São Jerônimo: homem da Palavra

Nesta semana, no dia 30 de setembro, celebramos o dia de São Jerônimo, um grande colaborador na evangelização, que traduziu a bíblia pela primeira vez dos idiomas originais (hebraico e grego) para o latim, a língua dominante na época.

Sofrônio Eusébio Jerônimo nasceu na região da Dalmácia, hoje nomeada Croácia, em 340. Sua família era de alto poder aquisitivo, culta e fiéis a Cristo. Após a morte de seus pais, por ser unigênito, recebeu uma razoável herança e foi morar na cidade Roma, onde estudou retórica e oratória com os melhores mestres da época, onde aperfeiçoou o dom de falar bem e incrementou ainda mais a sua cultura.

Mesmo Jerônimo vindo de um berço cristão, ele não era batizado. Somente quando completou vinte e cinco anos, amadureceu e tomou a firme decisão de buscar o batismo, realizado na época pelo Papa Libério. Agora filho de Deus pelo batismo, em oração, sentiu-se tocado e chamado para a vida monástica, com dedicação à oração, ao recolhimento e ao estudo. Chamado a esta vocação, foi para a Gália, atual França, e foi morar com os monges do local. Lá, São Jerônimo formou um grupo comunitário com seus amigos e discípulos para se dedicarem aos estudos bíblicos e teológicos.

Com relação ao seu comportamento, era forte e radical. Por este motivo, dirigiu-se ao deserto para orar e jejuar. Porém, levava tão a sério, com tanta intensidade, que quase chegou a falecer. Após se fortalecer, dirigiu-se à segunda capital do Império Romano, a cidade de Constantinopla. Lá, encontrando-se com São Gregório, conheceu o caminho do amor pelo estudo das Sagradas Escrituras. Graças a ele, Jerônimo decidiu dedicar sua vida ao estudo da Palavra de Deus, para transmitir o amor de Cristo fielmente ao maior número de pessoas possível. Para cumprir este objetivo, estudou hebraico e grego, para ler e interpretar a Sagrada Escritura em suas línguas originais e transmitir um ensinamento seguro aos fiéis.

Este objetivo, juntamente com sua cultura e sabedoria, foi muito comentada e chegou até Roma, onde, o papa Dâmaso o convocou e ofereceu a belíssima e árdua missão de traduzir a bíblia para o latim, língua comum do povo da época. Porém, o papa havia recomendado que esta tradução fosse a mais próxima e fiel possível da original, mas que também o povo pudesse compreender.

Com a missão aceita, São Jerônimo planejava todas as condições para realizar esta missão, tanto que se tornou o secretário do papa. Este trabalho se estendeu por muitos anos, pois ele procurava, em cada versículo, a tradução mais fiel possível, para que o povo conhecesse em profundidade as riquezas da Palavra de Deus. Por isso, a tradução de São Jerônimo se tornou a base da tradução bíblica da Igreja, aprovada no Concilio de Trento. Em sua tradução, além da extrema fidelidade aos textos originais, São Jerônimo mostrou uma grande riqueza de informações sobre a história da salvação. Essa tradução ficou conhecida como Vulgata, ou seja, a tradução vulgar, comum.

Durante a tradução dos textos bíblicos, São Jerônimo encontrou passagens difíceis de serem compreendidas e traduzidas, por isso, após esse trabalho, ele deixou escrito prefácios e comentários sobre os textos da Sagrada Escritura. Muitas vezes esse prefácio ou esses comentários são as notas de rodapé que costumam vir em nossa bíblia. Essas notas de rodapé nos ajudam a compreender aquele texto que acabamos de ler.

Concluindo com êxito esta missão, São Jerônimo foi morar na terra natal de Jesus, em Belém, onde viveu como monge num mosteiro fundado por Santa Paula, sua grande amiga e auxiliadora nos trabalhos de estudo e tradução da Bíblia.

São Jerônimo morreu no ano de 419 e não chegou a ver a Vulgata ser publicada. Isso só ocorreu quando foi possível reunir todos os textos traduzidos por ele. Além disso, a Vulgata não foi imposta na Igreja, mas os textos foram sendo introduzidos aos poucos, na medida em que se compreendiam os textos traduzidos por ele e comparados com os textos que havia na época. Ao longo do tempo, a Vulgata foi recebendo pequenas correções, até chegar ao que temos hoje. A Vulgata como conhecemos hoje foi publicada pelo Papa Clemente VIII, no ano de 1592, por isso, ela se tornou conhecida como “Vulgata Clementina”.

O dia da bíblia foi colocado no dia de sua morte, em sua homenagem, além de declará-lo como padroeiro de todos aqueles que se dedicam ao estudo das Sagradas Escrituras. Ele escreveu: “Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus, e quem ignora as Escrituras, ignora o poder e a sabedoria de Deus; portanto, ignorar as Escrituras Sagradas, é ignorar a Cristo”.

Peçamos que São Jerônimo interceda por nós e, iluminados pelo Espírito Santo, possamos compreender os textos sagrados e traduzi-los para a nossa vida com o olhar da fé. Que possamos nutrir o mesmo amor pelas Sagradas Escrituras que São Jerônimo tinha.

Oração

Ó Deus, criador do universo, que vos revelastes aos seres humanos através dos séculos pelas Sagradas Escrituras, e levastes o vosso servo São Jerônimo a dedicar sua vida ao estudo e à meditação da bíblia, dai-me a graça de compreender com clareza a vossa Palavra quando leio a bíblia. São Jerônimo, ajudai-nos a considerar os ensinamentos que nos vem da Bíblia, acima de qualquer outra doutrina, já que é a Palavra e o ensinamento do próprio Deus. Amém. São Jerônimo, rogai por nós!

 

Referências:

https://cruzterrasanta.com.br/historia-de-sao-jeronimo/144/102/

https://santo.cancaonova.com/santo/sao-jeronimo-presbitero-e-doutor-da-igreja/

https://www.cnbb.org.br/sao-jeronimo-2/

Referência da imagem: https://www.vaticannews.va/pt/santo-do-dia/09/30/s--jeronimo---presbitero-e-doutor-da-igreja.html#:~:text=O%20nome%20completo%20deste%20Santo,completou%20os%20estudos%20em%20Roma.


São Vicente de Paulo, um homem dos pobres

Vicente de Paulo nasceu em Pouy, perto da cidade de Dax, no sul da França, aos 24 de abril de 1581. Foi batizado no mesmo dia de seu nascimento. Filho de Jean de Paul e Bertrande de Moras que tiveram 06 filhos, Vicente era o terceiro entre os filhos do casal. Seus pais eram de origem simples, agricultores e criadores de ovelhas, mas a religiosidade era um marco em sua família. Todos os seis filhos receberam o ensino religioso de sua mãe.

