Por iniciativa de Deus
A Bíblia, termo grego que significa “livros”, nada mais é do que a compilação escrita das palavras e ações utilizadas por Deus para se revelar à humanidade, e pelo ser humano para corresponder à comunicação divina. Trata-se de uma extensa biblioteca composta por 73 livros e dividida em dois grandes blocos:
o Primeiro Testamento, que contém 46 livros e narra a origem e a trajetória do povo de Israel, e o Segundo Testamento, composto por 27 livros que contam a história de Jesus, de seus apóstolos e da comunidade cristã primitiva. A Bíblia, portanto, é o resultado final de um longo processo de revelação divina, pois “toda Escritura é inspirada por Deus” (2Tm 3,16).
A palavra revelação, originária do latim, quer dizer “retirar o véu” e é utilizada na teologia para falar do mistério por meio do qual Deus retira de si mesmo o véu do escondimento, mostrando-se à humanidade e convidando-a para um diálogo de amor. Compreender a Bíblia, dessa forma, requer um aprofundamento sobre a teologia da revelação divina. Cabe, inicialmente, ressaltar que a revelação de Deus é um mistério. Mas em que sentido? Por vezes, a palavra mistério é utilizada para designar aquilo que é incompreensível, obscuro e inatingível pela mente humana. Contudo, para a fé cristã, mistério significa uma realidade que não se deixa dominar pela audácia humana, mas que pode ser explicada e entendida: “a vós é dado conhecer os mistérios do Reino de Deus” (Lc 8,10). Ou seja, mistério é algo que o ser humano pode aprender, mas não consegue apreender, aprisionar, sujeitar à lógica da razão, pois exige o salto da fé: “ao receber pela nossa voz a Palavra de Deus, vós a acolhestes não como palavra humana, mas como Palavra de Deus que age eficazmente em vós que tendes fé” (1Ts 2,13).
Nesse sentido, pode-se aprender o mistério da revelação! Ela é uma iniciativa de Deus que desejou se mostrar aos homens para convidá-los à comunhão consigo: diferentemente das mitologias religiosas presentes nas civilizações antigas - mesopotâmicas, egípcia, grega, romana, nórdicas etc -, em que o ser humano tomou a iniciativa de buscar nos deuses as explicações para os fenômenos naturais e emocionais que experimentava, o Deus monoteísta de Abraão, Isaac e Jacó (cf. Ex 3,6) se antecipou à vontade e à imaginação humanas. Conforme escreveu São Paulo à comunidade dos cristãos da Galácia, “quis Deus revelar em mim seu Filho” (Gl 4,4), isto é, a revelação é sempre uma obra de Deus que, proativamente, faz-se presente e atuante na história humana.
Se por um lado a revelação ocorreu a partir de uma decisão divina, por outro, Deus capacitou o ser humano para perceber, acolher e interpretar seu modo de se mostrar através de palavras e ações. Criado à imagem e à semelhança Daquele que se revela (cf. Gn 1,26), o homem é um animal capaz de Deus: dotado dos potenciais para se comunicar com Deus, segundo sua livre escolha e decisão, o homem possui uma dignidade superior às demais criaturas, já que é a única capacitada para ouvir o chamado divino e respondê-lo conscientemente.
Porém, é necessário destacar que o ser humano sempre percebeu a Deus, que “é o mesmo, ontem e hoje” (Hb 13,8), no contexto de sua cultura. Isso explica porque a imagem de Deus no Primeiro Testamento é marcada por fisionomias de ira, violência e vingança. No contexto histórico em que viveram, tendo de lutar constantemente com outros povos para garantir a posse da terra prometida, os hebreus atribuíram a Deus as características humanas de um guerreiro (cf. Ex 15,3), de um chefe de exércitos (cf. Sl 46,8), por vezes sanguinário e maldoso.
Deus é imutável, Ele é, conforme Jesus revelou, “piedade e compaixão, lento para a cólera e cheio de amor” (Sl 86,15). Dessa forma, o que muda na passagem do Primeiro para o Segundo Testamento não é o Ser divino, mas sim a forma humana de captá-lo é que evolui, ganhando maior clareza e limpidez com a pessoa e a obra de Cristo, já que “ninguém conhece o Pai a não ser o Filho” (Lc 10,22). Essa questão sobre a consciência teológica do ser humano pode ser ilustrada a partir do seguinte exemplo: quando um mesmo objeto é submetido à descrição de vários indivíduos em contextos diferentes, provavelmente o resultado final da atividade apresente divergências quanto à forma de descrever, aos detalhes privilegiados e à leitura de mundo daquele que descreveu; porém, o objeto descrito não mudou, ele apenas foi captado de maneiras adversas.
De igual forma, Deus é (cf. Ex 3,14) e sua essência não está suscetível ao devir, mas as limitações culturais do ser humano foram respeitadas durante a revelação divina, justamente porque fazem parte do caminho pedagógico de amadurecimento na fé, do conhecimento de Deus e de sua vontade salvadora.
Assim, o caminho da revelação passa por três estágios consecutivos, que representam o desenvolvimento da consciência teológica da humanidade. O primeiro, denominado cosmológico (cosmo significa universo), refere-se à compreensão primitiva sobre Deus, quando a revelação era percebida a partir da criação e das criaturas do mundo natural: “vós todas, obras do Senhor, bendizei o Senhor: cantai-o e exaltai-o para sempre!” (Dn 3,57). O segundo, chamado prototípico (protótipo quer dizer primeira imagem), diz respeito às figuras sobre Deus no judaísmo que, anunciadas “pela boca de seus santos profetas” (Lc 1,70), são como uma sombra da imagem perfeita que é Jesus. O terceiro e definitivo estágio, chamado cristológico, é aquele em que o próprio Deus rasga o véu do seu escondimento para contemplar o homem face a face, já que Cristo “é a imagem do Deus invisível” (Cl 1,15).
Da criação aos patriarcas e profetas, até o evento central da história humana que é a encarnação de Jesus, Deus buscou o ser humano e o atraiu para viver Consigo, revelando seu plano de amor e salvação: “todos os que estão com sede, venham às águas. Deem ouvidos a mim, venham para mim, me escutem e viverão. Farei convosco uma aliança eterna” (Is 55,1.3).
Se, no princípio, o ser humano conheceu a Deus, de forma limitada, admirando-se com as belezas naturais por Ele criadas e ouvindo a voz dos pais da fé de Israel, a partir de Jesus, graças à revelação definitiva que Ele opera com sua vida e missão, os olhos humanos podem ver a face divina, tal como afirmou Jó: “eu te conhecia de ouvir falar, mas agora meus olhos te podem contemplar” (Jó 42,5). A revelação contida nas Sagradas Escrituras dá ao coração humano “a sabedoria que leva à salvação pela fé em Cristo Jesus” (2Tm 3,15). Esse é o enredo da Bíblia e tudo ocorreu por iniciativa, única e generosa, de Deus!
