Imagem: Brigitte Werner por Pixabay

 


Presbitério da Arquidiocese de Pouso Alegre se reúne para formação e convivência

O presbitério da Arquidiocese de Pouso Alegre (MG), reuniu-se no Vale de Cássia, em Santa Rita do Sapucaí (MG) para um encontro de formação e convivência. No dia 16 de agosto o encontro foi direcionado aos presbíteros nascidos a partir do ano de 1978. No dia 17, àqueles nascidos antes de 1977.

 

Com o tema “Proximidade e fraternidade do presbítero num cenário em mudança: sinodalidade, inquietações e perspectivas”, o encontro foi promovido pela pastoral presbiteral da arquidiocese com o objetivo de criar um espaço de formação e promover o convívio saudável entre os presbíteros.

Assessorados pelo Pe. João da Silva Mendonça Filho, SDB, os participantes puderam analisar as alegrias e dificuldades de se responder ao chamado de Deus na atualidade, sem esmorecer diante das dificuldades próprias desse tempo.

O encontro foi iniciado às 8h da manhã, com acolhida, café e oração. No período da manhã, o Pe. João Mendonça apresentou os trabalhos realizados no processo do Sínodo dos Bispos, convocado pelo Papa Francisco e que segue em curso nesses tempos da Igreja. Compreendido como um processo de escuta à voz do Espírito, o Sínodo supera qualquer visão meramente formalista ou intelectualista, mas propõe um processo de escuta atenta a todos quantos se sentirem impelidos a contribuírem com esse processo. Foi uma manhã rica em detalhes e aspectos importantes que permitiram a elaboração de uma visão panorâmica do processo sinodal.

Após o almoço e a convivência entre os presbíteros, foi retomada a formação com uma apresentação dos desafios e perspectivas da vida presbiteral. Partindo dos documentos do Papa Francisco, sobretudo dos seus discursos à Cúria Romana e guiados pelo magistério da Igreja no Brasil, a formação suscitou reflexões que trouxeram à tona as dificuldades e alegrias da vivência presbiteral, a beleza do chamado à vida sacerdotal, a convivência no presbitério e com os fiéis leigos e leigas. O encontro encerrou-se num clima de agradável convivência e partilha entre os presentes.

Texto: Pe. Carlos Cézar Raimundo

 

Imagens: Pe. Thiago de Oliveira Raymundo, Pe. Omar Aparecido de Siqueira, Pe Marcos Vinícius da Silva, Pe. Bendito Luciano, Pe. Edson Aparecido da Silva e Darci Madeira


#Reflexão: Solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria (20 de agosto)

A Igreja celebra a Assunção da Virgem Maria, neste domingo (20). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Ap 11,19a;12,1-6a.10ab
Salmo: 44(45),10bc.11.12ab.16 (R. 10b)
2ª Leitura: 1Cor 15,20-27a
Evangelho: Lc 1,39-56

Acesse aqui as leituras.

FESTA DA ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA

A festa da Assunção de Maria é uma solenidade que toca profundamente a nossa realidade humana. Não é somente uma festa de Maria, mas uma esperança para todos nós que compartilhamos da mesma realidade enquanto criaturas de Deus.

A Assunção de Maria é uma festa do valor do corpo. Na nossa fé, professamos a ressurreição do corpo, isto é, Deus não desprezará a nossa realidade total como filhos e filhas, corpo e alma. Tudo que nós somos neste mundo, participará da alegria eterna com Deus, como São Paulo nos lembra na segunda leitura, nos recordando sobre a nossa fé na ressurreição de Cristo e da nossa ressurreição.

Este nosso corpo tão frágil e marcado por tantos limites e muitos pecados, um dia - assim acreditamos - estará em uma realidade de perfeita comunhão na presença de Deus. Realidade que Maria, Mãe de Jesus, em vida já pode experimentar. Em Maria, tal maravilha é antecipada como graça e dom, para aquela que, neste mundo, foi morada do Eterno Deus.

Ela foi preservada da mancha do pecado, por isso, o Anjo de Deus, Gabriel chama Maria de “cheia de graça”, assim era preciso, para que Jesus tive toda a realidade e natureza humana sem a presença do pecado. Um corpo puro para acolher a pureza de Deus; um corpo cheio de graça para gerar, na graça, aquele que é a expressão do amor de Deus. Maria passa a Jesus o melhor da natureza humana, sem pecado e perfeito em Deus, como assim acreditamos, um dia seremos com Deus na eternidade: um corpo ressuscitado.

Na encarnação do Filho de Deus, Maria dá sua carne para que toda promessa do Antigo Testamente se tornasse realidade e visível a toda humanidade. O abraço do homem Jesus, tem tudo do abraço de sua mãe Maria. O Sangue único de Jesus que jorrou e lavou o mundo do pecado é o mesmo sangue de Maria. O DNA de Jesus, partícula humana que nos particulariza no mundo, é o mesmo DNA de Maria.

Maria é a plena beleza entre as criaturas, pois é plena de Deus. Cheia de graça para nutrir em seu ventre, Jesus que depois foi a fonte de graça para as pessoas. Dessa forma, o corpo de Maria torna-se o lugar por excelência da presença de Deus na terra. Lugar físico onde o Filho de Deus se torna um homem. Substituindo o Templo Sagrado, Maria se torna um Templo que vai ao encontro, como no Evangelho, ao visitar sua prima Isabel que somente ao ouvir a voz de Maria, sente já a presença de Jesus Salvador.

