Meio ambiente e o sonho ecológico de Francisco
Comemoramos, no dia cinco do mês de junho, o Dia Mundial do Meio Ambiente. Embora já tenha escrito sobre essa temática outras vezes, volto a ela por considerar sua relevância atualmente. A defesa do meio ambiente, da ecologia e de nossa Casa Comum é fundamental neste momento em que muitos cientistas apontam que, se a destruição da natureza continuar, a vida no planeta será inviabilizada. Com o meio ambiente vulnerabilizado, a vida corre risco e, sem possibilidade de vida, não existimos. Portanto, a defesa do meio ambiente é questão de sobrevivência nossa, como espécie humana.
Do ponto de vista religioso, as Igrejas podem dar uma grande contribuição, primeiro por que possui um fundamento teológico robusto e, depois, porque temos grande capacidade na formação de consciências e mudanças de comportamento. Aqui farei uso da encíclica Laudato Si', do papa Francisco, capítulo II, item 2, o qual tem como título “A sabedoria das Narrações Bíblicas”. Um título bem sugestivo. Então vejamos.
As narrativas da criação no livro do Gênesis nos apresentam dois textos que ajudam. O primeiro é capítulo 1,31 no qual se afirma que após a criação do homem e da mulher “(...) Deus viu que tudo era bom”. Ou seja, ao concluir a obra criadora Deus estava satisfeito com tudo o que fizera. Tudo estava no seu devido lugar, com perfeição. O segundo texto é do capítulo 1,26 que mostra a criação de cada ser humano por amor. Isso confere aos humanos dignidade e responsabilidade. Também o profeta Jeremias vem consolidar essa visão. Vejamos Jr 1,5: “antes de te formar (...)”. Ou seja, fomos concebidos no coração de Deus. Cada um de nós é fruto de um pensamento de Deus. Cada um de nós é amado e necessário. As narrativas do Gênesis indicam que a existência humana se fundamenta em três relações: com Deus, com o próximo e com a Terra. Segundo a Bíblia, essas três relações vitais se romperam não só exteriormente, mas também interiormente. Essa ruptura é o pecado. A harmonia inicial foi rompida quando quisemos ocupar o lugar de Deus
Segundo elemento fundamental que o Gênesis nos oferece é o tipo de relação que devemos ter com a criação. Enquanto no capítulo 1,28 se usa o verbo dominar, no capítulo 2,15 se usa: cultivar e guardar. Desta forma, o autor sagrado nos diz que Deus, ao criar todas as coisas por um imenso amor, deu à humanidade a missão de dominar a tudo com cuidado amoroso. Dominar, portanto, não pode ser confundido com o uso irresponsável dos bens naturais ao ponto de se colocar em risco a existência humana e toda a criação.
Além disso, outros livros bíblicos ajudam-nos a compreender que de fato “Do Senhor é toda a Terra” (Sl 24/23,1 e Dt 10,14). Esses textos tiram do ser humano toda pretensão de posse sobre a obra da criação. E, ainda mais, em Lv 25,23: “As terras não se venderão a título definitivo, porque a terra é minha, e vós sois estrangeiros e meus agregados”.
Outro tema bíblico que nos esclarece como deve ser a relação do ser humano com a obra da criação é o do descanso sabático. Vejamos Ex 23, 12. Aí, o descanso tem a seguinte finalidade: “para que descansem os animais e os escravos”. Portanto, o cuidado da natureza não é só para o homem, mas para toda a criação, conforme também nos diz Dt 22,4.6. Esses textos não nos autorizam a defender um humanismo ou antropocentrismo despótico. Além do sábado como o sétimo dia da semana, o Primeiro Testamento também nos apresenta o “Ano Sabático” (descanso da Terra) e o Ano Jubilar (Perdão das dívidas, retorno das propriedades aos antigos donos) conforme descrito em Lv 25. Ainda temos a recomendação de não exaurir a terra e ter compaixão dos pobres (Lv 19,9-10) e também deixar as sobras para os estrangeiros.
Assim, podemos concluir, sem esgotar a reflexão, que o item 2 do capítulo II da Laudato Si' ajuda-nos grandemente a repensar nossa relação com o meio ambiente e os fundamentos que temos para tal testemunho. Esse é um dos grandes sonhos de Francisco, o papa latino-americano: uma relação harmoniosa dos humanos com toda a natureza, criada por Deus, de forma que toda a vida seja preservada e respeitada.
Imagem de PublicDomainPictures por Pixabay.
Membros da Província Eclesiástica de Pouso Alegre são aprovados para atividades da CNBB
Membros do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) se reuniram de 20 a 22 de junho, em Brasília (DF), e aprovaram nomes de presidentes, secretários e assessores de comissões da entidade. Entre eles, foram aprovados membros da Província Eclesiástica de Pouso Alegre (MG): dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., padre Paulo Adolfo Simões, padre Jean Poul Hansen e Laudelino Augusto dos Santos Azevedo.
De 20 a 22 de junho, membros da nova formação do Conselho Permanente da (CNBB), para o quadriênio 2023-2027, se reuniram na sede da instituição, em Brasília (DF). Esse conselho, com caráter de direção, eleição e deliberação, é um órgão de orientação e acompanhamento da CNBB e dos seus organismos.
Dom Majella, em sessão da reunião da Comissão Permanente da CNBB, em Brasília. Foto: Luiz Lopes/Willian Bonfim (Ascom CNBB).
Dom José Luiz Majella Delgado, arcebispo metropolitano de Pouso Alegre, faz parte do Conselho Permanente da CNBB, representando o Regional Leste 2 da CNBB, o qual compreende as (arqui)dioceses mineiras.
Padre Jean Poul Hansen, em celebração eucarística, durante a reunião do Conselho Permanente da CNBB. Foto: Luiz Lopes/Willian Bonfim (Ascom CNBB).
Na reunião, os membros do Conselho Permanente tiveram momentos de reflexão sobre análise de conjuntura social; avaliaram a 60ª Assembleia Geral, realizada de 19 a 28 de abril, em Aparecida (SP); encaminharam o calendário 2023/2024; deliberaram sobre estatuto e regimento da CNBB; acolheram informes jurídicos; receberam pareceres sobre a Campanha para a Evangelização, a Campanha da Fraternidade 2024 e o Fundo Nacional de Solidariedade e encaminharam ações sobre a Comissão Especial para a mineração e a ecologia integral.
Laudelino Augusto dos Santos Azevedo, em sessão da Comissão Permanente da CNBB. Foto: Luiz Lopes/Willian Bonfim (Ascom CNBB).
Além disso, os membros da Comissão Permanente escolheram bispos indicados para compor Comissões Episcopais Pastorais permanentes e especiais e aprovaram os seus assessores e secretários.
Dom Majella foi eleito presidente da Comissão Especial para a Causa dos Santos, para o quadriênio 2023-2027.
Na Comissão Episcopal para o Laicato, Laudelino Augusto dos Santos Azevedo, cristão leigo da Arquidiocese de Pouso Alegre, será assessor até o final de 2023 do Setor de Leigos, função que ocupa nos últimos dois quadriênios. Vinculado a essa comissão, padre Paulo Adolfo Simões, membro do clero da Arquidiocese de Pouso Alegre, seguirá até o final de 2023 como secretário executivo do Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara (Cefep).