Imagem: Pixabay
#Reflexão: 29º domingo do Tempo Comum (22 de outubro)
A Igreja celebra o 29º Domingo do Tempo Comum, neste domingo (22). Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: Is 45,1.4-6
Salmo: 95(96),1.2a.3.4-5.7-8.9-10a.c (R. 7ab)
2ª Leitura: 1Ts 1,1-5b
Evangelho: Mt 22,15-21
DAR A DEUS O QUE É DE DEUS
A passagem do Evangelho de Mateus deste domingo é muito conhecida e também muito utilizada para expressar a necessidade de manter separadas duas coisas, mas o ensinamento de Jesus vai muito além disso.
Na primeira leitura, temos um trecho do profeta Isaías que recorda a grande importância do rei Ciro que era pagão, mas foi um grande instrumento de libertação para o povo. Segundo Isaías, o rei pagão mesmo sem conhecer a Deus, permitiu que os exilados que estavam na Babilônia retornassem para a terra de Israel. Ciro, inclusive, financiou a reconstrução da cidade e do novo Templo. Para o profeta, Deus é que governa tudo e tudo somente acontece com a sua permissão. Para Deus, não há separação entre os poderes neste mundo, pois tudo deve concorrer para o bem de todos e Deus está pronto a ajudar a todos.
Esta questão entre o poder temporal (governos deste mundo) e Deus está por detrás da questão apresentada pelos opositores de Jesus no Evangelho de Mateus. Mas, há alguns particulares que nos ajudam a entender e aprofundar ainda mais esta questão.
É fundamental recordar que a discussão apresentada pelos inimigos de Jesus aconteceu dentro do Templo na área em que todo o povo poderia circular, inclusive os não judeus. Este local (cerca de quase 4 campos de futebol) tinha no centro o Santuário, local sagrado onde aconteciam os principais rituais judaicos. Fora do Santuário estavam os vendedores de animais e aqueles que trocavam moedas dos romanos pelas moedas que podiam ser usadas dentro do Santuário. Lembrando ainda que Jesus contou duas parábolas que ouvimos nos dois domingos passados para os principais dirigentes judeus da religião judaica e esses resolveram – nesta área pública do templo – iniciar um debate para tentar desmascarar Jesus diante da população que o estimava.
O início da passagem nos informa que os fariseus “saíram” do Templo para, assim, fora dele, tramarem algo contra Jesus (algumas traduções e lecionários não apresentam este detalhe). Eles não queriam debater e aprofundar algum aspecto novo da fé judaica ou das Leis de Deus, mas apresentar a Jesus uma questão que dependendo da resposta, eles pudessem acusar Jesus de algo. Uma vez que Ele estava no Templo, a acusação poderia ser considerada muito grave e até decisiva contra Jesus.
Os fariseus elaboram uma questão, mas como são falsos e sem caráter, mandam “seus discípulos” para provocar Jesus com uma pergunta que era mais uma armadilha do que um debate teológico. Mateus ainda nos informa que junto com os seguidores dos fariseus também fizeram parte da comitiva, os herodianos que representavam o poder temporal uma vez que apoiavam o governo de Herodes. Estes dois grupos sempre foram inimigos, pois os fariseus não aceitavam, de forma nenhuma, as imposições de Roma através de seus administradores; já os herodianos procuravam manter o governo do império romano na cidade. Mas, o mal costuma se unir para produzir mais coisas ruins ainda (e o bem é unido?).
Tudo gira em torno de palavras e atitudes que revelam que eles estavam a serviço do mal, por isto, o discurso inicial nada mais é do que “palavras vazias” que eles mesmos não acreditavam, no entanto, eles queriam tentar iludir Jesus com elogios.
Chamam Jesus de “Mestre” e assim, colocam a ideia principal e a condição fundamental para acusar Jesus: “Ele é um falso mestre!” Ao afirmarem que Jesus é “verdadeiro”, querem dizer que as suas respostas são incontestáveis e por isto, Jesus não poderia recuar em uma resposta; “ensinas o caminho”, dizendo desse modo eles sustentavam que sua doutrina tem o poder de conduzir ou não a Deus, mas se Jesus respondesse mal, Ele estaria conduzindo a todos para o caminho da condenação e da perdição; eles ainda afirmam que Jesus é “autônomo” em suas respostas e ensinamento, e aquilo que está afirmando não é uma repetição de outros mestres; “não olha para a aparência”, isto é, não se deixa influenciar por nada e ninguém.
Estas palavras mais do que elogiosas são princípios que condicionavam e tornavam mais profundas e com inúmeras consequências, qualquer resposta de Jesus. Se Jesus respondesse mal, tudo o que Ele representava para o povo deveria ser rejeitado. Eles queriam mostrar a “hipocrisia” de Jesus, mas é o Mestre Jesus que mostra que eles é que são hipócritas.
A pergunta é apresentada como alguém que pede uma simples opinião. Formulam a questão sem dar um caráter de inquisição, pois a resposta é que pensavam que eles poderiam instrumentalizar da forma que bem entendesse. A pergunta aparenta ser simples, mas era uma armadilha, pois as duas respostas comprometeriam Jesus. Querem a opinião de Jesus se era “lícito” (legal) ou não pagar o tributo a César. Se Jesus falasse que sim, os fariseus iriam acusá-Lo de ser favorável a exploração dos romanos; se Jesus dissesse que não, os herodianos acusariam Jesus de ser um rebelde e agitador de revoltas contra Roma.
Jesus mostra, inicialmente, que não se deixa iludir nem pelos elogios e nem pela pergunta apresentada quase que sem muita pretensão. Nosso Senhor sabia que se tratava de uma armadilha e que as palavras dos opositores eram somente expressão de uma vida hipócrita seja diante das pessoas como também diante de Deus. Jesus inicia sua resposta deixando claro a verdadeira intenção deles e os qualifica como “hipócrita”: pessoas de duas faces (uma moeda tem duas faces).
Era necessário mostrar que eles, de fato, é que eram falsos, assim, Jesus pede que eles mostrassem uma moeda que era usada para pagar o tal imposto de César (a moeda para o tributo era de prata). Ao mostrarem a moeda de César, Jesus mostra que são os opositores que possuíam a moeda e não Ele. Tudo indica que Nosso Senhor não pegou a moeda, pois logo em seguida, Ele pergunta de quem é a “face” e o que estava escrito na moeda. Ao responderam, os opositores reconhecem a imposição de César e suas palavras de dominador, presentes na inscrição. Lembrando que o imperador na época de Jesus era Tibério e ele usava também o título de “César” por pertencer à família de Júlio César.