Uma Mãe que aprendeu o sentido profundo da doação. Não se apegou ao seu Filho como propriedade exclusiva, mas o preparou para ser de todos. No Evangelho, vemos Maria, que corre depressa para servir uma pessoa. Corre apressada, pois o amor tem pressa de servir e levar Aquele que é o sentido da sua vida. Duas mulheres portadoras de promessas especiais: Isabel, já na velhice, quando não havia mais esperança, recebe um dom de gerar um filho, graça de Deus para ela e Zacarias que se transformará em graça para o povo de Deus, pois terá a missão de anunciar e apontar o Messias esperado; Maria ainda antes de se casar, é agraciada com um dom do Criador de gerar o Filho de Deus.

Nenhuma criatura no mundo teve uma ligação com Deus tão profunda e fecunda como teve Maria. Adão e Eva foram frutos da ação criadora de Deus. Em Maria, tudo aconteceu no seio da mais santa criatura da terra: Maria, Mãe de Jesus. Uma nova criação, um novo momento único na humanidade onde tudo começa a ser novo e especial no corpo de uma jovem mulher de Nazaré. É a única criatura que existiu no mundo que pode se dirigir ao Senhor Deus, centro do universo, e chama-Lo de Meu Filho e Meu Deus!

Jesus, antes de doar-se completamente aos outros, recebeu tudo da humanidade de sua mãe, Maria. Ela doou o melhor da humanidade para formar o corpo do seu Filho Jesus. Ela O alimentou e O aqueceu como faz toda mãe. Ofereceu o melhor de si para que em um lar, o Filho de Deus pudesse experimentar a maravilha de fazer parte de uma família.

Foi também discípula, ouvindo atenta Aquele que ela mesma ensinou as coisas pequenas, belas e significativas da vida dentro de sua casa. Aos pés da cruz, ela também estava lá no meio de outras mulheres, mas como única e exclusiva Mãe do Redentor. No seu silêncio, faz a experiência que seu Filho Jesus abraçou com toda liberdade e paixão: entrega total e sem limites. Antes de Jesus se entregar nos braços do Pai na Cruz, sua Mãe já o havia entregue a toda humanidade.

Maria aprendeu desde cedo que devia preparar seu filho Jesus para toda humanidade. Que havia uma vontade muito maior que o seu desejo de Mãe: ver o seu Filho sempre bem. Na vida de Maria, tudo teve início com a frase: “faça-se segundo a sua Palavra (vontade)”, na Cruz, ela renova esta mesma entrega a Deus.

O Corpo de Maria, inegavelmente, foi envolvido por Deus para nele e a partir dele, a humanidade conhecesse o Salvador. Assim, Maria e o seu corpo estão profundamente envolvidos na obra salvadora de Deus.

Por isso, desde o início da caminhada cristã, acredita-se que Maria não teve um final como mais um neste mundo. Um corpo especialmente preparado para ser mãe do Filho de Deus não poderia conhecer a corrupção da carne reservado como a nós, simples pecadores. O Criador não jogaria fora ou desprezaria aquilo que Ele próprio criou e preparou de um modo tão especial para ser a Mãe do Salvador. O final da vida de Maria estava completamente vinculado ao destino do seu próprio Filho Jesus e não como mais uma simples criatura neste mundo.

O autor do Apocalipse, para expressar uma realidade que está além da história deste mundo, nos mostra uma Mulher no céu. Está grávida, prestar a dar à luz. Onde Deus e a humanidade celebram o máximo da vida, também aparece o Mal (dragão), mas nada consegue, pois a Mulher é protegida no céu: está cercada com tudo que há de mais forte da parte de Deus. A Mulher permanece criatura, mas plenamente de Deus, intocada pelo Mal, pois é protegida no céu e na terra. Certamente, João se inspirou na Mãe de Jesus, Maria, para representar esta realidade tão humana, mas plenamente pertencente a Deus.

Como Cristo Jesus, seu Filho, venceu a morte e não conheceu a corrupção do corpo, mas ressuscitou, Maria, sua mãe, teria sido preservada do destino comum dos homens. Ao término de seus dias, ela foi elevada de corpo e alma aos céus. Final digno para aquela chamada pelos Céus de “cheia de graça”; esperança para todos nós que somos filhos e filhas no próprio Filho de Deus e de Maria.

Faça o download da reflexão em pdf.


Assunção de Nossa Senhora: a mãe do povo elevada aos céus

“Mãezinha do céu, eu não sei rezar. Eu só sei dizer: eu quero te amar. Azul é seu manto, branco é seu véu, Mãezinha, eu quero te ver lá no céu, Mãezinha, eu quero te ver lá no céu!” Aprendi esta canção quando era bem pequena. Com certeza, alguém cantou para me ensinar. Quando embalava meus filhos ainda pequenos, cantava esta canção para eles dormirem. Hoje, canto para meu netinho... Uma canção simples e singela, que fala da Mãezinha do Céu, a Mãe de Jesus (e nossa Mãe) que mora no céu.  Na simplicidade das coisas de Deus, encontramos a grandeza do seu amor.

Maria foi levada ao céu, não por sua grandeza, mas por sua humildade. Ela foi escolhida para ser a Mãe do Salvador por sua simplicidade e foi obediente à vontade do Senhor, fazendo-se a serva humilde. Sua maternidade não a levou a se sentir mais importante do que as outras pessoas, ao contrário, logo que soube de sua gravidez e da gravidez de sua prima Isabel, foi apressadamente ajudá-la nos serviços de casa, esquecendo-se de si e doando-se à sua prima idosa. Tão logo concebeu o Salvador, entendeu qual é a lógica de Deus: “quem quiser ser grande, deve se tornar o servidor” (Mt 20,26). E assim Maria agiu em toda a sua vida, servindo e se abrindo ao projeto do Criador.