Padre Jean Poul Hansen, do clero da diocese da Campanha (MG), será, durante o quadriênio 2023-2027, o secretário executivo de Campanhas, vinculado ao Secretariado Geral da CNBB.
Padre Paulo Adolfo Simões, reconduzido como secretário executivo do Cefep até o final de 2023. Foto: Adriano Carvalho de Freitas (ArtImagem Pouso Alegre).
Confira, a seguir, a lista dos aprovados.
1. COMISSÃO EPISCOPAL PARA A AÇÃO MISSIONÁRIA E COOPERAÇÃO INTERECLESIAL
Pe. Tiago Ávila Camargo
Do clero da arquidiocese de Porto Alegre (RS). Pós-graduado em Missiologia pelo CCM/CNBB, bacharel em Teologia e bacharel e licenciatura em Filosofia.
Ir. Eliane Santana
Da Congregação das irmãs de São José de Chambéry. Tem mestrado em Gerenciamento de Sistemas de Informação, especialização em Dimensão Social da Fé, em Análise de Sistemas e em Ciência da Computação. Atuou em projetos missionários Ad Gentes em Moçambique e Timor Leste.
2. COMISSÃO EPISCOPAL PARA A ANIMAÇÃO BÍBLICO-CATEQUÉTICA
Mariana Aparecida Venâncio
Leiga da arquidiocese de Juiz de Fora (MG). Doutoranda em estudos Literários, tem mestrado em Literatura Brasileira, especialização em Sagrada Escritura e graduação em Teologia. Reconduzida na assessoria da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB.
Pe. Wagner Francisco de Sousa Carvalho
Do clero da diocese de Picos (PI). Doutorando em Teologia, mestre em Ciências da Educação/Catequética, bacharelado em Teologia e licenciatura em Filosofia.
3. COMISSÃO EPISCOPAL PARA A DOUTRINA DA FÉ
Pe. Douglas Alves Fontes
Do clero da Arquidiocese de Niterói (RJ). Doutor em Teologia, graduado e mestre em Teologia, licenciatura em Filosofia.
Pe. Tiago de Fraga Gomes
Do clero da diocese de Osório (RS). Doutor em Teologia, mestre em Teologia, bacharel em Filosofia e Teologia.
4. COMISSÃO EPISCOPAL PARA A AÇÃO SOCIOTRANSFORMADORA
Frei Olavio Dotto, OFM
Franciscano da Ordem dos Frades Menores. Mestrado em Teologia. Atual assessor da Comissão para a Ação Sociotransformadora. Segue até o final de 2023.
Pe. Dário Bossi
Missionário Comboniano, há cerca de 20 anos no Brasil. Coordenador da Rede Justiça nos Trilhos e membro da coordenação da Rede Ecumênica Latino-Americana Iglesias y Minería e assessor da REPAM.
5. COMISSÃO EPISCOPAL PARA A LITURGIA
Pe. Jair Oliveira Costa
Do clero da Diocese de Guarulhos (SP). Graduado em Teologia e especialista em Liturgia Cristã. Membro da Equipe de Reflexão de Música Litúrgica da CNBB.
Frei Luis Felipe Marques
Frade franciscano conventual. Mestre e Doutor em Teologia Sacramental. Cuidará do Setor Pastoral Litúrgica.
Raquel Tonini Rosenberg Schneider
Graduada em Arquitetura e Urbanismo, mestre em Teologia e especialista em Espaço Celebrativo-Litúrgico e Arte Sacra. Estará a serviço do Setor Espaço Litúrgico.
6. COMISSÃO EPISCOPAL PARA OS MINISTÉRIOS ORDENADOS E VIDA CONSAGRADA
Pe. Guilherme Maia Júnior
Do clero da diocese de Coxim. Graduado em Teologia e Especialista em Cristologia e Direito Matrimonial e Processual Canônico. Será assessor interno.
7. COMISSÃO EPISCOPAL PARA O LAICATO
Laudelino Augusto dos S. Azevedo
Leigo da arquidiocese de Pouso Alegre (MG). Assessor da Comissão durante os últimos dois quadriênios, seguirá até o final de 2023 no Setor Leigos.
Celso Pinto Carias
Leigo da diocese de Duque de Caxias, é doutor em Teologia. Seguirá até o final de 2023 no Setor CEBs.
Pe. Paulo Adolfo Simões
Do clero da arquidiocese de Pouso Alegre (MG). Especialista em Docência e Gestão do Ensino Superior. Seguirá até o final deste ano no Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara (Cefep).
8. COMISSÃO EPISCOPAL PARA A VIDA E A FAMÍLIA
Pe. Rodolfo Chagas Pinho
Do clero da diocese de Jacarezinho (PR), é graduado em Comunicação Social e especialista em Pastoral da Cultura e Teologia Pastoral.
9. COMISSÃO EPISCOPAL PARA A JUVENTUDE
Pe. Antônio Gomes de Medeiros Filho, SDB
Religioso salesiano, é graduado em Filosofia, tem especialização em Coordenação Pedagógica, Supervisão Escolar e Administração Escolar.
Pe. Antonio Ramos do Prado, SDB
Salesiano, é mestre em Pastoral Juvenil e Teologia Pastoral. Continua na assessoria da Comissão.
10. COMISSÃO EPISCOPAL PARA O ECUMENISMO E O DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO
Pe. Marcus Barbosa Guimarães
Do clero de Nova Iguaçu (RJ), é doutor em Teologia Dogmática.
11. COMISSÃO EPISCOPAL PARA A CULTURA E A EDUCAÇÃO
Pe. Júlio César Evangelista Resende, OSC
Religioso da Ordem de Santa Cruz, é especialista em Formação para a Vida Religiosa e Teologia Pastoral e também mestre em Educação.
Maria Beatriz Leal da Silva
Leiga da diocese de Petrópolis (RJ). Especialista em Ensino Religioso, mestre em Educação e doutoranda em Educação.
Pe. Luciano da Silva Roberto
Do clero da arquidiocese de Mariana (MG). Graduado em Filosofia e Teologia e especialista em História da Arte Sacra e Análise e Gestão do Patrimônio Cultural.
Pe. Renato Gomes Alves
Do clero da diocese de Campo Limpo (SP). Graduado em Filosofia e Teologia e mestre em Teologia Sistemática.
12. COMISSÃO EPISCOPAL PARA A COMUNICAÇÃO SOCIAL
Pe. Tiago José Síbula da Silva
Do clero da diocese Santo André (SP). É mestre em Comunicação Social. Continua como assessor externo da Comissão.
Osnilda Lima
Jornalista e Comunicadora Popular, é especialista em Dimensão Social da Fé. Será assessora interna
SECRETARIADO GERAL
Subsecretário adjunto-geral
Pe. Patriky Samuel Batista
Do clero da diocese de Luz (MG). Pós-graduado em Teologia Pastoral, em Missiologia e História.
Subsecretário adjunto de Pastoral
Pe. Jânison de Sá Santos
Do clero da diocese de Propriá (SE). Mestre e doutor em Teologia e pós-doutorado em Teologia.
Secretário executivo de Campanhas
Pe. Jean Poul Hansen
Do clero da diocese da Campanha (MG). Tem especialização em Origens do Cristianismo e Mestrado em Teologia Dogmática.
Assessor de Relações Institucionais e Governamentais
Frei Jorge Luiz Soares da Silva, OFMConv
Frade Franciscano conventual. Tem especialização em Direito Processual Canônico.