A pergunta foi clara, mas Jesus responde de uma forma diferente e mais ampla. Eles perguntaram se era “lícito” (correto, legal), mas Jesus responde que se devia “restituir” a César o que era de César. Para Jesus, não havia nenhum problema em dar aquilo que é devido a César. Nosso Senhor ainda esclarece que aquilo que se paga não deve ser visto como uma imposição, mas uma “restituição”, assim, os impostos e taxas não seriam nem algo ruim ou bom, mas uma responsabilidade do cidadão. Mas, há uma novidade na resposta de Jesus. Ele completa com palavras idênticas: “Dar de César (pertence, é de César) a César; | de Deus (pertence, é de Deus) a Deus”. Na resposta, Jesus troca o “lícito” (uma lei, algo correto ou legal) por “restituir” (algo gratuito, generoso, que se reconhece o valor).
Para Jesus, cada um deveria também dar a Deus aquilo que é de Deus. A Cesar deveria se pagar o imposto devido, mas a Deus o que se deve restituir? No exercício que Jesus fez com seus opositores, nós encontramos a resposta. A moeda trazia o rosto de Cesar. O “rosto” que devemos restituir a Deus são as pessoas, pois cada ser humano é rosto de Deus (imagem e semelhança de Deus).
Jesus convoca a todos para devolver a Deus cada pessoa com uma face que seja digna e justa, pois nós somos imagem de Deus. A questão assim, para Jesus não estava localizada sobre uma questão material para César (moeda e imposto), mas aquilo que precisamos dar e restituir a Deus (cada pessoa, rosto de Deus). Eles procuraram armar uma armadilha contra Jesus, mas são eles que caem na própria armadilha.
Para Nosso Senhor não há nenhum “problema” com os impostos, mas sim com as pessoas, pois essas é que devem ser apresentadas a Deus com dignidade (“restituídas” a Deus), pois essas é que são a face de Deus neste mundo. Paulo na 2a leitura nos lembra os pilares da nossa caminhada para sermos imagens de Deus e do Seu Filho Jesus: “a atuação da vossa fé, o esforço da vossa caridade e a firmeza da vossa esperança em nosso Senhor Jesus Cristo”.
Dar a “Deus o que é de Deus”. Fica a pergunta para nós: Quanto estou dando a Deus através da promoção das pessoas? O tempo que tenho para as coisas do mundo (“César”) é igual ou maior que aquilo que reservo para Deus?
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Diácono Iago, FMI, é ordenado padre em Pouso Alegre
O arcebispo metropolitano de Pouso Alegre, dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., ordenou presbítero, na manhã deste sábado (14), o diácono Jâmison Iago Alves da Cruz, religioso pavoniano da Congregação dos Filhos de Maria Imaculada (F.M.I.).
Momento em que dom Majella, C.Ss.R., impõe as mãos sobre o diácono Iago.
A Celebração Eucarística com o Rito da Ordenação Presbiteral aconteceu na Igreja Matriz de São José Operário, em Pouso Alegre (MG), e contou com a presença dos padres e religiosos pavonianos, dos membros do clero arquidiocesano, seminaristas, familiares e amigos do neossacerdote e cristãos leigos.
Diácono Iago ao lado de seus pais, Cícera e Francisco.
Na homilia, Dom Majella manifestou seu reconhecimento e gratidão à Congregação dos Filhos de Maria Imaculada e a todos que orientaram o jovem diácono em seu discernimento e preparação para o sacerdócio, convidando os presentes a render graças a Deus pela dádiva de mais um padre para a Igreja. O arcebispo também dirigiu algumas palavras ao ordenante.
“Caro diácono Iago, você tem por missão ser pastor, ir ao encontro das pessoas, reconhecendo-as e estando desperto para as suas necessidades, ao estilo de Deus, que se manifesta em Jesus, proximidade, compaixão, ternura. O sacramento da Ordem faz de você participante do amor de Cristo pelo seu povo, da sua própria missão. Você é escolhido, chamado e enviado por Ele a espalhar a semente da sua própria palavra que traz em si o Reino de Deus, a oferecer a divina misericórdia que cura as feridas. Toque as feridas, com o amor generoso de Jesus.”
O arcebispo concluiu a pregação rogando as bênçãos de Nossa Senhora sobre o neossacerdote: “Maria, a Serva do Senhor, que conformou a sua vontade com a de Deus, que seguiu o Filho Jesus até aos pés da Cruz no supremo gesto de amor, o acompanhe durante todos os dias da sua vida e do seu ministério.”
Dom Majella, C.Ss.R., durante sua homilia.
Padre Iago agradeceu a todos que participaram da sua caminhada vocacional e formativa, aos envolvidos nos preparativos para a sua ordenação, aos seus irmãos de congregação, ao clero arquidiocesano, bem como seus familiares e, principalmente, a Deus.
“Diante de tão grande mistério me resta agradecer ao Bom Deus e render louvores pelo dom da minha vocação. O meu coração transborda de alegria por estar oferecendo o que tenho de mais precioso, o meu sim”, afirmou padre Iago.
“Que a graça de Deus me ajude a servir a todos no exercício diário da caridade. Encerro dizendo que este dia não é mérito apenas meu, mas é a resposta do Senhor diante das vossas orações que tanto pedem pelas vocações.” E concluiu: “Meu muito obrigado a todos, a minha benção e que Deus vos abençoe.”
Padre Iago agradece a todos que participaram e contribuíram com a sua formação e a sua ordenação.
O lema escolhido para a sua ordenação foi extraído do profeta Isaías: “Ungiu-me para curar corações” (Is 61,1). Ao final da cerimônia, padre Iago foi saudado pelos presentes.
Neossacerdote
Padre Iago é religioso da Congregação dos Filhos de Maria Imaculada, F.M.I. Ele nasceu na cidade do Crato, no sul do Ceará. É o filho mais velho do casal Francisco e Cícera. Com apenas 6 anos, mudou-se com a família para Itaquera, Zona Leste de São Paulo (SP).
Ingressou no Seminário no ano de 2015, aos 18 anos. No Instituto Santo Tomás de Aquino (ISTA), em Belo Horizonte (MG), fez a licenciatura em Filosofia (2015 a 2017) e o bacharelado em Teologia (2019 a 2021).