A família de Vicente de Paulo, sempre muito serviu, dividia entre si os fazeres, os dois irmãos mais velhos ajudavam os pais na lavoura e Vicente cuidava de ovelhas e de porcos. Desde pequeno, demonstrava muita inteligência e grande religiosidade. Em frente à sua casa, em um pé de carvalho, havia um buraco; ele colocou lá uma pequena imagem da Santíssima Virgem, a quem diariamente ajoelhava e fazia uma oração. Vicente de Paulo fazia suas obrigações sempre com muito zelo, conduzia os animais da família sempre para verdes pastagens, onde ficava a vigiá-los e em seu coração fervoroso sempre com o pensamento em Deus. Aos domingos ia à aldeia com seus pais, para assistir à missa e frequentar o catecismo.

Em meio ao Catecismo, Vicente de Paulo sempre se destacava com sua inteligência sem igual, o que chamou a atenção do vigário daquele vilarejo, que indicou ao pai de Vicente de Paulo que o colocasse em uma escola, pois via nele um futuro promissor. O pai, que era ambicioso, colocou-o em um colégio religioso, desejando que fosse padre e se tornasse o arrimo da família. Foi matriculado em um colégio de padres Franciscanos, na cidade de Dax, onde ele fez os estudos básicos.

O trabalho do Padre Vicente foi entre riquezas e pobrezas; na realeza e na miséria. Vivenciava seu ministério em palácios e na sarjeta de prisões, junto aos mais afastados da sociedade, na qual se desprezava a dignidade da pessoa. Padre Vicente de Paulo chegou, em alguns momentos, até mesmo ser escravo e vendido como os mais sujos e desprezíveis homens da época. Homens estes que eram vistos como sem dignidade até mesmo de se alimentar, ter um nome, e a única esperança destes homens escravos era a morte para a ressurreição dos justos.

O trabalho de Padre Vicente de Paulo marcou o século XVII. Na sociedade francesa, fez com que muitas pessoas mudassem a percepção do mundo sobre a pessoa dos pobres. Ele conseguiu revolucionar a Igreja e isso fez com que São Vicente pudesse fazer muito para salvar a vida das pessoas . Outro talento dele era a habilidade de agregar muitas pessoas ao seu redor, desde a corte até os mais pobres. Isso fez com que seus projetos pudessem beneficiar ainda mais quem precisava.

Grandes foram os feitos que Padre Vicente, além de suas belíssimas homilias nos deixou, mas também nos ensina com ações concretas junto à pessoa do pobre, pobre de fome de pão, de espiritualidade, de amor ao próximo. Uma de suas inspirações fez surgir a Obra de Piedade e Caridade da Sociedade São Vicente de Paulo. A família vicentina é incentivada a se juntar para dar resposta e esse convite, para que possamos atender refugiados, sejam de guerras, de perseguições, ou pessoas que saíram do campo e que vieram a cidade não têm como se manter, não têm onde morar, ou seja, as mais diversas realidades.  A meta espiritual inspirada por São Vicente de Paulo é “nossa meta é a missão: de fazer do mundo uma rede de caridade”.

São Vicente criou inúmeras obras, a história de sua vida é uma beleza. A seu respeito existem biografias. Tinha quase 80 anos quando faleceu no dia 27 de setembro de 1660, dia em que a Igreja celebra a sua memória. Em 16 de junho de 1737, foi canonizado pelo papa Clemente XII, e, em 12 de maio de 1885, foi declarado patrono de todas as obras de caridade da Igreja Católica, por Leão XIII. Seu corpo repousa na Capela da Casa-Mãe São Lázaro, em Paris. São Vicente convoca as pessoas, assim como inspirou Frederico Ozanam, hoje beato, a trabalhar com os vicentinos, fazer parcerias para ajudar as diversas realidades que o Brasil e o mundo possui.

“Voltemos nossa mente e nosso coração para São Vicente de Paulo, homem de ação e oração, de organização e de imaginação, de comando e de humildade, homem de ontem e de hoje. Que aquele camponês das Landes, convertido pela graça de Deus em gênio da caridade, nos ajude a todos a pôr mais uma vez as mãos no arado – sem olhar para trás – para o único trabalho que importa, o anúncio da Boa Nova aos pobres…“ (João Paulo II)

Oração a São Vicente de Paulo

Ó glorioso São Vicente, patrono de toda caridade, pai daqueles que estão na miséria e que, enquanto na Terra, jamais deixou de amparar a todos que a Vós recorreram, considerai os males que estão nos oprimindo e vinde em nosso socorro. Obtende junto do Senhor ajuda para os pobres, alívio para os enfermos, consolo para os aflitos, proteção para os abandonados, espírito de generosidade para os ricos, a graça da conversão para os pecadores, entusiasmo para os padres, paz para a Igreja, tranquilidade e ordem para as nações e salvação para todos. Permiti-nos comprovar os efeitos da vossa misericórdia intercessão e assim sermos ajudados nas misérias da vida. Possamos nós estar unidos com o Senhor no paraíso, onde não existe mais dor, choro ou tristeza, mas alegria, contentamento e duradoura felicidade. Amém.

 

Referências:

https://www.santuariodocaraca.com.br/santos-de-devocao/historia-de-sao-vicente-de-paulo

https://ssvpbrasil.org.br

https://www.vaticannews.va/pt

Referência da imagem: https://www.vaticannews.va/pt/santo-do-dia/09/27/s--vicente-de-paulo--sacerdote--fundador-da-congregacao-da-missa.html


#Reflexão: 26º domingo do Tempo Comum (01 de outubro)

A Igreja celebra o 26º Domingo do Tempo Comum, neste domingo (01). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Ez 18,25-28
Salmo: 24,4bc-5.6-7.8-9 (R. 6a)
2ª Leitura: Fl 2,1-11
Evangelho: Mt 21,28-32

Acesse aqui as leituras.

RESPONDER SEMPRE COM DECISÃO AO CHAMADO DE DEUS

            A parábola que ouvimos de Jesus neste domingo, novamente, retrata um ambiente familiar com realidades e necessidades bem concretas. Há uma profunda relação entre um pai e seus dois filhos, em jogo está a necessidade do trabalho familiar e da ajuda mútua entre todos. Como no domingo anterior, o local é uma vinha e tudo indica que pertencia à família e todos, de alguma forma, deveriam se sentir responsáveis por ela. No próximo domingo, ouviremos mais uma parábola tendo como ambiente a vinha.

Segundo Mateus, Jesus encontrava na Cidade Santa e no lugar mais sagrado para os judeus: Templo de Jerusalém. Foi quando Ele ensinava naquele local santo que as autoridades se aproximaram e perguntaram com qual autoridade Jesus ensinava. Como é próprio, Ele amplia a questão e propõe um questionamento sobre João Batista e depois, esta parábola sobre os dois filhos e um pai.

