#Reflexão: 30º Domingo do Tempo Comum (Ano B – 24 de outubro)
A Igreja celebra neste domingo (24) o 30º domingo do Tempo Comum. Reflita e reze com a liturgia deste dia.
1ª Leitura – Jr 31,7-9
Salmo – Sl 125,1-2ab.2cd-3.4-5.6 (R. 3)
2ª Leitura – Hb 5,1-6
Evangelho – Mc 10,46-52
ACREDITAR NA COMPAIXÃO DE DEUS
Pe. Dirlei Abercio da Rosa
Presbítero da arquidiocese de Pouso Alegre,
mestre em Ciências Bíblicas (Instituto Bíblico, Roma)
e professor da Faculdade Católica de Pouso Alegre
A passagem do Evangelho deste domingo assinala o último evento antes de Jesus chegar a Jerusalém. Ele estava fazendo o mesmo caminho dos peregrinos que saiam da Galileia, percorriam o Jordão e, depois em Jericó, subiam para a Cidade Santa. Nesse caminho, Jesus foi se revelando aos poucos e, principalmente, procurando antecipar parte daquilo que aconteceria em Jerusalém. Nessa jornada de peregrinação, o povo que seguia Jesus estava mais interessado em sinais e prodígios e os apóstolos, mais interessados em coisas terrenas.
Jericó encontra-se abaixo do nível do mar: um dos lugares mais baixos da terra. Nos Evangelhos, poucos são os casos em que os personagens possuem um nome. Na passagem de hoje, o cego chama-se Bartimeu e Marcos reforça: “filho de Timeu”. Ele era cego e mendigava ao longo da estrada. Naquele tempo de Jesus, qualquer doença era encarada como um castigo e a cegueira impedia a pessoa de realizar qualquer atividade.
Bartimeu, sendo cego, era considerado um pecador e era desprezado por todos. Porém, aquela ocasião era especial: estava próxima a Páscoa dos judeus e muitos estavam fazendo aquele mesmo caminho para chegar a Jerusalém. Havia o preceito de dar esmolas naquela ocasião. Assim, o cego estava sentado enquanto a multidão caminhava para a Cidade Santa. Desprezado, sozinho e fora da cidade, ele encontrava-se à margem do caminho. Dos peregrinos, esperava qualquer moeda que alguém jogasse em seu manto, colocado sobre suas pernas.
Os relatos de curas de cegos possuem uma importância singular nos Evangelhos. Incapazes de enxergar, eles têm que acreditar no que escutam (como no tempo do anúncio da Igreja). Ao redor de Jesus, a multidão esperava sempre “ver” prodígios e curas. Muitos até cobravam sinais antes de acreditar (os fariseus). No entanto, o cego Bartimeu, sem ver nada, acreditou fortemente em Jesus.
Ele não podia ver, mas demonstrava que estava sempre atento àquilo que os outros falavam. Estando naquele lugar (à beira da estrada), certamente, tinha ouvido inúmeras histórias sobre “um tal Jesus”. Ninguém lhe dava importância, mas ele estava atento às conversas de todos. O cego estava sentado à beira do caminho, o que impedia Jesus de vê-lo. Ele não teve dúvidas, quando percebeu que Jesus estava passando por ali. A fama de Jesus tinha chegado até ele não pela visão, mas sim pelos ouvidos (pela evangelização!).
Nesse caminho, os discípulos não se mostraram em sintonia com a proposta de Jesus. Eles, juntamente com o povo que buscava sinais, impediam os mais necessitados de se aproximarem de Cristo. Porém, com Bartimeu, foi diferente. A multidão impedia Jesus de ver o cego. Ele já estava passando. Assim, o cego começou a gritar (era cego, mas não mudo) e o fez de um modo forte para que todos percebessem. “Muitos o repreenderam” - nos diz Marcos - talvez pessoas do povo ou os discípulos. Jesus já tinha feito tantos e todos os tipos de milagres. Essas pessoas se sentiam no direito de “escolher” quem Jesus deveria dar atenção. Eles se comportavam como obstáculo e intermediários e não como ponte e caminho para que as pessoas chegassem até Jesus.
O cego gritou duas vezes: “filho de Davi, tende compaixão de mim!” Ele reconheceu que Jesus era da linhagem messiânica de Davi, mas apelou para sua compaixão. Bartimeu não pediu “perdão por seus pecados”. O seu pedido foi de misericórdia e compaixão. Ele era cego, ninguém o via, mas implorou que Deus o enxergasse. Diante dos gritos insistentes do cego, Jesus parou sua caminhada e pediu que alguém chamasse aquele que gritava. No meio da multidão, alguém se comportou do modo que Jesus desejava e trouxe até o Cristo aquele que gritava. Essa pessoa se aproximou com três palavras de encorajamento: “coragem”, “levanta-te” e “ele te chama”.
Bartimeu demonstrou já se tornar outra pessoa somente pelo fato de alguém lhe referir as palavras de Jesus. Primeiro, ele jogou fora seu manto, a única coisa que possuía e que servia para pedir esmolas e se proteger do tempo. Ele não teve dúvidas e, cheio de confiança, creu e confiou que tudo seria diferente e a sua vida seria transformada. Ele não estava apegado a nada nem ao mínimo (diferente do jovem rico, do 28º domingo do Tempo Comum, que possuía muita riqueza). Depois, ele se levantou com um salto, fazendo algo extremamente decisivo e confiante, nem esperando ajuda de alguém. Ele era cego, mas não era um paralítico. Por fim, foi até Jesus. Com limites profundos (cegueira), caminhou firme e decisivo, como um discípulo ideal que Jesus desejava.
No encontro com o Mestre, Jesus fez ao cego a mesma pergunta que fez aos apóstolos que estavam interessados em reservar posições ao seu lado (29º domingo do Tempo Comum): “Que queres que eu te faça?” Diante da pergunta de Jesus, ele apresentou a sua necessidade fundamental. Ele introduziu com palavras como se fosse um discípulo: “Rabôni” (“meu Senhor”). O seu pedido foi: “que eu recupere a vista”. Ele pediu aquilo que lhe poderia devolver a dignidade.