Em 15 de agosto de 2021, o Papa Francisco, na Oração do Ângelus, fez a seguinte reflexão: “Foi sua humildade que atraiu o olhar de Deus sobre ela. Maria, na sua pequenez, é a primeira a conquistar os céus. O segredo do seu sucesso reside em reconhecer-se pequena, em reconhecer-se necessitada. O olhar humano procura sempre a grandeza e fica deslumbrado com o que é ostensivo. Deus, ao contrário, não olha para as aparências, Deus olha para o coração (cf. 1 Sm 16, 7) e encanta-se com a humildade. Hoje, olhando para a assunção de Maria, podemos dizer que a humildade é o caminho para o céu. A palavra “humildade” deriva do termo latim humus, que significa “terra”. É paradoxal: para chegar ao alto, ao céu, é preciso permanecer baixo, como a terra! Jesus ensina: “aquele que se humilha será exaltado” (Lc 14,11). Deus não nos exalta pelos nossos dons, pelas riquezas, pela capacidade, mas pela humildade; Deus é apaixonado pela humildade. Deus eleva aqueles que se abaixam, que servem”.

No dia 1 de Novembro de 1950, o venerável Papa Pio XII proclamou como dogma que a Virgem Maria, “concluindo o curso da vida terrena, foi elevada à glória celeste em alma e corpo”. Esta verdade de fé era conhecida pela Tradição, afirmada pelos Padres da Igreja e representava, sobretudo, um aspecto relevante do culto prestado à Mãe de Cristo. Maria foi levada de corpo e alma ao céu, ou seja, à glória da vida terrena, à comunhão completa e perfeita com Deus. Este é o núcleo da nossa fé na assunção: nós acreditamos que Maria, como Cristo, seu Filho, já venceu a morte e já triunfa na glória celeste, na totalidade do seu ser, “de corpo e alma”.

Conforme uma reflexão do Papa Bento XVI, no ano de 2012, o motivo pelo qual Maria é glorificada com a assunção ao céu, de acordo com o evangelho de São Lucas, vê a raiz da exaltação e do louvor à Maria na expressão de Isabel: “bem-aventurada aquela que acreditou” (Lc 1, 45). E o Magnificat, este cântico ao Deus vivo e em ação na história, é um hino de fé e de amor, que brota do coração da Virgem. Ela viveu com fidelidade exemplar e conservou no mais íntimo do seu coração as palavras de Deus ao seu povo, as promessas feitas a Abraão, Isaac e Jacó, fazendo delas o conteúdo da sua oração. No Magnificat, a Palavra de Deus tornou-se a palavra de Maria, lâmpada do seu caminho, de maneira a torná-la disponível a acolher também no seu seio o Verbo de Deus que se fez carne (...) aqui há uma referência particular ao segundo livro de Samuel no capítulo 6 (1-15), onde Davi transporta a Santa Arca da Aliança. O paralelo que o evangelista faz é claro: Maria à espera do nascimento do Filho Jesus é a Arca Santa que traz em si a presença de Deus, que é fonte de consolação, de alegria plena. Com efeito, João dança no seio de Isabel, precisamente como Davi dançava diante da Arca. Maria é a visita de Deus que cria júbilo. Maria é aurora e esplendor da Igreja triunfante, ela constitui a consolação e a esperança para o povo ainda a caminho”.

Ainda com as palavras do Papa Bento XVI: “Confiemo-nos à sua intercessão materna para que, através do Senhor, fortaleçamos a nossa fé na vida eterna; ajude-nos a viver bem o tempo que Deus nos oferece com esperança. Uma esperança cristã, que não é apenas saudade do céu, mas desejo vivo e concreto de Deus aqui no mundo, desejo de Deus que nos torna peregrinos incansáveis, alimentando em nós a coragem e a força da fé, que é, ao mesmo tempo, coragem e fortaleza do amor”.

A festa da assunção se tornou uma das festas mais importantes do ano litúrgico da Igreja. É celebrada no dia 15 de agosto, mas no Brasil esta festa é transferida para o domingo seguinte, para que todos possam participar solenemente.

Ao celebrar tão importante solenidade, possamos seguir o exemplo da Mãezinha do Céu na simplicidade, no amor, na escuta atenta à Palavra, na obediência e na humildade. E, todas as vezes que rezarmos a Ave Maria, renovemos nosso desejo ardente de querer, um dia, vê-la no Céu! “Mãezinha do céu, Mãe do puro amor, Jesus é teu Filho, eu também o sou. Azul é seu manto, branco é seu véu. Mãezinha, eu quero te ver lá no céu. Mãezinha, eu quero te ver lá no céu!”

Referências:

www.hf_ben-xvi_hom_20120815_assunzione

www.papa-francesco_angelus_20210815 Assunção

Referência da imagem:

https://www.vaticannews.va/pt/feriados-liturgicos/assuncao-de-nossa-senhora.html


Após pandemia, CAP se reúne presencialmente

Neste sábado (12), aconteceu reunião do Conselho Arquidiocesano de Pastoral (CAP), no Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora Auxiliadora, em Pouso Alegre (MG). Com a retomada das atividades pastorais presenciais depois da pandemia, foi realizada a primeira reunião presencial desse conselho, após 3 anos de reuniões virtuais.

 

O CAP é um conselho que auxilia na reflexão e encaminhamentos pastorais em âmbito arquidiocesano. É composto pelo arcebispo, dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R.; o coordenador arquidiocesano de Pastoral, padre Edson Aparecido da Silva; coordenadores e secretários dos setores pastorais e os coordenadores e assessores espirituais das pastorais, movimentos, ministérios e conselhos pastorais arquidiocesanos.

Desde março de 2020, devido à pandemia da COVID-19, as reuniões do CAP foram realizadas de modo virtual. Com a retomada das atividades pastorais presenciais, após a pandemia, esse conselho realizou sua primeira reunião presencial neste sábado (12), depois de 3 anos de atividades virtuais.