A parábola é proposta por Jesus com uma pergunta fundamental: “que vos parece?” Nosso Senhor tem a intenção de provocar seus ouvintes a se posicionarem sobre o fato. Jesus quer um envolvimento de todos e não somente simples e meros ouvintes. Mateus lembra que a parábola foi contada para os sacerdotes e anciãos do povo, isto é, os principais representantes da religião judaica da época: eles conheciam muito bem a religião, mas não estavam vivendo do jeito que Jesus queria.

Na parábola de Jesus, o pedido do pai aos filhos revela o desejo do bem comum, pois o sustento da família deveria vir da participação de cada um no trabalho na vinha. O pai pede algo que os dois filhos já deveriam saber algum tempo: a vinha pertence a todos, pois todos dependem dela. Era um pai pedindo um favor a seus filhos, não um patrão a seus empregados.

Jesus narra com mais detalhes o que aconteceu com o primeiro filho: É o pai que vai ao encontro dele. É o pai quem se aproxima para pedir, não comanda ou ordena do alto e todos obedecem; pede-lhe introduzindo com a principal relação que existe entre eles: o chama de “filho”; por fim, a solicitação do pai que possui um detalhe: ele pede para ir “hoje” trabalhar na vinha. Havia uma urgência que todos se empenhassem naquele dia de serviço (talvez fosse tempo da colheita), assim, o pai recorre e pede apoio aos filhos. Para o segundo, o pai procede do mesmo modo: se dirige a ele e pede do mesmo modo que tinha feito ao primeiro. No entanto, sobre este segundo filho, Jesus apresenta a cena de forma simples e sem detalhes, talvez, porque o pai já conhecia o segundo filho ou confiava já em sua resposta positiva.

O pedido de ir trabalhar “hoje”, demonstra que os dois não eram frequentes no serviço e isto dá a entender que ou o pai trabalhava sozinho ou tinha outros ajudantes, de qualquer forma, havia uma necessidade do pai especial e urgente sobre a vinha que sustentava a vida de todos da família.

O primeiro filho não pensa duas vezes e responde de forma enfática: “Não quero!” A resposta dá entender que ele vê e avalia tudo somente a nível da vontade (querer) e não com a razão. Não se sabe o motivo, mas podemos imaginar que se tratasse de uma pessoa que não queria abandonar sua situação de comodidade ou simples preguiça. A vontade sempre está ligada ao prazer e ao bem estar. Para este primeiro filho, ele avalia que teria que deixar de fazer algo que estava lhe agradando para fazer algo que ele não queria.

Diante da negação do primeiro filho, o pai nada lhe diz: nem reprova sua atitude baseada na vontade e nem o ameaça lembrando-lhe que ele mesmo deveria estar usufruindo dos frutos da vinha.

Mas, Jesus prossegue a história dizendo que o primeiro filho, depois, se arrepende e foi para a vinha, sem falar com o pai e nem pedir-lhe perdão. Certamente, passado um tempo, ele começou a raciocinar e percebeu que ele deveria ajudar, mesmo que tivesse que deixar de lado algo que lhe dava mais prazer. Trabalhar na vinha exigia renuncia de seu tempo e de coisas que lhe davam mais satisfação, mas ele “mudou de ideia” e foi.

Sabemos que diante de uma exigência ou necessidades, muitas vezes, fazemos o que “precisa” ser feito até mesmo sem ter vontade, mas porque é necessário, realizamos. Quando não se visualiza a importância e se vê como algo simples, nem sempre temos “vontade” de realizar. O querer e a vontade não podem ser o principal filtro que usamos para agirmos. Decisões baseadas somente na vontade, nem sempre são as mais sensatas. Aquilo que é melhor, nem sempre é aquilo que queremos fazer e temos prazer. O primeiro filho começou escolhendo pela vontade, depois mudou de atitude quando “mudou de ideia”. O primeiro filho é sincero em suas palavras, por isto, é verdadeiro em seus atos.

O pai repete o mesmo gesto para o segundo filho (ir ao encontro) e faz o mesmo pedido (ir “hoje” para vinha). Para o pai, os filhos são iguais e os trata do mesmo modo, como também acredita que ambos podem ajudar. Lembrando que aquilo que o pai solicitou aos dois era uma necessidade para todos, pois o sustento da família era tirado da vinha.

O segundo filho, diante do pedido do pai, responde positivamente com uma expressão forte em grego: “Eu” e acrescenta em seguida, ao invés de usar “pai”, o chama de “senhor” (as nossas traduções trazem: “Sim eu vou”), o segundo considera o pai como um patrão. Suas palavras devem ter enchido o pai de orgulho, pois esse filho se mostrou pronto em acatar o seu perdido como um servo obedece a seu senhor.

Os dois filhos encaram o pedido do pai como algo negativo: o primeiro não consegue percebe imediatamente que aquilo que lhe foi pedido não é um capricho do pai, mas um bem para todos inclusive para ele mesmo; o segundo já possui uma ideia errada de tudo: tanto do pai (que não respeita mais) quanto da necessidade de dar sua contribuição para o bem da vinha da família.

Mas, há um particular que é positivo em relação ao primeiro filho: o arrependimento. Em tempo, o primeiro filho refaz suas opções e descobre a importância do pedido do pai. A conversão (arrependimento) fez com que ele visse de modo diferente: o seu pai, a obediência e a vinha. Ele não se retrata com o pai pela falta de consideração quando recebeu o pedido, mas demonstra com atos que está arrependido do que disse. Já o segundo filho desilude o pai duas vezes: ao prometer diante dele que iria (a sua palavra de filho não tem valor) e nem se arrepende posteriormente, e não aparece para trabalhar. O segundo filho é falso com suas palavras e seus atos.

O primeiro filho se sente livre diante do pai e por isto, chega ao ponto de negar o convite. Somente a liberdade existente entre um Pai que ama e seus filhos produz o efeito desejado - mesmo que tarde - do arrependimento do filho. O segundo filho perdeu todo respeito com o pai, por isto, não teme em mentir diante do convite feito pelo pai e permanece distante dele e da vinha da família.

Diante da pergunta de Jesus (“quem cumpriu a vontade do Pai?”), todos respondem que foi o primeiro filho. A conclusão de Jesus deve ter chocado a todos que se sentiam os únicos herdeiros das promessas de Deus (os sacerdotes e anciãos do povo). Segundo Jesus, as prostitutas e os pecadores souberam reconhecer a vontade de Deus nas palavras de João Batista. Eles se arrependeram e procuraram mudar de vida, por isto, precedem os justos e santos religiosos judeus no Reino de Deus. Esses tratavam Deus não mais como um pai amado ao qual deveriam obedecer sempre, mas como alguém que tinha já perdido a autoridade. Os fariseus e muitos outros, de fato, pensavam que o modo que viviam e praticavam a religião já era suficiente para se salvarem e a vontade de Deus, para eles não tinha mais importância.