Assessor de Imprensa
Pe. Arnaldo Rodrigues da Silva
Do clero da arquidiocese do Rio de Janeiro. Mestre em Comunicação Institucional e doutor em Comunicação Social.
Ecônomo
Mons. Nereudo Freire Henrique
Do clero da arquidiocese da Paraíba. Tem MBA em Gestão Empresarial e Gestão de Pessoas. É pós-graduado em Sociologia e Doutrina Social da Igreja.
Assessor Canônico
Dom Moacir Silva, arcebispo de Ribeirão Preto (SP)
Pós-graduado em Direito Canônico e mestre em Direito Canônico.
Texto: padre Thiago de Oliveira Raymundo
Imagens: Luiz Lopes/Willian Bonfim (Ascom CNBB) e Adriano Carvalho de Freitas (ArtImagem Pouso Alegre)
A imagem destacada da notícia traz membros do Conselho Permanente da CNBB, reunidos de 20 a 22 de junho, em Brasília. Foto: Luiz Lopes/Willian Bonfim (Ascom CNBB).
#Reflexão: 12º domingo do Tempo Comum (25 de junho)
A Igreja celebra o 12º Domingo do Tempo Comum, neste domingo (25). Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: Jr 20,10-13
Salmo: 68(69),8-10.14.17.33-35 (R. 14c)
2ª Leitura: Rm 5,12-15
Evangelho: Mt 10,26-33
NADA TEMAS: DEUS É NOSSA ÚNICA FORÇA E ESPERANÇA
As leituras deste domingo nos colocam diante do grande desafio do testemunho e das perseguições. Isto sempre foi presente na vida daqueles que se decidiram por adequar as suas vidas segundo a vontade de Deus. Não é somente ser diferente, mas ter valores que se tornam um “peso na consciência” para aqueles que proclamam projetos de morte e contra o ser humano.
O profeta Jeremias na primeira leitura compartilha o seu sofrimento ao constatar que até mesmo pessoas próximas, amigos, tinham se colocados contra ele. Tinham se tornado inimigos e ficavam a espreita para colher algum erro e depois acusá-lo de negligência. Não estavam interessando em seus acertos, mas somente em suas falhas para denunciá-lo como incoerente. O mal cega as pessoas: enxergam nos outros somente o mesmo mal que habita os seus corações. Mas, Jeremias sabe que o fundamental para ele é como ele conduz sua vida diante de Deus, por isto, o profeta possui a consciência de que tudo em sua existência vem de Deus e para Deus todos nós nos encaminhamos e a Ele deveremos prestar contas de tudo em nossa vida e não para às pessoas!
No Evangelho, Jesus está procurando preparar seus discípulos para as perseguições que se sucederão na vida deles por se tornarem mensageiros do Evangelho. Domingo passado, o mestre escolhe os doze para acudir as multidões que eram como ovelhas sem pastor. Jesus envia os discípulos, mas sabe que enfrentarão inúmeras dificuldades. As perseguições virão de todas as partes até mesmo de parentes e amigos. Os discípulos de Jesus serão conduzidos à prisão pelo simples fato de professarem uma fé diferente dos demais e muitos vão encontrar a morte por serem seguidores de Cristo. E diante deste quadro, Jesus procura animar seus discípulos e por bem três vezes afirma: “Não temais medo!”.
O Evangelho deste domingo de Mateus inicia com Jesus concluindo suas recomendações sobre as diversas perseguições e por isto afirma: “Não os temais!”. Tais pessoas vivem em mundo onde Deus é somente um instrumento em suas mãos: usam conforme lhes é conveniente. A Palavra de Deus serve – para esses perseguidores – até como justificativa para os seus erros, para humilhar e condenar outras pessoas.
São pessoas que vivem na mentira e na escuridão do mal. Jesus anima seus discípulos e os exorta dizendo que tudo que Ele lhes ensina em particular é Boa Nova que ilumina o mundo, por isto, eles devem anunciar a todos, sem medo, às claras e sobre os telhados. Para Jesus ser perseguido por certos tipos de pessoas é exatamente o sinal de que estamos no caminho certo e do bem: não somos como eles e não pertencemos ao grupo deles. O limpo sempre incomoda quem está sujo. Quem vive nas trevas do pecado e da mentira, odeia quem está na luz e junto de Deus.
Mas, Jesus aprofunda esta questão e não esconde nada dos discípulos. A maldade daqueles que não servem a Deus pode chegar até ao extremo da violência conduzindo seus seguidores à morte. Como o profeta Jeremias, também Jesus convida seus discípulos a estarem tranquilos, pois tais pessoas podem somente fazer mal ao corpo e nada mais. Mas, Jesus alerta sobre aqueles que, sem usar de violência, arrastam discípulos para a condenação eterna. De fato, o Mal pode usar de diversos meios e tentações para, de pouco em pouco, arrancar as pessoas da comunhão com Deus. E assim, quanto mais longe de Deus, mais fácil dar espaço ao pecado inclusive àqueles que podem conduzir à condenação diante de Deus. As perseguições físicas e visíveis vindas de pessoas são mais fáceis de serem identificadas e de se defender, mas as tentações que vêm do Mal (inclusive através de pessoas), estas são mais difíceis de serem percebidas e de se defender, pois quase sempre vêm revestidas de algo bom, prazeroso e cheias de vantagens humanas.
A terceira exortação para “não temer” inicia com dois exemplos simples, mas muito significativos. Jesus recorda a todos a providência de Deus em relação aos pássaros: nenhum cai por terra sem que Deus permita, sem que Ele esteja “presente”. Nada acontece seu Deus ter consciência e vontade. Nosso Deus Criador governa toda a natureza e o mundo e cuida de todos os detalhes. No mundo, mesmo sendo regido por leis na natureza que conhecemos, mesmo assim, nada acontece sem a Sua permissão. A onisciência de Deus (Deus sabe tudo) se aplica a detalhes que para nós são quase impossíveis como saber a quantidade exata de cabelos em nossas cabeças. Deus reina e governa tudo com decisão e atenção. Mas, há um mundo que Deus não interfere: da vontade e da liberdade humana.
De fato, as guerras e as violências que vemos em nossa realidade não são obras de Deus, mas do desgoverno humano. O ser humano teima em escolher caminhos que produzem tanto mal a si com também ao próximo, neste caso, Deus procura circundar com a sua providência, tentando amenizar os nossos erros. Jesus alerta que Deus pode fazer tudo, mas se nós seres humanos não cooperarmos com essa assistência, transformamos o nosso próprio mundo em algo difícil para todos nós. Que bom seria se todos percebessem que tudo poderia ser bem melhor se caminhássemos segundo os desígnios e a vontade de Deus que jamais produzirá algum mal em nossa vida.
Assim, Jesus conclui que nós valemos muito mais do que qualquer pássaro neste mundo. De fato, somos filhos e filhas de Deus e Ele quer cuidar de cada pessoa com muito mais zelo e amor com que cuida de cada detalhe deste mundo, mas tudo dependerá sempre de todos nós, da nossa vontade e da nossa liberdade em aceitar a sua assistência e o seu amor providente.