Jeremias, na primeira leitura, retratou um período no qual as necessidades mais fundamentais do ser humano seriam atendidas por Deus, entre elas a cegueira. Jesus cumpriu essa profecia. Por fim, Jesus atendeu ao pedido de Bartimeu, mas com uma ênfase fundamental: “tua fé te salvou”. Ele possuía uma fé especial que Jesus procurava em meio aos discípulos e na multidão. Bartimeu, ao se ver curado da cegueira, resolveu se tornar discípulo de Jesus, “seguindo pelo mesmo caminho”. Para Bartimeu, a fé chegou até ele através das histórias e até de testemunhos de outras pessoas que lhe narravam sobre Jesus. Esta deve ser a nossa missão através de nosso testemunho, de nossa humanidade na prática da compaixão (como sugere a 2ª leitura deste final de semana ao sacerdote), de nossas palavras e de nossa vida ao anunciar a fé em Jesus de Nazaré.
Faça o download da reflexão em .pdf.
Arquidiocese inicia fase diocesana do Sínodo dos Bispos
Dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., arcebispo metropolitano, padres, religiosos e leigos deram início à fase diocesana do Sínodo dos Bispos 2021-2023 com missa na catedral metropolitana, neste domingo (17).
A abertura do Sínodo dos Bispos nas Igrejas Particulares aconteceu neste domingo em todo o mundo, a pedido do papa Francisco. Na catedral do Bom Jesus, em Pouso Alegre (MG), estiveram presentes o arcebispo, membros da equipe diocesana do Sínodo dos Bispos, padres, religiosos e fiéis representantes das paróquias, pastorais e movimentos da arquidiocese. No dia 10, o papa abriu as atividades do Sínodo com missa na basílica de São Pedro, no Vaticano.
Veja: Papa Francisco abre processo sinodal.
Dom Majella nomeou como membros da equipe diocesana do Sínodo dos Bispos: pe. Edson Aparecido da Silva; pe. Luiz Francisco Marvulo, C.M.F.; Djalma Pelegrini; Suzana Coutinho; Lidiane Schimidt dos Santos Machado e José Luiz de Souza Machado.
Dom Majella com membros da equipe diocesana do Sínodo dos Bispos, ao final da missa.
Para o arcebispo, o Sínodo dos Bispos será um desafio para a Igreja ir além dos templos, dialogar com a sociedade, ser mais missionária, evangelizadora e profética.
"Nós estamos em um momento único na Igreja, que é a realização desse Sínodo, que o papa Francisco faz chegar a todas as Igrejas Particulares, para uma participação do nosso povo, uma participação de todo cristão. Então, a minha expectativa é de um grande desafio, uma tarefa difícil, porque nós precisamos entrar nesta fase diocesana do Sínodo dos Bispos, indo além dos nossos templos. Por isso é que eu considero uma tarefa difícil. Mas, não é impossível, porque, como o papa Francisco vem afirmando e eu também tenho a certeza, quem nos conduz é o Espírito Santo. Então, esse desafio vai nos levar a ser uma presença de Igreja no mundo de hoje, uma Igreja que realmente participa da sociedade, que dialoga com ela; que está aberta a várias culturas; que se posiciona como missionária, evangelizadora e profética", disse o arcebispo em entrevista antes da missa de abertura.
Na homilia, na qual refletiu as leituras do 29º Domingo do Tempo Comum, dom Majella ressaltou que o discípulo é aquele que serve a todos e, assim, se torna grande diante de Deus.
Arcebispo, padres e ministros auxiliares durante a missa de abertura do Sínodo.
Para o arcebispo, a Igreja só será completamente cristã quando existir nela cristãos prontos a servir gratuitamente, sem interesse, sem busca de privilégios, enfrentando todo tipo de sofrimento, perseguição e morte.
Veja: homilia de dom Majella na íntegra.
O que é Sínodo dos Bispos?
O Sínodo dos Bispos é uma instituição permanente da Igreja Católica, criada pelo papa Paulo VI em 1965, como uma resposta ao desejo dos bispos de manterem viva a experiência de colegialidade episcopal vivida no Concílio Vaticano II (1962-1965). Esse sínodo é periódico, temático, constituído por bispos e tem a função de consulta ou deliberação, a ser ratificada pelo papa, para o governo da Igreja.
Sínodo 2021-2023
O próximo sínodo acontecerá de 2021 a 2023. Esse evento tratará do tema da sinodalidade como uma forma de reflexão sobre a Igreja e como incentivo para a participação de todos os batizados na missão evangelizadora, em vista de um fortalecimento da cultura sinodal nas ações e estruturas eclesiais, com mais participação e responsabilidade compartilhada.
Logotipo oficial do Sínodo dos Bispos 2021-2023.
Fase diocesana
O papa Francisco propôs um caminho de preparação para o Sínodo dos Bispos, que terá uma fase diocesana e continental. A fase diocesana do Sínodo dos Bispos vai de outubro de 2021 a março de 2022, com atividades de escuta e reflexão, envolvendo as comunidades, paróquias, movimentos e vida consagrada.
Equipe diocesana
Antes da missa de abertura, os membros nomeados da equipe diocesana do Sínodo dos Bispos concederam entrevista e manifestaram as suas expectativas com relação a esse evento sinodal.
Pe. Edson apresenta os membros da equipe diocesana do Sínodo dos Bispos.
Pe. Edson, coordenador arquidiocesano de Pastoral e coordenador da equipe diocesana do Sínodo dos Bispos, falou sobre a importância da participação dos fiéis das comunidades nas atividades do Sínodo.
"A minha expectativa para o Sínodo dos Bispos 2021-2023 é das melhores possíveis, desde que o nosso povo se envolva na participação, na comunhão e na missão, pois este Sínodo, proposto pelo papa Francisco, é para uma Igreja sinodal, onde vamos trabalhar, caminhar juntos, levando, dando voz e vez para todos os cristãos batizados. Como coordenador da equipe diocesana do Sínodo dos Bispos aqui na Igreja Particular, minha missão é animar, promover as forças vivas de nossa Igreja", disse pe. Edson.
Djalma Pelegrini, da paróquia de Santo Antônio, em Pouso Alegre, e membro da Escola Diaconal Santa Dulce dos Pobres, afirmou que o Sínodo será um momento para a Igreja caminhar com mais diálogo e escuta.