Segundo Jesus, não são os títulos e rótulos que Deus enxerga. Nosso Pai vê todos como filhos, pessoas que Ele deseja estabelecer uma profunda relação materna e paterna. O preconceito entre nós não afeta somente a pessoa atingida, mas também a Deus. Excluir alguém é sempre excluir o próprio Deus. O religioso judeu e fariseu não sente que tem que mudar nada e nem melhorar alguma coisa, por isso, a graça de Deus não toca o seu coração; os pecadores podem ainda se converter e mudar de vida, e pelo simples ato de viver o amor, já estão no caminho de Deus, de fato, Jesus diz “cobradores de impostos [tidos como traidores e pecadores] e prostitutas vos precedem”, Ele não diz “arrependidos” e nem que “vão preceder” após algum tempo (depois de se converterem), o verbo está no presente com sentido de “agora e sempre”. Não há diferença no Pai (Deus) quando se aproxima e pede o mesmo pra ambos. Cada filho reage de modo diferente diante da vontade do Pai.

As autoridades religiosas se sentiam um grupo a parte e diferente, se sentiam superiores. Na parábola de Jesus os dois personagens convidados são colocados como iguais e não diferentes. O pedido é o mesmo, pois os filhos são iguais, mas reagem de forma diferente. Para Jesus, os chefes do povo e os pecadores são iguais, mas no agir, são diferentes.

Deus se revela sempre o mesmo e aquilo que Ele nos pede é sempre algo para o nosso bem, pois Ele mesmo não necessita de nada enquanto nós necessitamos de tudo. Não é Deus que deve se ajustar aos nossos caprichos (como desabafa Deus na 1a leitura), mas somos nós que devemos acolher o que Ele nos pede, pois é um Pai que quer sempre o melhor para os seus filhos. Por isto, Jesus é o modelo de vida para todos nós (conforme nos lembra a 2a leitura), pois procurou sempre fazer o bem, renunciando sua condição divina para nos ensinar como nós devemos viver e cumprir a vontade de Deus.

Faça o download da reflexão em pdf.


Paróquia de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, de Monte Sião, recebe visita pastoral de Dom Majella

Entre os dias 21 e 24 de setembro a paróquia de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa da cidade de Monte Sião recebeu o arcebispo para uma “visita pastoral”. A visita pastoral é um momento propício de proximidade do pastor com os fiéis que pertencem à paróquia visitada.

São inúmeras atividades religiosas e sociais que o arcebispo é convidado a realizar durante a visita. A paróquia da Medalha Milagrosa organizou-se em setores pastorais para que as comunidades rurais e urbanas pudessem fazer uma experiência de partilha e celebração com a presença de Dom Majella, arcebispo de Pouso Alegre.

Dom Majella durante a homilia da Missa de encerramento.

Nestes dias de visita aconteceram reuniões com as autoridades do município, conselhos administrativo e pastoral, visita ao lar São José, visita à APAE e visita a alguns irmãos enfermos.

A visita pastoral também é marcada pela convivência do bispo com os padres que residem e desenvolvem seu ministério na paróquia. Portanto, é um momento intenso de “presença” do bispo na comunidade paroquial.

Que a Senhora da Medalha Milagrosa padroeira da paróquia abençoe a vida e história de cada paroquiano. Que a Virgem Maria rogue a Deus pelos padres que exercem seu ministério nesta paróquia: Cônego Sebastião Camilo, padre Luciano Aparecido, padre Bruno Luciani e padre Valter Luís de Oliveira.

 

 

Veja a cobertura fotográfica do evento.

 

Texto: padre Cristian Diego Rosa
Imagens: Claudemir Canela

 

Veja alguns destaques da Visita Pastoral, registrados nas seguintes imagens.

 


CEB's: o jeito autêntico de ser Igreja

De 19 a 22 de julho último, eu participei em Rondonópolis, no sul do estado do Mato Grosso, região central para o agronegócio, do 15º Encontro Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base, as CEB's. Rondonópolis é sede da diocese Rondonópolis / Guiratinga e tem como bispo local dom Maurício da Silva Jardim, natural do clero de Porto Alegre (RS). O 15º Intereclesial teve como tema “Igreja em saída, na busca da vida plena para todos e todas” e como lema “Vejam, vou criar novo céu e nova terra” (Is 65,17).

Na ocasião contribuí com o VER (do método Ver, Julgar e Agir criado pelo padre belga Joseph Cardin) fazendo a análise de conjuntura na plenária do “Sulão” que congrega os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Nesses dias todos, pude conviver com as delegadas e delegados desses estados: cristãos leigas e leigos, pessoas da vida consagrada, padres e (arce)bispos. Todos ficamos hospedados em casas de família nas paróquias da cidade sede do Intereclesial. O “Sulão” ficou hospedado e teve sua plenária, dos Pampas, na Paróquia Nossa Senhora Aparecida. A família que me acolheu, Glória e professor Osmar, acolheram, ao todo, nove pessoas, dentre elas, um casal, mais um padre e dois motoristas que vieram do Paraná. Acomodaram-nos como puderam, com alegria e dignidade. Alguns de nós dormiram em colchões na sala. O café da manhã foi tomado na família bem cedinho e, em seguida, todos os dias, nos dirigíamos à sede da paróquia onde estavam os ônibus. Após meia hora de trânsito, nos encontrávamos com os 1.500 delegados e delegadas vindas das comunidades de todo o Brasil na Plenária maior chamada “Casa Comum”, na qual aconteciam as “palestras” principais e depois os participantes seguiam para as plenárias menores que tinham os nomes dos biomas: Mata Atlântica, Amazônia, Cerrado, Pampa (a nossa) e Caatinga. Nessas plenárias, em subgrupos, os participantes partilhavam seus pontos de vista sobre o tema tratado, o que depois era socializado na plenária menor e, por fim, na maior, “Casa Comum’. Tudo isso aconteceu com muita música, muita alegria, expressões culturais e momentos profundos de oração, espiritualidade e mística.

O tema tratado, “Igreja em saída, na busca da vida plena para todos e todas”, mostrou que as CEB's têm uma grande preocupação social, uma preocupação com a vida plena para todos e todas trazida por Jesus, conforme nos fala o Evangelho de João, no capítulo 10,10.

Essa preocupação com a vida é também o que o papa Francisco nos ensina da Exortação Apostólica Gaudete et exsultate (sobre a santidade), n. 101:

A defesa do inocente nascituro, por exemplo, deve ser clara, firme e apaixonada... mas igualmente sagrada é a vida dos pobres que já nasceram e se debatem na miséria, no abandono, na exclusão, no tráfico de pessoas, na eutanásia encoberta de doentes e idosos privados de cuidados, nas novas formas de escravatura...”.

Também o lema indicou o sonho das CEB's com um mundo diferente deste em que vivemos. Este mundo é sintetizado pelo papa Francisco que pede: “Nenhuma família sem teto, nenhum operário sem Trabalho, nenhum camponês sem Terra”, no que se convencionou se chamar de “Os três T's do papa Francisco”. Essa proposta é, na verdade, uma proposta de construção de um mundo em que as necessidades básicas do ser humano sejam atendidas: terra, teto e trabalho.