Jesus conclui a sua exortação aos discípulos completando as primeiras palavras do Evangelho deste domingo animando a todos para o testemunho. A melhor forma de proclamar sobre os telhados e anunciar publicamente as verdades de Deus é através de nossa vida vivida segundo os valores e os ensinamentos de Jesus. O nosso modo de viver e os nossos valores defendidos com o nosso exemplo diante das pessoas é a melhor forma de mostrar que podemos construir um mundo muito melhor se deixarmo-nos conduzir pela Vontade, pelo amor e pela bondade de Deus.
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Josemaría Escrivá: santo do dia a dia
No dia 9 de janeiro de 1902, em Barbastro, na Espanha, nasceu Josemaría Escrivá de Balaguer. Desde a infância, recebeu uma profunda educação cristã de seus pais.
Ainda jovem, cursou a faculdade de Direito. Entrou no Seminário São Carlos, em Saragoza. Foi ordenado sacerdote no dia 28 de março de 1925. Como padre, seu primeiro destino pastoral foi a Paróquia Nossa Senhora da Assunção, em Perdiguera, povoado rural da região de Saragoza, o qual, naquela época, possuía cerca de 800 habitantes. Lá permaneceu quase 2 meses.
Com a permissão de seu bispo, foi a Madri fazer doutorado em Direito. Lá, recebeu de Deus uma grande missão. Trabalhando com todas suas forças, sem renunciar a suas funções pastorais, fundou a Opus Dei.
Com a eclosão da Guerra Civil Espanhola, a Igreja começou a ser perseguida. Naquela época, o padre Escrivá estava em Madri e foi obrigado a refugiar-se em diversos lugares, exercendo seu ministério clandestinamente.
Com o fim dessa guerra, em 1939, o padre Escrivá voltou a realizar os trabalhos da Opus Dei com grande intensidade, dirigindo inúmeros retiros espirituais para sacerdotes, religiosos e leigos.
Recebeu do papa daquela época duas grandes missões: ser membro honorário da Pontifícia Academia de Teologia e Prelado de Honra de Sua Santidade. Acompanhou com zelo os preparativos do Concílio Vaticano II.
O padre Escrivá realizou inúmeras viagens pelo mundo para pregar o Evangelho e consolidar a Opus Dei. Visitou, inclusive, o Brasil no ano de 1974.
Ele faleceu no dia 26 de junho de 1975, em Roma, com fama de santidade. Foi beatificado no dia 17 de maio de 1992 e canonizado no dia 6 de outubro de 2002, pelo papa São João Paulo II. Sua celebração litúrgica na Igreja é no dia 26 de junho.
A vocação e a missão do padre Josemaría Escrivá foi difundir e despertar no coração da humanidade o chamado de Deus à santidade. Em seus ensinamentos, ele instruiu a viver a santidade na vida do dia a dia. Incentivou a alegria de viver, trabalhar e ser santo nas ações cotidianas do trabalho, da escola e da família. Escreveu três obras: Caminho, Sulco e Forja. Seus textos ajudam a aprofundar na caminhada cristã rumo ao céu.
“Que a tua vida não seja uma vida estéril. - Sê útil. - Deixa rasto. - Ilumina com o resplendor da tua fé e do teu amor. Apaga, com a tua vida de apóstolo, o rasto viscoso e sujo que deixaram os semeadores impuros do ódio. - E incendeia todos os caminhos da terra com o fogo de Cristo que levas no coração” (São Josemaría Escrivá, Caminho, 1).
Oração
Ó Deus que nos chamastes à santidade, dai-nos a graça de, inspirados no testemunho de São Josemaría Escrivá, buscar viver nossa fé crescendo em santidade e amor a Deus e ao próximo, para que um dia estejamos unidos na comunhão dos santos, louvando eternamente a Santíssima Trindade. Amém. São Josemaría Escrivá, rogai por nós!
Referências:
Opusdei.org. Biografia de São Josemaria. 2006. Disponível em: https://opusdei.org/pt-br/article/biografia-de-sao-josemaria/
Opusdei.org. "Que a tua vida não seja uma vida estéril". 2006. Disponível em: https://opusdei.org/pt-br/article/que-a-tua-vida-nao-seja-uma-vida-esteril/
Imagem: Vatican Media
São Luís Gonzaga: padroeiro da juventude
No dia 21 de junho a Igreja celebra a memória de São Luís Gonzaga. Vamos conhecer um pouco da vida desse jovem santo de nossa Igreja.
São Luís Gonzaga nasceu na Itália no ano de 1568. Era o primeiro filho de Marta Tana di Sántena e de Ferrante Gonzaga. Era de família nobre e recebeu de sua mãe a formação cristã e de seu pai, a motivação para ser príncipe.
Apesar de sua família ter muitas posses, desde cedo, Luís foi envolvido pelo amor divino e não se deixou influenciar pelo luxo e poder que sua família tinha.
“Na verdade, aos 5 anos brincava de fazer guerra; aos 7, ajoelhava-se, várias vezes por dia, para recitar os salmos penitenciais; aos 10, consagrou-se definitivamente a Maria, como ela se havia consagrado a Deus; finalmente, aos 12 anos, recebeu a Primeira Comunhão das mãos de São Carlos Borromeu, em visita pastoral à sua cidade”. (https://www.vaticannews.va/pt/santo-do-dia/06/21/s--luis-gonzaga--jesuita--padroeiro-da-juventude-catolica.html)
Bem cedo, Luís Gonzaga descobriu sua vocação à vida religiosa e quis ser padre. Ele confidenciou isso a sua mãe. No entanto, seu pai, ao saber disso, se opôs e, com intenção de desviar seu filho do caminho da vida religiosa, o levava para festas mundanas. Seu pai chegou a enviá-lo para cortes italianas para que desistisse de seguir a vida religiosa e, quem sabe, até se apaixonasse por alguém. No entanto, Luís Gonzaga se firmava ainda mais na decisão de entrar para a Companhia de Jesus.
Diante das zombarias e incompreensões de seus parentes, Luiz Gonzaga dizia: "Busco a salvação! Busquem-na vocês também!".
Em 1585, Luís renunciou aos bens materiais e aos títulos em favor de seu irmão mais novo e partiu para Roma, ingressando-se na Companhia de Jesus, onde viveu seis anos.
Naquela época, houve, em Roma, uma grande epidemia de doenças, vitimando inúmeras pessoas.
Sendo fiel ao lema de sua congregação religiosa – “Como os outros” – ou seja, deixar de lado a sua origem nobre e os privilégios do seu estado de saúde, Luís saía a encontro dos doentes para ajudá-los, na companhia de São Camilo de Lellis. Certo dia, ao ver um doente abandonado na rua prestes a morrer, Luís pegou o doente e o levou para o hospital da Consolata. Provavelmente, foi nessa ocasião que Luís ficou contaminado. Adoeceu e, com apenas 23 anos, faleceu antes de fazer os seus votos.
São Luís Gonzaga foi canonizado em 1726 pelo papa Bento XIII, o qual o nomeou, anos depois, protetor dos estudantes. Em 1926, foi proclamado padroeiro da Juventude Católica pelo papa Pio XI. Em 1991, São João Paulo II o nomeou padroeiro dos pacientes de AIDS.
Oração
“Ó Deus, fonte dos dons celestes, reunistes no jovem Luís Gonzaga a prática da penitência e a admirável pureza de vida. Concedei-nos, por seus méritos e preces, imitá-lo na penitência, se não o conseguimos na inocência” (Oração do dia da memória de São Luís Gonzaga).