"A expectativa é a de que nós, enquanto Igreja, vivendo esse bonito momento do caminhar juntos, possamos nos abrir ainda mais ao diálogo, à escuta, para repensar novos meios para nossa caminhada, à luz do Evangelho de Nosso Senhor Jesus, e atentos a tudo aquilo que hoje se faz necessário para que a nossa Igreja seja viva, em caminho, testemunhando a verdade do Evangelho, solidária com as necessidades dos filhos e filhas de Deus e buscando luz para tantas realidades obscuras na nossa vida em sociedade", declarou Djalma.
Lidiane e José Luiz, que são casados e membros da paróquia São João Batista, em Pouso Alegre, e da Pastoral Familiar, destacaram que o Sínodo será um tempo de escuta.
"Nós estamos bastante esperançosos com o Sínodo dos Bispos e desejamos ser instrumentos de Deus nesse momento, a fim de que a gente consiga atender o apelo do papa Francisco, que é ouvir o Povo de Deus e fazer com que essa voz seja, de fato, aprendida e vivenciada em nossa Igreja", disse Lidiane. "Como diz o papa Francisco, nós temos que ser uma Igreja da escuta. Que este Sínodo dos Bispos realmente seja para que todos nós cristãos levemos a Boa Nova, a esperança. Que seja um momento de muita união em nossa Igreja", afirmou José Luiz.
Pe. Luiz Marvulo, CMF, pároco da paróquia do Imaculado Coração de Maria, em Pouso Alegre, e membro da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), defendeu que o Sínodo será uma oportunidade para a Igreja retornar as suas origens e descobrir caminhos de evangelização, diante das necessidades dos fiéis.
"A expectativa é bastante grande, em especial nesta nova caminhada da Igreja. É um redescobrir das suas origens, desta sinodalidade, deste caminho de comunhão, iniciando pelas bases, para que a Igreja possa encontrar as reais necessidades de todo o povo, de todos os fiéis. Um redescobrir, pouco a pouco, juntos, também deste caminho, de todos os fiéis de se sentirem parte, se sentirem atuantes nas decisões que a Igreja começa a tomar, nos caminhos que ela vai propondo para todos nós, povo fiel. Há expectativa de voltarmos às origens e todos nos sentirmos parte e colaboradores nos caminhos que a Igreja nos apresenta", falou pe. Luiz.
Suzana Coutinho, da comissão diocesana de Catequese com Adultos, por sua vez, comentou que o Sínodo será um grande momento para a Igreja entender melhor a sua missão no mundo de hoje.
"Vejo que é um grande momento para a Igreja se rever, para ela olhar os seus passos, entender melhor a sua missão, chamar as pessoas à participação, depois de um momento que tivemos que ficar tão distanciados, por conta da pandemia, e, agora, somos chamados a dar esse testemunho de comunhão para realizarmos bem a nossa missão. Eu penso que o Sínodo nos faz voltar ao foco principal do que é ser Igreja. Eu entendo que é esse momento de nós refletirmos mais profundamente a nossa missão de Igreja no mundo de hoje", expressou Suzana.
Em breve, será publicado um material popular para comunidades e paróquias realizarem a consulta da fase diocesana do Sínodo dos Bispos. Esse material está sendo elaborado pela arquidiocese de Pouso Alegre, a pedido da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e será disponibilizado para as Igrejas Particulares do país.
Com imagens da Pastoral da Comunicação da paróquia do Bom Jesus e do arquivo da equipe diocesana do Sínodo dos Bispos.
Sacerdote da arquidiocese completa centenário natalício
No próximo dia 20 de outubro, monsenhor José Carneiro Pinto, mais conhecido por padre José Carneiro, completará 100 anos de seu nascimento. Seus familiares, a paróquia de Santa Rita de Cássia, em Santa Rita do Sapucaí (MG), e a arquidiocese se preparam para essa comemoração.
Festa dos 100 anos
A preparação da celebração dos 100 anos do monsenhor José Carneiro teve início em outubro de 2019, com missas mensais, todo dia 20, rezadas na sua capela particular.
Divulgação oficial da comemoração do centenário natalício do monsenhor José Carneiro.
Nas redes sociais, familiares e amigos do monsenhor têm deixado testemunhos sobre a importância da sua vida e vocação para a cidade de Santa Rita do Sapucaí e a arquidiocese de Pouso Alegre.
A programação do jubileu conta com diversos eventos, que serão transmitidos pelas redes sociais do monsenhor.
No próximo domingo (17), às 18h, haverá serenata em homenagem ao sacerdote, promovida pelos fiéis católicos de Santa Rita do Sapucaí.
Na segunda (18), às 19h30, a Câmara de Vereadores de Santa Rita do Sapucaí irá apresentar moção de congratulações ao monsenhor José Carneiro, em comemoração ao seu aniversário natalício e pelos seus relevantes trabalhos para o município.
Na terça-feira (19), às 10h, haverá celebração eucarística de ação de graças pela vida e missão do monsenhor na igreja matriz de São José Operário, em Pouso Alegre, com a presença do clero arquidiocesano e do arcebispo metropolitano, dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R..
Na quarta-feira (20), dia do aniversário natalício do monsenhor, às 10h30, será concelebrada missa solene no santuário de Santa Rita de Cássia, em Santa Rita do Sapucaí, com a participação de dom Majella.
Pe. Rodrigo Carneiro, monsenhor José Carneiro e dom Majella, presentes em missa na igreja matriz de Nossa Senhora de Fátima, em Santa Rita do Sapucaí.
Para finalizar as comemorações, na quinta-feira (21), às 18h, será rezado o Santo Terço em agradecimento a Deus e a Nossa Senhora pelos 100 anos do monsenhor, com auxílio de seu sobrinho-neto, pe. Rodrigo Carneiro Paiva Mendes, na capela particular do jubilando.
Será inaugurada, em breve, uma estátua do monsenhor José Carneiro, em frente ao santuário de Santa Rita de Cássia, em Santa Rita do Sapucaí, a qual está sendo organizada pela prefeitura dessa cidade. Monsenhor José Carneiro faz parte do patrimônio municipal imaterial, considerado um bem cultural relevante para o município.
Na última quinta-feira (14), monsenhor e seu sobrinho-neto, pe. Rodrigo, veicularam nas redes sociais mensagem de voz com a oração da Ave Maria para animar os preparativos da Festa dos 100 anos. Ouça a seguir.