Enfim, as CEB's propõem uma vivência encarnada da fé cristã. Propõe que cristãos e cristãs levem em conta a vida humana de Jesus que passou pelo mundo fazendo o bem, curando os doentes e possuídos pelo mal, abençoando as pessoas, perdoando pecados e que morreu na cruz por causa disso.

O papa Francisco também se fez presente no 15º Intereclesial por meio de um vídeo gravado com uma mensagem ao encontro. O vídeo foi feito por ocasião da visita dos bispos do estado do Mato Grosso ao papa, a pedido de dom Maurício Jardim. Assim, afirmou o pontífice:

“Quero estar próximo a vocês neste 15º Encontro Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base. Sigam trabalhando, vão adiante, não se esqueçam: Igreja em saída”.

Veja a mensagem do papa Francisco.

https://youtu.be/4x0GlOg1aUs

Mas o que, afinal, são as CEB's? É na página da internet "Portal das CEB's" que encontramos um pouco de sua história: “As Comunidades Eclesiais de Base (CEB's) surgiram no Brasil como um meio de evangelização que respondesse aos desafios de uma prática libertária no contexto sociopolítico dos anos da ditadura militar e, ao mesmo tempo, como uma forma de adequar as estruturas da Igreja às resoluções pastorais do Concílio Vaticano II, realizado de 1962 a 1965. Encontraram sua cidadania eclesial na feliz expressão do cardeal Aloísio Lorscheider (1): “A CEB no Brasil é Igreja — um novo modo de ser Igreja”. Esse modo de ser Igreja, que foi chamado de um “novo modo”, foi uma resposta dada por comunidades católicas ao contexto de exploração em que, historicamente, vivem desde sempre, ou seja, desde a colonização europeia em toda a América Latina. As CEB's rezam, falam do Evangelho, cuidam dos sacramentos, mas também se preocupam com as necessidades urgentes das pessoas, como já vimos: terra, teto e trabalho, educação, lazer, saúde... vida digna, enfim.

Esse 'novo modo' de ser Igreja, na verdade, não é tão novo assim. Inspira-se no modo das primeiras comunidades cristãs descritas nos Atos dos Apóstolos, como em At 2, 42-44: "Perseveravam eles na doutrina dos apóstolos, na reunião em comum, na fração do pão e nas orações. De todos eles se apoderou o temor, pois pelos apóstolos foram feitos também muitos prodígios e milagres em Jerusalém e o temor estava em todos os corações. Todos os fiéis viviam unidos e tinham tudo em comum". Por isso, o teólogo brasileiro padre Benedito Ferraro (2) ensina que as CEB's são, na verdade, "O jeito normal de ser Igreja".

 

Notas:

(1) Dom Aloísio Lorscheider foi bispo de Santa Maria (RS); arcebispo de Fortaleza (CE) e de Aparecida (SP). Participou do Concílio Vaticano II. Foi secretário-geral da CNBB (1968 a 1971) e seu presidente por dois mandatos (1971 a 1978) e presidente do CELAM (Conselho Episcopal da América Latina), de 1976 a 1979.

(2) Padre Benedito Ferraro é padre do clero de Campinas (SP) e teólogo. Foi assessor da Ampliada das CEB's. Atualmente, é assessor da Pastoral Operária na Arquidiocese de Campinas e professor de teologia na PUC-Campinas.

 

Imagem: Indígenas no 15º Intereclesial. Autoria: CNBB.

 


Membros da Pascom participam de seminário sobre Igreja e Inteligência Artificial

Membros da Pastoral da Comunicação (Pascom) da Província Eclesiástica de Pouso Alegre (MG) participaram, de 19 a 22 de setembro, do 10º Seminário de Comunicação Social, no Centro de Estudos do Sumaré, no Rio de Janeiro (RJ).

 

Representando a Arquidiocese de Pouso Alegre, padre Thiago de Oliveira Raymundo, assessor da Pascom, esteve presente no evento. Padre Luiz Fernando Gomes, seminarista Richard Oliveira e a cristã leiga Maria Fernanda Campos, da Pascom da Diocese de Guaxupé (MG), também marcaram presença.

Da esquerda para a direita, seminarista Richard Oliveira, padre Thiago de Oliveira Raymundo, dom Valdir José de Castro, padre Luiz Fernando Gomes e Maria Fernanda Campos.

10º Seminário de Comunicação

O Seminário de Comunicação é um evento promovido pela Arquidiocese do Rio de Janeiro, com o objetivo de promover o encontro nacional de profissionais e agentes eclesiais da área da comunicação. O seminário, em sua 10ª edição, é coordenado pelo padre Arnaldo Rodrigues. Ele é membro do clero da arquidiocese sede do evento; doutor em Comunicação Social pela Universidade Pública La Sapienza, em Roma; reitor da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio); professor do Departamento de Comunicação e assessor de Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Padre Arnaldo Rodrigues, coordenador do Seminário de Comunicação Social.

Neste ano, o Seminário de Comunicação tratou do tema "Igreja e Inteligência Artificial: a evangelização nas transformações tecnológicas".

Desdobramentos desse tema abordaram a missão da Igreja nas transformações tecnológicas, especialmente, a Inteligência Artificial (IA), considerada como uma capacidade de base lógica e matemática que possibilita máquinas a executarem tarefas consideradas, até então, genuinamente humanas, a qual traz possiblidades e riscos ao ser humano e à sociedade.

As reflexões dessa temática foram acompanhadas pelo cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani João Tempesta, O. Cist., e dom Valdir José de Castro, bispo de Campo Limpo (SP), presidente da Comissão Episcopal para a Comunicação da CNBB. Para dom Orani, o seminário foi oportuno para utilizar a IA de maneira ética e ajudar na evangelização. Dom Valdir expôs elementos do Diretório de Comunicação da Igreja no Brasil (Documento 99 da CNBB), na versão atualizada de maio de 2023, destacando o olhar pastoral para a tecnologia.

Da esquerda para a direita, padre Arnaldo Rodrigues e dom Orani João Tempesta, O. Cist.

Em 10 conferências, temas ligados à IA, suas possibilidades e limites de uso foram apresentados por professores doutores ligados à PUC-Rio e membros de empresas de comunicação digital. Refletiu-se também como a Igreja pode ocupar criticamente os espaços digitais para evangelizar onde as pessoas estão hoje, principalmente os jovens.

Henri Marques, gerente da Kwai, apresenta a plataforma de vídeos curtos para os participantes do 10° Seminário de Comunicação.

Outros temas também foram discorridos no evento. O Kwai, aplicativo de entretenimento digital de vídeos curtos chinês, que chegou ao Brasil em 2019, foi apresentado pelo gerente de negócios da marca, Henri Marques.