Referências:
https://santo.cancaonova.com/santo/sao-luis-gonzaga-padroeiro-dos-jovens/
https://www.vaticannews.va/pt/santo-do-dia/06/21/s--luis-gonzaga--jesuita--padroeiro-da-juventude-catolica.html
Imagem: Vatican Media
Pastoral Vocacional promove encontro com coroinhas e acólitos de Setores Pastorais
O encontro aconteceu no dia 18 de junho, das 9h às 15h, no Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora Auxiliadora, em Pouso Alegre (MG). Foi uma atividade realizada pela Pastoral Vocacional da arquidiocese, sob orientação do padre Fabiano José Pereira e os seminaristas Natanael J. Barbosa e Luiz Gustavo Camanducaia.
O clima frio não impediu que os coroinhas e acólitos, acompanhados pelos seus responsáveis, chegassem com muito ânimo ao Seminário. Estiveram presentes fiéis das paróquias dos Setores Pastorais: Mandu, Mogi e Dourado.
Após a bênção dos alimentos e o café da manhã partilhado, todos se dirigiram à quadra de esportes para o momento de acolhida dos setores, animação, dinâmica e oração. A manhã ainda deu lugar para uma gincana vocacional.
Após o almoço em forma de lanche e o retorno à quadra para a finalização das atividades iniciadas pela manhã, os participantes foram em procissão à igreja matriz da Paróquia São José Operário, onde foi realizada a adoração ao Santíssimo e a celebração da Santa Missa. Ao término, os coroinhas da Paróquia São Francisco de Paula de Ouro Fino (MG) realizaram uma homenagem à Nossa Senhora.
O objetivo do encontro foi retomar as visitas dos coroinhas e acólitos ao Seminário Arquidiocesano, bem como conscientizar a todos sobre a necessidade de ouvir e de responder ao chamado de Deus. A iniciativa faz parte das atividades que compõem as celebrações do terceiro Ano Vocacional da Igreja do Brasil. Para o dia 3 de setembro, foram convidados os coroinhas e acólitos dos setores Fernão Dias, Extremo Sul e Mantiqueira. No dia 1º de outubro, os setores Alto da Serra, Paraíso e Sapucaí.
Texto: Pe. Carlos Cézar Raimundo
Imagens: Seminário Arq. Nossa Senhora Auxiliadora
Diácono Cristian é ordenado presbítero em Paraisópolis
Arquidiocese de Pouso Alegre (MG) recebe mais um sacerdote. Diácono Cristian Diego Rosa foi ordenado presbítero, hoje (17), por dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., arcebispo metropolitano, na Paróquia São José, em Paraisópolis (MG).
Dom Majella presidiu a celebração da ordenação presbiteral do diácono Cristian, a qual contou com a presença de membros do clero arquidiocesano, religiosos e cristãos leigos que se reuniram para celebrar esse momento importante para a arquidiocese.
Foram seus padrinhos eclesiásticos os padres Heraldo José dos Reis, Leonardo Pereira Almeida e Luciano Aparecido Pereira. Os padrinhos leigos foram José Fernando de Freitas Pinto, Thaís Aparecida de Salles Afonso, Maria de Lourdes Santos Paiva e Agnaldo Pereira Paiva. O neossacerdote Cristian escolheu como lema de sua ordenação presbiteral: “Anunciar a insondável riqueza de Cristo” (Ef 3,8).
Filho de Raimundo Donizete da Rosa e Silvia Helena Ribeiro Rosa, Cristian nasceu na cidade de Paraisópolis e, desde muito cedo, como coroinha e participando da missa com as crianças, sentiu-se chamado por Deus para o seguimento radical a Jesus. Motivado pela presença de diversos sacerdotes e seminaristas, sobretudo pelo cônego Braz Tenório da Rocha, conheceu o Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora Auxiliadora no ano de 1999. Após fazer um período de encontros vocacionais, em 2003 ingressou no seminário, onde cursou o Ensino Médio. Ao final desse curso, retornou para sua família, dedicando-se a estudos particulares, às atividades pastorais em sua comunidade natal e ao trabalho.
Padre Cristian Diego Rosa, ordenado presbítero por dom Majella, neste sábado (17), em Paraisópolis (MG). Foto: Adriano / ArtImagem.
Em 2013, após ter contato com uma propaganda vocacional e fazer uma visita ao seminário, sentiu-se novamente chamado por Deus. No ano seguinte, retornou ao seminário, cursando o Propedêutico, Filosofia e Teologia.
Diácono Cristian, no momento da Oração consecratória e imposição das mãos de dom Majella. Foto: Cláudia Couto.
Durante o período de seminário, exerceu sua atividade pastoral em várias comunidades da arquidiocese: Paróquia São Sebastião, em São Sebastião da Bela Vista (MG); Paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Conceição dos Ouros (MG); Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Pouso Alegre (MG); Paróquia Nossa Senhora do Patrocínio, em Caldas (MG), e Paróquia São João Batista, em Cachoeira de Minas (MG). Além disso, trabalhou na Pastoral Vocacional e na Pastoral da Comunicação, em âmbito arquidiocesano.
Raimundo e Silvia, pais do padre Cristian, desatam a fita amarrou as mãos ungidas do neossacerdote. Foto: Cláudia Couto.
Foi ordenado diácono no dia 9 de dezembro de 2022, na Paróquia Sant’Ana, em Sapucaí Mirim (MG), onde realizava seu estágio pastoral. Em dezembro daquele mesmo ano, foi transferido para a Paróquia Bom Jesus, em Bueno Brandão (MG), onde exerceu seu ministério diaconal. Nessa paróquia, o neossacerdote exercerá, como vigário, o início do ministério presbiteral.
Procissão de entrada da ordenação presbiteral do diácono Cristian, com seus pais, clérigos e seminaristas do Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora Auxiliadora, no adro da igreja matriz de São José, em Paraisópolis. Foto: Cláudia Couto.
Para o padre Cristian, a aproximação com o povo conforta e confirma o chamado de Deus em sua vida, para que ele se configure ao Cristo, Bom Pastor.
“Celebrar minha ordenação no contexto do ano vocacional é confirmar que, se deixarmos nossos corações arderem pelo chamado e nossos pés prontos para o caminho, Deus completará a nossa vida com a sua graça. A ordenação toca profundamente a mim enquanto ser humano e vocacionado, mas toca profundamente o ser da Igreja. A graça de Deus reservada para mim está em vista da graça de Deus reservada a todos. O sacerdote não se faz sacerdote para si próprio, mas se faz para a santificação do Corpo de Cristo que é a Igreja”, comentou o padre Cristian sobre sua ordenação presbiteral.
Fiéis de Paraisópolis e cidades onde o neossacerdote Cristian realizou atividades pastorais participam de sua ordenação presbiteral. Em destaque nave e presbitério da igreja matriz de São José, em Paraisópolis. Foto: Cláudia Couto.