Seu Exame Compreensivo de Teologia (De Universa) foi realizado na Faculdade Católica de Pouso Alegre (Facapa). É Especialista em Psicologia da Educação pela Faculdade Focus (2022), e também é licenciado em Pedagogia pelo Centro Universitário Claretiano (2023)
Em 2019, foi enviado a Comunidade Internacional do Noviciado em Villavicencio, Colômbia, e, no ano seguinte, emitiu a sua Profissão Religiosa. Como religioso, dedicou seu apostolado como educador, coordenador de pastorais, animador vocacional e administrador.
Pavonianos
Os primeiros religiosos pavonianos chegaram ao bispado sul-mineiro em 1948. Desde então tem se dedicado a área da educação na Escola Profissional Delfim Moreira e no Colégio São José. No campo pastoral, os padres da congregação auxiliam nas atividades litúrgicas das comunidades existentes na cidade.
Em 26 de fevereiro deste ano, dom Majella, C.Ss.R., confiou aos padres pavonianos a coordenação da Área Pastoral João Paulo II, criada na mesma época pelo metropolita. A região é formada pelas comunidades Santa Rita de Cássia (Belo Horizonte), Santo Expedito (Ipiranga) e Mãe Rainha (Presidente Juscelino – JK).
Padre Iago continuará desempenhando suas atividades na Área Pastoral João Paulo II, juntamente com os religiosos padre Claudinei Ramos Pereira, F.M.I., e padre Carlos Raimundo Pereira, F.M.I..
Padre Iago, F.M.I., com o arcebispo Dom Majella, C.Ss.R., seus confrades pavonianos, familiares e amigos, ao final da Celebração.
Confira mais imagens da Ordenação.
Texto: Éder Couto, com colaboração do padre Carlos Cézar Raimundo
Imagens: Júlio César Giudiceli Ribeiro
#Reflexão: 28º domingo do Tempo Comum (15 de outubro)
A Igreja celebra o 28º Domingo do Tempo Comum, neste domingo (15). Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: Is 25,6-10a
Salmo: 22(23),1-3a.3b-4.5-6 (R. 6cd)
2ª Leitura: Fl 4,12-14.19-20 ou mais breve 22,1-10
Evangelho: Mt 22,1-14
BANQUETE DE VIDA NOVA
O banquete na Bíblia é um dos sinais da generosidade e da bênção de Deus. Para um povo que tinha o mínimo para a subsistência, uma festa com carne em abundância e com os melhores vinhos, era algo tido como de “outro mundo” e muito longe da realidade da maioria das pessoas. Era para eles, o símbolo do paraíso.
Pois bem, o profeta Isaías profetiza um novo tempo para o povo de Deus aonde esta realidade, um dia iria se realizar neste mundo. Juntamente com o banquete com as melhores carnes e os vinhos mais apreciados será a realização de uma realidade que todos sonhavam e que Deus promete como certa, através do seu profeta.
No Evangelho de Mateus deste domingo, Jesus nos conta mais uma parábola e esta, mais uma vez, tem como destinatário os fariseus e os sacerdotes do seu povo. Eles estavam profundamente ligados à religião na época de Jesus e sempre se colocaram contra as Suas propostas de Reino de Deus. Sentiam-se os “melhores”.
A parábola de Jesus retrata muito bem a realidade de seu tempo e, infelizmente, também de nosso tempo. Como é comum nos ensinamentos de Jesus, Nosso Deus sempre vem ao nosso encontro, Ele sempre nos oferece o melhor que possui; Ele manda Seus servos para nos convidar e procura insistir para que façamos festa com Ele. Como na imagem proposta pelo profeta Isaías, tudo está preparado por Deus com o que existe de melhor, sempre com fartura e abundância.
Jesus nos conta uma história de um rei que prepara uma grande festa de casamento com o que existia de melhor na época. Quando tudo já estava pronto, ele manda os empregados chamar os convidados. O rei que possui tudo e todo poder, se propõe a oferecer o que havia de melhor e parece que os primeiros a serem convidados já estavam advertidos sobre a festa e deveriam somente esperar que tudo estivesse pronto para banquetearem a vontade.
Triste é a resposta que dão aos servos que foram levar o convite do rei: total desprezo a tudo que o rei preparou com carinho. Todos de certa forma já sabiam da festa do filho do rei, mas não aceitaram o convite. Aqueles que se sentiam os melhores neste mundo, desprezaram o que o rei preparou e ofereceu gratuitamente. Tratava-se da festa de casamento do seu filho, momento mais importante, esperado e preparado pelo rei, mas tudo foi menosprezado por aqueles que já sabiam da festa.
Deparamo-nos, novamente, diante de um rei diferente, pois ele insiste, inicialmente, em convidar aqueles que deveriam ser os primeiros a participarem do banquete das núpcias do seu filho. Facilmente podemos perceber que o rei é Deus que através de seus servos (os profetas) procurou preparar o povo para o grande banquete do seu filho (Jesus). Os “primeiros convidados” foram os fariseus e a elite da religião da época. Eles sabiam da “vinda do Messias” e foram os primeiros convidados, mas desprezaram tudo. Nosso Senhor é o noivo que quis festejar seu casamento com sua gente, mas o povo não quis saber de nada e não aceitou o convite.
Jesus continua a parábola afirmando que tudo estava preparado e tudo foi oferecido no momento oportuno e que não se repetirá: a festa já estava preparada e as melhores bebidas com os melhores animais já estavam prontos, somente depois de tudo colocado à mesa é que os convidados foram convocados. O tempo e o momento são de Deus; as oportunidades de Deus são únicas e as recebem quem prontamente as acolhe com generosidade: as graças de Deus não esperam a nossa vontade e o momento que nós achamos que precisamos.
Mas, o rei é perseverante: manda mais servos para insistirem no convite: os mais próximos e preparados tinham a precedência para a festa, mas desprezaram o convite, maltrataram os servos e mataram outros. É evidente da parte do Rei de não deixar os primeiros convidados fora do seu banquete, mas diante da insistência do Rei, os tidos “melhores” responderam com mais violência e desprezo.
Aqueles que recusam o convite apresentam apego às coisas deste mundo: bens materiais (campo) e riquezas (negócios). Estas coisas materiais se tornaram mais importante que tudo e ocuparam o centro da vida dos primeiros convidados. Negar ao convite do Rei é traçar um futuro onde tudo que possuem será tirado e destruído: chegará um momento em que não lhes restará nada a não ser a condenação por terem negado o convite. Recusaram a oferta daquilo que o Rei tinha de melhor e acabaram perdendo tudo que tinham.