ChatGPT: possibilidades, limites e como usar

Os participantes, 110 (de modo presencial) e 57 (de modo virtual), representantes de organismos eclesiais de diferentes regiões do Brasil, participaram de reflexões sobre o ChatGPT (Generative Pre-Trained Transformer, em português, Transformador pré-treinado generativo), ferramenta lançada em novembro de 2022 pelo laboratório de pesquisas em IA norte-americano, OpenAI, fundado por Elon Musk, Sam Altman, Peter Thiel, Reid Hoffman e Jessica Livingston, com o custo de 100 milhões de dólares. O software lançado, que é basicamente um chat de conversação, capaz de gerar conversas simples, redações e códigos complexos, tarefas fortemente humanas, possuí 175 bilhões de parâmetros. A ferramenta foi construída a partir de uma Inteligência Artificial generativa, de aprendizagem profunda e de reforço, chamada de Large Language Model (LLM), em português, Modelos de Linguagem de Grande Escala.

De modo útil, o ChatGPT tem sido utilizado para melhorar processos operacionais, fazer sínteses e adaptações de conteúdo, organizar textos e ideias, informar, elaborar títulos, traduzir e fazer revisão gramatical de textos e monitorar palavras-chave. Por outro lado, essa ferramenta tem sido criticada e não recomendada por multiplicar a produção de conteúdo, padronizar textos, ter resultados com preconceito, apresentar informações tendenciosas e imprecisas, não respeitar direitos autorais, desinformar, reduzir a criatividade e precarizar o trabalho humano.

As possibilidades e limites do ChatGPT, novidade tecnológica que atingiu mais de 100 milhões de usuários em dois meses desde a sua criação, evidenciam a não neutralidade das tecnologias, marcadas por intencionalidades do mercado. Também sinalizam a urgência da regulação pelo Estado do uso da internet e da Inteligência Artificial.  Além disso, o controle das tecnologias deve ser concretizado por meio da educação dos usuários, especialmente os jovens, devido esses artefatos apresentarem problemas e limites éticos que causam a degradação do ser humano, principalmente seus afetos e relações sociais. Como argumentaram os palestrantes, é urgente haver um uso mais crítico de ferramentas construídas com algoritmos de lógica e cálculo digital, os quais podem dominar e controlar o ser humano e ampliar a marginalização social.

Evangelização e transformações tecnológicas

A Igreja Católica, em sua ação pastoral, é chamada a conhecer e utilizar criticamente as tecnologias, especialmente a Inteligência Artificial, as quais não podem ser vistas apenas de modo negativo. As ferramentas digitais de base algorítmica, por exemplo, as mídias sociais, se constituem como espaços nos quais as pessoas estão hoje e que podem ser iluminados pelo Evangelho. As plataformas digitais também são meios para favorecer integralmente a vida humana e auxiliar na evangelização. Além disso, a Igreja, pela sua capacidade de ramificação que alcança os usuários das bases digitais, principalmente os das classes mais pobres e marginalizadas, e em suas ações formativas, tem papel fundamental na sociedade ao colaborar com processos educativos que podem fortalecer usos críticos e éticos das tecnologias digitais, minimização de desigualdades e isolamento e difusão de boas ações.

Atividades religiosas e culturais

Na noite do 3º dia do evento, os participantes estiveram no Cristo Redentor e acompanharam concerto comemorativo dos 10 anos do Seminário de Comunicação Social. Peças internacionais e populares brasileiras foram executadas por músicos da Orquestra Sinfônica Jovem da Ação Social pela Música (ASM Brasil).

Cristo Redentor ficou verde em comemoração aos 10 anos do Seminario de Comunicação Social. 

Para favorecer o debate sobre os limites das tecnologias e da lógica algorítmica, foi exibido, na noite do 2º dia do evento, episódio da série britânica Black Mirror, criada por Charlie Brooker e disponível na Netflix.

Os participantes tiveram momentos de celebração eucarística e da Liturgia das Horas, na capela do Centro de Estudos Sumaré.

Missa celebrada no dia 21 de setembro, na Festa de São Mateus.

Entre as palestras, os participantes também se dedicaram a atividades de interação, networking e convivência.

Ressonâncias do 10º Seminário de Comunicação

Para padre Thiago, da Arquidiocese de Pouso Alegre, mestre em Desenvolvimento, Tecnologias e Sociedade, pela Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), e doutorando em Filosofia pela Universidade Católica Argentina (UCA), o evento trouxe uma temática muito atual para a Igreja. Segundo ele, a evangelização na sociedade do início do século XXI precisa usar as tecnologias digitais. De modo controverso, esses recursos fascinam e cansam existencialmente as pessoas. Possuem facilidades operacionais para ações, até então, apenas humanas, que não podem ser negadas. Por outro lado, o uso excessivo de plataformas digitais é uma das causas de transtornos psíquicos, que necessitam de acompanhamento emocional especializado e um uso mais comedido de ferramentas digitais.

Padre Thiago de Oliveira Raymundo participa do "Chat Point", momento de partilha de ideias sobre as palestras e assuntos tratados no seminário.

"As ações de pastoral nos diversos grupos da Igreja precisam conhecer e utilizar criticamente as ferramentas digitais para acolher bem, orientar com misericórdia e formar à luz do Evangelho os fiéis", comentou padre Thiago durante o evento.

Segundo o padre assessor da Pascom na Arquidiocese de Pouso Alegre, a Igreja acolhe, nos dias atuais, não apenas em seus espaços físicos, por exemplo, as capelas, as secretarias paroquiais e centro catequéticos. Os espaços digitais são as "novas" salas de encontro, de catequese, de oração e de celebração, onde as pessoas estão, principalmente, os jovens e as mulheres de 40 a 60 anos, grupos de pessoas que mais acessam as mídias digitais oficiais da arquidiocese, conforme dados indicados pelas plataformas.

Temas relacionados ao seminário deste ano serão trabalhados por ele e os demais participantes da provincia eclesiástica nos próximos encontros formativos da Pascom, em âmbito arquidiocesano.

O 11° Seminário de Comunicação Social está previsto para acontecer, de modo presencial e virtual, nos dias 17 a 20 de setembro de 2024 e tratará sobre assessoria de comunicação, com o tema "Igreja, casa de vidro: assessoria de comunicação na construção da reputação e identidade". Inscrições já estão abertas, no site oficial.

 

Texto: padre Thiago de Oliveira Raymundo

Imagens: Assessoria de Comunicação/Seminário de Comunicação, Pascom ArqRio, Padre José Antônio Soares, Padre Marcelo de Assis, Maria Fernanda Campos, Cristiane Dubena.

 

A imagem destacada da notícia é a foto oficial do evento, tirada em frente a Casa Nossa Senhora da Assunção, casa de veraneio dos arcebispos do Rio de Janeiro, a qual já hospedou o papa Francisco e São João Paulo II.