Dom Majella, em sua reflexão, destacou que a vocação do neossacerdote Cristian é benção de Deus para toda a Igreja e expressão da diocesaneidade. O dom da vocação do novo padre enriquece a Igreja Particular de Pouso Alegre, disse o arcebispo. Além disso, ele se lembrou que, neste ano, a Igreja celebra o Ano Vocacional. Por isso, todas as vocações, as religiosas, as matrimoniais e as de tantos ministérios nas comunidades, são fundamentais para a Igreja. Na sua homilia, o arcebispo explicou o sentido da memória litúrgica do Imaculado Coração de Maria, que a Igreja celebra hoje (17). Para ele, o coração de Maria é simples, forte, humilde, grato e alegre pela graça de Deus em sua vida. A partir do exemplo do coração de Maria, o arcebispo refletiu que, por meio da sua vocação e da sua vida, o coração do novo padre é chamado a buscar a insondável riqueza do Amor de Cristo. No coração de Maria, Mãe de todas as vocações, o diácono Cristian deve colocar seu "Eis-me aqui", exortou dom Majella. Além disso, ele comentou as passagens bíblicas de Isaías 61,9-11; Efésios 3,2-12 e Lucas 2,41-51.
Diácono Cristian prostra-se diante do altar da igreja matriz de São José, em Paraisópolis, no momento da Ladainha. Foto: Cláudia Couto.
"Diácono Cristian, seu coração se abriu ao chamado do Bom Pastor. Que seu coração esteja sempre unido a Jesus, em comunhão com ele. Que seu coração seja um coração de sacerdote, a serviço da Igreja. Que a bondade do Senhor esteja sempre com você e seja sua força, principalmente diante dos desafios. O sacramento da ordem que está para receber o faz participar da missão de Cristo. Querido diácono, saiba seguir a Jesus e traduzir o amor a Jesus como zelo pela salvação das almas. Esteja disposto a ser um bom pastor, a exemplo do Bom Pastor, Jesus Cristo", recomendou o arcebispo ao novo sacerdote.
Ouça, na íntegra, a homilia de dom Majella.
Ao final da celebração, cônego Wilson Mário de Morais, vigário geral, representando o clero arquidiocesano, acolheu o padre Cristian entre os membros do presbitério. Padre Leandro de Carvalho Raimundo, pároco da Paróquia São José, em Paraisópolis, agradeceu a presença dos clérigos, religiosos e cristãos leigos e a participação dos fiéis da sua comunidade paroquial na organização e realização da ordenação presbiteral do neossacerdote, destacando que essa celebração é um momento importante para a diocesaneidade e sinodalidade na paróquia.
Padre Cristian agradeceu a todos que se envolveram com a realização da sua ordenação presbiteral. Destacou fatos importantes da sua história vocacional, agradecendo a todos que participaram do seu processo de discernimento vocacional. Para finalizar a celebração, convidou o arcebispo, clérigos, religiosos e os cristãos leigos para rezarem, diante da imagem de São José, a oração do Ano Vocacional.
Ouça o discurso do novo padre.
A Arquidiocese de Pouso Alegre se alegra com a ordenação de mais um padre para seu clero e reza a Deus para enviar sempre santas vocações ao ministério ordenado. O novo padre presidirá sua primeira missa, amanhã (18), às 9h, na igreja matriz de São José, em Paraisópolis.
Veja as fotos do Tríduo Vocacional.
Veja mais fotos da Ordenação Presbiteral.
Assista à transmissão da ordenação.
Texto: padre Carlos Cézar Raimundo e padre Thiago de Oliveira Raymundo
Imagens: Cláudia Couto e Adriano Carvalho de Freitas
Áudios: @paroquiaparaisopolis / Paróquia Conectada
A imagem destacada da notícia traz dom Majella ungindo as mãos do neossacerdote Cristian, acompanhados pelo padre Jésus Andrade Guimarães e o seminarista Lucas Lázaro. Foto: Cláudia Couto.
Membros do clero arquidiocesano realizam encontro de espiritualidade
Padres e arcebispo se reuniram, hoje (16), na igreja matriz da Paróquia São José Operário, em Pouso Alegre (MG), para manhã de espiritualidade por ocasião do Dia de Oração pela santificação dos sacerdotes.
O tema do encontro foi "A mística do coração de Jesus e a fraternidade presbiteral". A Pastoral Presbiteral, coordenada pelo padre Heraldo José dos Reis, organizou o evento. Estiveram presentes: dom José Luiz Majella Delgado, C.Ss.R., arcebispo metropolitano de Pouso Alegre, e os padres do clero arquidiocesano. Os participantes realizaram momentos de oração, reflexão, adoração ao Santíssimo Sacramento e confraternização.
A reflexão do tema foi realizada pelo padre José Luis de Gouvêa, scj, pároco da Paróquia Divino Espírito Santo, em Varginha (MG). O palestrante destacou que o padre é chamado a ter o coração aberto para servir a Deus, entrar em sua intimidade, buscar a santidade e ajudar a humanidade a ser marcada pelo amor divino. Para isso, é importante que o sacerdote redescubra as origens do seu chamado, do seu primeiro Amor, e volte à fonte vocacional, para entrar na dinâmica do coração de Jesus. Além disso, explicou que o padre é chamado a se colocar sempre em missão no meio da humanidade para amar a todos, sem reservas, e ser sinal de misericórdia.
"O coração de Jesus aberto na cruz é para nós, sacerdotes, manancial de Salvação e renovação da vocação para nos mostrar que somos irmãos e testemunhar o amor a Jesus no meio da humanidade", disse o padre José Luis.
Padre José Luis de Gouvêa, scj, palestrante do Dia de Oração pela santificação do clero.
No início do encontro, padre Adriano São João, pároco da Paróquia São José Operário, e padre Heraldo acolheram os clérigos participantes. Dom Majella também acolheu os padres. Em sua fala, o arcebispo destacou que o Dia de Oração pela santificação do clero é oportunidade para refletir sobre a santidade e a fidelidade vocacional. Ele pediu que os padres rezem pela sua santificação, em sintonia com o Ano Vocacional e a caminhada sinodal da arquidiocese.
"Rezar pela nossa santificação é rezar pela nossa fidelidade. Padre, mergulhe no coração de Jesus para fortalecer o vínculo da sua vocação com Jesus, viver o desafio do seu chamado e crescer na santidade, com a força da comunhão dos santos. Deixemos que o Espírito Santo nos ilumine para fortalecer a vivência da vocação", exortou dom Majella.
O Dia de Oração pela santificação do clero foi iniciado na Igreja Católica em 1995, por incentivo do papa São João Paulo II. Dom Majella, desde o início do seu episcopado na Arquidiocese de Pouso Alegre, em 2014, tem proposto a celebração desse dia por meio de encontro de oração com os membros do clero arquidiocesano. É realizado sempre na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, celebrada, neste ano, hoje (16).
Texto: padre Thiago de Oliveira Raymundo
Imagens: padre Anderson Ribeiro dos Santos
Corações inseparáveis: Sagrado Coração de Jesus e Imaculado Coração de Maria
Nesta semana, nos dias 16 e 17 de junho, celebramos respectivamente a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus e o Imaculado Coração de Maria.
O Sagrado Coração de Jesus foi revelado no dia 27 de dezembro de 1673. O próprio Jesus Cristo apareceu a Santa Margarida Maria Alacoque, religiosa que pertencia à Ordem da Visitação. A aparição aconteceu durante uma exposição do Santíssimo Sacramento. Santa Margarida teve a visão de Jesus Cristo mais duas vezes. Nas aparições, o próprio Senhor pediu para que ela divulgasse a devoção a seu Sagrado Coração. Mostrando o seu Coração transpassado pela espada, Jesus disse a Santa Margarida:
“Eis o coração que tanto tem amado os homens e em recompensa não recebe da maior parte deles, senão ingratidões pelas irreverências e sacrilégios, friezas e desprezos que tem por mim nesse sacramento do Amor. E continuou dizendo: prometo-te pela minha excessiva misericórdia, a todos que comungarem nas primeiras sextas de nove meses consecutivos, a graça da penitência final. Estes não morrerão em minha inimizade, nem sem receberem os sacramentos. O meu Sagrado Coração lhes será refúgio seguro nessa última hora”.