Dados biográficos
Monsenhor José Carneiro nasceu em 20 de outubro de 1921, em Itajubá (MG), filho de Victor de Souza Pinto e Maria Carneiro Pinto.
Cursou Filosofia e Teologia em Mariana (MG), no seminário São José. Foi ordenado presbítero em 8 de dezembro de 1946, na catedral metropolitana de Pouso Alegre (MG), por dom Octávio Chagas de Miranda, bispo diocesano naquela ocasião.
Como padre, trabalhou nas cidades de Pouso Alegre, Congonhal, Brazópolis, Paraisópolis, Consolação e Gonçalves. Além disso, exerceu a maior parte de seu ministério sacerdotal em Santa Rita do Sapucaí, durante 44 anos.
Trabalhos desenvolvidos
Em Santa Rita do Sapucaí, monsenhor José Carneiro recebeu a imagem de Nossa Senhora de Fátima, de Portugal, para uma de suas comunidades, a qual, mais tarde, foi elevada à condição de paróquia, sendo a segunda da cidade.
Em 1957, organizou a festa dos 500 anos da morte de Santa Rita, trazendo da Itália a imagem de Santa Rita em uma urna especial e uma relíquia ex ossibus dessa santa, impulsionando a sua devoção e possibilitando, mais tarde, a elevação da igreja matriz de Santa Rita do Sapucaí à categoria de santuário arquidiocesano.
Em 1996, monsenhor realizou Missões Redentoristas para animação missionária da paróquia de Santa Rita, com a criação de comunidades e setores missionários.
Juntamente com outras lideranças santa-ritenses, fundou a Fundação Educandário Santa-ritense, mantenedora do Colégio Tecnológico e da Faculdade de Administração e Informática (FAI).
Como pároco da paróquia de Santa Rita e presidente do Educandário Santa-ritense, com autorização do arcebispo de Pouso Alegre, doou terreno ao Instituto Nacional de Telecomunicações (INATEL), onde se desenvolveu importante polo de engenharia.
Em seu paroquiato, foram adquiridos para a paróquia, a Escola Nossa Senhora de Fátima e o Centro Pastoral Dom João Bergese.
No âmbito pastoral, monsenhor José Carneiro buscou, com a liderança paroquial, desenvolver diversos trabalhos, por meio das pastorais e movimentos, e cuidar das comunidades, incentivando a construção de diversas capelas e a realização de trabalho assistencial aos mais necessitados.
Testemunhos
O leigo Waldir Marques Lemos, de Santa Rita do Sapucaí, destaca a bondade e a ternura do monsenhor José Carneiro. Para ele, o monsenhor é um homem escolhido por Deus.
https://www.youtube.com/watch?v=MMEOZhgKFUg
A senhora Márcia Monteiro, também de Santa Rita do Sapucaí, resgata lembranças de sua convivência com o monsenhor.
https://www.youtube.com/watch?v=bqr5i0mr4Xw
Acompanhe aqui a transmissão dos eventos comemorativos dos 100 anos do monsenhor José Carneiro.
Com informações e imagens fornecidas pelo pe. Rodrigo Carneiro Paiva Mendes e veiculadas nas redes sociais oficiais do monsenhor José Carneiro Pinto.
Padre recebe licença para realizar exorcismos
Cônego Benedito Ramon Pinto Ferreira, membro do clero arquidiocesano, recebeu licença do arcebispo para fazer exorcismos.
Dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., arcebispo metropolitano, concedeu, no dia 29 de setembro de 2021, ao cônego Benedito Ramon licença peculiar e expressa para fazer exorcismos aos fiéis católicos da arquidiocese de Pouso Alegre perturbados por sinais evidentes de possessão demoníaca. A concessão tem duração de 3 anos, por decisão do arcebispo.
Segundo o documento oficial da concessão, a licença será exercida sob moderação do arcebispo e de acordo com o Ritual de Exorcismos e outras súplicas, da Igreja Católica.
Côn. Benedito Ramon, nomeado exorcista pelo arcebispo metropolitano.
Para a concessão, o arcebispo considerou a lei da Igreja que afirma que “ninguém pode legitimamente fazer exorcismos em possessos, a não ser que tenha obtido licença peculiar e expressa do Ordinário" (cân. 1172 § 1).
Para dom Majella, é oportuna a presença na arquidiocese de pessoas preparadas para exercer o múnus de exorcista, imitando a caridade de Cristo.
O arcebispo orienta que, antes de se recorrer ao exorcista, deve-se procurar o pároco e os serviços especializados na área da medicina e das ciências psíquicas para um processo de acompanhamento dos casos possivelmente relacionados à possessão demoníaca.
A prática do exorcismo é prevista pela Igreja para o cultivo da santidade e é um sacramental para expulsar demônios ou livrar alguém da influência demoníaca. Para isso, a Igreja oferece princípios, normas e ritual.
O exorcismo é sempre realizado em nome do Senhor Jesus, a quem todas as coisas, inclusive os demônios, devem obedecer e estão sujeitas.
Segundo o Ritual de Exorcismos, a Igreja manifesta que há um único e verdadeiro Deus, origem de todo bem visível e invisível. Entretanto, há o mal no mundo. Os seres criados por Deus que se opuseram a Ele foram chamados, na Sagrada Escritura, de demônios. A Igreja tem a prática de realizar exorcismos, que são orações para libertação de seus fiéis de todo mal e dos seus efeitos.
Ritual de exorcismos e outras súplicas, reformado por decreto do Concílio Vaticano II e promulgado pelo papa São João Paulo II.
Várias passagens bíblicas apresentam Jesus Cristo praticando exorcismos (cf. Mc 5,1-20; Mt 8,28-34; Lc 8,26-39).
Acesse aqui a publicação oficial da concessão.
Com informações fornecidas pela chancelaria arquidiocesana. As imagens são das redes sociais da paróquia Sant'Ana, de Silvianópolis (MG), e de veiculação gratuita na internet.
Paróquia da arquidiocese inicia celebração de jubileu
No dia 12 de outubro, a paróquia de Santa Rita de Cássia, em Extrema (MG), começou as comemorações de seus 150 anos de criação. A programação festiva vai até 22 de dezembro.
No dia 12 de outubro de 1871, foi publicado no diário oficial do Império o decreto de elevação do curato de Santa Rita de Cássia, em Extrema, à condição de paróquia. Em 22 de dezembro daquele ano, foi celebrada oficialmente a sua instauração. Em 2021, a paróquia comemora seus 150 anos de criação.