O Rei determina, então, que fossem chamados todos que se achassem pelas estradas e esquinas. Nesta festa, patrão é somente um: o Rei, pai do Noivo. Aqueles que rejeitaram se sentiam senhores de tudo que possuíam. Para eles, o rico tesouro do “tempo” era administrado somente por eles e até o Rei deveria se adequar às suas vontades. São pequenos reis de suas vidas e dos seus tempos.
Como naquele tempo, ainda hoje, o convite é feito com a mesma intensidade e abertura, mas as pessoas ainda continuam colocando as coisas de Deus em último lugar. O “tempo para Deus” ainda é aquele que resta, isto quando resta algo. Tudo tem prioridade e precedência.
A parábola de Jesus começa falando que eram poucos e os mais preparados que foram convidados. Diante do desprezo desses, o rei manda chamar todos aqueles que se encontrassem nas esquinas das ruas. Entram na festa de casamento, segundo Jesus, os maus e os bons (observe a ordem!), todos aqueles que acolheram o convite. Para participar da festa era preciso somente aceitar e acolher o convite, mas isto deve produzir algo novo e fundamental em cada pessoa.
Na parábola de Jesus, o rei se mostra alguém muito diferente. Diante da recusa dos que se achavam os “melhores”, Ele não desiste da sua festa, mas amplia o número de convidados. Os mais dignos e os “melhores” se perderam pelos caminhos da história e os lugares na festa daquilo que existia de melhor da parte do Rei para celebrar o casamento do seu filho, foram ocupados por aqueles que não eram os mais importantes.
Este Rei diferente na parábola de Jesus desce para festejar e caminha no meio daqueles que eram os últimos e abandonados pelos caminhos e “esquinas” (onde ficavam os mendicantes). É um rei que não tem dificuldade de festejar o melhor momento de sua vida com aqueles que eram os últimos neste mundo.
Mas, o Rei continua sendo exigente e as condições para participar da festa das núpcias do Filho do Rei continuam valendo: é necessário ter roupa nova e própria para festejar com o Rei. É necessário responder com nova atitude. O convite é do Rei, mas é necessário sempre corresponder com vida nova para permanecer na festa. Na Bíblia, “roupa” representa a identidade da pessoa. Todos que aceitaram o convite do Rei tinham uma “roupa nova” e adequada. Tinham deixado para traz o homem velho e se revestido do homem novo.
Jesus narra que o rei encontrou alguém que tinha aceitado o convite, tinha deixado tudo, tinha entrado na festa, mas ainda tinha as roupas de antigamente. Estava dentro da festa, mas com roupas antigas e velhas, por isto, foi expulso.
Paulo na 2a leitura nos ensina a estarmos totalmente desprendidos das coisas deste mundo e viver uma vida tendo como maior tesouro o nosso tempo para Deus. Ele é o fundamental e o necessário para nossa vida e tudo o mais, seja na abundância ou na carestia, não deve condicionar e nem atrapalhar a estarmos sempre a serviço de Deus.
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Beato Carlo Acutis: o jovem santo da internet
A Igreja celebra no dia 12 de outubro a memória do beato Carlo Acutis, que tem sido cada vez mais conhecido e amado pelo mundo todo, sobretudo em meio à juventude católica. Nascido em Londres no dia 3 de maio de 1991, filho de Andrea e Antonia Salzano foi batizado no dia 18 de maio do mesmo ano na Igreja Nossa Senhora das Dores.
Desde a mais tenra infância, o beato Carlo Acutis apresentava sinais de santidade, sendo sempre uma criança caridosa, bondosa e amável para com todos.
Muito conhecedor da informática, Carlo criou um blog no qual catalogou os milagres eucarísticos acontecidos pelo mundo, o que era algo extraordinário, visto que a internet não era tão acessível à época. O centro da espiritualidade de Carlo era a eucaristia e também era profundamente apaixonado pela Virgem Maria. Aprendeu desde cedo a imitar os pastorinhos de Fátima, oferecendo sempre sacrifício pelos pecadores. Era um jovem extremamente caridoso, sobretudo com os moradores de rua.
Carlo era um jovem orante, ia à missa todos os dias e rezava o rosário diariamente, mas isso não impedia de passear e se divertir com os amigos.
Em outubro de 2006, ele foi diagnosticado com leucemia, a doença era grave e agressiva, levando-o a ficar internado. Com sua confiança em Deus, aceitou com paciência todo sofrimento e, dias antes de ser internado, Carlo Acutis ofereceu todo seu sofrimento a Deus, pelo papa Bento XVI e pela Igreja. No dia 11 de outubro de 2006, Carlo teve morte cerebral e no dia 12 de outubro parte para a eternidade, deixando seu rastro de santidade pelo mundo.
Carlo Acutis foi beatificado em 10 de outubro de 2020 em Assis, na Itália, onde seu corpo encontra-se para veneração no Santuário da Expoliação. A sua fama de santidade só aumenta a cada dia no mundo todo. O beato Carlo Acutis nos ensina três coisas extremante importantes: a primeira é que a santidade é um chamado de todos, independente da idade. A segunda, que é possível ser “santo sem deixar de ser jovem”, vivendo a juventude buscando a Deus na oração, na eucaristia e no rosário. O terceiro ensinamento é que ele é um santo dos nossos tempos, um jovem muito próximo de nós, da nossa geração. Portanto, inspirados na vida deste jovem busquemos amar a Deus e trilhar o caminho da santidade.
Oração
Senhor nosso Deus, olhai para nós, sobretudo para os jovens, para que imitando o exemplo do beato Carlo Acutis possamos viver uma vida santa em todos os estados de vida, buscando a eucaristia, vivendo o amor pela Igreja, por Nossa Senhora, pelo papa e pelos mais necessitados. Amém.
Referência: Biografia do novo Beato Carlo Acutis. Editora Rainha, 2020. Disponível em: <https://rainhaoficial.com.br/biografia-do-novo-beato-carlo-acutis.html>.
Referência da imagem: https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2019-08/veneravel-carlo-acutis.html
Movimento Nossa Senhora da Esperança realiza retiro anual
No dia 07 de outubro, o Movimento Nossa Senhora da Esperança, que reúne pessoas viúvas ou que vivem sós, realizou o seu retiro anual no Santuário Imaculado Coração de Maria, em Pouso Alegre (MG). O retiro foi orientado pelo padre Clemildes Francisco de Paiva e teve como tema: “Semear, esperar e servir, nossa missão!”. O movimento fundamenta-se na mística da ‘entreajuda’: louvar e servir a Deus, no estado de vida da viuvez e das pessoas sós.