As primeiras sextas-feiras devem ser dias de reparação pela frieza, desprezo e sacrilégios, os quais, muitas vezes, sofreu a Eucaristia, por parte de maus cristãos e daqueles que não acreditam em Jesus Cristo.
A Beata Maria do Divino Coração pediu ao papa Leão XIII que consagrasse solenemente essa devoção. Em resposta, no dia 11 de junho de 1889, após a publicação de encíclica Annum Sacrum, o papa considerou que a devoção ao Sagrado Coração de Jesus é uma forma por excelência de religiosidade. Essa devoção, recomendada a todos, é muito proveitosa. No Sagrado Coração, está o símbolo e a imagem expressa do Amor Infinito de Jesus Cristo, que nos leva a lhe retribuir esse amor. Sua festa é comemorada na segunda sexta-feira após a solenidade de Corpus Christi. Este ano A será celebrada no dia 16 de junho. Todo o mês de junho é dedicado ao Sagrado Coração de Jesus.
Oração de consagração ao Sagrado Coração de Jesus
Divino Salvador que, perseguido pelos inimigos e ferido no Coração, pela tibieza de seus amigos, vos queixastes a Santa Margarida: Tenho procurado consoladores e não os tenho encontrado. Aqui estou Senhor para vos consolar. Quero adorar vossa Majestade escondida, quero reparar as ofensas minhas e as dos outros. Quero amar o vosso amor desprezado e abandonado. Consagro-me inteiramente ao vosso Coração. Sede Vós somente o meu Rei. Ajudai-me Senhor, a difundir nas almas o reino do vosso Coração. Acendei a chama do vosso amor no coração dos vossos sacerdotes, para que se tornem apóstolos infatigáveis e portadores das bênçãos do vosso divino Coração. Fazei que compreendam finalmente, a honra e a obrigação que tem de Vos amar, para que unidos entre si com os laços de vossa caridade, glorifiquem todos, o vosso Divino Coração, que é para nós, fonte de vida e salvação. Divino Coração de JESUS, reinai em meu coração. Jesus, manso e humilde de coração, fazei nosso coração semelhante ao vosso!
A devoção ao Imaculado Coração de Maria tem também muitos devotos, em resposta ao sofrimento de Maria aos pés da Cruz de Jesus. Esse acontecimento foi profetizado pelo velho Simeão no Templo, dizendo que o Coração de Maria seria transpassado pela espada. Outra origem dessa devoção está em Lucas 2, 16-21. Essa passagem bíblica mostra que Maria guardava todas as palavras de Jesus em seu coração. A vida interior de Nossa Senhora, suas alegrias, tristezas, virtudes e perfeições são modelo de vida cristã e fonte de alegria.
Essa devoção é tão antiga quanto a devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Os dois Corações são inseparáveis. Onde está um, aí está o outro. Coração do Filho e coração da Mãe! A devoção ao Sagrado Coração de Maria está ligada à devoção ao Sagrado Coração de Jesus.
No ano de 1830, Maria Santíssima, aparecendo a Santa Catarina Labouré, pediu que ela cunhasse uma medalha que tinha de um lado o M de Maria e, abaixo, dois corações, representando a imagem do Sagrado Coração de Jesus e a imagem do Imaculado Coração de Maria. O Coração de Jesus está envolto por uma coroa de espinhos e o Coração de Maria é transpassado por uma espada. Do outro lado, há a imagem de Nossa Senhora das Graças derramando graças para o mundo inteiro. Assim é a famosa Medalha Milagrosa de Maria.
A devoção ao Sagrado Coração de Maria ficou mais conhecida quando Nossa Senhora de Fátima apareceu aos três pastorzinhos, Lucia, Francisco e Jacinta, na cova da Iria, em Portugal. Lá, Maria divulgou e apresentou meios para essa devoção. Ela solicitou claramente a Lucia que divulgasse e propagasse a devoção a seu sagrado coração.
A devoção ao Imaculado Coração de Maria foi incentivada por vários santos. Entre eles, São João Eudes, no século XVII. No ano de 1805, o papa Pio VII, que instituiu a festa do Sagrado Coração de Maria, no dia 4 de maio de 1944, consagrou o mundo ao Sagrado Coração de Maria, determinando que sua festa fosse celebrada no oitavo dia da Assunção, no dia 22 de agosto. No atual calendário celebrativo da Igreja, a sua celebração mudou para um dia após a festa do Sagrado Coração de Jesus.
O papa Pio X, vendo a importância dessa devoção para a Igreja, organizou-a e concedeu Indulgências Plenárias a todos os que atenderem ao pedido da Virgem Maria feito à irmã Lúcia, uma das videntes de Fátima. Em uma aparição de Maria Santíssima a Lucia, em Fátima, ela disse que queria que fossem guardados os 5 primeiros sábados durante cinco meses, com a oração do Rosário; a oração para pedir bênção e proteção para o papa e a participação na Eucaristia para que fossem reparadas blasfêmias contra a Imaculada Conceição, sua santa virgindade, sua maternidade divina e suas imagens.
Disse Maria Santíssima a Lucia:
“Olha minha filha, a todos os que, durante cinco meses, no primeiro sábado de cada mês, se confessarem, receberem a Santa Comunhão, recitarem um Rosário e me fizerem companhia durante quinze minutos, meditando sobre os quinze mistérios do Rosário, com o objetivo de reparar as ofensas que me são feitas, Eu prometo assisti-los na hora da morte, com todas as graças necessárias para a sua salvação”.
Oração ao Imaculado Coração de Maria
Ó Santíssimo Coração Imaculado de Maria, repleto de sentimentos de misericórdia e ternura; Vós que sois a Mãe de Cristo, Nosso Senhor, concedei a mim e a todos aqueles que honram este coração virginal, a graça de conservar até a morte, o perfeito equilíbrio de sentimentos, devoção e amor para convosco, nossa Mãe e Senhora. Misericordioso Coração de Maria, atendei nossas preces. Misericordioso Coração de Maria, rogai por nós. Amém.
Referências:
https://cruzterrasanta.com.br/historia-de-sagrado-coracao-de-jesus/56/102/
https://cruzterrasanta.com.br/historia-de-sagrado-coracao-de-maria/57/102/
Imagem: Imagem de heinemann3 por Pixabay
#Reflexão: 11º domingo do Tempo Comum (18 de junho)
A Igreja celebra o 11º Domingo do Tempo Comum, neste domingo (18). Reflita e reze com a sua liturgia.
Leituras:
1ª Leitura: Ex 19,2-6a
Salmo: 99(100),2.3.5 (R. 3c)
2ª Leitura: Rm 5,6-11
Evangelho: Mt 9,36-10,8
POVO ELEITO E SACERDOTAL
Como no domingo passado, também hoje encontramos Jesus que, mais uma vez, está atento às necessidades das pessoas. Ele não foi um burocrata de Deus que encarregou de executar coisas e ordens, Jesus se interessava sempre pelo ser humano em toda sua integridade. Mas, também vemos o Mestre Jesus, ao mesmo tempo, lamentar que são muitos que necessitam ser amparados e cuidados e poucos aqueles que se dispõem.