Perspectiva da nave e presbitério da igreja matriz da paróquia de Santa Rita de Cássia, em Extrema. O templo é um dos santuários arquidiocesanos, dedicados a Santa Rita.
No mês de outubro, durante a novena e a festa de Nossa Senhora Aparecida, dos dias 3 a 12, iniciaram-se as festividades do jubileu com celebrações eucarísticas presididas pelos padres que já trabalharam na paróquia ou são filhos da terra.
Em novembro, está programada uma exposição virtual sobre os fatos históricos da paróquia, realizada pela secretaria municipal de Cultura.
No mês de dezembro, acontecerão também atividades culturais. Haverá um tributo à Santa Rita de Cássia e lançamento de um livro de memórias.
No dia 22 de dezembro, uma missa solene será presidida pelo arcebispo metropolitano, dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., e concelebrada pelos padres Mauro Ricardo de Freitas, pároco, e Carlos Cezar Raimundo, vigário paroquial.
Altar de Santa Rita de Cássia, no santuário arquidiocesano, em Extrema.
Acompanhe as atividades do jubileu pelas redes sociais da paróquia. Acesse aqui.
Com informações e imagens oferecidas pela paróquia de Santa Rita de Cássia, em Extrema.
#Reflexão: 29º Domingo do Tempo Comum (Ano B – 17 de outubro)
A Igreja celebra neste domingo (17) o 29º domingo do Tempo Comum. Reflita e reze com a liturgia deste dia.
1ª Leitura – Is 53,10-11
Salmo – Sl 32,4-5.18-19.20 e 22 (R.22)
2ª Leitura – Hb 4,14-16
Evangelho – Mc 10,35-45 [Forma breve: Mc 10,42-45]
PODER DE SERVIR A TODOS E SEMPRE
Pe. Dirlei Abercio da Rosa
Presbítero da arquidiocese de Pouso Alegre,
mestre em Ciências Bíblicas (Instituto Bíblico, Roma)
e professor da Faculdade Católica de Pouso Alegre
O Evangelho deste domingo mostra, pela terceira vez, a imensa distância que os apóstolos se encontravam de Jesus. Logo após o primeiro anúncio, Pedro tentou convencer Jesus a abandonar seu discurso sobre sofrimento, humilhação e morte. Jesus repreendeu chamando-o de Satanás (Mc 8,27-33). Depois do segundo anúncio sobre o seu destino final em Jerusalém (Mc 9,30-37), os discípulos – logo em seguida – começaram a discutir quem era o maior entre eles (não Jesus, mas entre eles). Jesus, com paciência, apresentou o anúncio sobre ser servo e último entre todos. Neste domingo, a situação não foi diferente.
Antes do texto da cena que ouvimos no Evangelho, Jesus fez o terceiro anúncio ao seu grupo do seu fim em Jerusalém. O ambiente no grupo dos apóstolos estava péssimo (Mc 10,32-34). Marcos inicia dizendo que todos estavam subindo [de Jericó] para Jerusalém. Jesus caminhava à frente dos apóstolos. Eles estavam assustados e a multidão com medo: o grupo não caminhava mais junto. Nosso Senhor já tinha desistido de “converter” a multidão que o seguia, pois percebeu que eles queriam ver sinais, eram sedentos de curas e milagres e não de sua palavra e da sua pessoa. Assim, restava os apóstolos que não se mostravam sintonizado com Ele.
No Evangelho de Marcos de hoje, surgem dois personagens que, juntos com Pedro, estavam mais próximos de Jesus. Tiago e João se aproximam do Mestre e pedem algo que tinham segurança de conseguir: “Queremos.... que faça por nós... o que vamos te pedir!” No Pai Nosso, Jesus ensina “faça a sua vontade [de Deus]”, mas os dois apóstolos prediletos (juntamente com Pedro) queriam que a vontade deles fosse saciada.
Não entenderam nada nem de Jesus, nem da sua amizade e muito menos de sua proposta de vida. Procuraram “dar um jeitinho”, apelando em nome da amizade estreita que sentiam da parte de Jesus para com eles. Tinham projetos pessoais que o resto do grupo não fazia parte. Triste situação do grupo escolhido por Jesus!
Com muita paciência, Jesus procurou saber o que eles desejavam: “sentar-se um à direita ou à esquerda em sua glória” era o desejo dos filhos de Zebedeu. Imaginavam um futuro com Jesus em um reino como outros deste mundo: cheio de glórias humanas e grandiosidade. Os dois não tinham dado a mínima importância àquilo que Jesus – por três vezes – tinha anunciado. Ao serem perguntados sobre “beber o cálice” de Jesus (comprometimento total) e ser “batizados no batismo” que Jesus iria receber (renascimento pela morte), Tiago e João repetiram prontamente, mas, certamente, sem ter a mínima ideia do que estavam falando. Jesus, em parte, entrou no nível de compreensão deles e esclareceu que, de fato, iriam fazer o mesmo caminho (Tiago foi martirizado no início da missão dos apóstolos, cf. At 12,2). Em relação ao pedido estranho, Jesus esclareceu que seria concedido “àqueles a quem está destinado”: à direita e à esquerda de Jesus na cruz foram colocados dois ladrões.
Além disso, a história ganhou uma dramaticidade maior dentro do grupo, pois os outros dez apóstolos ficaram irritados com Tiago e João, pois no fundo eles estavam também planejando fazer a mesma coisa. Dão a entender que era um desejo de todos os apóstolos reservar lugares na “glória” de Jesus em um reino terreno.
Jesus “chama-os a si”, isto é, eles já estavam ao seu redor, mas o Mestre quis estreitar ainda mais a ligação com todos antes de tentar corrigi-los; queria falar com mais intimidade e profundidade. Primeiro, Jesus alertou partindo daquilo que eles conheciam como “glória e poder” do mundo, mas que eram construídos na base do domínio e da opressão. Os reinos deste mundo somente se mantêm se usam força e superioridade. Para existir um “superior”, necessariamente, todos os outros devem ser colocados em uma posição de inferioridade. Só existe um “grande” quando todos estão oprimidos debaixo de seu poder. Diante disso, o Mestre Jesus determinou com firmeza: “Mas, entre vós não deve ser assim!” Como em todos os outros casos, Jesus propôs seu esquema de vida como modelo. Não queria ninguém ao seu lado fazendo algo por obrigação ou constrangido a viver algo que não deseja. Ele propôs o caminho: a escolha deveria ser pessoal: “Quem quiser...”.