O Retiro é um compromisso que as pessoas viúvas e que vivem sós vivenciam a cada ano para o crescimento da fé e da espiritualidade. Uma rara oportunidade para se conhecer melhor o pensamento de Deus e também uma chance de se fazer um novo planejamento de vida, sob os olhares do Senhor: “Vinde à parte, para um lugar deserto e descansai um pouco” (Mt 6, 31).
Segundo testemunharam os participantes do retiro, o movimento é tão bonito que precisa ser divulgado: "esperamos que outras pessoas com o perfil dessas comunidades possam vir participar e assim cultivar a sua vida espiritual, guardar a paz interior e enfrentar com determinação e confiança os mistérios decorrentes da própria existência".
O Movimento Nossa Senhora da Esperança é fruto do desejo de dona Nancy Cajado Moncau, grande entusiasta do Movimento das Equipes de Nossa Senhora. Trabalhou como ‘viúva equipista’ e, junto com alguns amigos, idealizou um movimento para quem vivia o estado de vida da viuvez. Logo em seguida, acrescentou ao movimento também os solteiros e os separados que permanecem sós.
O grupo tem a mesma linha metodológica das Equipes de Nossa Senhora, salvo algumas adaptações com vistas aos objetivos esperados. Na região de Pouso Alegre há um casal de Equipe de Nossa Senhora, Rita de Cássia Pereira Rezende e Carlos Henrique F. Rezende; uma viúva, Célia Regina Freitas Andrade e o padre José Luiz Faria Júnior que são responsáveis pelo Movimento.
Texto: padre Carlos Cézar Raimundo/Rita de Cássia Rezende.
Imagens: padre Clemildes Paiva/Rita de Cássia Rezende
São Bruno: monge que viveu a alegria no silêncio
“Bem-aventurado aquele que está separado de tudo e unido a todos” (Evágrio Pôntico).
Encantou-me as leituras que pude fazer sobre a vida e obra de São Bruno. Muito especial para mim, pois nosso filho tem o nome desse santo e, saber sobre ele, tive grande motivação.
Bruno nasceu na cidade alemã de Colônia por volta do ano 1030. Filho de pais famosos, muito jovem sentiu o chamado do Senhor para o sacerdócio. Bruno, certamente se desconcertava pelas lógicas das escolhas de Deus sobre vocação e santidade e, foi se preparar para bem servir o Senhor. Estudou na famosa Escola Catedral de Reims, recebendo sólida e completa formação, sobretudo em literatura sagrada. Já, em 1506 fôra nomeado reitor de sua escola e, por mais de vinte anos, trabalhou nela, distinguindo-se pela sua cultura, qualidades pedagógicas e pelo afeto aos seus alunos.
Bruno trazia em seu coração um chamado bem elevado: o de viver a solidão e “deixar o mundo”. Esse desejo cresceu após enfrentar uma luta com o arcebispo Manassés e Gournay, eleito para a Catedral de Reims, um homem ávido pelos bens materiais, que acabou deposto pelo papa Gregório VII. Mesmo sendo candidato ao lugar de Manassés, por sua dignidade e até por sofrer perseguições pelo nome de Jesus, Bruno abandona seus bens, todas as honras ao seu ofício e as riquezas mundanas e, com o coração ardendo em amor divino, pôs-se a buscar bens eternos e receber o hábito monástico.
Bruno percorre o caminho para realizar seu sonho e sai a procurar um lugar adequado para a vida eremítica. Foi até o bispo Hugo de Grenoble, em Chartreuse, com seus companheiros, que comungavam do mesmo sonho. Chegaram movidos de esperança, atraídos pela vida santa do jovem bispo, que os recebeu com imensa alegria e respeito, acatando o pedido de Bruno. O lugar era o deserto de Chartreuse e ali construíram um mosteiro. Fato pleno de mistério foi o sonho do bispo Hugo, pouco antes. Ele sonhara com Deus construindo no deserto uma morada para sua glória; viu ainda sete estrelas a mostrar-lhe o caminho e o grupo de Bruno era em número de sete.
Bruno foi escolhido por Deus, cuja bondade infinita nunca desampara os interesses de sua Igreja. Um homem de pura santidade fundou e governou o eremitério de Chartreuse por seis anos, que ao dizer de São Pio XI, regou profundamente com seu espírito amoroso, oferecendo uma regra viva aos seus filhos. “O que a solidão e o silêncio do deserto trazem de utilidade e de divino gozo àqueles que os amam, só o sabem os que já fizeram a experiência disto. (…) Aqui nos esforçamos por adquirir este olho cujo claro olhar fere de amor o esposo divino e cuja pureza nos concede ver a Deus” (São Bruno: Carta a Raul, o Verde §1).
Outro caminho é pedido a Bruno: o papa Urbano II chama-o para junto de si. Obediente, ele parte para a Cúria Romana. Seus companheiros sentem-se desanimados sem sua presença. Bruno consegue encorajá-los e eles retomam a vida no eremitério. Porém, Bruno não pode suportar a agitação e os costumes da Cúria, ansioso por reencontrar a solidão, parte para um deserto de Calábria, chamado La Torre. O amigo Raul, do Cabido de Reims concede a ele o novo eremitério chamado Santa Maria de La Torre. Lá passou o resto de sua vida, rodeado por grande número de leigos e clérigos.
Ao eremitério de Chartreuse, Bruno escreve uma carta aos seus amados filhos, quando da visita de frei Landuino, que veio até ele para discutir coisas relativas ao interesse do estabelecimento da vocação dos Cartuxos. Na carta ele escreve: “... alegrai-vos, então, meus irmãos muito queridos, pela vossa bem-aventurada sorte e pela generosidade da graça divina derramada sobre vós... alegrai-vos por haver alcançado o repouso tranquilo e a segurança de um porto escondido”.
Na Calábria, Bruno viveu para a vida solitária. Foi lá que morreu onze anos após sua saída de Chartreuse, rodeado de amor pela veneração de seus irmãos.
“Sabendo que a sua hora tinha chegado de passar deste mundo para o seu Senhor e Pai, convocou os seus irmãos, passou em revista todas as etapas da sua vida desde a sua infância, e recordou com muito espírito os acontecimentos notáveis do seu tempo. Em seguida, expôs a sua fé na Trindade num discurso prolongado e profundo. E assim no domingo seguinte, 6 de Outubro do ano 1101 de Nosso Senhor, a sua alma santa deixou a sua carne mortal” (Carta Encíclica Eremitas da Calábria)
Em 1514, o Capítulo Geral da Ordem, sob a direção do Reverendo Padre Geral Dom Francisco du Puy, decidiu pedir a canonização de Bruno. Leão X acolheu com bondade o pedido dos Cartuxos, confirmando que estava bem fundado, e a 19 de julho de 1514 autorizou a festa canônica de Bruno de Colônia. Uma canonização que não passou pelo processo habitual, foi um decreto emitido pela própria autoridade papal. Em 1623 a festa se estendeu à Igreja Universal, celebrada a 6 de outubro, o que provocou um enorme interesse pela figura espiritual de São Bruno. A sua paternidade permanece viva!