Jesus via as multidões que iam ao seu encontro. Necessitavam ser acolhidas em suas necessidades e nos seus desafios pessoais, desde coisas espirituais como também materiais. O lamento de Jesus não é porque Ele tem muito serviço, mas porque em outros tempos, nem sempre haverá pastores que se interessem realmente por seu rebanho. Jesus se doou ao extremo e até o fim, mas a necessidade de acudir as multidões permanecerá mesmo depois Dele.
Ouvimos no início do Evangelho: “Vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor.” Tudo nasce do olhar preocupado de Jesus. Ele pensa nas pessoas que O procuravam, não em seu tempo (que Ele poderia cuidar). Jesus se compadece em perceber que poderiam ficar sem pastores para animar as ovelhas cansadas e cuidar daquelas que estivessem abatidas.
Diz ainda Jesus, que a missão é constante e o trabalho não vai ter fim, pois a “messe é grande”. Em todos os tempos até o final da história, sempre haverá pessoas que precisarão conhecer Jesus. Completa Nosso Senhor que “os operários são poucos”, isso é, pessoas que se coloquem a serviço de Deus, para servir seu povo. Mas, é fundamental que sejam “operários” e não “donos do rebanho”; que sejam servos como Jesus foi servo da vontade de Deus junto ao seu povo.
Vemos, infelizmente, que estão aumentando aqueles que exploram o povo de Deus, que se enriquecem não como operários que se identificam com Jesus e com a sua vida, mas como donos e proprietários. Jesus quer que os verdadeiros operários nunca percam de vista que são discípulos e que o dono da messe é Deus Pai. Somos simples servidores na messe do Senhor.
Os operários de Jesus nascem da oração do seu povo. O dono da Messe chama sempre operários, e o povo precisa continuar rezando e pedindo, mas para que tantos e tantas respondam, generosamente, ao chamado do Dono da Messe. A Igreja de Jesus pertence a Deus Pai, Ele é o dono da messe, mas precisa de nós e necessita ainda de alguns que se coloquem como operários para cuidar e animar o seu povo: fazer o que Jesus fez.
Jesus, assim, antes de selar a Nova Aliança com seu Sangue, escolheu os apóstolos entre os discípulos com a missão de dar continuidade na história da sua missão. Eles tiveram e tem a missão de tornar todas as pessoas, em todos os tempos e na história, discípulos e discípulas em uma nova nação dos filhos e filhas de Deus.
Cuidar do seu povo, já era um sinal marcante da ação de Deus desde sempre. Na primeira leitura e no Evangelho, a ideia chave é “povo eleito”. O 1º texto da nossa missa situa-se no momento em que Deus dá a Moisés os 10 Mandamentos e que a saída do Egito e o caminho pelo deserto, tudo é obra de Dele e sinal da predileção sobre os seus filhos e filhas.
A forma de cuidado e de carinho em relação à “casa de Jacó” e aos “filhos de Israel” aparece na imagem da águia que carrega a todos sobre suas asas. Esta ave voa a uma altura que nada pode atingir. Não há nenhuma ave ou animal acima da águia, ela está bem perto do céu. Voa e se desloca a uma grande velocidade dificultando ser atingida. Em seguida, Deus chama atenção sobre as condições e atitudes necessárias para o seu povo. Deus faz sua parte, mas é fundamental que o povo chamado e escolhido, também faça a sua parte: “ouvir a minha voz” e “guardar a minha aliança”.
A aliança que Deus estabeleceu com seu povo no Monte Sinai foi um pacto de responsabilidade onde Deus se responsabiliza em cumprir sua parte e o povo também em observar sua aliança. Os 10 Mandamentos são a condição necessária para que Deus continue abençoando seu povo. Assim, observar os Mandamentos é se colocar em condição e abertura para as bênçãos e graças que o povo necessita.
A Aliança tornaria, então, aquela gente um povo, uma nação especial. Não separa os filhos de Jacó e Israel dos demais, mas consagra a todos para serem especiais no meio das demais nações. “Povo escolhido” = o próprio Deus escolheu a todos e agora todos pertencem a Deus; Um povo com uma identidade e uma missão especial em toda a terra. "Reino de sacerdotes” = Um povo inteiro como oferente a Deus; observar a aliança é oferecer a Deus, dons e dádivas; não pessoas exclusivas como especiais e únicas diante de Deus, mas toda a nação. “Nação Santa” = observar a aliança e guardar os mandamentos e tornar todos próximos de Deus, é o caminho para a santidade no AT.
Como vimos, no Evangelho, temos agora não mais Moisés como um líder que anuncia a vontade de Deus, mas o próprio Deus, Jesus, que escolhe um novo povo, dando continuidade à história da Salvação. Os apóstolos são o novo “povo sacerdotal”, eleitos e chamados diretamente por Jesus. E depois deles, todos que abraçarem a mesma fé.
São Paulo na 2ª leitura aos romanos nos lembra que todos temos uma origem comum de pecadores e longe de Deus. Jesus não morreu para “um povo”, “um grupo”, mas para toda a humanidade. Por isso, todos precisam conhecer esse dom especial de Deus para todos os homens e mulheres em todos os tempos.
A escolha dos apóstolos não os torna únicos, mas os primeiros que deverão anunciar como um “sinal” visível da nova realidade do povo de Deus. São missionários e anunciadores de Jesus para tornar todos, novos filhos e filhas de Deus. No início do Evangelho de Mateus, Jesus já tinha chamados alguns apóstolos onde eles estavam trabalhando: Pedro e seu irmão André; Tiago e seu irmão João. Eles eram pescadores e Jesus os convidou a serem com Ele, “pescadores de homens”. Agora Jesus convida alguns escolhidos do meio dos discípulos a serem operários na Messe do Senhor.
Jesus se revelou um mestre diferente: não teve escola, sua escola foi nas praças, nas estradas e nas vilas. Ele não se interessou e não se interessa pelos bens materiais das pessoas, pois o bem maior e mais precioso é cada pessoa com seus sentimentos e histórias. Ele não pede nada, não exige nada, mas oferece consolo e alento a cada pessoa perdida, doente e cansada.
Mateus assinala que era necessário que o seu povo, o povo judeu, sua gente mais próxima, povo que já conhecia a história dos antepassados e da antiga aliança, fosse o primeiro a receber a boa nova da Salvação de Jesus. Mas, os discípulos enquanto Jesus estava com eles, deveriam anunciar somente aos judeus; no final do seu Evangelho, Jesus manda os discípulos anunciarem a todo mundo.
São doze nomes de homens escolhidos no meio dos discípulos para jamais se esquecerem que devem continuar a viver como discípulos. O número doze representa os doze filhos de Jacó que se tornaram as doze tribos e depois o único povo de Deus. “Doze”: número dos escolhidos para fundar nova representação da nação de Deus neste mundo.
Jesus insiste que os apóstolos deveriam se ocupar do bem-estar de todos: doenças, ações do mal, entre outras ações. Eram os males que mais atingiam o povo da época. Ocupar-se das pessoas, de suas angústias e aflições. Pois o que marca a vida de Deus e diferenciava dos demais Mestres da época era a gratuidade: “De graça recebestes, de grava deveis dar”.
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