Jesus propôs um projeto de vida totalmente contrário ao pensamento do grupo. Para ser grande neste mundo, o caminho tem como base a opressão e o domínio. Diante disso, Jesus propôs o serviço. Seria preciso ser “servidor”, como Jesus vivia entre eles e com o povo. Para ser o primeiro, o caminho que Jesus propôs é ser escravo/servo de todos. Para ser grande, o caminho, no fundo, seria fazer e viver como Ele mesmo vivia. Jesus não condenava as paixões, mas propunha que tudo isso fosse canalizado (convertido) em outra direção: a serviço de todos.
Na primeira leitura, Isaías nos propôs a imagem do servo que, por meio de dores, sacrifícios e depois de tormentos, ganhou luz perene. Seria um servo justo que justificaria muitos. O autor da carta aos Hebreus propôs Jesus como um sacerdote eterno e grande que conquistou a todos tomando sobre si as nossas fraquezas.
Sobre o serviço ao próximo, Jesus ainda aprofundou com seu grupo: O Filho do Homem não veio para ser servido, mas servir. Deus não é uma divindade que quer ser servida, mas se coloca como servidor de todos. Nós devemos fazer o mesmo. Em relação a nós, Jesus revelou um Deus que é Pai e Servidor de todos. Não somos nós que devemos ser “servos” para Deus, mas servos de Deus e para Deus através de nossos irmãos e irmãs. Os dois apóstolos sonhavam com um trono de glórias humanas. O autor da carta aos Hebreus nos falou do trono da graça e da misericórdia. Com isso, Jesus nos ensina a servir a Deus no próximo, começando pelos mais necessitados: amar a Deus, amando o próximo; servir a Deus, servindo àqueles que mais precisam de ajuda.
Faça o download da reflexão em .pdf.
Nossa Senhora Aparecida, olhai para as periferias do Brasil
Pe. Paulo Adolfo Simões
Presbítero da arquidiocese de Pouso Alegre
Secretário executivo do Centro Nacional de Fé e Política “Dom Hélder Câmara” – CEFEP / CNBB
O mês de outubro, na Igreja Católica, é dedicado às Missões, pois se inicia com a celebração da padroeira das Missões, Santa Terezinha do Menino Jesus. No terceiro domingo, faz-se a coleta que financia as iniciativas missionárias da Igreja em todo o mundo.
No Brasil, esse mês se reveste de uma importância singular, pois nele são celebrados santos amados pela devoção popular e de muita significação para o nosso povo, além de Santa Terezinha: São Francisco de Assis, conhecido como santo da ecologia e da fraternidade universal; São Benedito, o Negro, padroeiro das cozinheiras e cozinheiros, e Nossa Senhora do Rosário, entre outros.
No entanto, nenhuma devoção é mais genuinamente brasileira que a da imagem da virgem enegrecida pelas águas do rio Paraíba do Sul, encontrada por pescadores no dia 12 de outubro de 1717. Dos meses de julho a outubro, pelos caminhos do sul de Minas, encontramos uma multidão caminhando a pé ruma à casa da Mãe Aparecida. São caminhadas de fé. São caminhadas duras, cansativas e de muita alegria, assim como é a fé. A verdadeira fé. Em seu santuário nacional, deságua uma multidão de fiéis. Juntando-se aos que vêm a pé, há outros romeiros devotos que chegam de carro, de ônibus, motocicletas, a cavalo, de motos, bicicletas, carros de bois...
As caminhadas de fé tornaram-se também uma rota oficial do turismo religioso, que passa por diversos municípios da arquidiocese de Pouso Alegre, o conhecido “Caminho da Fé”. Embora o culto à Virgem Aparecida abarque uma grande diversidade de classes sociais e de motivações pessoais, são notadamente os mais pobres os que em maior número se dirigem ao santuário. E a gratidão é, das motivações, a mais citada.
Daí a pergunta: por que Nossa Senhora Aparecida atrai tanto as massas empobrecidas? Por que essa devoção toca mais os corações de mulheres e homens sofredores, historicamente explorados, embora nem sempre tenham consciência disso?
Temos aqui um elemento socioeconômico fundamental que não pode ser ignorado. De fato, uma grande parcela do povo brasileiro é de miseráveis que vivem abaixo da linha de pobreza, e sua maior parte é constituída de pobres e de remediados. Ou seja, cerca de oitenta por cento da população, que não usufruem as tão propaladas grandes riquezas naturais da Terra de Santa Cruz, nem as riquezas produzidas pelo trabalho duro. Quem se beneficia de oitenta por cento das riquezas do país são menos de vinte por cento da população, os verdadeiramente ricos. A grande maioria dos empobrecidos não possui recursos financeiros para cuidarem de suas necessidades básicas e dependem das Políticas Públicas do estado. Essas mulheres e homens empobrecidos também não têm condições econômicas para visitar Maria branca e até de olhos azuis em santuários europeus. Na falta de recursos para pagarem por suas necessidades básicas e do pouco retorno que o estado brasileiro dá dos impostos que cobra, praticamente todo dessa população sofrida, resta-lhe recorrer aos santos, sobretudo à querida imagem negra de Nossa Senhora Aparecida. E essa imagem é de Maria, mulher e mãe. Mulher e mãe não falham! Por isso o povo tem por ela enorme gratidão!
Mas há também uma identificação histórica e cultural do povo brasileiro com a imagem de Aparecida. Aparecida é uma imagem pobre e negra, como a maioria da população do Brasil. Representando a Imaculada Conceição, é uma imagem pequena e foi encontrada escurecida pela lama do rio Paraíba do Sul – SP quebrada em dois pedaços. Uma imagem desprezada, porque quebrada e, por isso, jogada fora, no rio Paraíba do Sul. No fundo desse rio, passou muito tempo, por isso ficou de cor negra. Torna-se ainda mais desprezível aos olhos de uma elite social branca e europeia. Uma imagem quebrada, escurecida e pequena, mas representando Maria sem pecado desde seu nascimento. É uma representação verdadeira do povo brasileiro. Esse povo forjado na opressão, na violência e na espoliação, sempre consequências da busca de lucro desenfreado por um sistema financeiro que não olha para a pessoa nem para a natureza. Mas um povo que se reinventa, cria um caldo cultural riquíssimo e sobrevive em defesa de sua dignidade.