Homem sedento de Deus, seduzido pelo absoluto, mas sempre discreto, o seu epitáfio traça um belo retrato do seu equilíbrio e da sua personalidade radiante: “Em muitas coisas, Bruno deve ser elogiado, mas sobretudo nesta: homem com uma vida com uma muito grande igualdade, ele foi nisto singular. Sempre tinha o rosto em festa, e a palavra ponderada. Por detrás do rigor de um pai, ele manifestou as entranhas de mãe. Ninguém o achou altivo, mas doce como um cordeiro. Numa palavra, ele foi nesta vida o verdadeiro israelita [um homem sem falsidade]” (Tutilli funbris §1).
Rezemos, pedindo a intercessão de São Bruno, pela nossa conversão diária ao projeto de amor de nosso Deus! Que nosso rosto esteja sempre em festa, mesmo nas tribulações e nossa “palavra seja certa, na hora e do jeito certo” no trato com nossos irmãos e irmãs. Que nosso coração seja doce como um cordeiro e forte o bastante para amar como Bruno amou!
São Bruno, rogai por nós!
Referências:
Site Monges Cartuxos – Les moines Chartreuse – Monastère de La Grande Chartreuse.
Santo do Dia – Canção Nova
Referência da imagem: http://www.vaticannews.cn/pt/santo-do-dia/10/06/s--bruno-da-calabria--presbitero--fundador-da-ordem-dos-cartuxos.html
#Reflexão: 27º domingo do Tempo Comum (08 de outubro)
A Igreja celebra o 27º Domingo do Tempo Comum, neste domingo (08). Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: Is 5,1-7
Salmo: 79(80),9.12.13-14.15-16.19-20 (R. Is 5,7a)
2ª Leitura: Fl 4,6-9
Evangelho: Mt 21,33-43
VINHA DO SENHOR SERÁ DADA A QUEM TRABALHAR COM AMOR
As leituras deste domingo, novamente, trazem o tema do trabalho em uma vinha. Esta é a terceira parábola contada por Jesus usando esta realidade que era muito comum no seu tempo e uma atividade no campo executada por quase todas as famílias, inclusive às mais simples. Da vinha o agricultor obtinha a uva, mas também o vinho: alimento e bebida que sustentavam as famílias e alegrava o coração de todos.
No AT, a vinha passou a ser símbolo do próprio povo de Israel, pois exigia muito cuidado e dedicação, mas que no final, no tempo da vindima (colheita da uva), todo esforço compensava todo cansaço. O profeta Isaías (1a leitura) conta uma história sobre uma vinha de um amigo para ilustrar o comportamento do povo de Deus. O profeta afirma: “a vinha do Senhor é a casa de Israel” que no final, não produziu bons frutos, mas uvas amargas. Há muitas semelhanças entre a história de Isaías e a parábola de Jesus, mas os pontos diferentes são mais significativos no ensinamento de Jesus.
Nas duas histórias, destaca-se a dedicação dos patrões para com suas vinhas: eles investem muito na preparação da terra, limpam o terreno e depois, com uma torre oferecem toda proteção as suas propriedades. Na história de Isaías, há um detalhe a mais em relação à parábola de Jesus: o proprietário arranca também as pedras. Isto recorda os povos estrangeiros que estavam na terra que Deus iria dar ao seu povo. Essas nações foram expulsas de Canaã e o povo pode ocupar a Terra Prometida. Tudo isso, graças à intervenção e ao poder de Deus.
Isaías diz que a vinha, apesar de toda dedicação do seu proprietário, no final, ela produziu somente frutos amargos que não serviam para nada. O proprietário, desgostoso e frustrado, resolveu abandonar a vinha e permitir que ela fosse devastada pelos animais selvagens e invadida por pragas. Segundo o profeta, a vinha é o povo de Israel que abandonou o seu Deus e assim, sofreu todo tipo de consequências e catástrofes, pois, de fato, longe de Deus, tudo de ruim acontece. Os empregados enviados foram os profetas. A principal falha do povo de Israel foi de não produzir frutos de justiça, pois são estes frutos que Deus esperava colher em sua vinha depois de todo esforço para com seu povo.
Na parábola que Jesus conta no Evangelho de Mateus deste domingo, alguns detalhes devem ter chamado atenção dos seus ouvintes, pois todos certamente, conheciam a história do profeta Isaías da 1a leitura. O evangelista lembra que o público que O escutava era composto pelos sacerdotes e anciãos do povo, pessoas que conheciam muito bem as Escrituras Sagradas.
O proprietário na parábola de Jesus, após ter investido muito em sua vinha, resolveu arrendá-la a outras pessoas para que esses trabalhassem e a fizessem produzir frutos. Neste caso, a vinha produziu seus frutos no tempo certo e provavelmente a produção foi muito boa. Conforme o combinado entre o proprietário e os vinhateiros, o proprietário foi exigir a sua parte na produção, pois essa era a forma de se pagar a vinha ou o terreno arrendado. Mas os encarregados foram maltratados, humilhados e alguns pagaram com suas vidas e nada conseguiram levar para o dono da vinha. O proprietário da vinha, no entanto, se mostra com uma “estranha” paciência, pois mandou ainda outros servos. Mas, tudo se repetiu como anteriormente e os novos empregados nada conseguiram de pagamento para o dono da vinha.
Outros proprietários e donos de vinhas não teriam agido com tanta paciência: teriam enviado a polícia já na primeira situação negativa e processado os arrendatários da vinha, mas não estamos falando de uma vinha qualquer e nem de um proprietário comum.
A parábola de Jesus ganha um suspense quando o proprietário da vinha manda seu próprio filho, sozinho e desarmado para tentar receber a parte devida no contrato. É o momento em que ouvimos o dono da vinha que afirma ter esperança que “hão de respeitar o meu filho”. Esse foi enviado sem nenhum sinal de violência e vingança, mas como porta-voz e representante do Senhor da Vinha. Mas, o destino desse Filho foi semelhante aos dos servos. Neste momento ouvimos também os arrendatários da vinha que reconhecem o filho como herdeiro e, movidos pela cobiça, resolvem executá-lo fora da vinha para tomar posse definitiva daquilo que não lhes pertencia. Nós sabemos como foi o final da vida de Jesus: idêntico ao do filho da parábola.