Clero da Arquidiocese de Pouso Alegre se reúne para retiro anual

O clero da Arquidiocese de Pouso Alegre (MG) realizou o seu retiro espiritual na Vila Dom Bosco, em Campos do Jordão (SP). O retiro aconteceu em dois grupos, o primeiro do dia 11 ao dia 14 e o segundo de 18 até 21 de setembro. Dom Vicente Costa, Bispo Emérito de Jundiaí (SP) orientou a primeira turma. A segunda ficou sobre a responsabilidade do padre Benedito Ângelo Cortez, MSC. Ambos contaram com a presença do arcebispo Dom José Luiz Majella Delgado, CSsR.

A Igreja orienta, no Código de Direito Canônico (Cânon 276) que os clérigos são “obrigados, por peculiar razão, a procurar a santidade”. Para chegarem a essa perfeição afirma serem “obrigados a participar dos retiros espirituais, de acordo com as prescrições do direito particular”.

O retiro é um tempo de graça, por meio do qual se pode ouvir a voz de Deus que renova o chamado pessoal feito a cada sacerdote. É ocasião para desligar-se das tantas responsabilidades e compromissos do dia-a-dia para “estar a sós com Aquele que sabemos que nos ama” (Santa Teresa de Jesus).

Dom Vicente Costa fez com que os presbíteros se deparassem com um desafio: percorrer o itinerário para se tornarem discípulos apaixonados e missionários ardorosos do Senhor Jesus, conforme a inspiração do número 278 do documento de Aparecida. A partir desse documento, o primeiro grupo pode tomar consciência e fazer lembrança do chamado vocacional, da necessidade da conversão e da vida de comunhão em vista de ser verdadeiramente discípulos missionários.

Padre Benedito Cortez, por sua vez, convidou os participantes a fazerem a experiência do deserto que, no contexto bíblico, é o lugar da passagem da escravidão à liberdade. É um tempo de purificação. No deserto, Israel aprendeu a confiar em Deus. É o lugar da Aliança, escola de intimidade com Deus. Trata-se de um tempo e lugar de decisão, de orientação de vida, cujo mestre é o silêncio. É tempo de renovar a dependência de Deus, de buscar o essencial, de vencer as tentações, de tomar decisões e de reavivar a esperança.

Durante estes dias de recolhimento, o presbitério de Pouso Alegre, pôde, por meio das meditações, recitação da Liturgia das Horas, adoração eucarística e Celebração da Santa Missa, renovar as forças físicas e espirituais. Este tempo é necessário sobretudo se considerarmos o grave encargo que têm os membros do presbitério. Não há outro caminho para realizar todas as atividades pastorais senão o caminho da fé e da relação com Deus.

 

Texto: Pe. Carlos Cézar Raimundo

Imagens: Pe. Benedito Luciano e Pe. Marcos Vinícius da Silva


#Reflexão: 25º Domingo do Tempo Comum (24 de setembro)

A Igreja celebra o 25º Domingo do Tempo Comum, neste domingo (24). Reflita e reze com a sua liturgia.

Leituras:
1ª Leitura: Is 55,6-9
Salmo: 144(145),2-3.8-9.17-18 (R. 18a)
2ª Leitura: Fl 1,20c-24.27a
Evangelho: Mt 20,1-16a

 

Acesse aqui as leituras.

 

MEUS PENSAMENTOS NÃO SÃO COMO OS VOSSOS PENSAMENTOS

Sabemos que o modo de agir de Deus é algo que nem sempre conseguimos compreender. Enquanto nós vemos alguns fatos e analisamos alguns elementos, somente Deus é capaz de saber todas as nossas necessidades e a nossa história.

O profeta Isaías descreve muito bem como é o modo de agir de Deus. Nosso Deus sempre se deixa encontrar, basta buscá-Lo. E o modo de realizar isto é abandonando todo mau comportamento e a vida de pecado. Já se começa a buscar Deus quando se deseja mudar de vida. Mas, o fundamental é ir de encontro ao Senhor. Isaías, no entanto, nos alerta que é necessário entrar na lógica e no modo próprio de agir de Deus que não é somente diferente do nosso jeito de fazer as coisas, mas é muito superior e mais profundo. Somente Deus nos conhece com profundidade; somente Ele é capaz de nos dar muito mais do que merecemos e que nossas leis nos oferecem. O exemplo concreto e profundo sobre o modo de agir de Deus, nós encontramos na parábola que Jesus conta neste domingo.

O Evangelho deste domingo possui uma ligação importante com o texto que o precede. Nesse, temos a passagem de um jovem rico que, por apego aos seus bens, não consegue responder favoravelmente ao convite de Jesus. O triste apego aos bens deste mundo. Assim, Jesus demonstra em uma parábola como se pode dispor dos bens deste mundo.

O personagem principal da parábola do Evangelho de Mateus é apresentado por Jesus como um proprietário muito diferente e superior a qualquer outro. Comporta-se como alguém que possui uma necessidade pessoal (trabalhadores para sua vinha), mas aproveita desta para ir além das normais conhecidas por todos. Ele age acima das regras e da lógica humana.

Jesus descreve o dono da vinha como um “homem patrão de casa”, ou melhor, “um pai de família”. Não é somente um “empresário” interessado em contratar operários, mas alguém ligado, em parte à própria realidade dos trabalhadores. Algo já estranho se escuta no início da parábola: O próprio dono da vinha é que sai para chamar operários, o normal era isto ser feito por encarregados. Isto revela a urgência do trabalho a ser realizado, por isto, o patrão mesmo é que se apressa em chamar os trabalhadores.

Os operários estão desocupados não por motivo de preguiça ou desinteresse, mas porque ninguém quer contratá-los. Mas, o dono da vinha chama a todos e ajusta aquilo que era a paga normal: um denário. Este salário era aquilo que se pagava por um dia de serviço e que era suficiente para um trabalhador manter sua família, assim, era um salário justo e um dia de trabalho bem remunerado.

A partir deste primeiro grupo, o dono da vinha se mostra como alguém muito mais preocupado pela realidade dos trabalhadores do que da sua vinha propriamente. Além dos primeiros trabalhadores nas primeiras horas do dia (6:00 da manhã), tudo se repete em outros momentos: na terça hora (9:00), na sexta hora (12:00), na nona hora (15:00) e por fim, na undécima hora (às 17:00). Com os primeiros operários (6 da manhã), fica claro a forma de pagamento (um “denário” = uma moeda de prata), para os outros, há um suspense em relação à forma de pagamento (“salário justo”). O importante é que todos foram acolhidos na vinha para o trabalho.

Na parábola, a história das pessoas e suas necessidades são mais fortes do que o próprio trabalho. Talvez outro patrão teria já contratado o número de operários que necessitaria já nas primeiras horas e depois teria passado o dia junto com eles na plantação. Este patrão percorre outros lugares e continua contratando mais trabalhadores.