A reunião foi conduzida pelo padre Edson e assessorada pela secretaria de Pastoral, Lucimara do Carmo Aparecido. Inicialmente, os participantes rezaram e meditaram Ef 2,13-16. Em seguida, dom Majella acolheu os presentes. Além disso, o psicólogo Édio Kessler realizou uma dinâmica de interação sobre motivação e gestão de pessoas. Após a leitura da ata da última reunião, realizada no dia 6 de maio de 2023, os participantes se apresentaram.

Dom Majella iniciou a pauta da reunião, apresentando uma reflexão sobre a mística do encontro, para fortalecer as atividades sinodais na arquidiocese.

O arcebispo convidou os membros do CAP a avaliarem a sua vivência de fé, o diálogo com a cultura humana e o esforço para a conversão. Para ele, as atividades sinodais devem levar a uma espiritualidade cristã mais humana e aberta por meio da mística do encontro, da escuta e do diálogo. Dom Majella disse que o Sínodo Arquidiocesano não é para tomar decisões. O Sínodo deve ser uma oportunidade para fortalecer a espiritualidade missionária na Igreja Particular de Pouso Alegre. Chamou a atenção para os diversos caminhos de peregrinos presentes na arquidiocese, os quais podem ajudar a fortalecer a espiritualidade, a acolhida e o encontro. Pediu que os cristãos leigos, clérigos e religiosos não fiquem à margem da realidade humana vivenciada na Arquidiocese de Pouso Alegre e fortaleçam a espiritualidade, deixando de lado a frieza e a rigidez. Convidou a todos a continuarem, com alegria e esperança, as atividades pastorais nas comunidades, paróquias e setores, sempre dispostos à proximidade, à escuta, ao diálogo.

Além disso, o arcebispo destacou em sua reflexão que o CAP, lamentavelmente, perdeu membros durante a pandemia do COVID-19 e outros membros passaram, recentemente, por situações difíceis com a perda de familiares. Por isso, manifestou a solidariedade da Arquidiocese de Pouso Alegre diante das dores vivenciadas nos últimos anos pelos membros do CAP, os fiéis e a sociedade.

Padre Mauro Ricardo de Freitas, secretário executivo do 1º Sínodo Arquidiocesano, apresentou um balanço das ações sinodais realizadas atualmente, principalmente nos setores pastorais.

Fábio Menegon, do Conselho Missionário Diocesano (COMIDI), falou sobre os próximos eventos missionários que acontecerão em âmbito nacional, no Regional Leste 2 e na Arquidiocese de Pouso Alegre. Padre Rafael Pires Xavier, atual assessor eclesiástico do COMIDI, explicou como será o encontro com membros de Conselhos Paroquiais Missionários (COMIPA’s), a ser realizado no dia 24 de setembro, e a Semana Missionária, no próximo mês de outubro.

Padre Edson pediu que os membros do CAP enviem, até 31 de outubro, um relatório das atividades pastorais com conquistas e desafios de seus grupos.

Padre Felipe Mateus da Silva, assessor da Comissão a Serviço da Vida Plena para Todos, convidou para o próximo Fórum Social Arquidiocesano, que será realizado no dia 3 de setembro.

Kelly Almeida Nicácio do Prado descreveu as últimas atividades da Dimensão Bíblico-catequética, que retoma atividades presenciais. Apresentou as próximas ações dessa dimensão e pediu que o Dia do Catequista seja celebrado nas paróquias da arquidiocese. Além disso, expôs uma avaliação do “Crisma Fest”, realizado no dia 28 de maio, no Seminário Arquidiocesano de Pouso Alegre.

Maria Cristina de Souza Faria partilhou as ações realizadas na arquidiocese e no Regional Leste 2 sobre a Animação Bíblica da Pastoral. Explicou que será formada uma comissão em âmbito arquidiocesano para fortalecer a animação bíblica, envolvendo representantes das comunidades eclesiais missionárias e grupos pastorais. Pediu que o Mês da Bíblia seja celebrado nas comunidades e paróquias, por meio de encontros de formação e celebração. Neste ano, a Igreja Católica no Brasil pede a reflexão sobre a Carta aos Efésios. Dom Majella pediu que haja grupos de estudo desse livro bíblico nas comunidades e paróquias.

Novos membros do CAP se apresentaram. Paulo José Andery Filho assumiu recentemente a assessoria do Movimento Mãe Rainha. Ele pediu que haja uma reestruturação desse movimento na arquidiocese.

Os membros do conselho também fizeram uma avaliação da Romaria Arquidiocesana, realizada no dia 1º de julho. A data da próxima romaria foi divulgada. Em 2024, ela será realizada no dia 6 de julho.

Marcelo Barbosa da Silva, representante da Comunidade Javé Nissi, explicou a participação de membros dessa comunidade na 2ª Conferência do Charis, ocorrido nos dias 28 a 30 de julho, na Comunidade Canção Nova, em Cachoeira Paulista (SP).

Dalva Rangel da Veiga Neri, do Conselho Regional do Laicato, vinculado ao Conselho Nacional do Laicato (CNLB), apresentou as atividades desse conselho. Explicou que haverá visitas de membros do CNLB às províncias eclesiásticas do Regional Leste 2 para fortalecer conselhos existentes e criá-lo nas (arqui)dioceses onde ainda não existe. Na Província Eclesiástica de Pouso Alegre, haverá reunião com a participação de Leci Conceição do Nascimento, presidente do CNLB no Regional Leste 2, no dia 19 de agosto, na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Pouso Alegre.

Cônego Mauro Morais, Laércio Batista Guedes e Francini Sales Silva Batista apresentaram as atividades da Pastoral Familiar. Destacaram o processo de reorganização da Catequese Matrimonial na Província Eclesiástica de Pouso Alegre e incentivaram a realização da Semana da Família nas paróquias, de 13 a 19 de agosto, e a Semana Nacional da Vida, de 1º a 7 de outubro. Leram também a carta de dom Bruno Elizeu Versari, presidente da Comissão Episcopal para a Vida e a Família e bispo de Campo Mourão (PR), do dia 8 de agosto de 2023. Dom Bruno pediu, em sua carta, orações pela não aprovação da ADPF 442 e preces pelos nascituros. Além disso, sugere a criação nas dioceses e paróquias da Comissão de Serviço à Vida.