A história do Brasil compreende dois grandes genocídios, talvez os maiores da história humana: o primeiro, dos povos indígenas, de cor vermelha, verdadeiros donos da terra. O segundo, dos povos vindos de África, pessoas negras escravizadas. Nosso chão brasileiro, chão fértil e acolhedor com calor de útero, “que, em se plantando, tudo dá” (Pero Vaz de Caminha), é um chão encharcado do sangue, suor e lágrimas desses povos, muitos povos. E nesse chão, no século em que mais e mais pessoas escravizadas – mulheres, homens adultos, mas também adolescentes e crianças – eram contrabandeadas como se fossem mercadoria, surge uma imagem negra, quebrada, pequena e pobre, como representação da Mãe de Jesus. Mais que isso, os trabalhadores que a encontram enquanto exercem o ofício da pescaria, estavam a mando do governador da província de São Paulo. Segundo o jornalista e historiador Laurentino Gomes, em sua obra Escravidão, provavelmente seriam eles escravizados ou negros forros (GOMES, Laurentino, 2021, p. 99).
Portanto, a devoção a Nossa Senhora, pretinha, de Aparecida, exige de nós, mais que uma romaria, mais que uma caminhada geográfica, pelas estradas de poeira ou asfalto até o santuário nacional. Exige das brasileiras e dos brasileiros uma caminhada espiritual. Um longo percurso de fé ao interior de nós mesmos e de nossas histórias. Uma caminhada de redescoberta e de reconciliação com nossas origens. Uma caminhada de reconhecimento da responsabilidade por termos causado a perda de vidas e o sofrimento a tanta gente. Uma caminhada de perdão àqueles e àquelas, que, por ganância, historicamente nos tiram a vida. Fará muito mais sentido nossa visita ao santuário da Mãe Pretinha quando levantarmos nosso brado em favor dos nossos povos, sobretudo os povos originários: quilombolas, indígenas, ribeirinhos, agricultores sem-terra. O povo da cor da Mainha.
Papa Francisco abre processo sinodal
No Vaticano, neste final de semana (9 e 10), o papa Francisco deu início às atividades do Sínodo dos Bispos 2021-2023, com momento de reflexão e missa de abertura. Estiveram presentes representantes do Povo de Deus, incluindo membros das conferências episcopais dos 5 continentes, da cúria romana, de conselhos da vida consagrada, dos leigos e dos jovens.
Na manhã do sábado (9), o papa Francisco se reuniu na Sala do Sínodo, no Vaticano, com representantes do Povo de Deus e responsáveis pela realização desse evento para um momento de reflexão, oração e testemunhos. O sínodo tratará do tema da sinodalidade na Igreja para fortalecer a comunhão, a participação e a missão.
O papa Francisco acolheu e saudou os participantes vindos de diferentes partes do mundo e representantes dos diversos segmentos do Povo de Deus.
"Quero agradecer-lhes por estarem aqui na abertura do Sínodo. Percorrendo diversos caminhos, vocês vieram de tantas Igrejas trazendo cada um, no coração, perguntas e esperanças. Tenho a certeza de que o Espírito nos guiará e concederá a graça de avançarmos juntos, de nos ouvirmos mutuamente e iniciarmos um discernimento sobre o nosso tempo, tornando-nos solidários com as fadigas e os anseios da humanidade", disse o papa.
Em sua reflexão, Francisco chamou a atenção para riscos que devem ser evitados no Sínodo: o formalismo, o intelectualismo e a tentação do imobilismo.
“O primeiro é o risco do formalismo, de reduzir um Sínodo a um evento extraordinário, mas de fachada. Como se alguém ficasse olhando a bela fachada de uma igreja sem nunca entrar nela. (...) O segundo risco é o do intelectualismo: transformar o Sínodo numa espécie de grupo de estudo, com intervenções cultas, mas alheias aos problemas da Igreja e aos males do mundo; uma espécie de «falar por falar», onde se pensa de maneira superficial e mundana, alheando-se da realidade do santo Povo de Deus, da vida concreta das comunidades espalhadas pelo mundo. (...) O último risco é o da tentação do imobilismo. Dado que ‘se fez sempre assim’ é melhor não mudar. Quem se move neste horizonte, mesmo sem se dar conta, cai no erro de não levar a sério o tempo que vivemos. O risco é que, no fim, se adotem soluções velhas para problemas novos”, disse o papa sobre os riscos a serem evitados.
Registro do Momento de reflexão por ocasião do início do processo sinodal, no sábado (9), na Sala do Sínodo, no Vaticano.
Ao final, o papa pediu que o Sínodo seja um tempo habitado pelo Espírito. Afirmou que a Igreja precisa sempre do Espírito, que é a “respiração sempre nova de Deus, que liberta de todo o fechamento, reanima o que está morto, solta as correntes e espalha a alegria. O Espírito Santo é Aquele que nos guia para onde Deus quer, e não para onde nos levariam as nossas ideias e gostos pessoais".
Papa Francisco discursa no Momento de reflexão.
Durante os testemunhos, houve a participação, por vídeo, de um brasileiro, pe. Zenildo Lima da Silva, da arquidiocese de Manaus, que apresentou seu ministério na região amazônica.
Na manhã deste domingo (10), na Basílica de São Pedro, no Vaticano, o papa presidiu a missa de abertura da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, “Por uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão”, com representantes de ministros ordenados, religiosos e leigos envolvidos no processo sinodal.
Inspirado no evangelho do 28º Domingo do Tempo Comum (Mc 10,17-30), que fala do encontro do jovem rico com Jesus, o papa destacou três verbos importantes para o processo sinodal: encontrar, escutar e discernir.
Registro dos participantes da missa de abertura da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, na basílica vaticana, neste domingo (10).
O papa incentivou a arte do encontro: “Também nós, que iniciamos este caminho, somos chamados a tornar-nos peritos na arte do encontro; peritos, não na organização de eventos, mas na reserva de um tempo para encontrar o Senhor e favorecer o encontro entre nós". Segundo o papa, o exercício do encontro deve ser sem formalismo, fingimentos e maquiagens.