A vinha no ensinamento de Jesus continua sendo o povo de Deus, mas com uma grande e nova realidade. Esse povo (a vinha) produz seus frutos conforme a vontade de Deus, mas estava sendo explorado por seus dirigentes (sacerdotes e anciãos) que agiam como posseiros da Vinha do Senhor (“povo de Deus”). Não queriam saber de dar a parte que cabia a Deus, eles desejavam ter tudo somente para uso deles. Deus, o verdadeiro dono da Vinha, tinha tentado tocar o coração deles através dos profetas, mas nada conseguiu; Jesus era a última chance que o Verdadeiro Proprietário do povo de Deus estava dando aos sacerdotes e dirigentes do povo.
Jesus faz algo interessante em relação àqueles que eram os responsáveis pela religião judaica em seu tempo. Devemos recordar que essa parábola foi contada por Jesus quando Ele estava no lugar mais sagrado dos judeus: o Templo de Jerusalém. Nosso Senhor resolve pedir que eles mesmos julgassem os arrendatários homicidas na parábola que Ele tinha contado. Os sacerdotes e anciãos deram um veredito severo para os arrendatários assassinos da parábola, mas a resposta desses não foi totalmente confirmada por Deus: Eles afirmaram que os arrendatários deveriam ser executados de uma forma horrível e a vinha repassada a outros.
Quando Jesus retoma a palavra, Ele não confirma o caráter de vingança conforme os sacerdotes e anciãos tinham afirmaram, pois o Deus de Jesus não é vingativo, mas Deus fará o que eles mesmos tinham dito: a vinha será tirada da mão deles e dada a outros.
A vinha na parábola de Jesus continua sendo o povo de Deus, mas não mais e somente Israel: ela se transformou em Reino de Deus que tem sua especial presença na Igreja de Cristo. Ela sempre vai produzir frutos, pois pertence a Jesus. Os dirigentes religiosos judeus administravam o povo de Israel com se tudo fosse deles sem se importar com a vontade de Deus, por isto, foram excluídos do Novo Tempo que Jesus inaugurou, uma vez que eles mesmos negaram Jesus como sendo o Filho Amado de Deus Pai.
Neste novo tempo da Vinha do Senhor (o Reino de Deus e sua Igreja), os frutos desejados por Deus continuam sendo de justiça e de paz. Mas, outros frutos devem também ser produzidos na Vinha do Senhor. E São Paulo na 2a leitura nos ajuda a entender quais frutos devemos produzir dentro desta Vinha do Senhor: “tudo o que é verdadeiro, tudo o que é nobre, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, tudo o que é virtuoso e louvável”.
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Mês Missionário será celebrado na Arquidiocese de Pouso Alegre
O mês de outubro é tradicionalmente celebrado na Igreja como Mês Missionário. É um mês em que se intensificam as iniciativas de animação e orações em prol das missões.
Outubro se tornou o mês missionário por causa do Dia Mundial das Missões, celebrado no terceiro domingo de outubro. O papa Pio XI, em 1926, instituiu essa data com o desejo de incentivar a oração pelas missões e de promover uma coleta em favor da evangelização dos povos. Assim, todos os cristãos católicos são convidados, especialmente no mês de outubro, a rezar e a colaborar concretamente com sua oferta para a realização da missão da Igreja no mundo.
A Campanha Missionária 2023 tem como tema “Ide! Da Igreja local aos confins do mundo” e como inspiração bíblica, o texto dos discípulos de Emaús, “Corações ardentes, pés a caminho” (Lc 24,13-35). O tema deste ano ajuda a aprofundar a relação entre Igreja-local e a missão ad gentes, enquanto o lema está em sintonia com o 3º Ano Vocacional que a Igreja do Brasil está celebrando. A Campanha põe em evidência que cada Igreja local tem o dever de evangelizar toda pessoa e todos os povos até os confins da terra. Destaca-se que esta motivação missionária nasce da experiência do amor de Cristo que cativa e impulsiona cada cristão.
A mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Missões focaliza a atenção sobre o encontro com Jesus Ressuscitado como a motivação central do ser e agir missionários. Os pés dos discípulos se põem a caminho somente porque antes, os corações se inflamaram no encontro com Jesus que os ouviu, caminhou com eles, explicou-lhes a Escritura e ficou com eles para a partilha do pão.
O Mês Missionário nos recorda que todos podem colaborar concretamente com o movimento missionário através da oração e da ação, e com ofertas de valores em dinheiro. Por isso, em todas as Igrejas do mundo no terceiro domingo de outubro realiza-se a coleta missionária, destinada integralmente para a missão universal.
A Arquidiocese de Pouso Alegre, durante este mês, buscará sensibilizar e despertar a consciência missionária de todos os batizados, ajudando-os a perceber que todos são responsáveis pela edificação do reino de Deus. O COMIDI (Conselho Missionário Diocesano) orientou cada COMIPA (Conselho Missionário Paroquial) a realizar encontros de formação missionária em cada paróquia da arquidiocese, utilizando o material Novena Missionária, elaborado pelas Pontifícias Obras Missionárias. A Novena Missionária convida todos a rezar e refletir sobre a necessidade de uma uma Igreja em saída, próxima das pessoas e que chegue até os confins do mundo. Para cada dia da novena é oferecido um texto para ser lido, meditado e rezado, seguindo os passos da Leitura Orante da Bíblia.
Texto: padre José Luiz Faria Junior
Imagens: Site das Pontifícias Obras Missionárias - POM
Semana Nacional da Vida. "Adoção: amor com laços do coração".
A Semana Nacional da Vida acontecerá entre os dias 1º e 7 de outubro e este ano tem como tema: “Adoção: Amor com laços do coração”.
A Comissão Nacional da Pastoral Familiar (CNPF) disponibilizou o material gráfico para que as coordenações regionais, dioceses, paróquias e comunidades possam se preparar para a Semana Nacional da Vida.
A Semana Nacional da Vida encerra-se com o “Dia do Nascituro” no dia 8, o termo latino nascituro significa: aquele que vai nascer, e muito mais celebramos neste dia o valor inviolável da vida humana, do seu início ao seu fim natural.

Confira o material disponibilizado pela CNPF para dinamizar e celebrar bem esta Semana Nacional da Vida no link.
Texto: padre Cristian Diego Rosa
Imagens: Portal Vida e Família (https://vidaefamilia.org.br/)






