Padre Marcos Roberto da Silva, coordenador da Comissão Arquidiocesana para a Liturgia (CAL), falou sobre a 3ª Semana Arquidiocesana de Liturgia, realizada de 17 a 21 de julho. Destacou as reflexões realizadas nesse evento sobre o tema “Caridade: Liturgia a serviço da vida” e lema “Tudo o que fizerdes ao menor dos meus irmãos, foi a mim que fizestes” (Mt 25,40). Outros temas também foram abordados: a celebração dos 60 anos da Sacrosanctum concilium e a liturgia da caridade; orientações para acolhida e celebrações nas comunidades; o ecumenismo; a Carta Apostólica Desiderio desideravi, do papa Francisco, e o sacramento da caridade.

Padre Fabiano José Pereira, coordenador da Pastoral Vocacional, apresentou as atividades da Jornada Vocacional, que está sendo realizada na arquidiocese, animada pela realização do 3º Ano Vocacional do Brasil. Além disso, pediu participação nas atividades dessa pastoral, a serem realizadas ainda neste ano.

Leandro Benedito Ferreira, participante do Setor Juventude e representando o padre Robson Aparecido da Silva, apresentou uma avaliação e testemunho sobre a 3ª Missão Jovem, realizada de 7 a 9 de julho, em Brazópolis (MG). Para ele, o evento missionário reuniu diferentes grupos da juventude e foi uma expressão de comunhão entre os jovens.

Padre Sebastião Márcio Maciel falou sobre o 18º Encontrão Vicentino, realizado no dia 24 de julho, em Pouso Alegre. Fiéis do Sul de Minas, ligados à Sociedade de São Vicente de Paulo, refletiram tema relacionado à visita aos pobres e celebraram o carisma da caridade. O padre também expôs as próximas atividades das conferências vicentinas.

Dalva Rangel da Veiga Neri explicou como será o Encontro Provincial das Comunidades Eclesiais de Base, a ser realizado de 8 a 10 setembro, em Passos (MG).

Rosa Helena Arnaldo, da Pastoral do Dízimo, destacou as atividades de assessoria que estão sendo realizadas na arquidiocese, com o apoio do padre Rafael Gouvêa Domingues, por meio de reuniões, subsídios e formações.

Ao final do encontro, padre Edson apresentou encaminhamentos pastorais a serem realizados sobre os Círculos Bíblicos (v. 42), orçamentos, prestações de contas e planejamento 2024. A próxima reunião do CAP será no dia 11 de novembro, às 9h, de modo online.

Com a bênção de dom Majella e agradecimento aos voluntários que ajudaram na organização da reunião, os membros do CAP participaram de almoço de confraternização.

 

Texto: padre Thiago de Oliveira Raymundo
Imagens: Dioni Acácio da Silva

 

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Santa Clara de Assis: amiga da pobreza

Uma mulher de coragem, rica na fé e na entrega a Deus torna-se uma grande santa de nossa Igreja, falamos de Santa Clara de Assis.

Nascida no ano de 1193 na Itália, Clara pertencia a uma família muito rica e nobre. Porém, renunciou toda a riqueza de sua família para assumir a pobreza e a humildade pregada por Francisco de Assis.

Ao completar 18 anos, Clara estava destinada ao casamento planejado por seus pais, mas, inspirada em seu amigo Francisco, deixou sua casa para assumir a vida religiosa, tornando-se virgem esposa de Cristo, humilde e pobre e que até hoje inspira na Igreja a vocação das virgens consagradas.

No início de sua vida religiosa, bem como em toda sua vida, Santa Clara pode contar com a amizade de São Francisco seguindo sempre seus ensinamentos, mostrando-nos que a amizade em Deus é um belo caminho de perfeição e santidade.

Clara se instalou com suas primeiras irmãs na Igreja de São Damião, na qual os frades menores tinham providenciado um pequeno convento para elas. Ali viveu durante mais de quarenta anos, até sua morte, no ano de 1253. Foi fundadora da Segunda Ordem ou Clarissas.

Ela praticou de modo assíduo as virtudes da humildade, da penitência, piedade e sobretudo, a caridade. Sua fé na presença real de Jesus na Eucaristia era tão profunda, que em duas ocasiões foram comprovados fatos milagrosos. Com o Santíssimo Sacramento em um ostensório, afastou os soldados mercenários sarracenos, que estavam a ponto de invadir o convento de São Damião e de destruir a cidade de Assis.

Clara foi canonizada no dia 15 de agosto de 1265 pelo papa Alexandre IV e hoje é conhecida e venerada em todo o mundo, tendo sua festa litúrgica no dia 11 de agosto. É também a padroeira da televisão.

Olhando para a vida de Santa Clara aprendemos que a santidade se dá pela entrega sincera do coração a Jesus, assumindo em nossa vida o desapego, a humildade, a caridade e o amor a Jesus, presente na Eucaristia. Inspirados por esta grande mulher, podemos trilhar também um caminho seguro rumo ao céu.

Oração

Ó Deus, que chamastes Santa Clara de Assis para uma vida de total entrega ao Senhor servindo-o de todo coração na pobreza, humildade e no serviço aos irmãos, chamai-nos também para assumirmos em nossa vida o compromisso cristão da santidade. Inspirai, nós vos pedimos, santas vocações em vossa Igreja, por Cristo Nosso Senhor. Amém. Santa Clara de Assis, rogai por nós!

 

Referências:

Santa Clara de Assis. Disponível em: <https://franciscanos.org.br/carisma/calendario/santa-clara-de-assis#gsc.tab=0>.