Além do encontrar-se, o papa destacou a importância da escuta: “Como estamos quanto à escuta? Como está ‘o ouvido’ do nosso coração? Permitimos que as pessoas se expressem? (...) Fazer Sínodo é colocar-se no mesmo caminho do Verbo feito homem: é seguir as suas pisadas, escutando a sua Palavra juntamente com as palavras dos outros. É descobrir, maravilhados, que o Espírito Santo sopra de modo sempre surpreendente para sugerir percursos e linguagens novos”.
O papa também explicou que o encontro e a escuta recíproca levam a um processo de diálogo que culminará em atitudes de discernimento espiritual: “O Sínodo é um caminho de discernimento espiritual, que se faz na adoração, na oração, em contato com a Palavra de Deus”.
Por fim, o papa concluiu: “Queridos irmãos e irmãs, bom caminho em conjunto! Sejamos peregrinos enamorados do Evangelho, abertos às surpresas do Espírito Santo. Não percamos as ocasiões de graça do encontro, da escuta recíproca, do discernimento. Com a alegria de saber que, enquanto procuramos o Senhor, é Ele quem primeiro vem ao nosso encontro com o seu amor".
Papa Francisco faz a homilia na missa de abertura do caminho sinodal.
Nas Igrejas Particulares, a abertura da fase diocesana de escuta sinodal será iniciada no dia 17 de outubro.
Na arquidiocese de Pouso Alegre, a abertura dessa fase será no próximo domingo (17), às 11h, com missa presidida pelo arcebispo metropolitano, dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., na catedral do Bom Jesus, com a participação da equipe diocesana do Sínodo dos Bispos, ministros ordenados, religiosos e leigos. Acompanhe a transmissão da celebração pelas redes sociais da catedral.
A fase diocesana de escuta do processo sinodal se dará nas comunidades, paróquias e conselhos arquidiocesanos por meio de encontros de escuta para resposta de questionário, até abril de 2022.
As imagens, citações e informações desta notícia são dos sites vaticannews.va e synod.va.
Faculdade Católica de Pouso Alegre prepara Semana Teológica
Instituição superior de ensino ligada à arquidiocese está com inscrições abertas para Semana Teológica. Destinado à participação acadêmica e de interessados na reflexão da Teologia, neste ano o evento será sobre liturgia.
Entre os dias 9 a 12 de novembro, acontecerá a VII Semana Teológica, com o tema "Liturgia e suas interações". O evento será promovido pelo curso de bacharelado em Teologia, da Faculdade Católica de Pouso Alegre, e acontecerá de forma virtual, pela plataforma Zoom.
Divulgação oficial do evento.
A programação conta com palestras e apresentações de comunicações acadêmicas de estudantes e professores da instituição organizadora e de outras instituições de ensino superior. Veja a programação completa:
Terça-feira, 09/11/2021
8h – Palestra “Liturgia e Corpo” - Dom Armando Bucciol.
Quarta-feira, 10/11/2021
8h – Palestra “Liturgia e Arte” - Dom Jerônimo Pereira, osb.
14h – Comunicações.
Quarta-feira, 11/11/2021
8h – Palestra “Liturgia e Mídias” - Prof. Dr. Moisés Sbardelotto.
14h – Comunicações.
Quinta-feira, 12/11/2021
8h – Palestra “A teologia da liturgia de Bento XVI” - Prof. Dr. Rudy Albino de Assunção.
Divulgação do evento com informações da programação.
Faça sua inscrição como ouvinte.
Faça sua inscrição como apresentador de trabalho.
Para mais informações, acesse o site oficial da Faculdade Católica (https://www.facapa.edu.br) ou entre em contato pelo e-mail secretaria@facapa.edu.br ou telefone (35) 3421-1820.
Paróquias da arquidiocese celebram jubileu de 150 anos de criação
Paróquias jubilares foram Santo Antônio, em Piranguçu (MG), e São Francisco de Paula, em Poço Fundo (MG). As comemorações aconteceram no final do mês de setembro.
Paróquia Santo Antônio
Em Piranguçu, houve uma programação festiva com a comunidade paroquial e um resgate histórico para celebrar a comemoração. Diversas atividades foram realizadas: estudo do livro do tombo, no qual estão registradas informações sobre a paróquia; peregrinação da cruz missionária do jubileu em todas as comunidades; entrevistas com moradores; registro da história das comunidades; lives; missas; entrevista na TV Aparecida; trezena festiva de 08 a 20 de setembro e bênção de uma imagem de Santo Antônio em praça pública.
No dia 8 de setembro, a paróquia recebeu uma relíquia de Santo Antônio, massa corporis, vinda diretamente da basílica de Santo Antônio, em Pádova, na Itália.
Dom Majella presidiu missa solene no dia 21 de setembro, encerrando as comemorações do jubileu, com a participação do pároco, pe. Doulgas Aparecido dos Santos, outros padres, diácono Alberto e fiéis.
Registro oficial do jubileu após a missa solene, no dia 21 de setembro, em Piranguçu. Estão presentes dom Majella, pe. Douglas, outros padres, diácono Alberto e fiéis da paróquia Santo Antônio.
Paróquia São Francisco de Paula
Em Poço Fundo, a paróquia completou 150 anos de criação no dia 22 de setembro.
As comemorações aconteceram por meio de tríduo festivo nas comunidades paroquiais, adoração ao Santíssimo Sacramento, carreata com a imagem de São Francisco de Paula pelas ruas da cidade e missa solene no dia 22, concelebradas pelos padres Júlio César Bernardes e Marcos Vinícius da Silva, respectivamente, pároco e vigário paroquial.
No dia 25 de setembro, sábado, dom Majella celebrou missa solene por ocasião dessa comemoração, com a participação dos padres e fiéis da paróquia.
Dom Majella, pe. Julio e pe. Marcos Vinícius rezam, pedindo a intercessão de São Francisco de Paula, ao final da missa solene, no dia 25 de setembro.
As imagens são das redes sociais das paróquias citadas na notícia. A imagem destacada apresenta a igreja matriz de cada paróquia jubilar (da esquerda para a direita, a igreja de Santo Antônio, em Piranguçu, e a Igreja de São Francisco de Paula, em Poço Fundo).