Na hora do pagamento, segundo Jesus, no final do dia, todos se reuniram para receber pelo trabalho realizado. De propósito, o dono da vinha manda pagar pelo serviço realizado começando pelos últimos (se ele tivesse feito o contrário, talvez não teria criado nenhuma murmuração). Os primeiros que enfrentaram o dia de sol e de trabalho duro tiveram que esperar ainda um pouco mais para receber pela jornada de trabalho. Estranhamente, o encarregado - seguindo as ordens do dono da vinha - dá aos últimos que trabalharam somente uma hora, o mesmo salário de um dia de serviço. Quando os últimos receberam o mesmo salário de um dia de serviço (um denário), se sentiram “injustiçados”, pois o patrão tratou a todos como iguais.

As palavras destes últimos revelam o modo comum e “justo” naquele tempo de se remunerar por um trabalho realizado. O critério é o tempo de serviço (todo o dia, 12 horas de trabalho) e o sacrifício realizado (debaixo do calor do sol). Os primeiros contratados não sabiam nada da vida dos operários de última hora (contratados às 5 da tarde) e nem estavam interessados em suas necessidades, mas julgaram o dono da vinha colocando eles mesmos como centro e critério de justiça. Os primeiros operários se sentem injustiçados não porque o salário combinado não foi pago, mas porque os últimos (os das 5 da tarde) foram tratados do mesmo como os primeiros (os das 6 da manhã).

Neste momento da parábola, Jesus muda o nome do proprietário da vinha e chama-o de “Senhor”, uma clara menção que nos ajuda a entender que se trata de Deus Pai. Mas, o Senhor da vinha procura raciocinar com os primeiros que nada do que foi combinado com eles deixou de ser realizado. Primeiramente, chama um deles de “amigo”. Não obstante as murmurações, o dono da vinha não muda seu modo de tratar os trabalhadores. Depois, recorda aos primeiros, o critério fundamental de justiça e aquilo que o Senhor (Deus Pai) tinha combinado com eles e todos receberam conforme o contrato no início do dia. Eles deveriam ter ficado alegres, pois tiveram oportunidade de trabalhar e receber o que necessitavam para suas famílias.

O senhor, em seguida, pede que se retire e retorne para sua família. O Proprietário da vinha se mostra muito mais preocupado com as pessoas do que com as regras e os pensamentos de cada um. Ele possui seu próprio modo de ver as necessidades de cada pessoa.

A lógica de Deus é conceder a cada trabalhador o que ele necessita para sua família e não aquilo que é segundo as regras humanas e a nossa lógica. Ele dá o melhor de si para que cada um tenha o que é digno. Ele não é injusto em relação aos primeiros trabalhadores (os das 6 da manhã): Ele é misericordioso e generoso em relação aos últimos (os das 5 da tarde). Deus não paga, Ele doa! Aos últimos como dos demais que trabalharam menos, não foi só um pagamento, mas um presente!

O patrão não tira nenhum direito dos primeiros, mas, ao contrário, ele vai além do direito em relação aos últimos. Ele não é injusto, mas generoso. As leis do mundo é dar a cada um o que é de direito, que lhe pertence e foi conquistado; as leis de Deus é dar a cada um o melhor que precisa para ter dignidade.

Aos olhos de Deus, todos nós somos “operários de primeira hora”, não em mérito ao que fazemos, mas segundo o que somos. Deus não nos ama (ou nos “paga”) em base ao que fazemos, mas segundo o seu coração de Pai que ama a todos.

Na parábola, o patrão em vez de usar salários para reforçar distinções, ele os usa para expressar igualdade e solidariedade. Ao final, ele afirma que, pagando a todos eles o mesmo e os tratando como iguais, não só fez “o que é justo”, mas fez algo de bom ao modo de Deus.

Faça o download da reflexão em pdf.

 


Movimento do Terço dos homens se reúne para encontro arquidiocesano

O Movimento do Terço dos homens realizou o seu VI Encontro Arquidiocesano, no Colégio São José, em Pouso Alegre (MG), no último dia 17 de setembro. O encontro faz parte da programação do movimento que busca fortalecer a fé dos homens através da oração do terço.

Às 8h da manhã o encontro foi iniciado com a acolhida dos grupos do Terço dos homens presentes nas paróquias da arquidiocese. Foi servido o café da manhã e, na sequência, foram realizadas algumas palestras que terminaram com a oração do terço. Ao meio dia foi servido o almoço e às 13h15 foi realizada uma procissão até a Catedral Metropolitana onde foi celebrada uma Santa Missa. O arcebispo Dom José Luiz Majella Delgado CSsR presidiu a celebração. Cônego Wilson Mário de Moraes, cura da catedral, concelebrou.

O encontro foi marcado pela fé daqueles que, em suas famílias e comunidades, buscam viver o testemunho cristão que, só é possível, por meio da vida de oração.

 

 

Texto: Pe. Carlos Cézar Raimundo

Imagens: PASCOM da Catedral, Comunicação Terço dos homens


Leigos da Arquidiocese de Pouso Alegre participam da 28ª Assembleia do Laicato do Brasil - Leste 2

De 7 a 9 de setembro, aconteceu a 28ª Assembleia do Conselho Nacional do Laicato do Brasil - Regional Leste 2, realizada na Casa de Nazaré, em Montes Claros (MG), com a participação dos leigos representantes das arquidioceses e dioceses do Regional Leste 2 da CNBB - Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

A arquidiocese de Pouso Alegre foi representada pelos cristão leigos André Ferreira Martins e Dalva Rangel da Veiga Neri. Também participou do encontro o padre Paulo Adolfo Simões, membro do clero da arquidiocese de Pouso Alegre, que é secretário executivo do CEFEP - Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara.

Refletindo sobre o tema; “Profecia e Missão nos caminhos do Chão Mineiro” e o lema; “O meu desejo é a vida do meu povo” (Est 7,3), o encontro foi composto por momentos de debates, palestras, oração e reflexão. Com a ajuda do Arcebispo de Montes Claros, Dom José Carlos de Souza Campos, os cristãos leigos e leigas tiveram a oportunidade de aprofundar na análise da conjuntura eclesial e política.

O CNLB - Conselho Nacional do Laicato do Brasil é uma associação de fiéis leigos católicos que congrega e representa o laicato brasileiro na sua diversidade em movimentos, pastorais, e associações dos mais variados tipos. A instituição tem por objetivo articular o laicato, em conselhos regionais, diocesanos e locais.

Segundo a leiga Dalva Rangel da Veiga Neri:

"O CNLB quer ser o organismo que anima e congrega todas as expressões laicais. Muitas destas expressões já estão participando. O CNLB tem uma missão especial nestes tempos atuais. Ver com os olhos dos cristãos leigos, se faz necessário para transformar e cuidar da sociedade."
Texto: padre José Luiz Faria Junior
Imagens: arquivo pessoal de André Ferreira Martins e Dalva Rangel da Veiga Neri