Imagem: https://www.vaticannews.va/pt/santo-do-dia/08/11/s--clara-de-assis--fundadora-das-clarissas.html


O fundamento das Pastorais Sociais da Igreja Católica – Parte II

“Essa situação de extrema pobreza generalizada, adquire,
na vida real, feições concretíssimas, nas quais deveríamos reconhecer
a face de Cristo sofredor que nos questiona”.
Puebla, 30

 

Compreensão básica de Pastoral Social

 

No artigo anterior, falei da centralidade da ação social para a fé cristã, como forma de viver a caridade. Falei também que a ação social da Igreja para ser, de fato, caridade precisa ir além do assistencial e da promoção, embora isso também seja necessário. Disse também que é preciso ser uma ação transformadora da sociedade a partir de suas estruturas e que a transformação estrutural da sociedade sofrerá reação dos que detém o poder e são beneficiados pelas estruturas assim como elas se encontram. Para isso, apresentei que os agentes das Pastorais Sociais devem estar bem preparados tanto tecnicamente como do ponto de vista da fé. É preciso uma espiritualidade do enfrentamento social.

Leia a parte I da reflexão do padre Paulo Adolfo Simões sobre as Pastorais Sociais.

No texto atual, trato especificamente sobre a Pastoral Social. A Pastoral Social é uma diaconia ou (colabor)ação organizada da Igreja na realização da justiça social, em vista das necessidades e dos direitos dos pobres e marginalizados de nossa sociedade. Por um lado, sua ação é como denúncia e enfrentamento de toda forma de injustiça, exploração, discriminação e marginalização, bem como dos mecanismos que produzem essas situações. Por outro lado, é de anúncio eficaz de uma nova forma de organização da sociedade: insiste na inaceitabilidade da injustiça social; mobiliza pessoas e grupos a lutarem por seus direitos e a buscarem e criarem alternativas de vida; articula e projeta essas lutas e alternativa; fortalece as lutas populares concretas com a força social da Igreja e explicita e potencializa o caráter salvífico dessas lutas.

É preciso compreender que as estruturas da sociedade não são simplesmente estruturas econômicas, políticas, sociais, culturais, de gênero, entre outras. São também estruturas teologais nas quais se manifesta Graça Divina ou o pecado. É preciso também ter presente que a consciência explícita dessa problemática e desse desafio é relativamente recente na Igreja, embora a Sagrada Escritura e a Tradição da Igreja já apontem sobejamente para a questão. Haja vista as denúncias dos profetas contra a acumulação de riquezas, contra a violação do direito das viúvas nos tribunais, contra a espoliação dos bens dos pequenos e, sobretudo, em sua defesa radical do direito do pobre, do órfão, da viúva e do estrangeiro. Lembremo-nos da Doutrina Social da Igreja (DSI) e de seus princípios. Contudo, a consciência explícita das questões sociais começa a se desenvolver na Europa no século XIX.

Um marco importante no surgimento da consciência da dimensão estrutural da fé foi o “catolicismo social” que se desenvolveu no contexto da revolução industrial e da situação da classe e do movimento operários nascentes. É nesse contexto que se insere a encíclica Rerum Novarum, do papa Leão XIII (1891), que trata da condição dos operários e se torna o “texto fundador” da DSI. Essa consciência ganha novo impulso, novas perspectivas e novas dimensões com o Concílio Vaticano II (1962-1965) e a Constituição Pastoral Gaudium et spes (1965), sobre a Igreja no mundo de hoje. Além disso, é na Igreja da América Latina e a partir dela que essa consciência se torna mais explícita e é levada às últimas consequências, tanto em termos teológicos, quanto em termos pastorais. A Conferência de Medellín (1968) já falava de “estruturas opressoras”, “estruturas injustas”, “violência institucionalizada”. A Conferência de Puebla (1979) reconhece que a pobreza “não é uma etapa casual, mas sim o produto de determinadas situações e estruturas econômicas, sociais e políticas” e fala explicitamente de “dimensão social do pecado”, de “estruturas de pecado” ou de “pecado social”.

Essas intuições, que depois vão foram aprofundadas e desenvolvidas na reflexão teológico-pastoral na América Latina e assumidas, em grande medida, pelo magistério oficial para o conjunto da Igreja, estão na base do engajamento de cristãos, comunidades, grupos e mesmo da Igreja enquanto instituição nos mais diversos processos de organização e luta populares ou do que se convencionou chamar de "Pastoral Social", enquanto dimensão socioestrutural da caridade cristã.

O engajamento da Igreja na transformação das estruturas socais dá-se de diversos modos: na atuação de cristãos em diversos movimentos e organizações sociais (serviços, pastorais e organismos de apoio, acompanhamento e defesa de setores marginalizados e de suas lutas e organizações populares) ou pela tomada de posição da Igreja enquanto instituição e força social através da hierarquia e de seus organismos de comunhão pastoral (bispos, conferências episcopais, coordenações e articulações pastorais, entre outros). Podemos citar o engajamento de milhares de cristãos nas mais diversas lutas sociais (terra, água, moradia, educação, saúde, liberdade política, igualdade racial e de gênero e justiça socioambiental) e nas mais diversas organizações populares (sindicatos, associações, partidos e movimentos populares). A tomada de posição pública de Igrejas locais em favor de comunidades, grupos ou setores injustiçados e marginalizados, os diversos serviços, organismos e pastorais sociais criados na Igreja para acompanhar determinados grupos e setores sociais marginalizados e colaborar com suas lutas e organizações sociais; a tomada de posição da Igreja do Brasil como instituição frente a determinados acontecimentos; a promoção e participação em campanhas, eventos e processos de discussão e mobilização sociais em torno de direitos fundamentais negados ou de mecanismos que produzem injustiça; discussões, articulações e mobilizações em âmbito mundial dentro da Igreja e da Igreja com diversas forças sociais.

Por fim, é preciso ressaltar que nem toda ação, serviço social ou ajuda aos pobres e marginalizados, por mais nobre e evangélico que seja, é, sem mais, uma Pastoral Social. O que caracteriza uma Pastoral Social é seu intento de interferir na organização da sociedade e transformá-la a partir e em vista das necessidades e dos direitos e pobres e marginalizados, como nos ensina o Evangelho.

 


Padres e leigos da Arquidiocese de Pouso Alegre participam da 3ª Peregrinação do Clero

De 6 a 8 de agosto, 19 peregrinos, padres e cristãos leigos, participaram da 3ª Peregrinação do Clero, percorrendo o "Caminho da Prece", localizado nos municípios de Jacutinga, Ouro Fino, Inconfidentes, Tocos do Mogi e Borda da Mata.

 

A Peregrinação do Clero é um evento promovido pela Pastoral Presbiteral e a Secretaria Arquidiocesana de Pastoral, organizado pelos padres Edson Aparecido da Silva e Thiago de Oliveira Raymundo, que procura fortalecer a espiritualidade e a vocação dos padres por meio da experiência de peregrinações.

Os peregrinos, ao longo dos 70 Km do "Caminho da Prece", vivenciaram momentos de espiritualidade ao caminharem com mais pessoas, serem acolhidos por fiéis de comunidades rurais e urbanas, rezarem em várias capelas e igrejas, contemplarem a beleza da Casa Comum, partilharem experiências de fé, alcançarem objetivos, vivenciarem a simplicidade, deslocarem-se por longas distâncias, experimentarem a superação e fortalecerem a vocação cristã e presbiteral.

As paróquias Santo Antônio (Jacutinga), Santo Antônio (Ouro Fino), São Geraldo Magela (Inconfidentes) e Nossa Senhora do Carmo (Borda da Mata) apoiaram o evento. Os padres Alexandre Acácio Nogueira, Adilson Antônio Firmino, Genésio Donati Prado, João Bosco de Freitas, Fábio de Souza Leão, Adilson da Rocha, Samuel Araújo Ferreira e Rafael Silva Pires Xavier, que trabalham nessas paróquias, acolheram os peregrinos, com o apoio voluntário de fiéis das comunidades.

Em sintonia com o 3º Ano Vocacional, promovido na Igreja Católica no Brasil, os peregrinos refletiram durante o evento o tema "Caminhar juntos: vocação, graça e missão".

No dia 8 de agosto, na Basílica de Nossa Senhora do Carmo, em Borda da Mata, dom José Luiz Majella Delgado, CSsR, arcebispo metropolitano de Pouso Alegre, os padres Adilson da Rocha (reitor), Samuel Araújo Ferreira e Rafael Silveira Pires Xavier (vigários) e os fiéis da paróquia acolheram os peregrinos no encerramento da 3ª Peregrinação do Clero.

No encerramento da 3ª Peregrinação do Clero, foram anunciados a data e o caminho escolhidos para a próxima edição do evento. A escolha se deu por meio de votação entre os peregrinos. A 4ª Peregrinação do Clero será no dia 5 de agosto de 2024 e será no "Caminho das Graças", de 34 Km, passando por Borda da Mata, Tocos do Mogi e Bom Repouso.

 

Veja mais fotos do evento, aqui!

 

Texto: padres José Luiz Faria Junior e Thiago de Oliveira Raymundo

Fotos: Peregrinos e Pastoral da Comunicação / Paróquias Santo Antônio (Jacutinga), São Geraldo Magela (Inconfidentes), Nossa Senhora do Carmo (Borda da Mata).


#Reflexão: 19º domingo do Tempo Comum (13 de agosto)

A Igreja celebra o 19º Domingo do Tempo Comum, neste domingo (13). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: 1Rs 19,9a.11-13a
Salmo: 84(85),9ab-l0.11-12.13-14 (R. 8)
2ª Leitura: Rm 9,1-5
Evangelho: Mt 14,22-33

Acesse aqui as leituras.

JESUS QUE CAMINHA SOBRE AS ÁGUAS

O Evangelho deste domingo revela muitos particulares na vida dos apóstolos e da Igreja de Cristo. No símbolo da barca, vemos muito bem ilustrada a nossa realidade de discípulos, constantemente atingida por tempestades e ventos impetuosos. Mas, Jesus nos apresenta o caminho para continuarmos perseverando nesta viagem como evangelizadores.

Mateus nos diz que todos tinham experimentado o grande milagre da multiplicação dos pães e peixes. Mais uma vez, os apóstolos viram o poder e a força de Jesus em promover um sinal espetacular que atingiu milhares de pessoas. Estar ao lado de Jesus com todo aquele poder era fascinante e, ao mesmo tempo, tranquilo: qualquer desafio ou problema bastava apresentar a Jesus e Ele faria o resto. Nem o Mal tinha vez e muitos endemoniados foram libertos de suas prisões espirituais.

Mas, Jesus sabia que Ele não iria ficar por muito tempo com os seus. Era necessário prepará-los para a difícil missão que iria iniciar quando Ele partisse. Assim, o evangelista Mateus descreve com particularidade o que Jesus fez e o que aconteceu com os discípulos.

Era necessário que cada um revisse a profundidade da fé no Mestre Jesus. Por isto, Nosso Senhor “obrigou” os discípulos a iniciarem uma viagem sem a Sua presença física. Um detalhe: antes do milagre da partilha dos pães e peixes, os discípulos tinham sugerido para Jesus “despedir” as multidões, agora são os apóstolos que são mandados à frente sem Jesus. Certamente, eles não queriam se distanciar da segurança que representava estar ao lado de Jesus. Mateus nos diz que neste tempo, Jesus se despede da multidão. A experiência dos pães e peixes deixou todos com uma alegria imensa que Jesus não poderia simplesmente “ir embora” sem abraçar cada pessoa. Foi a oportunidade de cada um teve de expressar o seu agradecimento e carinho a Jesus.

Longe dos discípulos (que já tinham partido) e da multidão, Jesus se retira para rezar. Oração para Cristo era estar na presença amorosa de Deus, levando o abraço de cada um e renovando a sua energia nos braços de Deus Pai. Mateus nos diz que a oração foi na profunda intimidade com Deus sem ninguém e durou toda a noite. Jesus descansava de suas atividades no silêncio da oração junto a Deus.

 Durante a noite, os discípulos já estavam no meio do lago e este começa a se agitar com ondas e fortes ventos. Eles estavam acostumados com barcos e tempestades, eram pescadores habituados com a violência das águas, mas tudo se mostrava muito mais forte sem a presença de Jesus. Tinham perdido a segurança dos pescadores e a tranquilidade que tinham quando estavam com Jesus.

Quando a noite estava já terminando (horário em que a luz do sol vence a escuridão da noite), Jesus veio em direção da barca onde estavam. Aqueles homens que tinham experimentado o poder e a força de Jesus diante de tantos desafios tinham também se esquecido do rosto amoroso do Mestre Jesus. Para todos, os problemas e os desafios de uma realidade que conheciam (agitação das águas do lago) se revelaram mais fortes que a confiança em Cristo. A fé que todos possuíam ainda estava associada a sinais de poder, milagres e curas e não propriamente na pessoa de Jesus.

Estavam tão absorvidos pelos ventos contrários e as fortes ondas que nem perceberam que Jesus estava novamente próximo deles. Ao verem Jesus que caminhava sobre as águas, eles se mostraram, mais uma vez, desorientados concluindo que se tratava de um fantasma e nem se lembraram do Mestre que eles conheciam.

Para os apóstolos, quando tudo estava em ordem, era muito fácil expressar confiança e fé em Jesus. Após a ressurreição de Cristo, era necessário que os apóstolos estivessem preparados para enfrentar a ausência física do Mestre Jesus. A fé teria que ser algo que fosse além dos desafios e diversidades. Do outro lado do lago, estava a terra dos pagãos: pessoas que não possuíam a mesma fé judaica. Esta foi a missão da Igreja de Jesus desde o início: evangelizar todos os povos e nações em todos os cantos da terra.

Jesus procura tranquilizar todos afirmando ser o mesmo Mestre que conheciam e por isto, não precisavam mais ter medo. Os discípulos ainda não estavam prontos para a missão. A solicitação de Pedro mostra ainda a insegurança de todos. O pedido do apóstolo pescador é semelhante às palavras do tentador de Jesus no deserto: “Se tu és (Filho)...”. O medo que estavam enfrentando quase que tinha cancelado até as mínimas certezas sobre Mestre Jesus. Eles conheciam Jesus em diversas situações, mas não desafiando as águas agitadas do lago, caminhando sobre elas.

Mas, Jesus é paciencioso inclusive com os apóstolos e se sujeita a proposta de Pedro para ensiná-lo o que é fundamental. O apóstolo propõe ao Mestre o que Ele deveria fazer. Era uma ordem para contentar a falta de confiança nas palavras de Jesus. O Mestre teria que se sujeitar aos caprichos do discípulo para provar quem Ele era. O pedido ainda tinha uma solicitação importante: “... ir sobre as águas até junto de ti!”. Ele possui um bom objetivo final, mas o meio para realizá-lo não era nada fácil.

Pedro sai da barca no meio do lago. Com seu olhar fixo em Jesus, ele faz o mesmo que o Mestre, mas ao iniciar seu caminho, o apóstolo volta a se preocupar com o vento e as ondas. Jesus estava ali e próximo do apóstolo, mas ele dá mais importância ao que está acontecendo ao redor. Ele começa a afundar porque novamente se esqueceu do Mestre Jesus e passa a considerar o tumulto das águas algo mais importante que Jesus.

 Jesus tinha convidado Pedro para ser “pescador de homens” e ele é que acabou sendo salvo (pescado) por Jesus das águas do lago agitado. O grito do apóstolo (“salva-me, Senhor!”) recoloca a confiança de Pedro no justo lugar: em Jesus. Antes o medo tinha desvirtuado a confiança no Mestre, mas Jesus toca o principal (a fé) que todos deveriam ainda aprofundar na presença e no caminho com Jesus.

Era necessário ter uma fé que não tivesse como base provas da manifestação de Deus. A fé verdadeira é aquela que não desafia, não coloca condições e nem exige caprichos para se acreditar. É necessário confiar e depositar toda certeza em Jesus, mesmo que o mar da nossa vida esteja agitado e o barco de nossa fé esteja constantemente atingido por ventos contrários e fortes ondas. É fundamental uma fé que sinta a presença de Deus desde a brisa do vento (1.ª leitura), no ar que respiramos, nas coisas pequenas e quase insignificantes da vida, pois Deus está sempre junto de nós.

A missão da barca de Jesus (sua Igreja) sempre terá todos os tipos de diversidades e desafios. Mas, é fundamental recordar que Ele é que está na direção de tudo, está sempre conosco e quer nos guiar. Como discípulos, nós devemos fazer o máximo que podemos para que todos possam experimentar a mesma fé e o mesmo amor de Deus que vivenciamos. Paulo revela sua dor e sofrimento por tantos irmãos de fé judaica que negavam Jesus como Salvador da humanidade. Cabe a nós que estamos hoje na barca de Cristo, recordar que Ele está sempre conosco, nos guia pelo mar agitado da vida e nos protege sempre, independentemente de qualquer situação em que o mundo esteja, basta não perder o olhar naquele que possui todo poder sobre todas as coisas.

 

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